Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea

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EISSN : 2317-9570
Published by: Universidade de Brasília (10.26512)
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Carlos Henrique Barth
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 39-68; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i3.34363

Abstract:
Técnicas de inteligência artificial (IA) são utilizadas para modelar as atividades humanas e gerar predições comportamentais. Estes sistemas têm apresentado vieses diversos, inclusive de raça e gênero, tipicamente tomados como problemas de engenharia. Realiza-se aqui um esforço argumentativo para mostrar que: 1) escapar dos vieses demanda um sistema que compreenda a estrutura das atividades humanas e; 2) criar um sistema que apresente tal compreensão, demanda a solução de problemas fundacionais da IA, em particular, o problema de como modelar o senso comum. No caso de plataformas informacionais que usam desses modelos para mediar interações com seus usuários, algo cada vez mais comum, o não reconhecimento disso dá margem a uma ilusão de progresso, em que uma crescente influência sobre nosso comportamento é tomada como uma crescente acurácia preditiva. Nesse cenário, argumenta-se que o problema dos vieses está associado a questões não técnicas que devem ser discutidas em espaços públicos.
Jefferson Silva, Marcius Tadeu Maciel Nahur
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 155-180; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i3.34300

Abstract:
Este artigo tem como objetivo discutir a racionalidade do governo gerenciado pela lógica dos algoritmos. Trata-se de uma lógica de cálculos e estatísticas utilizada para conduzir as ações individuais, mesclada à s funções das máquinas autônomas, caracterizando um novo regime de produção de subjetividades. Estruturando as relações entre o humano e a máquina, no espectro virtual da imediatidade, e recolhendo o máximo de informações sobre os desejos e necessidades dos indivíduos, o governo algorítmico opera com a ideia de uma regulação inerente à própria circulação intermitente de dados, afetando experiências pessoais e sociais, através da vigilância sistêmica e do controle gradativo dos processos das manifestações subjetivas.
Thomas Berns, Maria Cecília Pedreira de Almeida,
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 29-37; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i3.36260

Abstract:
Neste artigo, publicado originalmente na França (Rendre la révolte impossible, Rue Descartes, 2013/1, n. 77, pp. 121-128), Thomas Berns reflete sobre um novo tipo de normatividade, que se afasta do modelo jurídico-discursivo e subverte um aspecto fundamental daquilo que entendemos tradicionalmente por norma: a possibilidade de desobediência. O autor procura discernir, nas normatividades contemporâneas, uma nova relação com a realidade, uma pretensão de governar a partir do real. Diferentemente da norma jurídica, que expressa um ato de vontade que procura governar o real, tais normatividades são concebidas como imanentes ao real, permitindo que as práticas de governo se tornem mais insidiosas, quase imperceptíveis, como vemos na “governamentalidade algorítmica”. A tradução deste artigo para o português procura contribuir para a difusão, no Brasil, desse importante debate sobre a política e o direito na contemporaneidade.
Rafael Siqueira Monteiro
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 265-284; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i3.31766

Abstract:
O presente artigo analisou como o cristianismo produziu uma subjetividade por meio da qual o sujeito renunciou a si mesmo. Defendemos a hipótese de que esse modo de subjetivação cristã somente foi possível graças a duas características presentes na relação sujeito e verdade no cristianismo primitivo: a obrigatoriedade de confessar uma verdade de si e a imperfeição que caracteriza a natureza humana na antropologia cristã. Em outras palavras, a confissão da verdade de si tornou-se uma espécie de cura para os pecados oriundos da natureza imperfeita dos homens. Nesse duplo movimento que se iniciava por uma hermenêutica de si e findava na verbalização da verdade encontrada em seu próprio interior, o sujeito se enredou em uma malha de poder constituída por verdades confessadas que o levaram a renunciar a si mesmo. Â
Antoinette Rouvroy, Maria Cecília Pedreira de Almeida,
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 15-28; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i3.36223

Abstract:
Antoinette Rouvroy é sem dúvida umas das principais referências mundiais no que se refere ao uso dos big data e de algoritmos nas sociedades modernas, tendo cunhado o termo, juntamente com Thomas Berns, de “governamentalidade algorítmica”, agora bastante estudado e difundido. Nesta entrevista, encaminhada com exclusividade à Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, a pesquisadora afirma que certas tecnologias pretenderiam eliminar as incertezas sobre o futuro, interferindo e moldando comportamentos humanos. Apesar de tecer duras críticas à atual “sociedade da otimização”, na qual se destacam ao mesmo tempo o afã de otimização e ao mesmo tempo a espantosa passividade digital, também declara ter esperanças em um futuro não tão distópico. Segundo ela, “a melhor forma de resistência é não se deixar fascinar pela Inteligência Artificial”. Por fim, revela que é preciso lidar com o fato de que os dados são excessivamente centralizados por grandes companhias e fora de qualquer controle de natureza democrática. Portanto, segundo Rouvroy, é preciso repensar profundamente a situação dos dados, para que as instituições possam exercer algum papel, garantindo a transparência e a finalidade de sua utilização. A entrevista foi concedida originariamente ao Green European Journal, em inglês, em março de 2020. Aqui trazemos a versão revista e ampliada pela autora, com passagens inéditas.
Denilson Soares Cordeiro
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 207-224; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i3.34772

Abstract:
O artigo aborda o chamado ensino remoto como a versão atualizada e político-tecnológica do agravamento das decisões oficiais contra a educação pública e o direito à educação de qualidade. Nesse sentido, procuro apresentar uma discussão tomando como base relatos da minha própria experiência na docência universitária e na pesquisa que tem como campo a escola pública, para, em seguida, discutir os termos contextuais do problema no âmbito do “extrativismo de dados” das grandes empresas norte-americanas de tecnologia, que gerem exclusivamente toda produção, transmissão e armazenamento de dados no ensino remoto público, com base naquilo que Evgeny Morozov chama de “solucionismo tecnológico”.
, Salomón Abasto Macías
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 137-153; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i3.34460

Abstract:
O presente artigo parte da transição discreta entre as sociedades disciplinares para as sociedades de controle que, em tese, se realizada pela utilização das tecnologias de vigilância e a produção das Big Datas. A partir dessa premissa o artigo busca na relação de dados e algoritmos as condições de possibilidade de uma governamentalidade algorítmica que transforma as subjetividades dos indivíduos em perfis gerados pelas tecnologias, como forma de compreensão da sociedade. Com isso, o estudo tem por objetivo compreender como a governamentalidade algorítmica influencia na construção da realidade subjetiva e social através das tecnologias de comunicação e informação que se alimentam com dados, que logo, através da Data Science, se torna em algo utilizável a favor do controle das populações. Por fim, conclui-se que o futuro estará cada vez mais entrosado com a sociedade de controle algorítmica, e que, precisamos ser críticos com os eventos relacionados à tecnologia, à ciência e a sociedade.
Cristian Arão
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 181-206; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i3.34292

Abstract:
O mundo político foi tomado de sobressalto em meados da década passada pela descoberta da influência de empresas de propaganda que teriam utilizado rastros digitais dos eleitores para manipulá-los. Com o auxílio do Big Data e dos algoritmos, grupos teriam conseguido hackear eleições ao redor do mundo, criando uma nova arma de manipulação psicológica que constituiria uma ameaça à democracia. Este artigo, entretanto, pretende lançar luz sobre outra perspectiva: muito embora os avanços tecnológicos demandem análises específicas, mecanismos de controle social subjetivo não são uma novidade. Dessa forma, as táticas usadas contemporaneamente não são invenção de um modo novo de fazer política, são versões atualizadas de um sistema de manipulação antigo. Se a democracia corre risco porque as pessoas estão sob a mira de grupos que tentam influenciá-las sem que elas saibam, ela sempre esteve, pois sempre que a opinião pública foi importante, houve sistemas articulados para manipulá-la.
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 247-263; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i3.31233

Abstract:
As diversas técnicas de memória têm privilegiado a constituição de um aparato institucional. O projeto nietzschiano de transvaloração dos valores se impôs contra estas disposições da memória, para tanto, opera num movimento inverso, pela promoção de técnicas que privilegiem a dissolução da memória em esquecimento. De modo a enfraquecer o aparato moral institucional e fortalecer o projeto de valores que privilegiem a vida e suas disposições anímicas. Contudo, vigora neste projeto nietzschiano uma aporia: a de permanecer na esfera da afirmação da técnica. Se, por um lado, Nietzsche questiona todos os mecanismos técnicos, a saber àqueles relativos aos estabelecimentos de ensino por outro, ele não ultrapassa esta esfera, afirma a técnica através dos mecanismos do esquecimento, ao questionar as técnicas de memória. Em que medida os escritos de Nietzsche inspiram uma reflexão profícua para pensar a técnica e sua aplicação à memória?
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