Revista de Medicina

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ISSN / EISSN : 0034-8554 / 1679-9836
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Rodrigo Rufino Pereira Silva, Thaise De Abreu Brasileiro Sarmento, Ankilma Do Nascimento Andrade Feitosa, Luciana Modesto De Brito
Revista de Medicina, Volume 99, pp 350-356; doi:10.11606/issn.1679-9836.v99i4p350-356

Abstract:
Introdução: A demanda acadêmica a que são submetidos os alunos do curso de graduação em Medicina tende a alterar sua qualidade do sono, em virtude principalmente da carga horária elevada do curso. A partir do entendimento da importância do sono e de seu impacto na qualidade de vida do estudante é que ressalta-se a notabilidade dessa mensuração. Objetivo: Avaliar a percepção que o estudante de medicina tem acerca da qualidade do próprio sono, bem como o grau de sonolência diurna excessiva, comparando as diferentes fases do curso. Métodos: Trata-se de um estudo transversal e analítico envolvendo 234 acadêmicos do 1º ao 6° ano do curso de graduação em Medicina de uma faculdade do alto sertão paraibano. Utilizou-se para mensuração o Índice de Qualidade do sono de Pittsburgh e a Escala de Sonolência de Epworth, ambos questionários validados para uso no Brasil. Resultados: A média global de horas de sono por noite foi de 6,92 horas. Dos 234 entrevistados, 64,5% (n = 149) apresentaram qualidade ruim de sono ou distúrbio deste e pelo menos 21% relataram fazer uso de medicação para dormir. Viu-se ainda que a maior parte da amostra apontou que dorme 7 horas ou menos por noite (58,6%). A análise dos dados obtidos pela Escala de Sonolência de Epworth demonstrou que 55,55% (n = 130) dos estudantes tinham sonolência diurna excessiva que deve ser investigada. Conclusão: Foi observado que a maioria dos graduandos em Medicina apresentou privação de sono associada consequentemente à sonolência excessiva e à qualidade ruim de sono, indicando necessidade de ações preventivas neste sentido. Os resultados apontam, nesse caso, para a pertinência do investimento em esforços para a correção dessa tendência. Fazem-se necessárias medidas de promoção de saúde entre a população de estudantes do ensino superior.
Bruno Limaverde Lobo, Natália Freitas Francelino Dias, Mércia Lima De Carvalho Lemos, Lia Cavalcanti De Albuquerque
Revista de Medicina, Volume 99, pp 405-410; doi:10.11606/issn.1679-9836.v99i4p405-410

Abstract:
A osteopetrose infantil maligna (OIM) é a forma mais grave de osteopetrose (OP), que é um grupo de desordens raras e hereditárias que acometem o esqueleto humano, tornando-o mais denso. Uma das suas principais consequências é a invasão medular por esclerose óssea, levando a progressiva insuficiência medular e aplasia, o que predispõe a inúmeras infecções graves, incluindo a osteomielite. É uma doença que possui mortalidade de 99% até os dez anos de idade, com incidência de 1:500.000 nascidos vivos, cujo único tratamento disponível é o transplante de medula óssea precoce. O caso relatado é de um paciente do sexo masculino, 14 anos, com diagnóstico de OIM desde a infância, admitido na emergência do Hospital Infantil Albert Sabin com edema e dor facial à direita de início há um mês. Com base no exame físico e nos exames complementares foi diagnosticada osteomielite maxilar aguda. Além do quadro atual, o paciente possuía diversas sequelas da sua doença de base. Evoluiu com sepse durante a internação, fez uso de antibioticoterapia, e obteve alta hospitalar após um mês para cuidados paliativos domiciliares.
Amanda Carvalho Mitre Chaves, Ana Clara Brant Moreira Ferreira, Ana Maria Soares Lacerda, Marina Sad Navarro, Gabriela Peixoto Campos, Julia Passini Vaz-Tostes, Ana Luisa Souto Gandra, Ana Maria Fidelis Silva Campos, Luciana Rodrigues Da Cunha, Maria Carolina Lobato Machado
Revista de Medicina, Volume 99, pp 342-349; doi:10.11606/issn.1679-9836.v99i4p342-349

Abstract:
Introdução: O uso de álcool, tabaco e drogas ilícitas por crianças e adolescentes é um problema de saúde pública que assume importância cada vez maior em todo o mundo. O aumento da prevalência do uso dessas substâncias foi acompanhado por maiores níveis de ansiedade, sintomas depressivos e outros transtornos psiquiátricos, além de aumento nas taxas de violência e mortalidade. Objetivo: Analisar a prevalência de atendimentos por uso de drogas em um Serviço de Urgência em Psiquiatria da Infância e Adolescência de Belo Horizonte, bem como determinar o perfil sociodemográfico desses pacientes. Metodologia: trata-se de estudo transversal realizado por meio de revisão de prontuários de pacientes que procuraram um serviço de urgência em saúde mental infantil durante o período de um ano. A análise comparativa das variáveis categóricas foi feita pelo teste qui-quadrado de Pearson ou exato de Fisher. Foi utilizado o teste t de Student de amostras independentes para a variável contínua. Resultados: Foram coletados dados de 2255 atendimentos. A prevalência do uso de substâncias psicoativas encontrada foi de 17,7% da amostra. A droga mais utilizada foi a maconha (14,1%), seguida por cocaína (7%), álcool (5,7%), tabaco (4,2%), solventes e inalantes (3,6%) e crack (1,7%). Foi observado maior consumo em homens, faixa etária 15-17 anos e etnia parda. Conclusão: Foi observada significativa prevalência no uso de drogas entre crianças e adolescentes. É possível presumir que a real prevalência seja maior, uma vez que se acredita que a porcentagem real de jovens que utilizam essas substâncias é maior que a parcela que chega ao serviço de urgência. Os resultados encontrados demonstram uma necessidade de reforçar estratégias de intervenções preventivas para essa população.
Isabelle Sasso Teixeira, Grace Rodrigues, Guilherme Nazar, Izabelle Schermak Das Neves, Danielle Arake Zanatta, Vânia Oliveira Carvalho
Revista de Medicina, Volume 99, pp 411-414; doi:10.11606/issn.1679-9836.v99i4p411-414

Abstract:
A ictiose arlequim possui uma prevalência de 1/100.000 nascimentos e é frequente o óbito ocorrer no período neonatal. Objetivo: descrever um caso em que o tratamento adequado permitiu a sobrevida da paciente. Descrição do caso: Recém-nascido (RN) do sexo feminino com 2665g, nasceu com placas hiperceratósicas e fissuras difusas pelo corpo, ectrópio bilateral com oclusão palpebral, eclábio e pés e mãos fletidos características de Ictiose congênita do tipo arlequim. O acitretin foi iniciado aos 7 dias de vida associado ao tratamento suportivo, evitando o óbito neonatal. Comentários: Atribui-se a sobrevida da paciente à intervenção com acitretin oral precoce e os cuidados intensivos neonatais.
Maria Eduarda Furtado Fernandes Terra, Alejandra Maria Ruiz-Zapata, Kirsten B. Kluivers, Marco N. Helder, Manon H. Kerkhof
Revista de Medicina, Volume 99, pp 374-383; doi:10.11606/issn.1679-9836.v99i4p374-383

Abstract:
O prolapso de órgão pélvico (POP) é resultado do enfraquecimento dos tecidos de sustentação e de suspensão dessa região, incluindo os músculos levantadores do ânus, a fáscia endopélvica, os ligamentos e a parede vaginal. Sabe-se que os fatores de risco mais importantes para o POP, como gravidez, parto vaginal e aumento da pressão intra-abdominal, causam lesão nos tecidos do assoalho pélvico. Assim, é possível que um processo de cicatrização imperfeito desses tecidos possa afetar sua homeostase e contribuir para o desenvolvimento do POP. Dessa forma, o objetivo deste artigo é revisar a fisiologia da cicatrização de tecidos do assoalho pélvico e discutir os fatores que interferem nesse processo. Para isso, foi feita uma revisão da literatura na base de dados do MEDLINE até 2017. Percebeu-se que, assim como na pele, a cicatrização das lesões do assoalho pélvico ocorre em quatro fases (hemostasia, inflamação, proliferação e remodelação), porém a duração de cada fase é maior nas diferentes estruturas do assoalho pélvico. Além disso, a pressão constante no assoalho pélvico está associada ao aumento da atividade da colagenase, afetando negativamente a cicatrização, enquanto o estrogênio melhora as propriedades mecânicas do tecido estirado e parece ser benéfico para a cicatrização das lesões na parede vaginal. De acordo com a literatura, os músculos, nervos, ligamentos ou parede vaginal danificados não recuperam totalmente suas características prévias. Desse modo, conclui-se que uma cicatrização imperfeita no assoalho pélvico resulta em tecidos com composição e propriedades mecânicas alteradas, o que pode levar à incidência ou progressão do POP.
Gessianni Claire Alves De Souza, Raquel Nogueira C. L. Lima, Mayra Vieira Maia, Lígia Patrícia De Carvalho Batista Éboli, Gessienne Clívia Alves E Souza, Gustavo Henrique Belarmino De Góes
Revista de Medicina, Volume 99, pp 389-393; doi:10.11606/issn.1679-9836.v99i4p389-393

Abstract:
Introdução: Crytosporidium é um protozoário parasita do trato gastrointestinal, com incidência significativamente maior em crianças do que em adultos. Infecta, principalmente, o intestino delgado e provoca diarreia aguda em imunocompetentes. Entretanto, em pacientes imunocomprometidos, a criptosporidiose pode ser uma doença grave e crônica com sintomas persistentes, além de causar manifestações atípicas, como doença gastrintestinal atípica, doença do trato biliar, doença do trato respiratório e pancreatite. A infecção por Cryptosporidium parvum parece estar fortemente associada ao desenvolvimento de colangite. No entanto, as modalidades disponíveis de tratamento são limitadas, devendo a prevenção e redução de risco configurarem as intervenções principais. Objetivo: Relatar o panorama de conhecimentos atuais e prover informações sobre colangite associada à criptosporidiose em pacientes imunodeprimidos na faixa etária pediátrica contribuindo desta forma para o diagnóstico e condutas terapêuticas. Metodologia: Foi feita uma revisão nas principais bases de dados, Institute of Health PUBMED, Scientific Electronic Library Online (SciELO), utilizando descritores, buscando artigos que contemplassem os assuntos: Colangite, Imunodeficiência, Criptosporidiose, Pediatria, sendo realizado o cruzamento entre eles. Foram pesquisados artigos nas línguas portuguesa, inglesa e espanhola, contendo textos compreendidos entre o período de 2001 a 2018. Discussão: A suspeita da doença hepática crônica surge com o aparecimento de hepatomegalia considerável e de alterações laboratoriais (transaminases hepáticas, fosfatase alcalina e gama GT com níveis séricos aumentados) em pacientes com diagnóstico prévio de imunodeficiência. Diversos trabalhos mostraram que o arsenal terapêutico – de agentes antiparasitários e antibióticos macrolídeos - não foi eficaz para erradicar a infecção e impedir a progressão da doença. Dessa forma, o transplante hepático se faz necessário com a evolução da doença. No entanto, nem mesmo o procedimento é capaz de melhorar os índices de sobrevida deste grupo de pacientes, devido às complicações inerentes ao transplante, como ausência de imunocompetência, uso de medicações e, rejeição do enxerto. A recorrência pode chegar a um quinto dos pacientes. Conclusão: A colangite esclerosante secundária à criptosporidiose deve ser considerada no diagnóstico diferencial de doença hepática crônica em crianças. O diagnóstico pode ser feito pela associação da infecção pelo protozoário na via hepática e biliar com alterações colangiográficas características do ducto biliar. Tais alterações em crianças são, frequentemente, sutis. Portanto, ensaios prospectivos, controlados e colaborativos em pacientes com colangite esclerosante por criptosporidiose são necessários para fornecer uma melhor compreensão da prevalência, patogênese, possível tratamento e prognóstico.
Fabio Eduardo Revorêdo Rabelo Ferreira, Adalberto Guido Araújo, Balduíno Guedes Nóbrega Júnior, Henrique Guido Araújo, Diego Laurentino Lima, Raquel Nogueira C. L. Lima
Revista de Medicina, Volume 99, pp 366-373; doi:10.11606/issn.1679-9836.v99i4p366-373

Abstract:
Introdução: A Gastroduodenopancreatectomia Cefálica (GDPC) é a cirurgia de escolha para o tratamento de tumores periampulares. Os pacientes portadores dessa doença possuem sobrevida de 5 anos estimada em 20% a 50%, estando relacionado com o status de ressecção, estágio da doença e a localização do tumor. Conhecer o comportamento biológicos dos tumores periampulares possibilita um melhor planejamento no tratamento e no seguimento desses doentes. Método: O estudo analisou 105 pacientes através do resultado histopatológico oriundo de peças cirúrgicas de GDPC. Dados sobre sítio de origem, tamanho do tumor, status linfonodal, invasão perineural, invasão angiolinfática, margens de ressecção cirúrgicas e grau de diferenciação do tumor foram coletados e comparados com a literatura vigente. Resultados: Os pacientes portadores de neoplasia maligna totalizaram 94 (89,5%) das GDPCs. Desses, 40% (42) eram tumores pancreáticos, 37% (39) eram tumores de papila duodenal (papila de Vater), 4% (4) eram de origem duodenal e 2% (2) eram de colédoco distal. O tamanho médio dos tumores foi de 3,43cm (p = 0,049), com 85% dos tumores maiores de 2 cm e 46 (52,9%) dos adenocarcinomas eram estágio T3. Os linfonodos foram positivos em 27,6% dos adenocarcinomas e a margem foi R0 em 87% dos pacientes. Conclusão: O comportamento biológico dos tumores periampulares é de grande importância para pacientes que foram submetidos a cirurgia de GDPC. Um melhor planejamento no tratamento e no seguimento dos doentes pode ser oferecido quando se conhece o tipo histológico desses tumores. A experiência dos centros na realização dessa cirurgia tem importante relevância nos resultados obtidos.
Rafael Capelo Costa, Juliana D'Andrea Molina, Marilda Aparecida Milanez Morgado De Abreu
Revista de Medicina, Volume 99, pp 400-404; doi:10.11606/issn.1679-9836.v99i4p400-404

Abstract:
Introdução: A urticária pigmentosa em adultos é uma forma de mastocitose rara e persistente, frequentemente com manifestações sistêmicas e acometimento da medula óssea, e manifestações cutâneas menos evidentes, ao contrário do que ocorre na infância. Objetivo: Relatar um caso de início na fase adulta, com lesões cutâneas leves, que evoluiu com sintomas de liberação histamínica, porém sem acometimento sistêmico. Metodologia: As informações foram obtidas através de revisão do prontuário, entrevista com o doente, registro fotográfico e revisão da literatura. Conclusão: O diagnóstico correto e a investigação precoce do acometimento de outros órgãos são importantes, bem como o tratamento adequado e prevenção de reações anafilactoides. A fototerapia é opção interessante de tratamento nos casos refratários.
Carlos H. S. Pedrotti, Tarso A. D. Accorsi, Karine De Amicis Lima, Renata A. Morbeck, Eduardo Cordioli
Revista de Medicina, Volume 99; doi:10.11606/issn.1679-9836.v99i4pi-iii

Lucas Henrique Pereira, Mariana Cabral Schveitzer
Revista de Medicina, Volume 99, pp 326-334; doi:10.11606/issn.1679-9836.v99i4p326-334

Abstract:
Iniciações científicas são o primeiro contato dos estudantes de medicina com a pesquisa e são centrais no desenvolvimento do pensamento crítico e de habilidades pessoais, apesar de dificuldades como falta de tempo e de orientação apropriada. Os objetivos foram analisar as experiências que estudantes de medicina Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) tiveram com seus projetos de iniciação científica e identificar aspectos positivos e negativos desse programa nesta universidade. Estudantes de medicina da Unifesp de todos os anos foram convidados a escrever anonimamente, utilizando a plataforma online RedCap, um relato sobre suas experiências com projetos de iniciação científica. Os textos foram lidos e divididos em categorias relativas a experiência geral e em subcategorias relativas aos benefícios, dificuldades e motivações presentes nos relatos. Foram analisadas 71 respostas, sendo que 60 relataram uma boa experiência em seus projetos e 11, uma experiência ruim. Os principais benefícios citados foram contato com o método científico e desenvolvimento pessoal. As principais dificuldades foram um relacionamento conflituoso com o orientador e a falta de tempo. As principais motivações foram o contato com uma área de interesse e o enriquecimento curricular. Desenvolver um projeto permite praticar o método científico, estimula o pensamento crítico e a melhoria de habilidades pessoais, como trabalho em equipe e gerenciamento de tempo. Um bom relacionamento com o orientador é importante, uma vez que os estudantes, devido à falta de experiência, não têm a capacidade de conduzir as pesquisas sozinhos. Conciliar os projetos com a graduação é uma dificuldade, gerando a discussão de como as faculdades de medicina poderiam incorporar a iniciação científica no currículo oficial. A motivação pelo enriquecimento curricular mostra preocupação com o processo de seleção para a residência médica, podendo criar um sentimento de obrigatoriedade de engajamento em pesquisa, gerando decepção com o meio acadêmico e resultados pouco significativos.
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