Geologia USP. Série Científica

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ISSN / EISSN : 1519-874X / 2316-9095
Former Publisher: Zeppelini Editorial e Comunicacao (10.5327)
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Igor Manoel Belo De Albuquerque E Souza, Sandra De Brito Barreto, Glenda Lira Santos, José Ferreira De Araújo Neto, Ignez De Pinho Guimarães
Geologia USP. Série Científica, Volume 20, pp 47-61; doi:10.11606/issn.2316-9095.v20-162199

Abstract:
O campo pegmatítico de Vieirópolis é caracterizado pela ocorrência de pegmatitos com amazonita e/ou berilo. Esse campo contém pegmatitos do tipo NYF (Nb-Y-F) inseridos no Domínio Rio Grande do Norte (DRGN), fora do contexto da Província Pegmatítica do Seridó (PPS). O principal pegmatito desse campo, o Amazonita Pegmatito Serra Branca, destaca-se pela mineralização de megacristais de amazonita e por sua exploração como rocha ornamental de elevado valor econômico. Para caracterizar a paragênese e a química mineral das fases acessórias do Amazonita Pegmatito Serra Branca, além de elucidar a classificação e a natureza petrogenética desse pegmatito, foram utilizados dados de campo, petrográficos, difração de raios X e química mineral. O Amazonita Pegmatito Serra Branca ocorre como dique tabular com aproximadamente 3 m de espessura, de direção NW-SE e caimento 45° WSW, caracterizado por apresentar uma zona composta por megacristais de amazonita e quartzo, e outra, por albita e quartzo sacaroidais. Apresenta vasta mineralogia acessória que compreende anglesita, biotita, bismutita, cerussita, columbita-(Mn), espessartina, helvina, fenaquita, fluorita, hematita, ilita, ilmenita, magnetita, montmorilonita, muscovita, piromorfita, pirocloro, rutilo e zircão. Destacando-se, também, atípicas mineralizações de sulfetos e a presença de beríliossilicatos reportados pioneiramente no contexto geológico da Província Borborema (PB). A paragênese mineral e a química dos minerais acessórios do Amazonita Pegmatito Serra Branca o classificam como pertence à família NYF da classe dos elementos raros, tipo da gadolinita, possivelmente associado a um magmatismo do tipo I.
Vivian Athaydes Canello, Josiele Patias, Lázaro Valentim Zuquette
Geologia USP. Série Científica, Volume 20, pp 31-46; doi:10.11606/issn.2316-9095.v20-159737

Abstract:
Este trabalho apresenta os resultados da aplicação de método computacional para interpolação tridimensional de dados de Rock Quality Designation (RQD) obtidos a partir de um conjunto de 143 sondagens rotativas, que foram realizadas na fase de investigação geológico-geotécnica para a construção da Barragem de Itaipu, localizada no rio Paraná, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai, inserida no contexto geológico dos derrames basálticos da Formação Serra Geral. As interpolações foram desenvolvidas no programa Geographic Resources Analysis Support System (GRASS) utilizando o método numérico spline regularizado com tensão (RST). A interpolação foi desenvolvida para um volume de 28.107 m3 a partir de 4.736 dados de entrada obtidos de 143 sondagens rotativas e considerando voxel 3D com resolução horizontal de 25 m e vertical de 3 m, que gerou cerca de 149.330 voxels, resultando em uma média de dados de entrada de 0,032/voxel. Os dados de entrada de RQD apresentaram média aproximada de 80, mediana 87, desvio padrão 23, coeficiente de variação de cerca de 30% e variância de 529; enquanto os dados interpolados resultaram em média 74, coeficiente de variação de 27%, variância de 400 e desvio padrão 20. O resultado da interpolação mostrou que o método utilizado é eficiente e os programas GRASS e PARAVIEW adequados e de fácil domínio para estudos de interpolação. Por outro lado, reforçou que apesar da quantidade de dados iniciais, a distribuição espacial dos dados de entrada interfere na interpolação, o que reforça a importância de um plano de investigação geológico-geotécnico adequado para obter um zoneamento com baixa incerteza.
Sérgio Augusto Santos Xavier, Maria Somália Sales Viana
Geologia USP. Série Científica, Volume 20, pp 23-30; doi:10.11606/issn.2316-9095.v20-154601

Abstract:
O município de Camocim, localizado na costa cearense, caracteriza-se por planícies e tabuleiros pré-litorâneos com a presença de largas faixas de dunas móveis, além de trechos com eolianitos que podem conter restos vegetais preservados em seu conteúdo. Nesta pesquisa, objetivou-se caracterizar os processos tafonômicos que preservaram esses macrorrestos vegetais. O trabalho de campo consistiu em observação direta de um afloramento de sedimentos eólicos diagenizados e dos vegetais mineralizados neles contidos, verificando a disposição e os tipos dos restos orgânicos. Os sedimentitos foram observados e descritos no campo e posteriormente no laboratório, sob microscópio estereoscópico, para análise de sua granulometria, tipo de cimento e litificação. Os macrorrestos vegetais mineralizados constituem uma assembleia autóctone/parautóctone de tubos horizontais e/ou verticais in situ, dentro ou ao redor do afloramento, circunvalados por exemplares menores apresentando feições de deformação e fragmentação, preservados por meio de calcificação e incrustação. A presença desses restos vegetais antigos, preservados em posição de vida, contribui para a compreensão da dinâmica sedimentar que atuou na região, permitindo o cruzamento de dados com os processos atuais.
Taís Proença Cidade, Ciro Alexandre Ávila, Reiner Neumann, Fabiano Richard Leite Faulstich, Victor Hugo Riboura Menezes Da Silva, Sarah Siqueira Da Cruz Guimarães Sousa
Geologia USP. Série Científica, Volume 20, pp 3-22; doi:10.11606/issn.2316-9095.v20-164466

Abstract:
O estudo de minerais pesados representa uma importante ferramenta para a correlação entre pegmatitos, pois corpos espacialmente próximos e com mineralogia semelhante são normalmente interpretados como cogenéticos e provenientes de uma mesma fonte. Os minerais pesados dos pegmatitos intrusivos no ortognaisse Resende Costa foram descritos por estereomicroscopia, espectroscopia Raman, difratometria de raios X e a partir de imagens de elétrons retroespalhados em microscópio eletrônico de varredura. Esses se encontram mineralizados em minerais de Sn (cassiterita) e Nb-Ta (grupo da columbita-euxenita), semelhantemente aos pegmatitos intrusivos no metagranitoide Ritápolis, enquanto os corpos intrusivos no ortognaisse Cassiterita só exibem minerais do grupo da microlita e não apresentam cassiterita. Um intercrescimento entre fases de Nb-Ta-Ti se mostra determinante para caracterizar os pegmatitos intrusivos no ortognaisse Resende Costa e diferenciá-los dos corpos relacionados tanto ao metagranitoide quanto ao ortognaisse. Sugere-se a presença de pelo menos três gerações de corpos pegmatíticos na Província Pegmatítica de São João del Rei, sendo eles correlatos aos protólitos do ortognaisse Cassiterita, do ortognaisse Resende Costa e do metagranitoide Ritápolis.
Danielle Cristine Da Silva, Carlos Humberto Da Silva, Ana Cláudia Dantas Da Costa
Geologia USP. Série Científica, Volume 20, pp 39-60; doi:10.11606/issn.2316-9095.v20-150808

Abstract:
Zonas de cisalhamento dúcteis de cinemática normal em orógenos continentais previamente espessados por eventos orogênicos compressivos têm suscitado grande interesse na comunidade científica. Na porção sudoeste do Cráton Amazônico, na região de Indiavaí, porção centro-oeste do Brasil, ocorrem as zonas de cisalhamento Água Rica e Cristo Rei, que afetam as rochas do Granito Indiavaí. Análise das estruturas em escala mesoscópica revela progressiva transformação de um protólito granítico com foliação fraca, passando a rochas com textura protomilonítica, milonítica até ultramilonítica. Análise microestrutural demonstra gradual diminuição do tamanho dos grãos ocasionando o aumento da matriz. As rochas com foliação incipiente não apresentam matriz. Observam-se quartzo recristalizado, extinção ondulante nos feldspatos, intensos processos de sericitização no plagioclásio e ortoclásio com pertitas em chamas. Nos protomilonitos, a matriz perfaz de 20 a 30% da rocha e é composta de quartzo e biotita. São observados porfiroclastos de feldspato potássico, com fraturas, falhas e extinção ondulante. Nos milonitos, a matriz perfaz de 60 a 75% da rocha e é composta de quartzo, biotita e muscovita. Ocorrem porfiroclastos de quartzo comumente na forma de fitas, que apresentam recristalização por migração de limite de grão. Feldspato potássico e plagioclásio exibem extinção ondulante e recristalização por protuberância. Nos ultramilonitos predomina a matriz, que é basicamente composta de quartzo, muscovita e biotita de granulação média. Estima-se que os processos que atuaram no desenvolvimento da foliação milonítica ocorreram em temperaturas entre 400 e 600°C. Análise dos indicadores cinemáticos revela que o movimento tectônico foi normal. Interpreta-se que as zonas de cisalhamento Cristo Rei e Água Limpa são parte de um sistema de cisalhamento extensional desenvolvido em crosta intermediária durante período Toniano.
Daniel Machado
Geologia USP. Série Científica, Volume 20, pp 1-2; doi:10.11606/issn.2316-9095.v20-171155

José De Arimatéia Costa De Almeida, Vinícius Eduardo Silva De Oliveira, Jorge Luis Sousa Rocha, Gilmara Regina Lima Feio, Marcílio Cardoso Rocha, Karla Petrúcia Pedroso Da Rocha
Geologia USP. Série Científica, Volume 20, pp 61-85; doi:10.11606/issn.2316-9095.v20-144182

Abstract:
As informações geológicas da porção sul do Domínio Rio Maria, Província Carajás (sudeste do Cratón Amazônico), são escassas. Dados aerogeofísicos e de campo permitiram definir a assinatura aerogeofísica das unidades geológicas, identificar enxames de diques (NE-SW, NW-SE e N-S) e reconhecer distintos padrões estruturais (NE-SW, NW-SE e N-S e E-W) na porção sul do Domínio Rio Maria. Três grupos de granitoides foram distinguidos nessa região: 1) associação tonalítica-trondhjemítica; 2) leucomonzogranitos e; 3) leucogranodioritos. Observa-se aumento do conteúdo de SiO2, K2O e Rb e das razões alcáli-feldspato/plagioclásio, K2O/Na2O, FeOt/(FeOt + MgO), e decréscimo das proporções de TiO2, Al2O3, Fe2O3t,CaO, MgO, Sr e Zr no sentido grupo 1 → grupo 2. Os grupos 1 e 3 registram similaridades geoquímicas. No entanto, o grupo 1 exibe teores mais elevados de CaO e mais baixos de K2O e Rb em relação ao grupo 3. Essas rochas apresentam moderada a alta razão La/Yb e ausência de anomalia de európio. Já o grupo 2 mostra enriquecimento dos (ETRL) e moderado fracionamento dos (ETRP), com moderada a pronunciada anomalia negativa de Eu. O grupo 1 representa as rochas mais antigas do Tonalito Arco Verde (2,96 ± 0,02 Ga), enquanto as rochas dos grupos 2 e 3 mostram fortes analogias com os leucogranitos potássicos e com os leucomonzogranitos-granodioritos ricos em Ba e Sr do Domínio Rio Maria, respectivamente. A integração dos dados multifontes permite assumir que a granitogênese arqueana do Domínio Rio se estende por pelo menos 80 km a sul da cidade de Redenção, e as séries granitoides aflorantes nessa porção são análogas àquelas presentes na região de Pau D’Arco, Rio Maria, Bannach e Xinguara.
Kimberlym Tábata Pesch Vieira, Luiz Alberto Fernandes
Geologia USP. Série Científica, Volume 20, pp 87-104; doi:10.11606/issn.2316-9095.v20-165568

Abstract:
O geossítio Bacia Sedimentar de Curitiba é um afloramento da Formação Guabirotuba, unidade que preencheu a Bacia de Curitiba, em área urbanizada. O sítio, localizado na região industrial da capital do Paraná, ganhou notoriedade por ser berço das ocorrências fossilíferas da Fauna Guabirotuba, uma das poucas representantes do Paleógeno no país, que permitiu estabelecer a idade relativa para o preenchimento da bacia. A análise faciológica do afloramento teve o objetivo de refinar o conhecimento acerca dos depósitos sedimentares da unidade, almejando contribuir para futuros estudos tafonômicos e paleoambientais. Para tanto, utilizaram-se métodos de análise faciológica em três segmentos representativos do afloramento, nos quais foram reconhecidas fácies sedimentares, elementos arquitetônicos, modificações eodiagenéticas (calcretes) e o contato com o embasamento. A caracterização composicional dos sedimentos foi complementada com análises petrográficas. O contexto deposicional da Formação Guabirotuba foi interpretado como de depósitos de canais e planícies de inundação de rios entrelaçados em sistema fluvial distributário. As associações de areias e cascalhos em barras que preencheram feições acanaladas foram consideradas como correspondentes a porções proximais, em que predominam depósitos de canais amalgamados, com avulsões frequentes. Esses depósitos ocorrem intercalados com associações de lamas, lençóis e lentes arenosas, caracterizadas como depósitos de espraiamentos laterais em porções distais do sistema. Nos cortes que compõem o afloramento foram feitas importantes descobertas fossilíferas nos últimos anos. Esse foi um dos motivos que tornaram a área unidade de conservação protegida por decreto municipal. Considerando-se tais novidades, e o fato de a seção original da Formação Guabirotuba ter sido ocultada pela urbanização, propõe-se designar o afloramento como área-tipo e o conjunto de seções como nova seção-tipo da unidade.
Alanna Cristina Vieira Rodrigues Da Silva, Valmir Da Silva Souza, Massimo Matteini, Nilson F. Botelho
Geologia USP. Série Científica, Volume 20, pp 17-37; doi:10.11606/issn.2316-9095.v20-145243

Abstract:
O Granito Itapuranga localiza-se na porção central da Faixa Brasília, exibe formato alongado na direção E-W e está associado ao Lineamento dos Pirineus. Apresenta textura porfirítica em diferentes estágios deformacionais (protomilonito a ultramilonito), com mineralogia constituída de fenocristais de feldspato potássico em matriz quartzo-feldspática, associado a biotita e anfibólio, além de titanita, epídoto e zircão como minerais acessórios. Os dados geoquímicos revelam composição subalcalina de alto-K (shoshonítica) e metaluninosa, variando de quartzo sienito a sienogranito e monzogranito. As idades TDM Sm-Nd variam de 1,27 a 1,91 Ga com valores εNd(0) = -11 a -15, sugerindo fonte crustal mais antiga (Paleo a Mesoproterozoico). Esse magmatismo possui assinatura geoquímica do tipo-I e envolve processo de fracionamento, provavelmente de ambiente tardi-orogênico a pós-colisional. Os dados obtidos indicam que o Granito Itapuranga foi originado a partir da fusão parcial de uma crosta paleoproterozoica, interagindo com manto litosférico heterogêneo metassomatizado durante processo de subducção. Para essas interpretações, associa-se uma importante contribuição de fontes astenosféricas ligadas à colisão do Arco Magmático de Goiás a partir da fusão do manto por descompressão adiabática.
Tiago Rocha Faria Duque, Fernando Flecha De Alkmim, Cristiano Lana
Geologia USP. Série Científica, Volume 20, pp 101-123; doi:10.11606/issn.2316-9095.v20-151397

Abstract:
O Grupo Itacolomi em sua localidade tipo, a serra homônima, situada na porção sudeste do Quadrilátero Ferrífero, Minas Gerais, caracteriza-se por uma sucessão de meta-arenitos, metaconglomerados e filitos. Nessa e demais ocorrências, o grupo é interpretado como uma associação de depósitos fluviais e de leques aluviais, acumulados em bacias intermontanas pós-orogênicas. As suas ocorrências na localidade tipo dão-se na forma de um bloco basal autóctone que jaz em discordância sobre rochas do Supergrupo Minas, e outro superior alóctone, lançado sobre o primeiro por uma falha de empurrão. O bloco autóctone corresponde à porção íntegra e internamente menos deformada do grupo e é constituído de um pacote de aproximadamente 400 m de meta-arenitos e metaconglomerados. No bloco alóctone, exposto no Pico do Itacolomi, meta-arenitos finos a médios com espessura de aproximadamente 145 m encontram-se, em geral, mais intensamente deformados. Os espectros de idades dos grãos de detríticos de zircão obtidos nos blocos autóctone e alóctone são ligeiramente diferentes. Os do primeiro são claramente unimodais, com picos em 2167, 2197 e 2203 Ma. Os do segundo são bimodais, com picos principais em 2156 e 2201 Ma. Eles indicam que as fontes principais do grupo devem ter sido, principalmente, os granitoides paleoproterozoicos do Cinturão Mineiro e do Complexo Mantiqueira, expostos respectivamente a sudoeste e leste da Serra do Itacolomi. A idade máxima de sedimentação do grupo pode ser estimada em 2129±11 Ma. Esses resultados, juntamente com outros disponíveis na literatura, indicam que o Grupo Itacolomi foi depositado em bacia de antepaís do orógeno paleoproterozoico que abarca o Quadrilátero Ferrífero e áreas adjacentes.
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