Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)Biográfica

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EISSN : 2525-426X
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Luis Manuel Pinto, Linda O'toole
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)Biográfica, Volume 5, pp 987-1001; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p987-1001

Abstract:
Este artigo descreve uma autoexploração do principal autor através de artefactos da sua própria infância, na tentativa de “dar voz” às características estruturantes na criança que foi, e se mantiveram no adulto que hoje é. Esse relato pessoal e íntimo surge da colaboração dos autores no desenvolvimento da “Arqueologia Pessoal”, um exer-cício para pais e profissionais da infância baseado no trabalho da Fundação Learning for Well-being, que vê os indivíduos como siste-mas inteiros. No centro dessa abordagem, destacam-se os princípios dos sistemas vivos e o reconhecimento da “diversidade interior” – formas fundamentais de capturar e integrar experiências que orga-nizamos individualmente para criar uma representação do mundo externo que nos é idiossincrática. O artigo inclui diretrizes para que o leitor possa explorar sua própria Arqueologia Pessoal através de artefactos – fotografias, objetos, desenhos, textos – e histórias que indiquem narrativas pessoais, atitudes e padrões de funcionamento que perduram ao longo do tempo. Concluímos com uma reflexão so-bre o valor de exercícios de autoexploração biográfica e a importân-cia da questão da diversidade interior no bem-estar e participação de crianças e adultos.
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)Biográfica, Volume 5, pp 1089-1104; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p1089-1104

Abstract:
O presente artigo refere-se a um estudo de caso e tem como objetivo principal analisar a construção de sentidos por uma criança vítima de abuso sexual. O estudo traz contribuições da perspectiva histórico-cultural, em articulação com a teoria das representações sociais e estudos sobre narrativa. Objetiva-se investigar o potencial da narrativa enquanto atividade-guia capaz de suscitar processos terapêuticos, mediação no contexto da hospitalização de crianças e atuar na iminência de processos de significação. O procedimento metodológico adotado foi inspirado nos estudos microgenéticos e compreendeu a realização de encontros psicoterapêuticos individuais e em grupo. Os mesmos priorizaram a mediação em contexto lúdico e encorajador da produção de narrativas pela criança. As notas de campo foram analisadas compreensivamente a partir da definição de episódios de acordo com o conteúdo semântico, recorrência e a carga afetiva empreendida nos processos comunicacionais. Os dados revelaram que narrativas preexistentes no ambiente hospitalar e amplamente socializadas no âmbito do acolhimento a crianças hospitalizadas são internalizadas e recriadas pela criança, estas ainda podem atuar na iminência da elaboração das suas vivências mais íntimas e suscitar processos de metaforização espontânea.
Daiane Tavares
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)Biográfica, Volume 5, pp 1318-1336; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p1318-1336

Abstract:
Utilizando como objeto/fonte de pesquisa a revista A Estrêla: Órgão da Penitenciária Central do Distrito Federal, o objetivo deste trabalho é pensar nos assuntos abordados pelos seus escritores privados de liberdade e o que nos revelam. Que discursos esses sujeitos evocam e como a escrita se configura como uma forma de expressar sentimentos? Como o cotidiano na prisão é abordado e suscitam práticas e discussões acerca do sistema penitenciário brasileiro na década de 1950? O que revela A Estrêla sobre o nível de escolaridade dos internos? Diante do exposto, busco interpretar como os apenados escritores “abrem suas almas”, evidenciam suas subjetividades e como revelam que as contradições existentes no sistema prisional não eram pauta do periódico aqui estudado. Fundamento esta análise em autores como Ana Mignot (2002) e Veronica Sierra Blas (2016) que abrem perspectivas para se pensar nos sentidos das escritas de si no cárcere e Augusto Thompson (2002), que possibilita uma análise acerca da complexidade do sistema penitenciário. Nesse sentido, a relevância do presente artigo se configura por trazer à tona sujeitos quase invisibilizados pelas pesquisas acadêmicas e por revelar algumas dificuldades e poucos avanços do sistema prisional brasileiro ao longo da nossa história recente.
Hamilcar Silveira Dantas Junior, Fabio Zoboli, Renato Izidoro Da Silva
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)Biográfica, Volume 5, pp 1337-1353; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p1337-1353

Abstract:
Este artigo objetiva interpelar a memória para discorrer sobre a dicotomia humano/máquina – ciborgue – no clássico Blade Runner (1982). Na diegese fílmica, a dúvida sobre a condição do protagonista Rick Deckard, humano ou replicante, é colocada como base a uma discussão acerca da memória como atributo de distinção entre o natural e o artificial, o humano e o replicante. Conclui-se que a figura do ciborgue na narrativa fílmica sugere a superação de dualismos usados para explicar de modo esquemático nossa existência.
Liliamar Hoça
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)Biográfica, Volume 5, pp 1435-1453; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p1435-1453

Abstract:
Este trabalho teve como objetivo compreender o desenvolvimento profissional de professoras alfabetizadoras. A pesquisa utilizou a metodologia de história de vida e formação, com base em Josso (2010), utilizando narrativas de histórias de vida e formação, realizadas com quatro professoras alfabetizadoras de escolas municipais, em tempos diferentes da profissão. Os dados foram organizados e categorizados a partir da análise de conteúdo descrita por Bardin (2011), revelando os seguintes elementos constitutivos do desenvolvimento profissional de professoras alfabetizadoras: os laços de parentesco como primeiras forças a impulsionar a escolha pela profissão; as forças de trabalho do magistério que se constituiu como atividade feminina; laços geracionais, estabelecidos com alunos ao longo da trajetória profissional; laços profissionais que possibilitam transformações no fazer do professor; processos formativos que se constituem como laços contextuais da profissão constituídos nas e pelas relações estabelecidas com o grupo de trabalho, produzindo os conhecimentos da professora alfabetizadora e marcando momentos de transformação no desenvolvimento profissional. Os elementos analisados encaminham para a compreensão do desenvolvimento profissional de professoras alfabetizadoras como um processo interlaçado pela prática, formação para o exercício do magistério e pelas aprendizagens representativas do momento histórico e social da educação, que originam “laços” que passam a constituir o processo.
Luciane De Conti, Morgana Nunes, Carolina Gutierrez
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)Biográfica, Volume 5, pp 1074-1088; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p1074-1088

Abstract:
O presente artigo pretende compartilhar alguns caminhos teóricos delineados na composição de nossos percursos de pesquisa que têm a narrativa como um dispositivo de intervenção que visa configurar espaços de narrativização que possibilitem fazer sentido aos efeitos decorrentes de situações potencialmente traumatizantes, como o adoecimento. Esse trabalho consiste na articulação entre o adoecimento da criança pelo câncer e o estudo das narrativas tendo como principais interlocutores a psicanálise e a perspectiva narrativista. A proposta é demonstrar o vasto campo de possibilidades, a partir das narrativas de si, de a criança compreender o que acontece com o seu corpo e, assim, poder construir sua própria versão sobre a experiência do adoecimento. Os resultados nos mostram que, de maneira lúdica, a criança pode vivenciar, elaborar e construir narrativamente sentidos acerca desse novo corpo que se apresenta para ela: o corpo atravessado pela doença.
Mateus Souza, Lúcia Silva
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)Biográfica, Volume 5; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p1282-1299

Rafael Arenhaldt, Alexsandro Dos Santos Machado, Irene Reis Dos Santos, Erika Cristina Lima Da Silva Santiago
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)Biográfica, Volume 5, pp 1229-1246; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p1229-1246

Abstract:
Este artigo tem como cenário o movimento plural e (in)tenso de manifestação e ocupação estudantil em uma universidade federal, em 2016. Nele, intentamos reconhecer e analisar as pedagogias emergentes advindas de escritas autobiográficas de universitários de um movimento de ocupação. Para tanto, operamos com os pressupostos teórico-metodológicos que surgem das noções de duração e memória (Bergson), hermenêutica da experiência, autobiografização e heterobiografização (Delory-Momberger; Passeggi), num movimento situado da pesquisa (auto)biográfica como dispositivo formativo em educação. Destacamos a potencialidade de uma escuta sensível, aberta, a(fe)tiva, ética e aprendente, a partir de uma ambiência de luta, defesa e protagonismo. Por fim, refletimos sobre as pedagogias emergentes das experiências acontecidas, tecidas e entretecidas nas escritas dos estudantes, expressas nas pedagogias da indignação, da outreidade e da cidadania. Outrossim, merece destaque a potência que reinventa o educativo e o formativo, institui novos modos de fazer universidade e de compreender estudante e pessoa, bem como ressignificar o sentido de coletivo, anunciar as experiências de luta pela educação e a compreensão de um movimento de ocupação.
Anne Dizerbo, Béatrice Mabilon-Bonfils
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)Biográfica, Volume 5, pp 1025-1038; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p1025-1038

Abstract:
Esta contribuição interroga as condições de bem-estar e de desenvolvimento oferecidas aos alunos pela escola, que se situam para além das dimensões físicas e materiais, vinculadas a essas noções, em suas perspectivas filosóficas de emancipação. Apresenta um dispositivo de pesquisa-intervenção destinado a iniciar um diálogo entre duas turmas de estudantes do ensino médio e pesquisadores, através de um site científico participativo, em torno da questão: “Será a escola um lugar de seleção social?”. Utilizando marcas digitais das trocas entre os diferentes interlocutores, escritos argumen-tativos dos alunos e entrevistas biográficas, trata-se de compreender os efeitos a curto e a longo prazo dos diálogos sobre o bem-estar dos alunos e sobre a elaboração de um ponto de vista singular favorável ao desenvolvimento de um poder agir sobre o percurso de orientação numa perspectiva de realização.
Luanna Priscila Da Silva Gomes, Cláudia Roberto Soares De Macêdo Nazário, Patrícia Lúcia Galvão Da Costa
Revista Brasileira de Pesquisa (Auto)Biográfica, Volume 5, pp 1170-1190; doi:10.31892/rbpab2525-426x.2020.v5.n15.p1170-1190

Abstract:
A escrita de um memorial escolar constitui-se como prática pedagógica realizada com alunos do 5º ano do Núcleo de Educação da Infância (NEI) – Colégio de Aplicação (CAp) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A partir dessa produção, nos questionamos sobre o que as crianças pensam acerca da escola e de suas práticas. Assim, o presente artigo se configura como uma pesquisa qualitativa na vertente (auto)biográfica e objetiva, de modo geral, analisar a prática do memorial escolar como uma possibilidade de escrita em uma perspectiva reflexiva e, especificamente, investigar reflexões e concepções das crianças sobre a escola e algumas práticas escolares. A investigação foi realizada a partir da leitura de dois livros de memórias escolares escritos por crianças do 5º ano matutino, nos anos de 2018 e de 2019 do NEI-CAp/UFRN. A análise apontou a prática do memorial escolar como uma possibilidade de escrita reflexiva, significativa para crianças e professores. Possibilita ao professor pesquisar sobre sua prática e às crianças, uma formação consciente das experiências vividas. Enquanto protagonistas de sua vida escolar, por meio da escrita do memorial, as crianças definiram, de um modo simples e peculiar, a escola e suas práticas como lugar positivo, de exercício de direitos. Palavras-chave: Memorial escolar. Narrativas. Crianças. Anos iniciais do ensino fundamental. Pesquisa (auto)biográfica.
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