Linguagens, Educação E Sociedade

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ISSN / EISSN: 15180743 / 25268449
Total articles ≅ 251

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Eliza Adir Coppi Leonetti, Júlia Scholz Karl
Linguagens, Educação e Sociedade, Volume 26, pp 184-210; https://doi.org/10.26694/rles.v26i50.2900

Abstract:
Os cursos jurídicos foram criados no Brasil em 1827 e, desde então, as normas que regem o ensino do Direito têm sofrido alterações com o intuito de melhor adequá-lo ao cenário político, econômico e social. O acesso ao ensino superior, em especial ao Direito, nem sempre foi democrático, tendo de início se prestado apenas às elites. Foi somente com a Constituição de 1988 que as políticas públicas de universalização do acesso à educação receberam destaque. Desse modo, o problema ao qual se dedicou a presente pesquisa foi compreender qual a possível relação existente entre o ensino do direito no Brasil, a partir da compreensão de seus marcos normativos desde o Império até o século XXI, com a economia de mercado. O objetivo geral consistiu em relacionar o ensino do direito com a economia de mercado. Para o desenvolvimento das etapas de pesquisa foram estabelecidos três objetivos específicos: identificar as principais alterações normativas que impactaram no ensino jurídico no Brasil; estabelecer uma análise crítica das mudanças legislativas e de seus impactos no ensino do Direito; e, por fim, refletir sobre os impactos da regulamentação do curso de Direito para a economia de mercado. A hipótese sugerida é de que a economia de mercado pode influenciar no ensino do Direito no que concerne ao direcionamento profissional, à oferta de cursos e à expansão do acesso ao ensino. A metodologia utilizada para o desenvolvimento da pesquisa foi o método indutivo e, para o desenvolvimento de cada etapa, optou-se pelo histórico e pelo monográfico.
Bruno Lima dos Santos, Jonisario Littig,
Linguagens, Educação e Sociedade, Volume 26, pp 158-183; https://doi.org/10.26694/rles.v26i50.2878

Abstract:
O presente artigo objetiva identificar e socializar a potencialidade e impacto social dos cursinhos populares na democratização do acesso ao ensino universitário e, também, na concretização do projeto de vida de jovens periféricos. Para tanto buscou-se compreender o processo de formação na educação básica, a projeção do projeto de vida e o ingresso no ensino superior. A pesquisa assume caráter qualitativo ao se propor analisar as relações a partir dos contextos sociais explicitados nas narrativas e nas perspectivas dos colaboradores. Participaram da pesquisa nove sujeitos que passaram por cursinhos populares e se dispuseram contribuir com nossas reflexões. As narrativas desvelam que os cursinhospopulares impactam na vida desses sujeitos através da horizontalidade do ensino e da construção de identidades socioculturais. A pesquisa sinaliza que os cursinhos populares ao contribuírem para mitigar as deficiências da educação básica pública, apresentam potencial de contribuir efetivamente com estudantes, cujo projeto de vida é ingressar no ensino superior. No entanto, denuncia, também, a urgência da necessidade do aperfeiçoamento de políticas públicas na educação básica, buscando um aprimoramento da educação pública, no intuito de formar sujeitos capazes de fazerem escolhas e de ingressar no ensino superior sem depender dos cursinhos populares.
, Sônia Fortes Maciel
Linguagens, Educação e Sociedade, Volume 26, pp 211-237; https://doi.org/10.26694/rles.v26i50.2990

Abstract:
Em nossa prática pedagógica, a ação de avaliar as produções de textos dos alunos sempre nos fez refletir acerca de como poderíamos contribuir para o desenvolvimento da escrita dos mesmos. Associada às nossas reflexões estava à necessidade de trabalharmos com os gêneros discursivos/textuais. Nesse sentido, o objetivo do presente artigo é compreender como o processo avaliativo pode contribuir para o desenvolvimento da escrita, a partir do uso do bilhete textual-interativo. Para tanto, partimos do trabalho com o gênero discursivo/textual relato pessoal, pautado pela sequência didática descrita por Lopes-Rossi (2011), em uma turma de 8º ano do Ensino Fundamental. Para compreendermos como as práticas avaliativas podem estar a serviço da aprendizagem, recorremos à Villas Boas (2008), Hadji (2001), Hoffmann (2001) e Luckesi (2005); para viabilizarmos o trabalho acerca do gênero adotado e o desenvolvimento da escrita dos estudantes, fundamentamo-nos em Bakhtin (2011), Marcuschi (2008), Koch e Elias (2007; 2012), Antunes (2003), Geraldi (2011), Ruiz (2013), Serafini (1998) e alguns documentos oficiais. A metodologia privilegiou a abordagem qualitativa de natureza intervencionista, por meio da pesquisa participante. Utilizamos como instrumentos de geração de dados a sequência didática descrita por Lopes-Rossi (2011) associada à observação participante e rodas de conversa. A partir dos resultados obtidos, afirmarmos que o processo avaliativo, realizado pelo professor de Língua Portuguesa, a partir do uso do bilhete textual interativo contribuiu, consideravelmente, para o desenvolvimento da habilidade de escrita dos alunos.
Núbia Ketyllen Zeferino
Linguagens, Educação e Sociedade, Volume 26, pp 79-104; https://doi.org/10.26694/rles.v26i50.2874

Abstract:
Este artigo tem o propósito de discutir os conceitos de cultura, linguagem e multiletramentos. A partir dessa discussão busca-se expandir o conhecimento acerca da linguagem digital para problematizar a questão concernente à linguagem apropriada para atender aos objetivos educacionais que visem a um ensino crítico e a uma aprendizagem autônoma. A análise conceitual discutida, tem como foco a formação de atores escolares conscientes, frente à tecnologia digital. À luz de teóricos como Benjamin, Marx, Vieira Pinto, Freire e Santaella, espera-se que as reflexões teóricas levantadas atendam ao objetivo e à indagação deste artigo. Almeja-se ainda, que a partir das considerações finais acerca da linguagem apropriada para atender aos objetivos educacionais nesta cultura digital, sejam suscitados outros debates teóricos.
Diego Fonseca Dantas
Linguagens, Educação e Sociedade, Volume 26, pp 07-36; https://doi.org/10.26694/rles.v26i50.2873

Abstract:
O tema deste ensaio é a relação ideologia e educação, e, como objeto concreto de suporte a essa relação, faz-se uma revisão crítica sobre o Movimento Escola Sem Partido (MESP). Criado em 2004 pelo advogado Miguel Urbano Nagib, o MESP é um movimento que foi criado na contracorrente da conjuntura política do país, quando um partido de centro-esquerda havia chegado ao poder executivo. O presente artigo desenvolve a ideia de que, apesar de a liderança tabaréu do MESP despontar como o principal difusor do irracionalismo anti-intelectualista no país, no plano político-ideológico hegemônico sua presença equivale às ações pautadas pelo moralismo cínico dos teólogos-empresários, jornalistas orgânicos e astrólogos-gurus a apresentar, como verdades absolutas, disparates anticientíficos, como o criacionismo e o terraplanismo, nas redes sociais e nas mídias tradicionais. Considera que a influência e penetração ideológica na sociedade de ambos são menores do que a dos conglomerados educacionais financeiros-rentistas como Lemann, Ayrton Senna, Abril, Pitágoras/Kroton/Cogma, dentre outros. Dado todo este quadro, o artigo conclui que, sem condições de promover um avanço civilizatório, tempo que se perdeu em meados dos anos 60, parte significativa do Brasil se entregou à intensificação da precarização em todos os níveis, sendo o MESP uma das gambiarras morais da atualidade contra o que se contrapõe à sua barbárie ética.
Pedro Melo, Luis Carlos Sales
Linguagens, Educação e Sociedade, Volume 26, pp 135-157; https://doi.org/10.26694/rles.v26i50.2966

Abstract:
A presente pesquisa é resultado de uma dissertação de mestrado em educação da Universidade Federal do Piauí, que analisou o processo de municipalização da educação infantil pública de Teresina, que ocorreu paralelamente ao entendimento dessa etapa da educação básica como vertente educacional entre os anos de 1998 e 2007. Para isso, utilizou-se o método histórico, a partir de fontes hemerográficas, documentais, fontes orais, censos escolares (através do Statistical Package for the Social Sciences - SPSS), correlacionando com a historiografia do período. Pode-se constatar que mesmo com a promulgação da constituição brasileira de 1988, que garantiu o direito educacional das crianças a creches e pré-escolas e com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996, que a colocou como integrante da educação básica, a posição da Secretaria Municipal de Educação de Teresina (SEMEC) de institucionalizar o atendimento à infância para sua alçada se deu somente em 2007, pela decisão política do então secretário municipal de educação Washington Bonfim, consequência do surgimento do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB/2006), por uma questão financeira, ocasionando o processo de municipalização.
Tatiana Santos Arruda
Linguagens, Educação e Sociedade, Volume 26, pp 281-314; https://doi.org/10.26694/rles.v26i50.2911

Abstract:
O objetivo deste artigo é analisar como o curso Tempo de Aprender aborda o processo de aprendizagem inicial da língua escrita, na educação infantil. Partimos da compreensão de que esta etapa possui uma especificidade pedagógica voltada ao desenvolvimento integral das crianças e sua formação cultural e que a aprendizagem inicial da língua escrita envolve os processos de alfabetização e letramento. A construção das informações ocorreu segundo a análise de conteúdo, seguindo com a análise documental dos módulos presentes no curso. Nas considerações finais concluímos que: a) o curso não considera a função social da educação infantil e sua relação com o processo de aprendizagem inicial da língua escrita; b) as concepções de criança e infância remetem a sujeitos passivos no processo de aprendizagem; c) há uma desarticulação entre os processos educativos e as experiências das crianças, o que abrange a ausência das diferentes funções sociais da escrita.
Isadora Fonseca de Souza,
Linguagens, Educação e Sociedade, Volume 26, pp 238-280; https://doi.org/10.26694/rles.v26i50.2896

Abstract:
O presente artigo tem como principal objetivo propor e analisar o impacto do uso do gênero textual causo, no processo de alfabetização e letramento na Educação de Jovens e Adultos. Trata-se de pesquisa qualitativa, do tipo pesquisa-ação. Esse trabalho foi realizado no ano de 2017, com uma turma de 16 alunos, da classe de alfabetização da EJA, em uma escola municipal do interior do estado de São Paulo. Foram realizados 9 encontros, de 2 horas cada um. Essa experiência permitiu conhecer a subjetividade do aluno jovem, adulto e idoso, e constatar que, embora alfabetização e letramento possuam conceitos diferentes, ambos devem caminhar simultaneamente para atender às exigências do aprendizado. Concluiu-se que o uso de causos facilita o processo de alfabetização na perspectiva do letramento, devido à familiaridade dos alunos com o gênero.
Laudelino Henrique de Oliveira Vicente,
Linguagens, Educação e Sociedade, Volume 26, pp 37-61; https://doi.org/10.26694/rles.v26i50.2898

Abstract:
Esta pesquisa teve o objetivo de investigar as práticas de manejo dos comportamentos agressivos em crianças na educação infantil. Participaram 15 profissionais, com diferentes níveis de formação e experiência. A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas, com 40 a 80 minutos de duração, de maneira remota, pela plataforma Google Meet. Os dados foram organizados e analisados segundo a metodologia de análise temática, proposta por Braun e Clarke. Os resultados apontam para a importância não somente das práticas de manejo propriamente ditas, mas também da manutenção do clima afetivo-emocional da relação professor-aluno, facilitado por uma atitude de respeito e acolhimento dos profissionais nos momentos de intervenção sobre os comportamentos agressivos. Também foram ressaltados o desgaste emocional gerado pelas situações de agressão das crianças, bem como o papel da instituição escolar nas estratégias de manejo. Entende-se que há uma complexidade no manejo destas situações na educação infantil e, por conseguinte, a necessidade do envolvimento de vários setores para um manejo adequado.
Thiago Bergler Bitencourt, Fernanda Natali Demichelli
Linguagens, Educação e Sociedade, Volume 26, pp 62-78; https://doi.org/10.26694/rles.v26i50.2916

Abstract:
A educação de surdos no Brasil refere-se a um capítulo recente na história da educação, e até mesmo da educação inclusiva. Muitas lutas foram travadas pela comunidade surda, até a aprovação da Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS como língua oficial em 2002. Marco importante nesse processo educacional, que passou do oralismo, comunicação total, atingindo seu ápice com o bilinguismo. A partir daí, intensificaram-se as discussões e os processos para a inclusão dos estudantes surdos em todos os níveis educacionais. No decorrer dessa trajetória, o processo de inclusão e educação de surdos, ocasionou a demanda pela ampliação do vocabulário da Libras, fomentando importantes estudos e pesquisas na área da linguística das línguas de sinais brasileiras. Nesse sentido, o presente estudo teve como objetivo contribuir com o processo de ampliação de sinais em Libras na área de Ciências, utilizando a metodologia das práticas de letramento, por grupo composto de estudantes surdos e professores bilíngues. Após realizar levantamento dos termos que não possuíam sinais, os conteúdos foram apresentados aos estudantes surdos por professor bilíngue da área de Ciências, seguindo a metodologia das práticas de letramento, e após o entendimento do significado de cada conceito, o grupo elaborou, de forma coletiva, o sinal em Libras que melhor representava determinado conceito. Ao final do trabalho, o grupo elaborou 33 sinais para conceitos da área de Ciências que ainda não contavam com sinais estabelecidos.
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