Geologia USP. Série Científica

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ISSN / EISSN : 1519-874X / 2316-9095
Former Publisher: Zeppelini Editorial e Comunicacao (10.5327)
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Guilherme Madrid Pereira, , , Felipe Caron
Geologia USP. Série Científica, Volume 21, pp 3-21; doi:10.11606/issn.2316-9095.v21-163958

Abstract:
O estudo dos processos sedimentares e da modificação da composição detrítica entre rocha, solo e sedimento é fundamental para compreender o fracionamento composicional nos primeiros estágios do ciclo sedimentar. Estudos em ambientes atuais são necessários para desvendar a inter-relação complexa entre os processos que geram todo o espectro composicional dos sedimentos detríticos. Neste trabalho, a influência dos processos sedimentares na composição dos sedimentos foi avaliada utilizando-se amostras de rochas fonte, solos e sedimentos detríticos em uma bacia hidrográfica na qual rochas graníticas estão expostas em clima subtropical úmido. As amostras foram separadas em oito intervalos granulométricos de seixo a lama. A composição geoquímica dessas amostras foi analisada por Inductively Coupled Emission Optical Spectroscopy — ICP-EOS. A relação entre a composição química e o tamanho de grão foi analisada por métodos estatísticos utilizando-se diagramas, gráficos de dispersão, análise dos componentes principais e avaliação da estrutura de covariância via análise biplot. Os resultados demonstram o controle do tamanho de grão na composição dos solos e sedimentos e têm implicação no entendimento da influência do intemperismo e do transporte no fracionamento geoquímico. A análise da relação entre a composição de rocha, solo e sedimento em ambientes atuais contribui para a construção e tem potencial para a construção de modelos quantitativos que permitam determinar o efeito dos processos sedimentares na composição das rochas siliciclásticas.
Jefferson Lima Fernandes André, Claudia Sayão Valladares, Beatriz Paschoal Duarte
Geologia USP. Série Científica, Volume 21, pp 57-70; doi:10.11606/issn.2316-9095.v21-164453

Abstract:
O presente estudo visou contribuir com o entendimento da gênese dos ortogranulitos arqueanos (ca. 2,65 Ga) que afloram na região de Mangaratiba, Rio de Janeiro, e que foram denominados em um estudo recente de Ortogranulitos Ribeirão das Lajes. Os granulitos são homogêneos, constituídos principalmente de quartzo, K-feldspato e plagioclásio (esverdeado), com biotita, clinopiroxênio e ortopiroxênio como os máficos mais comuns. Composicionalmente, os protólitos são granitos e granodioritos. A análise de litogeoquímica revelou que os granulitos são metaluminosos, representando séries de alto e médio-K, correlacionáveis a granitos de arco. O comportamento de elementos terras raras (ETR) ainda revela que provavelmente devem existir diferentes suítes cogenéticas nos ortogranulitos. Porém, em razão do quantitativo de análises, não foi possível definir com maior acurácia todas as possíveis suítes. Foram ainda realizadas análises de Sm/Nd e Rb/Sr no mesmo ortogranulito datado em trabalho recente como arqueano (MAN-JEF-01a), e foi obtida uma idade modelo TDM de aproximadamente 2,7 Ga. Seu εNd(t) positivo (+2,1) aponta para origem a partir do manto depletado, apesar da razão 87Sr/86Sr(t) calculada (0,70529) indicar alguma contribuição crustal (fonte enriquecida). Os dados obtidos neste estudo sugerem que os ortogranulitos de Mangaratiba foram formados em ambiente de arco magmático no Neoarqueano, a partir de uma fonte mantélica envolvendo assimilação crustal.
Larissa Furtado Torres,
Geologia USP. Série Científica, Volume 21, pp 45-55; doi:10.11606/issn.2316-9095.v21-166922

Abstract:
Located in the Campos Basin, Brazil, the Marlim field, consists of two turbidite systems deposited during eustatic sea-level variations in the Oligocene/Miocene. The reservoir was discovered in 1985, and its production started to decline in 2002. One of the techniques selected to assist in the recovery of oil from the reservoir was the 4D seismic. However, its interpretation can be complex. In order to help address this issue, the present study proposed an analysis of the depletion of a small field area from 1997 to 2010, combining geophysical (4D seismic) and geomechanical (pore pressure) data through the construction of pore pressure 3D models for both years, which can be subtracted and compared to seismic anomalies. The results obtained were: an average depletion of 0.42 ppg (50.33 kg/m3) of pore pressure gradient in the field; the identification of potential fluid-flow barriers, such as an NW-SE-oriented channel and sealing faults; and the detection of two areas with an expressive presence of 4D seismic anomalies, one of them showing a quite evident difference between pore pressure gradients, suggesting field depletion. The use of very old and noisy seismic data hindered the application of this methodology. Nevertheless, this research demonstrated the relevance of estimating pore pressure in the reservoir and how this geomechanical parameter can be useful in assessing the level of field depletion.
Marina Fernandes Sanches Barros, , , , Fernando Augusto Saraiva,
Geologia USP. Série Científica, Volume 21; doi:10.11606/issn.2316-9095.v21-173647

Abstract:
A cidade de Urânia enfrenta problemas de contaminação do Aquífero Adamantina desde a década de 1970, assim como muitas áreas urbanas paulistas. Uma das ferramentas fundamentais para o planejamento territorial é a cartografia da vulnerabilidade à contaminação de aquíferos. Uma das limitações de tal técnica é o difícil acesso ao aquífero, para o estabelecimento dos níveis aquíferos e das características litológicas da zona não saturada. Assim, este trabalho identificou as áreas de recarga do aquífero na região que são mais susceptíveis à degradação antrópica, a partir de uma técnica geofísica de sondagem elétrica vertical. Os resultados foram obtidos por meio das sondagens elétricas verticais e dos poços de monitoramento, e o índice de vulnerabilidade foi definido por meio do parâmetro de condutância longitudinal de Dar Zarrouk, aliado às características do aquífero, como o tipo de aquífero, o nível d’água e a litologia da zona não saturada. A partir do mapa de vulnerabilidade, foi possível indicar a área sudeste da região de estudo como a mais propensa à contaminação em razão do material geológico permeável e da pouca espessura da zona não saturada.
Malva Andrea Mancuso, Caroline Emiliano Santos
Geologia USP. Série Científica, Volume 21, pp 71-88; doi:10.11606/issn.2316-9095.v21-176588

Abstract:
Um dos maiores aquíferos do Rio Grande do Sul é o aquífero fraturado Serra Geral. Ele corresponde a uma importante fonte de abastecimento de água para 46% dos municípios. Este estudo objetiva avaliar a influência do sistema de fraturas do sistema aquífero Serra Geral na produtividade e na qualidade das águas subterrâneas. Testes estatísticos, integrando parâmetros estruturais, hidrodinâmicos e hidroquímicos, foram realizados utilizando o programa estatístico PAST. A área de estudo abrange o município de Frederico Westphalen. A maior parte (75%) das captações do município não ultrapassa 186 m de profundidade. As captações que interceptam mais de uma zona de fratura têm maior capacidade específica (até 19,8 m3/h/m) e são menos profundas do que as que interceptam uma única zona de fratura. As vazões são da ordem dos 8 m3/h. Os poços próximos aos maiores lineamentos interceptam frequentemente várias zonas de fraturas e apresentam: estradas de água, nível dinâmico e estático menos profundos, maior vazão e maior capacidade específica em relação aos poços próximos a lineamentos menores. Os níveis piezométricos indicam tendência regional de escoamento de oeste para leste e nordeste. Predominam águas bicarbonatadas sódicas, sendo mais carbonatadas e mais cloretadas as águas de poços que interceptam uma única zona de fratura. O pH, entre 7 e 9,9, aumenta com a proximidade dos lineamentos e com o aumento da profundidade da captação. Apesar de 78% das águas apresentarem qualidade nos padrões de potabilidade para consumo humano, há poços com concentrações de ferro total e de fluoreto acima do permissível. Há indícios de contribuição de águas salinizadas de aquíferos mais profundos (fluxo ascendente) em poços que exploram o sistema aquífero SG.
Geologia USP. Série Científica, Volume 21, pp 22-43; doi:10.11606/issn.2316-9095.v21-165722

Abstract:
No estado de Goiás, ocorrem litotipos similares àqueles atribuídos à Formação Corumbataí, no estado de São Paulo, embora a escassez de bibliografias específicas sobre a unidade na Região Centro-Oeste brasileira e a ausência de mapeamentos de detalhe nas adjacências da Serra do Caiapó (centro-sudeste do estado de Goiás) suscitem dúvidas quanto à correlação entre essas áreas de afloramento de unidades permianas e aquelas encontradas no domínio paulista da Bacia do Paraná. Sendo assim, este trabalho apresenta caraterísticas mineralógicas, petrográficas e geoquímicas da Formação Corumbataí no estado de Goiás, bem como suas implicações de proveniência, intemperismo e paleoclima, no intuito de fornecer dados complementares que permitam estabelecer correlações entre as diversas áreas aflorantes da unidade ao longo das bordas norte e leste da bacia. Os siltitos do município de Mineiros (GO) são quimicamente classificados, predominantemente, como “wackes” e arcósios, e, secundariamente, como litoarenitos e sublitoarenitos, com alta maturidade textural e maturidade química variável, gerados por sedimentos provenientes principalmente de rochas sedimentares quartzosas, com menores contribuições de rochas ígneas félsicas e máficas. Aparentemente, esses sedimentos sofreram pouco efeito de reciclagem sedimentar, advogando por uma maior proximidade das áreas-fonte, sendo que esta foi submetida a variados graus de intemperismo, o que sugere mistura de diversas fontes na geração dos sedimentos que deram origem à unidade, além de haver predomínio de classificação das fontes como derivadas de regiões tectonicamente ativas ou arcos de ilha continentais.
Alex Rodrigues de Freitas, , , Thaís Keuffer Mendonça
Geologia USP. Série Científica, Volume 21; doi:10.11606/issn.2316-9095.v21-163573

Abstract:
O método Caracterização Multiescalar de Reservatórios (Camures) vem se consolidando como uma importante ferramenta e que tem auxiliado na caracterização dos mais diferentes tipos de afloramentos e seções de rochas sedimentares. O objetivo deste trabalho compreende a aplicação desse método em um afloramento da Formação Lagoa do Jacaré, Grupo Bambuí, representado por uma pedreira desativada na região de Paraopeba, centro-norte de Minas Gerais. Para tanto, utilizaram-se diferentes ferramentas investigativas em macro, meso e microescalas de análise para caracterização dessa unidade nesse afloramento. A caracterização litofaciológica de detalhe na pedreira revelou cinco litofácies carbonáticas principais. Dados geofísicos de Ground Penetrating Radar (GPR) e raios gama foram levantados para auxiliar no reconhecimento das principais geometrias e litologias presentes na área, bem como na correlação lateral dos perfis levantados na pedreira. A análise petrográfica microscópica mostra a ocorrência de seis fácies. A análise das litofácies e estruturas sedimentares presentes apontam para deposição sob influência de ondas de tempestade em diversos ciclos tempestíticos em plataforma carbonática rasa. Essa sequência é definida na base por brechas intraclásticas, representando momentos de alta energia, passando a momentos de menor energia que favorecem a deposição carbonática fina com estratificações hummocky e plano-paralelas, marcas onduladas associadas, até raros momentos de calmaria com deposição de sedimentos carbonáticos finos na transição antepraia-plataforma (shoreface-offshore).
Guilherme Mene Ale Primo, , Vicente Antonio Vitorio Girardi
Geologia USP. Série Científica, Volume 20, pp 3-22; doi:10.11606/issn.2316-9095.v20-158626

Abstract:
O enxame de diques máficos de Peixoto de Azevedo e Nova Guarita, região Leste da Província Aurífera Alta Floresta (PAAF), compõe-se de basaltos toleíticos evoluídos. Tais rochas provêm de fonte enriquecida por fluidos originados durante a subducção de crosta oceânica recoberta por significativa quantidade de sedimentos de composição semelhante à média global de sedimentos subductados (global subducting sediment composition — GLOSS). O enxame de diques intrude granitos e gnaisses paleoproterozoicos dos arcos magmáticos Cuiú-Cuiú e Juruena, e possui idade de 1419 Ma. No Cráton Amazônico, suas características geoquímicas relacionadas à sua origem mantélica são muito semelhantes às dos diques máficos de Carajás e da Suíte Máfica Vespor, ambos paleoproterozoicos. São semelhantes em idade quando comparados aos diques de Nova Lacerda, assim como de outras regiões do Supercontinente Columbia, como os diques Bas Drâa Inlier, a W do Cráton da África, a soleira Midsommerso, a NE da Groenlândia, e os diques Michael Gabbro, na Província Grenville, no Canadá. Essas intrusões ocorreram entre 1,42 e 1,33 Ga, durante as fases finais de fragmentação do Supercontinente Columbia.
Adriane Gomes Pinheiro Praxedes,
Geologia USP. Série Científica, Volume 20, pp 137-148; doi:10.11606/issn.2316-9095.v20-165500

Abstract:
A margem continental brasileira foi formada pelo processo de abertura do Atlântico Sul, com a ruptura do Gondwana Oeste, e a separação entre a América do Sul e África, no Cretáceo Inferior. Por sua vez, a Elevação do Rio Grande (ERG) teria sido originada por pontos quentes ao longo da porção oceânica da placa sul-americana em movimento. Alternativamente, a ERG seria parte de crosta continental, que teria sido submersa após se desprender do continente, ou ainda seria a combinação de uma província vulcânica com um microcontinente. Nós propomos fazer uma correlação tectono-deposicional entre a ERG e a margem continental brasileira adjacente, dentro do contexto de evolução do Atlântico Sul. A partir da interpretação de seções sísmicas e dados de furos estratigráficos, foi possível identificar semelhanças entre as fácies sísmicas nos pacotes vulcanossedimentares na ERG e a margem continental brasileira mais distal, além de correlação em termos do desenvolvimento cronoestratigráfico das duas regiões. Essas semelhanças no pacote sedimentar incluem o evento vulcânico no Eoceno e a tectônica distensional no Paleógeno e no Neógeno para evidenciar evolução tectono-deposicional comum tanto na ERG quanto na margem continental adjacente.
, Diego Da Cunha Silvestre, Aerson Moreira Barreto Junior, Wellington Ferreira Da Silva-Filho
Geologia USP. Série Científica, Volume 20, pp 169-212; doi:10.11606/issn.2316-9095.v20-163467

Abstract:
A Bacia do Araripe constitui-se em bacia rifte originada pelo rompimento do Supercontinente Gondwana, conhecida como a bacia interior de registro sedimentar mais completo na Região Nordeste do Brasil. O manuscrito apresenta o estado da arte da estratigrafia da Bacia do Araripe enfocando sua evolução no tempo, nas sequências estratigráficas com base em superfícies de discordâncias, em novos resultados e faz ainda revisão crítica das classificações estratigráficas propostas com vistas à elaboração de classificação integrada. As primeiras propostas estratigráficas foram elaboradas de forma muito abrangente e simplificada. Com o tempo, foram realizados estudos mais minuciosos corroborando uma melhor e mais refinada compartimentação dos pacotes sedimentares presentes. A década de 1980 foi imprescindível para as produções científicas inerentes à geologia da bacia em função do interesse no potencial petrolífero das bacias brasileiras. Não obstante, ainda hoje a bacia é motivadora de inúmeras pesquisas determinantes para um melhor entendimento da geologia local e regional. A Bacia do Araripe tem cinco sequências maiores: Paleozoica, representada pela Formação Cariri; Início de Rifte, constituída pela Formação Brejo Santo e parte inferior da Formação Missão Velha; Rifte, formada pela parte superior da Formação Missão Velha e por toda a Formação Abaiara; e Pós-Rifte, separada em duas sequências — pós-rifte I, constituída pelas formações Barbalha, Crato, Ipubi e Romualdo, e pós-rifte II, caracterizada pelas formações Araripina e Exu. Novos resultados estão incorporados às formações Missão Velha e Abaiara, cuja distinção é demonstrada aqui; também com relação às formações Barbalha e Cariri, novos elementos foram reunidos. Este trabalho foca a viabilidade dos dados, as interpretações propostas conforme as normas estratigráficas e a proposição de uma classificação estratigráfica sequencial.
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