Ciência Florestal

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ISSN / EISSN : 0103-9954 / 1980-5098
Published by: Universidad Federal de Santa Maria (10.5902)
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Ciência Florestal, Volume 31, pp 590-606; https://doi.org/10.5902/1980509825556

Abstract:
Plantas de eucalipto são sensíveis à interferência imposta pela comunidade infestante, principalmente durante o crescimento inicial, período que compreende o primeiro ano após a instalação da cultura. Sendo assim, o presente estudo objetivou avaliar o efeito de densidades crescentes de Commelina benghalensis L. (trapoeraba) sobre o crescimento inicial de plantas de Eucalyptus grandis Hill (ex Maiden) em duas estações do ano (inverno e verão). Foram realizados dois experimentos, um no inverno (durante 90 dias) e outro no verão (durante 120 dias), em área aberta, semicontrolada, em caixas de 70 L. Para ambos os experimentos utilizou-se delineamento em blocos casualizados, com quatro repetições e os tratamentos consistiram de densidades crescentes de trapoeraba: 0 (testemunha), 4, 8, 16, 20, 28, 36, 40, 60 e 80 plantas m-2. Quinze dias após o plantio das mudas de trapoeraba, foi plantada uma muda de eucalipto no centro de cada caixa. Ao final dos períodos experimentais, foram avaliados a altura, o diâmetro, a área foliar e a massa seca da parte aérea do eucalipto. Observou-se que a partir de 4 plantas m-2 já houve interferência negativa no crescimento do eucalipto, com reduções de 38,4% na área foliar e 35% na massa seca, no inverno; e reduções de 52,9% na área foliar e 64,7% na massa seca, no período de verão. Conclui-se que a partir da densidade de 4 plantas m-2 há interferência no crescimento do eucalipto e que, no período de verão, a planta daninha apresenta comportamento competitivo mais agressivo, causando maior interferência nas plantas de eucalipto.
Reinaldo Rodrigues Pimentel, Ramon Lira Anjos, Adriana Andrade Ferreira, Gisele Pereira Domiciano, , Cleber Furlanetto
Ciência Florestal, Volume 31, pp 705-724; https://doi.org/10.5902/1980509837118

Abstract:
Dentre os biomas brasileiros, o Cerrado é o segundo em extensão territorial e em diversidade de espécies vegetais e animais. A biodiversidade do Cerrado tem sido estudada no que tange a sua flora e fauna, carecendo de dados de microorganismos representantes da microfauna, a exemplo dos nematoides de galhas radiculares. Meloidogyne spp. são nematoides endoparasitas sedentários de plantas. A sua presença em solo de áreas com vegetação nativa de cerrado, sob preservação, é um forte indício de que a sua permanência ocorre devido ao parasitismo de plantas nativas. Este trabalho objetivou estudar a hospedabilidade de plantas ocorrentes no bioma cerrado a Meloidogyne spp. Foram selecionadas trinta e cinco espécies vegetais desse bioma, incluindo espécies gramíneas e arbóreas, para estudo da hospedabilidade frente a três isolados de Meloidogyne coletados em área nativa de cerrado sob preservação (Meloidogyne incognita, Meloidogyne javanica e Meloidogyne morocciensis), além de uma espécie até então exótica ao cerrado (Meloidogyne paranaensis). Foram inoculados 5.000 ovos e eventuais juvenis de segundo estádio (J2) de cada espécie de nematoide por planta. Os experimentos foram conduzidos com 35 tratamentos (plantas nativas) e 5 repetições, tendo sido repetidos no tempo. As variáveis avaliadas foram índice de galhas e de massas de ovos, ovos e J2 por grama de raiz e fator de reprodução, além da sintomatologia causada pelos nematoides nas raízes. As seguintes espécies vegetais foram consideradas hospedeiras, com média do Fator de Reprodução (FR)1,0: Triplaris gardneriana para Meloidogyne javanica, Meloidogyne incognita e Meloidogyne morocciensis; Andropogon bicornis para Meloidogyne javanica e Meloidogyne incognita e Copaifera langsdorffii para Meloidogyne incognita. As seguintes espécies vegetais foram classificadas como hospedeiras potenciais, com FR1,0 para pelo menos uma das repetições: Copaifera langsdorffii para Meloidogyne morocciensis; Esenbeckia leiocarpa para Meloidogyne javanica e Guibourtia hymenifolia para Meloidogyne incognita. As demais espécies vegetais foram classificadas como não hospedeiras para as condições deste estudo. As plantas inoculadas apresentaram sintomas variados nas raízes como a presença de galhas associadas a massas de ovos, formação de massas de ovos sem galhas, rachaduras com massas de ovos e ausência de galhas e intumescimento com massas de ovos.
, , Rogério Antônio dos Santos, Daiane Cristina de Lima, , Andréa Carvalho da Silva
Ciência Florestal, Volume 31, pp 725-748; https://doi.org/10.5902/1980509837161

Abstract:
Objetivou-se avaliar o efeito de diferentes concentrações de retardantes de fogo e de um polímero hidrorretentor sobre a germinação de sementes das espécies florestais tropicais Handroanthu simpetiginosus (ipê-rosa), Tabebuia roseoalba (ipê-branco), Enterolobium schomburgkii (faveira) e Schizolobium parahyba var. amazonicum (paricá). Destaca-se que não foram realizadas comparações entre os produtos, pois estes apresentam diferentes recomendações comerciais e composições químicas. As sementes foram submetidas a soluções de três retardantes de fogo nas seguintes concentrações: i) Phos-Chek WD881® a 0,0; 0,1; 0,3; 0,6; 0,8 e 1,0 mL L-1; ii) Hold Fire® a 0,0; 0,7; 0,9; 1,1; 1,3 e 1,5 mL L-1; e iii) polímero hidrorretentor Nutrigel® a 0,00; 0,10; 0,25; 0,50; 0,75 e 1,0 g L-1. Foram avaliadas quatro repetições de 100, 100, 30 e 25 sementes para as espécies supracitadas, em delineamento inteiramente casualizado. Os testes de germinação foram conduzidos em câmaras de germinação a 30°C e fotoperíodo de 12 h, por 14 dias. Avaliaram-se: porcentagem de germinação, primeira contagem de germinação, índice de velocidade de germinação, tempo médio de germinação e vigor de plântulas. O Phos-Chek WD881 reduziu a velocidade de germinação dos ipês e a primeira contagem de germinação e quantidade de plântulas normais dessas espécies e do paricá. O Hold Fire influenciou na porcentagem de germinação do ipê-rosa (máximo de 97,0% em 1,1 mL L-1) e na velocidade de germinação do ipê-branco, mas não causou variações no vigor das plântulas. O polímero hidrorretentor não influenciou na germinação, mas causou redução de 14,3% de plântulas normais para o paricá. Em geral, Phos-Chek WD881 pode ser fitotóxico para o ipê-branco, ipê-rosa e paricá, quando aplicado em concentrações ≥ 0,6 mL L-1; Hold Fire pode promover a germinação do ipê-branco e do ipê-rosa, sem efeitos para as demais espécies; e o polímero hidrorretentor não exerceu nenhum efeito sobre a germinação de sementes das espécies florestais avaliadas.
Ciência Florestal, Volume 31, pp 808-829; https://doi.org/10.5902/1980509844156

Abstract:
Devido à baixa germinação de sementes de Bixa orellana L., há a necessidade de se testar diferentes técnicas que viabilizem sua reprodução, como o condicionamento fisiológico. O objetivo do presente trabalho foi caracterizar a germinação de dois lotes de sementes de urucum sob efeito do condicionamento fisiológico. Para isso, sementes de dois lotes (recém-colhido e armazenado) foram submetidas ao condicionamento fisiológico em solução aerada de: 1) água deionizada; 2) água catódica; 3) nitrato de potássio a 0,3%; 4) nitroprussiato de sódio a 100 µM; por 24 e 48h, e um tratamento adicional (controle) sem condicionamento. Após o teste de germinação, as sementes que não germinaram foram submetidas ao teste de tetrazólio a 0,075% a 30 °C, no escuro, durante 24 h. O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado, em esquema fatorial (4 x 2 + 1) com quatro repetições de 25 sementes por tratamento. Apesar da baixa germinação já relatada para a espécie, foi possível obter germinação sem nenhum tipo de pré-tratamento como quebra de dormência, mesmo em lote armazenado por 10 anos e com teor de água de 8%. Os agentes condicionantes não foram eficientes no aumento da germinação de sementes de urucum. São necessários novos trabalhos para classificação da espécie quanto ao seu armazenamento.
Lucas Lubke, , Marciele Filippi
Ciência Florestal, Volume 31, pp 863-879; https://doi.org/10.5902/1980509831766

Abstract:
O estudo teve por objetivo caracterizar o comportamento dos ciclos vegetativos e reprodutivos de Trema micrantha (L.) Blume (grandiúva) em área de reflorestamento na região sudoeste do estado do Paraná, Brasil. Foram monitoradas, quinzenalmente, as fenofases vegetativas e reprodutivas de 12 indivíduos, sendo três por parcela de plantio. Em seguida, foram analisadas a sincronia das fenofases, a correlação com as variáveis meteorológicas e a periodicidade dos eventos. A espécie apresentou alto índice de queda foliar no período de inverno (junho-agosto), ocorrendo a retomada de brotação em setembro, sendo esta influenciada pelo aumento de temperatura e volume de precipitação pluviométrica. Para as fenofases reprodutivas, a floração tem início na primavera (setembro-outubro) e atinge seu máximo em dezembro; a maturação de frutos e dispersão de sementes inicia em novembro, concentrando-se no período de janeiro a abril. A floração e a frutificação da espécie apresentam padrão anual estendido e alta sincronia. A intensidade dos botões florais, flores e frutos imaturos se correlacionam de forma significativa com a variação de temperatura e fotoperíodo no sudoeste Paranaense, demonstrando a interação de Trema micrantha com o ambiente, bem como sua adaptação em florestas subtropicais da Mata Atlântica, estando a fenologia da espécie condicionada mais fortemente pelo fotoperíodo e pela temperatura do que pela precipitação.
, Cleiton Rosa dos Santos, Laura Araujo Sanches,
Ciência Florestal, Volume 31, pp 974-997; https://doi.org/10.5902/1980509832244

Abstract:
Um imenso potencial para a produção de compostos secundários e potencial inseticida vem sendo estudado dentro da ampla diversidade que a flora brasileira apresenta. Dessa forma, o presente estudo objetivou apresentar informações sobre o potencial das plantas no controle de insetos, através de uma revisão bibliográfica. Os primeiros inseticidas botânicos utilizados foram a nicotina, a piretrina, a rotenona, a sabadilla e a rianodina. A partir de então foram estudados vários compostos e espécies, como a azadiractina, extraída do nim, alcaloides das Anonaceaes, rotenona em Derris urucu, Piperaceae com as amidas, entre outros registros com as espécies amazônicas. Observa-se então que as espécies amazônicas compõem uma rica fonte de pesquisa e muitos dos exemplares estudados mostraram-se promissores para o desenvolvimento de inseticidas. Entretanto, novas pesquisas, principalmente em campo, devem ser realizadas para prospecção de novas espécies, buscando compostos seletivos e consequentemente com menor contaminação ambiental, para utilização tanto direta, quanto para o desenvolvimento de novos inseticidas comerciais.
Simara Ferreira Bruno,
Ciência Florestal, Volume 31, pp 998-1019; https://doi.org/10.5902/1980509834222

Abstract:
Os conhecimentos de centenas de comunidades tradicionais brasileiras sobre o uso de plantas e animais nativos, bem como a biodiversidade do país atraem a biopirataria. Esses recursos vêm sendo explorados por empresas para fabricação de medicamentos, alimentos, químicos e cosméticos. Em 2015, o Brasil sancionou a Nova Lei da Biodiversidade, Lei nº 13.123/2015. A repartição de benefícios para as comunidades quilombolas fica garantida com essa Nova Lei? Este artigo tem o objetivo de analisar essa Lei, verificando se houve avanços em relação à legislação anterior, Medida Provisória nº 2.186-16/2001. A pesquisa, com base em revisão da literatura, teve caráter bibliográfico e exploratório. Além da revisão, foi encaminhado um questionário com perguntas semiestruturadas para 30 comunidades quilombolas, porém somente duas destas responderam, inviabilizando constatar se essa lei vem atender aos anseios dessas comunidades no que diz respeito à repartição dos benefícios. O estudo permitiu concluir que, apesar de trazer inovações, a Nova Lei de Biodiversidade não impede que a biopirataria continue ocorrendo.
Letícia Bonifácio Fávaro, , Renato Totti Maia,
Ciência Florestal, Volume 31, pp 550-568; https://doi.org/10.5902/1980509810699

Abstract:
O presente trabalho analisou as estruturas horizontal, vertical, interna e paramétrica de uma Floresta Ombrófila Densa Montana, com dominância da espécie Euterpe edulis Mart. Foram inventariadas, aleatoriamente, 20 parcelas de 10 m x 50 m, totalizando 1,0 ha de área amostral. O critério de inclusão foi o diâmetro do tronco, medido a 1,30 m do solo (DAP) igual ou superior a 5,0 cm, que resultou em 2.394 indivíduos.ha-1, 2.594 fustes.ha-1, dominância total de 42,20 m2.ha-1, sendo que 7,81 m2.ha-1 corresponderam a 642 indivíduos.ha-1 de Euterpe edulis. Os diâmetros médios foram de 12,33 cm e de 11,48 cm para a comunidade e para a população de Euterpe edulis, respectivamente. No estrato médio da floresta, definido entre 5 a 12 metros de altura total, encontram-se 65% dos indivíduos de Euterpe edulis. A estrutura diamétrica da comunidade florestal apresentou distribuição em forma de "J-invertido", mas desbalanceada. No tocante à estrutura interna, 96,4% dos indivíduos apresentaram epífitas, 57,8% com ausência de trepadeiras e 62,5% dos indivíduos com ausência de cipós. Essas características, associadas ao efeito edafoclimático da área de estudo e à ausência do fenômeno de caducifoliedade, permitiram classificar o fragmento em Floresta Ombrófila Densa Montana em estágio médio avançado de regeneração. Quanto à população de Euterpe edulis, a representação da espécie pela área basal demonstrou sua dominância na comunidade florestal, sendo observada uma população madura, apesar da subestimação dos indivíduos adultos.
Marizete Chaves Cerqueira, , , Carlos Henke de Oliveira
Ciência Florestal, Volume 31, pp 607-633; https://doi.org/10.5902/1980509826290

Abstract:
A expansão de áreas de pastagens e cultivos agrícolas foi responsável pela maior parte do desmatamento no norte do estado de Minas Gerais. No presente estudo, avaliou-se a dinâmica do uso e cobertura da terra ocorrida nas últimas décadas (1986 a 2015) na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Nascentes das Geraizeiras (RDS-NG) e em uma zona de 10 km do seu entorno no estado de Minas Gerais. Avaliaram-se também os efeitos do desmatamento sobre a fragmentação da vegetação natural usando dados de sensoriamento remoto e análise da paisagem. Os resultados deste estudo indicam que o desmatamento afetou mais da metade da vegetação natural até 2015, agravando a integridade dos fragmentos de vegetação nativa na área de estudo. A RDS-NG contribuiu para mitigar a fragmentação da vegetação natural ocorrida no entorno daquela Reserva com a regeneração natural de algumas áreas degradadas. Observou-se que a maior ameaça ambiental à reserva é a ocorrência do fogo, que varia anualmente em extensão e danos socioambientais. O uso sustentado das terras na RDS-NG pode ser melhorado com a ampliação das práticas de atividades econômicas sustentáveis, como o aproveitamento de produtos florestais não madeireiros, a implantação de consórcios agroflorestais e outras atividades econômicas de forma moderada. Essas práticas contribuirão para garantir a manutenção dos recursos naturais, a produção econômica e a geração de renda e trabalho à comunidade local, com inclusão de todos os segmentos sociais da população da Reserva e seu entorno.
Ciência Florestal, Volume 31, pp 658-682; https://doi.org/10.5902/1980509833474

Abstract:
O intervalo hídrico ótimo (IHO) é um indicador de qualidade física do solo para o crescimento de plantas determinado não só pela disponibilidade de água, mas também pela aeração e resistência que o solo oferece à penetração das raízes. O objetivo do trabalho foi avaliar a eficiência da revegetação com as leguminosas arbóreas Acácia, Sábia e Ingá, para a recuperação da qualidade física de um Argissolo Vermelho-Amarelo inicialmente sob pastagem degradada, utilizando como indicador o intervalo hídrico ótimo e as densidades críticas dele decorrentes. A área, localizada em Conceição de Macabú, Rio de Janeiro, constitui-se de cinco coberturas vegetais. Dessas, três foram plantios puros das leguminosas arbóreas acácia, sábia, e ingá, implantadas em 1998, em parcelas de 1500 m2. As outras áreas, utilizadas como referência e adjacentes aos plantios de leguminosas, foram uma pastagem degradada e um fragmento florestal de Mata Atlântica. Amostras de solo, coletadas em anéis volumétricos nas camadas 0-0,10 e 0,10-0,20 m de profundidade, foram utilizadas para a obtenção da curva de retenção de água, da curva de resistência à penetração e do IHO em função da densidade. Em nenhuma área ou camada foram verificadas restrições à aeração do solo. Por outro lado, valores de resistência à penetração superiores ao limite crítico de 3,0 MPa foram verificados em grande parte dos casos, fazendo com que o IHO fosse menor que a água disponível. As densidades do solo críticas às plantas quanto a restrições mecânicas e hídricas (DscRP e DscIHO) foram mais altas sob capoeira. As áreas sob leguminosas arbóreas apresentaram elevadas densidades médias e baixos valores de densidades críticas DscRP e DscIHO, similares às da área sob pastagem. Pode-se concluir que o solo sob capoeira apresenta resiliência frente ao processo de compactação, e que após 17 anos da revegetação com leguminosas arbóreas não houve evidências consistentes de recuperação estrutural do solo.
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