Cadernos de Estudos Lingüísticos

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EISSN: 24470686
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Daniele Marcelle Grannier, Janete Alves de Almeida
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 64; https://doi.org/10.20396/cel.v64i00.8668509

Abstract:
The texts of Brazilian deaf people writing in Portuguese are considered, according to the literature, difficult to understand, mainly due to the lack of cohesive elements. The understanding that this results from intermediate and transitory interlanguages between their first language (L1), Libras, and the target language (L2), Portuguese, motivated our investigation into the characteristics of the linguistic knowledge that governs them. In this work, we investigate the lack of cohesive elements in the analyzed written productions and how these elements emerge through a teaching and learning methodology based on second language (L2) teaching practices. Considering the developments of studies in L2 acquisition and the evolution of the teaching of those languages in the area of Applied Linguistics, we carried out an action focused on direct speech. We created teaching materials in which we used comic strips as textual basis, since they favor the transposition of dialogs into a written text with linear language, which requires explicit references to the interlocutors as well as the use of one dicendi verb — cohesive and speech sequencing elements absent from the initial texts of the learners. The results of the action research led us to two insights: the first one, based on Textual Linguistics, focuses on the nature of the lack of functional words in the learning of an L2, especially those that have direct correspondence in the two languages involved, such as coreferential personal pronouns; and the second one deals with the methodological issue related to providing abundant comprehensive input vs. focus-on-form in the teaching of an L2.
, Jackson Wilke Da Cruz Souza,
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 64; https://doi.org/10.20396/cel.v64i00.8666995

Abstract:
Con el fin de esclarecer las relaciones que se establecen entre la lingüística descriptiva y el aprendizaje automático, este artículo presenta resultados de una investigación que analiza un algoritmo generado a partir de una propuesta de clasificación humana de construcciones verbales locativas de la lengua española. Se utilizaron datos sacados de Rodrigues (2019), que presentan un análisis y descripción de 318 construcciones verbales que seleccionan, de manera obligatoria, un argumento interpretado como lugar (poner, salir, entrar, enjaular etc.), organizadas en 10 clases distintas, de acuerdo con sus atributos estructurales, distribucionales y transformacionales. Partiendo del paradigma simbólico y utilizando el software Weka, los datos permitieron generar dos propuestas de reglas del algoritmo JRip: sin y con la selección de atributos. Ambos los procedimientos generaron 10 reglas compuestas y evaluaron las medidas de precisión, exhaustividad, puntuación-f1 y matriz de confusión de los algoritmos creados. El algoritmo sin selección de atributos presentó el 100% de desempeño, demostrando que los datos lingüísticos presentan una descripción y clasificación coherentes. Por su vez, el algoritmo con selección de atributos, con el 96,54% de desempeño, permitió, además de exponer las propiedades lingüísticas más relevantes con fines de clasificación, analizar los casos más sensibles para distinción entre las clases, culminando en la lista de seis aspectos descriptivos de revisión y/o refinamiento de datos que se deben analizar en investigaciones futuras. Por tanto, esta investigación auxilió, más específicamente, en la mejora de la descripción de las construcciones verbales locativas de la lengua española y demostró que la relación descripción humana y aprendizaje automático no consiste solamente en la importancia de la descripción como input para la máquina, pero, principalmente, sobre cómo es posible utilizar algoritmos (y sus métricas de evaluación) para validar y mejorar la descripción de diferentes fenómenos de las lenguas naturales.
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 64; https://doi.org/10.20396/cel.v64i00.8668047

Abstract:
The present study aimed at investigating effects of perceptual training in the production of word-initial /s/-clusters in Brazilian Portuguese/English interphonology. The hypotheses proposed that there would be improvement in production after training and that such improvement would also be found in an eight-month follow-up test and in a twelve-year follow-up test. Also, it was hypothesized that the production of /s/+sonorants would remain more problematic than the production of /s/+stops after training. Twenty-three Brazilians who spoke English as a foreign language at a minimum B1 level of proficiency participated in the study. Eight of them were assigned to a control group. The fifteen remaining participants took a test consisting of reading tasks and an interview before and after an identification perceptual training following a high variability approach. Eight months later, eight participants from the experimental group took a follow-up test with the same tasks from pre- and posttests. Twelve years later one participant took another follow-up test. Results indicated that production of word-initial /s/-clusters improved significantly right after training and that the improvement was also found in both eight-month and twelve-year follow-up tests even for clusters which had not been trained. /s/+sonorants remained more problematic than /s/+stops and voicing was found to be more persistent than other mispronunciations of word-initial /s/-clusters. The transfer of improvement from perception to production may indicate that there is a common mental representation underlying both domains and that changes in production performance may reflect changes in mental representation of non-native targets.
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 64; https://doi.org/10.20396/cel.v64i00.8660585

Abstract:
A primeira pessoa do plural apresenta diferentes possibilidades de interpretação semântica, codificando referentes mais ou menos abrangentes. Os estudos sociolinguísticos evidenciam que o valor semântico atrelado aos contextos referenciais expressos pela primeira pessoa do plural é significativo para a variação entre as formas nós e a gente. A fim de apresentar generalizações a respeito do uso de a gente em função dos traços semânticos do referente, apresentamos um estudo de meta-análise de dezessete pesquisas variacionistas que analisaram a interpretação semântica das formas de primeira pessoa do plural. Inicialmente, realizamos teste de qui-quadrado para cada estudo de forma independente. De modo geral, os resultados da análise univariada mostram que há associação entre a escolha da variante (nós ou a gente) e o traço semântico do referente. Em seguida, com o objetivo de apresentar uma generalização a respeito das chances de uso de a gente com valor semântico específico/determinado, realizamos análise de regressão logística generalizada para cada estudo. Os resultados dão indícios de que os contextos referenciais específicos/determinados apresentam tendência a serem codificados por a gente, o que indica a perda da distinção semântica específico/genérico entre as variantes nós e a gente.
, Wellton Da Silva De Fatima
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 64; https://doi.org/10.20396/cel.v64i00.8659619

Abstract:
Este trabalho se inscreve no aparato da Análise de Discurso materialista. Analisamos o funcionamento discursivo do que propomos como lugares de autoridade: fatos de linguagem na relação com a memória constituídos como elementos contraditórios, dadas as condições de produção do discurso. Fazemos referência a imagens e dizeres produzidos nas redes sociais sobre declarações polêmicas ou ofensivas a feministas, recortadas seguindo uma regularidade na qual declarações feitas eram rebatidas em páginas e perfis que, embora (re)conhecidos como progressistas, recorreram a determinados saberes fundamentados nos lugares comuns do, assim (re)conhecido, discurso conservador. Em nossa análise, observamos um funcionamento particular da memória discursiva na movência dos sentidos, produzindo um efeito autoritário também a partir do trabalho das formações discursivas em tensão. Constatamos um atravessamento de sentidos colocando discursos aparentemente incompatíveis numa mesma discursividade, produzindo repetição ao invés de ruptura, por meio do funcionamento dos lugares de autoridade.
Ana Paula Quadros Gomes,
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 64; https://doi.org/10.20396/cel.v64i00.8666991

Abstract:
Neste trabalho analisamos o advérbio bem com leitura de maneira modificando sintagmas verbais do português brasileiro. Partindo da visão de que o sintagma verbal pode ser decomposto em uma estrutura de eventos sintaticamente representada, defendemos que bem de maneira seleciona semanticamente subeventualidades durativas (estados ou processos), e sempre será licenciado em sintagmas verbais que possuam algum componente durativo em sua estrutura de eventos. Na seção final do artigo, mostramos como essa perspectiva explica até mesmo a ocorrência do advérbio bem de maneira em sintagmas verbais encabeçados por verbos tipicamente classificados como culminações (achievements). Com isso, acreditamos que o artigo forneça não só uma descrição robusta das propriedades do advérbio sob análise (pelo menos em sua interpretação de maneira) como também um argumento a favor de pensarmos a estrutura do sintagma verbal não como uma estrutura projetada por um item, mas um arranjo sintático-semântico no qual uma raiz verbal pode ser licenciada.
Renato Caruso Vieira
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 64; https://doi.org/10.20396/cel.v64i00.8667539

Abstract:
Implicaturas escalares são tradicionalmente definidas como interpretações upper-bound de termos escalares fracos, nas quais estes assumem a máxima força informacional de suas escalas, negando termos mais informativos (e.g. "somente alguns mas não todos") por obra da primeira submáxima de Quantidade de Grice. Aderimos a Noveck & Sperber (2007) que, em sua abordagem baseada na Teoria da Relevância, sugerem ser a maioria dos casos tratados como implicaturas escalares apenas explicaturas de estreitamento conceitual (portanto, nem implicaturas e nem escalares). Porém, ao contrário de Noveck & Sperber (2007), acreditamos que nem mesmo negações implicadas, por termos fracos, de termos fortes cuja adequabilidade contextual seja posta em dúvida devam ser consideradas implicaturas escalares. Propomos um modelo de derivação de tais implicaturas que não se sustenta sobre as relações escalares estabelecidas entre os conceitos mas, sim, na compatibilidade percebida pelos interlocutores entre os sentidos comparados. Procuramos demonstrar que nada além de processos de ajuste conceitual por explicatura em conjunção com regras dedutivas de tipo modus ponens seja necessário para extração de implicaturas de compatibilidade. Assim, o modelo proposto é capaz de explicar uma gama de fenômenos pragmáticos mais vasta do que aqueles classificados como implicaturas escalares, recorrendo a princípios comuns à interpretação geral de enunciados e, no caso das inferências dedutivas, também à interpretação de estímulos não-linguísticos.
Bruno Molina Turra, Valéria Regina Ayres Motta
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 64; https://doi.org/10.20396/cel.v64i00.8668159

Abstract:
Partiremos da análise de um fato de língua a fim de pensarmos as relações produzidas para um falante entre dois sistemas linguísticos quando da emergência do equívoco. Fundamentados por uma linguística que nomeamos “milneriana”, que quer dizer uma linguística saussuriana afetada pela psicanálise, buscaremos pensar as noções de materno e estrangeiro postos em causa sob a égide de lalíngua, na medida em que esta é o que faz furo no Um da língua (MILNER, 1978[2012]). Em nossa discussão, trataremos do deslizamento de um sistema linguístico a outro a partir do que Lacan leu em Saussure como “cadeia significante”, um funcionamento já descrito por Freud, em 1901, ao tratar do esquecimento de palavras estrangeiras. Num segundo momento, faremos uma breve reflexão sobre o possível tratamento do equívoco (em oposição ao erro) na sala de aula de língua estrangeira no sentido de sustentá-lo enquanto da ordem da singularidade, daquilo que dá indícios de um sujeito.
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 64; https://doi.org/10.20396/cel.v64i00.8668890

Abstract:
Esta pesquisa revisita a aquisição das sílabas de ataque ramificado CCV (Consoante1+Consoante2+Vogal) em Português Brasileiro, investigando como o molde silábico é categorizado ao longo do desenvolvimento fonológico infantil e por que este desenvolvimento ocorre da forma que ocorre. Para caracterizar o alvo sendo adquirido, um estudo de corpus descreve a variação CCV→CV presente na fala de adultos paulistanos (como em ‘outro’→[ʹo.tʊ]) utilizando dados do Projeto SP2010 (MENDES, 2013). Já para caracterizar o desenvolvimento infantil, conduzimos um experimento de produção e compreensão de fala (mispronunciation detection task). Como arcabouço teórico, o Princípio da Tolerância (YANG, 2016) modela a construção do contraste entre as estruturas CCV-CV, estabelecido com base no adensamento fonológico do Léxico (JUSCZYK, LUCE & LUCE, 1994). O estudo constata que, ao adquirir CCV, a criança adquire uma sílaba fonologicamente pouco densa, foneticamente variável e suscetível a processos de neutralização do contraste CCV-CV. Defendemos que tais características do input levam a uma incorreta generalização de CCV como opcional, tomando CV como uma forma alternante – tanto em contextos átonos (o que é encontrado na fala adulta) como em contextos tônicos (que não ocorre na fala adulta paulistana). A produtividade desta hipergeneralização é capturada pelo Princípio da Tolerância e decorre da alta concentração de CCVs reduzíveis no vocabulário inicial da criança, sendo superada com o crescimento lexical. A hipergeneralização da variação CCV~CV reflete-se no teste de detecção de erros apontando reconhecimento de CV→CCV (‘dente’→‘d[ɾ]ente’), mas não de CCV→CV (‘prato’→’pato’, ‘preto’→’peto’) por crianças que simplificam CCV em sua fala. A maior taxa de detecção de vizinhos CCV-CV no teste (‘prato’→‘pato’ é mais detectado que ‘preto’→‘peto’) aponta a construção do contraste como um ponto-chave no desenvolvimento fonológico. Com isso, argumentamos que a aquisição CCV passa por um momento de incorreta neutralização do contraste estrutural da sílaba.
, Kelly Yasmin Belarmino Almeida, Keven Xavier Do Carmo, Laviny Vitória Braga Vicente, Rafael Macário Fernandes
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 64; https://doi.org/10.20396/cel.v64i00.8664497

Abstract:
As narrativas caracterizam-se principalmente por apresentar uma sequência temporal de eventos semanticamente relacionados, frequentemente intercalados com enunciados que trazem informação de fundo. Denominamos temporalidade a relação de referência temporal que permite a localização dos eventos em uma sequência no tempo. Essa referência é expressa através de diferentes recursos pragmáticos, lexicais e morfológicos. No caso de uma segunda língua, a aquisição da expressão da temporalidade frequentemente se dá em três estágios, nomeados com base nesses recursos. Realizamos uma análise orientada pelo significado de amostras de interlíngua na “variedade básica” de português do Brasil como segunda língua, a partir de narrativas baseadas em um livro infantil, eliciadas de seis aprendizes iniciantes, falantes de diferentes línguas maternas (italiano, holandês, alemão e espanhol). Identificamos a interlíngua de um aprendiz com o estágio pragmático e a dos demais, com o estágio lexical. Como esperado, as amostras dos aprendizes hispano-falantes apresentaram características diferentes das dos demais aprendizes, destacando-se o emprego de morfemas temporais de sua língua materna com radicais do português e a ausência de formas bases previstas para esse estágio. Em síntese, não encontramos tais morfemas em padrões regulares em nenhuma amostra, exceto por formas muito frequentes na língua alvo, adquiridas de maneira não analisada. Ainda assim, concluímos que todas as narrativas foram coerentes e que a proximidade entre uma língua materna e sua língua alvo pôde alterar as características desses estágios considerados universais.
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