Revista Portuguesa de Clínica Geral

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EISSN : 2182-5173
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Carolina Araújo Soares, Médico de Família, Andreia Figueira Pinto, Raquel Andrade, Ricardo C. Rodrigues
Revista Portuguesa de Clínica Geral, Volume 37, pp 598-601; https://doi.org/10.32385/rpmgf.v37i6.13077

Abstract:
A crescente utilização de smartwatches passou a fazer parte do quotidiano dos seus utilizadores, com especial foco na atividade física, ao permitir monitorizar o exercício realizado em termos de intensidade, duração, gasto energético e, mais recentemente, monitorização da frequência cardíaca. A potencial utilização destes dispositivos eletrónicos no campo da medicina é um marco importante, permitindo, através da monitorização do ritmo cardíaco, a possível deteção de períodos de arritmia, como a fibrilação auricular, com extensão à monitorização de arritmias ventriculares potencialmente fatais, como o prolongamento do intervalo QT, este último com particular utilidade na monitorização à distância durante o período da pandemia COVID-19. Os principais estudos apresentados apresentam várias limitações; no entanto, elucidam os leitores para a importância da crescente evolução tecnológica e para o seu potencial impacto prognóstico nos utilizadores destes dispositivos.
Gisela Costa Neves, Médico de Família, Andreia Silva Sousa, Afonso Brás Sousa
Revista Portuguesa de Clínica Geral, Volume 37, pp 507-513; https://doi.org/10.32385/rpmgf.v37i6.12978

Abstract:
Objectivos: Melhorar e adequar a prescrição de contraceptivos orais combinados (COC) às adolescentes da Unidade de Saúde Familiar (USF) do Castelo Tipo de estudo: Pré-experimental, pré e pós intervenção, sem grupo controlo Local: ACES Arrábida - USF Castelo População: Adolescentes com idades compreendidas entre os 10 e os 18 anos inscritas na USF Castelo e utilizadoras de COC Métodos: O estudo decorreu através da análise de dados relativamente à dose de estrogénio do COC utilizado e presença ou ausência de contraindicações absolutas entre Fevereiro de 2019 e Fevereiro de 2020, o que permitiu classificar as adolescentes em “bem” ou “mal” medicadas. Procedeu-se a uma primeira avaliação em Fevereiro de 2019. De seguida, foi realizada uma intervenção que consistiu em duas fases. A primeira, uma sessão clínica na USF dirigida aos médicos e enfermeiros onde foram divulgados os dados pré-intervenção e feita uma breve apresentação teórica acerca da utilização adequada de COC na adolescência. A segunda fase consistiu no fornecimento de material auxiliar de memória em formato de bolso e afixação de cartazes nos gabinetes onde decorrem as consultas de Planeamento Familiar. Os outcomes definidos foram: uma taxa de melhoria da prescrição de COC, seis meses depois da intervenção, de 20%; o aumento ou a manutenção da taxa de melhoria inicial, um ano após a intervenção. Foi utilizado o teste exacto de Fisher para comparar as taxas de prescrição adequada pré e pós intervenção. Resultados: Atingiu-se a melhoria da prescrição de COC nas adolescentes seis meses após a intervenção (21,6%), apesar de não ter sido estatisticamente significativa (p=0,331). Contudo, posteriomente, verificou-se duplicação da taxa de prescrições adequadas prévia, com uma taxa de melhoria de 45,6%, estatisticamente significativa (p<0.001). Conclusão: Os profissionais da USF conseguiram implementar as estratégias e melhorar a taxa de prescrições adequadas de COC nas adolescentes. O envolvimento de toda a equipa que realiza aconselhamento contraceptivo poderá ter aumentado a eficácia da intervenção. A aplicação das estratégias em apenas uma unidade limita a generalização dos resultados. Contudo, estratégias simples parecem aumentar a taxa de prescrições adequadas de COC nesta faixa etária.
Marta Marques Santana, Médico de Família, Ana Margarida Gonçalves, Daniela Henriques, Denise Velho, João Cardoso, Joana Antunes, Mariana Coimbra
Revista Portuguesa de Clínica Geral, Volume 37, pp 498-505; https://doi.org/10.32385/rpmgf.v37i6.13049

Abstract:
Objetivos: Passaram alguns meses desde que foi confirmado o primeiro caso da doença COVID-19 em Portugal. A rápida progressão desta pandemia levou a diversas alterações no quotidiano dos utentes da Unidade de Saúde Familiar (USF) Santiago de Leiria, provavelmente com impacto na sua saúde mental. O objetivo deste trabalho é determinar os graus de ansiedade e depressão dos utentes da USF Santiago de Leiria durante o estado de emergência nacional. Tipo de estudo: Estudo transversal descritivo com componente analítica. Local: USF Santiago de Leiria. População: Utentes inscritos na USF Santiago de Leiria. Métodos: Estudo realizado através de um questionário online constituído por um inquérito sociodemográfico, a Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão e uma questão relativa ao apoio social, enviado a 1.000 utentes da USF em 9 de abril de 2020 e válido para submissão de respostas até 1 de maio de 2020. Resultados: Dos 285 indivíduos que participaram, 47% apresentavam sintomas de ansiedade e 32% sintomas depressivos. Indivíduos do género feminino apresentaram níveis mais elevados quer de sintomatologia ansiosa quer de sintomatologia depressiva. Indivíduos com níveis mais baixos de escolaridade, desempregados e trabalhadores em lay-off apresentaram uma maior prevalência de ansiedade. Entre os inquiridos, 89,1% referiu ter o apoio social necessário. Conclusão: Este trabalho demonstra uma elevada prevalência dos sintomas de ansiedade e depressão, com maior expressão no sexo feminino. Desta premissa, novas estratégias de melhoria da saúde mental dos utentes poderão surgir e evitar ainda mais danos provocados pela COVID-19.
Maria João Albuquerque da Silva Viveiros, Médico de Família, Andreia Felizardo, Mariana Farinha Alves
Revista Portuguesa de Clínica Geral, Volume 37, pp 586-591; https://doi.org/10.32385/rpmgf.v37i6.13024

Abstract:
Introdução: A demência pode apresentar-se com deterioração de um ou vários domínios cognitivos, caracterizando-se pelo impacto e desadaptação nas atividades de vida diária (AVD). A apresentação deste caso clínico justifica-se pela incidência crescente deste diagnóstico e pela importância do reconhecimento atempado de fatores causais reversíveis para o mesmo, que permita a realização de tratamento dirigido e a minimização de complicações. Descrição do Caso: Homem de 70 anos, solteiro, ex-fumador, com antecedentes de alcoolismo e de comportamentos sexuais de risco. É trazido pela filha à consulta por um quadro com quatro anos de evolução de alteração comportamental, com episódios de heteroagressividade, discurso incoerente, perda progressiva de autonomia e autonegligência e descoordenação motora associada a alterações da marcha com quedas frequentes. Destaca-se a deteção, duas semanas antes da data da consulta, de lesão cutânea escrotal com 4x2cm de diâmetro e 2cm de espessura, de consistência elástica, indolor, ulcerada, compatível com goma sifilítica. Por suspeita de sífilis terciária é encaminhado para o serviço de urgência (SU), com posterior internamento e confirmação de neurossífilis, tendo cumprido terapêutica prolongada com penicilina endovenosa (EV), com melhoria do quadro neurológico. Três meses depois é reinternado por reativação de neurossífilis e medicado com penicilina, seguindo-se, após alta, um agravamento do seu estado clínico, com caquexia, diminuição global da força muscular mais evidente ao nível dos membros inferiores, disartria marcada e disfagia progressiva. Faleceu 11 meses depois, por pneumonia associada aos cuidados de saúde. Comentário: Neste caso clínico destaca-se a presença de uma causa potencialmente reversível de demência: neurossífilis. Após tratamento verificou-se uma melhoria parcial do quadro; contudo, sem completa recuperação e com posterior deterioração progressiva. Este aspeto justifica-se pelo diagnóstico tardio e pela presença concomitante de outros fatores etiológicos para a síndroma demencial. Pelo conhecimento dos antecedentes pessoais, do contexto sociofamiliar e do estado prévio do seu doente, o médico de família encontra-se numa posição privilegiada para o diagnóstico precoce e orientação destas situações.
Tiago Maricoto
Revista Portuguesa de Clínica Geral, Volume 37, pp 602-603; https://doi.org/10.32385/rpmgf.v37i6.13408

Abstract:
Agradecimento a Revisores 2021
Tiago Francisco Da Cunha Costa, Médico de Família, Diana Catarina Coelho Leitão
Revista Portuguesa de Clínica Geral, Volume 37, pp 535-548; https://doi.org/10.32385/rpmgf.v37i6.12722

Abstract:
Objetivos: Identificar situações sugestivas de hipertensão secundária (HS). Rever a fisiopatologia, manifestações clínicas e/ou laboratoriais, diagnóstico e tratamento das principais formas de HS, bem como estabelecer o papel do médico de família na sua abordagem à luz da evidência mais recente. Fontes de dados: MEDLINE/PubMed, The Cochrane Library, UpToDate, U.S. Preventive Services Task Force e normas de orientação clínica da Direção-Geral da Saúde. Métodos: Foi realizada a pesquisa de artigos científicos em plataformas online de medicina baseada em evidência utilizando as palavras-chave Secondary Hypertension e Primary Health Care. A pesquisa foi realizada em julho de 2019, sendo a seleção dos artigos feita com base no título, conteúdo do resumo e data de publicação. Foram também consultadas normas de orientação clínica e guidelines. Resultados: A HS deve ser suspeita em contexto de hipertensão resistente, início de hipertensão antes dos 30 anos num utente sem fatores de risco, elevação súbita ou instabilidade da pressão arterial basal, hipertensão maligna ou acelerada, início de hipertensão diastólica em idosos, hipertensão associada a distúrbios hidro-eletrolíticos ou hipertensão associada a clínica sugestiva de determinada etiologia específica. Em crianças e adolescentes, as principais causas de HS são as doenças do parênquima renal, ao passo que nos adultos as etiologias mais comuns incluem a síndroma da apneia obstrutiva do sono, doenças do parênquima renal, estenose da artéria renal, hiperaldosteronismo primário e feocromocitoma. O reconhecimento de manifestações clínicas e/ou laboratoriais sugestivas da etiologia da HS deve orientar a realização dos testes de rastreio para posterior tratamento ou referenciação. Conclusão: Avaliar em todos os utentes hipertensos a existência de causas secundárias não é custo-efetivo, pelo que apenas devem ser estudados os utentes com características sugestivas de HS. A realização e interpretação dos testes de rastreio de forma adequada é fundamental para a referenciação e tratamento dos utentes com HS.
Ana Rita Costa, Médico de Família, Filipe Almeida
Revista Portuguesa de Clínica Geral, Volume 37, pp 516-533; https://doi.org/10.32385/rpmgf.v37i6.12868

Abstract:
Objetivos: A perda de um filho em idade pediátrica é uma das vivências mais dolorosas que o ser humano pode enfrentar, sendo que o luto parental é um processo intenso e dinâmico que urge acompanhar e apoiar. Assim, pretende-se identificar necessidades a suprir no apoio prestado pelos profissionais de saúde e pela entidade Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ) a pais que vivenciaram a morte de um filho em idade pediátrica por doença oncológica e delinear recomendações para a melhoria desse apoio. Métodos: Estudo qualitativo baseado em entrevistas semiestruturadas a pais que perderam um filho em idade pediátrica por doença oncológica, acompanhados no Serviço de Oncologia Pediátrica (SOP) do CHUSJ. Após transcrição das entrevistas procedeu-se à análise qualitativa dos dados com recurso ao software ATLAS.ti. Resultados: Os dados colhidos confirmam o impacto que a doença oncológica e a perda de um filho têm na vida de um pai a nível pessoal, familiar, social e profissional. Identificaram-se pontos fortes nos apoios prestados a nível emocional, instrumental e informacional, principalmente ao longo do período de doença e fim de vida (luto antecipatório). Os principais aspetos a melhorar pela entidade hospitalar e pela equipa de profissionais de saúde relacionam-se com a comunicação de más notícias, articulação com outras unidades de saúde (e.g., cuidados de saúde primários) ou de ação social e prestação de apoio psicológico. Destaca-se a necessidade de reforçar o apoio ao luto após a morte do filho. Conclusão: À semelhança do realizado em vários países, é pertinente investir nos cuidados paliativos pediátricos e na estruturação de programas formais de apoio ao luto parental. Neste sentido, considera-se importante estudar mais aprofundadamente esta realidade a nível nacional, para melhor definir os pontos a reforçar no apoio prestado a quem perde um filho.
Nuno Jacinto, ACeS Alentejo Central USF Salus
Revista Portuguesa de Clínica Geral, Volume 37, pp 495-496; https://doi.org/10.32385/rpmgf.v37i6.13406

Abstract:
O ano de 2021, como já tinha acontecido em 2020, foi vivido num clima de grande incerteza devido à pandemia COVID. Os médicos de família (MF) foram sujeitos a inúmeras e exigentes solicitações, mostrando mais uma vez a sua centralidade no sistema de saúde português, embora sem nunca serem alvo de um justo reconhecimento e merecida valorização. Foi neste contexto particularmente difícil que, no início do ano, tomaram posse os novos órgãos sociais da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF). Com uma nova Direção Nacional, iniciou-se a concretização de um projeto que nasceu da necessidade sentida de mudança, reinvenção e readaptação.
Maria João Coelho, Médico de Família, Daniela Pereira, Filipa Paraíso, Tiago Costa
Revista Portuguesa de Clínica Geral, Volume 37, pp 567-576; https://doi.org/10.32385/rpmgf.v37i6.12932

Abstract:
Objetivo: Determinar a evidência do efeito do exercício aeróbico no controlo das crises de enxaqueca. Fontes de dados: PubMed, National Institute of Health and Care Excellence (NICE), The Cochrane Library, British Medical Journal (BMJ), Canadian Medical Association Infobase e Centre for Reviews and Dissemination. Métodos: Foram pesquisados artigos de revisão sistemática (RS)‌, ‌meta-análise‌s (MA) e normas de orientação clínica (NOC), ‌em‌ ‌português‌‌, inglês e espanhol,‌ ‌sem‌ ‌limite‌ ‌de‌ ‌data‌ ‌de‌ ‌publicação,‌ ‌utilizando‌ ‌os termos MeSH ‌migraine disorders e exercise.‌ ‌Foram‌ ‌também‌ ‌pesquisados‌ ‌estudos originais (EO) ‌publicados‌ ‌nos‌ ‌últimos‌ ‌cinco‌ ‌anos.‌ ‌Incluíram-se‌ ‌os‌ ‌artigos‌ ‌que‌ ‌avaliavam‌ o efeito do exercício aeróbico na frequência, duração e intensidade das crises de enxaqueca. A‌ ‌atribuição‌ ‌do‌ ‌nível‌ ‌de‌ ‌evidência‌ ‌(NE)‌ ‌e‌ ‌força‌ ‌de‌ ‌recomendação‌ ‌(FR)‌ ‌foi‌ ‌realizada‌ ‌com‌ ‌base‌ ‌na‌ ‌escala‌ ‌Strength of Recommendation‌ ‌Taxonomy‌ ‌(SORT),‌ ‌da‌ ‌American‌ ‌Academy of Family‌ ‌Physicians.‌ Resultados: Da pesquisa efetuada obtiveram-se 69 artigos, tendo sido selecionados seis que cumpriam os critérios de inclusão: três RS com MA, uma RS e dois EO. Todos os artigos apresentaram NE 2. A maioria dos estudos incluídos favorece a prática de exercício físico como medida profilática das crises de enxaqueca; contudo, apresentam amostras pequenas, curtos períodos de intervenção e de follow-up e intervenções heterogéneas. Conclusão: Apesar de se considerar necessária a realização de mais ensaios clínicos para definir concretamente os efeitos a curto e longo prazo do exercício aeróbico na enxaqueca conclui-se que é possível recomendar a sua inclusão na abordagem profilática destes doentes (FR B).
Joana Rita Mendes, Médico de Família, Ana Filipa Miranda, Maria Pieri Moreira
Revista Portuguesa de Clínica Geral, Volume 37, pp 593-596; https://doi.org/10.32385/rpmgf.v37i6.12916

Abstract:
Introdução: As fístulas arteriovenosas durais espinhais (FAVDE) são raras e a sua apresentação clínica é inespecífica e insidiosa. A etiologia é desconhecida e tem incidência superior em homens de meia-idade. Descrição do Caso: Mulher de 50 anos, com antecedentes de depressão reativa, que se dirigiu ao médico de família por queixas álgicas após queda da própria altura com impacto na anca direita e joelhos. O exame objetivo e as imagens radiográficas não revelaram alterações importantes; contudo, as queixas persistiram apesar do tratamento conservador. O quadro inicial de coxalgia direita com predomínio noturno acresceu-se de disestesias dos membros inferiores e incontinência urinária e fecal. A utente foi referenciada para consulta externa de neurocirurgia, tendo sido detetada uma FAVDE. Comentário: O objetivo deste relato é evidenciar as dificuldades encontradas na avaliação da doente e aumentar a consciencialização para este problema raro, realçando a importância do diagnóstico e tratamento atempados.
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