Revista Extraprensa

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ISSN / EISSN: 15196895 / 22363467
Total articles ≅ 532

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Silvania Francisca de Jesus
Revista Extraprensa, Volume 15, pp 689-701; https://doi.org/10.11606/extraprensa2022.193822

Abstract:
O presente artigo tem como objetivo apresentar o início de um estudo sobre mulheres mestras de tradição oral e sua relevância na construção de uma Pedagogia Decolonial Griô. A Pedagogia Griô através de diferentes práticas educacionais, anima e resgata os saberes ancestrais, com uma metodologia voltada para o encantamento e vivências de rituais de vínculos. Esta pesquisa antropológica de abordagem qualitativa busca problematizar o saber oral feminino, o saber corporal, reconhecendo seu lugar político e social. Quem são e como são reconhecidas as figuras femininas como mestres de tradição oral em seus espaços de ação? Priorizo apresentar o significado de mulheres mestras, sábias e ativas em sua comunidade e faço uma indicação sobre a dimensão poética, com força transformadora, no cotidiano dos cuidados da vida, nas cantigas e contos, como também no projeto histórico.
Tamires de Assis Lima Martins, Ana Paula Cordeiro
Revista Extraprensa, Volume 15, pp 29-47; https://doi.org/10.11606/extraprensa2022.194383

Abstract:
A vulgarização do termo “cancelamento”, sua utilização sem rigor algum para nomear situações distintas, sua apropriação como recurso para identificar qualquer tipo de crítica coletiva ao comportamento das celebridades nas redes sociais, fez com que alguns defendam a inexistência do “cancelamento” como fenômeno social sui generis, isto é, dotado de particularidades que o distinguem da mera crítica dirigida a outrem. Trata-se de um fenômeno contemporâneo, denominado de “linchamento virtual” por seus críticos, ou ativismo e radicalização da democracia por seus defensores, realizado por seus executores, aparentemente, com o intuito de problematizar condutas incompatíveis, na maioria dos casos, com os valores fundamentais da diversidade identitária, ou seja, expor, desconstruir e exigir que não sejam naturalizadas posturas racistas, machistas, homofóbicas, transfóbicas, dentre outras, que constituem preconceitos dominantes em uma sociedade desigual como a brasileira. Considerando ainda que, não se faz “cancelamento” de um sujeito sem que a execração pública seja difundida a todos os que quiserem saber a respeito dos fatos, uma vez que o objetivo do “cancelamento” é justamente reduzir ao mínimo o capital simbólico do sujeito “cancelado”, com consequências econômicas e profissionais, de modo que sirva de exemplo para dissuadir potenciais futuros infratores das normas éticas e morais dominantes, os efetivos “cancelamentos” pressupõem a participação de empresas ou de qualquer outro agente econômico e uma relação de dependência ou subordinação. Palavras-chave: “cancelamento”, entretenimento, dependência econômica, redes sociais, celebridades.
Luiza Ribeiro Xavier
Revista Extraprensa, Volume 15, pp 329-340; https://doi.org/10.11606/extraprensa2022.194419

Abstract:
Com a pandemia do SARS-CoV-2, as escolas públicas de São Paulo transitaram entre aberturas, fechamentos e flexibilizações das atividades escolares. Nesse contexto, um grupo de pesquisa ligado à FEUSP, que tem como objetivo construir um currículo implicado com as questões de gênero, raça e classe, buscou contribuir com a rede de apoio de quatro escolas públicas do estado de São Paulo. Para tanto, o grupo realizou diversas atividades nas comunidades escolares, entre elas, um grupo com os professores na modalidade online, coordenado por uma psicóloga, com o objetivo de oferecer um espaço de reflexão dos sentimentos dos professores e possibilitar o acolhimento das angústias relacionadas às dinâmicas educacionais no contexto atual. Neste trabalho, proponho-me a analisar o relato de um dos encontros deste grupo, no qual, a partir da rememoração das experiências que os levaram a escolher a profissão, foram compartilhadas oralmente algumas narrativas docentes.
Lúcia Maria De Souza Félix, Fabiana Félix Do Amaral e Silva
Revista Extraprensa, Volume 15, pp 867-884; https://doi.org/10.11606/extraprensa2022.194072

Abstract:
A Matriz Colonial de Poder (MCP), foi uma das estratégias utilizadas para escravizar os africanos nas Américas. Por exemplo, no Brasil, que foram escravizados, onde efetivaram o racismo estrutural (Almeida, 2020). Por isso, a população negra brasileira, travou uma batalha permanente na sua trajetória de lutas e resistências, (Gomes, 2011) para conquistar a sua participação democrática no país, utilizando-se no início do século XXI, a educação popular, como uma das alternativas para denunciar nos territórios físicos das cidades, dos quatro domínios proposto por (Quijano, 1997), no entanto, com a pandemia no Brasil em (março/2019), as denúncias se ampliaram nas redes sociais. Este trabalho, partiu de um levantamento bibliográfico e da netnografia (Kozinets, 1996), onde mapeou as ações de educação popular no (facebook) dos movimentos sociais negros de São José dos Campos - SP, no período de 2019 a 2021, que combatem ao racismo estrutural praticado no país.
Tamyse Campos Bueno Norberto
Revista Extraprensa, Volume 15, pp 313-328; https://doi.org/10.11606/extraprensa2022.195444

Abstract:
Este artigo discute a realidade do camponês, pautado na luta pela Reforma Agrária cuja relação com o saneamento básico rural perpassa pelo processo histórico de urbanização conservadora, caracterizado por processos migratórios que afetaram o camponês após inserção do sistema capitalista, tendo como objeto de estudo o Acampamento Egídio Brunetto I. Num primeiro momento o êxodo rural aliado à entrada do capital internacional no Brasil em meados do século XX acarreta conflito de classes no espaço urbano, e por consequência injustiças sociais, principalmente no que diz respeito ao valor de uso da terra; e num segundo momento, um fenômeno de migração da cidade para o campo, caracteriza uma nova configuração de vida campesina. Neste novo cenário, encontramos novos conflitos e problemas sociais cujo saneamento básico revela-se um deles.
Fábio Nogueira
Revista Extraprensa, Volume 15, pp 268-286; https://doi.org/10.11606/extraprensa2022.196954

Abstract:
Ideais de uma raça (1928-1931) foi um dos principais jornais negros cubanos entre os anos 1920 e 1930. Circulando pela ilha como suplemento do jornal Diário da Marina, a página negra do arquiteto, político e jornalista Gustavo Urrutia (1898-1958) alcançou um público inédito para publicações do gênero. Apesar de sua inegável importância como espaço em que a intelectualidade negra cubana apresenta seus dissabores e protestos contra o racismo durante a Primeira República (1898-1933) pouco se fala de sua contribuição ao movimento de renovação artística vanguardista conhecido como negrismo e afro-cubanismo que se iniciou no período que ficou conhecido como Década Crítica (1920-1930). No presente artigo, destacaremos como os intelectuais negros que publicam em Ideais de uma raça (1928-1931) inserem-se no movimento da vanguarda cultural dos anos 20 e 30 e estabelecem sua própria visão sobre a relação entre cultura negra/afro-cubana, orgulho negro e identidade nacional.
Andrea Rosendo da Silva, Dennis de Oliveira
Revista Extraprensa, Volume 15, pp 232-250; https://doi.org/10.11606/extraprensa2022.194395

Abstract:
Os estudos das relações de gênero na perspectiva Decolonial/Anticolonial estão cada vez mais fortalecidos. Observando esse fenômeno, o artigo reflete sobre as contribuições das pensadoras latino-americanas sobre colonialidade do poder, ser, saber e do gênero. Parte-se do questionamento se os estudos de representação e representatividade avançam em relação à discussão sobre outras formas de ver e olhar e, a partir das questões levantadas, pretende-se promover aportes para o campo da cultura visual e estudos de visualidades. Almeja-se com a pesquisa bibliográfica apresentar resultados que possam incentivar estudos mais densos sobre visualidades em sentido oposto às narrativas coloniais, sobretudo em produções audiovisuais realizadas por mulheres amefricanas e ameríndias, como conceitua Lélia Gonzalez.
João Pedro Malar
Revista Extraprensa, Volume 15, pp 849-866; https://doi.org/10.11606/extraprensa2022.193355

Abstract:
A pesquisa abordada neste artigo buscou analisar as coberturas dos jornais O Estado de S. Paulo e Nexo Jornal em três momentos da crise política e econômica da Venezuela em 2018 e 2019. Buscou-se estudar os impactos nas coberturas, e temas abordados, pelo contexto digital. Para isso, foi feita uma revisão de bibliografia, entrevistas com profissionais e a análise de 178 matérias. Notou-se que as coberturas foram semelhantes em conteúdo e tom. Os principais conteúdos exclusivos do primeiro veículo vieram do emprego de enviados especiais, o que se tornou um meio de diferenciação em relação ao conteúdo e ao discurso da cobertura de agências de notícias. Já no Nexo Jornal, o diferencial veio do foco em contextualização, principalmente histórica, e da referenciação de jornais da América Latina, com a perspectiva de jornalistas do país sobre a crise.
Maria Bernardete Toneto
Revista Extraprensa, Volume 15, pp 98-118; https://doi.org/10.11606/extraprensa2022.194411

Abstract:
Feminismo e insurgência das mulheres são temas que passaram a permear o cotidiano, relações sociais, produções culturais, academia. Revelam processos de resistência das mulheres, como os desenvolvidos pela Rede Ma(g)dalena Internacional, grupo de mulheres em rede que desenvolvem ações culturais em redes de relacionamento e produções artísticas com o uso da técnica do Teatro do Oprimido/Teatro das Oprimidas. O objetivo deste artigo é contextualizar esse movimento, buscando entender as dimensões da arte como expressão do feminismo decolonial, com destaque para o feminismo comunitário na América Latina. Por meio do método comparativo, analisa os feminismos dos países hegemônicos e o latino-americano, contextualizando a ação teatral como ação estruturante estruturada do feminismo comunitário por meio da cultura.
Márcia Guena, Ceres Santos
Revista Extraprensa, Volume 15, pp 119-135; https://doi.org/10.11606/extraprensa2022.194387

Abstract:
Este artigo defende a proposta de ‘expulsão programada do racismo estrutural da Comunicação’, em especial, no Jornalismo, nas mídias hegemônicas no Brasil. Ela é resultado do desânimo que sentimos diante dos resultados das pesquisas sobre racismo na mídia, pois eles têm apontado, como um mantra, para um mesmo resultado: a presença do racismo. Por isso, apostamos que a ‘expulsão programada do racismo estrutural da Comunicação’, pode acordar sugestões adormecidas em marcos sociais como no Estatuto da Igualdade Racial, de 2010, que dedica um capítulo, o IV, às ações antirracistas nos mídias; e no documento final da 1ª Conferência Nacional de Comunicação, de 2009. Um outro fator também contribuiu para essa decisão: a crise do jornalismo fruto de várias razões: econômica, identidades políticas; rotinas produtivas excludentes; audiência mais crítica etc. Mas há poucas reflexões que pensem em enfrentar essa crise a partir da luta antirracista associada as discussões internacionais sobre ética e cidadania.
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