Cadernos CESPUC de Pesquisa Série Ensaios

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ISSN / EISSN : 1517-3917 / 2358-3231
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Janaína Zaidan Bicalho Fonseca, Angelo Roberto Gonçalves Ribeiro
Cadernos CESPUC de Pesquisa Série Ensaios pp 179-199; https://doi.org/10.5752/p.2358-3231.2020n37p179-199

Abstract:
Este artigo objetiva apresentar um exercício de escrita mediada por uma perspectiva dialógica da linguagem. Para isso, valemo-nos de um trabalho pautado na paráfrase e na reconstrução de sentidos, a partir da reescrita, empreendida por um acadêmico de Letras, de manchetes jornalísticas de caráter racial, fundadas desde uma visão preconceituosa e excludente. A ideia desenvolvida girou em torno da ressignificação de sentidos, tomando como direção escolhas e posicionamentos próprios do produtor do texto, num encaminhamento autoral de escrita. A perspectiva teórica baseou-se nas categorias conceituais bakhtinianas, tanto no tocante à análise das manchetes, quanto no que diz respeito às análises metadiscursivas empreendidas pelo autor das reescritas.
Daniella Lopes Dias Rodrigues
Cadernos CESPUC de Pesquisa Série Ensaios pp 83-104; https://doi.org/10.5752/p.2358-3231.2020n37p83-104

Abstract:
Neste artigo apresento resultados de estudo sobre a representação do discurso do outro (RDO) em artigos científicos publicados em revistas Qualis A e B nas áreas de Linguística, Ciências Sociais e Engenharias, à luz dos aportes teóricos da linguística da enunciação, a fim de evidenciar que a escrita de pesquisa não é homogênea como pressupõem, geralmente, os manuais que a orientam. Partindo da premissa de que o discurso direto revela o RDO no sentido estrito, quer dizer, o discurso direto tem por objeto um ato de enunciação outro, bem como um estatuto autônomo ou de menção conferido ao enunciado reapresentado (AUTHIER-REVUZ, 2008), identifiquei 233 citações diretas do tipo longa (denominação dada pela ABNT), as quais foram cotejadas, o que me permitiu categorizá-las em teórica, documental e cultural, dados seu estatuto epistêmico e a origem da citação. Tal resultado pode: i) servir de ponto de partida ou de fio condutor para reflexões sobre os modos de textualização e discursivização da escrita de pesquisa; ii) levar os estudantes universitários a refletir sobre as características da escrita científica da sua área disciplinar; iii) possibilitar o uso consciente do RDO de modo que ele sirva para a construção de quadros teóricos mais consistentes e funcionais em gêneros como ensaios, artigos, projetos, dissertações e teses.
Juliane Ferraz Oliveira, Andréia Teixeira
Cadernos CESPUC de Pesquisa Série Ensaios pp 105-125; https://doi.org/10.5752/p.2358-3231.2020n37p105-125

Abstract:
Este estudo tem por objetivo compreender os processos responsivo e interdiscursivo que sustentam o discurso jornalístico no artigo de opinião da filósofa Djamila Ribeiro, publicado na Folha de S. Paulo. Para esse feito, o objeto de análise são as estratégias discursivas que sustentam os discursos antirracistas, tematizados no artigo analisado e como elas são representadas no texto O enfrentamento ao racismo precisa ser mais do que posts para aliviar a consciência. Tencionamos compreender a produção de sentido frente ao texto analisado e as estratégias discursivas mencionadas. Para isso, adotamos o Círculo de Bakhtin como base teórica para o propósito do estudo, a partir de uma articulação com outros autores (Possenti, 2003; Pêcheux, 2009; ORLANDI, 2012, AZEVEDO, 2014) que discutem a linguagem nas suas diversas manifestações em práticas sociais e discursivas. A análise proposta é de ordem interpretativa, e como procedimentos, utilizamos a análise Linguística de manifestações discursivas que compõem o corpus em questão. Concluímos o artigo com a expectativa de contribuir para novos debates que se propõem a focalizar a questão do racismo na sociedade.
Edson Nascimento Campos, Herbert De Oliveira Timóteo, Mariano Alves Diniz Filho
Cadernos CESPUC de Pesquisa Série Ensaios pp 217-235; https://doi.org/10.5752/p.2358-3231.2020n37p217-235

Abstract:
A publicação propõe-se a refletir sobre a orientação social da memória como espaço de debate dialógico entre os fatos que se constituem, na contraposição e no confronto, como material de lembrança ou de esquecimento. Do ponto de vista das forças centrípetas há, axiologicamente, fatos que devem ser lembrados, mas há fatos que devem ser esquecidos como restos. Contraditoriamente, as forças centrífugas, ao tomarem, desse modo, o esquecimento, apropriam-se, axiologicamente, de tal material semiótico, rearticulando a sua lembrança como festa de ressurreição de seu sentido social. Em face desse quadro de divisão ideológica, assumindo uma certa exterioridade e uma certa excedência em relação à crônica, “O Punhal de Martinha”, do autor-criador de Machado de Assis, o texto desta publicação analisa as refrações que esse autor propõe ao tomar a defesa axiológica do esquecimento como lugar social de ação das forças centrífugas. Nisso o punhal, como signo, ou resposta social que ocorre na contraposição e no confronto das vozes sociais, passa a ser considerado como metonímia das respostas da valoração/avaliação social que as forças centrípetas e centrífugas atribuem à posição ideologizada para a mulher nas relações que axiologicamente situam o homem como figura dominante. Nas refrações do autor-criador, torna-se importante a lembrança do que seria esquecido, ou seja, a posição social de independência e assertividade da mulher. Por isso é impossível esquecer Martinha como desejam as forças centrífugas, ainda que se possa lembrar de Lucrécia como pretendem as forças centrípetas ao privilegiarem, para a mulher, a posição social de dependência e não-assertividade.
Robson Figueiredo Brito, Fernanda Zilli Do Nascimento
Cadernos CESPUC de Pesquisa Série Ensaios pp 26-44; https://doi.org/10.5752/p.2358-3231.2020n37p26-44

Abstract:
Este trabalho propôs uma descrição dos posicionamentos discursivos inscritos na pauta do “sabe com quem está falando?” da formação discursiva da aristocracia da elite brasileira. Para tanto, analisaram-se três cenas enunciativas, gravadas em vídeos e amplamente divulgados pela mídia, nas quais indivíduos foram interpelados por uma ordem de um agente do Estado, mas se recusaram a acatá-la. A partir dos pressupostos da Análise de Discurso, tomamos as noções de sujeito do discurso, formação discursiva e de pré-construído para descrever quais foram os modos de dizer pelos quais os indivíduos indiciaram sua identificação com o discurso da elite brasileira. A análise demonstrou que o indivíduo se identifica com a formação discursiva do “sabe com quem está falando?” assumindo estratégias bélicas que se assentam em: desqualificar o seu oponente; filiar-se a outras vozes hierarquicamente superiores; projetar um ethos que faz supor um poder maior do que o de seu adversário com o objetivo de estabilizar o seu lugar de poder e vencer o seu interlocutor.
Marcela Penaforte Fernandes
Cadernos CESPUC de Pesquisa Série Ensaios pp 236-248; https://doi.org/10.5752/p.2358-3231.2020n37p236-248

Abstract:
Este artigo pretende identificar na história em quadrinhos FAHRENHEIT 451, de Tim Hamilton (2019), traços da filosofia de Deleuze, tendo em vista a construção de uma linguagem da multiplicidade que envolve tecnologia e imaginário cultural. Uma experimentação que pretende ler a ficção norte-america sob o olhar do desejo em contraste com uma sociedade de controle. O conhecimento como ameaça ao assujeitamento na esteira do pensamento sem imagem, da criação dentro do universo marcado pela transitoriedade. O livro como recurso de combate à máquina despótica. O fogo dos bombeiros como signo da ordem. Apontamentos que constatam as ações de liberdade e opressão numa dada sociedade do controle.
Renato Cassim Nunes
Cadernos CESPUC de Pesquisa Série Ensaios pp 66-82; https://doi.org/10.5752/p.2358-3231.2020n37p66-82

Abstract:
A pergunta que inquieta pesquisadores de diversas áreas do conhecimento humano, sobretudo, aqueles que tomam a linguagem como objeto de estudo, é o que é um autor? Neste ensaio, além de retomar essa questão ainda levando outras como: se no baixo letramento não temos autoria, pois esta só apareceria no alto letramento, então essa figura seria uma construção limitada aos saberes? O que teríamos nos discursos fundadores cujos saberes não são aprendidos numa escola/universidade? Os religiosos, por exemplo, nos quais os sacerdotes recebem a revelação de uma experiência com o sagrado? Que tipo de trabalho um sujeito precisaria realizar com e na linguagem para alcançar a posição de autor? Se a linguagem é por natureza heterogênea é possível um sujeito se destacar no meio de tantos outros ao mobilizar diferentes discursos numa dada enunciação? Quais indícios nos permitiria eleger alguém como autor de alguma obra? A partir dessas inquietações, pretendo discorrer, neste ensaio, sobre a categoria autor, a qual gera polêmica na sociedade, seja por motivos jurídicos, nos quais ela aparece em oposição ao plágio ou como sinônimo de originalidade versus falseamento de trabalhos artísticos/textuais, ou por métodos teóricos metodológicos, em que se defende ou se recusa se ela é um fim em si mesma. Para entrar nesse campo, dialogo com Focault e Authier-Revuz; problematizo Barthes e Tfouni; e tomo alguns discursos atualizados em textos para demonstrar o trabalho que um sujeito discursivo desempenha ao constituir autor de algo e quais efeitos essa posição pode desencadear em compos discursivos distintos.
Sérgio De Oliveira
Cadernos CESPUC de Pesquisa Série Ensaios pp 163-178; https://doi.org/10.5752/p.2358-3231.2020n37p163-178

Abstract:
Leitura e escrita são atividades interativas, uma vez que quem escreve o faz com um propósito: dizer algo a alguém, seu interlocutor, com uma intenção, de uma determinada forma, numa dada situação. O texto como textualização do discurso é uma atividade coconstruída, efeito de sentidos entre interlocutores. Na concepção interacionista, a produção textual pressupõe um conteúdo interior que se projeta para o exterior pela expressão. O que temos, então? Um sujeito, com sua consciência, suas intenções, seus impulsos e seus gostos, que, pretendendo exteriorizar seu discurso, seu a-dizer, se transforma em autor. E o texto, o dito, é, por conseguinte, a ponte que permite ao leitor – o seu interlocutor – ter acesso ao discurso e ao sujeito que o produziu. Autor e leitor são dotados de uma memória discursiva presente no processo de produção e leitura do texto, um evento interpretativo, que contém já ditos que subjazem ao dito ou estão implícitos nele, evidenciando a interdiscursividade/intertextualidade. Nessa perspectiva, um mesmo texto admite a possibilidade de muitas leituras. Como a construção de sentido se faz na interação autor-leitor por meio do texto, o leitor é alçado ao status de autor - coautor ou coenunciador - do novo texto produzido com a leitura.
Daiman Oliveira Da Costa
Cadernos CESPUC de Pesquisa Série Ensaios pp 126-146; https://doi.org/10.5752/p.2358-3231.2020n37p126-146

Abstract:
Este artigo se propõe a analisar um pontual acontecimento discursivo presente na entrevista de Regina Duarte, ex-secretária especial de cultura do governo brasileiro, para a emissora de televisão CNN Brasil, em 7 de maio de 2020. Mais especificamente, defende-se a hipótese de que a marchinha “Pra frente, Brasil”, cantada por Regina durante a entrevista, funcionou como um acontecimento discursivo sutilmente integrado a uma rede interdiscursiva que, no Brasil, continuamente reforça simbólicas reciclagens da memória histórica referente ao período da Ditadura Militar (1964-1985) por meio da atualização da memória discursiva. Para tanto, a partir de conceitos-chave dentro do quadro teórico-metodológico da Análise do Discurso francesa, desenvolve-se um percurso conceitual pautado, sobretudo, nas noções de memória histórica, memória discursiva, interdiscurso e pré-discurso.
Fernanda Santana Gomes
Cadernos CESPUC de Pesquisa Série Ensaios pp 45-65; https://doi.org/10.5752/p.2358-3231.2020n37p45-65

Abstract:
O estudo consiste em uma análise discursiva da música Carta à mãe África, de Genival Oliveira Gonçalves. Com proeminente teor crítico social, o discurso remete ao racismo, de ontem e hoje, e à escravidão do negro ocorrida no passado de nosso país, mas que no presente ainda deixa transparecer marcas de opressão e violação dos direitos humanos. O principal objetivo é examinar como se constitui o ethos discursivo do enunciador. Dessa forma, busca flagrar os aspectos linguístico-discursivos do texto como interdiscursividade, processos de metaforização, jogos antitéticos e semióticos, responsividade discursiva, ativação de auditórios e construção, mobilização e projeção do ethos discursivo. O estudo baseia-se, principalmente, nas concepções teóricas de Bakhtin (2002, 2003, 2014) sobre dialogismo e polifonia e nas noções de ethos cunhadas por Aristóteles (2015) e Maingueneau (2008a, 2008b). Procedendo à análise, tornou-se possível perceber a atividade discursiva do enunciador, observar como se posiciona enunciativamente, instaurando e articulando movimentos dialógicos, a fim de mobilizar o auditório e legitimar o seu discurso. Sendo assim, foi possível perceber como se dá a construção e projeção do seu ethos discursivo.
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