Gazeta Médica

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ISSN / EISSN : 21838135 / 21840628
Current Publisher: Academia CUF (10.29315)
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Latest articles in this journal

Ângela Margarida Fernandes, Ana Gomes
Published: 30 December 2019
Gazeta Médica; doi:10.29315/gm.v6i4.273

Abstract:Uma jovem de 22 anos recorreu a consulta com o Médico de Família por queixas de deslocação frequente daarticulação esternoclavicular esquerda quando levantava pesos no ginásio, com 1 ano de evolução. Negava traumatismos prévios.Não possuía antecedentes pessoais de relevo. Como medicação habitual fazia apenas um contracetivo oral combinado. Apresentava antecedentes familiares de hemocromatose (pai e irmão), sem outros antecedentes familiares relevantes conhecidos.
Diana Carina Mota
Published: 30 December 2019
Gazeta Médica; doi:10.29315/gm.v6i4.270

Abstract:INTRODUÇÃO: A insónia constitui uma queixa frequente nos cuidados de saúde primários, com um impacto negativo na qualidade de vida dos utentes. Assim sendo, o seu tratamento adequado é fundamental. A trazodona é um fármaco que tem sido amplamente usado no tratamento da insónia, apesar de estar apenas aprovado, pelo INFARMED e Food and Drug Administration (FDA), para o tratamento da depressão, sendo relevante rever a evidência que suporta este seu uso off-label.METODOLOGIA: Com recurso a sites de medicina baseada na evidência pesquisaram-se meta-análises, revisões sistemáticas, ensaios clínicos e guidelines, publicadas nas línguas inglesa e portuguesa entre 19/05/2008 e 19/05/2018, usando os termos MeSH “Trazodone” e “Sleep Initiation and Maintenance Disorders” e as palavras-chave “Trazodone” e “Insomnia”.RESULTADOS: Foram incluídos na revisão 10 artigos: 2 meta-análises, 3 revisões sistemáticas, 2 ensaios clínicos e 3 guidelines. As meta-análises revelaram que a trazodona é eficaz no tratamento da insónia (nível de evidência -NE- 2), o mesmo se observou nos ensaios clínicos (NE 2) e em duas revisões sistemáticas (NE 2), com a terceira revisão referindo ausência de evidência para retirar conclusões. Relativamente às guidelines, duas suportam o uso da trazodona (Força de Recomendação -FR- B e FR C) enquanto a terceira sugere a sua não utilização (FR B).CONCLUSÃO: Existe evidência limitada de que a trazodona é eficaz no tratamento da insónia em indivíduos com idade ≥ 18 anos - força de recomendação B. É, assim, importante, que no futuro, sejam realizados mais estudos para reforçar o uso de trazodona no tratamento da insónia.
Sara Machado, José Neves, Pedro Barreira, Raquel Sanches, José Luís Castro
Published: 30 December 2019
Gazeta Médica; doi:10.29315/gm.v6i4.276

Abstract:INTRODUÇÃO: A tontura persistente postural-paroxística é uma entidade recentemente reconhecida, que engloba cerca de 10% dos doentes com queixas de tontura. O seu tratamento passa pela terapêutica farmacológica com inibidores seletivos da recaptação da serotonina, associada ou não a um programa de reabilitação vestibular. Tendo em conta a difícil gestão destes doentes e resistência ao tratamento convencional, coloca-se a hipótese do uso da terapia cognitivo-comportamental no tratamento desta patologia. O objetivo deste trabalho é determinar se existe benefício da terapia cognitivo-comportamental no tratamento da tontura persistente postural-paroxística.METODOLOGIA: Foi realizada uma pesquisa usando as palavras-chave “persistent postural perceptual dizziness”, “cognitive behavioural therapy”, “phobic postural vertigo”, nas seguintes bases de dados: National Guideline Clearinghouse, Canadian Medical Association Practice Guidelines InfoBase, DARE - Database of abstracts of reviews of effectiveness, Evidence-Based Medicine e PubMed. Foram ainda incluídos artigos referenciados na bibliografia da pesquisa inicial.RESULTADOS: Foram selecionados três artigos nas bases de dados. Foram incluídos dois artigos adicionais referenciados na bibliografia inicial. No total foram incluídos cinco artigos: dois estudos caso-controlo e três revisões de literatura.DISCUSSÃO: É consistente o benefício da terapia cognitivo-comportamental como parte de uma abordagem multidisciplinar. Foram reportadas, nestes doentes, melhoria das queixas de tontura, ansiedade e depressão. Verificou-se ainda melhoria do controlo postural e diminuição da dose de medicação necessária. Os efeitos da terapia cognitivo-comportamental a longo prazo são ainda pouco consistentes.CONCLUSÃO: A terapia cognitivo-comportamental parece ser uma opção terapêutica válida, em associação com outras medidas. Destaca-se a escassez de evidência científica nesta área, e a necessidade de estudos adicionais.
Pedro Martins Branco, João Sousa, Carlos Maia Dias, Manuel Oliveira, António Júlio Silva, Tiago Paiva Marques
Published: 30 December 2019
Gazeta Médica; doi:10.29315/gm.v6i4.285

Abstract:Dislocation of the pisiform is a rare injury, with only few cases reported in the literature. This condition, in association with terrible triad injury of the elbow, is an even more rare occurrence. We report a case of a 51-years-old right-handed female patient who suffered from a dislocation of the left pisiform in association with terrible triad injury of the elbow, after a ground level fall. It was performed a reinsertion of the coronoid process and radial collateral ligaments with anchors, radial head arthroplasty, and closed reduction and internal fixation of the pisiform with Kirschner wire. At the end of follow-up, the patient had satisfactory range of movement of the wrist and elbow, and no residual pain. This rare injury to the wrist is demanding in diagnostics and treatment. However, with a correct diagnosis and appropriate treatment, an excellent clinical outcome can be achieved.
João Vasco Barreira, Gil Falcão, Anuraj Parmanande, Francisco Fernandes, Nuno Louro
Published: 30 December 2019
Gazeta Médica; doi:10.29315/gm.v6i4.280

Abstract:A disfunção erétil (DE) é uma complicação bem conhecida decorrente de cirurgias pélvicas. A procura de ótima qualidade de vida pós-operatória tem sido cada vez mais importante e a DE pode ter um profundo efeito nesta. A incidência do cancro da próstata continua a aumentar, o diagnóstico tende a ser feito em estádios mais precoces de doença, e um maior número de homens acaba por ser submetido a terapêuticas com intenção curativa, nomeadamente a prostatectomia radical (PR). A patofisiologia da DE pós PR envolve três fatores major: lesão neural, lesão vascular e danos no músculo liso corporal. Consequentemente, a recuperação da função erétil (FE) está dependente do grau e reversibilidade dessas lesões. Concomitantemente ao acentuado avanço cirúrgico, também o tratamento da DE mudou drasticamente ao longo dos anos. O conceito de reabilitação peniana precoce após PR ocorreu na década de 1990. A profilaxia farmacológica com fármacos orais ou intracavernosos, bem como o uso de outros dispositivos, podem ter um papel crescente nas estratégias terapêuticas que visem a preservaçã o da FE pós-operatória. Novos desenvolvimentos baseados em pressupostos interessantes requerem estudo a longo prazo. Focar a atenção sobre esta temática permitirá conhecer as vantagens das diversas opções terapêuticas, bem como uma sistematização dos conhecimentos nesta área e consequente contributo para uma melhor prática clínica.
Teresa Rei, Sérgio Miguel Martinho, Cláudia Melo
Published: 30 December 2019
Gazeta Médica; doi:10.29315/gm.v6i4.296

Abstract:As benzodiazepinas constituem uma classe de fármacos com ação ansiolítica, sedativa e hipnótica, sendo amplamente utilizadas no tratamento de perturbação da ansiedade e perturbação do sono. Não obstante a sua elevada eficácia, os efeitos adversos e o risco de dependência e tolerância a que estão associadas condicionam o seu uso de uma forma generalizada.Relativamente à descontinuação de benzodiazepinas, tem-se verificado uma baixa adesão às orientações e insuficiente reavaliação do tratamento. Os regimes terapêuticos são mantidos indefinidamente, sem reavaliação periódica da indicação para a sua manutenção.Descreve-se o caso clínico de uma doente de 66 anos que recorre ao serviço de urgência por agitação psicomotora, alteração comportamental e discurso incoerente após interrupção abrupta de benzodiazepina.O presente artigo pretende relatar um episódio de síndrome de abstinência de benzodiazepinas e alertar os profissionais de saúde para as precauções a ter na desprescrição deste grupo farmacológico.
Sócrates Vargas Naranjo, Ana Neves, José Miguel Silva, André Mendes, Dejanabú Cassama, Joana Cochicho, Maxime Suleac, Jessenia Chinchilla Mata, Nídia Calado, Ana Mateus
Published: 30 December 2019
Gazeta Médica; doi:10.29315/gm.v6i4.293

Abstract:Para que um estudo seja bem-sucedido, uma parte importante é a escolha do desenho do estudo que se deve utilizar para responder à pergunta de investigação. Dele dependerá o tipo de análise de dados e as conclusões, assim como a validade interna e externa do trabalho. Frequentemente, menciona-se que os estudos são prospetivos ou retrospetivos, mas, atualmente, esses termos deveriam ser apenas utilizados para indicar a forma como foi realizada a colheita dos dados. O presente trabalho pretende descrever os desenhos de estudos de uma forma concreta e concisa, permitindo uma visão mais além do prospetivo e retrospetivo.
José M. Pereira Monteiro
Published: 30 December 2019
Gazeta Médica; doi:10.29315/gm.v6i4.295

Abstract:A cefaleia em salvas é uma das situações mais dolorosas que afetam o ser humano. A sua etiologia é desconhecida e a sua patogenia insuficientemente conhecida. A curta duração, a severidade e a incapacidade associada às crises requerem tratamentos de rápida ação para abortar as crises e o tratamento preventivo de novos surtos. A inalação de oxigénio e o sumatriptano injetável são os tratamentos agudos mais eficazes. Estão disponíveis diversos tratamentos preventivos, contudo, a confirmação da sua eficácia e segurança carece de evidência robusta, sendo o mais eficaz o verapamilo, mas em doentes com formas severas, crónicas e refratárias podem ser ineficazes. Nesses casos torna-se necessário recorrer a processos cirúrgicos que também não têm evidência robusta de eficácia e têm riscos adicionas, potencialmente graves. O advento de anticorpos monoclonais contra o peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP - calcitonin gene related peptid), que está elevado durante as crises de cefaleia em salvas, e em que um dos fármacos (galcanezumab) já demonstrou eficácia e segurança em estudos controlados no tratamento da cefaleia em salvas, constitui uma nova esperança para o tratamento destes doentes.
Filipe Prazeres, Luiz Miguel Santiago, Pedro Miguel Pereira, Pedro Miguel Santos, Telmo Cortinhal
Published: 30 December 2019
Gazeta Médica; doi:10.29315/gm.v6i4.272

Abstract:INTRODUÇÃO: A gestão da multimorbilidade pode originar sobrecarga médica que deve ser avaliada.O objetivo do trabalho foi criar e validar um questionário para medir a sobrecarga pela gestão da multimorbilidade nos médicos de Medicina Geral e Familiar.MÉTODOS: O questionário foi construído após revisão da literatura e das informações de um grupo focal. Validade de constructo efetuada pelo método da máxima verossimilhança para análise fatorial e rotação oblíqua simples (oblimin), numa amostra de médicos de Medicina Geral e Familiar após pré-teste.RESULTADOS: Validação com estudo das respostas de 223 médicos de Medicina Geral e Familiar (120 mulheres), média etária de 51,4 ± 13,1 anos, do centro de Portugal, via convite a preenchimento do questionário online. Após análise o questionário foi reduzido de 23 para 16 itens demonstrando boa coerência interna e validade de constructo, com quatro fatores explicando 66,6% da variância total do questionário. Alfa de Cronbach, para a escala global de 0,89 e fatores entre 0,88X e 0,49Y.DISCUSSÃO: SoGeMM-MGF de 16 questões permite avaliar quatro áreas de impacto da multimorbilidade. Este instrumento esclarece áreas e dificuldades sentidas pelos profissionais médicos, e poderá orientar o desenvolvimento de soluções para uma gestão mais eficaz da multimorbilidade. Apesar das boas propriedades psicométricas do questionário, estudos mais robustos da sua validade concorrente e discriminativa e estabilidade temporal, em amostras mais numerosas e em outras zonas do país, serão necessários futuramente.CONCLUSÃO: O questionário pode ser considerado um instrumento fiável para a avaliação da sobrecarga da gestão da multimorbilidade em Medicina Geral e Familiar.
Anabela Possidónio
Published: 30 December 2019
Gazeta Médica; doi:10.29315/gm.v6i4.297

Abstract:É com enorme satisfação que escrevo o editorial da Gazeta Médica. À semelhança do que vem acontecendo, neste número poderão encontrar artigos e casos clínicos que abarcam várias áreas do conhecimento médico-cirúrgico.Tendo em consideração que entramos numa nova década, gostaria de dedicar este artigo às novas tendências na área da saúde sendo que, pela sua importância, não poderia deixar de falar em tecnologia. Contudo, sendo a saúde estruturante ao que nos define como pessoas, não poderei deixar de fora um tema tão importante como o relacionamento médico-paciente.Do lado da tecnologia temos assistido a uma evolução enorme, que transformou a forma como nos relacionamos com o ambiente em que vivemos. Desde questões tão simples como fazer compras online, transferir dinheiro ou comunicar com pessoas em qualquer parte do mundo, a tecnologia permitiu grandes avanços na ciência. Apenas a título de exemplo, quando pensamos em saúde, os pacientes passaram a ter acesso a técnicas avançadas de diagnóstico, a cirurgia minimamente invasiva e a tratamentos revolucionários, que transformaram a forma como se prestam cuidados de saúde.Olhando para o futuro, segundo um relatório da McKinsey (1), as nove tendências tecnológicas que maior impacto já estão e continuarão a ter no sector da saúde são: Utilização de dispositivos que monitorizam os parâmetros de saúde, administram a terapêutica de forma autónoma, ao mesmo tempo que integram o paciente com os seus cuidadores e a comunidade onde se insere. Implantação de elétrodos que podem atuar ao nível do sistema central e que permitem tratar várias doenças. Medicina de precisão: prática médica focada na pessoa através do recurso a testes genéticos, identificação de biomarcadores e desenvolvimento de terapêutica personalizada. Robótica: a nova geração de robots vai permitir o avanço da cirurgia minimamente invasiva, ao mesmo tempo que automatiza várias tarefas. Impressão 3D: esta tecnologia permite a criação de estruturas a 3 dimensões, compostas por material biológico e industrial, potenciado a possibilidade da criação de próteses personalizadas, substituição de órgãos e dosagem de medicamentos de precisão. Big Data e analytics: a utilização de plataformas para recolher e partilhar dados, potencia a existência de uma enorme quantidade de informação que permitirá diagnósticos mais precisos e uma melhor definição de terapias. Neste contexto, é de salientar que a utilização de Big Data está ainda no começo, sendo que o potencial de se transversalizar, incluindo a recolha de dados psicológicos durante procedimentos, é enorme. Inteligência Artificial: de mãos dadas com a tendência anterior, a tecnologia potencia a conversão de dados em decisões clínicas, garantindo que são encontradas as melhores soluções para o doente e para a produtividade clínica. Blockchain: banco de dados que funciona como um livro de...