Conceição/Conception

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EISSN : 2317-5737
Published by: Universidade Estadual de Campinas (10.20396)
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Conceição/Conception, Volume 10; https://doi.org/10.20396/conce.v10i00.8665552

Abstract:
Este texto se propõe a discutir a problemática de gênero dentro das performances tradicionais do sul da Índia, partindo do culto das Ammans e as complexas ações ritualísticas que envolvem “manter sobre controle” as energias eruptivas dessas divindades, o que inclui diversas modalidades de performance dramática. O que se vê é um conjunto ambíguo de sinalizações que oscilam entre a exaltação desse poder feminino mítico e a supressão de sua existência no plano social e político. O ponto de partida para encaminhar essa reflexão é compreender como essa ambiguidade se reflete nas performances tradicionais, partindo da tradição Devadasi, passando pela tradição dos homens que interpretam papéis femininos, a inclusão de mulheres trans nesse contexto e, finalmente, discutindo o papel das mulheres cis nesse teatro e a importância das comunidades teatrais como espaços de resistência.
Conceição/Conception, Volume 10; https://doi.org/10.20396/conce.v10i00.8664371

Abstract:
O texto aponta as diferenças entre as ideias de arte queer do fracasso (Jack Halberstam) e utopia queer (José Esteban Muñoz) situando-as em relação à “teoria antissocial” dos estudos queer. Por fim, aposta na resistência como possibilidade de pensar determinadas produções da cena artística das dissidências sexuais e de gênero do Brasil da atualidade.
Marcia Berselli, Mateus Fazzioni
Conceição/Conception, Volume 10; https://doi.org/10.20396/conce.v10i00.8664074

Abstract:
O presente artigo busca investigar aspectos relativos à organização de composições cênicas através da análise de dois espetáculos, Questo Buio Feroce (2006) e Vangelo (2016), do encenador italiano Pippo Delbono. O objetivo do estudo é apresentar os aspectos da colagem e do encenador-performer como princípios composicionais que são um indicativo a uma cena inclusiva.
Vanessa Benites Bordin
Conceição/Conception, Volume 10; https://doi.org/10.20396/conce.v10i00.8662087

Abstract:
Experienciar um ritual pertencente a outra cultura proporciona pensarmos questões relacionadas à nossa própria cultura, a partir de uma espécie de ‘distanciamento’, pois ao ‘olhar’ o outro percebemos aspectos de nós mesmos. Para uma performer, vivenciar um ritual de iniciação feminina, no caso aqui, do povo indígena Tikuna: Worecü, é refletir sobre o quanto o contexto em que vivemos influência nosso fazer artístico, já que vida e arte estão entrelaçadas, pensando a partir do conceito de artivismo.
Conceição/Conception, Volume 10; https://doi.org/10.20396/conce.v10i00.8664035

Abstract:
Se o tempo cura, qual o tempo da cura? O fim é transitivo ou intransitivo? Quais os traços de uma curadoria de arte temporalizada? O texto aborda, desde a cosmovisão travesti, as interjeições especulativas altamente publicizadas na pandemia do novo coronavírus de “fim do teatro”, “fim do gênero”, “fim da espécie humana” e “fim do mundo” procurando apreender a operatividade econômico-filosófica curatorial do apocalipse e a curabilidade do fim. Pretende-se equacionar o que há no subsolo destes discursos, aventando o modo fabular das transgeneridades no sentido de desarmar os arranjos de comercialização do fim (Krenak, 2019) e de barganhas mercadológicas do luto social (Žižek, 2012). Almeja-se compreender os limites do corpo, da raça, do gênero e da cena para além do dilema da escassez de capital, tendo em vista o alargamento das dimensões cronológicas lineares da branquitude e da cisgeneridade. Notamos, assim, que a artesania espiralar do tempo (Martins, 2002), corresponde à audácia da elaboração do inacabamento inexorável da existência e da estética. Neste sentido, as fabulações travestis sobre o fim trazem para os estudos do futuro inscrições paradigmáticas de tempografias sincopadas, não obsolescentes da arte e da vida.
Eduardo Okamoto, Cassiano Sydow Quilici, Juliana Martins Rodrigues de Moraes
Conceição/Conception, Volume 9; https://doi.org/10.20396/conce.v9i00.8663702

Abstract:
A publicação da presente edição da revista Conceição|Conception, reveste-se, para nós, de um significado muito especial. Já o convite feito à Profa. Dra. Ileana Dieguéz Caballero para integrar a equipe como Editora Convidada do Dossiê “Artes, performatividade, crise generalizada e necropolílitica” expressa o desejo de abrir a publicação para reflexões mais amplas e sobre o lugar das artes e da performatividade como força cultural, num contexto tão complexo e difícil como o que atravessamos. Entendemos que não é possível mais ignorar as urgências de nosso tempo, em especial a crise dos modos hegemônicos de existência que se alastraram pelo planeta, pautados, muitas vezes, na destruição do meio ambiente, superexploração econômica, guerras culturais e políticas veladas e declaradas de extermínio, especialmente nas zonas “periféricas” do mundo. Como reconsiderar os saberes artísticos e as potências criativas que estes mobilizam para fazer frente a uma situação inédita, reinventando as ações artísticas e culturais enquanto forças reconfiguradoras da nossa vida pessoal e coletiva?
Fernanda Raquel, Virginia Laís de Souza
Conceição/Conception, Volume 9; https://doi.org/10.20396/conce.v9i00.8661718

Abstract:
O presente artigo propõe um debate a partir de dois trabalhos com importante repercussão na cena teatral desde 2018: Isto é um negro? e Quando quebra queima. São experiências artístico-estético-políticas que trazem ao palco singularidades com potência para compor (outras formas de) comunidade. Performances de corpos muitas vezes invisibilizados, unidos pela vulnerabilidade que se converte em resistência. Em tempos de precariedade absoluta, na arte encontramos brechas para a existência de novos imaginários.
Álvaro Villalobos Herrera
Conceição/Conception, Volume 9; https://doi.org/10.20396/conce.v9i00.8661888

Abstract:
O artigo apresenta características do cenário econômico, político e social da América Latina. De forma crítica e do ponto de vista da arte, aponta o autoritarismo, os abusos de poder e a corrupção cometidos pelos governantes dos países da região. Apresenta-se o compromisso de dois artistas da Venezuela e do México com obras que abordam as relações entre as formas de pensamento e ação derivadas do colonialismo interno e do capitalismo como modo de produção que promove o crescimento armamentista, a necropolítica e o desprezo pelas formas de produção em bases comunitárias.
Paola Marín, Gastón Alzate
Conceição/Conception, Volume 9; https://doi.org/10.20396/conce.v9i00.8662160

Abstract:
Embora existam inúmeras e valiosas manifestações da relação entre memória, arte e violência na Colômbia hoje, aqui nos concentramos em duas práticas que ganharam notoriedade por sua relação com os Acordos de Paz de 2016. Por um lado, as Cantadoras de Pogue, que modificam um ritual afro-descendente e uma tradição musical de caráter funerário para se opor à necropolítica dominante em seu território, principalmente a partir de 2002, quando em uma cidade próxima - Bellavista, Bojayá - um dos maiores massacres de civis na história recente do País; e, por outro lado, o “contra-monumento” em celebração aos Acordos de Paz da reconhecida artista Doris Salcedo, que convidou mulheres vítimas de violência a moldá-lo. Analisaremos como ambas as práticas incorporam a necessidade de enfrentar tanto a necropolítica dominante na Colômbia quanto suas narrativas hegemônicas na esfera pública.
Sergio Rojas
Conceição/Conception, Volume 9; https://doi.org/10.20396/conce.v9i00.8662157

Abstract:
Pergunto-me, neste artigo, sobre a possibilidade da arte de enfrentar a violência hoje, quando já é claro que ela não funciona como uma interrupção excepcional do cotidiano, mas nele se concretiza. O que procuro refletir não é sobre o modo como as artes fazem da violência um "tema", mas sobre a possibilidade de que seja pensada, que o destinatário das obras seja alterado não pelo espetáculo da violência, viabilizada por feitos de sangue, mas pelo quão esmagador pode ser, efetivamente, pensar a ordem da violência. Que não esteja, em primeiro plano, uma carnificina humana que emudece, fazendo faltar as palavras, mas o pensamento que a violência provoca no espectador a partir de uma circunstância artística. A hipótese principal é que, em relação à violência, os próprios limites instituídos da arte podem se tornar um recurso tão ambíguo quanto essencial para dar origem a esse pensamento.
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