Revista Portuguesa de Clínica Geral

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EISSN : 2182-5173
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Ana Catarino Gomes, Aces Oeste Sul Usf Arandis, Paula Brandão Alves
Revista Portuguesa de Clínica Geral, Volume 38, pp 417-424; https://doi.org/10.32385/rpmgf.v38i4.13171

Abstract:
Este artigo propõe uma estrutura para as teleconsultas de medicina geral e familiar, explorando estratégias para ultrapassar barreiras comunicacionais. Propõem-se doze passos divididos em três fases. Fase I: Preparação. Passo 1. Escolha do local: avaliar as condições do gabinete. Passo 2. Verificação da conexão: verificar a disponibilidade de telefone, computador e de impressora e a existência uma boa conexão de Internet. Passo 3. Preparação do consultório: certificar-se de que há boa luminosidade e que todos os objetos que possam a vir a ser necessários estão posicionados corretamente. Passo 4. Organização do pensamento: ler os registos médicos prévios e algum alerta importante. Fase II: Teleconsulta. Passo 5. Preparar a sessão: certificar-se de que tem o contacto correto do utente, password da sessão bem como o número telefónico de uma linha de apoio informático. Passo 6. Primeiros minutos: certificar-se de que o vídeo e o áudio estão a trabalhar corretamente; confirmar a identificação do paciente e garantir a sua privacidade. Passo 7. Avaliação rápida: avaliar rapidamente se o paciente está severamente doente ou não; se doença grave, escrever uma pequena história clínica e avaliar os parâmetros vitais de forma a decidir se deve encaminhar-se o doente para uma observação médica. Passo 8. Exploração: história da doença atual. Passo 9. Avaliação: este é o passo mais complexo; descrições do paciente, imagens de vídeo em direto ou enviadas posteriormente para o email, valores de dispositivos médicos que o paciente possua e uso de várias escalas médicas são uma excelente ajuda. Passo 10. Decisão: interpretação das monitorizações de forma a decidir o melhor seguimento em consenso com o doente. Fase III: Final. Passo 11. Encerramento: deve confirmar-se que foram abordados todos os temas propostos para a consulta e verificar se o utente compreendeu o plano. Passo 12. Reflexão final: finalizar os registos clínicos e realizar uma autorreflexão da consulta que teve lugar. Para a comunicação de más notícias deve usar-se o protocolo de SPIKES. Este artigo foi pensado como um guia de consulta para teleconsultas de medicina geral e familiar como forma de melhorar a abordagem médica durante a pandemia COVID-19.
Luiz Miguel Santiago, ACeS Baixo Mondego USF Topázio, Clarisse Calça Coelho, José Augusto Simões
Revista Portuguesa de Clínica Geral, Volume 38, pp 347-355; https://doi.org/10.32385/rpmgf.v38i4.13148

Abstract:
Objetivo: Analisar os motivos de consulta classificados segundo capítulos da International Classification for Primary Care – 2 (ICPC-2) pelos médicos de família na região Centro de Portugal, entre 2010 e 2018. Métodos: Estudo transversal observacional dos motivos de consulta classificados pelos médicos de família de três Agrupamentos de Centros de Saúde da área da Administração Regional de Saúde do Centro, selecionados aleatoriamente, para os anos de 2010, 2012, 2014, 2016 e 2018. Obtiveram-se dados anonimizados organizados por sexo, ano, número total de consultas, número de consultas com classificação ICPC-2 do motivo de consulta e capítulos ICPC-2 registados, calculando-se as dinâmicas e crescimento. Resultados: Em 12.569.898 consultas realizadas verificou-se proporção de 5,3% de consultas com motivo de consulta classificado. Os capítulos mais classificados em todos os anos estudados foram, decrescentemente, A (15,4%), L (11,3%), D (10,3%), R (8,4%), S (9,7%) e K (7,9%). Os capítulos menos classificados foram, crescentemente, Z (1,6%), Y (1,7%), B (1,9%), W (2,1%), H (2,9%) e N (3,7%). O capítulo Z teve a maior dinâmica de crescimento de 2010 para 2018 (∆=+1,15). Discussão: Numa década de problemas socioeconómicos, os motivos de consulta registados pela ICPC-2 mantiveram-se constantes. A atividade de classificação de motivos de procura de consulta, mesmo com problemas de qualidade e volume de realização, pode ajudar na qualidade e resultado da consulta, sendo semelhantes aos já conhecidos na literatura. Conclusão: Verificou-se classificação ICPC-2 de motivos de consulta pelos médicos de família em 5,3% das consultas, sendo os capítulos invariáveis ao longo do tempo. O capítulo Z registou a maior dinâmica de crescimento no volume de classificação.
Inês Rua, Aveiro Aces Baixo Vouga, Rita Ribau, Mariana Fonseca Silva, Elsa Martins
Revista Portuguesa de Clínica Geral, Volume 38, pp 408-411; https://doi.org/10.32385/rpmgf.v38i4.13499

Abstract:
A trimetilaminúria ou “síndroma do cheiro a peixe” é uma doença metabólica rara, considerada subdiagnosticada, devida ao défice da enzima flavina mono-oxigenase 3. Esta patologia tem como sintomas a presença de odor a peixe após a ingestão de alimentos contendo precursores de trimetilamina. Não apresenta outros sintomas físicos de relevo, mas pode representar consequências importantes a nível social e psicológico. O conhecimento da patologia e o seu diagnóstico precoce permite reduzir o impacto nocivo a estes níveis, através da adoção de estratégias para reduzir a sintomatologia. Este artigo apresenta um caso clínico de uma doente, do sexo feminino, com seis anos de idade, com trimetilaminúria, realçando a importância da consulta de saúde infantil e juvenil, realizada nos cuidados de saúde primários, para a valorização das queixas apresentadas pelos familiares e para a identificação precoce de patologias raras, mas com potenciais complicações a longo prazo.
Mariana Lopes da Cruz Capela, Maria Eduarda Constâncio Brás Inácio
Revista Portuguesa de Clínica Geral, Volume 38, pp 387-391; https://doi.org/10.32385/rpmgf.v38i4.13137

Abstract:
Introdução: A nevralgia do trigémio consiste numa dor muito intensa, com início súbito e de curta duração, espoletada por estímulos inócuos. No entanto, pode manifestar-se inicialmente de forma atípica tornando o seu diagnóstico mais difícil. Descrição do caso: Relata-se um caso de uma mulher de 77 anos de idade com dor tipo moinha no maxilar superior direito, que motivou múltiplos contactos com os cuidados de saúde, tendo sido submetida a vários ciclos de antibioterapia e à extração de um dente, por suspeita inicial de patologia dentária. Posteriormente, a dor evoluiu para um padrão típico de nevralgia do trigémio, pelo que se assumiu este diagnóstico. Iniciou-se terapêutica para controlo da dor com carbamazepina e fez-se o estudo de causas secundárias, no qual foi identificado um meningioma no trajeto do nervo trigémio direito. Comentário: As manifestações atípicas da nevralgia do trigémio podem levar a um atraso no diagnóstico desta patologia pelo que é importante ter um elevado nível de suspeição. A terapêutica sintomática deve ser iniciada aquando do diagnóstico e deve ser considerado um estudo de causas secundárias.
Miguel Maciel, Unidade de Saúde Familiar Novo Sentido, Francisca Andrade, Carolina Castro, Ana Macedo, Hospital Pedro Hispano
Revista Portuguesa de Clínica Geral, Volume 38, pp 396-399; https://doi.org/10.32385/rpmgf.v38i4.13318

Abstract:
Introdução: As infeções das vias aéreas superiores (IVAS) em crianças são dos motivos mais comuns de consulta aguda nos cuidados de saúde primários e habitualmente têm bom prognóstico. No entanto, em certos quadros clínicos, as complicações ou doenças menos comuns, como a miosite, devem ser consideradas. Descrição do caso: Uma criança de oito anos de idade, previamente saudável, foi observada pela primeira vez no centro de saúde em novembro de 2019 por tosse e febre com dois dias de evolução, sem alterações de relevo no exame objetivo – foi assumida uma IVAS e prescrito tratamento com antipirético e reforço da hidratação oral. O doente volta três dias depois à unidade com manutenção do quadro clínico, marcha anormal e dor na região posterior da perna, na região dos músculos gastrocnemius bilateralmente. Ao exame objetivo e neurológico, além da alteração da marcha, não apresentava outros achados. Pela evolução suspeita do quadro foi referenciado para o serviço de urgência pediátrico hospitalar para avaliação. Não foram encontradas outras alterações ao exame objetivo. Foi submetido a estudo analítico, que revelou uma creatina cinase (CK) de 7110U/L, mioglobina de 1935ng/ml e aspartato aminotransferase (AST) de 191U/L, sem alteração de função renal. Perante resultados sugestivos de miosite foi decidido internamento para fluidoterapia intravenosa. Em regime de internamento foi realizado aspirado nasofaríngeo para cultura e virologia, que testou positivo para vírus Influenza B; foi, assim, assumido o diagnóstico de miosite vírica por Influenza B. O doente recebeu tratamento com oseltamivir durante quatro dias em regime de internamento, com boa resposta. Teve alta hospitalar após estes quatro dias, assintomático e com indicação para repouso e reforço da hidratação oral. Comentário: Devemos estar atentos a sintomas menos comuns em casos de presumíveis de IVAS e aumentar a acessibilidade dos cuidados de saúde primários para reavaliações de certos casos.
Gisela Marcelino Santos, Usf Nova Via, Maria Ferreira, Marta Pinheiro, Ângela Maganete
Revista Portuguesa de Clínica Geral, Volume 38, pp 382-386; https://doi.org/10.32385/rpmgf.v38i4.12642

Abstract:
Introdução: A doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) é a mais comum das doenças priónicas humanas. A maioria dos casos é esporádica e apresenta-se como demência rapidamente progressiva. Este caso pretende alertar para a importância da suspeição inicial de uma DCJ, apesar da sua raridade, de modo a reconhecer os primeiros sinais e sintomas, muitas vezes inespecíficos, e realizar uma referenciação célere aos cuidados de saúde secundários para diagnóstico e seguimento precoces. Descrição do caso: Mulher de 53 anos, sem antecedentes de relevo, que recorreu a consulta aberta da sua Unidade de Saúde Familiar por tonturas, desequilíbrio e humor distímico. Dias mais tarde apresentou-se com nistagmo horizontal, ataxia da marcha e dismetria dos membros superiores, pelo que foi orientada para observação por neurologia. O quadro clínico evoluiu em poucas semanas, com dificuldade em executar atividades da vida diária, apatia, discurso pobre, dificuldades na memória e apraxia para vestir. O exame neurológico revelou hiperreflexia esquerda, reflexo cutâneo-plantar esquerdo em extensão, postura distónica de ambos os membros superiores e mioclonias espontâneas de novo, com startle marcado com estímulo sonoro. A ressonância magnética (RM) mostrou sinais sugestivos de DCJ. A eletroencefalografia (EEG) e a proteína 14-3-3 positiva suportaram o diagnóstico. O estado neurológico deteriorou-se rapidamente, com evolução para mutismo acinético, tetraparésia espástica e morte. Comentário: A DCJ deve ser considerada perante a combinação de demência rapidamente progressiva e mioclonias estimulossensitivas. Manifestações cerebelosas constituem sintomas de apresentação em 20% a 40% dos casos. A RM, a proteína 14-3-3 e o EEG são úteis para o diagnóstico. O diagnóstico definitivo requer a combinação com os achados neuropatológicos. O tratamento é apenas de suporte e o desfecho fatal, sendo fulcral mostrar disponibilidade e apoio nas questões médicas, psicológicas e sociofamiliares.
Estela Cabral, Ângela Costa, Dinamene Oliveira, Maria João Lopes, Sofia Garcia W., Ucsp Águeda V, Usf Leme
Revista Portuguesa de Clínica Geral, Volume 38, pp 400-407; https://doi.org/10.32385/rpmgf.v38i4.13238

Abstract:
Introdução: Vários regimes de antibioterapia têm sido propostos para tratamento da infeção por Helicobater pylori (Hp) e a escolha de terapêutica adequada deve basear-se nas resistências locais aos antibióticos, com recurso a terapia quádrupla. Pretende-se com este trabalho melhorar a qualidade da prescrição para tratamento das infeções por Hp, de acordo com a NOC, recomendações clínicas mais recentes e perfis de resistência em Portugal. Materiais e Métodos: Este é um trabalho de melhoria de qualidade técnico-científica com dois momentos de avaliação interna, em cinco unidades da Zona Centro. Foram considerados todos os utentes com diagnóstico de infeção por Hp num período de três meses antes e após uma breve intervenção sobre as orientações mais atuais no tratamento do Hp. Os dados foram recolhidos do [email protected]® e SClínico® e tratados em Microsoft Excel® 2016. Resultados: Na avaliação obtiveram-se 68 utentes com diagnóstico positivo para Hp. Destes, 65 receberam tratamento para um total de 46% (n=30) com tratamento adequado. No período pós-intervenção foram avaliados 65 utentes com diagnóstico de infeção por Hp. Destes, 62 receberam tratamento para um total de 71% (n=44) com tratamento adequado. Discussão: A intervenção traduziu-se numa melhoria da escolha de terapêutica de primeira linha. Houve uma diminuição na escolha da terapêutica tripla, assim como no erro de prescrição. Conclusão: Este trabalho evidencia como a intervenção formativa junto dos médicos poderá contribuir para a melhoria da qualidade da prescrição para tratamento da infeção por Hp.
Eurico Silva, Unidade de Saúde Familiar João Semana, Ana Raquel Sousa Santos
Revista Portuguesa de Clínica Geral, Volume 38, pp 412-416; https://doi.org/10.32385/rpmgf.v38i4.13310

Abstract:
A doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) é uma causa importante de morbilidade crónica e mortalidade prematura, constituindo a terceira causa de morte no mundo. Em Portugal estima-se que a sua prevalência, a partir dos 40 anos, seja de 14,2% com uma elevada proporção de subdiagnóstico. O Plano Nacional de Doenças Respiratórias preconiza o combate desta doença e o aumento do seu diagnóstico nos cuidados de saúde primários (CSP). A sociedade atual procura avaliar, quantificar e classificar a prestação dos serviços e, na saúde, os indicadores de desempenho avaliam elementos mensuráveis da prática clínica, permitindo o estabelecimento de boas práticas e melhoria dos cuidados prestados. Os autores propõem a utilização do indicador 2017.380 do Bilhete de Identidade dos CSP, designado por “Proporção de utentes adultos com registos clínicos evidenciando a existência de asma, DPOC ou bronquite crónica, com registo de diagnóstico na lista de problemas”, como uma ferramenta importante para aumentar o diagnóstico das doenças respiratórias, melhorar os registos clínicos, atualizar os problemas ativos e, fundamentalmente, melhorar os cuidados de saúde prestados aos utentes.
Augusta Arruda, Médico de Família, Joana Fechado, Francisco Nunes Caldeira, Ana Isabel Machado, Carolina Eloi, Carolina Resendes, Beatriz Amaral, Ana Ventura
Revista Portuguesa de Clínica Geral, Volume 38, pp 357-369; https://doi.org/10.32385/rpmgf.v38i4.13167

Abstract:
Introdução: As doenças respiratórias são uma causa major de morbilidade em idade pediátrica. Os sistemas de nebulização, durante anos os dispositivos mais indicados para administração de aerossolterapia em crianças, foram suplantados pelos dispositivos simples de inalação. As linhas de orientação clínica atuais restringem a prescrição e utilização de nebulizadores. O objetivo do estudo é investigar a utilização domiciliária de sistemas de nebulização em idade pediátrica na Unidade de Saúde da Ilha de São Miguel. Método: Estudo observacional, transversal e analítico. Inclusão de crianças dos zero aos sete anos e 365 dias de idade, inscritos na Unidade de Saúde da Ilha de São Miguel. Aplicação de inquérito sob a forma de questionário aos acompanhantes da população-alvo para avaliação do contexto de aquisição, utilização e manutenção dos sistemas de nebulização. Calculada uma amostra significativa de 380 utentes (intervalo de confiança de 95%). Resultados: Participação de 387 utentes. Média de idades de 2,5 anos. 45,7% dos inquiridos afirmou possuir um nebulizador, enquanto 18,9% referiu possuir um dispositivo de inalação simples. A taxa de aquisição e utilização dos sistemas de nebulização sem prescrição médica foi de 67,8% e 79,7%, respetivamente. O custo da aquisição do sistema de nebulização foi entre 80 e 150 euros em 38,4%. A maioria da utilização não supervisionada ocorreu com soro fisiológico e no contexto de obstrução nasal (41,1%) e tosse (24,9%). Conclusão: O presente estudo evidencia a aquisição e utilização excessiva, não supervisionada e inapropriada dos sistemas de nebulização. A presente investigação deverá motivar a promoção da utilização dos dispositivos simples através da educação dos utentes, cuidadores e profissionais de saúde, visando melhorar a prática de saúde local.
Catarina Neves Santos, Ars Lisboa e Vale Do Tejo, Beatriz Chambel, Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
Revista Portuguesa de Clínica Geral, Volume 38, pp 372-380; https://doi.org/10.32385/rpmgf.v38i4.13207

Abstract:
Introdução: Melhor desempenho nos cuidados de planeamento familiar (PF) permitiria, teoricamente, reduzir as taxas de gravidezes indesejadas e, consequentemente, as interrupções voluntárias da gravidez (IVG). Objetivos: Verificar a existência de associação entre fatores organizacionais dos cuidados de saúde primários (CSP) e o recurso à consulta de IVG do Hospital Beatriz Ângelo, na população de mulheres que a esta recorreu durante o ano de 2018. Métodos: Estudo observacional, analítico e transversal. Os dados foram colhidos da base de dados da consulta de IVG do ano 2018 e do Registo de Saúde Eletrónico. Foi realizada uma análise estatística descritiva e inferencial utilizando o programa SPSS®. Resultados: Cerca de 39,1% das mulheres que realizaram uma IVG pertenciam a uma UCSP, 38,3% a uma USF modelo A e 22,6% a uma USF modelo B, sendo que 21,5% não tinham médico de família (MF). Após ajuste dos dados verificou-se que as utentes de uma USF modelo B ou com MF realizaram significativamente menos IVG (p=0,009 e p=0,001, respetivamente). As utentes de USF modelo B tiveram mais consultas nos CSP (p<0,001) e utilizaram mais métodos contracetivos (p=0,022) nos 12 meses prévios à IVG. Também as mulheres com MF realizaram mais contraceção no ano anterior à IVG (p<0,001). Conclusões: O melhor acesso aos CSP e o maior uso de contraceção que se verificam entre as utentes de USF modelo B ou com MF associam-se a uma menor realização de IVG. Ter MF mas, principalmente, pertencer a uma USF modelo B revela-se protetor face à realização de IVG, evidenciando a necessidade de atribuir MF a toda a população, melhorar a acessibilidade aos serviços de PF e incentivar a autonomia organizacional ao nível dos CSP.
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