Psicologia em Revista

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ISSN / EISSN : 1677-1168 / 1678-9563
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Andrea Vieira Zanella, Aline Amaral Sicari
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 1058-1079; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n3p1058-1079

Abstract:
A pesquisa objetivou investigar as tensões e paradoxos que caracterizam a luta do Movimento Nacional de População de Rua (MNPR). Foi foco da pesquisa uma unidade do movimento, de uma cidade de médio porte do Sul do Brasil. O material analisado foi produzido com base na participação em reuniões do MNPR e em conversas formais e informais com 25 pessoas em situação de rua e, ou, trajetória de rua. A análise dialógica do discurso foi a escolha metodológica para a pesquisa. Foram identificados cinco paradoxos: 1) a condição de incômodo e, ao mesmo tempo, de reconhecimento da importância do lugar ocupado pela liderança do movimento; 2) a tensão entre estar nas ruas e estar nos espaços institucionalizados de luta; 3) a contradição entre projetos de vida singulares e a necessidade de luta por mudanças para todos, todas; 4) a tensão visibilidade e invisibilidade das pessoas em situação de rua; 5) a contradição entre viver nas ruas e poder/querer sair dessa condição, com o risco de não ser mais reconhecido(a) pelos pares e participar de sua luta. Apesar dos paradoxos, a pesquisa destaca a importância do MNPR na luta por direitos sociais, políticos e humanos em favor da população em situação de rua.
Elâine Cristina Vargas Dadalto, Edinete Maria Rosa
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 879-900; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n3p879-900

Abstract:
O objetivo foi identificar e comparar a estrutura das representações sociais (RS) de mães de recém-nascidos pré-termo sobre “bebê” e “objetos de bebê”, durante internação em unidade de terapia intensiva neonatal e aos 12 meses de idade. A técnica usada foi a evocação de até cinco palavras/expressões associadas aos termos indutores e processamento pelo software EVOC-2003. Participaram 47 mães. No contexto da internação, o núcleo central da RS de “bebê” apresentou as palavras “amor” e “cuidado”, e, aos 12 meses, “amor” e “carinho”. Os elementos organizadores da RS de “objetos de bebê” foram “berço”, “brinquedo” e “mamadeira”, e, aos 12 meses, “brinquedo”, “chupeta” e “mamadeira”. A organização das RS teve o amor como base, demonstrando preocupação e cuidado devido à internação. Após o primeiro ano, sentimentos negativos foram suprimidos, observando-se valorização do ato de brincar, ressaltando as dificuldades para manter a amamentação e lidar com a sucção não nutritiva.
Bruno Moraes da Silva, Isabela Machado da Silva, Eduardo Pandolfi Passos, Rita De Cássia Sobreira Lopes, Daniela Centenaro Levandowski
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 857-878; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n3p857-878

Abstract:
Este estudo teve como objetivo investigar as narrativas de mulheres que conceberam com o auxílio das técnicas de reprodução assistida (TRA), acerca do impacto do tratamento na experiência da gestação. Foram entrevistadas 24 mulheres no terceiro trimestre de uma gestação concebida com o auxílio de diferentes TRA. Os dados foram submetidos a uma análise narrativa, destacando-se temas como a maior valorização da gravidez devido ao tratamento, o medo de perder o bebê, a possibilidade de gestação gemelar, o preconceito social em relação ao uso das TRA e a tentativa de naturalização dessa experiência. Embora tenha predominado o não reconhecimento explícito do impacto do tratamento na experiência da gestação, as participantes demonstraram-no em nuances de suas narrativas, ao relatarem seus sentimentos e expectativas. Os resultados sugerem a importância da atuação dos profissionais de saúde mental nesse contexto.
Michelle Santos Sena de Oliveira, Antônio Márcio Ribeiro Teixeira
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 959-979; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n3p959-979

Abstract:
No contexto de uma predominância de práticas avaliativas e de vigilância que incidem nos diversos domínios da vida contemporânea, este artigo tem como objetivo elucidar os efeitos do apagamento da exceção na Contemporaneidade sob o viés psicanalítico. Do discurso do mestre antigo ao discurso do mestre moderno, universitário e capitalista, o saber obtido pelo cálculo da utilidade e do valor passa a orientar as decisões políticas e individuais. Diante dessa realidade, a administração burocrática se direciona aos sujeitos, visando a homogeneizá-los e submetê-los ao ideal de transparência moderno, garantido pelo saber extraído e decodificado pelos instrumentos de avaliação. A psicanálise recolhe os efeitos desse laço social contemporâneo, mas, de forma distinta do discurso dominante, oferece outro destino ao íntimo, ao que do gozo não pode ser contabilizado e homogeneizado.
Mariana Farias Puccinelli, Milena Da Rosa Silva
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 921-940; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n3p921-940

Abstract:
Este artigo aborda o conceito de educador suficientemente bom. Tal construção teórica parte da releitura winnicottiana dos indicadores da metodologia IRDI (Indicadores de Risco para o Desenvolvimento Infantil). Assim, buscar-se-á compreender de que maneiras os educadores dos berçários e maternais auxiliam a dar andamento aos processos do amadurecimento dos bebês dos quais cuidam, utilizando-se, para isso, da teoria do amadurecimento proposta pelo psicanalista inglês D. W. Winnicott. Compreende-se que os profissionais das creches contribuem de forma importante para a constituição psíquica dos bebês, pois proporcionam continuidade aos principais processos desta: integração, personalização e capacidade para relacionamentos. Nesse sentido, esses educadores, quando atuando de maneira suficientemente boa, proporcionam continuidade e suplência ao papel do cuidador primordial, na maioria das vezes, exercido pela figura materna. Considerando o potencial constitutivo do fazer dos educadores de berçários e maternais, evidencia-se a necessidade e a relevância de propostas de formação especializadas para esses profissionais. Palavras-chave: Parto; doula; provisão ambiental (Winnicott); internet.
Larissa Franco Severino, Renata Fabiana Pegoraro, Eliane Regina Pereira
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 980-999; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n3p980-999

Abstract:
A compreensão sobre práticas grupais com jovens e sua finalidade na Psicologia parte de diversas perspectivas e está prevista entre as habilidades e competências profissionais. Este artigo busca compreender, com base em uma revisão integrativa de literatura, como os grupos com jovens são caracterizados e constituídos pelas produções de artigos científicos em Psicologia. Foram realizadas buscas nas bases Scielo, Pepsic e Adolec e, mediante critérios de inclusão e exclusão, foram recuperados dez artigos, cuja análise permitiu ressaltar os grupos como espaço: (a) de circulação da palavra; (b) de troca e possibilidade de transformação; (c) terapêutico. Ainda há poucas publicações sob a forma de artigos envolvendo a prática grupal com jovens. Esses artigos frisaram como principal característica grupal proporcionar um espaço de fala e trocas entre os sujeitos inseridos. Destaca-se certa naturalização dos sujeitos participantes dos grupos, visto que suas histórias de vida e suas condições sociais deixaram de ser ressaltadas.
José Newton Garcia de Araújo, Rodrigo Padrini Monteiro, João César De Freitas Fonseca, Carlos Eduardo Carrusca Vieira, Rafael Soares Mariano Costa
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 1101-1120; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n3p1101-1120

Abstract:
Este artigo discute a relação entre o trabalho dos psicólogos e psicólogas e a tecnologia, no contexto marcado pela pandemia da covid-19. Com base na análise da dupla condição da Psicologia, como ciência e profissão, historicamente construída e reproduzida, o texto propõe uma análise crítica da intensificação do uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), com ênfase na atividade de atendimentos clínicos individuais, por se tratar de uma modalidade de serviço em flagrante expansão no atual contexto, em razão das contingências impostas pela pandemia. Como resultados preliminares, evidencia-se o crescimento, sem precedentes, do número de cadastros de psicólogos e psicólogas interessados em realizar atendimento on-line e observam-se ações dos órgãos reguladores da profissão que objetivam fiscalizar tais práticas e impedir o uso indevido da tecnologia. Ressaltam-se, neste cenário, os riscos da “uberização” do trabalho do psicólogo e psicóloga e de uma retração do campo da Psicologia como profissão.
Vívian de Andrade Hauck Pinto, Fernando Santana de Paiva
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 1040-1057; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n3p1040-1057

Abstract:
A Psicologia Social Comunitária (PSC) busca desenvolver intervenções psicossociais que contribuam para a supressão das desigualdades sociais presentes em nossa realidade. Assim como a PSC, o Teatro do Oprimido (TO) propõe uma atividade artística e política comprometida com a transformação da realidade social. Objetivamos apresentar algumas possíveis articulações e contribuições do TO para o campo da PSC, com destaque para as experiências que têm sido realizadas ante as opressões de gênero ainda vivenciadas por inúmeras mulheres no âmbito da sociedade brasileira. Realizamos uma revisão narrativa de literatura, contextualizando dimensões centrais do TO que podem favorecer a atuação dos profissionais da Psicologia diante de situações de exploração e opressão. Consideramos que o TO pode se conformar como uma ferramenta metodológica potente para uma práxis em PSC comprometida com a transformação da sociedade em direção à emancipação política e humana.
Jacqueline De Oliveira Moreira, Carlos Roberto Drawin, Domingos Barroso da Costa, Ana Carolina Dias Silva
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 1080-1100; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n3p1080-1100

Abstract:
Questionamo-nos se a vinculação da covid-19 ao significante “guerra” poderia esvaziar a força legal da Declaração dos Direitos Humanos, atingindo-a em seu pilar fundamental: a dignidade humana. Retomamos as considerações de Clausewitz, para quem, não se constituindo como episódio inesperado, a guerra consiste em continuação da política, para chegar a Foucault, que desvela que as relações de poder produzem uma regulamentação da vida e da morte, o que nos relança no campo de vulnerabilidade que a metáfora bélica indica e oculta. No momento dramático da pandemia, a convocação de todos para a guerra, a convocação solidária contra o inimigo comum, embora justificável como medida de emergência e apelo necessário para o isolamento social, também pode servir como anverso da necropolítica (Mbembe, 2016), a morte visível produzida pelo vírus revestindo a morte invisível dos excluídos e descartáveis, dos “matáveis” de sempre.
Luís Manuel Oliveira Carneiro
Psicologia em Revista, Volume 26, pp 1020-1039; https://doi.org/10.5752/p.1678-9563.2020v26n3p1020-1039

Abstract:
Este artigo pretende dar a conhecer os resultados duma intervenção cognitivo-comportamental num caso clínico de um jovem com problemas de violência doméstica. Apresenta sintomas depressivos que o prejudicam a nível pessoal, acadêmico e social. Para além disso, manifesta medo e ansiedade acerca de diversas situações de âmbito social em que é exposto à possível avaliação por parte dos outros e receio de que possa vir a comportar-se de modo embaraçador. A avaliação psicológica permitiu diagnosticar uma perturbação depressiva e fobia social, tendo sido acionada a intervenção cognitivo-comportamental com base no modelo cognitivo para a depressão, de Beck, e no modelo cognitivo para a ansiedade social, de Clark e Wells. Os resultados da intervenção foram positivos, indicando a importância da terapia cognitivo-comportamental nesses tipos de perturbação.
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