Em Sociedade

Journal Information
EISSN : 2595-7716
Total articles ≅ 29
Filter:

Latest articles in this journal

Em Sociedade, Volume 3, pp 188-198; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2020v3n1p188-198

Abstract:
O processo constitutivo das subjetividades é associado às dinâmicas de poder. Nessa relação, isto é, entre o poder que potencializa o vir a ser dos sujeitos e as suas ações concretas no mundo, se interpõem as insígnias de legitimação ou não do que é lido e retroalimentado como vida. Pensar a construção dos devires dissidentes é enfrentar, de modo profundo, as estruturas de exclusão e de subalternidade que constantemente demarcam os espaços políticos entre o sujeito versus a norma. Colocamos em evidência as estruturas de branquitude e cisheternormatividade como grandes tecnologias de poder que articulam as consciências e, mais, que estabelecem a métrica da possibilidade no jogo político. Tratamos, a partir de uma perspectiva reativa, das conversões políticas, ou seja, da manifestação de corpos, que, embora sejam consumidos no seu lugar constituído como subalterno, se rebelam e se tornam indigestos.
, Amanda Sayuri Kowara Santos,
Em Sociedade, Volume 3, pp 169-187; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2020v3n1p169-187

Abstract:
O presente trabalho tem como objetivo discutir a questão de gênero na produção e apropriação da cidade, considerando que a mulher vem sendo excluída, historicamente, das decisões que incidem sobre o espaço urbano e, ao mesmo tempo, vem sendo privada de se apropriar dos espaços públicos de forma livre. Parte-se da ideia proposta por Lefebvre (1968) e reafirmada por Harvey (2014) de direito à cidade, que se configura muito mais como retórica do que como realização para a maioria da população, destacando, aqui, as mulheres. Considera-se que a luta pelo direito à cidade envolve uma incessante busca pelo acesso amplo e irrestrito ao espaço e à vida urbana, mas, mais do que isso, envolve uma luta pela democratização da cidade. Ressalta-se, assim, a importância da ação direta e dos corpos nas ruas para a reafirmação das identidades e a conquista de direitos. O trabalho tem início com uma discussão sobre a ideia de direito à cidade e espaço público, relacionada à questão de gênero. Em seguida, serão analisados modelos urbanísticos do século XX, pautados por uma visão masculina, que deram origem às cidades atuais, destacando a cidade de Belo Horizonte. Por fim, serão feitos apontamentos sobre os levantes feministas, demonstrando a importância do aparecimento dos corpos femininos no meio urbano como forma de resistência à lógica patriarcal dos espaços. A pesquisa contará com uma revisão bibliográfica e com análise de dados produzidos pelo Observatório de Conflitos Urbanos de Belo Horizonte, situado na Escola de Arquitetura da UFMG.
Em Sociedade, Volume 3, pp 47-62; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2020v3n1p47-62

Abstract:
Este artigo é tecido a partir dos resultados da pesquisa de mestrado em Psicologia sobre Casamento Infantil em Belém, no estado do Pará. Considerando os esforços de intelectuais latino americanos/as para executar a proposta de um giro epistêmico insurgente que parte das múltiplas vivências do sentir-pensar a e na América Latina, a crítica decolonial possibilitou analisar o dito fenômeno casamento infantil no país como uma das expressões da multifacetada colonialidade de gênero. Nesta análise é possível perceber um jogo de interesse/desinteresse governamental no qual de um lado está o ânimo diplomático para a proteção da infância e adolescência no Brasil, e do outro a preservação da herança colonial reproduzida nas estruturas da sociedade e Estado mantendo elementos que custeiam o sistema-mundo patriarcal/capitalista/colonial moderno implicando na prática do casamento na infância.
Mônica das Graças de Azevedo,
Em Sociedade, Volume 3, pp 63-85; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2020v3n1p63-85

Abstract:
Este artigo tem como objetivo abordar a violência obstétrica no cenário atual da parturição e as relações de poder que a perpassam. Trata-se de um estudo qualitativo descritivo, realizado no ano de 2016, por meio de entrevistas abertas a médicos e enfermeiros obstetras que atuam em serviços de obstetrícia em Belo Horizonte e região metropolitana. Percebe-se a dificuldade de alguns médicos em lidar com o protagonismo das mulheres; as dificuldades de inserção do enfermeiro obstetra na equipe de atenção ao parto e a proposta do modelo colaborativo e humanizado de assistência ao parto, centrado na mulher, como uma forma de enfrentamento da violência obstétrica.
Em Sociedade, Volume 3, pp 86-113; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2020v3n1p86-113

Abstract:
O presente artigo tem como objetivo geral incitar a reflexão e a discussão sobre as experiências do ser mãe e do ser criança como parte constitutiva da Universidade pública no Brasil, a partir de uma análise da ColetivA MaternAtiva UFMG. Para alcançá-lo, alguns objetivos específicos se fazem necessários, tais quais: [1] explicitar a relação histórica entre mulheres, educação e conhecimento, bem como o poder que emana das margens; [2] descrever a experiência da ColetivA na UFMG a partir de sua aprovação no edital de Ações Afirmativas da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis em 2018 e [3] delimitar os conceitos de ações afirmativas e redes de apoio, pilares do grupo analisado. Uma vez que as pesquisadoras também fazem parte do grupo, a abordagem de geração de dados utilizada foi a etnográfica, através da observação participante e da análise de materiais produzidos pela própria MaternAtiva. A conclusão a que se chega é que as intervenções da MaternAtiva interpelam o ambiente universitário na tentativa de produzir uma reflexão e transformação dos espaços de poder que podem ser acessados pelas maternidades e infâncias diversas, mas a ColetivA ainda se depara com limites estruturais que demandam uma sensibilização comunitária.
Em Sociedade, Volume 3, pp 114-133; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2020v3n1p114-133

Abstract:
O objetivo deste estudo é discutir a intersecção de gênero/raça/classe como veículo de desigualdade social no Brasil. Para tanto, foram utilizados dados do portal da Capes (2018), numa abordagem quantitativa, tendo como recorte mulheres discentes, brancas e negras, ingressas em instituições de ensino superior. Enfatiza-se a importância das políticas públicas e do debate acerca do acesso à educação e ao mercado de trabalho dessas mulheres negras. A contribuição do estudo está em apresentar um retrato das desigualdades existentes entre mulheres negras e mulheres brancas, em termos da formação educacional stricto sensu, além de cobrir uma lacuna na área da Administração, ao trazer a questão da educação como empecilho para a inserção ao mercado de trabalho, cada vez mais competitivo e com subjetividades em seu interior, relacionadas ao sexismo e o racismo.
Em Sociedade, Volume 3, pp 29-46; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2020v3n1p29-46

Abstract:
O presente texto discorre sobre os estereótipos e os papéis formais criados na sociedade em relação às mulheres, elementos interconectados com a propriedade de seu corpo e sexualidade. Os espaços urbanos são repletos de mensagens de um imaginário sexual, enquanto que o sexo ainda é visto, tratado e dialogado como um tabu. Sexualiza-se o corpo das mulheres em vitrines, revistas, propagandas ao mesmo tempo em que se tenta restringi-las a uma esfera privada de pureza e domesticidade. O ensaio tem por marco teórico o feminismo a partir de uma abordagem interseccional, respeitando o empirismo das experiências e vivências humanas. Através da revisão de textos feministas que tratam sobre corpo, identidade, sexualidade e espaços urbanos, compreende-se que o feminismo é plural e necessita constantemente desconstruir os significados patriarcais de ser mulher, reconhecendo as diferentes desigualdades e dialogando com as múltiplas resistências que habitam as cidades.
Ana Carolina Da Silva Barbosa, Lidia Cristina Silva Barbosa,
Em Sociedade, Volume 3, pp 134-168; https://doi.org/10.5752/p.2595-7716.2020v3n1p134-168

Abstract:
O presente artigo argumenta que o sistema tributário nacional deve ser aprimorado para financiar o Estado e suas políticas fiscais que objetivem o desenvolvimento sustentável. A literatura revisada indica que a diminuição das desigualdades, e principalmente das desigualdades de gênero, pode trazer crescimento econômico e vários benefícios sociais importantes. Os dados mostram que a tributação brasileira tem reforçado as desigualdades sociais, uma vez que fundada em tributos incidentes sobre o consumo, que são regressivos. Contudo, a Constituição Federal traz fundamentos equilibrados para a construção do sistema tributário. A tributação atual também reforça os papéis de gênero na sociedade brasileira, dificultando a inserção das mulheres no mercado de trabalho, reforçando estereótipos e mantendo as mulheres longe das discussões das políticas fiscais que podem transformar seu papel social. As propostas de reforma tributária em tramitação atualmente perante o Congresso Nacional são objeto de análise, sob a égide da igualdade substantiva, para investigar se elas têm o condão de combater as desigualdades de gênero. O artigo conclui que a desigualdade de gênero impedirá o Brasil de atingir o desenvolvimento sustentável, e sugere algumas alterações nas políticas fiscais em conformidade com a igualdade substantiva.
Aurimar de Freitas Rezende
Abstract:
O presente artigo apresenta uma análise acerca da importância dos recursos do Programa Bolsa Família (PBF) e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) em comparação com transferências constitucionais. O recorte geográfico é uma microrregião do estado de Minas Gerais na qual está localizado o município de Passa Tempo. Pretende-se mostrar, em nível micro, a relevância dos valores monetários direcionados às famílias pobres, contrapondo-os a transferências realizadas ao poder público. Trata-se de uma pesquisa baseada em dados secundários, que, inicialmente, contextualizam os municípios da microrregião quanto a aspectos econômicos, demográficos e sociais. Posteriormente, dados econômicos revelam o volume de recursos do PBF e do BPC, que chegam regularmente às mãos dos beneficiários, e o total de repasses feitos às prefeituras por meio de transferências constitucionais, nos anos de 2004 e 2013. Os resultados mostram que, ao contrário de outras transferências cujo montante de repasses quase que dobrou no período, o volume de recursos destinado aos mais pobres mais que triplicou. Verificou-se ainda o aumento da participação da transferência não contributiva, que em muitos casos superou os repasses do Fundo Nacional de Saúde (FNS) e do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS), no conjunto das demais transferências, além da redução da distância que a separa do Fundo de Participação Municipal (FPM) em municípios de pequeno porte, ainda muito dependentes do FPM, aumentando o poder de consumo das famílias e dinamizando a economia local.
Back to Top Top