Memorandum: Memória e História em Psicologia

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EISSN : 1676-1669
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Memorandum: Memória e História em Psicologia, Volume 38, pp 1-29; doi:10.35699/1676-1669.2021.25462

Abstract:
Unidade (pluralidade) versus desunidade (pluralismo) tem sido debate conceitual frequente em torno da existência de uma ou de várias psicologias. Na literatura, os debates se intensificaram com a série Psychology: A Study of a Science, editados por Sigmund Koch, entre 1959 e 1963. No final dos seis volumes publicados, Koch concluiu que a psicologia não é uma ciência coerente, e sim uma coleção de estudos, variando entre maior ou menor rigor científico. Desde então, o tema tem sido frequente nos poucos periódicos abertos à psicologia teórica, trazendo proposições de teorias unificadoras, defesa de unificação por áreas, ou alegações de que a grandeza da disciplina está na diversidade. O presente artigo argumenta que a premente necessidade não é de teorias que sugiram modos de unidade, mas de critérios que apontem para possibilidades de se mover com proveito entre teorias, atento às surpreendentes relações implícitas entre elas.
Danilo Saretta Verissimo
Memorandum: Memória e História em Psicologia, Volume 38, pp 1-23; doi:10.35699/1676-1669.2021.19976

Abstract:
Circunscrevemos e examinamos, neste trabalho de cunho teórico, linhas de estudo, redes conceituais e discussões em torno da percepção que se destaquem no âmbito do que denominamos de teorias praxiológicas da intencionalidade perceptiva. Orientamo-nos, em termos teórico-metodológicos, pela tradição fenomenológica. Partimos do pressuposto, presente nas abordagens fenomenológicas da percepção, da concentricidade entre a experiência perceptiva do espaço, do corpo próprio e de outrem. Combinados a estes três eixos concêntricos, elencamos, para a discussão, os problemas da atenção perceptual e da percepção amodal, do esquema e da imagem corporal, e da atenção conjunta e dos neurônios espelho. São reforçados, na análise, os vínculos entre percepção e ação, o que nos aproxima de uma concepção corpórea e situada da subjetividade.
Fabio Scorsolini-Comin, Sara Miyuki Suzuki
Memorandum: Memória e História em Psicologia, Volume 38, pp 1-23; doi:10.35699/1676-1669.2021.20549

Abstract:
O objetivo deste estudo é refletir sobre os processos de desenvolvimento humano de pessoas que atuam como médiuns em comunidades espíritas na cidade de Uberaba, Estado de Minas Gerais, Brasil. Para tanto, foi empregado o modelo bioecológico tanto para a compreensão do desenvolvimento humano como da experiência da mediunidade segundo as narrativas de nove médiuns de três casas espíritas diferentes, todas submetidas à análise temática reflexiva. As relações proximais estabelecidas nos centros espíritas foram apontadas como importantes para a compreensão da experiência mediúnica, com destaque para o aprendizado oportunizado não apenas pelo estudo da doutrina dentro da instituição como do trabalho assistencial presente no microssistema. No espiritismo, o caráter temporal ultrapassa os limites da experiência terrena, passível de compreensão bioecológica, sendo necessário que o cronossistema considere o progresso espiritual através de diferentes encarnações. A mediunidade marcou, nesses participantes, uma importante transição ecológica responsável por evidenciar a ocorrência do desenvolvimento humano.
Memorandum: Memória e História em Psicologia, Volume 38, pp 1-20; doi:10.35699/1676-1669.2021.21437

Abstract:
Objetivamos introduzir um diálogo teórico e comparativo entre a terapia centrada no cliente, de Carl Rogers, e a terapia do esquema, de Jeffrey Young. Inicialmente, apresentamos o planejamento metodológico bibliográfico para realizar esse diálogo. Posteriormente, descrevemos seus principais conceitos e operacionalizações clínicas. Em seguida, estabelecemos aproximações e distanciamentos. Os pontos de interlocução encontrados foram: o uso/não uso do diagnóstico no tratamento da personalidade; atenção aos processos do terapeuta como influentes na dinâmica terapêutica; a questão da sustentação empática em termos de compreensão e confrontação; a diretividade e não diretividade na postura terapêutica; semelhança entre os conceitos de campo fenomenológico e esquema; as noções de self; os modos de autodefesa; a importância dos afetos e emoções nas intervenções clínicas; as formas de alcançar uma ressignificação terapêutica. Concluímos com a observação de que a terapia centrada no cliente deixou um legado que serviu de referência para algumas abordagens psicoterapêuticas cognitivas e comportamentais.
Gabriela Daud Bollela, Marina Massimi
Memorandum: Memória e História em Psicologia, Volume 38, pp 1-37; doi:10.35699/1676-1669.2021.15286

Abstract:
O objetivo do artigo é comparar duas narrativas acerca de um evento histórico à luz da história dos saberes psicológicos: o movimento de Canudos liderado por Antônio Conselheiro. As narrativas comparadas são: a interpretação dada por Euclides da Cunha acerca das características psicológicas dos participantes desse movimento, em Os Sertões; e os relatos acerca das experiências subjetivas vivenciadas em narrativas orais de sobreviventes de Canudos, colhidas por Odorico Tavares. As duas fontes, produzidas em diferentes gêneros literários (literatura e memória oral) focam as vivências dos participantes de Canudos, divergindo na forma como foram colhidas: a primeira por um observador externo e escritor interprete da visão cultural da intelectualidade brasileira da época; a segunda, expressão narrativa dos atores do movimento entrevistados. Os lugares-comuns evidenciados em ambas as narrativas foram analisados à luz dos respectivos universos histórico-culturais. As divergências emergentes são relacionadas a teorias e saberes psicológicos inerentes a esses universos.
Pedro Henrique Barbosa de Souza, Mariana Bonomo
Memorandum: Memória e História em Psicologia, Volume 38, pp 1-27; doi:10.35699/1676-1669.2021.20200

Abstract:
A partir da perspectiva psicossocial da memória social, o estudo teve como objetivo analisar as memórias étnicas e comunitárias entre mulheres quilombolas, líderes de uma comunidade localizada na região do Sapê do Norte – ES. Utilizando um roteiro semiestruturado, foram entrevistadas seis mulheres, com idades entre 32 e 65 anos. As narrativas foram sistematizadas por meio da análise de conteúdo, a partir de três unidades temáticas: memórias e vivência das mulheres, aspectos do cotidiano e identidade. Os resultados indicaram que as atividades religiosas, culturais, de trabalho, lazer e as formas de cuidado com a saúde possuem relação com a ancestralidade e com o território. A partir da memória oral e da memória prática, as memórias pessoais se confundem com a história do grupo, mesmo que as pessoas não tenham vivido determinados fatos históricos e sociais diretamente, configurando importante campo de significação que orienta os processos de identificação social na comunidade.
Belinda Mandelbaum
Memorandum: Memória e História em Psicologia, Volume 38, pp 1-11; doi:10.35699/1676-1669.2021.27071

Flávio Fernandes Fontes
Memorandum: Memória e História em Psicologia, Volume 37; doi:10.35699/1676-1669.2020.19144

Abstract:
O burnout se tornou um tema amplamente investigado no âmbito da psicologia organizacional. Sua definição e escopo são objeto de um debate científico e político internacional. Enquanto um dos fundadores do conceito, Herbert J. Freudenberger desempenhou um papel importante na formação da pesquisa sobre o burnout. Este artigo segue os diferentes sentidos e transformações do conceito de burnout ao longo de sua carreira, baseado em uma leitura minuciosa de suas obras. A metodologia é inspirada na história de objetos psicológicos de Danziger e por estudos que mostram a importância de metáforas no raciocínio científico. Os resultados mostram a importância do movimento Free Clinic e da psicanálise na descrição original de Freudenberger. Duas metáforas são identificadas e analisadas como o cerne do burnout: o burnout como uma síndrome e o homem como um sistema de energia. A conclusão argumenta que um melhor conhecimento sobre o passado do burnout pode ser a chave para modificar seu desenvolvimento futuro.
Victor Monteiro, ,
Memorandum: Memória e História em Psicologia, Volume 37; doi:10.35699/1676-1669.2020.14703

Abstract:
Neste artigo, tivemos como objetivo revisar os fundamentos teóricos da psicopatologia fenomenológica de Thomas Fuchs no que tange a experiência do corpo na depressão melancólica. Através de pesquisas em bases de dados eletrônicas, realizamos uma revisão de literatura que investigou as obras publicadas pelo autor entre 1994 e 2018. Encontramos a corporeidade destacada como uma via de acesso à compreensão da depressão melancólica, desenvolvida no sentido da intercorporeidade ao se centrar na ideia de intersubjetividade. A intercorporeidade é a ponte de constituição ambígua da relação homem-mundo, possibilitando o compartilhamento de nossas experiências. Para Fuchs, a depressão melancólica é um transtorno da intercorporeidade, pois ao invés de conectar homem e mundo a experiência corporal torna-se um obstáculo. Fuchs contribui para a construção de uma perspectiva de humano encarnado, em que este se configura como unidade indivisível na experiência ao compreender a depressão melancólica como modo de estar no mundo do paciente.
André Elias Morelli Ribeiro, Leonardo Lemos De Sousa
Memorandum: Memória e História em Psicologia, Volume 37; doi:10.35699/1676-1669.2020.15830

Abstract:
O método clínico piagetiano apresentou-se como uma nova forma de conduzir pesquisas experimentais com crianças no estudo da inteligência. Para investigar suas origens, conduziu-se um resgate histórico desde a adolescência de Piaget, passando pelos seus dias em Zurique até sua temporada na Salpêtrière, visando a resgatar as múltiplas condições de produção do método piagetiano, confrontando os dados biográficos, bibliográficos, autobiográficos e fontes primárias. Ao fim, é proposto um modelo de entendimento de como este autor produziu sua metodologia, fundamentado em três hipóteses que se complementam, a saber, o contato com o teste de Burt, a metodologia piagetiana de pesquisa em malacologia e o método psiquiátrico francês. Conclui-se que o método não é tributário efetivamente de nenhum modelo isoladamente, mas se constitui na assimilação de ideias e acomodações da prática, o que aproxima a origem do método à Teoria da Equilibração, colocando o método clínico como uma espécie de autobiografia intelectual.
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