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Results in Journal Em Sociedade: 29

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Em Sociedade, Volume 3, pp 188-198; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2020v3n1p188-198

Abstract:
O processo constitutivo das subjetividades é associado às dinâmicas de poder. Nessa relação, isto é, entre o poder que potencializa o vir a ser dos sujeitos e as suas ações concretas no mundo, se interpõem as insígnias de legitimação ou não do que é lido e retroalimentado como vida. Pensar a construção dos devires dissidentes é enfrentar, de modo profundo, as estruturas de exclusão e de subalternidade que constantemente demarcam os espaços políticos entre o sujeito versus a norma. Colocamos em evidência as estruturas de branquitude e cisheternormatividade como grandes tecnologias de poder que articulam as consciências e, mais, que estabelecem a métrica da possibilidade no jogo político. Tratamos, a partir de uma perspectiva reativa, das conversões políticas, ou seja, da manifestação de corpos, que, embora sejam consumidos no seu lugar constituído como subalterno, se rebelam e se tornam indigestos.
Em Sociedade, Volume 3, pp 47-62; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2020v3n1p47-62

Abstract:
Este artigo é tecido a partir dos resultados da pesquisa de mestrado em Psicologia sobre Casamento Infantil em Belém, no estado do Pará. Considerando os esforços de intelectuais latino americanos/as para executar a proposta de um giro epistêmico insurgente que parte das múltiplas vivências do sentir-pensar a e na América Latina, a crítica decolonial possibilitou analisar o dito fenômeno casamento infantil no país como uma das expressões da multifacetada colonialidade de gênero. Nesta análise é possível perceber um jogo de interesse/desinteresse governamental no qual de um lado está o ânimo diplomático para a proteção da infância e adolescência no Brasil, e do outro a preservação da herança colonial reproduzida nas estruturas da sociedade e Estado mantendo elementos que custeiam o sistema-mundo patriarcal/capitalista/colonial moderno implicando na prática do casamento na infância.
, Amanda Sayuri Kowara Santos,
Em Sociedade, Volume 3, pp 169-187; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2020v3n1p169-187

Abstract:
O presente trabalho tem como objetivo discutir a questão de gênero na produção e apropriação da cidade, considerando que a mulher vem sendo excluída, historicamente, das decisões que incidem sobre o espaço urbano e, ao mesmo tempo, vem sendo privada de se apropriar dos espaços públicos de forma livre. Parte-se da ideia proposta por Lefebvre (1968) e reafirmada por Harvey (2014) de direito à cidade, que se configura muito mais como retórica do que como realização para a maioria da população, destacando, aqui, as mulheres. Considera-se que a luta pelo direito à cidade envolve uma incessante busca pelo acesso amplo e irrestrito ao espaço e à vida urbana, mas, mais do que isso, envolve uma luta pela democratização da cidade. Ressalta-se, assim, a importância da ação direta e dos corpos nas ruas para a reafirmação das identidades e a conquista de direitos. O trabalho tem início com uma discussão sobre a ideia de direito à cidade e espaço público, relacionada à questão de gênero. Em seguida, serão analisados modelos urbanísticos do século XX, pautados por uma visão masculina, que deram origem às cidades atuais, destacando a cidade de Belo Horizonte. Por fim, serão feitos apontamentos sobre os levantes feministas, demonstrando a importância do aparecimento dos corpos femininos no meio urbano como forma de resistência à lógica patriarcal dos espaços. A pesquisa contará com uma revisão bibliográfica e com análise de dados produzidos pelo Observatório de Conflitos Urbanos de Belo Horizonte, situado na Escola de Arquitetura da UFMG.
Mônica das Graças de Azevedo,
Em Sociedade, Volume 3, pp 63-85; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2020v3n1p63-85

Abstract:
Este artigo tem como objetivo abordar a violência obstétrica no cenário atual da parturição e as relações de poder que a perpassam. Trata-se de um estudo qualitativo descritivo, realizado no ano de 2016, por meio de entrevistas abertas a médicos e enfermeiros obstetras que atuam em serviços de obstetrícia em Belo Horizonte e região metropolitana. Percebe-se a dificuldade de alguns médicos em lidar com o protagonismo das mulheres; as dificuldades de inserção do enfermeiro obstetra na equipe de atenção ao parto e a proposta do modelo colaborativo e humanizado de assistência ao parto, centrado na mulher, como uma forma de enfrentamento da violência obstétrica.
Em Sociedade, Volume 3, pp 86-113; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2020v3n1p86-113

Abstract:
O presente artigo tem como objetivo geral incitar a reflexão e a discussão sobre as experiências do ser mãe e do ser criança como parte constitutiva da Universidade pública no Brasil, a partir de uma análise da ColetivA MaternAtiva UFMG. Para alcançá-lo, alguns objetivos específicos se fazem necessários, tais quais: [1] explicitar a relação histórica entre mulheres, educação e conhecimento, bem como o poder que emana das margens; [2] descrever a experiência da ColetivA na UFMG a partir de sua aprovação no edital de Ações Afirmativas da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis em 2018 e [3] delimitar os conceitos de ações afirmativas e redes de apoio, pilares do grupo analisado. Uma vez que as pesquisadoras também fazem parte do grupo, a abordagem de geração de dados utilizada foi a etnográfica, através da observação participante e da análise de materiais produzidos pela própria MaternAtiva. A conclusão a que se chega é que as intervenções da MaternAtiva interpelam o ambiente universitário na tentativa de produzir uma reflexão e transformação dos espaços de poder que podem ser acessados pelas maternidades e infâncias diversas, mas a ColetivA ainda se depara com limites estruturais que demandam uma sensibilização comunitária.
Em Sociedade, Volume 3, pp 114-133; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2020v3n1p114-133

Abstract:
O objetivo deste estudo é discutir a intersecção de gênero/raça/classe como veículo de desigualdade social no Brasil. Para tanto, foram utilizados dados do portal da Capes (2018), numa abordagem quantitativa, tendo como recorte mulheres discentes, brancas e negras, ingressas em instituições de ensino superior. Enfatiza-se a importância das políticas públicas e do debate acerca do acesso à educação e ao mercado de trabalho dessas mulheres negras. A contribuição do estudo está em apresentar um retrato das desigualdades existentes entre mulheres negras e mulheres brancas, em termos da formação educacional stricto sensu, além de cobrir uma lacuna na área da Administração, ao trazer a questão da educação como empecilho para a inserção ao mercado de trabalho, cada vez mais competitivo e com subjetividades em seu interior, relacionadas ao sexismo e o racismo.
Em Sociedade, Volume 3, pp 29-46; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2020v3n1p29-46

Abstract:
O presente texto discorre sobre os estereótipos e os papéis formais criados na sociedade em relação às mulheres, elementos interconectados com a propriedade de seu corpo e sexualidade. Os espaços urbanos são repletos de mensagens de um imaginário sexual, enquanto que o sexo ainda é visto, tratado e dialogado como um tabu. Sexualiza-se o corpo das mulheres em vitrines, revistas, propagandas ao mesmo tempo em que se tenta restringi-las a uma esfera privada de pureza e domesticidade. O ensaio tem por marco teórico o feminismo a partir de uma abordagem interseccional, respeitando o empirismo das experiências e vivências humanas. Através da revisão de textos feministas que tratam sobre corpo, identidade, sexualidade e espaços urbanos, compreende-se que o feminismo é plural e necessita constantemente desconstruir os significados patriarcais de ser mulher, reconhecendo as diferentes desigualdades e dialogando com as múltiplas resistências que habitam as cidades.
Ana Carolina Da Silva Barbosa, Lidia Cristina Silva Barbosa,
Em Sociedade, Volume 3, pp 134-168; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2020v3n1p134-168

Abstract:
O presente artigo argumenta que o sistema tributário nacional deve ser aprimorado para financiar o Estado e suas políticas fiscais que objetivem o desenvolvimento sustentável. A literatura revisada indica que a diminuição das desigualdades, e principalmente das desigualdades de gênero, pode trazer crescimento econômico e vários benefícios sociais importantes. Os dados mostram que a tributação brasileira tem reforçado as desigualdades sociais, uma vez que fundada em tributos incidentes sobre o consumo, que são regressivos. Contudo, a Constituição Federal traz fundamentos equilibrados para a construção do sistema tributário. A tributação atual também reforça os papéis de gênero na sociedade brasileira, dificultando a inserção das mulheres no mercado de trabalho, reforçando estereótipos e mantendo as mulheres longe das discussões das políticas fiscais que podem transformar seu papel social. As propostas de reforma tributária em tramitação atualmente perante o Congresso Nacional são objeto de análise, sob a égide da igualdade substantiva, para investigar se elas têm o condão de combater as desigualdades de gênero. O artigo conclui que a desigualdade de gênero impedirá o Brasil de atingir o desenvolvimento sustentável, e sugere algumas alterações nas políticas fiscais em conformidade com a igualdade substantiva.
Aurimar de Freitas Rezende
Abstract:
O presente artigo apresenta uma análise acerca da importância dos recursos do Programa Bolsa Família (PBF) e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) em comparação com transferências constitucionais. O recorte geográfico é uma microrregião do estado de Minas Gerais na qual está localizado o município de Passa Tempo. Pretende-se mostrar, em nível micro, a relevância dos valores monetários direcionados às famílias pobres, contrapondo-os a transferências realizadas ao poder público. Trata-se de uma pesquisa baseada em dados secundários, que, inicialmente, contextualizam os municípios da microrregião quanto a aspectos econômicos, demográficos e sociais. Posteriormente, dados econômicos revelam o volume de recursos do PBF e do BPC, que chegam regularmente às mãos dos beneficiários, e o total de repasses feitos às prefeituras por meio de transferências constitucionais, nos anos de 2004 e 2013. Os resultados mostram que, ao contrário de outras transferências cujo montante de repasses quase que dobrou no período, o volume de recursos destinado aos mais pobres mais que triplicou. Verificou-se ainda o aumento da participação da transferência não contributiva, que em muitos casos superou os repasses do Fundo Nacional de Saúde (FNS) e do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS), no conjunto das demais transferências, além da redução da distância que a separa do Fundo de Participação Municipal (FPM) em municípios de pequeno porte, ainda muito dependentes do FPM, aumentando o poder de consumo das famílias e dinamizando a economia local.
Pedro De Castro Picelli
Abstract:
O presente trabalho se esforçará para compreender a esfera de relações sociais de cidadania em diálogo com algumas obras do pensamento social brasileiro tendo em vista um “reposicionamento” dos sujeitos e de suas práticas através das contribuições apresentadas pela historiografia brasileira dos anos 1980. Dessa maneira, tentaremos explorar as contradições que as próprias experiências de liberdade no Brasil expressam em suas práticas e discursos, recorrendo a autores que refletiram a situação colonial como uma condicionante fundamental na constituição das relações sociais em países marcados pela colonialidade. Dentro desta reflexão, adotamos como hipótese central a construção, no Brasil, de um horizonte de cidadania possível e aberto à disputa de todos os sujeitos (fruto de lutas entre os agentes sociais). Entretanto essa mesma construção demandou que instâncias de poder e prestígio fossem apartadas dessa querela, confinando o exercício do mando a determinados sujeitos que, historicamente, recrudesceram suas ações à medida que suas formas de dominação fossem minadas. Dito de outra maneira, a “fobia de submissão” de certos grupos no Brasil não é incongruente às formas que a cidadania é realizada historicamente no país. Assim, buscaram garantir que essa ordem social se reproduzisse ao longo do tempo.
Natália Cardoso Marra
Abstract:
Este artigo discute a relação entre loteamentos fechados, cidadania e neoliberalização. A proposta é apresentar como a privatização dos espaços urbanos se relaciona com a participação popular na gestão das cidades, a partir de uma discussão que envolve a neoliberalização e as diferentes formas de expressão da cidadania. Dessa maneira, conceitos de cidadania, hipercidadania, subcidadania e estadania são utilizados para fundamentar este trabalho. Os municípios de Nova Lima e Lagoa Santa, ambos localizados na Região Metropolitana de Belo Horizonte, ilustram alguns pontos abordados e o texto apresenta entrevistas realizadas com pessoas ligadas a loteamentos fechados nessas cidades. Foram realizadas visitas técnicas em loteamentos fechados, análise de documentos das associações de moradores e da prefeitura, interpretação de leis e trabalho de campo.
Rafael Lara Mazoni Andrades, Bruno De Castro Rozenberg, Henrique Alves De Castro
Abstract:
O objetivo deste trabalho é avaliar de maneira qualitativa a atuação de uma instituição participativa envolvida na gestão de uma bacia hidrográfica: o Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, em Minas Gerais. A metodologia, baseada em um trabalho amplamente aceito pelos teóricos da participação social, parte da revisão bibliográfica para a análise dos aspectos citados por Silva (2011). Os resultados dessa avaliação mostram que há vários aspectos positivos relacionados à efetividade desse Comitê, como sua composição paritária, sua importância no processo de outorga da água, sua atuação larga no ciclo de políticas públicas e sua capacidade de articulação. No entanto, persistem entraves a uma maior efetividade, como a ambiguidade na legislação atinente à gestão de águas no Brasil, que abre espaço para a participação social, mas dá primazia ao conhecimento técnico.
Angelita Alves De Carvalho, Maria Carolina Tomas, Simone Wajnman
Abstract:
Este trabalho analisa o perfil das famílias brasileiras reconstituídas, com a presença de filhos, e as compara com as famílias intactas e as famílias monoparentais, a partir dos dados censitários do ano de 2010. As dimensões analisadas são: 1) características dos pais: educação, idade e renda, 2) tipo de união: consensual ou casamento formal, 3) localização do domicílio (urbano/rural; grandes regiões) e, por fim, 4) características dos filhos: sexo e idade. Os resultados apontam que as famílias não intactas estão mais presentes na área urbana do que na rural, e que as com o pai e a presença de madrasta são as com melhores condições socioeconômicas, seguidas das com ambos os pais presentes no domicílio.
Thiago De Andrade Morandi
Abstract:
Este texto pretende contextualizar o que engloba a ubiquidade, como surgiu este termo e como é utilizado enquanto possibilidade de registros imagéticos. São abordados dados históricos sobre a imagem feita com o celular e como podem ser utilizadas como instrumentos de pesquisa. O maior foco e proposta deste estudo envolve o registro de imagens de paisagens, e como ele pode contribuir para a preservação e a transmissão de tradições de patrimônio imaterial, em um estudo de caso sobre atividades executadas, em redes sociais, por sineiros na cidade histórica de São João Del-Rei, conhecida como “a cidade onde os sinos falam”.
Ana Maria Oliveira
Abstract:
¹ Entrevista concedida à professora Ana Maria Oliveira para o jornal O Marco da PUC Minas. ² Professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). ³ Livro publicado em 2019, pela editora Boitempo.
Lara Reis Rodrigues, Maximiliano Engler Lemos
Abstract:
Na contemporaneidade, são frequentes as problemáticas relacionadas à mobilidade urbana. Na grande maioria das cidades brasileiras, a acessibilidade nos espaços públicos, que deveria promover uma mobilidade sustentável, não recebe sua devida importância, mesmo após a aprovação da Lei Federal n° 12.587/2012, que institui a Política Nacional de Mobilidade Urbana. Diante deste pensamento, a presente pesquisa, de cunho analítico, objetiva buscar o entendimento sobre os motivos da ineficiência das políticas públicas voltadas à acessibilidade dos pedestres nas ruas, como uma forma de propor melhorias no deslocamento e no convívio das pessoas no espaço público, de modo a reduzir a insegurança existente no mesmo. A estruturação deste artigo ocorreu mediante um método de natureza quantitativa-qualitativa, uma vez que apresenta um embasamento teórico e qualitativo, no qual foram realizados levantamentos bibliográficos, além de buscar informações, em noticiários, que exemplificassem as ineficientes políticas públicas relacionadas à mobilidade dos pedestres. Além disso, houve também uma fundamentação experimental e quantitativa, em que foram efetuadas cinquenta entrevistas mediante a realização e a aplicação de questionários de campo em uma área específica da cidade de Franca, localizada no interior paulista, constatando-se que apenas uma pequena parcela da população local questiona sobre a escassa acessibilidade existente aos pedestres. Assim, a maioria das políticas públicas, como no caso estudado em Franca, é destinada à infraestrutura viária voltada aos automóveis, por uma questão histórica e cultural, além do crescimento da motorização individual, que impactou a mobilidade urbana das cidades, fazendo com que as legislações que visem melhorias aos pedestres permaneçam em segundo plano.
Em Sociedade, Volume 1, pp 221-241; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2018v1n1p221-241

Abstract:
Esta pesquisa apresenta o campo de estudos da Economia das Drogas, expondo as diferenças entre os mercados de substâncias psicoativas lícitas e ilícitas e enfatizando as implicações econômicas do proibicionismo. Para isso, são avaliadas as cadeias produtivas desses mercados, assim como os principais atores e algumas estimativas de produção, de margens de lucros e de consumo. A principal conclusão é a de que a “Guerra às Drogas” acentua desigualdades e promove a acumulação de capital, por meio de estratégias de inovação e de gestão altamente criativa e capacitada do narcotráfico.
Em Sociedade, Volume 1, pp 190-207; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2018v1n1p190-207

Abstract:
A regularização do uso da maconha para fins medicinais, como nos casos de tratamentos de pacientes epiléticos, é um tema que está em pauta atualmente no Brasil. No âmbito do Congresso Nacional, a distinção feita pelos parlamentares entre este tipo de uso da droga – o medicinal, em contraposição ao recreativo – aponta para as distintas formas de tratamento dos usuários na nossa sociedade. Essa questão ganha especial relevância a partir do ano de 2015, com a retirada do CDB, que é um dos canabinóides presentes na planta de Cannabis, do rol de substâncias proscritas pela Anvisa. Em um contexto em que os poderes Executivo e Legislativo apresentam obstáculos à regularização do uso da maconha para fins medicinais no país, tal medida representa indubitavelmente um avanço. Mas como o Judiciário vem tratando dessas questões? No presente artigo, pensando a partir desse cenário, buscamos refletir sobre a maneira pela qual a distinção entre as categorias “uso medicinal” e “uso recreativo” da maconha é articulada e mobilizada pelo órgão judiciário. Além disso, expomos como advogados têm desenvolvido diferentes estratégias jurídicas para apresentar esses casos frente a magistrados e promotores, com o intuito de atingir as suas finalidades específicas, como conseguir um salvo conduto para que uma pessoa possa ter a sua própria plantação de maconha, o que reduz os custos do tratamento com o CBD, ou então garantir para os seus clientes, no âmbito dos processos, uma medida liminar que estabeleça que esses custos sejam bancados pelo Estado. Portanto, o nosso objetivo aqui é começar a pensar sobre as fronteiras tênues marcadas por termos como “drogas” e “medicamentos”, “legal” e “ilegal”, “uso recreativo” e “uso medicinal”, refletindo dessa maneira sobre como as distintas categorias que são articuladas no âmbito dos processos judiciais sobre esse tema, mais do que meras categorias jurídicas que têm um significado específico para dentro do direito, referem-se a questões morais, presentes na nossa sociedade, que estão associadas a essas distinções.
, Gelsimar José Machado,
Em Sociedade, Volume 1, pp 62-75; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2018v1n1p62-75

Abstract:
Este artigo procurou conhecer práticas corporais desenvolvidas no litoral capixaba, elegendo o skate como modalidade de lazer ligada às manifestações juvenis, e se dedicou a aprofundar as discussões acerca dos modos de consumo juvenis. O lazer compõe parte importante da vida das juventudes e representa espaços-tempos significativo para a formação da identidade e socialização, porém podem se tornar oportunidades de ingresso em comportamentos de risco., Assim apresenta-se paradoxalmente: pode contribuir para o desenvolvimento e socialização e corrobora para fortalecer estigmas de alguns grupos. Igualmente, a cultura das drogas pode ser compreendida como forma social de articulação de atitudes, agregando particularidades na linguagem e no comportamento individual e em grupo. Neste estudo, a prática do skate é vista como estilo de vida e formação de identidade. Objetivou-se conhecer percepções de skatistas sobre sua prática, possíveis relações com o uso de drogas na modalidade e discutir sobre os modos de consumo desta juventude. Trata-se de uma pesquisa exploratória de campo, qualitativa, de observação não participante, com utilização de diários de campo e entrevistas semiestruturadas com grupo de skatistas. Detectou-se consumo de drogas lícitas e ilícitas, maior consumo de álcool em comparação à outras drogas. No entanto, o consumo de bebidas alcoólicas representa efeitos negativo para a prática de manobras. O consumo de maconha exerceu papel socializante, em contradição a outros grupos juvenis que atribuem às bebidas alcoólicas esta função. A partir destes resultados preliminares, entendemos que a juventude não representa um grupo homogêneo, do mesmo modo é distinto o consumo de drogas entre esta população, portanto, diversificado e heterogêneo.
Diego Vinícius Bernardes Da Silva,
Em Sociedade, Volume 1, pp 99-124; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2018v1n1p99-124

Abstract:
O artigo a seguir traz apontamentos e reflexões oriundas de uma pesquisa sobre o uso da Maconha feita com estudantes no ambiente universitário da PUC Minas - campus Coração Eucarístico. Para a sua realização utilizamos o método etnográfico, com observação participante e entrevistas com alunos de diferentes cursos de graduação oferecidos no Campus. Priorizamos as informações dos próprios interlocutores em relação à percepção dos mesmos sobre o uso da substância, a influência desse uso na construção dos laços de sociabilidade e, além disso, a relação desse uso com o espaço da universidade. Levando em consideração que a maioria dos estudos relacionados ao uso de substâncias psicoativas é voltada para as consequências negativas da prática, acreditamos ser pertinente a análise de uma situação de uso não problemático, feito por sujeitos socialmente integrados, como no caso de estudantes universitários. Os resultados encontrados nos remetem às diferentes formas de uso, como por exemplo, para facilitar a interação social, sentimento de pertencimento e a construção de identidade.
Em Sociedade, Volume 1, pp 125-151; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2018v1n1p125-151

Abstract:
O presente artigo apresenta como objetivo fazer uma comparação legislativa da internação compulsória como uma medida legal para interromper a cadeia de transmissão do bacilo de Hansen, responsável pela hanseníase traçando um paralelo com a lei federal que determina a hospitalização forçada dos usuários de crack. A política pública de internação compulsória para hanseníase, foi reconhecida como crime de Estado pela Lei 11.520 em 2007. Em sentido contrário foi criada a Lei 10.216 de 2001 para hospitalização forçada dos usuários de crack. Centramos nossa análise nas duas legislações de hospitalização forçada para identificar semelhanças em seus textos normativos. A análise das legislações de hospitalização forçada para hanseníase/crack possibilitou identificar semelhanças nas bases legais para o isolamento, foi possível concluir que no Brasil a internação compulsória foi utilizada para tratamento da hanseníase e continua sendo utilizada como medida de saúde em políticas públicas para dependentes químicos em especial usuários de crack.
Maraisa Bezerra Lessa, Mauro Gleisson De Castro Evangelista
Em Sociedade, Volume 1, pp 152-170; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2018v1n1p152-170

Abstract:
O artigo tem como objetivo relatar o processo de implementação da Política sobre Drogas da Secretaria de Educação do Distrito Federal, que orienta as Escolas públicas do Distrito Federal a desenvolverem ações de enfrentamento às drogas, na contramão do senso comum e em sintonia com a Política Nacional sobre Drogas vigente até 2018. Pretende descrever as ações previstas, realizadas, bem como os obstáculos para a sua efetiva implementação. Trata-se de um relato de experiências desenvolvido por meio da metodologia da observação participante, no período de dezembro de 2011 a abril de 2014. O trabalho conclui que, apesar dos esforços da equipe gestora, o referido documento orientador tornou-se letra morta, apenas mais uma lei para os ingleses, porém, de suma importância para repensarmos os caminhos trilhados pela Escola frente ao fenômeno das drogas.
Em Sociedade, Volume 1, pp 208-220; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2018v1n1p208-220

Abstract:
O artigo analisa, à luz do discurso psicanalítico, alguns aspectos na religiosidade, especialmente evangélica, que contribuem para a adesão dos usuários abusivos de substâncias psicoativas aos cultos e internações em instituições pautadas pelo discurso religioso.Destaca ainda a importância do fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) para o cuidado desses mesmos usuários sem excluí-los do laço social.
Francisco Javier Ugarte Reyes
Em Sociedade, Volume 1, pp 44-61; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2018v1n1p44-61

Abstract:
La presente revisión aborda el problema de la tecnologización del tratamiento de drogodependencias en Chile desde una perspectiva histórica, indagando en los distintos actores, organizaciones, circunstancias y racionalidades que han estado involucradas, tanto en la construcción del problema público de las adicciones, como en la producción de herramientas técnicas para enfrentarlo, generando un panorama de solapamientos múltiples, contradicciones, alianzas e hibridaciones tecnológicas que ponen en cuestión la neutralidad moral de las tecnologías actuales de tratamiento. El concepto de opacidad, nos permitirá esbozar las consecuencias políticas de la obturación tecnológica bajo un esquema amoral del tratamiento de drogodependencias, y los desafíos de la política pública en términos de una democratización basada en la comprensión y apropiación de las tecnologías de intervención social.
Em Sociedade, Volume 1, pp 24-43; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2018v1n1p24-43

Abstract:
Existem dois posicionamentos políticos para o tratamento de questões relacionadas ao uso de drogas: o proibicionismo-abstencionismo e a redução de danos. Cada um desses posicionamentos parte de pressupostos ideológicos diferentes e, em consequência, produzem modelos de atenção também distintos. O presente estudo faz parte de um trabalho de campo realizado para a construção de uma dissertação sobre as relações que se estabelecem entre pessoas que habitam cenas abertas de uso de crack e outras drogas ilegalizadas e os dispositivos de cuidados em saúde na cidade de Cuiabá - Mato Grosso.Sob uma perspectiva crítica em relação ao paradigma proibicionista, e com base na inspiração etnográfica, se analisam as narrativas e práticas de trabalhadores de saúde que atuam com população em situação de rua no centro histórico de Cuiabá, buscando entender como a redução de danos é incorporada em sua práticas cotidianas vinculadas aos cuidados em saúde.Os resultados apontam que, embora todos os entrevistados definam suas intervenções como práticas norteadas pela redução de danos, nas falas não só existem discordâncias em relação aos modos de conceber tal perspectiva, mas também pode se perceber a presença de vários elementos do modelo proibicionista-abstencionista.Em cada espaço estudado coexistem elementos de ambas as perspectivas, e inclusive olhares divergentes entre os membros de uma mesma equipe, demonstrando que ainda há um longo caminho a percorrer para a consolidação da redução de danos e do exercício efetivo de cidadanias ativas.
Antônio Claret, Marcelo Braga De Freitas
Em Sociedade, Volume 1, pp 10-23; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2018v1n1p10-23

Abstract:
Rubens de Camargo Ferreira Adorno é professor na Universidade de São Paulo e vice-presidente da ABRAMD – Associação Brasileira Multidisciplinar de Estudos sobre Drogas. Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas, com especialização, mestrado e doutorado em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo. Atua nas linhas de pesquisa relacionadas à Saúde Pública, Ciências Sociais e Sociedade Contemporânea. O trabalho científico que desenvolve procura levar uma contribuição da Antropologia Crítica ao campo da Saúde, através de estudos que abordam as transformações que ocorrem nas vidas das populações, considerando os seus recortes sociais, a diversidade cultural dos diferentes atores e a complexidade que estas experiências de vida envolvem. Os seus estudos recentes tratam de questões relacionadas às drogas “lícitas, ilícitas ou prescritas”, nas sociedades contemporâneas.O entrevistado, a partir do estudo de um caso específico na cidade de São Paulo, cujo objetivo de partida era investigar a relação de homicídios de jovens com o tráfico de drogas, nos apresenta uma série de argumentos e observações empíricas que desnudam e desmistificam visões preconceituosas e construtoras de estigmas relacionados ao universo das “drogas” na sociedade brasileira. Além da importância do trabalho científico, a publicação desta entrevista vem a calhar dado o momento de crise pelo qual passa o país, surpreendido pelo decreto presidencial de fevereiro de 2018, aprovado pelo Congresso, que autorizou a intervenção federal na segurança do estado do Rio de Janeiro, através da ação das Forças Armadas Nacionais e que se encontra em andamento.O entrevistado nos convida a olhar para as periferias das grandes cidades brasileiras não como espaços onde o Estado se faz ausente, mas, pelo contrário, onde a atuação das forças de segurança e o exercício do controle são uma constante. Essa presença, tensa e conflituosa, não raras vezes amplia as estatísticas de violência. A pesquisa coordenada pelo Professor Rubens, realizada em região considerada periférica da cidade de São Paulo, investigou em profundidade as principais causas de homicídios de jovens nesse território, inclusive de homicídios por intervenção policial. As descobertas empíricas vão de encontro ao raciocínio difundido no Brasil de que há sempre uma relação entre homicídios e tráfico deENTREVISTAREVISTA DO DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS – PUC MINAS – V. 1, N. 1; P. 10 – 23, 2018.13drogas. Há sim, muitas vezes, relação com atos criminosos, porém de outras naturezas. A hipótese explicativa para a particularidade paulistana, inspirada também nos achados de outras pesquisas no mesmo campo de conhecimento, tange o processo de cartelização do negócio da droga pelo PCC, que domina a cadeia produtiva e impõe regras e procedimentos menos violentos e mais eficientes de comercialização.Diante...
Marcos Veríssimo
Em Sociedade, Volume 1, pp 76-98; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2018v1n1p76-98

Abstract:
O objetivo deste trabalho é propor uma reflexão sobre usos abusivos e não abusivos de um rol de produtos classificáveis em uma chave ampla como "drogas", lícitas ou ilícitas, não somente no interior da escola, como também consumos que ocorrem fora dela. Com isso, práticas envolvendo a totalidade dos atores que interagem no ambiente escolar ocorrem marcadas pelo consumo de substâncias que alteram as formas de percepção e o funcionamento dos organismos. Boa parte dos processos escolares e educativos ocorre com os atores envolvidos sob a influência de "drogas". Em alguns casos, estimulantes podem auxiliar profissionais cansados ou com sono em suas jornadas de trabalho Em outros, contribuem para melhorar o desempenho de estudantes. Por outro lado, a relação abusiva com "drogas" (sejam estas classificadas como remédio ou não) pode levar vários desses atores a ter problemas no desempenho de suas ações, na execução do que deles se espera. A base empírica para esta reflexão passa pela experiência profissional do autor como docente em escolas da rede pública estadual na chamada “região metropolitana do Rio de Janeiro”. A base metodológica é a etnografia. Ao descrever e interpretar eventos e situações vivenciados neste contexto espera-se contribuir para a produção de um conhecimento que articule o chamado "problema das drogas", as práticas de medicalização e os processos educativos.
Em Sociedade, Volume 1, pp 171-189; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2018v1n1p171-189

Abstract:
Este artigo visa discutir e problematizar a prática das internações compulsórias, buscando explorar a realidade da experiência vivida por essas pessoas, dando a vê-la a partir do discurso dos sujeitos envolvidos no processo de internação compulsória. A necessidade de abordar a problemática da internação compulsória dessa perspectiva se produziu como um dos resultados da minha pesquisa de mestrado, onde constatei que essas internações estão associadas a certas práticas de desqualificação e invalidação dos discursos produzidos pelos sujeitos internados. Tais práticas que se exercem no campo social, concomitantemente, a um processo de valoração e legitimação de outros discursos, tais como: a medicalização, a psiquiatrização e a judicialização. Assim, através de um ethos de pesquisa marcado pela indignidade de falar pelos outros, desenvolvo nesse trabalho uma discussão a esse respeito, utilizando, para isso, excertos de uma narrativa que foi elaborada com base em uma série de entrevistas realizadas como uma usuária de múltiplas substâncias que ficou internada compulsoriamente por quase dois anos. Nesse sentido, trata-se de uma proposta em que se pretende marcar uma postura política de implicação com o debate sobre a produção das formas de verdade e conhecimento que atravessam nossa sociedade. Do ponto de vista do método, o estudo baseou-se na pesquisa qualitativa de caráter genealógico e cartográfico, sendo tecidas algumas reflexões acerca do material apresentado, apontando-se que o diagrama da internação compulsória, ao se conectar ao dispositivo-drogas, pode ser debatido a partir de uma genealogia dos anormais.
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