Revele: Revista Virtual dos Estudantes de Letras

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EISSN : 2317-4242
Current Publisher: Faculdade de Letras da UFMG (10.17851)
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Revele: Revista Virtual dos Estudantes de Letras, Volume 9, pp 1-13; doi:10.17851/2317-4242.9.0.1-13

Abstract:
Este trabalho investigou, à luz dos pressupostos da Gramática de Construções e da Gramática Cognitiva, a perífrase verbal [V1danar + (se) + (prep) + V2infinitivo] usada no português brasileiro para expressar o que Paula (2014) chamou de aspecto inceptivo com prolongamento da ação. O objetivo deste trabalho é verificar se, conforme a teoria eleita, [V1danar + (se) + (prep) + V2infinitivo] pode ser considerada uma construção do português brasileiro. A análise evidenciou que, embora nas palavras de Goldberg (1995) "as construções têm significado, independentemente das palavras que compõem a sentença" (p. 1, tradução nossa, grifo nosso), questões cognitivas relacionadas aos esquemas imagéticos de FORÇA e MOVIMENTO que subjazem a todos os sentidos de danar influenciam no significado da perífrase. Isso, contudo, não nos impediu de a considerarmos uma construção, uma vez que os dados mostraram que [V1danar + (se) + (prep) + V2infinitivo] se constitui em um pareamento forma-significado, cujo significado não resulta da soma dos significados das partes da perífrase. Propomos que seja considerado que as construções têm significado, independentemente dos significados lexicais das palavras que compõem a sentença. Por trás de uma palavra, termo usado por Goldberg (1995), pode haver questões cognitivas relacionadas aos esquemas imagéticos que podem influenciar (não determinar totalmente) o significado da construção. Assumiu-se que as ocorrências da construção com os V1 danar, desandar, desatar, destampar e outros concorrentes que também tragam a noção de FORÇA e MOVIMENTO formam uma rede.
Revele: Revista Virtual dos Estudantes de Letras, Volume 9; doi:10.17851/2317-4242.9.0.87-95

Abstract:
Resumo O presente trabalho é uma abordagem ao livro A menina morta (1954), de Cornélio Penna. Intenta-se refletir sobre alguns aspectos da crítica sobre essa obra e, para tanto, foi estudada a fortuna crítica de Penna, que revela o fato de que alguns de seus estudiosos, a princípio, fizeram uma leitura da obra do autor como um romance intimista de cunho social, apesar de já apontarem a presença do mistério na obra corneliana. Além disso, foram indicados elementos do texto de A menina morta que remetem às narrativas de mistério, as quais ganharam importância e novos contornos com o advento do romance moderno – como o romance gótico e as narrativas policiais – sem, no entanto, classificar o texto corneliano dentro dessas ou de quaisquer outras narrativas de mistério.
Revele: Revista Virtual dos Estudantes de Letras, Volume 9, pp 52-62; doi:10.17851/2317-4242.9.0.52-62

Abstract:
Recomenda-se que todo texto a ser, de alguma forma, publicado, seja antes revisado. E essa função deve ser exercida pelo revisor de texto, profissional geralmente formado em Letras ou Jornalismo e, algumas vezes, com pós-graduação em revisão de texto. Porém, apesar da importância dessa atividade, seus profissionais não são resguardados pela lei, a não ser que sejam jornalistas e trabalhem em empresas de comunicação, por exemplo, em redações de jornal. Ocorre que boa parte das empresas jornalísticas optou por excluir o revisor de seu quadro de funcionários, deixando a função para o próprio repórter e o corretor ortográfico do Word. Ao contrário do que muitos pensam, não basta gostar de Português para ser capaz de revisar um texto com qualidade. A profissão tem muitas outras exigências que talvez passem despercebidas exatamente por não existir uma regulamentação que lhe dê identidade. O objetivo deste trabalho é, então, analisar esse cenário, saber o que tem sido feito para mudar essa realidade.
Revele: Revista Virtual dos Estudantes de Letras, Volume 9; doi:10.17851/2317-4242.9.0.63-73

Abstract:
Resumo Este artigo se propõe a analisar a interpretação de textos com base na filosofia da linguagem, em cujos estudos se sucederam abordagens para situar o sentido de um texto ora em seu autor, ora em seu leitor, ora no próprio texto. Mister é a compreensão do processo interpretativo, pois, se há várias leituras possíveis de um texto, por outro lado, não há que se falar em leituras infinitas, porque o texto não suporta todas as leituras possíveis, já que algumas podem excedê-lo e romper sua estrutura e coesão. Alcançar o significado do texto importa em lidar com a linguagem. Interpretar o texto será, pois, o exercício de extrair sentido do conjunto de signos linguísticos ali grafados. Mas, como interpretar? Neste esforço teórico, ver-se-á a necessidade de se lidar simultaneamente com o autor, o texto e o leitor, que se interrelacionam nesse processo. O autor não dispõe de autoridade especial sobre a interpretação da obra publicada, como também não é dado ao leitor atribuir toda sorte de interpretações, uma vez que o texto não lhe pertence. A autoridade está no texto, é ele que dita as regras da interpretação. O sentido, contudo, não é dado pelo texto, é processo de atribuição de significados. Por isso, a interpretação, ou a atribuição de sentidos, é processo interativo entre autor, texto e leitor.
Revele: Revista Virtual dos Estudantes de Letras, Volume 9; doi:10.17851/2317-4242.9.0.119-129

Abstract:
Resumo Caio Fernando Abreu, ao longo de sua carreira, mostra-se um escritor bastante crítico em relação à sociedade contemporânea, ao comportamento do homem e à sua condição diante de um mundo fragmentado e mecanizado. O escritor sul-rio-grandense utiliza-se de um universo simbólico para recriar a sociedade em seus contos e crônicas, por isso, o presente trabalho apoia-se na perspectiva da Teoria do Imaginário, de Gilbert Durand (2002) para analisar como se estabelece a relação entre escritor, sociedade e imaginário nos contos Cavalos Brancos de Napoleão, da obra O Inventário do Ir-remediável, e Ascensão e Queda de Robhéa, Manequim & Robô, da obra O ovo apunhalado, e na crônica Em nome dos dragões, pertencente ao livro A vida gritando nos cantos.
Revele: Revista Virtual dos Estudantes de Letras, Volume 9, pp 106-118; doi:10.17851/2317-4242.9.0.106-118

Abstract:
O sujeito, cuja identidade um dia se demonstrou unificada e estável, está se reconfigurando, assumindo identidades diversas. E, se assim o é, tal sujeito também seleciona, conscientemente ou não, de cada ocasião passada, o que lhe convém para sustentar a identidade assumida em determinado momento. O artista Jorge Ben (Jor) apresenta uma produção formada a partir da combinação de diferentes elementos que têm força para gerar novas estruturas e práticas, ou seja, é uma produção híbrida. Nessa produção, há a junção de elementos que remetem ao universo negro e a práticas europeias medievais, sem se desligar da forte influência da indústria cultural na qual está imersa. Desse modo, ao analisar esse sujeito pós-moderno e observar fragmentos de tradições diversas em suas letras, objetiva-se compreender, a partir dos rastros deixados, o que a produção híbrida de tal sujeito de identidades múltiplas resgata do passado e realoca no presente. Ou seja, rui-se com a tradição e produz-se algo novo, potencial de estranhamento.
Iara Rosa De Carvalho
Revele: Revista Virtual dos Estudantes de Letras, Volume 9; doi:10.17851/2317-4242.9.0.38-51

Abstract:
Resumo Este artigo analisa estratégias adotadas pela fonologia do português brasileiro para desestabilizar encontros consonantais heterossilábicos, como na palavra fes.ta, através de processos de redução segmental. A perspectiva teórica é a da Fonologia Autossegmental, que busca explicar os processos de redução segmental a partir da atuação do Princípio do Contorno Obrigatório (PCO) em encontros consonantais heterossilábicos. O PCO não permite sequências de consoantes idênticas, o que explica a ausência de consoantes geminadas no PB. Neste artigo, sugerimos que o PCO também atua em sequências de consoantes não idênticas, mas que compartilham alguma propriedade específica. Processos fonológicos atuaram historicamente no português brasileiro em consoantes adjacentes, de maneira que, pelo PCO, em uma sequência de segmentos adjacentes que tenham a propriedade [consonantal], ocorre o cancelamento da consoante à esquerda da sequência consonantal. Processos fonológicos recentes evidenciam que, em sequências de consoantes que compartilham ponto de articulação ou modo de articulação, o PCO atua cancelando a consoante à direita da sequência. Finalmente, se as consoantes adjacentes não compartilharem modo de articulação ou lugar de articulação, não sofrem redução segmental. Sugerimos, portanto, que a atuação do PCO é regulada por restrições fonéticas que atuam no nível segmental.
Revele: Revista Virtual dos Estudantes de Letras, Volume 9; doi:10.17851/2317-4242.9.0.74-86

Abstract:
Resumo O presente artigo busca entender as distintas concepções de leitura e diferenciar o leitor crítico do acrítico fundamentando-se, principalmente, nos trabalhos de Daniel Cassany, a partir dos quais elaboraremos propostas de atividades práticas para sala de aula, fazendo-se necessária uma breve contextualização de conceitos como a compreensão de leitura Linguística, Psicolinguística e a Sociocultural. Não nos deteremos somente à teoria, pois o objetivo principal deste trabalho é justamente propor uma alternativa para alcançar um trabalho que seja significativo para o aprendiz e que o incentive a questionar os modos como os canais de comunicação trazem notícias comuns para o nosso cotidiano, a partir da leitura de manchetes de periódicos online, utilizando-se distintos recursos como o código escrito, imagens e o arcabouço sociocultural disponível, além da estrutura dos textos. Finalmente, exemplificaremos atividades didáticas que abordem uma das alternativas para fomentar que o aluno faça uma leitura crítica sobre o que lê.
Revele: Revista Virtual dos Estudantes de Letras, Volume 9; doi:10.17851/2317-4242.9.0.158-169

Abstract:
Resumo Em Vidas desperdiçadas, Zygmunt Bauman atenta para os problemas decorrentes do crescimento da população pobre. Os miseráveis, excluídos do estilo de vida consumista, não contribuem com a lógica da produção e, por esse motivo, são designados resíduos do sistema – um mal inevitável. Ora, é tarefa dos governos decidir como tratar e onde depositar o “refugo humano”. Frequentemente, as nações apostam na remoção dos sujeitos indesejáveis, incentivando o deslocamento geográfico. A incontestável onda de migrações efetuada pela massa de refugados, iniciada no século XX e intensificada nos dias atuais graças à globalização, impõe à crítica refletir se a questão da diáspora torna-se cara também às artes e à cultura. Luiz Ruffato está entre os escritores comprometidos com esse tema a ponto de privilegiar, em sua literatura, a representação de sujeitos redundantes em trânsito. Um exemplo disso é o romance Estive em Lisboa e lembrei de você, cuja enunciação, em primeira pessoa, é produzida por Sérgio de Souza Sampaio, um cataguasense pobre e esperançoso, que sonha em ascender socialmente através do trabalho ilegal realizado na capital portuguesa. Este artigo pretende analisar a construção desse personagem ruffatiano e suas desventuras a partir da noção de “refugo humano”, de Bauman, noção que lança luz sobre a condição do imigrante miserável.
Revele: Revista Virtual dos Estudantes de Letras, Volume 9; doi:10.17851/2317-4242.9.0.140-157

Abstract:
Resumo Neste artigo, depois de introduzirmos questões gerais em nexo com os traços principais e a presença da poesia bucólica em Roma, passamos a investigar alguns aspectos retóricos da segunda bucólica de Virgílio e da terceira écloga de Calpúrnio Sículo. Sobretudo interessados em analisar retoricamente esses dois poemas e considerando o aspecto da “invenção” (inuentio), destacamos como os dois autores recorreram a argumentos de natureza patética, ética e lógica com o objetivo de gerar a persuasão sentimental em um e outro caso mencionado. Desse modo, sempre recorrendo a exemplos extraídos dos textos em questão, tentamos descrever, aqui, em quais pontos argumentativos as ideias e sentimentos expressos por Virgílio e Calpúrnio, nesses poemas, coincidem ou mostram-se mutuamente diferentes.
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