Aletria: Revista de Estudos de Literatura

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ISSN / EISSN : 1679-3749 / 2317-2096
Former Publisher: Faculdade de Letras da UFMG (10.17851)
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Ana Maria Portugal Saliba
Aletria: Revista de Estudos de Literatura, Volume 30, pp 201-224; doi:10.35699/2317-2096.2020.23943

Abstract:
O artigo expõe peculiaridades da tradução dos textos de Sigmund Freud para estudo e compreensão da teoria psicanalítica pelos psicanalistas, especialmente aqueles em formação. Primeiramente, examina-se o uso do termo “tradução” pelo próprio Freud no âmbito da clínica psicanalítica, na decifração da escrita bilíngue dos sintomas histéricos. Num segundo momento, o artigo dedica-se a ampliar os sentidos do termo tradução, para chegar às especificidades que o texto de Sigmund Freud exige dessa tarefa, levando em conta certas condições da escrita e do estilo de Freud, além da explanação de seu objeto principal: o inconsciente e suas formações substitutas, tais como sonhos, sintomas, lapsos e fantasias.
Aletria: Revista de Estudos de Literatura, Volume 30, pp 155-176; doi:10.35699/2317-2096.2020.23904

Abstract:
A tradução, através da qual construímos relações com o outro, implica em escolhas pautadas em uma ética. Falar de ética em tradução é sempre desafiador, pois transportar um texto de uma língua para outra leva inevitavelmente a pensar nos limites das próprias possibilidades e no reconhecimento da natureza do fazer tradutório – hermenêutico? dialético? político? epistemológico? Conforme Berman (2002, p. 17), a ética “consiste em definir o que é a ‘fidelidade’”, ou seja, reside no processo de refletir sobre as escolhas a serem tomadas; na construção das hipóteses de mundos possíveis (ECO, 2003, p. 45). A partir dessas premissas apresenta-se o objetivo deste estudo: pensar a ética no processo de tradução do texto De contagione et contagiosis morbis et curatione [Sobre o contágio, as doenças contagiosas e o seu tratamento] publicado em 1546 e escrito pelo médico, filósofo e poeta Girolamo Fracastoro (Verona, 1476 ou 1478 – Incaffi, 1553), ao português do Brasil.
Heloisa Helena Siqueira Correia, Hélio Rodrigues Da Rocha
Aletria: Revista de Estudos de Literatura, Volume 30, pp 65-86; doi:10.35699/2317-2096.2020.20572

Abstract:
Procura-se refletir sobre aspectos variados das operações de tradução desde o contato, em terras americanas, entre os indígenas e os colonizadores, membros das ordens religiosas e viajantes, até as dificuldades tradutórias que assolam, hoje, as relações éticas entre povos, autóctones e não autóctones. Questões teóricas são pontuadas na medida em que colaboram na discussão das práticas tradutórias e suas implicações políticas e éticas, questão principal do texto. O texto reconhece que o problema da conduta ética do tradutor se coloca sobretudo nas intrínsecas relações entre tradução e etnografia. Ao passo que etnógrafos e tradutores não indígenas não podem prescindir da sua formação cultural, em suas operações de tradução, os indígenas também se tornam tradutores de línguas e culturas, demonstrando que a luta das traduções-interpretações apenas recomeçou. Autores convidados ao diálogo: Mittmann (2003), Ette (2018), Gallois (2001) e Risério (1993), entre outros.
Aletria: Revista de Estudos de Literatura, Volume 30, pp 43-64; doi:10.35699/2317-2096.2020.20301

Abstract:
Neste ensaio, propomos discutir as questões éticas implicadas na relação tradutória, mais particularmente na chamada “versão”, ou seja, no traduzir-se para/no outro. Assim, propomos, primeiramente, revisitar uma certa tradição discursiva sobre as questões éticas do traduzir a partir da “virada ética” da Prova do estrangeiro (1984), de Antoine Berman, e seus desdobramentos em autores como Anthony Pym (1997), Lawrence Venuti (1993), Mona Baker (2019), Gayatri Spivak (1993, 2005) e Henri Meschonnic (2007). Em seguida, fazemos uma distinção entre as noções de estrangeiro e e/i-migrante para pensar uma prova do e/i-migrante no movimento do traduzir-se. Para distinguir o traduzir do traduzir-se, convocamos as questões da direcionalidade e da afetividade no/do sujeito-tradutor. Enfim, pensar uma relação ética do traduzir-se no/com/para o outro, do sair de si, afetar-se com/pelo outro, voltar a si e afetar o outro, comparece, no nosso ensaio, no ethos do e/i-migrante como paradigma desse movimento.
Paulo Rodrigues Ferreira
Aletria: Revista de Estudos de Literatura, Volume 30, pp 331-334; doi:10.35699/2317-2096.2020.26465

Aletria: Revista de Estudos de Literatura, Volume 30, pp 249-268; doi:10.35699/2317-2096.2020.21990

Abstract:
Em 1917, Paul Valéry publica, depois de décadas de silêncio, um longo poema escrito durante toda a Primeira Guerra Mundial. La Jeune Parque, que retoma a forma clássica do alexandrino de Racine, projeta Paul Valéry à esfera de poeta oficial da França, por sintetizar, em certo sentido, a atmosfera ambígua e movente de seu tempo. Traduzido em 1987 por Augusto de Campos de acordo com as regras consolidadas no Brasil de valorizar rima e métrica, ele é aqui reescrito em prosa poética para que as modulações que implicam em seu jogo de imagens se tornem ainda mais evidentes. Leio o poema na chave do luto, pois agora decerto chorar é preciso.
Aletria: Revista de Estudos de Literatura, Volume 30, pp 111-130; doi:10.35699/2317-2096.2020.24465

Abstract:
Neste artigo, apresentam-se algumas considerações sobre a tradução para o italiano da recolha de contos As máscaras do destino, obra narrativa da autora portuguesa Florbela Espanca (1894-1930), publicada postumamente em 1931. Dialogando tanto com a teoria e a prática da tradução feminista quanto com a fortuna crítica internacional da obra da autora, o artigo ilustra a estratégia geral que orientou a tradução, justificando também algumas escolhas específicas, no intuito de refletir sobre a dimensão ética da tradução em perspetiva feminista. O objetivo último desta análise é contribuir para a reflexão teórica e para a prática da tradução feminista no domínio das literaturas de língua portuguesa.
Patricia Peterle
Aletria: Revista de Estudos de Literatura, Volume 30, pp 177-199; doi:10.35699/2317-2096.2020.21882

Abstract:
Qual é a importância de um determinado texto traduzido num determinado momento? Porque traduzir o texto X, do autor X, hoje? Essas questões para além daquelas mercadológicas e comerciais, são também mais do que relevantes na medida em que se atribui ao tradutor um papel de mediador cultural. Papel que mais uma vez exige escolhas e descartes, que se encontram fora da moldura dos jogos de palavras, das metáforas, do ritmo e da melodia, mas que é parte integrante, sim, do processo de tradução. Toda tradução é uma experiência e é também uma reflexão dentro e nas próprias margens dos textos de partida e de chegada. A partir dessas considerações é proposta a tradução do poema “A toalha” de Giovanni Pascoli, publicado no volume Canti di Castelvecchio (1903-1905)..
Aletria: Revista de Estudos de Literatura, Volume 30, pp 131-154; doi:10.35699/2317-2096.2020.20246

Abstract:
Este artigo apresenta e comenta a tradução ao português, ainda inédita, de alguns fragmentos da obra teatral Amor es más laberinto (1689), escrita por Sor Juana Inés de la Cruz (1651-1695) e Juan de Guevara (1654-1692). A edição, de 2010, pela Cátedra, é da renomada pesquisadora Celsa Carmen García Valdés. O foco da análise está em uma amostra significativa de antíteses, próprias da estética barroca, definidas a partir dos estudos de Lausberg (2004), que apresentam dificuldades tradutórias, principalmente em função da distância histórica e cultural. O ato tradutório está centrado nos pressupostos de Berman (2013) e Venuti (2002). Também são contextualizados o texto literário teatral (PAVIS, 2008), as traduções da escritora no Brasil e a sua escrita, sobretudo com base em Octavio Paz (1989, 1990), assim como aspectos do Século de Ouro espanhol, com relação aos recursos estilísticos utilizados e as influências literárias refletidas na obra.
Anna Faedrich, Michele Asmar Fanini
Aletria: Revista de Estudos de Literatura, Volume 30, pp 315-328; doi:10.35699/2317-2096.2020.24495

Abstract:
Nesta entrevista, estruturada em duas partes, os netos da escritora Júlia Lopes de Almeida (1862-1934), os irmãos Claudio e Fernanda Lopes de Almeida, rememoram passagens biográficas pouco conhecidas a respeito não apenas da avó, mas da família Almeida, conduzindo-nos por lugares da memória carregados de afeto. Reconstroem, por exemplo, os percursos do arquivo pessoal da escritora, destacam seu gosto pelos “jardins floridos”, atentam para a intensidade de seu vínculo com o casarão de Santa Teresa, local que ainda hoje guarda em seus alicerces um tesouro familiar, ressaltam o pioneirismo e arrojo da avó, opinam sobre seu não ingresso na Academia Brasileira de Letras e partilham do desejo de verem criada uma Casa de Cultura Júlia Lopes de Almeida, quiçá no antigo casarão de Santa Teresa, por meio da qual seria possível dar “nova visibilidade”, nas palavras de Fernanda, ao seu vasto e inesgotável legado.
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