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Results in Journal Psicologia em Revista: 566

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Luís Gustavo Vechi
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 941-958; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n3p941-958

Abstract:
Este artigo caracteriza a visão de mundo da Psicologia junguiana com base no conceito de unus mundus. A amostra com textos de Jung, de comentadores dele e de autores da Física Quântica foi analisada mediante a hermenêutica junguiana. Os resultados foram organizados por meio das seguintes categorias de análise: “o plano invisível subjacente ao nível empírico da realidade como totalidade e unidade”, “o plano invisível como fonte de criação e de movimento”, “o plano invisível como marcado pela não localidade” e “a psique e o plano invisível”. A conclusão apontou para uma visão de mundo em que a realidade empírica é fundamentada em uma ordem implicada/invisível a qual é considerada fonte de criação, de movimento, de unidade, de conexão não causal e não condicionada pelo tempo e espaço. O arquétipo é considerado “ponte” entre a psique e essa ordem invisível, e a sincronicidade, evidência dessa conexão.
Maurício Neubern
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 1000-1014; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n3p1000-1014

Abstract:
Este trabalho busca oferecer, por meio da noção semiótica de iconicidade, uma proposta explicativa para a compreensão das relações entre hipnose e dores crônicas. Considera a hipnose como um conjunto de processos que envolvem a comunicação e a experiência de transe. Utilizando-se de breve vinheta clínica, destaca a iconicidade na comunicação hipnótica como processo fundamentado principalmente na consideração quanto ao outro, na clínica do mostrar e na vivência do presente. Por outro lado, na experiência de transe, destaca a iconicidade presente nas relações com a autoimagem e o esquema corporal do sujeito, que consistem em complexos sistemas semióticos nos quais as dores crônicas se configuram. Na conclusão do artigo, destaca-se a proximidade entre iconicidade e alteridade, sobretudo no que diz respeito ao papel do pertencimento dos protagonistas da relação terapêutica na hipnose.
Michelle Santos Sena de Oliveira, Antônio Márcio Ribeiro Teixeira
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 959-979; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n3p959-979

Abstract:
No contexto de uma predominância de práticas avaliativas e de vigilância que incidem nos diversos domínios da vida contemporânea, este artigo tem como objetivo elucidar os efeitos do apagamento da exceção na Contemporaneidade sob o viés psicanalítico. Do discurso do mestre antigo ao discurso do mestre moderno, universitário e capitalista, o saber obtido pelo cálculo da utilidade e do valor passa a orientar as decisões políticas e individuais. Diante dessa realidade, a administração burocrática se direciona aos sujeitos, visando a homogeneizá-los e submetê-los ao ideal de transparência moderno, garantido pelo saber extraído e decodificado pelos instrumentos de avaliação. A psicanálise recolhe os efeitos desse laço social contemporâneo, mas, de forma distinta do discurso dominante, oferece outro destino ao íntimo, ao que do gozo não pode ser contabilizado e homogeneizado.
Andrea Vieira Zanella, Aline Amaral Sicari
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 1058-1079; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n3p1058-1079

Abstract:
A pesquisa objetivou investigar as tensões e paradoxos que caracterizam a luta do Movimento Nacional de População de Rua (MNPR). Foi foco da pesquisa uma unidade do movimento, de uma cidade de médio porte do Sul do Brasil. O material analisado foi produzido com base na participação em reuniões do MNPR e em conversas formais e informais com 25 pessoas em situação de rua e, ou, trajetória de rua. A análise dialógica do discurso foi a escolha metodológica para a pesquisa. Foram identificados cinco paradoxos: 1) a condição de incômodo e, ao mesmo tempo, de reconhecimento da importância do lugar ocupado pela liderança do movimento; 2) a tensão entre estar nas ruas e estar nos espaços institucionalizados de luta; 3) a contradição entre projetos de vida singulares e a necessidade de luta por mudanças para todos, todas; 4) a tensão visibilidade e invisibilidade das pessoas em situação de rua; 5) a contradição entre viver nas ruas e poder/querer sair dessa condição, com o risco de não ser mais reconhecido(a) pelos pares e participar de sua luta. Apesar dos paradoxos, a pesquisa destaca a importância do MNPR na luta por direitos sociais, políticos e humanos em favor da população em situação de rua.
Elâine Cristina Vargas Dadalto, Edinete Maria Rosa
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 879-900; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n3p879-900

Abstract:
O objetivo foi identificar e comparar a estrutura das representações sociais (RS) de mães de recém-nascidos pré-termo sobre “bebê” e “objetos de bebê”, durante internação em unidade de terapia intensiva neonatal e aos 12 meses de idade. A técnica usada foi a evocação de até cinco palavras/expressões associadas aos termos indutores e processamento pelo software EVOC-2003. Participaram 47 mães. No contexto da internação, o núcleo central da RS de “bebê” apresentou as palavras “amor” e “cuidado”, e, aos 12 meses, “amor” e “carinho”. Os elementos organizadores da RS de “objetos de bebê” foram “berço”, “brinquedo” e “mamadeira”, e, aos 12 meses, “brinquedo”, “chupeta” e “mamadeira”. A organização das RS teve o amor como base, demonstrando preocupação e cuidado devido à internação. Após o primeiro ano, sentimentos negativos foram suprimidos, observando-se valorização do ato de brincar, ressaltando as dificuldades para manter a amamentação e lidar com a sucção não nutritiva.
Bruno Moraes da Silva, Isabela Machado da Silva, Eduardo Pandolfi Passos, Rita De Cássia Sobreira Lopes, Daniela Centenaro Levandowski
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 857-878; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n3p857-878

Abstract:
Este estudo teve como objetivo investigar as narrativas de mulheres que conceberam com o auxílio das técnicas de reprodução assistida (TRA), acerca do impacto do tratamento na experiência da gestação. Foram entrevistadas 24 mulheres no terceiro trimestre de uma gestação concebida com o auxílio de diferentes TRA. Os dados foram submetidos a uma análise narrativa, destacando-se temas como a maior valorização da gravidez devido ao tratamento, o medo de perder o bebê, a possibilidade de gestação gemelar, o preconceito social em relação ao uso das TRA e a tentativa de naturalização dessa experiência. Embora tenha predominado o não reconhecimento explícito do impacto do tratamento na experiência da gestação, as participantes demonstraram-no em nuances de suas narrativas, ao relatarem seus sentimentos e expectativas. Os resultados sugerem a importância da atuação dos profissionais de saúde mental nesse contexto.
Mariana Farias Puccinelli, Milena Da Rosa Silva
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 921-940; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n3p921-940

Abstract:
Este artigo aborda o conceito de educador suficientemente bom. Tal construção teórica parte da releitura winnicottiana dos indicadores da metodologia IRDI (Indicadores de Risco para o Desenvolvimento Infantil). Assim, buscar-se-á compreender de que maneiras os educadores dos berçários e maternais auxiliam a dar andamento aos processos do amadurecimento dos bebês dos quais cuidam, utilizando-se, para isso, da teoria do amadurecimento proposta pelo psicanalista inglês D. W. Winnicott. Compreende-se que os profissionais das creches contribuem de forma importante para a constituição psíquica dos bebês, pois proporcionam continuidade aos principais processos desta: integração, personalização e capacidade para relacionamentos. Nesse sentido, esses educadores, quando atuando de maneira suficientemente boa, proporcionam continuidade e suplência ao papel do cuidador primordial, na maioria das vezes, exercido pela figura materna. Considerando o potencial constitutivo do fazer dos educadores de berçários e maternais, evidencia-se a necessidade e a relevância de propostas de formação especializadas para esses profissionais. Palavras-chave: Parto; doula; provisão ambiental (Winnicott); internet.
Larissa Franco Severino, Renata Fabiana Pegoraro, Eliane Regina Pereira
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 980-999; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n3p980-999

Abstract:
A compreensão sobre práticas grupais com jovens e sua finalidade na Psicologia parte de diversas perspectivas e está prevista entre as habilidades e competências profissionais. Este artigo busca compreender, com base em uma revisão integrativa de literatura, como os grupos com jovens são caracterizados e constituídos pelas produções de artigos científicos em Psicologia. Foram realizadas buscas nas bases Scielo, Pepsic e Adolec e, mediante critérios de inclusão e exclusão, foram recuperados dez artigos, cuja análise permitiu ressaltar os grupos como espaço: (a) de circulação da palavra; (b) de troca e possibilidade de transformação; (c) terapêutico. Ainda há poucas publicações sob a forma de artigos envolvendo a prática grupal com jovens. Esses artigos frisaram como principal característica grupal proporcionar um espaço de fala e trocas entre os sujeitos inseridos. Destaca-se certa naturalização dos sujeitos participantes dos grupos, visto que suas histórias de vida e suas condições sociais deixaram de ser ressaltadas.
José Newton Garcia de Araújo, Rodrigo Padrini Monteiro, João César De Freitas Fonseca, Carlos Eduardo Carrusca Vieira, Rafael Soares Mariano Costa
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 1101-1120; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n3p1101-1120

Abstract:
Este artigo discute a relação entre o trabalho dos psicólogos e psicólogas e a tecnologia, no contexto marcado pela pandemia da covid-19. Com base na análise da dupla condição da Psicologia, como ciência e profissão, historicamente construída e reproduzida, o texto propõe uma análise crítica da intensificação do uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), com ênfase na atividade de atendimentos clínicos individuais, por se tratar de uma modalidade de serviço em flagrante expansão no atual contexto, em razão das contingências impostas pela pandemia. Como resultados preliminares, evidencia-se o crescimento, sem precedentes, do número de cadastros de psicólogos e psicólogas interessados em realizar atendimento on-line e observam-se ações dos órgãos reguladores da profissão que objetivam fiscalizar tais práticas e impedir o uso indevido da tecnologia. Ressaltam-se, neste cenário, os riscos da “uberização” do trabalho do psicólogo e psicóloga e de uma retração do campo da Psicologia como profissão.
Vívian de Andrade Hauck Pinto, Fernando Santana de Paiva
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 1040-1057; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n3p1040-1057

Abstract:
A Psicologia Social Comunitária (PSC) busca desenvolver intervenções psicossociais que contribuam para a supressão das desigualdades sociais presentes em nossa realidade. Assim como a PSC, o Teatro do Oprimido (TO) propõe uma atividade artística e política comprometida com a transformação da realidade social. Objetivamos apresentar algumas possíveis articulações e contribuições do TO para o campo da PSC, com destaque para as experiências que têm sido realizadas ante as opressões de gênero ainda vivenciadas por inúmeras mulheres no âmbito da sociedade brasileira. Realizamos uma revisão narrativa de literatura, contextualizando dimensões centrais do TO que podem favorecer a atuação dos profissionais da Psicologia diante de situações de exploração e opressão. Consideramos que o TO pode se conformar como uma ferramenta metodológica potente para uma práxis em PSC comprometida com a transformação da sociedade em direção à emancipação política e humana.
Jacqueline De Oliveira Moreira, Carlos Roberto Drawin, Domingos Barroso da Costa, Ana Carolina Dias Silva
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 1080-1100; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n3p1080-1100

Abstract:
Questionamo-nos se a vinculação da covid-19 ao significante “guerra” poderia esvaziar a força legal da Declaração dos Direitos Humanos, atingindo-a em seu pilar fundamental: a dignidade humana. Retomamos as considerações de Clausewitz, para quem, não se constituindo como episódio inesperado, a guerra consiste em continuação da política, para chegar a Foucault, que desvela que as relações de poder produzem uma regulamentação da vida e da morte, o que nos relança no campo de vulnerabilidade que a metáfora bélica indica e oculta. No momento dramático da pandemia, a convocação de todos para a guerra, a convocação solidária contra o inimigo comum, embora justificável como medida de emergência e apelo necessário para o isolamento social, também pode servir como anverso da necropolítica (Mbembe, 2016), a morte visível produzida pelo vírus revestindo a morte invisível dos excluídos e descartáveis, dos “matáveis” de sempre.
Luís Manuel Oliveira Carneiro
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 1020-1039; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n3p1020-1039

Abstract:
Este artigo pretende dar a conhecer os resultados duma intervenção cognitivo-comportamental num caso clínico de um jovem com problemas de violência doméstica. Apresenta sintomas depressivos que o prejudicam a nível pessoal, acadêmico e social. Para além disso, manifesta medo e ansiedade acerca de diversas situações de âmbito social em que é exposto à possível avaliação por parte dos outros e receio de que possa vir a comportar-se de modo embaraçador. A avaliação psicológica permitiu diagnosticar uma perturbação depressiva e fobia social, tendo sido acionada a intervenção cognitivo-comportamental com base no modelo cognitivo para a depressão, de Beck, e no modelo cognitivo para a ansiedade social, de Clark e Wells. Os resultados da intervenção foram positivos, indicando a importância da terapia cognitivo-comportamental nesses tipos de perturbação.
Gustavo Chiesa Gouveia Nascimento, Márcia Aparecida Ferreira Oliveira, Ricardo Henrique Soares
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 901-920; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n3p901-920

Abstract:
Este trabalho tem por objeto as contribuições de Donald W. Winnicott acerca do fenômeno das toxicomanias, com o objetivo de apontar os desafios dessa clínica em nossas instituições de saúde. É apresentada uma síntese construída com base no trabalho do autor Décio Gurfinkel acerca do estatuto psicopatológico das adicções, numa perspectiva psicanalítica, para, posteriormente, pensá-lo à luz dos conceitos do processo de maturação de Winnicott. Ao fim, são empregados os conceitos apresentados para problematizar o campo das práticas clínicas. O fenômeno da toxicomania é apontado como extravio dos fenômenos transicionais ante a falha da sustentação ambiental para as experiências de ilusão primária, colocando o foco do trabalho clínico junto a esses usuários na sustentação da própria relação de cuidado, espaço potencial fértil para o sonhar e o simbolismo que se encontram alienados do sujeito adicto. Coloca-se como desafio para as instituições o aspecto tóxico que podem ganhar essas relações.
Paula Oliveira de Camargo, Mariana Cunha Litholdo
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 817-835; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n3p817-835

Abstract:
Cuidado paliativo é uma filosofia de abordagem diferenciada e integradora, cujo campo de atuação abrange doenças oncológicas e crônico-degenerativas. Cuidados extensivos é uma proposta de tratamento embasada nessa filosofia, que agrega a perspectiva de um processo de transição. O objetivo deste artigo é apresentar o processo de implantação das oficinas terapêuticas numa rede privada hospitalar, dentro dessa perspectiva. Será realizada uma descrição e análise de experiência desenvolvida cujo foco é a descrição das etapas do projeto desde sua implantação até o momento atual. Os benefícios identificados contemplam os seguintes fatores promotores de resiliência: o apoio social, autoconhecimento, resgate de sentido, formas de enfrentamento, questões bioéticas e processo de luto. Conclui-se que as oficinas terapêuticas como modalidade de atendimento de grupo, de forma integradora e multiprofissional, é uma área de atuação nova bem como requer a necessidade de realização de pesquisa visando a contribuir para a ampliação de seus resultados.
Marcos Antonio Batista da Silva
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 836-856; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n3p836-856

Abstract:
O artigo é parte de uma discussão teórica derivada de tese de doutorado desenvolvida num Programa de Psicologia Social, que teve como objetivo investigar as desigualdades educacionais da população negra no Brasil, entre outros. O estudo chama a atenção para as desigualdades educacionais dessa população, no que se refere à falta de acesso à escola e à educação formal. Para tal, realizamos uma revisão de literatura de autores contemporâneos, sobre o tema das relações étnico-raciais, bem como de aportes teóricos sobre desigualdades educacionais e legislação no País. No campo metodológico, utilizamos a hermenêutica de profundidade (HP), proposta por Thompson (2011), além da análise de conteúdo ancorada em Bardin (2011). Concluiu-se que a desigualdade educacional da população negra no Brasil passou por transformações em contextos sócio-históricos, de uma legislação a outra. As ações governamentais com vistas à superação da desigualdade racial, de maneira geral, pairam sob o binômio inclusão/exclusão.
Sandra Fogaça Rosa Ribeiro, Daniely Diniz de Oliveira, Hélimi Iwata, Júlia Feltrin Ivers
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 624-640; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n2p624-640

Abstract:
Este é um relato sobre saúde mental e trabalho na Saúde da Família – diagnóstico e intervenção. Foi sobre um estágio de psicologia, numa unidade de Saúde da Família, principal política para viabilizar a atenção primária à saúde no Sistema Único de Saúde no Brasil. O objetivo foi fazer uma intervenção, a partir de um diagnóstico organizacional com ênfase no trabalho do agente comunitário de saúde. O método foi a observação participante, seguida de dois encontros, que possibilitaram reflexão sobre as dificuldades da equipe, bem como a ampliação da discussão no âmbito da gestão. A intervenção foi considerada positiva, pois abriu possibilidades favoráveis no trabalho, mesmo que de forma preliminar, com solicitações de continuidade do trabalho na unidade de Saúde da Família.
Marcos Júlio Dala Mandele
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 795-816; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n2p795-816

Abstract:
Este artigo apresenta a realidade psicossocial do desemprego e seus impactos na vida dos egressos da Universidade Agostinho Neto, na cidade de Luanda, Angola. Sintetiza as ideias construídas a partir da pesquisa realizada nessa cidade, no período de 2010 a 2012. Baseou-se em uma investigação de campo, de abordagem qualitativa, sobre os sentidos da condição de desempregado, tendo sido entrevistados 15 egressos dos cursos de Contabilidade e Auditoria, Direito, Economia, Filosofia, Física, Gestão e Administração Pública, Línguas e Literaturas, Matemática, Pedagogia e Sociologia. A amostra de participantes se deu pela estratégia da bola de neve. A discussão girou em torno dos conceitos de emprego e desemprego, tendo um marco teórico baseado em Araújo (2010), Beck (2010), Castel (2006), Gaulejac (2006), Jahoda (1987), Lhuilier (2011), Sanchis (1997) e Santos (2008). Recorreu-se também à pesquisa documental. A discussão dos dados das entrevistas foi realizada mediante a análise de conteúdo, de Bardin (2004). Os resultados da pesquisa demonstram que o desemprego acarreta dificuldades para os egressos se inserirem na sociedade e levar adiante seus projetos de vida. Verificou-se também que a formação universitária, em Angola, acaba formando estudantes para o desemprego e para uma série de incertezas profissionais.
Edson Pereira, Odilon Gomes de Souza, Luciane Najar Smeha, Cristiane Bottoli, Josiane Lieberknecht Wathier Abaid
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 556-579; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n2p556-579

Abstract:
A conciliação entre atividades profissionais e vivência familiar constitui um desafio para qualquer pessoa. Diante da formação de uma família e, principalmente, na chegada de filhos, ajustes de papéis são necessários. Assim, o objetivo deste estudo foi compreender como têm sido descritas, na literatura científica, a interação trabalho e família e a rede de apoio em casais economicamente ativos com a chegada dos filhos. Trata-se de uma revisão sistemática de literatura com artigos publicados entre os anos 2011 a 2016. Os resultados apontam para uma mulher “multitarefas”, que divide melhor os afazeres com o homem do que há alguns anos, principalmente no cuidado com os filhos. A rede de apoio social é de fundamental importância à família em formação e está representada principalmente pelo cônjuge, pelos avós e por outros. Discutem-se estratégias de enfrentamento no conflito família/trabalho e trabalho/família e a relevância de estudos futuros com rigor metodológico.
Flávio Fernandes Fontes, André Luis Leite De Figueirêdo Sales
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 760-775; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n2p760-775

Abstract:
Analisamos uma posição epistemológica autoatribuída por alguns psicanalistas e a nomeamos como “Teoria da Singularidade Epistemológica Absoluta da Psicanálise” (TSEAP). Ela consiste na ideia de que a psicanálise não é espécie de nenhum gênero; não é ciência, não é filosofia, não é arte, etc. Examinamos diferentes justificações para a TSEAP: 1) a descoberta de um objeto inédito na história do saber: o inconsciente; 2) a invenção de um novo método: a associação livre; 3) a invenção de um novo método de produção de conhecimento: a metapsicologia. À luz da perspectiva dos estudos freudianos críticos, realizamos um exame crítico dessas justificativas e concluímos que nenhuma das justificativas se sustenta. Por fim, propomos uma formulação diferente: a psicanálise não deve ser concebida como uma espécie sem gênero, mas sim como uma espécie que pertence a vários gêneros diferentes.
Aline Magnus, Vivian De Medeiros Lago
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 580-604; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n2p580-604

Abstract:
Atualmente ainda existe uma carência no que se refere à padronização das práticas que permeiam a avaliação psicológica forense, em específico no contexto de disputa de guarda no Brasil. Nesse sentido, este estudo buscou investigar, por meio de um questionário on-line, como são realizados os processos de avaliação psicológica envolvendo disputa de guarda na Região Sul do Brasil. Participaram do estudo 28 psicólogos, com média de idade de 36,5 (DP= 8,64). Foram realizadas análises descritivas das respostas dos sujeitos bem como comparações entre os Estados. Os resultados destacam que o HTP, IEP, CAT-A e SARP são os instrumentos mais utilizados. Em relação aos procedimentos, destaca-se o uso das entrevistas. O estudo apresentou uma análise geral sobre as avaliações psicológicas em situação de disputa de guarda na Região Sul do Brasil, oferecendo dados significativos aos profissionais que atuam na área forense.
Marilise Honicky, Iolanda de Assis Galvão
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 660-679; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n2p660-679

Abstract:
O processo de adoecimento, tratamento e hospitalizações após o diagnóstico de câncer infantojuvenil pode causar impacto emocional, influenciar na dinâmica e rotina de toda a família. Diante desse cenário, a pesquisa objetivou compreender as possíveis mudanças nas relações dos irmãos sadios, no contexto familiar, social e escolar, sob a ótica das mães. A amostra foi composta por 15 mães de crianças e adolescentes diagnosticadas com leucemia, com ao menos um filho sadio. Os dados foram coletados por entrevista semiestruturada e, com base na teoria da análise de conteúdo proposta por Bardin (1977), foram encontradas quatro categorias: repercussões do adoecimento, relações familiares, relações sociais, vida acadêmica. Pôde-se observar que os irmãos saudáveis vivenciam, de modo singular, o adoecimento do irmão com leucemia. Apresentaram diversas formas de reagir e de se relacionar. Na maioria, isolaram-se, aproximaram-se, revoltaram-se ou demonstraram fragilidade nas trocas interpessoais, deflagrando um pedido de ajuda e atenção.
Andressa Araújo de Araújo
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 737-759; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n2p737-759

Abstract:
Este estudo objetivou compreender de que modo a surdez e o preconceito vêm sendo investigados na literatura científica nacional. Para isso, realizou-se uma revisão nos periódicos, mais especificamente nas bases de dados Portal Scielo e Pepsic, no período de janeiro de 2006 a dezembro de 2016, num total de 15 artigos analisados. Os resultados e a discussão tratam da análise bibliométrica e da análise de conteúdo. Percebe-se que a maioria dos trabalhos são qualitativos. Apesar de a visão socioantropológica ter ganhado espaço, a visão clínico-terapêutica ainda é presente e, por causa disso, preconceitos, humilhações e discriminações são sentidos pelos surdos, que não preenchem o padrão de normalidade imposto pela maioria, ouvinte. Pode-se concluir que há um longo percurso a ser trilhado para familiares, profissionais e pesquisadores desenvolverem a temática e conscientizarem a população, objetivando mitigar o preconceito ainda existente.
Luana Rodrigues de Freitas Alves Amarante, Luciana Kind
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 535-555; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n2p535-555

Abstract:
Realizamos uma pesquisa narrativa a fim de compreender a experiência de mulheres jovens que tentaram suicídio. Foram entrevistadas, no período de outubro de 2019 a março de 2020, 12 mulheres que atentaram contra suas vidas pelo menos uma vez e estiveram internadas no Hospital Espírita André Luiz, localizado em Belo Horizonte, Minas Gerais. A idade das participantes variou de 20 a 29 anos. A análise das entrevistas guiou-se pelo princípio do tratamento singular de cada história e destaque a episódios transversais a todas elas. Os resultados são apresentados em eixos transversais: abuso sexual, violência nas relações afetivas e violências vivenciadas nas relações familiares. As narrativas apontaram que existe uma relação significativa entre mulheres em situação de violência e a tentativa de suicídio. Porém não se esgotaram as possibilidades de compreensão do fenômeno, porque estamos diante de uma problemática multifacetada.
Ricardo Monteiro Guedes de Almeida
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 776-794; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n2p776-794

Abstract:
O conceito de letra convoca uma discussão sobre a prática da interpretação psicanalítica. Assim, objetivamos realizar um percurso sobre a letra e a hipótese lacaniana de que o escrito não é para ser lido. Recorremos a um estudo teórico no qual, primeiramente, versamos sobre o significante e a letra, tal como Lacan propôs no texto A instância da letra no inconsciente ou a razão desde Freud. Posteriormente, aprofundamos na distinção entre esses dois conceitos, visando ao Seminário, Livro 18. Por fim, discutimos a afirmação de Lacan sobre a impossibilidade da leitura do escrito. Considerando o papel que a letra e a função do escrito assumem no campo do gozo e no alcance de uma análise, concluímos que a letra não é só distinta do significante como também corresponde a uma escrita que está no real, representando, assim, a incidência de um limite do sentido e da própria interpretação.
Juçara Clemens, Mériti de Souza
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 641-659; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n2p641-659

Abstract:
Este artigo é um recorte de uma pesquisa que, pela perspectiva psicanalítica, escutou mulheres considerando o dito e o silenciado sobre suas maternidades. Contatadas mediante rede social e profissional, as mulheres mães foram entrevistadas, considerando-se a ética e os conceitos da psicanálise: inconsciente, livre associação, transferência. Entre os resultados, encontrou-se o fenômeno do vício de fala, no qual as palavras e expressões que são utilizadas repetidamente na fala atravessam o discurso, preenchendo ausências, obturando descontinuidades, buscando o significado perdido. Utilizamos a expressão “não dito” para caracterizar essas expressões que contrariam os ideais sociais, e, ou, o que é esperado dessas mulheres, por elas e também pelos outros, para suas maternidades. Na trama do não dito, encontram-se os afetos que se expressam advindos de diferentes instâncias psíquicas na construção de cada mulher com o feminino e a maternidade.
Alexei Conte Indursky
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 721-736; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n2p721-736

Abstract:
Este artigo propõe-se pensar a especificidade da clínica com refugiados com base no uso da língua de acolhimento por parte do analisando e seus destinos na transferência. Mais especificamente, visa-se a pensar como o encontro com língua do analista, pelo enlace transferencial, pode engajar o sujeito em um movimento de ida e vinda entre sua língua de origem e a de acolhimento, que promova a desintoxicação dos conteúdos traumáticos operada pela sua transcrição em outra espacialidade psíquica; hipótese clínica que nomeia este artigo. Para tanto, propõe-se a revisão teórica do termo “tradução” na bibliografia psicanalítica, notadamente a partir da obra inédita no Brasil de Janine Altounian, atentando ao “papel tradutor” que a transferência opera ante episódios traumáticos não metabolizados pelo psiquismo. A seguir, uma vinheta clínica é utilizada para ilustrar os debates teóricos suscitados. Palavras-Chave: Refúgio, língua, transferência, tradução, trauma.
João Paulo Macedo, Carlivane De Jesus Souza, Magda Dimenstein, Candida Dantas
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 492-515; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n2p492-515

Abstract:
Objetiva-se analisar os projetos pedagógicos dos cursos de Psicologia (PPC) localizados em cidades de médio, médio-pequeno e pequeno porte, considerando o contexto de expansão e interiorização da formação na últimadécada. Trata-se de um estudo documental, a partir da análise de 20 PPC, com base nos seguintes eixos: perfil e localização dos cursos, caracterização geral dos PPC, ênfases curriculares/disciplinas e campo das práticas. Os cursos estão distribuídos em, pelo menos, 12 Estados brasileiros, sendo 30% em municípios de médio porte, 45% em municípios de médio-pequeno porte e 25% em localidades de pequeno porte. São cursos mais próximos dos contextos rurais, entendidos como um espaço singular, permeados por uma multiplicidade de formas e uma diversidade de relações com o mundo urbano, o que exige maior sensibilidade para apreender a complexidade e a heterogeneidade que marca os meios e os povos rurais no Brasil.
Flávia Fernandes de Carvalhaes, Sonia Regina Vargas Mansano, Maria Juracy Filgueiras Toneli
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 516-534; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n2p516-534

Abstract:
Este artigo problematiza as maneiras como, entre os anos de 2000 e 2013, mulheres acusadas ou julgadas por crimes foram enunciadas na mídia impressa brasileira. A análise percorreu a construção social de quatro configurações subjetivas que estiveram presentes no cenário midiático: a vítima, a desequilibrada, a primeira-dama e a emancipada. Tendo como pano de fundo o debate das questões de gênero e da ordem capitalista hegemônica, adotou-se a cartografia como estratégia de investigação. Concluiu-se que a mídia está conectada a campos vivos e tensionados de forças, em que premissas tanto conservadoras quanto subversivas de gênero são produzidas.
Luciane Guisso, Cibele Motta
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 605-623; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n2p605-623

Abstract:
Este trabalho visa apresentar uma revisão integrativa da literatura nacional referente a família, escola e transição para a escolaridade. Assim, realizou-se uma busca de artigos científicos nas bases de dados SciELO e Pepsic, para mapear a produção nacional sobre o tema nos últimos dez anos (2006-2016). Mediante a combinação de palavras-chaves, encontraram-se 17 artigos que discutem a relação entre família e escola e como ocorre a transição da criança pequena para o contexto escolar. A análise dos artigos evidenciou que a entrada da criança na escola tende a ser vivenciada tanto pela família quanto pela criança como período de estresse, pois envolve a adaptação de todos. O clima familiar positivo permeado por práticas educativas do tipo indutivas e a participação ativa na vida escolar das crianças possibilitam que as famílias experimentem esse momento de transição para a escolarização de forma mais satisfatória.
Maiara Castro de Freitas, Cibele Carvalho, Vera Regina Röhnelt Ramires
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 699-720; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n2p699-720

Abstract:
Problemas internalizantes são frequentes em crianças, mas os ingredientes ativos que tornam uma psicoterapia efetiva são ainda pobremente compreendidos. O objetivo deste estudo foi analisar o processo terapêutico psicodinâmico de um menino em idade escolar que apresentava sintomas internalizantes, cujo tratamento foi interrompido após 22 meses. Os participantes foram o paciente e sua terapeuta. O Child Psychotherapy Q-Setfoi utilizado para analisar o processo terapêutico. Os resultados mostraram as características da relação terapeuta-paciente e suas transformações. Fatores como conflitos familiares, aliança terapêutica com os pais, limitação da capacidade de mentalização do menino, contratransferência, habilidades e ajustamento da terapeuta ao paciente tiveram impacto no processo terapêutico, contribuindo para o desfecho observado. Para elucidar questões em aberto acerca da efetividade e mecanismos de mudança da psicoterapia psicodinâmica, e para estabelecimento de uma base de evidências consistente, é imprescindível que se conheça, de fato, o que ocorre e como ocorre no setting clínico.
Manoela Pagotto Martins Nodari, Edinete Maria Rosa
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 680-698; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n2p680-698

Abstract:
Este estudo investigou as influências da participação em grupos de lazer no desenvolvimento de jovens de classes populares. Utilizou como aporte teórico a teoria bioecológica do desenvolvimento humano, com foco nos processos proximais estabelecidos dentro do grupo e em relação à família e amigos. Participaram da pesquisa 21 jovens, sendo 12 meninas e 9 meninos, com idades de 15 a 19 anos, estudantes de ensino médio em uma escola da rede pública. Os dados foram coletados por meio de entrevistas e organizados em categorias, baseadas no modelo PPCT. Como resultados principais, nota-se que as interações estabelecidas pelos jovens dentro dos grupos promovem mudanças positivas em suas características pessoais e realçam suas percepções em relação a uma melhoria das interações nos contextos família e amigos. Conclui-se que o grupo tem se constituído como elemento positivo na vida desses jovens e como recurso favorecedor para seu desenvolvimento.
Bruna Maffei, Cristiane Barros Marcos, Simone Dos Santos Paludo
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 165-186; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n1p161-180

Abstract:
O estudo busca compreender os motivos que levam as mulheres em situação de violência a buscar ajuda em uma Delegacia de Polícia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) e suas expectativas após a denúncia. A coleta de dados foi realizada durante o plantão psicológico na DEAM, em uma cidade no Sul do Brasil, por meio de uma entrevista semiestruturada. Os dados de 24 acolhimentos a mulheres com idade entre 19 e 84 anos (M = 36,86; dp = 15,90) foram submetidos à análise qualitativa. O ex-companheiro foi o principal agressor; e a violência psicológica e física, os principais motivos para as mulheres procurarem a delegacia. Todas buscaram a polícia na expectativa de resolutividade do serviço jurídico, principalmente com medidas de segurança. O estudo evidencia a necessidade do fortalecimento da rede de atenção social, de saúde e de justiça, auxiliando na revelação da violência e no desenvolvimento de novas perspectivas futuras após o ocorrido.
Roberta Carvalho Romagnoli
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 452-470; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n1p441-459

Abstract:
Este artigo coloca em discussão a potência do dispositivo grupal na produção de dados da pesquisa “Educação básica e família: reproduções e invenções no programa Escola Integrada de Belo Horizonte (PEI)”, que busca conhecer as relações estabelecidas pelos coordenadores e alunos em formação docente nas oficinas. Trata-se de um programa de formação docente implantado e mantido pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, com base na ampliação da jornada escolar, com estudantes universitários de diferentes áreas do conhecimento. Este estudo tem a pesquisa-intervenção como metodologia e as ideias de Deleuze e Guattari como marco teórico, em diálogo com as ideias de Bourdieu. Com base nas discussões do território escolar, no que se refere à relação com a família e à violência, o grupo aparece aqui como resistência, como um dispositivo que favorece a emergência do coletivo na criação de processos de subjetivação inventivos.
Murillo Rodrigues dos Santos
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 269-284; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n1p261-276

Abstract:
Este trabalho tem como objetivo situar a teoria da subjetividade no contexto da Psicologia histórico-cultural, respondendo à pergunta: seria a primeira uma vertente da segunda ou seriam teorias independentes? Para dar conta de tal questão, lança-se mão de uma reflexão teórica baseada na revisão de textos importantes de González Rey, tentando identificar pontos de semelhança e dessemelhança com a proposta vigostkiana, pela demarcação das categorias propostas pelo autor cubano e sua interlocução com as propostas do autor soviético. Com base nisso, chega-se à conclusão de que a teoria da subjetividade tem importantes aproximações ontológicas e epistemológicas com a Psicologia histórico-cultural, mas que, por esta também ter uma base na teoria da complexidade, trata-se, de fato, de uma releitura pós-moderna desta.
Maria Ignez Costa Moreira, Emerson Plantino Dias
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 187-207; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n1p181-200

Abstract:
Este artigo teve como objetivo identificar ações de enfrentamento da violência contra as mulheres pela Estratégia de Saúde da Família (ESF). Foi realizada uma revisão integrativa dos artigos publicados entre 2011 e 2016, encontrados nas seguintes bases: Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs), Base de Dados em Enfermagem (Bdenf), Index Psicologia - Periódicos técnico-científicos e Rede Pan-Americana de Informação e Documentação em Engenharia Sanitária e Ciências do Ambiente (Repidisca). Foram encontrados 29 artigos, dos quais 13 foram selecionados para análise segundo as categorias: “o trabalho em rede com mulheres em situação de violência” e “limites e necessidades profissionais para o enfrentamento da violência de gênero”. A revisão mostra lacunas na formação dos profissionais de saúde para o diagnóstico e intervenção nos casos de violência de gênero, e desarticulação entre a rede de proteção social e das equipes de saúde da família no atendimento das mulheres vítimas de violência.
Simone Mainieri Paulon, Ariadne Cedraz
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 397-414; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n1p386-404

Abstract:
O artigo intenta evidenciar uma dimensão sensível das práticaseducacionais, por meio de uma estilística não estandardizada de produçãode conhecimento. O texto-script permeia o fazer artístico de uma atriz, aomesmo tempo em que revela o palco-sala de aula onde se encena o fazerdocente, corporificando dilemas existenciais contemporâneos do trabalhocom educação. O exercício da escrita ficcional, como propõem Bottonie Costa, configura a estratégia metodológica que costura o estudo. Estaestratégia objetiva revelar paradoxos de uma prática profissional diantedo niilismo predominante que toma os corpos dos atores, no contextodefinido por Han como “sociedade do cansaço”. Como criar movimentos deresistência onde apenas parece haver cansaço? Como inventar linhas de fugaquando tudo parece convidar à desistência? Esses são os questionamentosque se insinuam ao longo do enredo, chamando à análise acerca do educarem tempos que não somente convidam à desistência, mas também incitamresistências.
Lívia Teixeira Canuto, Adélia Augusta Souto de Oliveira
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 83-102; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n1p82-100

Abstract:
O aumento da produção científica nas diversas áreas do conhecimento e a velocidade de sua divulgação reivindicam estudos de reconhecimento dos avanços científicos. Diferentes métodos de revisão bibliográfica surgem como alternativas de compreensão ampla do conhecimento da produção científica de um campo, área ou tema. Esses métodos apresentam variações em rigor e complexidade que, apesar de manterem pontos comuns, têm objetivos distintos. Assim, buscou-se caracterizar e identificar as especificidades dos métodos de revisão bibliográfica que são empregados no domínio acadêmico por meio de uma revisão narrativa de literatura. Indica-se a importância do reconhecimento da complexidade, rigor e amplitude de cada método, a fim fazer melhor uso. Conclui-se que esses tipos de estudo configuram-se como lugar privilegiado de proposições de políticas sociais e educacionais, e ainda como meio de crítica e desenvolvimento teórico e metodológico da própria Ciência.
Patrícia Mafra Amorim, Fábio Roberto Rodrigues Belo
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 246-268; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n1p239-260

Abstract:
Este trabalho se propõe a investigar as contribuições da psicanalista KarenHorney para a compreensão dos relacionamentos amorosos. A autora nospareceu uma boa representante do que Laplanche sinaliza como recalquespresentes na teoria psicanalítica. Investigamos o desenrolar da psicologia doamor de Horney, com base na metodologia laplancheana de análise de textospsicanalíticos, buscando apontar seus méritos e deméritos na construção deuma teoria psicanalítica que é comprometida com as consequências políticasde suas elaborações. A monogamia, instituição hegemônica e que tende aser interpretada como natural em nossa sociedade ocidental, parece-nos ocampo ideal para a discussão proposta pela autora sobre o lugar designadoàs mulheres. Traçaremos, portanto, um raio vetor sobre o tema, observandoas diferentes formas pelas quais se repete na obra da autora. Colocando emquestão a forma como são constituídos os relacionamentos amorosos, faz-senecessária a abordagem das questões identificatórias e de gênero que osperpassam.
Vanessa Monigueli Giehl, Simone Caldas Bedin
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 150-164; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n1p147-160

Abstract:
O objetivo deste trabalho foi investigar a percepção do sujeito que cometeu tentativa de suicídio diante da continuidade ou não do acompanhamento e tratamento. Estudo descritivo com abordagem qualitativa, desenvolvido com pacientes encaminhados e referenciados por um serviço de emergência para centros especializados (Centros de Atenção Psicossocial - CAPS) da Rede de Saúde, no Município de Santa Cruz do Sul, Estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Foram entrevistados 11 sujeitos que tentaram suicídio, tendo como média a idade de 41 anos. A análise resultou na identificação e classificação de três categorias: a voz que dá significados à realidade do ato, o acompanhamento como escolha e compreensão e o não acompanhamento como decisão. Os sentimentos relatados pelos sujeitos exprimem sentidos, intensidades e dimensões da realização da tentativa de pôr fim à suas vidas. As dificuldades encontradas na continuidade dos tratamentos mostram a falta de qualificação e preparação dos profissionais em saúde, nos centros especializados, particularmente do serviço de emergência.
Vannessa de Resende Cardoso Rabelo, Angela Arruda
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 63-82; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n1p62-81

Abstract:
Este artigo analisa representações sociais sobre o velho e o envelhecimento em dois grupos focais, um de idosas e outro de jovens, realizados em entidades que propõem atividades para essas faixas etárias em Juiz de Fora (Estado de Minas Gerais). Apoia-se na teoria de Moscovici e de Jodelet, e a análise, pelo software Alceste, identifica cinco classes. As classes características dos jovens trazem a figura do idoso de antigamente e de hoje, bem como a sabedoria da velhice. A classe típica das idosas aponta o medo da solidão e da dependência, bem como o desejo de autonomia. Já as demais apontam a falta de paciência e o desrespeito como um problema na relação da sociedade com os idosos. Em conclusão, os dados revelam, apesar da presença de representações hegemônicas, indícios de uma “nova velhice”: a vinculação dos idosos à tecnologia, segundo os jovens; e a busca da autonomia, para as idosas.
Luis Antonio Dos Santos Baptista, Mario Cesar Carvalho De Moura Candido, Raphael Ferreira de Ávila
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 346-364; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n1p336-353

Abstract:
Deseja-se, nesta escrita, pensar o poder da máscara e do anonimato comoformas de experimentação ética e política. Para tanto, é preciso se permitircontagiar pela intensidade dos paradoxos das lutas sociais que hoje habitamas ruas da cidade contemporânea. Ensaia-se, neste artigo, a tentativa de fazerdo anônimo uma ferramenta conceitual que forneça o oxigênio necessáriopara continuarmos atentos às barbáries da atualidade, distanciando-nosda dinâmica de uma subjetividade privatizada, assim como das amarrasde um coletivo identitário. Os autores consultados no texto formulam ahipótese na qual o anônimo seria uma modalidade de resistência. Qualresistência? Qual seria a aposta ética presente no anonimato? Esses exercíciose experimentações apontam para conclusões abertas que visam a ampliar etornar mais complexa a capilaridade da violência de Estado, assim como asinesgotáveis formas de combatê-la.
Maria Elizabeth Barros de Barros
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 365-379; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n1p354-368

Abstract:
O artigo apresenta algumas formulações sobre o contemporâneo, marcadopor uma espécie de epidemia de violência e uma pandemia do medo. Destacaque a produção desse medo se torna um instrumento de dominação, o quefaz prevalecer interesses individualistas que minam o espaço público. Taldireção de análise baseia-se nas formulações de Hannah Arendt e Agamben.Apresenta, ao final, uma experiência em universidade pública na RegiãoSudeste do Brasil, que se constituiu como estratégia de enfrentamento a esseestado de coisas, vislumbrando políticas efetivamente públicas no campo daeducação.
Cláudia Maria Filgueiras Penido
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 380-396; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n1p369-385

Abstract:
Cada vez mais profissionais procuram pós-graduações para estudar situaçõesrelacionadas a seu próprio trabalho. Apesar disso, há escassez de estudos queanalisem a singularidade dessa condição de produção de pesquisa. Com baseem René Lourau, pretende-se, neste ensaio, discutir a análise da implicaçãocomo possibilidade de explorar a potência do trabalhador-pesquisador naatividade científica, em vez do distanciamento do objeto como condição.Ao final, aponta-se a escrita diarística como um possível dispositivo para oagenciamento da análise coletiva da implicação do trabalhador-pesquisador.
Patrício Câmara Araújo, Fabrícia Teixeira Borges
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 208-227; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n1p201-220

Abstract:
Este estudo teve como objetivo investigar a constituição identitária de uma professora, na narrativa de sua história de vida, considerando a imaginação no processo narrativo. Realizamos uma abordagem do self dialógico, por meio de entrevista narrativa e episódica, com uma professora de Biologia, do 6º ao 9º ano, de uma escola particular do Distrito Federal. Na pesquisa, utilizamos a análise temática dialógica da conversação com tabela e mapa semiótico. Reconhecemos que a identidade docente se constitui como processo dialógico do self com a participação da imaginação na elaboração da imagem que o indivíduo tem de si como herói de sua história. Os resultados sugerem uma diferença entre o posicionamento docente da professora e o seu contexto profissional, consequente da relação dialógica entre seus posicionamentos e o valor da afetividade na relação com os alunos.
Sonia Regina Vargas Mansano, Mariana Tavares Cavalcanti Liberato
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 436-451; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n1p426-440

Abstract:
A exigência crescente por pesquisas científicas já se tornou cotidiana nas universidades de nosso país, especialmente naquelas que mantêm um conjunto expressivo de cursos com formação em stricto sensu. O objetivo deste artigo consiste em problematizar essa demanda, explorando dois ângulosdo conceito de resistência: a resistência necessária para acolher e lidar com as exigências burocráticas presentes no exercício do pesquisar, e resistência desenhada nas possibilidades de fazer das pesquisas um exercício vivo de pensamento. Esses dois ângulos, que coexistem em nosso tempo histórico, colocam aos pesquisadores o desafio de criar uma prática de pesquisa aliada da transformação social, mas também conectada a experimentação dos afetos e seus desdobramentos. Ao fim do estudo, será possível demonstrar que a prática das pesquisas implica dimensões burocráticas, mas vai muito além delas, testemunhando também a relevância de formar pesquisadores sensíveis, capazes de acolher e analisar realidades sociais de modo afetivo e contextualizado.
Maria Teresa Nobre, Irlys Alencar Firmo Barreira
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 471-491; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n1p460-480

Abstract:
O artigo aborda a população de rua como caso emblemático para discutir a relação entre cotidiano e burocracia, apresentando as tensões entre os modos de vida e o funcionamento institucional das políticas públicas a ela destinadas, em duas capitais do Nordeste brasileiro. A partir de narrativas de pessoas em situação de rua, registros de observação participante/itinerante e entrevistas com trabalhadores, problematiza a distância entre a letra (a burocracia) e a vida (o cotidiano), e a relação entre tempos e espaços regulamentados, evidenciando como, fora dos muros institucionais, a vida cotidiana é praticada na sua singularidade, porém excluída do direito àcidade. Nesse contexto, a cidade é pensada como polis, concluindo-se que os desafios da rua são os desafios da cidade: agregar histórias e dar suporte às diferenças.
Ivy Campista Campanha de Araujo, Célia Regina Rangel Nascimento, Cláudia Broetto Rossetti
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 41-62; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n1p40-61

Abstract:
Apesar da importância da reciprocidade na construção da vinculação entre pais e filhos, a adoção tardia ainda é realizada no Brasil privilegiando apenas o discurso do adulto, de forma que os sentimentos e o desejo da criança geralmente não são levados em consideração num processo adotivo. Desse modo, o trabalho aqui apresentado teve como objetivo conhecer a visão da criança sobre o processo de tornar-se filho, filha de seus novos pais, num contexto de adoção tardia. Como procedimentos de coleta de dados, foram realizadas entrevistas semiestruturadas, elaboração do genograma e construção do livro biográfico. Com as intervenções realizadas, pôde-se concluir que a criança expressava com silenciamentos conteúdos que a remetiam a aspectos anteriores à chegada à família adotante, demonstrando não querer falar da vivência anterior à adoção, contudo evidenciou, por meio de relatos e desenhos, a construção do vínculo com a família adotiva e o sentir-se integrada ao novo ambiente familiar.
Michele De Freitas Faria De Vasconcelos, Yasmin Adriane Mendonça da Rocha, Sandra Raquel Santos de Oliveira, Vitória Gois da Cunha, Mercedes Solá Pérez, Elienaide Cardoso das Flores, Lucy Mirtha Ketterer Romero, Sirley Ferreira dos Santos, Ticiane Pereira dos Santos Vieira
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 325-245; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n1p317-335

Abstract:
O artigo decorre de uma pesquisa articulada ao projeto de extensãoFortalecimento Sociopolítico das Marisqueiras de Sergipe, parte doPrograma de Educação Ambiental com Comunidades Costeiras. A pesquisafaz-se processo de habitação coletiva em defesa de territórios de vidatradicionais e da vida das mulheres marisqueiras, que veem seus territóriosexistenciais cotidianamente ameaçados por empreendimentos do grandecapital. Inspiradas na etnografia e na cartografia, miramos nos processos de invenção da vida cotidiana das mulheres no mundo mangue. A perspectivaé pesquisar com marisqueiras, conhecer seus modos de vida e formas deresistência, que se tecem num território híbrido entre cidade, campo emangue. Acompanhamos a construção do movimento social MulheresMarisqueiras de Sergipe e, com ele, de redes de cuidado e ajuda mútua,invenções de si e de mundos correlatos, ampliando em ato sentidos para acategoria mulher e para o trabalho artesanal.
Sônia Wan Der Maas Rodrigues, Leônia Cavalcante Teixeira
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 127-149; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n1p125-146

Abstract:
Este estudo buscou compreender questões relacionadas à adolescência, ato infracional e medidas socioeducativas, tendo a psicanálise como orientação teórica. Para isso, realizou-se pesquisa em revistas indexadas nas bases de dados Pepsic, Scielo, Redalyc, Doaj e Lilacs, publicadas nacionalmente, no período de 2009 a 2014. Selecionou-se, inicialmente, 310 artigos que contivessem como descritores: adolescência, medidas socioeducativas, ato infracional e psicanálise. Destes, foram escolhidos 30 artigos após os critérios de exclusão. Os resultados categorizados pelas ênfases mostraram que o fenômeno dos adolescentes envolvidos em atos infracionais é complexo devido à sua multicausalidade e exige aprofundamento sobre adolescência,relações familiares, nuances do mundo contemporâneo e o acesso aos bens e ao consumo, também a saída do adolescente pelo ato infracional. A clínica psicanalítica, ao oferecer ao sujeito um espaço de escuta, colabora para a construção de novas formas de existência que não sejam pela via da transgressão à ordem social.
Ana Maria Monte Coelho Frota, Ângela De Alencar Araripe Pinheiro, Rita Cláudia Aguiar Barbosa, Laisa Forte Cavalcante, Mateus Frota Freire
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 23-40; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n1p22-39

Abstract:
As expressões artísticas constituem e são constituídas pelos contextos sociaise históricos, contribuindo para uma compreensão ampliada das realidades.Refletindo sobre as significações de infância e criança nas canções de ChicoBuarque, este estudo efetivou: pesquisa bibliográfica sobre arte e realidadesocial, infância e ser criança, escuta e reescuta do conjunto de suas cançõesdesde a década de 1960 a 2000. Submetemos os dados construídos à análisede conteúdo temática, emergindo, desse modo, as seguintes categorias:brincadeira, características da infância, cuidados e descuidos, infâncias,momentos da vida. Neste artigo, apresentaremos e discutiremos a categoria“momentos da vida”. Encontramos que ser criança faz-se esperança; ser adultoe velho não. Ao adulto cabe trabalho e cuidado; ao velho, desesperança,tristeza e cansaço.
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