Abril – NEPA / UFF

Journal Information
EISSN : 19842090
Former Publisher: Abril NEPA UFF (10.21881)
Total articles ≅ 101
Current Coverage
DOAJ
Archived in
SHERPA/ROMEO
Filter:

Latest articles in this journal

Renata Flavia Da Silva, Roberta Guimarães Franco Faria De Assis
Abril – NEPA / UFF, Volume 11, pp 9-11; doi:10.22409/abriluff.v11i22.29978

Equipe Editorial
Abril – NEPA / UFF, Volume 11, pp 1-4; doi:10.22409/abriluff.v11i22.29988

Maria Lúcia Wiltshire De Oliveira
Abril – NEPA / UFF, Volume 11, pp 39-50; doi:10.22409/abriluff.v11i22.29981

Abstract:O poeta pensa na palavra e nela morre. O poeta “morre de pensar” (Quignard) e morre de escrita. Pensar, morrer, escrever são atos em simultâneo ao efeito da escrita e a qualquer distância da morte. Por vezes uma forte experiência de desamparo pode iluminar a vertigem deste encontro que permite ao autor encenar-se como “morto”. É o que ocorre com Blanchot num texto curto e híbrido entre ficção e escrita de si – O instante da minha morte -, que motivou Derrida a escrever um longo ensaio. Morto desde que enunciado, o autor se dobra a serviço do que lhe advém: um novo eu e um novo real que o pensamento permite pela escrita. Ceder ao incognoscível é desaparecer e deixar que corpo e ideias façam o seu trabalho na encenação de uma “inconcreta” morte. Assim como o sonho, o pensamento se produz a partir de conceitos/palavras que inventam liames e sentidos entre as imagens dispersas, lugar onde somos/estamos desde sempre perdidos. Em torno do exposto, o artigo pretende refletir sobre a escrita em conexão com a morte, a partir do pensamento de Blanchot e alguns antecessores (Hegel, Valéry), com o objetivo de abordar, não só a especificidade do literário, mas ainda algum aspecto não-literário da linguagem, catalogado como testemunhal, de modo a encontrar a indecidibilidade. No lugar de limites, acena-se ao conceito de limiares para investigar alguns pactos do eu autoral, em Herberto Helder, Gonçalo M. Tavares e no próprio Blanchot.
Agnès Levécot
Abril – NEPA / UFF, Volume 11, pp 15-26; doi:10.22409/abriluff.v11i22.29979

Abstract:Lusitânia de Almeida Faria é um romance epistolar em que se cruzam cartas de diversos membros de uma mesma família da burguesia latifundiária da região do Alentejo. Afastados por razões ligadas à evolução político- -social de Portugal durante o ano de 1974, as personagens evocam o seu estado de espírito, os seus pensamentos mas sobretudo as suas dúvidas e angústias perante o transtorno político e as suas primeiras consequências. Mostramos neste artigo como a estrutura desta narrativa epistolar polifónica acentua o desconcerto pós-25 de Abril duma parte da população portuguesa, desconcerto relatado aliás em grande parte da produção romanesca do último quarto do século XX, mas que revela paralelamente o ceticismo do próprio autor para com a evolução do seu país.
Maria Silva Prado Lessa
Abril – NEPA / UFF, Volume 11, pp 99-110; doi:10.22409/abriluff.v11i22.29986

Abstract:Em sua obra escrita, Mário Cesariny recorre à metalinguagem característica das artes poéticas para nela inscrever uma reflexão acerca das figurações do poeta e da potência criadora da palavra poética. Dobrando-se sobre si mesmos, seus poemas se abrem a uma dinâmica na qual a voz poética simultaneamente tem e não tem origem naquele que se lança à escrita. Este artigo se ocupa da leitura de três poemas de Cesariny nos quais o autoendereçamento ou a autodescrição emergem como temas principais, articulando-os a textos de T. S. Eliot, Éric Benoit e Dominique Combe que se ocupam do problema origem da voz poética.
Sarah Diva Ipiranga, Bárbara Silva Teles De Menezes
Abril – NEPA / UFF, Volume 11, pp 87-98; doi:10.22409/abriluff.v11i22.29985

Abstract:Miguel Torga (1907 – 1995) publicou seis volumes de memórias e dezesseis diários. Entre tantas lembranças, destaca-se o período em que viveu no Brasil (1919 - 1923), na fazenda dos tios, no interior de Minas Gerais. O desterro em terras brasileiras deixou marcas duradouras em sua vida e é recuperado em três livros: A criação do mundo: os dois primeiros dias (1937), o Diário VII (1956) e A criação do mundo: o sexto dia (1981). Diante das singularidades e das confrontações presentes nas duas primeiras narrativas, partimos para a investigação inicial dos modos específicos de recuperação do passado em textualidades diferentes: as memórias e o diário. A partir dessa modulação, o reencontro de eu do passado com o eu do presente possibilita uma série de reflexões que apontam para as diferentes percepções e escritas do mesmo fato e para as relações homem-natureza. Percebe-se, na análise, a intenção clara de um eu testemunhal que procura, na racionalização da experiência, a única forma de poder recuperá-la e expressá-la. No entanto, especificamente da escrita diarística, o eu permite a inserção de uma certa emotividade, que encontra no espanto momentâneo da vivência a possibilidade de vir à tona. Para subsidiar o caminho investigativo desse artigo, foi necessário o apoio das contribuições teóricas acerca da escrita autobiográfica, sobretudo de Georges Gusdorf, Paul Ricouer, Clara Rocha e Eugénia Vilela; e da análise existencialista da natureza através da Geografia Humanista proposta por Yi-Fu Tuan, dentre outras pesquisas.
Daniel Marinho Laks
Abril – NEPA / UFF, Volume 11, pp 63-75; doi:10.22409/abriluff.v11i22.29983

Abstract:O livro Caderno de Memórias Coloniais, de Isabela Figueiredo, é composto por uma escrita de cunho memorialista e aborda a trajetória de construção da identidade da narradora-personagem ao longo de sua vida, primeiro durante a colonização portuguesa em Moçambique e depois durante o retorno para Portugal, posteriormente à Revolução de 25 de Abril de 1974. Essa produção de subjetividade se dá a partir da relação com a família, com o grupo, com a nação e com o diferente, mas também de acordo com os seus desejos e ânsias, com suas experiências frente ao espaço físico e humano e frente a contingências sócio-históricas vivenciadas durante o seu percurso. O objetivo desse ensaio é relacionar memória e construção discursiva da identidade a partir do romance Caderno de Memórias Coloniais, de Isabela Figueiredo. Com isso, o ensaio pretende destacar a componente narrativa dos diferentes graus de identificação familiar, grupal e nacional envolvidos na produção de uma subjetividade individual, explicitando a ruptura geracional com os ideais salazaristas que caracteriza a identidade portuguesa na contemporaneidade. Nesse sentido, além de tecer considerações sobre as dinâmicas de identificações e desidentificações que resultam na caracterização da produção da identidade individual como um processo dinâmico e sempre em transformação, o artigo pretende situar o romance dentro das tendências contemporâneas da literatura portuguesa e tecer considerações sobre as configurações atuais de uma identidade nacional, cujo acerto de contas com o passado colonial ainda se faz necessário.
Karen Cristina Texeira Pellegrini, Annita Costa Malufe
Abril – NEPA / UFF, Volume 11, pp 111-122; doi:10.22409/abriluff.v11i22.29987

Abstract:O artigo apresenta uma leitura do poema de Fernando Pessoa “Na floresta do alheamento”, incluído no Livro do desassossego, com vistas a mostrar como o poema encena o desfazimento do sujeito poético enquanto ins­tância única e fechada em si. A partir da exposição e discussão de algumas ideias do poeta acerca de seu processo de criação, em especial aquelas que são parte de seu projeto sensacionista, o objetivo é salientar a concepção de sujeito presente na poética de Fernando Pessoa enquanto uma visão contemporânea e atual acerca da subjetividade na poesia.
Renato Dos Santos Pinto
Abril – NEPA / UFF, Volume 11, pp 77-86; doi:10.22409/abriluff.v11i22.29984

Abstract:Registrar a lembrança de um fato, exatamente como ocorreu, não é uma tarefa trivial, talvez sequer possível. Mesmo quando se busca a imparcialidade, ao se narrar algo da memória é inevitável sua contaminação pelo repertório e os valores culturais pré-existentes no universo de quem narra. Mas isso não ocorre somente com as memórias individuais: a constatação de que a história oficial também é um discurso, portanto proferido por alguém de algum lugar, acaba por estabelecer uma relação entre seus estudos e aqueles que abordam a discursividade da memória. Quando se trata de ficção literária a questão ganha maior complexidade ainda. Neste artigo, a partir da narrativa João Vêncio: os seus amores, de Luandino Vieira, pretende-se abordar questões relacionadas à ficção, memória e história. O narrador conta em primeira pessoa suas memórias amorosas a um colega de prisão. As aventuras e desventuras de João Vêncio ganham uma coerência peculiar ao serem narradas do ponto de vista de um angolano mestiço, oprimido pelo colonizador. O encadeamento dos argumentos é oferecido com grande habilidade, desafiando a lógica imposta pela cultura dominante. Nas entrelinhas da história dos amores do narrador-personagem é possível entrever aspectos do projeto militante reivindicado por Luandino Vieira. Assim, nossa leitura buscará destacar elementos de resistência ao colonialismo e identificar como um determinado ponto de vista pode influenciar a discursividade da memória a partir de sua ficcionalização.
Terezinha Taborda Moreira
Abril – NEPA / UFF, Volume 11, pp 27-38; doi:10.22409/abriluff.v11i22.29980

Abstract:O estudo focaliza as estratégias adotadas pelo narrador para narrar o vivido na obra O livro dos guerrilheiros – 2º volume da Trilogia De rios velhos e guerrilheiros (2009), de Luandino Vieira. Parte da hipótese de que o ato de narrar o vivido, proposto pelo narrador, pode ser pensado como um tipo de “escrita de si”, na perspectiva de Judith Butler, por meio da qual ele se institui como um sujeito reflexivo, que conta sua história e a dos guerrilheiros imbuído de um valor ético que envolve um compromisso consigo mesmo, com o outro e com a história de Angola.