Conjuntura Austral

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EISSN : 2178-8839
Current Publisher: Universidade Federal do Rio Grande do Sul (10.22456)
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Flavia Loss De Araujo,
Conjuntura Austral, Volume 12, pp 19-37; doi:10.22456/2178-8839.110583

Abstract:
A convergência política na América do Sul, vivenciada entre 1998 e 2013, marcada por um cenário de crescimento econômico e destacado incentivo por parte dos governos sul-americanos em cooperar e formar espaços para a integração, não resultou no aprofundamento dos processos regionais existentes. Tal período, conhecido como regionalismo pós-hegemônico, ainda que compartilhando objetivos e valores em comum, levou à criação de diferentes instituições que ampliaram a segmentação regional ao serem incapazes de se consolidar diante das outras estruturas já existentes. Dessa maneira, o principal problema aqui discutido é a existência de um espaço regional fragmentado. Ao questionar como as instituições regionais sul-americanas respondem às demandas nacionais e regionais em um cenário fragmentado, este artigo busca analisar e avaliar os impactos da fragmentação regional em cenários críticos que demandam ações conjuntas e respostas institucionais regionais para resolver problemas que ultrapassam as fronteiras nacionais, em especial a crise Venezuelana e a pandemia do Covid-19. Através de análise bibliográfica recente, assim como a partir do acompanhamento de notícias, e fontes jornalísticas e documentos oficiais dos blocos regionais sul-americanos existentes, este artigo discute que em um cenário institucionalmente fragmentado, as instituições regionais encontram-se limitadas para dar respostas às demandas existentes.
Luis Fernando Corrêa Da Silva Machado
Conjuntura Austral, Volume 12, pp 63-76; doi:10.22456/2178-8839.111411

Abstract:
Este artigo analisa as razões de esforços empreendidos para promover a narrativa de um Brasil tecnológico e inovador no exterior. A premissa é de que países investem em iniciativas de diplomacia pública e marketing a fim de melhorar a inserção internacional de produtos, serviços ou processos tecnológicos, bem como a atração de investimentos e mão de obra qualificada estrangeiros. O propósito da pesquisa é o de identificar limitações e fortalezas da diplomacia pública brasileira para se alcançar o desenvolvimento da marca-país no setor de tecnologia. Trata-se de pesquisa exploratória, que recorre à análise de bibliografia especializada e de estratégias adotadas por cinco países (Estônia, Índia, Suécia, Suíça e Reino Unido), para fins ilustrativos, com vistas à compreensão do problema. Concluiu-se que para que se atinja esse objetivo a atuação da Chancelaria não é suficiente. Todos os órgãos do governo, em níveis federal, estadual e municipal e, de preferência, também do empresariado e da sociedade civil deveriam estar envolvidos. Este trabalho sugere que o SICOM concentre o processo decisório da formulação e implementação da política da marca-Brasil, inclusive do componente tecnológico.
Conjuntura Austral, Volume 12, pp 7-18; doi:10.22456/2178-8839.110573

Abstract:
O objetivo deste artigo é o de desvendar o papel da moralidade na ação estatal no Realismo Clássico a partir de revisita a obra de Hans J. Morgenthau. Argumenta-se que a teoria política proposta pelo autor tem base deontológica mista (ou fraca) e se constrói em oposição àquelas deontológicas fortes e utilitaristas. Nesse contexto, se tem que o estadista em ofício pode ser levado pela natureza da política a adotar ações moralmente condenáveis, mas não se livra da culpa de suas escolhas e possui responsabilidade moral no exercício de sua agência. Na impossibilidade de realizar o bem maior em âmbito político e consciente de não poder fazê-lo, o tomador de decisão prudente deve escolher cursos de ação a partir da lógica do mal menor. Ao revisitar Morgenthau a luz da teoria política internacional destacando o debate sobre ação moral contida em seus escritos, o artigo busca contribuir tanto para literatura especializada em tradições de ética internacional, quanto para o esforço contemporâneo de releitura do Realismo Clássico em meio às teorias de Relações Internacionais.
, Felipe De Macedo Teixeira
Conjuntura Austral, Volume 12, pp 107-119; doi:10.22456/2178-8839.112129

Abstract:
A presente pesquisa propõe-se a analisar as relações entre o Governo Federal e os entes federados na formação da política externa brasileira (PEB) para a questão amazônica. Para isso busca-se pesquisar como os entes subnacionais da Amazônia Legal desenvolveram as políticas de proteção da Floresta através da busca por investimentos externos para suas políticas. Escolhe-se o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID, ou IDB – Inter-american Development Bank) como referencial de análise, tendo em vista que foi uma das instituições financeiras internacionais pioneiras no reconhecimento dos entes subnacionais enquanto atores das relações internacionais. Assim, o artigo terá como problemática central a análise se a dimensão subnacional dos entes federados da Amazônia Legal foi fortalecida através dos investimentos do BID na região em questões ambientais. O estudo de tais investimentos constitui as fontes primárias centrais, cuja abordagem qualitativa e quantitativa destes será cruzada com uma revisão bibliográfica acerca de dois debates da Análise de Política Externa (APE), a pluralização de atores, e o caráter de políticas públicas da política externa.
Conjuntura Austral, Volume 12, pp 92-106; doi:10.22456/2178-8839.112123

Abstract:
Nos anos finais da administração Clinton (1994-2001) e, destacadamente, durante a Guerra contra o Terror (GcT), a interação entre os Estados Unidos (EUA) e a África se intensificou. Por simbolizar certo contraponto ao histórico distanciamento, ao menos nas relações internacionais, entre as partes, esta proximidade nos leva ao seguinte questionamento: a presença dos EUA representou, ou não, rompimento com a condição marginal do continente africano nos interesses de Washington? Pautando-se nesta questão, o artigo se propõe a compreender o lugar da África na política externa dos Estados Unidos entre 2001 e 2020, e defender a hipótese de que não houve tal rompimento. Primeiramente porque durante as administrações Bush (2001-2009) e Obama (2009-2017), o predomínio de iniciativas direcionadas a segurança indicou a continuidade do enquadramento da África nos interesses dos EUA no âmbito sistêmico, e não necessariamente a mudança de status deste continente na política externa norte-americana. Em segundo, porque o desinteresse pela África foi predominante ao longo do governo Trump (2017-2021). Em termos metodológicos, o artigo será desenvolvido a partir de revisão bibliográfica de caráter variado, composto por livros, artigos, revistas acadêmicas, documentos oficiais, relatórios, dentre outras fontes consideradas relevantes ao tema.
Mateus Webber Matos, José Antonio Fogolari
Conjuntura Austral, Volume 12, pp 38-49; doi:10.22456/2178-8839.110774

Abstract:
A conceituação de populismo é bastante controversa. Uma das vertentes entende o fenômeno como a adoção de posturas personalistas e centralistas, criando um canal de comunicação direto entre líder e povo. Estes regimes permeiam a história de países latino-americanos, como a Venezuela de Hugo Chávez em 1999. A pergunta central deste trabalho é: de que maneira Chávez se utilizou de seu projeto populista doméstico para dar suporte a uma política externa integrativa na América Latina? O objetivo desse artigo é compreender em que medida práticas como o controle estatal de atividades estratégicas e a criação de arranjos de integração regional – baseadas no populismo personalista de Chávez – moldaram a identidade da política externa venezuelana. Para tanto, foi utilizada a metodologia qualitativa bibliográfica, recorrendo a artigos de periódicos qualificados em português, inglês e espanhol. Do ponto de vista teórico, o Construtivismo e a Análise de Política Externa serão, também, elementos fundamentais para atingir os objetivos propostos em cada capítulo. De forma preliminar, a literatura aponta que o populismo de Chávez – amparado, notadamente, pela renda advinda da exportação de petróleo e do apoio demonstrado pela população venezuelana - possibilitou maior aproximação (ideológica e política) com vizinhos, tais como Bolívia, Equador e Cuba, dando origem a estratégias mais autônomas de desenvolvimento regional em detrimento das premissas neoliberais. Concluiu-se que o governo de Chávez, contudo, não expandiu suas parcerias pela região de maneira uniforme, tampouco logrou erradicar as disparidades econômicas venezuelanas.
Thiago Gehre,
Conjuntura Austral, Volume 12, pp 50-62; doi:10.22456/2178-8839.110964

Abstract:
O artigo trata do relacionamento desigual recente entre Estados Unidos, Brasil e Venezuela, à luz do conceito de Centro e Periferia. Nele, Washington é o centro, ao passo que Brasília e Caracas disputam espaço na periferia do sistema, o que delineia historicamente uma relação imperfeita de poderes. Em função da diminuição da influência da Casa Branca nos últimos anos, houve a possibilidade de maior autonomia do Planalto e Miraflores em suas movimentações regionais e até globais. Todavia, isso não se sustentou por muito tempo, em decorrência de problemas políticos e econômicos internos nos dois países. Acrescente-se também que a busca por autonomia não significou o rompimento com os Estados Unidos, a despeito da retórica às vezes inflamada como no caso da Venezuela. A relação é pendular como se pôde constatar a aproximação estreita entre Donald John Trump e Michel Miguel Elias Temer e depois Jair Messias Bolsonaro. Com a substituição de Trump por Joe Biden, aguarda-se nova conformação triangular.
Isabelle Christine Somma de Castro
Conjuntura Austral, Volume 12, pp 77-91; doi:10.22456/2178-8839.111503

Abstract:
As principais características do discurso norte-americano em relação à Tríplice Fronteira entre Argentina, Brasil e Paraguai são analisadas nas 4 edições dos Country Reports on Terrorism referentes aos anos de 2016 a 2019 e publicadas durante a administração de Donald Trump (2017-2020). A principal hipótese deste estudo é que os documentos teriam registrado uma mudança de paradigma em relação à administração de Barack Obama. A teoria da securitização é aplicada para explicar o uso de atos de fala como movimentos de securitização da região. Depois de realizar uma leitura crítica e medir a frequência das palavras com o software NVivo, os resultados indicaram um movimento de securitização do tipo “alegação” (claim). Assuntos referentes a medidas para aumentar a segurança nas fronteiras entre os três países foram mais enfatizados nos relatórios publicados no período estudado do que no anterior, de Barack Obama. Por outro lado, “lavagem de dinheiro”, um sintagma nominal mais constante nas administrações anteriores, foi menos utilizado nas edições do período Trump.
Conjuntura Austral, Volume 12, pp 38-50; doi:10.22456/2178-8839.105925

Abstract:
O Brasil vem buscando, desde o início do século XXI, se firmar como um ator de maior peso no cenário internacional. Com esse objetivo, o país aceitou o desafio de liderar militarmente a Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH). No país caribenho, as forças brasileiras tiveram que lidar com uma Guerra de Quarta Geração (4GW), que é o tipo de conflito mais comum desde o término da Guerra Fria. Para lidar com a 4GW, o Brasil adotou a estratégia do smart power, que combina o uso da força e com esforços diplomáticos. Dessa forma, este estudo analisa a aplicação do smart power brasileiro na MINUSTAH como um fator decisivo para a resolução do conflito haitiano. Após uma pesquisa bibliográfica e documental, foi possível verificar que o smart power brasileiro foi uma estratégia de sucesso no Haiti, lidando de forma efetiva com as ameaças não-estatais, estabilizando o país e reduzindo as mortes de civis decorrentes do conflito a um número bastante reduzido.
Conjuntura Austral, Volume 12, pp 7-22; doi:10.22456/2178-8839.101607

Abstract:
O presente artigo tem como objetivo analisar a política do Pivô para a Ásia durante o governo de Barack Obama (2008-2016) por meio do Realismo Neoclássico. Nesse sentido, o presente artigo analisa as percepções das lideranças com relação às ameaças ou oportunidades no Leste Asiático, bem como as pressões domésticas que influenciaram a construção, a implementação e a condução do pivô durante o governo Obama. O artigo também analisa como a política do pivô afetou a percepção de países do Leste Asiático em relação ao comprometimento norte-americano com a região. Do ponto de vista metodológico, o artigo segue o método qualitativo, baseando-se em fontes primárias e secundárias para embasar os argumentos da pesquisa. O artigo conclui que os problemas orçamentários nos EUA, a ascensão de lideranças discursivamente contrárias aos custos das ações de segurança dos EUA em outros países, bem como pontos relacionados com a balança de poder interna norte-americana, afetaram negativamente a política do pivô. Ao passo que tal política se desenvolveu, as dúvidas sobre se os EUA continuariam, teriam capacidade de e agiriam no Leste Asiático impactaram as percepções dos países na região, impulsionando processos de militarização e dilemas de segurança no tabuleiro asiático.
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