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Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1535-1548; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n16.p1535-1548

Abstract:
Este artigo, narrado em primeira pessoa, busca fazer uma meta reflexão da experiência vivida pela autora através do registro diário durante 63 dias ininterruptos durante a pandemia. A vivencia deste processo percorreu três estados, chamados pelo autora de aporia, maiêutica e epistemia. Como resultado, elege o conceito de ressonância como uma concepção fundamental da fenomenologia- ‘ser posto em um mundo’ ou ‘reencontrar-se num mundo que possui sentido para nós’. Este reencontro é percebido como o encontro do sujeito com o mundo. Pensar, refletir, escrever, narrar e contar outras experiências de ressonância talvez seja uma das saídas possíveis diante da aporia colocada pela pandemia.
, Dilton Ribeiro Couto Junior, Marcelle Medeiros Teixeira
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1518-1534; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n16.p1518-1534

Abstract:
O trabalho se propõe a discutir as imagens-dizeres expressos nos memes produzidos no contexto da COVID-19, doençadescoberta na China após casos registrados em dezembro de 2019 pelo novo coronavírus SARS-CoV-2. Devido ao seu alto poder de transmissão, em apenas três meses foi declarada a pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Em meio ao foco na contenção da circulação do vírus em escala global e às reconfigurações das práticas culturais, cabe a nós, pesquisadores do campo educacional, pensar sobre as implicações dessa pandemia para os processos formativos cotidianos no contexto da cibercultura. Os memes analisados, capturados nas redes sociais Facebook, Twitter e WhatsApp entre os meses de março e junho de 2020, retratam nossa preocupação diante do aumento significativo de instituições de Educação Básica e de Ensino Superior que estão optando pela Educação a Distância (EaD) e por práticas de ensino remoto. Concluímos argumentando que as tecnologias digitais, por si só, não são capazes de revolucionar os processos de ensinar-aprender e que a pandemia pode ser uma oportunidade importante para professoras/es colocarem em prática uma reflexão sobre suas próprias dinâmicas pedagógicas, fazendo da internet um campo de experimentação educacional prazeroso em tempos de isolamento físico.
Maria Cecilia De Araujo Rodrigues Torres
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1595-1613; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n16.p1595-1613

Abstract:
Este artigo apresenta e analisa narrativas de playlists de cinco educadores musicais e integrantes de um Grupo de Estudos em Educação Musical, que teve como objetivo conhecer as seleções musicais dos colegas, assim como o significado dessas escolhas e do trabalho como professores de música em tempos da pandemia dom covid19. Foram quatro tarefas para os participantes responderem por email e a proposta foi ancorada nos campos da pesquisa (auto)biográfica e da educação musical, com narrativas de si e teve em seu embasamento autores como Passeggi (2008), Abreu (2017), Delory-Momberger (2012), entre outros. A primeira tarefa foi enviada em maio e o final da análise e escrita desse trabalho aconteceu no final de julho. As narrativas desvelaram playlists ecléticas, com estilos, épocas, sentimentos, sonoridades, assim como movimentos que esses educadores fizeram para criar e reinventar outros modos de fazer, ensinar e compartilhar músicas.
Joseph Yannick Mbatchou
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1489-1502; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n16.p1489-1502

Abstract:
La COVID-19 est une pandémie à l’échelle planétaire dont la propagation a été facilitée par plusieurs vecteurs qui sont à la fois naturels et humains. La dangerosité du virus, sa mutation et la difficile maîtrise de ce dernier par les hommes de sciences font du SARS-COV 2 une menace qui n’épargne aucun pays. Pour éviter l’hécatombe des sociétés comme dans les récentes pandémies qu’a connu le monde, la résilience semble être une stratégie plausible pour protéger l’humanité. Face à l’angoisse, la psychose qui alimente les populations et la déficience d’un système sanitaire, les politiques camerounais ont instauré le port de masque obligatoire dans les lieux publics non pas pour briser la résilience; mais pour s’inscrire dans la continuité de la vie. Ce projet se propose, d’étudier l’intérêt épistémique de la résilience des Camerounais face à la pandémie du coronavirus. De même, il s’agit de clarifier le concept de distanciation sociale, voire physique qui semble avoir perdu son contenu au début de la crise face aux traditions des peuples. Dans un contexte comme celui du Cameroun où le secteur informel absorbe plus de la moitié du taux de chômage, l’enfermement social a évolué en dents de scie. La réalisation de cette étude emprunte les canons de la discipline historique. Pour mener à bien ce travail, nous avons utilisé les décrets, les circulaires de la Primature et ceux du Ministére de la santé publique afin d’analyser les dispositions qui ont été prises par les hommes d’Etat pour préserver la santé des individus. Ces archives ont été confrontées aux entretiens menés auprès des acteurs économiques et des ménages dans le but, d’évaluer l’impact desdites décisions dans le quotidien des populations. Les résultats de ce travail sont pluriels et permettent de savoir, que la résilience est un concept mis sur pied au Cameroun pour protéger les populations et limiter la propagation du virus. Il ressort également que les Camerounais ont du mal à respecter la distanciation physique car cette dernière n’entre pas dans leurs mœurs. C’est pourquoi, l’enfermement social qui a plus ou moins réussi draine avec lui plusieurs maux socioculturels.
Josildo Lima Portela, Maria Divina Ferreira Lima
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1864-1880; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n16.p1864-1880

Abstract:
Este artigo é produto de uma dissertação de mestrado que versa sobre o atendimento as determinações da Política Nacional de Educação Ambiental – PNEA pelos cursos de formação de professores para a educação básica. Neste recorte objetiva-se refletir quanto ao atendimento aos objetivos fundamentais da PNEA, nos cursos de formação inicial de professores, mais especificamente em relação a formação para a compreensão integrada dos problemas ambientais, a formação da consciência crítica e ao incentivo e participação individual e coletiva, permanente e responsável na preservação do equilíbrio do meio ambiente. A metodologia adotada é de natureza qualitativa, cuja produção de dados ocorreu por meio de entrevistas com oito professores que abordam a temática ambiental nas disciplinas que ministram nos cursos de licenciatura da Universidade Federal do Piauí, Campus Ministro Petrônio Portella. Com base na análise realizada a partir dos dados empíricos produzidos, percebe-se que existem lacunas na formação de professores quanto ao atendimento aos objetivos fundamentais da PNEA, mas podemos vislumbrar iniciativas pontuais. Cabe ainda destacar que a reflexão oportunizada aos professores formadores quanto à questão da formação ambiental dos futuros professores, constituiu um momento formativo e de avaliação crítica sobre a abordagem ambiental nas disciplinas sob a sua responsabilidade, bem como nos cursos de formação de professores aos quais estão vinculados.
Elzanir Dos Santos, Idelsuite De Sousa Lima, Nadia Jane De Sousa
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1632-1648; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n16.p1632-1648

Abstract:
A pandemia da Covid-19 desvelou, de forma inconteste, problemas estruturais do nosso país, dentre tantos, aqueles ligados às condições precárias de ensino e de aprendizagem. Confrontados diuturnamente por um discurso desvalorizante, os/as docentes têm assumido, no contexto atual, importância vital no empreendimento de ações que garantam educação a milhões de estudantes. Afetados/as em sua vida pessoal e profissional, de forma disruptiva, abrangente e intensa, estes/as profissionais são lançados em um enredo que os/as convoca a operar mudanças profundas no modo de ser, pensar e fazer seu cotidiano docente, a partir do ensino remoto. Objetivamos, portanto, responder neste artigo, dentre outras, a seguinte questão: Como professores/as têm dado forma e produzido sentidos ao seu ofício no contexto do ensino remoto? Tomamos como aporte teórico Delory-Momberguer (2012, 2016); Souza e Meireles (2018); Passeggi (2010), dentre outros, e assumimos como um de nossos pressupostos que o ato de narrar é parte constitutiva do humano e possibilita aos sujeitos atribuir sentido e interpretar suas experiências. Convidamos professores/as da Educação Básica a produzirem narrativas escritas ou orais, sobre o contexto do seu trabalho nas condições atuais, os quais fizeram emergir desafios, estratégias, (re)invenções, aprendizagens e possibilidades para um vir a ser.
Maria Inés Blanc
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1800-1814; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n16.p1800-1814

Abstract:
Las prácticas de autoevaluación son consideradas un insumo final para la Cátedra de Didáctica Especial y Práctica Docente del profesorado en Geografía de la Facultad de Humanidades de la UNMdP. En ella implementamos la tarea de (auto)reflexión de las clases de residencia a través de relatos y en pos del desarrollo de la buena enseñanza, consideramos a esta instancia como una manera de apropiarse del conocimiento en la práctica; tarea que no es fácil para los residentes, dado que suele resultarles complejo objetivar su propio desenvolvimiento dentro del aula y analizar de manera crítica sus intervenciones. Sin embargo, esta tarea, realizada a consciencia, redunda en valiosos aportes a la propia formación. Al revisar este relato reflexivo nos sorprendimos al encontrar un texto íntimo, emotivo, y de carácter autobiográfico, que disparó la inquietud por analizar a la luz de marcos teóricos algunas de las vivencias descriptas. Nuestro objetivo es dar la palabra al sentimiento de superación que se manifiesta en este escrito breve. A partir del proceso de lectura nos proponemos analizar la escritura autobiográfica de la estudiante y en un proceso de meta-narración ubicarnos en su contexto de espacio y tiempo para interpretarla, es decir deconstruir su relato para entenderlo. A ese texto decidimos considerarlo Serendipia Emocional. Utilizaremos metodología cualitativa, biográfico-narrativa y autoetnográfica, para compartir este trabajo que tiene como objetivo analizar y enriquecernos a partir de un texto reflexivo narrado en clave biográfica de una estudiante al momento de finalizar el prácticum.
Luis Gabriel Porta
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1747-1764; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n16.p1747-1764

Abstract:
En este artículo se comparten perspectivas y posturas sobre lo biográfico-narrativo gestadas a propósito de nuestras experiencias en el Grupo de Investigaciones en Educación y Estudios Culturales de la Universidad Nacional de Mar del Plata, Argentina. En los últimos veinte años, y al compás de movimientos específicos del campo pedagógico pero también de los marcos interpretantes a escala social, la investigación educativa nos ha conducido a ampliar nuestra concepción de la narrativa y, en paralelo, a diversificar las tecnologías y recursos metodológicos en los proyectos y programas académicos de los que participamos. El artículo narra las tramas de sentido que hoy configuran territorio y horizontes de lo educativo en el contexto de referencia, aludiendo a tres dimensiones que interactúan de modo solidario, y que pueden resumirse como los escenarios co-configurantes de nuestras prácticas, las diversificaciones temáticas y las alternativas metodológicas que mejor responden a estas mutaciones. Además de postular un análisis descriptivo de los efectos de la coyuntura para la investigación científica social, compartimos una serie de problemas para el campo de la educación y un abanico de opciones metodológicas que han emergido al abordarlas. Aludimos, en plena coherencia, a las implicancias subjetivas y las afectaciones recíprocas que estos movimientos académicos nos han provocado, en pos de asumir el compromiso pedagógico que da sentido a la investigación educativa.
Sheila Dias Maciel
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1549-1562; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n16.p1549-1562

Abstract:
Reflexão, apoiada em Gallian (2017), sobre o poder curativo da Literatura. Vista como remédio, a leitura literária dos clássicos é capaz de trazer à tona, esclarecer, vivificar e promover a elaboração de vários problemas humanos. Neste âmbito, utilizamos duas obras de diferentes espécies, mas pertencentes ambas ao universo da Antiguidade Clássica, para rever a presença da epidemia como cena motivadora de suas tramas e conectá-las ao contexto da pandemia e do perigo de contaminação, vivenciados por nós, editores, autores e leitores da RBPAB, nesta segunda década do século XXI. Ao final, após a atenção dada a Édipo Rei, tragédia de Sófocles, e à fábula “A peste dos animais”, atribuída a Esopo, pontua-se o caminho autobiográfico como um dos elementos da composição do medicamento, com efeito de bálsamo, que serve como uma instância ou produto da autorrepresentação.
Cláudia Moraes Da Costa Vieira
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1846-1863; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n16.p1846-1863

Abstract:
Uma questão recorrente no contexto escolar é a indagação de como a escola lida com os estudantes advindos da classe popular, em especial os pertencentes ao grupo de catadores de material reciclável, já que a própria estrutura histórica, social e cultural dessa instituição apresenta-se como exclusão para o grupo. O presente artigo tem como objetivo geral compreender a partir do olhar dos estudantes, filhos de catadores de material reciclável, o grupo familiar e as relações estabelecidas nesse núcleo. Participaram deste trabalho 65 estudantes do 4º ano do Ensino Fundamental, com média de idade de 10,75 anos (35 meninas; 30 meninos), sendo 36 residentes na ocupação Santa Luzia, e 29 na Região Administrativa Estrutural, do Distrito Federal. A trajetória da pesquisa foi sendo constituída a partir do método autoecobiográfico que envolveu a participação nas oficinas autoecobiográficas, a observação participante e as entrevistas semiestruturadas. Ao articular as estratégias para a constituição das narrativas foi-se ao encontro da análise interpretativa das fontes biográficas. Pode-se inferir que a família para esses estudantes é um território das relações afetivas, onde o trabalho e a vida se entrelaçam e definem papéis e estratégias de sobrevivência.Palavras-chaves: Estudantes filhos de catadores de material reciclável. Família.
Simone De Paula Rocha Souza, Elni Eliza Willims
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1828-1845; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n16.p1828-1845

Abstract:
Este texto é fruto de uma pesquisa de Mestrado defendida em 2019 no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Mato Grosso (PPGEdu), Campus de Rondonópolis. O objetivo é narrar, de forma reflexiva e sensível, experiências de uma professora e mãe de uma criança com autismo, Geovanna, desde seu nascimento até os seis anos de idade, período em que finaliza o estudo. Apoia-se metodológica e epistemologicamente nas narrativas autobiográficas da professora e mãe da criança autista. O suporte teórico da fenomenologia de Maurice Merleau-Ponty, além das contribuições sobre Educação de Sensibilidade de Marcos Ferreira-Santos e Rogério de Almeida permitem abordar as vicissitudes diante dos diagnósticos médicos contraditórios, os desafios da inclusão escolar, os processos terapêuticos e o brincar dessa criança. De forma conclusiva aponta para a necessidade de acreditar no potencial da pessoa autista em sua diferença, pois mesmo tendo outra forma de ser e estar no mundo, é uma pessoa que pode ir além daquilo que se espera.
Miriam Oliveira Santos
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1815-1827; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n16.p1815-1827

Abstract:
Desde que Thomas e Zanieck escreveram seu famoso trabalho utilizando cartas de imigrantes poloneses, a Antropologia se debruça sobre os pequenos registros da vida cotidiana: cartas, diários e até mesmo cardápios e receitas. No Brasil, várias famílias pagaram pela publicação de livros com a história de vida dos seus avós ou bisavós. No entanto, podemos observar que essa é uma produção extremamente concentrada em algumas etnias: alemães e judeus, sobretudo. Por outro lado, apesar de serem a maioria dos imigrantes históricos entrados no Brasil, portugueses e espanhóis possuem pouquíssimas biografias publicadas. Nos últimos anos, com a popularização da história oral, vários depoimentos foram gravados e, especialmente no caso dos imigrantes, as entrevistas aconteciam com os mais idosos, buscando resolver também as lacunas deixadas pelo fato dos imigrantes de algumas nacionalidades terem chegado ao Brasil em grupos onde predominavam os analfabetos ou semialfabetizados. Neste artigo buscamos analisar algumas histórias de vida de imigrantes portugueses estabelecidos na zona rural da cidade do Rio de Janeiro.
Raimundo Vagner Leite de Oliveira
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1765-1785; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n16.p1765-1785

Abstract:
O presente texto é uma síntese de uma pesquisa concluída de mestrado cuja temática incidiu sobre trajetória de vida-científica de pesquisadores da área da Educação Musical. Os pressupostos teóricos foram embasados em conceitos de trajetórias de vida. A metodologia utilizada foi de natureza qualitativa, com base na pesquisa documental cuja fonte incidiu sobre o Currículo Lattes usado para preencher o Biograma. O foco deste texto é apresentar como o Biograma foi utilizado como referencial teórico-metodológico. Os dados aqui apresentados são excertos desse foco. A trajetória de vida-científica é o recorte de uma vida inteira que faz referência à atuação no campo da Educação Musical. Os resultados revelam que o Biograma é um tipo de instrumentalizar metodologicamente. É teórico por trazer o conceito de Biograma para o campo da Educação Musical e metodológico por ser o instrumento usado para a construção das trajetórias de vida-científica. É um modo de dar vida ao Currículo Lattes e visibilidade às trajetórias de vida-científicas pela valoração – resultado da interpretação. Conclui-se que ao analisar os registros no Biograma foi possível representar, por sua unidade e coerência, a trajetória de vida-científica como um encadeamento que enreda uma história de vida com a Educação Musical.
Rebeca Machado Oliveira da Silva, Liege Maria Queiroz Sitja
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1649-1663; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n16.p1649-1663

Abstract:
O presente artigo objetiva compreender as narrativas de professoras sobre a pandemia e a educação, à luz da hermenêutica fenomenológica, através das experiências docentes. As experiências são elucidadas aqui como acontecimentos que mobilizam sentidos existenciais e formativos. Através de duas entrevistas narrativas, gravadas em áudio e transcritas, as interpretações caminharão como aberturas para perceber/sentir a docência e suas experiências. Como percurso metodológico optou-se pela análise de dados por via da hermenêutica fenomenológica com inspiração biográfica por entender que o fenômeno da pandemia e suas repercussões na educação é melhor compreendido quando se passa a dar voz ao professor e aos sentidos que emanam do seu próprio trabalho. Heidegger (1998) nos ajudará com sua filosofia elucidando os processos de interpretação e compreensão das narrativas e experiências das professoras. É possível dizer que as entrevistas narrativas foram aberturas fecundas e cada professora ao pensar sobre sua experiência, movimentou conhecimentos e saberes multirreferenciais.
Patrícia Silva, Danillo Mota Lima,
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1503-1517; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n16.p1503-1517

Abstract:
Com a pandemia da Covid-19 fomos estimulados por governos e profissionais de saúde a ficar em casa, em isolamento físico. Para as pessoas conectadas o isolamento físico não significa isolamento social. Nossas experiências ciberculturais são repletas de redes sociotécnicas que reconstroem e impulsionam a nossa vida social, sobretudo no contexto da pandemia, por meio, por exemplo, do fenômeno das lives. Nesse contexto, o objetivo do artigo é analisar arranjos, vínculos e narrativas gerados a partir das performances humanas e não-humanas em uma live de uma festa virtual. O argumento central é que a live é uma pedagogia cultural que nos orienta a festejar a vida, cuidar do corpo, explorar outras possibilidades para a paquera e a sexualidade online, ao mesmo tempo em que continuamos a defender nossas pautas políticas e ativistas. O método usado foi o da pesquisa pós-qualitativa, por meio da estratégia da observação participante. Concluímos que as lives rapidamente se popularizaram como redes sociotécnicas dinâmicas, repletas de pedagogias culturais que nos ajudam a organizar a vida social em meio ao isolamento físico e que a live da festa da resistência, com suas performances celebradas, mostra que reinventamos o social, agora na esfera do online, promovendo diversos hibridismos.
Francisco Varder Braga Junior
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1882-1885; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n16.p1882-1885

Abstract:
A cruel Pedagogia do vírus, traz de forma reflexiva e oportuna, para o momento em que vivemos, narrativas contemporâneas e resgates históricos que nos levam a habitar outros tempos e espaços, para entendermos melhor a constituição dessa e de outras pandemias que tem nos assolados nos últimos tempos, tomando como análise crítica uma das matrizes de inteligibilidade do capitalismo, o neoliberalismo. É um livro-convite à vida que nos leva a refletir sobre nossos comportamentos e relações, abrindo possiblidades para uma nova “normalidade”.
Rebeca Silva Brandão, Rosa Helena Mendonça, Rossana Papini
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1577-1594; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n16.p1577-1594

Abstract:
Ao tecer ‘cineconversas’, com O incrível exército de Brancaleone, três professoras ‘atualizam’ o filme que traz, de forma satírica, entre outros temas, a peste ‘negra’, na Europa. As ‘artes dos fracos’ e as ‘táticas do fazer crer’, questões pertinentes ao artigo e presentes na obra de Certeau, interessam às pesquisadoras que conversam através de experiências com o filme escolhido em função do paralelo com a Pandemia de 2020. As conversas com imagens e sons são problematizadas, a partir das ideias de Deleuze sobre cinema. O artigo possui três momentos: o primeiro traz lembranças de uma jovem (futura professora), que relembra o impacto causado pelo filme em sua estreia, em 1967, no Rio de Janeiro. A partir daí, são as reminiscências de uma professora, que usa o mesmo filme em projetos de Cinema e História, por volta dos anos 2000, que dão o tom à narrativa. Finalmente, uma terceira professora que não conhecia o filme, se propõe a assisti-lo e a pesquisar na internet matérias de divulgação e críticas, evidenciando uma prática de leitura cada vez mais frequente em nossos dias.
Ivandilson Miranda Silva
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1478-1488; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n16.p1478-1488

Abstract:
Este artigo discute o Governo Bolsonaro, a crise política e as narrativas sobre a pandemia. Pretende uma análise da atual conjuntura brasileira que vivencia duas crises: a crise política e a crise sanitária. O governo brasileiro de forma deliberada não enfrenta a pandemia do novo coronavírus e com isso, amplia o número de infectados que ultrapassa 2 milhões, empurrando o país para a maior tragédia da saúde pública de sua história com mais de 100 mil mortes, um genocídio presenciado por todo o mundo. O texto trata, também, as diversas narrativas sobre a pandemia, as narrativas do presidente Bolsonaro e seus seguidores, as narrativas que confrontam vidas e empregos (economia e saúde), as narrativas que criam um inimigo externo causador da pandemia, as narrativas da charlatanice religiosa que vende curas milagrosas e a narrativa do “Fique em Casa”. Todo esse contexto político/pandêmico fragiliza a oposição ao governo que seque forças para emplacar um processo de impeachment. Estas são as questões discutidas neste texto.
Fábio Jorge de Souza Molinário, Dinah Vasconcellos Terra
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1786-1799; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n16.p1768-1799

Abstract:
A pesquisa tem como objetivo analisar o conhecimento profissional estabelecido entre professores experientes e iniciantes no Programa de Residência Docente (PRD) do Colégio Pedro II. As pesquisas apontam que o início da carreira apresenta dilemas e dificuldades para o professor iniciante, o mesmo encontra-se inseguro, ansioso e carregado por inúmeras informações que lhes são apresentadas na formação inicial. A literatura investigada destaca a necessidade de políticas que colaborem com essa entrada na carreira, na perspectiva de apoiar a permanência do professor no campo profissional, deste modo, para orientar nossa investigação, apostamos na história oral de vida articulada à história oral temática, com entrevista e textualização no formato de narrativa. Estas revelam que um dos espaços propícios para a associação do conhecimento profissional aconteceram no reconhecimento do exercício do trabalho e nas circunstâncias vivenciadas nas distintas realidades, condições estruturais, sociais e econômicas. Estas ao serem dialogadas com professores experientes criam dispositivos de reflexão e análise colaborando para uma formação mais aprofundada
Hervé Breton
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1738-1745; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n16.p1738-1745

Abstract:
Tout d’abord, j’adresse mes remerciements pour cette invitation et pour l’entretien proposé dans le cadre de ce dossier de la revue RBPAB dédié aux témoignages et récits du vécu durant la pandémie Covid. Cette période présente des caractéristiques très singulières qui méritent un examen attentif. En effet, du fait de cet événement catastrophique qui a commencé au début de l’année 2020 à l’Est, dans un marché alimentaire de Wuhan, en Chine, il est possible que l’humanité soit entrée dans une phase d’incertitude durable laissant entrevoir différentes formes d’effondrements, selon le titre d’un ouvrage coordonné par Yves Citton et Jacopo Rasmi (2020) intitulé « Générations collapsonautes ».
Maria Inez Do Espírito Santo
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1700-1713; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n16.p1700-1713

Abstract:
O presente artigo traz uma análise da influência da atual situação de pandemia na elaboração de minha dissertação de mestrado. Realizado pelo método biográfico, aquele relato parte de minhas lembranças e de registos pessoais, demonstrando como tempo, ambiente e culturas atuam no desenvolvimento do ser humano. Assumindo duplo olhar de espectadora e especialista, a partir da análise dos conteúdos da narrativa, vistos, agora, sob a presença revelada da morte, voltei à questão formulada inicialmente, ao pensar de que modo é possível encontrar, no passado, um sentido vivificador para um futuro possível, em Educação. Percebi, ao final, o fio condutor que, interligando fatos, sentimentos e conhecimentos acumulados, aponta para um processo infinito de trocas experienciais, herança comum a todos os seres humanos.
, Lorena Del Socorro Chavira Álvarez, Juan Mario Ramos Morales
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1714-1736; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n16.p1714-1736

Abstract:
El presente trabajo muestra un conjunto de reflexiones enlazadas al proyecto de investigación “Procesos curriculares y prácticas de acompañamiento” (PCyPA) relativas a los efectos de la pandemia en estudiantes de nivel superior. En primer lugar, exponemos algunas problemáticas relativas a dar cuenta del presente a través de algunas temáticas como demanda social, acontecimiento, memoria testigo. Más adelante, describimos el proceso de ser tutor acompañante en el programa Entre pares, que tiende a crear comunidades de aprendizaje relativas a la literacidad en educación superior, estrategia que nos ha permitido producir material narrativo. Continuamos con la exposición de principios básicos del trabajo narrativo que, como telón de fondo, apuntala nuestra trabajo formativo e indagatorio. En la tercera parte, exponemos el sentido que estudiantes dan al vivir en la pandemia a través de tres apartados: el saber caótico del virus; el Covid en casa y mu/danzas en la vida cotidiana y en las trayectorias formativas. Cerramos con algunas reflexiones sobre la pandemia en el mundo y en específico sobre el sentido que los estudiantes otorgan a la experiencia vivida. A VIDA TRASTOCADA. O SIGNIFICADO DA PANDEMIA EM ESTUDANTES DE ENSINO SUPERIOR RESUMO Este artigo mostra um conjunto de reflexões vinculadas ao projeto de pesquisa "Processos curriculares e práticas de acompanhamento" (PCyPA) relacionadas aos efeitos da pandemia em estudantes de nível superior. Em primeiro lugar, apresentamos alguns problemas relacionados ao tempo presente por meio de temas como demanda social, evento, memória, testemunha. Posteriormente, descrevemos o processo de acompanhamento do programa “Entre Pares” que tende a formar comunidades de aprendizagem relacionadas à alfabetização no ensino superior, estratégia que nos permitiu produzir material narrativo. Continuamos com a exposição de princípios básicos do trabalho narrativo que sustentam nosso trabalho formativo e investigativo. Na terceira parte, explicamos o significado que os alunos dão à vida na pandemia por três seções: conhecimento caótico do vírus; o Covid em casa e transformações na vida cotidiana e nas trajetórias formativas. Concluímos com algumas refexões sobre a pandemia no mundo e, especificamente sobre o significado que os alunos dão à experiência vivida. Palavras chave: pesquisa narrativa, coetaneidade, ensino superior, pandemia, Covid-19, acompanhamento THE TRANSFORMED LIFE. THE MEANING OF THE PANDEMIC IN HIGHER EDUCATION STUDENTS ABSTRACT This work shows a set of reflections linked to the research project "Curricular processes and accompanying practices" (PCyPA), is focused to the effects of the pandemic of Covid in higher-level students. First, we expose some problems related to tell of the present history through some themes such as social demand, event, witness memory. Later, we will describe the process of being an accompanying tutor in the Peer-to-Peer program, which can create learning communities affected by literacy in higher education, a strategy that has allowed us to produce narrative material. It continues with the exposition of basic principles of narrative work that, underpins our formative and investigative work. In the third part, we explain the sense that students live in the pandemic through very different sections: the chaotic saber of the virus; Covid at home and changes in daily life and in training paths. We close with some reflections on the pandemic in the world and specifically about the meaning that students give to the lived experience. Keywords: narrative research, coetaneity, higher education, pandemic, Covid-19
Patricia Claudia Costa
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1682-1699; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n16.p1682-1699

Abstract:
Este artigo examina um conjunto de narrativas de estudantes universitários cujas vidas foram afetadas pela suspensão das atividades acadêmicas, provocada pela pandemia de COVID-19. Esses estudantes são possíveis formandos da UFV Campus Florestal e suas narrativas revelam como construíram a percepção de que a conclusão do curso se daria num futuro incerto. Frente à estagnação de seus planos, os entrevistados revelaram as experiências inéditas e os consequentes aprendizados que um contexto de tantas incertezas e tensões tem proporcionado. Trata-se de uma análise de narrativas autobiográficas sobre o contexto de adiamento da conclusão de cursos de Licenciatura e os impactos biográficos daí decorrentes, ou seja, uma análise de como os estudantes estão subjetivando este desfecho tão inesperado, o qual repercute não só na sua formação presente como na escolha do futuro profissional. Conclui que a maioria dos entrevistados almeja seguir carreira acadêmica e que o adiamento da formatura não alterou os planos, embora o tempo liberado pela suspensão das aulas tenha propiciado a reflexão sobre seus projetos de vida e interesses, de modo a amadurecer e consolidar escolhas cruciais para seus destinos formativos e profissionais.
Luciana Haddad Ferreira, Marissol Prezotto, Juliana Terra
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1664-1681; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n16.p1664-1681

Abstract:
Considerando as recentes transformações sociais vivenciadas em todo o mundo, direcionando o olhar especialmente para os desafios impostos à comunidade docente em nosso país, apresentamos neste estudo excertos de duas narrativas autobiográficas, escritas por nós no decorrer do isolamento social. Por meio delas, pretendemos discorrer sobre a potência da escrita narrativa como recurso formativo que se funda no fazer cotidiano, artesanal e coletivo. O texto também é construído narrativamente, em diálogo com os recortes e com autores que nos ajudam a pensar o tema, especialmente do campo da formação continuada e da filosofia da linguagem. Apontamos que diante do sentimento de solidão, em seus diversos sentidos, vivenciado intensamente na atualidade, a escrita narrativa se delineia como possibilidade de desenvolvimento do pensamento (por sua articulação com a linguagem) e da consciência (pelos excedentes de visão oferecidos). Também reafirmamos o movimento da escrita como ato ético e estético, de conexão com os pares e com o meio. Neste sentido, destacamos o ato de narrar como dialético, constituído de ausências e presenças, ruptura e tradição. Sobretudo, como forma de resistência.
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1614-1631; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n16.p1614-1631

Abstract:
Este trabalho resulta da pesquisa com narrativas coletivas de professores que trabalham predominantemente em escolas rurais na Região Metropolitana de Curitiba. O objetivo é compreender a política de ensino remoto e suas condições de realização no contexto rural. Tem como referência teórico-metodológica a pesquisa com narrativas e a compreensão de que o contexto da pandemia evidencia as desigualdades sociais no país, em particular nos territórios rurais. A precariedade de sinais de Internet/telefônicos no campo, condições das estradas, baixa densidade demográfica e condições socioeconômicas comprovam diferenças regionais e territoriais. As narrativas são construídas por oito professores colaboradores, mediante diálogo em grupo coletivo constituído na plataforma do WhatsApp. Duas questões são lançadas para provocar as narrativas: política local e a condições de trabalho dos professores no contexto do distanciamento social. As narrativas indicam a sobrecarga de trabalho de professor, sendo a maior parte atividade mecânica que esgota e deprime. Embora os professores estejam no centro do trabalho pedagógico remoto eles enfrentam perda de direitos e um discurso político-pedagógico que coloca a tecnologia educacional no centro do cenário, que secundariza o trabalho e o esforço empreendido por eles.
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 954-969; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p954-969

Abstract:
O trabalho que realizamos ao longo da nossa carreira, com extensões no Brasil em particular, mostra – se necessário for – o que as crianças são capazes de fazer e o que elas esperam de suas próprias capacidades narrativas, fazendo ecoar em nós, o que podemos esperar delas em educação, na formação e na pesquisa, vinculando saberes vividos e saberes acadêmicos. Mas, se a narração, apesar disso, ainda permanece desvalorizada no mundo das reflexões, ela é, no entanto, a verdadeira “característica humana” (VICTORRI, 2002), aquilo que nos constitui como humanos no sentido mais profundo do termo: sem ela, nossa reflexividade não avançaria, nossa aprendizagem não aconteceria ou mal se faria. Então por que não levar em conta a narrativa e cultivá-la desde tenra idade especialmente na escola? E se contássemos uma história, a nossa história com os outros e entre os outros, em busca e à escuta desta capacidade narrativo-reflexiva primeva que nos acompanha em todas as idades da vida?
Hamilcar Silveira Dantas Junior, Fabio Zoboli, Renato Izidoro Da Silva
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1337-1353; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p1337-1353

Abstract:
Este artigo objetiva interpelar a memória para discorrer sobre a dicotomia humano/máquina – ciborgue – no clássico Blade Runner (1982). Na diegese fílmica, a dúvida sobre a condição do protagonista Rick Deckard, humano ou replicante, é colocada como base a uma discussão acerca da memória como atributo de distinção entre o natural e o artificial, o humano e o replicante. Conclui-se que a figura do ciborgue na narrativa fílmica sugere a superação de dualismos usados para explicar de modo esquemático nossa existência.
Mateus Souza, Lúcia Silva
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p1282-1299

Anne Dizerbo, Béatrice Mabilon-Bonfils
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1025-1038; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p1025-1038

Abstract:
Esta contribuição interroga as condições de bem-estar e de desenvolvimento oferecidas aos alunos pela escola, que se situam para além das dimensões físicas e materiais, vinculadas a essas noções, em suas perspectivas filosóficas de emancipação. Apresenta um dispositivo de pesquisa-intervenção destinado a iniciar um diálogo entre duas turmas de estudantes do ensino médio e pesquisadores, através de um site científico participativo, em torno da questão: “Será a escola um lugar de seleção social?”. Utilizando marcas digitais das trocas entre os diferentes interlocutores, escritos argumen-tativos dos alunos e entrevistas biográficas, trata-se de compreender os efeitos a curto e a longo prazo dos diálogos sobre o bem-estar dos alunos e sobre a elaboração de um ponto de vista singular favorável ao desenvolvimento de um poder agir sobre o percurso de orientação numa perspectiva de realização.
Rafael Arenhaldt, Alexsandro Dos Santos Machado, Irene Reis Dos Santos, Erika Cristina Lima Da Silva Santiago
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1229-1246; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p1229-1246

Abstract:
Este artigo tem como cenário o movimento plural e (in)tenso de manifestação e ocupação estudantil em uma universidade federal, em 2016. Nele, intentamos reconhecer e analisar as pedagogias emergentes advindas de escritas autobiográficas de universitários de um movimento de ocupação. Para tanto, operamos com os pressupostos teórico-metodológicos que surgem das noções de duração e memória (Bergson), hermenêutica da experiência, autobiografização e heterobiografização (Delory-Momberger; Passeggi), num movimento situado da pesquisa (auto)biográfica como dispositivo formativo em educação. Destacamos a potencialidade de uma escuta sensível, aberta, a(fe)tiva, ética e aprendente, a partir de uma ambiência de luta, defesa e protagonismo. Por fim, refletimos sobre as pedagogias emergentes das experiências acontecidas, tecidas e entretecidas nas escritas dos estudantes, expressas nas pedagogias da indignação, da outreidade e da cidadania. Outrossim, merece destaque a potência que reinventa o educativo e o formativo, institui novos modos de fazer universidade e de compreender estudante e pessoa, bem como ressignificar o sentido de coletivo, anunciar as experiências de luta pela educação e a compreensão de um movimento de ocupação.
Luis Manuel Pinto, Linda O'toole
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 987-1001; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p987-1001

Abstract:
Este artigo descreve uma autoexploração do principal autor através de artefactos da sua própria infância, na tentativa de “dar voz” às características estruturantes na criança que foi, e se mantiveram no adulto que hoje é. Esse relato pessoal e íntimo surge da colaboração dos autores no desenvolvimento da “Arqueologia Pessoal”, um exer-cício para pais e profissionais da infância baseado no trabalho da Fundação Learning for Well-being, que vê os indivíduos como siste-mas inteiros. No centro dessa abordagem, destacam-se os princípios dos sistemas vivos e o reconhecimento da “diversidade interior” – formas fundamentais de capturar e integrar experiências que orga-nizamos individualmente para criar uma representação do mundo externo que nos é idiossincrática. O artigo inclui diretrizes para que o leitor possa explorar sua própria Arqueologia Pessoal através de artefactos – fotografias, objetos, desenhos, textos – e histórias que indiquem narrativas pessoais, atitudes e padrões de funcionamento que perduram ao longo do tempo. Concluímos com uma reflexão so-bre o valor de exercícios de autoexploração biográfica e a importân-cia da questão da diversidade interior no bem-estar e participação de crianças e adultos.
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1089-1104; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p1089-1104

Abstract:
O presente artigo refere-se a um estudo de caso e tem como objetivo principal analisar a construção de sentidos por uma criança vítima de abuso sexual. O estudo traz contribuições da perspectiva histórico-cultural, em articulação com a teoria das representações sociais e estudos sobre narrativa. Objetiva-se investigar o potencial da narrativa enquanto atividade-guia capaz de suscitar processos terapêuticos, mediação no contexto da hospitalização de crianças e atuar na iminência de processos de significação. O procedimento metodológico adotado foi inspirado nos estudos microgenéticos e compreendeu a realização de encontros psicoterapêuticos individuais e em grupo. Os mesmos priorizaram a mediação em contexto lúdico e encorajador da produção de narrativas pela criança. As notas de campo foram analisadas compreensivamente a partir da definição de episódios de acordo com o conteúdo semântico, recorrência e a carga afetiva empreendida nos processos comunicacionais. Os dados revelaram que narrativas preexistentes no ambiente hospitalar e amplamente socializadas no âmbito do acolhimento a crianças hospitalizadas são internalizadas e recriadas pela criança, estas ainda podem atuar na iminência da elaboração das suas vivências mais íntimas e suscitar processos de metaforização espontânea.
Daiane Tavares
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1318-1336; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p1318-1336

Abstract:
Utilizando como objeto/fonte de pesquisa a revista A Estrêla: Órgão da Penitenciária Central do Distrito Federal, o objetivo deste trabalho é pensar nos assuntos abordados pelos seus escritores privados de liberdade e o que nos revelam. Que discursos esses sujeitos evocam e como a escrita se configura como uma forma de expressar sentimentos? Como o cotidiano na prisão é abordado e suscitam práticas e discussões acerca do sistema penitenciário brasileiro na década de 1950? O que revela A Estrêla sobre o nível de escolaridade dos internos? Diante do exposto, busco interpretar como os apenados escritores “abrem suas almas”, evidenciam suas subjetividades e como revelam que as contradições existentes no sistema prisional não eram pauta do periódico aqui estudado. Fundamento esta análise em autores como Ana Mignot (2002) e Veronica Sierra Blas (2016) que abrem perspectivas para se pensar nos sentidos das escritas de si no cárcere e Augusto Thompson (2002), que possibilita uma análise acerca da complexidade do sistema penitenciário. Nesse sentido, a relevância do presente artigo se configura por trazer à tona sujeitos quase invisibilizados pelas pesquisas acadêmicas e por revelar algumas dificuldades e poucos avanços do sistema prisional brasileiro ao longo da nossa história recente.
Liliamar Hoça
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1435-1453; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p1435-1453

Abstract:
Este trabalho teve como objetivo compreender o desenvolvimento profissional de professoras alfabetizadoras. A pesquisa utilizou a metodologia de história de vida e formação, com base em Josso (2010), utilizando narrativas de histórias de vida e formação, realizadas com quatro professoras alfabetizadoras de escolas municipais, em tempos diferentes da profissão. Os dados foram organizados e categorizados a partir da análise de conteúdo descrita por Bardin (2011), revelando os seguintes elementos constitutivos do desenvolvimento profissional de professoras alfabetizadoras: os laços de parentesco como primeiras forças a impulsionar a escolha pela profissão; as forças de trabalho do magistério que se constituiu como atividade feminina; laços geracionais, estabelecidos com alunos ao longo da trajetória profissional; laços profissionais que possibilitam transformações no fazer do professor; processos formativos que se constituem como laços contextuais da profissão constituídos nas e pelas relações estabelecidas com o grupo de trabalho, produzindo os conhecimentos da professora alfabetizadora e marcando momentos de transformação no desenvolvimento profissional. Os elementos analisados encaminham para a compreensão do desenvolvimento profissional de professoras alfabetizadoras como um processo interlaçado pela prática, formação para o exercício do magistério e pelas aprendizagens representativas do momento histórico e social da educação, que originam “laços” que passam a constituir o processo.
Luciane De Conti, Morgana Nunes, Carolina Gutierrez
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1074-1088; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p1074-1088

Abstract:
O presente artigo pretende compartilhar alguns caminhos teóricos delineados na composição de nossos percursos de pesquisa que têm a narrativa como um dispositivo de intervenção que visa configurar espaços de narrativização que possibilitem fazer sentido aos efeitos decorrentes de situações potencialmente traumatizantes, como o adoecimento. Esse trabalho consiste na articulação entre o adoecimento da criança pelo câncer e o estudo das narrativas tendo como principais interlocutores a psicanálise e a perspectiva narrativista. A proposta é demonstrar o vasto campo de possibilidades, a partir das narrativas de si, de a criança compreender o que acontece com o seu corpo e, assim, poder construir sua própria versão sobre a experiência do adoecimento. Os resultados nos mostram que, de maneira lúdica, a criança pode vivenciar, elaborar e construir narrativamente sentidos acerca desse novo corpo que se apresenta para ela: o corpo atravessado pela doença.
Luanna Priscila Da Silva Gomes, Cláudia Roberto Soares De Macêdo Nazário, Patrícia Lúcia Galvão Da Costa
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1170-1190; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p1170-1190

Abstract:
A escrita de um memorial escolar constitui-se como prática pedagógica realizada com alunos do 5º ano do Núcleo de Educação da Infância (NEI) – Colégio de Aplicação (CAp) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A partir dessa produção, nos questionamos sobre o que as crianças pensam acerca da escola e de suas práticas. Assim, o presente artigo se configura como uma pesquisa qualitativa na vertente (auto)biográfica e objetiva, de modo geral, analisar a prática do memorial escolar como uma possibilidade de escrita em uma perspectiva reflexiva e, especificamente, investigar reflexões e concepções das crianças sobre a escola e algumas práticas escolares. A investigação foi realizada a partir da leitura de dois livros de memórias escolares escritos por crianças do 5º ano matutino, nos anos de 2018 e de 2019 do NEI-CAp/UFRN. A análise apontou a prática do memorial escolar como uma possibilidade de escrita reflexiva, significativa para crianças e professores. Possibilita ao professor pesquisar sobre sua prática e às crianças, uma formação consciente das experiências vividas. Enquanto protagonistas de sua vida escolar, por meio da escrita do memorial, as crianças definiram, de um modo simples e peculiar, a escola e suas práticas como lugar positivo, de exercício de direitos. Palavras-chave: Memorial escolar. Narrativas. Crianças. Anos iniciais do ensino fundamental. Pesquisa (auto)biográfica.
Zeila De Brito Fabri DeMartini
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1247-1264; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p1247-1264

Abstract:
Neste texto tentamos tratar de alguns pontos de nossas pesquisas que permitem evidenciar como, no processo de colonização das áreas dominadas, foi criada uma estrutura que separava e hierarquizava crianças e jovens brancos dos indígenas e negros, procurando mantê-los isolados em sua condição de “sujeitos inferiores”. Tal situação, no caso de Portugal, era imposta como normal, pois se assumiam e construíam uma imagem de que eram como “raça superior”. Esses aspectos são especialmente observáveis na análise do campo educacional – entendido em seu sentido amplo – com base em material produzido pela metrópole e pelos próprios colonizados. A questão que permanece é que as marcas da sujeição e inferiorização dos negros africanos não parecem ter desaparecido com a independência e, nos parece, continuam presentes em todos os territórios europeus, americanos e africanos em que as questões ligadas ao racismo estão presentes.
Natalia Fernandes, Luciana Souza
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p970-986

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Maria Betânia E Silva
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1407-1420; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p1407-1420

Abstract:
Esse trabalho visa investigar elementos das trajetórias biográficas de oito mulheres que se tornaram professoras universitárias. O estudo está inserido na perspectiva metodológica das histórias de vida e, mais especificamente, nas (auto)biografias que contemplam as narrativas de investigação profissional. Foi desenvolvido na cidade do Recife em uma instituição pública de ensino superior e coletados depoimentos das professoras em três etapas que envolvem da infância à vida adulta, buscando compreender experiências vivenciadas que contribuíram para suas escolhas e atuação profissional no campo das Artes Visuais. As temáticas da memória e narrativa (auto)biográfica estão embasadas em autores(as) como Bergson (2010), Bosi (2003), Candau (2012), Halbwachs (2003), Bernardes (2015), Delory-Momberger (2015), Domingo (2015) e Monteagudo (2015). O texto foca em duas etapas de vida – a infância e a adolescência – e mostra como se deram as aproximações e contatos com a Arte e experiências artísticas para essas mulheres. Ressalta as caracterizações gerais da família, as aulas de arte, os espaços culturais frequentados, lugares de maior interesse e atividades de ócio preferidas.
Gabriela Barreto Da Silva Scramingnon
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1265-1281; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p1265-1281

Abstract:
Este texto, resultado de uma pesquisa de doutorado, discute as relações estabelecidas entre adultos e crianças na contemporaneidade, a partir da escuta de crianças de seis a dez anos, moradoras da Região Metropolitana da cidade do Rio de Janeiro. A pesquisa de campo aconteceu em um Instituto de Artes. O estudo teve como estratégias metodológicas a observação e a realização de entrevistas coletivas. Traz para o debate as contribuições da antropologia filosófica de Walter Benjamin, interlocutor teórico-metodológico do estudo. Aborda as contribuições dos Estudos da Infância como campo interdisciplinar de conhecimento, que fornece elementos para pensar a infância e a criança no âmbito das ciências humanas e sociais. Problematiza as condições que a contemporaneidade tem oferecido para as relações entre adultos e crianças. Enfatiza a necessidade de pensar a criança como semelhante ao adulto na sua humanidade, valorizando-a, em busca de estabelecer com ela uma relação de alteridade. Nas análises, as crianças, como narradoras privilegiadas de sua condição, dão pistas sobre o mundo que construímos para elas. Ser criança é apontado como condição que espera do adulto escuta, credibilidade, tempo, paciência, calma. As narrativas das crianças abrem possibilidades para a reflexão sobre esse mundo.
Marie-Claude Bernard, Alice VanLint, Hélène Makdissi
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1002-1024; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p1002-1024

Abstract:
Dans cet article, nous proposons une démarche méthodologique pour l’étude de la vulnérabilité liée à des difficultés scolaires de l’enfant en l’envisageant sous l’angle de trois acteurs : l’enfant, l’enseignant et le parent. Empruntant une démarche compréhensive d’inspiration ethnographique et clinique, nous avons élaboré un dispositif de recueil de récits et trois protocoles d’entretien clinique-dialogique appropriés à chacun de ces acteurs. Guidée par l’objectif de cerner le discours tenu au regard de la vulnérabilité de certains enfants aux prises avec des difficultés scolaires, notre démarche est également critique en ce sens qu’elle présente une interaction dialectique ouverte entre les chercheuses et leurs participants où les premières questionnent les seconds dans le but de lever le voile sur leurs construits eu égard à notre objet d’étude. Cette proposition méthodologique s’inscrit dans le cadre d’un projet de recherche qui vise à interroger les fondements théoriques au regard desquels sont conceptualisées les difficultés scolaires (sociologique, pédagogique, médical, psychologique) avec la finalité de pourvoir des ressources pour agir ensemble.
Inalda Tereza Sales De Lima, Nilton Paulo Ponciano
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1370-1386; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p1370-1386

Abstract:
Este artigo apresenta a narrativa (auto)biográfica de uma professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas- IFAM, e acadêmica do Mestrado Profissional em Ensino Tecnológico (MPET), com o objetivo de problematizar as dimensões formativas da autora na mediação entre a estudante dos anos 1970 e a professora de Desenho Técnico. A ideia da pesquisa surge de uma fotografia do museu Moacir Andrade e Sala Memória, em que a pesquisadora/professora aparece em um desfile cívico, como estudante. Baseada na pesquisa narrativa como metodologia, conclui-se que o método (auto)biográfico como procedimento de análise possibilita a autoformação pela análise de narrativas biográficas.
Hildacy Soares Da França Montanha, Marta Regina Brostolin
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1105-1120; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p1105-1120

Abstract:
O presente artigo analisa experiências de crianças que frequentavam a Classe Hospitalar da Santa Casa de Misericórdia, na cidade de Campo Grande (MS). Ancorada na Sociologia da Infância, a pesquisa com abordagem qualitativa teve por objetivo analisar como as crianças da Classe Hospitalar vivenciam as suas experiências educacionais no período de internação. Os sujeitos foram cinco crianças, com idade entre cinco e doze anos. Como instrumento de coleta de dados, utilizou-se a entrevista semiestruturada e o desenho comentado. As experiências vivenciadas pelas crianças hospitalizadas que frequentam a classe hospitalar em questão são relevantes por nos possibilitar a compreensão de significados que têm para elas realizarem atividades pedagógicas fora do ambiente escolar inseridas nesse contexto de tratamento de doença. Os resultados evidenciaram que a Classe Hospitalar atua na perspectiva de manter as crianças conectadas com o universo escolar que deixaram ao serem internadas. A sensibilidade e a afetividade docente resultam no fortalecimento para superar os dias de internação hospitalar.
Elaine Pedreira Rabinovich, Ana Maria Anunciação Da Silva, Antonio José De Souza
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1354-1369; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p1354-1369

Abstract:
O texto é escrito por três mãos e pessoas diferentes, objetivando lançar mão das suas memórias e histórias de vida, reproduzem-nas sem negligenciar o entrecruzamento benfazejo com outras vozes e pessoas, inclusive como os teóricos e as teóricas. Por isso, através da autoetnografia, que é um método autobiográfico e etnográfico, pode-se contemplar as histórias narradas pelo(as) autores(as) e suas relações com o mundo. Desse emaranhado, têm-se as experiências, o processo que, por ora, foi tomado a partir da infância para avançar na novidade revelada por si e a si mesma/mesmo, provocando a consciência identitária, em especial, negra e gay. ra e gay.
Andréa Silene Alves Ferreira Melo, Marco Antônio Leandro Barzano
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1387-1406; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p1387-1406

Abstract:
O presente artigo apresenta o resultado de uma pesquisa de abordagem qualitativa inscrita no âmbito do método (auto)biográfico, que teve como um dos objetivos analisar as construções de gênero e sexualidade na vida de cinco licenciados(as) em Ciências Biológicas, com enfoque no papel e na influência da família e da religiosidade na constituição desses indivíduos. O percurso metodológico está embasado na pesquisa (auto)biográfica, utilizando-se de entrevistas narrativas como meio de obtenção das informações. Tendo como fio condutor os estudos sobre experiência e sobre memória, as narrativas dos(as) cinco egressos(as) revelam histórias marcadas por falas plurais-singulares que remetem às construções de gênero e sexualidade no decorrer de suas vidas, nas diversas instâncias sociais, como a família e a instituição religiosa. A análise das narrativas foi realizada através de aproximações com o Método de Análise Compreensiva-Interpretativa. As narrativas dos(as) entrevistados(as) revelam a influência das normas e valores que são construídas em meio aos diferentes arranjos familiares apresentados pelas famílias de origem dos(as) entrevistados(as), fundamentais no processo de construção da subjetividade do indivíduo, bem como a influência da religiosidade, considerando a instituição religiosa como um possível espaço de convivência e formação na vida dos(as) entrevistados(as).
Teresa Sarmento, Milena Oliveira
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1121-1135; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p1121-1135

Abstract:
A imagem ocidental da criança contemporânea que subscrevemos – ativa, competente, com agência própria – desafia as concepções e as práticas das educadoras de infância. O propósito que nos move na escrita deste texto reside na análise de modos de participação das crianças em contextos educativos e na relevância das narrativas (auto)biográficas na organização do trabalho pedagógico. Neste artigo, procuraremos desconstruir como atender às narrativas (auto)biográficas que os meninos e as meninas constantemente produzem pode permitir um processo educativo bem sustentado e significativo no desenvolvimento pessoal de cada uma e no desenvolvimento profissional do educador. A base de análise aqui mobilizada foi constituída pela observação de um grupo de crianças entre três e cinco anos de idade que frequentam um jardim de infância de uma localidade da região norte de Portugal. De forma mais específica, procuraremos discutir a relevância das investigações com as crianças em três cenários: 1) partindo das narrativas das crianças como reconhecimento do direito a serem ouvidas e respeitadas em seus interesses, necessidades e modos próprios de participação; 2) como princípio básico na planificação e organização da ação educativa em uma perspectiva de trabalho com projetos; 3) como elemento essencial para (re)pensar a formação de professores partindo da ideia de que a investigação no cotidiano das práticas permite o desenvolvimento da capacidade investigativa e reflexiva de crianças e adultos.
Rejane Brandão Siqueira, Rosiane Brandão Alves Siqueira
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1212-1228; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p1212-1228

Abstract:
Este artigo objetiva apresentar apontamentos do percurso de pesquisa em uma das seis instituições educativas que integram o campo de pesquisa institucional que buscou conhecer e compreender as concepções de cuidar e ser cuidado de profissionais, crianças e responsáveis em escolas de educação infantil e ensino fundamental. Traz um recorte com breve descrição do desenvolvimento dos dispositivos metodológicos nos quais, a partir dos estudos da filosofia da linguagem de Bakhtin (1992a; 1992b; 2011), a linguagem é tomada como centro do processo, e destaca a realização de oficina com crianças de cinco anos de idade em uma Escola Municipal de Educação Infantil (Emei). A partir de seu referencial teórico, a pesquisa assume uma concepção de cuidado ancorada na filosofia do diálogo de Martin Buber que aponta horizontes para um olhar de reconhecimento, percepção e compreensão do outro.
Ecleide Cunico Furlanetto, Karina Alves Biasoli
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1136-1153; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p1136-1153

Abstract:
O presente estudo se propôs ampliar a compreensão sobre os sentidos que as crianças atribuem à infância e à sua constituição como crianças. Ante inúmeras narrativas socialmente construídas em torno da infância e da criança, acreditamos ser necessário explorar aquelas produzidas pelas próprias crianças. Para tanto, foram ouvidas as narrativas de catorze crianças, com idades entre três e doze anos. Sob o aporte teórico da pesquisa (auto)biográfica em Educação e da Sociologia da Infância, os dados foram produzidos a partir da realização de entrevistas narrativas. Considerando o período de isolamento social, devido à pandemia causada pelo COVID-19, os encontros presenciais foram substituídos por encontros virtuais, mediante a utilização de mensagens de áudio, vídeo ou texto, elaboradas pelas crianças. Os resultados indicaram três temáticas de análise: o caráter intrínseco que o brincar assume na constituição de suas subjetividades; a escola como espaço onde mais fortemente se percebem como crianças; e as relações de negociação que estabelecem com os adultos. Verificou-se que ser criança, implica para esse grupo, processos de interação com os adultos nem sempre de dão de forma dialógica, sobretudo, quando indicam as negociações que são estabelecidas sobre seus espaços e o brincar.
Maria Luisa Furlin Bampi,
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1421-1434; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p1421-1434

Abstract:
O presente artigo tem como objetivo apresentar e analisar experiências vividas no cotidiano de estágio supervisionado realizado na Unidade Municipal de Educação Infantil (UMEI), vinculada à Faculdade de Formação de Professores (UFP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). A proposta teórico-metodológica do estudo é de natureza qualitativa com destaque à narrativa de experiências educativas como modalidade de formação de professores e como instrumento de coleta de informações, possibilitando entrecruzar formação e pesquisa a partir do estágio supervisionado, meta da proposta curricular. A seguir, faremos mensão aos temas apresentados à luz de alguns autores tomados como referência para darmos sentido às narrativas no contexto educativo: 1) contextualização do lócus de estágio; 2) o exercício de rememorar: uma oportunidade de educar o olhar; 3) roda de conversas: uma proposta de aprendizagem coletiva, que consistia da imersão na rotina da Educação Infantil; paralelamente, um encontro diário com a supervisão com as rodas de conversas, nas quais refletiamos sobre as memórias de vida por meio de fragmentos de memórias, elementos estruturantes das narrativas e instrumentos de pesquisa. As produções descritas dos diários de campo, fontes para as atividades de discussão, análise e pesquisa, contribuíram para compreender e atribuir significados à experiência humana no processo de formação docente.
Camila Aloisio Alves
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)biográfica, Volume 5, pp 1059-1073; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p1059-1073

Abstract:
O presente artigo tem como objetivo promover uma reflexão acerca do papel das narrativas na compreensão das experiências e dos aprendizados de crianças portadoras de doenças crônicas e suas famílias sob uma concepção emancipatória e humanizada das relações. Para tanto, será tecido um diálogo reflexivo e crítico com a abordagem da Education Thérapeutique des Patients, largamente desenvolvida na França, que considera os conhecimentos e saberes dos doentes como elementos que devem ser valorizados e incluídos nas ações de saúde para a construção de um cuidado integral. A partir da apresentação da abordagem da ETP, do seu histórico, seus objetivos e contribuições no cenário de saúde francês será, então, promovido um diálogo com as narrativas no contexto do cuidado à criança portadora de doença crônica. A motivação para tecer o diálogo entre a ETP e as abordagens narrativas é fruto de alguns anos de trabalho da autora com ações de formação e pesquisa no cenário francês. Pretende-se, com isso, favorecer um intercâmbio de perspectivas entre o universo francófono e lusófono, contribuindo com a ampliação e o aprofundamento da compreensão do adoecimento crônico na infância sob um enfoque educacional, psíquico e social.
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