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EISSN : 2525-4715
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Jaqueline Souza De Jesus, Regina Marques De Souza Oliveira
ODEERE, Volume 6, pp 342-369; https://doi.org/10.22481/odeere.v6i01.8579

Abstract:
Neste artigo busca-se iluminar o papel e a resistência das mulheres nativas negro-indígenas do Litoral Sul da Bahia frente à atuação da política ambiental do Estado, posta por meio da criação do PESC – o Parque Estadual da Serra do Conduru –, pelo Decreto Estadual nº 6.227 de 1997, em áreas dos municípios de Ilhéus, Uruçuca e Itacaré. Considerando a historicidade do território e de suas populações tradicionais, almejamos apontar como a importação e a instalação de um modelo de criação de área de proteção ambiental baseado no paradigma euro-estadunidense da conservação da natureza versus presença humana[1], de que fala Diegues, são violentas à existência e às formas de vida e ocupação das populações nativas residentes nesse território, revelando o racismo ambiental e a política de apagamento e morte destinada aos corpos e territórios negro-indígenas do litoral do estado mais negro do país[2]. Neste contexto de luta pelo território de identidade e pela própria identidade, as mulheres negro-indígenas do Litoral Sul da Bahia aparecem como importantes agentes de resistência e defesa da vida e da natureza.
ODEERE, Volume 6, pp 1-6; https://doi.org/10.22481/odeere.v6i01.8967

Abstract:
Apresentação do Dossiê: "ATIVISMO NEGRO E JUSTIÇA RACIAL: produções teóricas e de pesquisa no campo da etnicidade, interseccionalidade e diversidade sexual"
ODEERE, Volume 6, pp 183-208; https://doi.org/10.22481/odeere.v6i01.8525

Abstract:
O presente trabalho traz um estudo do perfil dos (as) 417 prefeitos (as) eleitos no estado da Bahia nas eleições de 2016 pelos critérios de cor/raça e gênero. A partir desta definição, busca compreender qual o compromisso que os partidos políticos vitoriosos têm com a agenda antirracista e de igualdade de gênero de modo a compreender se mulheres e homens negros têm à disposição conteúdo propositivo dos partidos que apoiem pautas defendidas pelo movimento Negro e Feminista. A análise dos dados revela que a Bahia é governada majoritariamente por homens, e brancos (as) lideram a corrida de forma desproporcional já que sequer correspondem a 20% da população do estado. Por outro lado, a participação de mulheres e homens negros, apesar de representarem maioria dos eleitos, não significa corresponder automaticamente a uma associação objetiva da pauta antirracista e de igualdade de gênero dada às vinculações partidárias que escolheram.
, , Priscila Nunes Pereira
ODEERE, Volume 6, pp 109-137; https://doi.org/10.22481/odeere.v6i01.8535

Abstract:
Objetiva-se no texto analisar o ensino de história na formação inicial e continuada, através do estágio docente obrigatório em espaços escolares, tematizando o racismo institucional e o sexismo. O conceito de racismo institucional será interseccionado com o de sexismo, pois a análise destaca fenômenos observados com jovens estudantes negras, licenciandas do Curso de História da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Sob a perspectiva da abordagem qualitativa, consideram-se as práticas pedagógicas, construídas em processos de ensino e pesquisa, desenvolvidas a partir de autorreflexões e entrevistas abertas com estudantes negras em formação inicial. Problematiza-se a presença da branquitude, do sexismo e do racismo nas formas de viver e pensar essas práticas pedagógicas. Fundamenta-se em autoras como bell hooks, Grada Kilomba, Nilma Lino Gomes e Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, em associação com produções do campo específico do ensino de história no Brasil. As considerações parciais apontam a presença hegemônica das maneiras de agir e de pensar da branquitude no imaginário das comunidades escolares e universitárias, produzindo ações de discriminação racial e de gênero.
ODEERE, Volume 6, pp 370-385; https://doi.org/10.22481/odeere.v6i01.8606

Abstract:
Afro-alemães são pessoas negras que tem um dos progenitores alemão (branco) e o outro negro de qualquer parte do mundo. Historicamente os que se identificam como afro alemães são desconectados da cultura alemã, há uma forte crença no país onde uma escolha silenciosa é feita: Ou você é alemão, ou negro. Uma vez negro, você não é alemão. A partir de duas poesias da poeta afro-alemã May Ayim, apresento uma reflexão sob a perspectiva histórica sobre motivos que levam à elaboração e reelaboração de identidades e afirmação dos afro-alemães num contexto local e global.
Danielle De Gois Santos Caldeira
ODEERE, Volume 6, pp 233-256; https://doi.org/10.22481/odeere.v6i01.7870

Abstract:
A literatura mundial reconhece Carolina de Jesus e Clarice Lispector como escritoras reflexivas e críticas à sociedade brasileira do século XX e ao feminino. Este artigo expõe uma leitura hermenêutica inspirada em Martin Heidegger, a respeito de Quarto de Despejo e Perto do Coração Selvagem, clássico literários, entendendo-os como horizontes de encontro para compreender o feminino desde a circularidade de sentido envolvendo entes humanos e existenciais heideggerianos. A apropriação da linguagem das escritoras estreou modos de libertação do feminino, desvelamentos de significados e conceções de mundo. Expor a Fenomenologia heideggeriana atenta ao feminino, acrescida da análise psicológica das escritoras, reflete suposta neutralidade histórica, cultural e literária que elege protagonistas-narradores masculinos como singulares, e segregam o feminino a relacionamentos, filiações ou proles. Os resultados, a partir da reflexão/compreensão hermenêutica, reconstroem noção de humanidade que rompe com complementaridades, por exemplo, personagens femininas que não procuram pelo masculino; que explicita noção do eu feminino que não reforça intimismo, a primeira pessoa, nesses clássicos, é uma indeterminação correspondendo aqueles à margem social. As lutas cotidianas sejam contra fome, sejam não sucumbir a acessório do masculino, fazem da hermenêutica do feminino exercício de resistência. Apropriar o humano de sua correspondência com mundo ao formular sentidos não discriminatórios possibilita e empodera o formular de reflexões e ações demonstrativas de liberdade e ética.
Marília Do Amparo Alves Gomes,
ODEERE, Volume 6, pp 84-108; https://doi.org/10.22481/odeere.v6i01.8546

Abstract:
Este artigo suscita uma reflexão sobre a condição que muitas mulheres negras ainda vivem na sociedade brasileira. Nesta breve análise examinamos as memórias coletivas dos grupos dominantes e dominados desde o contexto da escravidão brasileira até a sociedade atual tomando como base a teoria da memória de Maurice Halbwachs e Michael Pollak, recorremos também aos estudos de algumas feministas negras, a exemplo de Grada Kilomba, Bell Hooks, Sueli Carneiro e Chimamanda Adichie e também da feminista Heleieth Saffioti, que abordam o viés da interseccionalidade e escancara as desigualdades, opressões e violências enfrentadas pelas mulheres negras. Assim, a partir de uma análise qualitativa, podemos afirmar que: i) a memória coletiva de grupos da elite branca é memória oficial e reflete o modelo de relações raciais do Brasil; ii) a memória e o esquecimento marcam a trajetória do povo negro; iii) o projeto colonial se apresenta com novas roupagens do racismo.
Ires dos Anjos Brito, Jonatas Rodrigues Medeiros, Nanci Araújo Bento, Nayara Rodrigues
ODEERE, Volume 6, pp 209-232; https://doi.org/10.22481/odeere.v6i01.8533

Abstract:
Os últimos anos foram marcados pelo crescimento notável da produção artística/poética em língua de sinais, com a presença cada vez mais efetiva de poetas slamers na cena nacional. O efeito mais direto disso é a vitrinização das interseccionalidade que atravessam as múltiplas identidades surdas, expostas tanto nas performances síncronas das apresentações nos slams, de forma presencial ou virtual, quanto na poesia.doc. A poesia Boneca Invisível utiliza elementos cinematográficos para potencializar sua narrativa e discutir os efeitos mais diretos da violência sofrida por ela (e por muitas outras mulheres surdas, confiscando a atenção do espectador, para reflexão: até quando a cultura do silenciamento imposta às mulheres surdas servirá de “banquete” para que os mais diversos tipos de violência sejam “degustados” sem o menor constrangimento? Este artigo baseia-se na análise da narrativa vídica exposta no poema, visando tencionar algumas dimensões importantes para pensarmos no lugar interseccional, encruzilha(dor), vivido por tantas mulheres, negras, surdas. Fazemos observações de cunho teórico-epistêmico, do feminismo negro em direção ao feminismo negro surdo, e também de interesse prático, que ocupa-se dos meios de produções que são acessados para a composição da poesia surda, suscitando um alargamento conceitual para abarcar textualidades corporais como produções literárias legítimas, além do reconhecimento técnico das ferramentas acionadas e dominadas pela poeta para sua produção textual literária de denúncia.
Rosinalda Olaséní Corrêa da Silva Simoni
ODEERE, Volume 6, pp 163-182; https://doi.org/10.22481/odeere.v6i01.8522

Abstract:
A presente proposta tem como objetivo dialogar sobre o papel social da religião e sua relação com o desrespeito à alteridade no espaço escolar. Partindo do conceito de Lévinas sobre alteridade, buscar-se-á analisar a relação conflituosa existente entre alunos adeptos de religiões de matriz africana e alunos que professam outra religião, buscando assim refletir para sobre o papel do professor nesses casos. Discussões como estas se fazem necessárias, pois buscam meios para amenizar esses conflitos; para isso, fundamenta-se em pensadores que abordam a importância da não banalização do outro e da valorização das religiões de matriz africana, compreendendo que as mesmas fazem parte da realidade dos alunos e que, por muito tempo, foram inviabilizadas, demonizadas e hoje ainda passam por um processo de não aceitação por parte da sociedade, neste caso no meio escolar. Parte deste artigo foi apresentado durante o I Colóquio Internacional Bullying Submerso: Religião e Etnicidade na Escola, promovido pelo Programa de pós Graduação em Ciências da Religião da Pontifícia Universidade Católica de Goiás, em outubro de 2015, e é fruto de pesquisas realizadas[1] no doutorado e de vivências enquanto professora de 1° e 2° fase da rede estadual da mesma cidade, e como umbandista Omó Ifá e abiã de orisá. [1] Essa pesquisa não recebeu financiamento, porém, parte dela foi realizada durante os estudos de doutorado (bolsista da CAPES 2014 a 2017).
Camila Santos Pereira
ODEERE, Volume 6, pp 386-398; https://doi.org/10.22481/odeere.v6i01.8086

Abstract:
A partir dos questionamentos de uma turma de Sociologia do Ensino Médio, bastante comovida com o assassinato da vereadora Marielle Franco, que causou comoção nacional, foi organizada uma atividade para apresentar sua trajetória pessoal e política. No intuito de fundamentar a aula na perspectiva interseccional, o recurso didático principal representou a silhueta do rosto de Marielle, em forma de desenho, composto de cinco partes indissociáveis. Cada fragmento trazia uma categoria sociológica: classe, raça, gênero, sexualidade e protagonismo, que, debatidas com a turma, previamente à colagem de cada peça, promoveram reflexões sobre o significado dos conceitos e de como se entrelaçam à história de vida de Marielle. O trabalho abordou conceitos clássicos das Ciências Sociais, como o de fato social de Émile Durkheim, por meio de um olhar inventivo e partindo de uma problematização suscitada pela turma.
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