Revista Portuguesa de Investigação Comportamental E Social

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EISSN: 21834938
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Revista Portuguesa de Investigação Comportamental E Social, Volume 8, pp 1–17-1–17; https://doi.org/10.31211/rpics.2022.8.2.275

Abstract:
Objetivo: O presente estudo teve como objetivo pesquisar o impacto da pandemia COVID-19 na realidade profissional de assistentes sociais portugueses e brasileiros. Os assistentes sociais foram desafiados a exercer a sua prática profissional, enquanto serviço essencial, em condições de grande incerteza e de elevado risco, como foi o da pandemia. A investigação organizou-se em três eixos de análise: 1) impacto da pandemia nos beneficiários diretos do serviço social; 2) dificuldades, desafios, novas práticas e metodologias na intervenção social; 3) conciliação entre a vida pessoal e a vida profissional e preocupações futuras. Métodos: Recolha de dados por meio de um questionário sociodemográfico e profissional e um guião de entrevista. Em Portugal, foram realizadas 20 entrevistas a assistentes sociais usando a plataforma de videoconferência Zoom, e no Brasil foram efetuadas 17 entrevistas que decorreram de forma presencial, entre dezembro de 2021 e março de 2022. Resultados: O distanciamento social durante a pandemia implicou a adoção de tecnologias virtuais na prática do serviço social. Numa prática profissional em que o face a face é fundamental na relação, o confinamento e o isolamento foram constrangimentos extraordinários. Os assistentes sociais conviveram com insegurança, dificuldades de acesso a equipamentos de proteção individual, intensificação do trabalho e adaptação a uma nova dinâmica de trabalho. Conclusões: Os assistentes sociais inquiridos, apesar de exaustos, expressaram ter sido resilientes e capazes em rapidamente se adaptar a novas práticas, recusando-se a abandonar os valores e princípios éticos da profissão. Num contexto de grande incerteza, de pouca informação, de medo e mesmo com poucos recursos, os assistentes sociais tiveram presente o sentido de missão e de compromisso solidário que define a profissão — assegurar o acesso das pessoas aos direitos, ao bem-estar e à segurança.
Gabinete Editorial Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental E Social, Volume 8, pp 1–2-1–2; https://doi.org/10.31211/rpics.2022.8.2.286

Abstract:
Os altos padrões científicos mantidos pela Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social nos seus artigos deveram muito ao esforço dos revisoras-revisores, que ofereceram livremente o seu tempo e conhecimento. Assim, as Editoras da Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social agradecem aos seguintes 39 revisoras-revisores que reviram 24 artigos no período de novembro de 2021 a julho de 2022. Este grupo de revisoras-revisores tomou, em média, 16 dias para dar feedback, sugerir melhorias e fazer recomendações, sendo um de Angola, 11 do Brasil, três do Irão, um do México e 23 de Portugal.
Cláudia Luisa
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental E Social, Volume 8, pp 1–14-1–14; https://doi.org/10.31211/rpics.2022.8.2.268

Abstract:
Contexto e Objetivo: Em Portugal, como na maior parte dos países do Mundo, atravessamos uma conjuntura de graves desigualdades sociais, fenómenos de exclusão social e pobreza, aumento do desemprego e falta de oportunidades, situações agravadas pela Pandemia da COVID-19. Deste modo, o objetivo principal do estudo foi conhecer as perceções dos educadores sociais, a trabalhar no Algarve, acerca dos impactos da pandemia na sua vida profissional. Como objetivos específicos pretendia-se fazer uma caracterização sociodemográfica dos educadores sociais; conhecer as principais dificuldades que sentiram em contexto profissional durante a pandemia; identificar as suas estratégias de superação bem como conhecer a sua opinião acerca do respeito pelos direitos humanos. Método: É um estudo de natureza exploratória e descritiva, com abordagem qualitativa. A amostra foi por conveniência, e abrangeu 32 educadores sociais. A recolha de dados foi realizada através de inquéritos por questionário, preenchidos no Google Forms, constituídos por questões maioritariamente abertas. As respostas foram sujeitas a análise de conteúdo. Resultados: Os resultados permitiram identificar as dificuldades sentidas pelos educadores sociais em contexto profissional, nomeadamente a dificuldade na gestão dos recursos humanos, dada a falta de pessoas e também a dificuldade em manter o distanciamento social. A maioria dos respondentes considera que os direitos humanos foram negligenciados quer no seu local de trabalho quer na sociedade. Conclusões: Pensa-se que será um futuro complexo e de muito trabalho para os educadores sociais e para todas as pessoas envolvidas nos processos de tomada de decisão, implementação e avaliação de atividades e projetos, como forma de ultrapassar os desígnios deixados pela pandemia da COVID-19.
Rafael Nicolau Carvalho, Antonia Picornell-Lucas
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 8, pp 1-16; https://doi.org/10.31211/rpics.2022.8.2.264

Abstract:
Contexto: Crianças e adolescentes têm sido vítimas silenciosas durante os períodos de crise mundiais. Nas últimas décadas, desenvolveu-se uma discussão mundial para incluir saúde, educação, proteção social, moradia, alimentação, convivência saudável e participação como direitos numa agenda global e consolidar os direitos das crianças e dos adolescentes. O mundo vive a pandemia de COVID-19, que tem sido considerada uma das maiores crises da humanidade, com repercussões em todo o complexo da vida social. Crianças e adolescentes parecem ser os mais afetados pelos efeitos sinérgicos dessa pandemia, com evidências de aumento dos problemas de saúde mental, abuso, violência e outras formas de violação de seus direitos. Objetivo: este artigo discute estratégias de cuidado a partir de ações articuladas e coordenadas entre sistemas de proteção social que incluem serviços de saúde mental. Método: Realizou-se uma revisão narrativa da literatura na plataforma Scopus durante o início da pandemia COVID-19 em 2020. Naquele momento, muitas organizações apontaram para o impacto da pandemia na saúde mental das crianças e os desafios para os sistemas de proteção social. Por isso, buscamos capturar esse momento por meio de uma revisão narrativa da literatura para identificar as experiências em outras situações de crise sanitária e o que poderia ser feito. Desta revisão, extraímos categorias analíticas para desenvolver um guia de recomendações que pudesse ser utilizado para melhorar os sistemas de proteção social de crianças e adolescentes. Resultados: As análises sugeriram que os sistemas de proteção precisam desenvolver diferentes políticas sociais e planos de atenção à criança e ao adolescente durante a crise humanitária, que devem incluir ações de saúde mental e garantir seus direitos. Conclusão: Com base em nossas reflexões, desenvolvemos um guia de recomendações que podem ser adotados pelos governos para melhorar sua resposta às crianças durante um futuro pós-pandemia ou em outras situações de crise.
, , Márcio Tavares
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 8, pp 1-15; https://doi.org/10.31211/rpics.2022.8.2.271

Abstract:
Contexto: A violência obstétrica é um conceito multifatorial que envolve diversos atores, nomeadamente profissionais de saúde, parturientes e instituições de saúde, com influência direta sobre a sua definição e sobre o seu entendimento. Objetivo: Apresentar uma perspetiva holística do conceito violência obstétrica através da pesquisa e análise de estudos empíricos realizados com profissionais de saúde (e.g., enfermeiros, médicos, entre outros) e parturientes. Métodos: realização de uma revisão scoping, para a qual se estabeleceu como conceito base o de violência obstétrica. A pesquisa foi realizada nas plataformas Scopus, Web of Science e b-on. Resultados: Obedecendo aos critérios de inclusão definidos foram analisados 18 estudos. Os resultados agruparam-se em torno das perspetivas de três atores: parturientes, profissionais de saúde e instituições. Destacou-se a falta de informação; não obtenção do consentimento informado; uso de discursos depreciativos; recurso ao abuso físico, verbal e psicológica; violação dos direitos da mulher; falta de formação; humanização por parte de alguns profissionais de saúde; e limitações nas instituições e serviços de saúde, como os fatores que são mais identificados/relacionados com a violência obstétrica. Conclusões: O presente estudo contribuiu para reforçar a necessidade de se clarificar e uniformizar o conceito de violência obstétrica junto dos profissionais e sociedade em geral e fundamentar a importância do desenvolvimento de um instrumento capaz de avaliar a experiência das parturientes relativamente à violência obstétrica a partir da sua experiência. | Background: Obstetric violence is a multifactorial concept involving several actors, namely health professionals, parturients, and health institutions, directly influencing its definition and understanding. Objectives: To present a holistic perspective of the concept of obstetric violence through the review and analysis of empirical studies conducted with health professionals (e.g., nurses, and physicians, among others) and parturients. Method: A scoping review was conducted, for which obstetric violence was established as the basic concept. The search was conducted on Scopus, Web of Science, and b-on. Results: Eighteen studies were included according to the defined inclusion criteria. Results were grouped around the perspectives of three actors: the parturient woman, the health professionals, and the institutions. The lack of information; failure to obtain informed consent; use of derogatory speeches; use of physical, verbal, and psychological abuse; violation of women's rights; lack of training; humanization by some health professionals; and limitations in health institutions and services were highlighted as the factors that are most identified/related to obstetric violence. Conclusions: This study has contributed to reinforcing the need to clarify and standardize the concept of obstetric violence among professionals and society in general and to substantiate the importance of developing an instrument capable of assessing women's experience in labor regarding obstetric violence based on their experience.
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 8, pp 1–13-1–13; https://doi.org/10.31211/rpics.2022.8.2.272

Abstract:
Objetivo: A assertividade é definida como um comportamento de pensar eficiente e agir respeitosamente consigo e com os outros nas situações interpessoais. O nosso objetivo foi analisar a estrutura fatorial da Escala de Comportamento Interpessoal (ECI). Métodos: Participaram 305 residentes na cidade da Grande João Pessoa do Estado da Paraíba, com idades entre os 18 e os 56 anos (M = 25,29; DP = 7,32), na sua maioria do género feminino (62,0%). Resultados: Os resultados confirmaram a estrutura hierárquica da escala e apresentaram bons índices de ajustamento ao modelo (c²/gl = 1,82; CFI = 0,92; GFI = 0,94; RMSEA = 0,05; SRMR = 0,07; ECVI = 1,97), indicativos de um fator geral que abarcou todas as quatro dimensões (assertividade negativa, expressão e gestão das limitações pessoais, assertividade de iniciativa, assertividade positiva). Além disto, os fatores tiveram uma consistência interna estatisticamente satisfatória, (a de Cronbach e W > 0,60). Conclusões: As dimensões propostas foram adequadas à estrutura hierárquica do modelo, o que contribuiu para fazer as comparações transculturais.
João Pedro Cordeiro, Pedro Cunha,
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 8, pp 1-19; https://doi.org/10.31211/rpics.2022.8.2.263

Abstract:
Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar os níveis de empenhamento organizacional e a relação entre o empenhamento e as variáveis sociodemográficas dos profissionais, em contexto de ensino superior. O empenhamento é um aspeto crítico do desempenho individual e um alicerce fundamental do desenvolvimento das organizações. Como é gerido e a interrelação que estabelece com as caraterísticas pessoais tem sido área de desenvolvimento em vários estudos. Métodos: O estudo foi de natureza quantitativa e possuiu um corte transversal, através da aplicação de um inquérito por questionário a 127 trabalhadores não-docentes de uma instituição de ensino superior. O inquérito por questionário foi validado, apresentando boas qualidades psicométricas. Resultados: As hipóteses que sistematizaram as especificações entre as componentes do empenhamento e as variáveis idade, habilitações acadêmicas e categoria profissional foram confirmadas em algumas das suas várias subalíneas, revelando-se determinantes no modo como os indivíduos se encontram empenhados organizacionalmente. As hipóteses que orientaram as especificações entre as componentes do empenhamento e as variáveis gênero e antiguidade não foram confirmadas, não existindo relação entre elas. Conclusões: Os trabalhadores estão empenhados com a instituição, ainda que com níveis diferentes, os quais são ancorados por algumas caraterísticas sociodemográficas. Tratou-se de um estudo pioneiro em contexto nacional entre os diferentes tipos de empenhamento organizacional e as variáveis sociodemográficas, em contexto de ensino superior. Contribuiu para a formulação de estratégias de gestão focadas no empenhamento organizacional, apoiando a formulação de sistemas baseados no comportamento organizacional.
, , , , Djalma Barbosa, Nathália de Souza Machado dos Reis, Diego Silva Plácido
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 8, pp 1-11; https://doi.org/10.31211/rpics.2022.8.2.250

Abstract:
Contexto e Objetivo: Estudos recentes mostram um aumento de ideação e comportamentos suicidas entre jovens, havendo fortes associações com ser pobre, ser mulher, ser LGBT (lésbica, gay, bissexual ou transgénero) e sofrer discriminação na escola e/ou na internet. Embora os determinantes sociais da ideação suicida sejam amplamente debatidos em todo o mundo, há uma lacuna sobre esses temas em relação aos jovens brasileiros, o que o presente estudo pretende contribuir para preencher. Métodos: O estudo transversal utilizou uma amostra de conveniência de 475 alunos do ensino médio (16–17 anos) de nove escolas públicas do estado de São Paulo, Brasil. Resultados: Do total de entrevistados, 224 deles relataram ideação suicida ao longo da vida, uma prevalência inesperadamente alta (47,2%). Na análise múltipla com estimativa da razão de prevalência (RP) ajustada, atração por pessoas do mesmo sexo ou bissexual (RP = 1,87; IC95%: 1,5–2,3), estudar em escolas noturnas (RP = 1,36; IC95%: 1,1–1,6) — indicativo de menor condição econômica — e ser discriminado em escola (RP = 1,22; IC95%: 1,0–1,5) e na internet (RP = 1,48; IC95%: 1,2–1,8) foram associados positivamente à ideação suicida ao longo da vida. Raça/etnia e gênero dos alunos não foram associados. Conclusões: Os resultados apontam para a necessidade de consideração dos determinantes sociais da saúde mental no debate público e nos programas de intervenção voltados à juventude no Brasil e em outros lugares. O aprimoramento da promoção da saúde mental, levando-se em conta os determinantes sociopolíticos da saúde, deve ser uma prioridade estratégica e política. É crucial uma perspectiva interseccional abrangente que reflita sobre as várias formas de dominação e como estas se conectam com o sofrimento mental e suas consequências.
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 8, pp 1-18; https://doi.org/10.31211/rpics.2022.8.2.258

Abstract:
Objetivo: O estudo em causa teve como objetivo conhecer as representações sociais de universitários brasileiros sobre as influências na adesão ao distanciamento/isolamento social durante a pandemia pelo novo coronavírus. Métodos: Tratou-se de uma pesquisa qualitativa, orientada pela Teoria das Representações Sociais. Os estudantes foram selecionados por conveniência pelo método de amostragem em “bola de neve” em grupos de redes sociais. Os dados foram recolhidos por meio de um questionário eletrônico, elaborado pelos autores, via formulário digital na plataforma Google Forms. Para análise, utilizou-se a análise de conteúdo com o auxílio do software IraMuTeQ. Resultados: Participaram 798 universitários brasileiros, com média de idade igual a 23,59 anos; 71,7% dos respondentes eram do sexo feminino, 28,1% do sexo masculino e 0,3% eram intersexo. Como resultado, obteve-se quatro classes, organizadas em duas categorias, intituladas “Reproduzir a voz da ciência: o conhecimento científico como determinante de condutas” e “A vida em casa: o risco e o medo no quotidiano”. Conclusões: Depreende-se que os participantes estruturam as suas representações a partir das recomendações científicas e assumem a posição de reprodutores do discurso hegemônico sobre o isolamento/distanciamento social. Contudo, o processo de elaboração simbólica é marcado pelo medo de infetar as pessoas próximas e o desejo de protegê-las.
Evair Mendes da Silva Sousa, Mateus Egilson Da Silva Alves, , Igor Eduardo De Lima Bezerra, Maria Fernanda Lima Silva, Gutemberg De Sousa Lima Filho, Jéssica Gomes De Alcântara
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 8, pp 1-14; https://doi.org/10.31211/rpics.2022.8.2.243

Abstract:
Objetivo: Este estudo teve como objetivo compreender as representações sociais da velhice LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) entre adultos vivendo com vírus da imunodeficiência humana (VIH) no Brasil. Método: Participaram do estudo 111 pessoas de 21 Estados brasileiros, com média de idade de 42 anos, a maioria homens (85%), com orientação sexual homossexual (75%), solteiros (85%) e sem religião (34%). Para a coleta de dados foi utilizado um questionário sociodemográfico, também foi utilizada uma entrevista estruturada; ambos os instrumentos foram aplicados online. Resultados: As classes de representações partilhadas pelo grupo investigado se estruturam em três eixos principais: Velhice de pessoas LGBT; Velhice de pessoas que vivem com VIH; Interseccionalidade e pontos em comum entre os grupos. Conclusões: As representações direcionadas às especificidades de cada grupo foram: Idosos LGBT, ligados à solidão e discriminação; Pessoas vivendo com VIH, relacionadas com o uso contínuo de medicamentos. As experiências comuns e intersetoriais para ambos os grupos são as relacionadas com a vivência do estigma e da exclusão social. Assim, a partir das representações apreendidas, percebe-se a necessidade de uma compreensão interseccional acerca dos grupos investigados, tal como, a importância de trabalhar no combate aos estereótipos negativos aos quais esses sujeitos são submetidos.
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