Em Sociedade

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EISSN : 2595-7716
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Em Sociedade, Volume 3, pp 188-198; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2020v3n1p188-198

Abstract:
O processo constitutivo das subjetividades é associado às dinâmicas de poder. Nessa relação, isto é, entre o poder que potencializa o vir a ser dos sujeitos e as suas ações concretas no mundo, se interpõem as insígnias de legitimação ou não do que é lido e retroalimentado como vida. Pensar a construção dos devires dissidentes é enfrentar, de modo profundo, as estruturas de exclusão e de subalternidade que constantemente demarcam os espaços políticos entre o sujeito versus a norma. Colocamos em evidência as estruturas de branquitude e cisheternormatividade como grandes tecnologias de poder que articulam as consciências e, mais, que estabelecem a métrica da possibilidade no jogo político. Tratamos, a partir de uma perspectiva reativa, das conversões políticas, ou seja, da manifestação de corpos, que, embora sejam consumidos no seu lugar constituído como subalterno, se rebelam e se tornam indigestos.
Ana Carolina Da Silva Barbosa, Lidia Cristina Silva Barbosa,
Em Sociedade, Volume 3, pp 134-168; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2020v3n1p134-168

Abstract:
O presente artigo argumenta que o sistema tributário nacional deve ser aprimorado para financiar o Estado e suas políticas fiscais que objetivem o desenvolvimento sustentável. A literatura revisada indica que a diminuição das desigualdades, e principalmente das desigualdades de gênero, pode trazer crescimento econômico e vários benefícios sociais importantes. Os dados mostram que a tributação brasileira tem reforçado as desigualdades sociais, uma vez que fundada em tributos incidentes sobre o consumo, que são regressivos. Contudo, a Constituição Federal traz fundamentos equilibrados para a construção do sistema tributário. A tributação atual também reforça os papéis de gênero na sociedade brasileira, dificultando a inserção das mulheres no mercado de trabalho, reforçando estereótipos e mantendo as mulheres longe das discussões das políticas fiscais que podem transformar seu papel social. As propostas de reforma tributária em tramitação atualmente perante o Congresso Nacional são objeto de análise, sob a égide da igualdade substantiva, para investigar se elas têm o condão de combater as desigualdades de gênero. O artigo conclui que a desigualdade de gênero impedirá o Brasil de atingir o desenvolvimento sustentável, e sugere algumas alterações nas políticas fiscais em conformidade com a igualdade substantiva.
Em Sociedade, Volume 3, pp 47-62; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2020v3n1p47-62

Abstract:
Este artigo é tecido a partir dos resultados da pesquisa de mestrado em Psicologia sobre Casamento Infantil em Belém, no estado do Pará. Considerando os esforços de intelectuais latino americanos/as para executar a proposta de um giro epistêmico insurgente que parte das múltiplas vivências do sentir-pensar a e na América Latina, a crítica decolonial possibilitou analisar o dito fenômeno casamento infantil no país como uma das expressões da multifacetada colonialidade de gênero. Nesta análise é possível perceber um jogo de interesse/desinteresse governamental no qual de um lado está o ânimo diplomático para a proteção da infância e adolescência no Brasil, e do outro a preservação da herança colonial reproduzida nas estruturas da sociedade e Estado mantendo elementos que custeiam o sistema-mundo patriarcal/capitalista/colonial moderno implicando na prática do casamento na infância.
, Amanda Sayuri Kowara Santos,
Em Sociedade, Volume 3, pp 169-187; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2020v3n1p169-187

Abstract:
O presente trabalho tem como objetivo discutir a questão de gênero na produção e apropriação da cidade, considerando que a mulher vem sendo excluída, historicamente, das decisões que incidem sobre o espaço urbano e, ao mesmo tempo, vem sendo privada de se apropriar dos espaços públicos de forma livre. Parte-se da ideia proposta por Lefebvre (1968) e reafirmada por Harvey (2014) de direito à cidade, que se configura muito mais como retórica do que como realização para a maioria da população, destacando, aqui, as mulheres. Considera-se que a luta pelo direito à cidade envolve uma incessante busca pelo acesso amplo e irrestrito ao espaço e à vida urbana, mas, mais do que isso, envolve uma luta pela democratização da cidade. Ressalta-se, assim, a importância da ação direta e dos corpos nas ruas para a reafirmação das identidades e a conquista de direitos. O trabalho tem início com uma discussão sobre a ideia de direito à cidade e espaço público, relacionada à questão de gênero. Em seguida, serão analisados modelos urbanísticos do século XX, pautados por uma visão masculina, que deram origem às cidades atuais, destacando a cidade de Belo Horizonte. Por fim, serão feitos apontamentos sobre os levantes feministas, demonstrando a importância do aparecimento dos corpos femininos no meio urbano como forma de resistência à lógica patriarcal dos espaços. A pesquisa contará com uma revisão bibliográfica e com análise de dados produzidos pelo Observatório de Conflitos Urbanos de Belo Horizonte, situado na Escola de Arquitetura da UFMG.
Mônica das Graças de Azevedo,
Em Sociedade, Volume 3, pp 63-85; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2020v3n1p63-85

Abstract:
Este artigo tem como objetivo abordar a violência obstétrica no cenário atual da parturição e as relações de poder que a perpassam. Trata-se de um estudo qualitativo descritivo, realizado no ano de 2016, por meio de entrevistas abertas a médicos e enfermeiros obstetras que atuam em serviços de obstetrícia em Belo Horizonte e região metropolitana. Percebe-se a dificuldade de alguns médicos em lidar com o protagonismo das mulheres; as dificuldades de inserção do enfermeiro obstetra na equipe de atenção ao parto e a proposta do modelo colaborativo e humanizado de assistência ao parto, centrado na mulher, como uma forma de enfrentamento da violência obstétrica.
Em Sociedade, Volume 3, pp 86-113; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2020v3n1p86-113

Abstract:
O presente artigo tem como objetivo geral incitar a reflexão e a discussão sobre as experiências do ser mãe e do ser criança como parte constitutiva da Universidade pública no Brasil, a partir de uma análise da ColetivA MaternAtiva UFMG. Para alcançá-lo, alguns objetivos específicos se fazem necessários, tais quais: [1] explicitar a relação histórica entre mulheres, educação e conhecimento, bem como o poder que emana das margens; [2] descrever a experiência da ColetivA na UFMG a partir de sua aprovação no edital de Ações Afirmativas da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis em 2018 e [3] delimitar os conceitos de ações afirmativas e redes de apoio, pilares do grupo analisado. Uma vez que as pesquisadoras também fazem parte do grupo, a abordagem de geração de dados utilizada foi a etnográfica, através da observação participante e da análise de materiais produzidos pela própria MaternAtiva. A conclusão a que se chega é que as intervenções da MaternAtiva interpelam o ambiente universitário na tentativa de produzir uma reflexão e transformação dos espaços de poder que podem ser acessados pelas maternidades e infâncias diversas, mas a ColetivA ainda se depara com limites estruturais que demandam uma sensibilização comunitária.
Em Sociedade, Volume 3, pp 114-133; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2020v3n1p114-133

Abstract:
O objetivo deste estudo é discutir a intersecção de gênero/raça/classe como veículo de desigualdade social no Brasil. Para tanto, foram utilizados dados do portal da Capes (2018), numa abordagem quantitativa, tendo como recorte mulheres discentes, brancas e negras, ingressas em instituições de ensino superior. Enfatiza-se a importância das políticas públicas e do debate acerca do acesso à educação e ao mercado de trabalho dessas mulheres negras. A contribuição do estudo está em apresentar um retrato das desigualdades existentes entre mulheres negras e mulheres brancas, em termos da formação educacional stricto sensu, além de cobrir uma lacuna na área da Administração, ao trazer a questão da educação como empecilho para a inserção ao mercado de trabalho, cada vez mais competitivo e com subjetividades em seu interior, relacionadas ao sexismo e o racismo.
Em Sociedade, Volume 3, pp 29-46; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2020v3n1p29-46

Abstract:
O presente texto discorre sobre os estereótipos e os papéis formais criados na sociedade em relação às mulheres, elementos interconectados com a propriedade de seu corpo e sexualidade. Os espaços urbanos são repletos de mensagens de um imaginário sexual, enquanto que o sexo ainda é visto, tratado e dialogado como um tabu. Sexualiza-se o corpo das mulheres em vitrines, revistas, propagandas ao mesmo tempo em que se tenta restringi-las a uma esfera privada de pureza e domesticidade. O ensaio tem por marco teórico o feminismo a partir de uma abordagem interseccional, respeitando o empirismo das experiências e vivências humanas. Através da revisão de textos feministas que tratam sobre corpo, identidade, sexualidade e espaços urbanos, compreende-se que o feminismo é plural e necessita constantemente desconstruir os significados patriarcais de ser mulher, reconhecendo as diferentes desigualdades e dialogando com as múltiplas resistências que habitam as cidades.
Ana Maria Oliveira
Abstract:
¹ Entrevista concedida à professora Ana Maria Oliveira para o jornal O Marco da PUC Minas. ² Professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). ³ Livro publicado em 2019, pela editora Boitempo.
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