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Results in Journal Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea: 256

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Marcelo Gonçalves Rodrigues
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 105-136; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i3.34499

Abstract:
O presente artigo se propõe a uma análise da conjuntura de mal-estar global resultante do período de pandemia, do COVID-19, no qual houve a intensificação nos usos das novas tecnologias. O cenário aponta para uma realidade cuja objetividade material efetiva, cada vez mais, um sistema de tecnocracia, sendo a inteligência artificial dos algoritmos as balizas para sua implementação definitiva com destaque para monitoramentos, vigilâncias, automação, previsão e controle de corpos e mentes. A crise do coronavírus acelerou com demasiada radicalidade mudanças em inúmeros setores da sociedade e da subjetividade humana. Portanto, esse período crítico de mal-estar tem como produto direto a apresentação da Quarta Revolução Industrial ou indústria 4.0 munida de sistemas ubíquos e de computação quântica interconectados para a captura de dados e direcionamento das ações humanas.
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 81-103; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i3.34494

Abstract:
O objetivo do artigo é reconhecer e analisar determinadas reflexões conceituais acerca da ação política que apresentem as formas mecânicas ou funcionais, indicando estratégias do agir autônomas em relação aos aspectos discursivos. Nossa hipótese é a de que categorias tradicionais, tais como a soberania, a representação, as instituições do Estado e da sociedade civil são insuficientes como instrumentos de compreensão do político. A questão central é a de que os regimes de produção de subjetividades encontram sua maior eficácia na intersecção ou nas fronteiras entre os modos discursivos e os funcionais. Busca-se introduzir aspectos de certa filosofia contemporânea que, antecedendo o capitalismo de vigilância e suas tecnopolíticas, já se debruçava sobre a fabricação e as máquinas enquanto elementos dos processos de condução das vidas individuais e coletivas.
Wilson Alves de Paiva
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 225-246; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i3.31941

Abstract:
O presente texto apresenta uma tradução da peça Pygmalion, escrita pelo filósofo genebrino Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). A tradução foi feita direta do original em francês, o qual está contida nos “Contes et Apologues” (Contos e Apólogos) das Œuvres Complètes (Obras Completas), publicada em cinco volumes, na França, pelas Edições Gallimard, da coleção Bibliothèque de la Pléiade, sob a direção de Bernard Gagnebin e Marcel Raymond. Após a tradução, o artigo procura discutir que enquanto Rousseau condenava as artes, dentre elas o teatro, como um dos elementos causadores da corrupção humana, escreveu diversas obras artísticas, entre elas poesias, romances, óperas e peças de teatro. Aliás, o autor pode ser considerado como um dos precursores do romantismo, tendo influenciado nomes como o do grande escritor alemão Goethe. Entretanto, a estética rousseauniana tem a perspectiva de se encontrar o remédio no próprio veneno, isto é, a utilização das artes como remédio para os males que elas causaram no coração humano.
Jade Oliveira Chaia, Michelly Alves Teixeira,
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 293-295; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i3.35091

Abstract:
A tradução da presente obra foi realizada pelo Grupo de Tradução do Departamento de Filosofia da Universidade de Brasília, coordenado pelo professor doutor Philippe Lacour. O grupo se propõe a traduzir regularmente obras de filosofia francesa ainda inéditas em língua portuguesa. O trabalho de tradução é produzido de maneira colaborativa através da plataforma digital TraduXio (https://traduxio.org/).
Antoinette Rouvroy, Maria Cecília Pedreira de Almeida,
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 15-28; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i3.36223

Abstract:
Antoinette Rouvroy é sem dúvida umas das principais referências mundiais no que se refere ao uso dos big data e de algoritmos nas sociedades modernas, tendo cunhado o termo, juntamente com Thomas Berns, de “governamentalidade algorítmica”, agora bastante estudado e difundido. Nesta entrevista, encaminhada com exclusividade à Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, a pesquisadora afirma que certas tecnologias pretenderiam eliminar as incertezas sobre o futuro, interferindo e moldando comportamentos humanos. Apesar de tecer duras críticas à atual “sociedade da otimização”, na qual se destacam ao mesmo tempo o afã de otimização e ao mesmo tempo a espantosa passividade digital, também declara ter esperanças em um futuro não tão distópico. Segundo ela, “a melhor forma de resistência é não se deixar fascinar pela Inteligência Artificial”. Por fim, revela que é preciso lidar com o fato de que os dados são excessivamente centralizados por grandes companhias e fora de qualquer controle de natureza democrática. Portanto, segundo Rouvroy, é preciso repensar profundamente a situação dos dados, para que as instituições possam exercer algum papel, garantindo a transparência e a finalidade de sua utilização. A entrevista foi concedida originariamente ao Green European Journal, em inglês, em março de 2020. Aqui trazemos a versão revista e ampliada pela autora, com passagens inéditas.
Denilson Soares Cordeiro
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 207-224; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i3.34772

Abstract:
O artigo aborda o chamado ensino remoto como a versão atualizada e político-tecnológica do agravamento das decisões oficiais contra a educação pública e o direito à educação de qualidade. Nesse sentido, procuro apresentar uma discussão tomando como base relatos da minha própria experiência na docência universitária e na pesquisa que tem como campo a escola pública, para, em seguida, discutir os termos contextuais do problema no âmbito do “extrativismo de dados” das grandes empresas norte-americanas de tecnologia, que gerem exclusivamente toda produção, transmissão e armazenamento de dados no ensino remoto público, com base naquilo que Evgeny Morozov chama de “solucionismo tecnológico”.
, Salomón Abasto Macías
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 137-153; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i3.34460

Abstract:
O presente artigo parte da transição discreta entre as sociedades disciplinares para as sociedades de controle que, em tese, se realizada pela utilização das tecnologias de vigilância e a produção das Big Datas. A partir dessa premissa o artigo busca na relação de dados e algoritmos as condições de possibilidade de uma governamentalidade algorítmica que transforma as subjetividades dos indivíduos em perfis gerados pelas tecnologias, como forma de compreensão da sociedade. Com isso, o estudo tem por objetivo compreender como a governamentalidade algorítmica influencia na construção da realidade subjetiva e social através das tecnologias de comunicação e informação que se alimentam com dados, que logo, através da Data Science, se torna em algo utilizável a favor do controle das populações. Por fim, conclui-se que o futuro estará cada vez mais entrosado com a sociedade de controle algorítmica, e que, precisamos ser críticos com os eventos relacionados à tecnologia, à ciência e a sociedade.
Cristian Arão
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 181-206; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i3.34292

Abstract:
O mundo político foi tomado de sobressalto em meados da década passada pela descoberta da influência de empresas de propaganda que teriam utilizado rastros digitais dos eleitores para manipulá-los. Com o auxílio do Big Data e dos algoritmos, grupos teriam conseguido hackear eleições ao redor do mundo, criando uma nova arma de manipulação psicológica que constituiria uma ameaça à democracia. Este artigo, entretanto, pretende lançar luz sobre outra perspectiva: muito embora os avanços tecnológicos demandem análises específicas, mecanismos de controle social subjetivo não são uma novidade. Dessa forma, as táticas usadas contemporaneamente não são invenção de um modo novo de fazer política, são versões atualizadas de um sistema de manipulação antigo. Se a democracia corre risco porque as pessoas estão sob a mira de grupos que tentam influenciá-las sem que elas saibam, ela sempre esteve, pois sempre que a opinião pública foi importante, houve sistemas articulados para manipulá-la.
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 69-80; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i3.34503

Abstract:
In this article, it is presented the notion of zero-order privacy violation as a grounding practice within a new type of human exploitation, namely, data colonialism: massive appropriation of social life through data extraction, acquiring digital “territory” and resources from which economic value can be extracted by capital (Couldry & Mejias, 2019). At first, I claim that privacy violations do not depend on the nature of the agents involved. Robots read your email, and not having humans involved in the process does not make it less of a violation. It is considered that the harvested data stream is better understood as being a commodity when clean, well-formed, meaningful data standards are respected. Then, it is suggested that scenarios like the covid-19 pandemic make a perfect case to expand surveillance via tracking applications. Companies and governments with pre-existing tendencies to secrecy, tech-enabled authoritarianism, and austerity, capitalize on disinformation strategies. Finally, remarks on the value of encryption, and strategic deleting as measures to reinforce privacy are made.
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 247-263; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i3.31233

Abstract:
As diversas técnicas de memória têm privilegiado a constituição de um aparato institucional. O projeto nietzschiano de transvaloração dos valores se impôs contra estas disposições da memória, para tanto, opera num movimento inverso, pela promoção de técnicas que privilegiem a dissolução da memória em esquecimento. De modo a enfraquecer o aparato moral institucional e fortalecer o projeto de valores que privilegiem a vida e suas disposições anímicas. Contudo, vigora neste projeto nietzschiano uma aporia: a de permanecer na esfera da afirmação da técnica. Se, por um lado, Nietzsche questiona todos os mecanismos técnicos, a saber àqueles relativos aos estabelecimentos de ensino por outro, ele não ultrapassa esta esfera, afirma a técnica através dos mecanismos do esquecimento, ao questionar as técnicas de memória. Em que medida os escritos de Nietzsche inspiram uma reflexão profícua para pensar a técnica e sua aplicação à memória?
Carlos Henrique Barth
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 39-68; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i3.34363

Abstract:
Técnicas de inteligência artificial (IA) são utilizadas para modelar as atividades humanas e gerar predições comportamentais. Estes sistemas têm apresentado vieses diversos, inclusive de raça e gênero, tipicamente tomados como problemas de engenharia. Realiza-se aqui um esforço argumentativo para mostrar que: 1) escapar dos vieses demanda um sistema que compreenda a estrutura das atividades humanas e; 2) criar um sistema que apresente tal compreensão, demanda a solução de problemas fundacionais da IA, em particular, o problema de como modelar o senso comum. No caso de plataformas informacionais que usam desses modelos para mediar interações com seus usuários, algo cada vez mais comum, o não reconhecimento disso dá margem a uma ilusão de progresso, em que uma crescente influência sobre nosso comportamento é tomada como uma crescente acurácia preditiva. Nesse cenário, argumenta-se que o problema dos vieses está associado a questões não técnicas que devem ser discutidas em espaços públicos.
Jefferson Silva, Marcius Tadeu Maciel Nahur
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 155-180; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i3.34300

Abstract:
Este artigo tem como objetivo discutir a racionalidade do governo gerenciado pela lógica dos algoritmos. Trata-se de uma lógica de cálculos e estatísticas utilizada para conduzir as ações individuais, mesclada à s funções das máquinas autônomas, caracterizando um novo regime de produção de subjetividades. Estruturando as relações entre o humano e a máquina, no espectro virtual da imediatidade, e recolhendo o máximo de informações sobre os desejos e necessidades dos indivíduos, o governo algorítmico opera com a ideia de uma regulação inerente à própria circulação intermitente de dados, afetando experiências pessoais e sociais, através da vigilância sistêmica e do controle gradativo dos processos das manifestações subjetivas.
Thomas Berns, Maria Cecília Pedreira de Almeida,
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 29-37; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i3.36260

Abstract:
Neste artigo, publicado originalmente na França (Rendre la révolte impossible, Rue Descartes, 2013/1, n. 77, pp. 121-128), Thomas Berns reflete sobre um novo tipo de normatividade, que se afasta do modelo jurídico-discursivo e subverte um aspecto fundamental daquilo que entendemos tradicionalmente por norma: a possibilidade de desobediência. O autor procura discernir, nas normatividades contemporâneas, uma nova relação com a realidade, uma pretensão de governar a partir do real. Diferentemente da norma jurídica, que expressa um ato de vontade que procura governar o real, tais normatividades são concebidas como imanentes ao real, permitindo que as práticas de governo se tornem mais insidiosas, quase imperceptíveis, como vemos na “governamentalidade algorítmica”. A tradução deste artigo para o português procura contribuir para a difusão, no Brasil, desse importante debate sobre a política e o direito na contemporaneidade.
Rafael Siqueira Monteiro
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 265-284; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i3.31766

Abstract:
O presente artigo analisou como o cristianismo produziu uma subjetividade por meio da qual o sujeito renunciou a si mesmo. Defendemos a hipótese de que esse modo de subjetivação cristã somente foi possível graças a duas características presentes na relação sujeito e verdade no cristianismo primitivo: a obrigatoriedade de confessar uma verdade de si e a imperfeição que caracteriza a natureza humana na antropologia cristã. Em outras palavras, a confissão da verdade de si tornou-se uma espécie de cura para os pecados oriundos da natureza imperfeita dos homens. Nesse duplo movimento que se iniciava por uma hermenêutica de si e findava na verbalização da verdade encontrada em seu próprio interior, o sujeito se enredou em uma malha de poder constituída por verdades confessadas que o levaram a renunciar a si mesmo. Â
Ingolf Max
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 79-118; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i2.35848

Abstract:
It is well-known that Kant and Frege offer seemingly exclusive answers to the (epistemo)logical status of equations. Expressions like “7 + 5 = 12” are synthetic for Kant but analytic for Frege. Nevertheless, Kant and Frege have a shared interest: Demonstrating the possibility of grasping a general real by science. Kant’s question is “How is metaphysics as science possible?” Frege answers the question “How is logic as science possible?” Both thinkers are convinced that a precondition for answering their questions consists in the creation of a third concept. But how? Traditionally given mutually exclusive distinctions seem to let no room for such a different third concept. The revolutionary idea is to create basic concepts as molecules(patterns, Gestalten)with a characteristic inner structure opposed to atoms without any inner structure. Such molecules ”“ Kant’s “synthetic judgments a priori” and Frege’s “thoughts” ”“ can be analyzed as2-dimensionally structured intermediate cases.
Saulo Krieger
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 209-232; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i2.31962

Abstract:
O artigo pretende fazer ver até que ponto um certo Esclarecimento não é necessariamente um movimento de combate à religião estabelecida. Pode se revestir mesmo de um impulso para salvá-la, por mais que seu projeto não seja religioso, e sim humanista. Mais precisamente, o texto se propõe a mostrar de que modo salvar a religião de si mesma para emancipar a humanidade pela racionalidade e pela educação seria bem o projeto de Lessing, notadamente em Natã, o sábio. Para tanto, contextualiza-se o cenário intelectual alemão cotidiano à época do autor, cenário este pautado por escritos teológicos, não iluministas, passa-se pelas várias teologias existentes à época na Alemanha e também pelo modo como o próprio Esclarecimento assumia ali dimensão teológica, com Christian Wolff. A maioridade iluminista de Lessing é visitada mediante sua vocação plural, seu gosto pelas querelas e sua argumentação sem posições fixas ou demarcadas, assim como pelas noções de educação e de humanidade.
Luiz Filipe Da Silva Oliveira
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 419-427; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i2.32413

Abstract:
Acusando-os de tentar “reintroduzir pela porta dos fundos o que foi retirado da filosofia pela porta principal”, ao invocar Lessing, Schelling rebate boa parte do aparato conceitual dos teólogos de Tübingen, alegando que o conceito de revelação, tal qual pensado por esses, entre outras coisas, serviria como um “meio externo auxiliar da moralidade”, o que solaparia com qualquer possibilidade de liberdade.
Marcelo Micke Doti,
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 405-418; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i2.27343

Abstract:
A grande especialização alcançada em todas as áreas do conhecimento humano são formas pelas quais as narrativas do mesmo conhecimento se colocam diante de objetos construídos dessa especialização, mas que, ao mesmo tempo, compromete o ideal democrático e integral da universidade. Muito sensível a esses aspectos da contemporaneidade são os cursos tecnológicos e a proposta deste artigo é demonstrar porque a filosofia é fundadora e restauradora de um saber integral e não “tecnicista”. A sua urgência e necessidade nesses cursos é apresentada argumentando através de Simondon (Du mode d’existence des objets techniques) bem como do desenvolvimento da concepção não mediada da tecnologia, mas a tecnologia e suas técnicas como determinado tipo de linguagem. Acredita-se, assim, abrir espaço para o pensamento filosófico e sua constante forma de interrogar escampando de determinadas estreitezas da especialização.
Christian Krijnen
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 35-77; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i2.35874

Abstract:
Sinn und Geltung von Kants Schematismuslehre sind bis heute umstritten. Im Neukantianismus und in der Transzendentalphilosophie der Nachkriegszeit kommt es diesbezüglich zur einer radikalen Transformation von Kants Schematismus reiner Verstandesbegriffe. Kants Heterogenitätsthese soll überwunden werden durch eine Rückbindung der Heterogenität an eine fundierende Einheit, die die Geltungsstruktur der Erkenntnis selbst ist. Die Schematisierungsleistung der Spontaneität des Denkens wird festgehalten, Kants apperzeptionstheoretische Pointierung und die mit ihr einhergehende Äußerlichkeit von Gegebenem und Bestimmung des Gegebenen in einer geltungsnoematischen Konstitutions- und Regulationsordnung aufgehoben. Der positive Sinn von Kants Schematismuslehre erweist sich, ob bei den diskutierten Neukantianern oder der späteren Transzendentalphilosophie als Methodologie.
Gottfried Gabriel
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 177-190; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i2.35862

Abstract:
The contrast between logical and analogical thinking is illustrated by the representative views of Frege and Nietzsche. These ways of thinking turn out to be expressions of different ways of conceiving the world. They stand for two opposing traditions of contemporary philosophy: scientific-analytic philosophy and postmodern deconstruction. Based on Wittgenstein's philosophy of language, it is argued that neither of the two perspectives is absolute, but that both should complement each other.
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 313-331; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i2.30128

Abstract:
A crítica da finalidade expõe os limites da racionalidade científica. Como produto desta, deseja-se interrogar as consequências do objetivismo em sua relação com o afastamento do mundo-da-vida (Lebenswelt). Teremos como ponto inicial uma crítica da razão científica a partir dos fundamentos anunciados por Edmund Husserl no que tange pensar uma fenomenologia da crise. Com efeito, o argumento fenomenológico buscará elementos de que o empreendimento da racionalidade teleológica moderna limitou a própria forma de pensar e fazer ciência e, portanto, conduzindo a humanidade a um abandono do mundo moral. Â Portanto, ao voltar-se para o horizonte vital do mundo-da-vida, se exige a necessidade da própria negação do objetivismo como uma atitude necessária para a renovação.
Cássio Robson Alves da Silva
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 275-292; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i2.29074

Abstract:
O impulso que direciona o eu para a objetividade do conhecimento é o mesmo que se volta sobre si mesmo no interior da subjetividade. O propósito deste trabalho é mostrar que esse movimento empreendido pelo indivíduo, ou seja, o desdobrar-se do eu sobre si mesmo (a dobra), é sucedido pela atividade livre do pensamento na qual o eu recupera (emenda) o que se perdeu na busca especulativa. Assim, tal recuperação apresenta-se através de manifestações legítimas da subjetividade (dúvida e desespero), as quais podem ser concebidas como a negatividade constituinte da existência humana. Para tanto, confronta-se a filosofia do dinamarquês Kierkegaard, de caráter não sistemático, com outras concepções sistemáticas do real presentes na história da filosofia, tais como as de Leibniz e o idealismo alemão, a fim de obter um esboço para se pensar a questão do eu como abertura da subjetividade diante da tarefa do existir humano.
Claude Imbert
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 191-208; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i2.35852

Abstract:
On propose ici quelques éléments d’un travail en cours, la formulation en est provisoire. On s’en est tenu aux prémisses. Pourquoi ce titre, Frege, encore une fois? Partant d’une communication au colloque sur les Origines de la modernité tenu à Sao Paulo à l’automne 2019, on trace l’intrication historique des supports et langages propres aux constructions contemporaines de l’intelligible, les demandes auxquelles ils répondirent telles qu’elles se sont révélées au tournant du XIXème-XXème siècle; Il s’agit d’une histoire lente, le propos va tout à l’inverse de ce que l’on appela crise des sciences. Si crise il y a - encore que ce terme, venu de la médecine hippocratique, ait beaucoup perdu de sa prégnance - elle serait aussi et surtout ailleurs. C’est la notion même de modernité en philosophie qui est en cause, toujours marquée par une opposition polymorphe entre les Anciens et des Modernes, qui se perpétue sous tant de rhétoriques et de retours. L’argument eut son heure de justesse. Encore faudrait-il se demander quels Anciens, comment ils furent modernes en leur temps, et comment ‘ l’âge classique’ qui s’en est recommandé s’est perpétué dans les figures d’un criticisme canonique- sur lequel s’est fixé le débat. Aujourd’hui, besoin est d’identifier les chemins détournés d’une modernité où la philosophie jouera sa mise et ses chances. On l’a tenté ailleurs, à propos de Merleau-Ponty, de Lévi-Strauss, ou de Foucault. Eux- mêmes travaillaient à partir d’un héritage criticiste qu’ils quittèrent élégamment, sans amertume ni déconstruction, car l’essentiel était déjà d’identifier de nouveaux langages déposant l’intelligible sur d’autres dimensions et, dans les décades d’après-guerre, d’ habiliter des dimensions graphiques. Notre malaise y prend ses prémisses: il est dans la multiplication des voies empruntées par un rationalisme distribué sur des langages complémentaires, qui ne recouvrent pas le spectre entier de nos demandes, frayant des chemins argumentés ou prétendus tels, inventifs ou récessifs, confondus dans une notion opaque, approximative, d’information, déposeé sur un continuum de numérique et de communication. L’épisode dont Frege fut l’épicentre, est aussi une affaire de graphisme, c’est à dire de syntaxe et de diversification. S’y dessine ce qui sépare aujourd’hui les langues dites naturelles des langages strictement graphiques ayant leurs dimensions propres. Tout en ayant toujours coexisté quelque peu, les unes et les autres ont acquis un tout autre statut, et engagé un conflit de performances. Etaient en cause l’alexandrinisme de la pensée philosophique et la fin du galilélisme philosophique. Un pavé avait été jeté dans la mare, les remous en viennent jusqu’à nous.
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 233-250; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i2.29355

Abstract:
O presente artigo busca sugerir que, já na Fenomenologia do Espírito (1807), Hegel desenvolve uma leitura historicista do desenvolvimento do direito na modernidade. Escrita a partir de metáforas, propomos que a tríade estoicismo, ceticismo e consciência infeliz referenciaria o percurso do pensamento moderno, perpassando a doutrina do contrato social, o construtivismo moral de Kant, e a eticidade hegeliana ”“ lida, aqui, a partir do entendimento de que o direito se subjuga à ética contextualmente situada, manifesta na religião. As consequências para essa leitura consolidam-se na percepção de que Hegel, na Fenomenologia do Espírito, traça a visão de que é preciso superar o dualismo entre consciência e natureza, a fim de compreender que a própria experiência ética fornece os termos da razão que, por sua vez, reflete e incorpora a natureza.
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 383-403; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i2.28981

Abstract:
O que significa o movimento social dos « coletes amarelos » (gilets jaunes) que desafia o poder na França há mais de um ano? Essa « revolta das rotatórias » já é o principal movimento popular na França desde 1968, e até talvez de 1936, mas ela se deixa dificilmente definir. Efetivamente, tem manifestantes de esquerda e de direita, de todos os gêneros e lugares do país, todas as idades e categorias sócio-profissionais. Diante desse desafio, defendo que tal revolta não se iguala ao movimento social brasileiro de 2013, que evoluiu gradualmente para a extrema direita. De fato, mesmo que tivesse começado com reivindicações em torno do custo de vida (gasolina, poder de compra, taxas), evoluiu fortemente em favor de uma conscientização multiforme, até se definir hoje como um movimento constituinte, que ambiciona uma reformulação do pacto social de base da nação francesa. É então sem exagero nem lirismo que se pode falar de um movimento revolucionário. Ora, resta saber o que estamos a ponto de rejeitar para inventar um mundo novo. Defenderei a hipótese de que o povo Francês tenta se libertar de uma situação quase colonial imposta pela União Européia.
, Jade Oliveira Chaia, Felipe Matos Lima Melo, Mariana Mendes Sbervelheri, Manuella Mucury Teixeira, Michelly Alves Teixeira, Filipe Ceppas
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 429-433; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i2.34285

Abstract:
A tradução da presente obra foi realizada pelo Grupo de Tradução do Departamento de Filosofia da Universidade de Brasília, coordenado pelo professor doutor Philippe Lacour. O grupo se propõe traduzir regularmente obras de filosofia francesa ainda inéditas em língua portuguesa. O trabalho de tradução é produzido de maneira colaborativa através da plataforma digital TraduXio (https://traduxio.org/).
Luis Niel
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 119-138; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i2.35865

Abstract:
The aim of this article is to analyze and criticize Roderick Chisholm’s conception of intentionality, which has, historically, served as the point of departure for most accounts of intentionality in analytic philosophy. My goal is to highlight the problematic ‘logico-linguistic commitment’ presupposed by Chisholm, according to which mental concepts should be interpreted by means of semantic concepts. After addressing Chisholm’s differentiation between the ontological thesis (the idea that the intentional object might not exist) and the psychological thesis (the conception that only mental phenomena are intentional), as well as his defining criteria for intentionality (non-existential implication, independency of truth-value, and indirect reference), I focus on the manifold problems presented by his theory. First, the two initial criteria entail a conceptual confusion between the semantic concept of ‘intensionality’ and the mental concept of ‘intentionality’. Second, according to these criteria””and against Chisholm’s explicit intention””perception and other cognitive activities should not be considered intentional. Third, there are no grounds for the artificial conflation of intentionality and the concept of ‘propositional attitudes’””an equation which is an explicit tenet of the logico-linguistic commitment. In general, I argue that an interpretation of intentionality based on this commitment obscures the true meaning of the concept of intentionality, as it is presented, for instance, by phenomenology.
Filipe Monteiro Morgado
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 293-311; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i2.29416

Abstract:
A partir de uma questão apresentada na “Introdução” deste artigo, procuraremos elucidar a relação entre os pensamentos filosófico e científico conforme escritos de Alexandre Koyré. Dividimos nosso texto em quatro partes, que abordam: (1) a disputa de Koyré contra a filosofia da ciência positivista e a epistemologia de Émile Meyerson, estas duas defendendo a existência de verdades imutáveis; (2) a oposição de Koyré à s epistemologias continuistas, apresentando o citado pensador como um descontinuista dado seu diagnóstico da historicidade da razão; (3) a tese koyreana que busca explicar a gênese do matematismo da física clássica como uma ilustração do primado teórico da ciência e da sua descontinuidade; (4) a resposta à questão inicial do nosso artigo, a partir da ideia da inseparabilidade entre filosofia e ciência e da ideia de descontinuidade da razão.
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 251-274; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i2.28290

Abstract:
O ensaio investiga o conceito darwiniano de espécie a partir de A origem das espécies e de algumas de suas versões científicas e filosóficas. O objetivo principal é demonstrar o caráter essencialmente problemático do conceito, cujo estatuto oscila, no plano lógico, entre a categoria e a imagem, e, no plano vital, entre tipo e aberração. Argumenta-se para tanto que a teoria darwiniana da evolução da vida comporta uma teratologia, segundo a qual origem das espécies é pensada como potencial de diferenciação das formas vivas, sendo a monstruosidade o seu caráter mais originário. Por fim, conclui-se com a hipótese metafísica, inspirada pelo neoevolucionismo, e aplicada retroativamente à teoria darwiniana, de que as espécies naturais, enquanto formas de vida, são obra da imaginação metabólica e simpoiética dos viventes.
Hernán Pringe
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 139-156; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i2.35863

Abstract:
In this paper we analyze the historical roots of the Bohrian concept of symbol. More precisely, we argue that Bohr takes Kantian elements from Høffding´s philosophy in order to develop his own concept of symbol. For this purpose, firstly, we focus on the two different senses that Bohr gives to the concept of symbol. Then, we study how each of these senses is related to different aspects of Høffding’s philosophy and we show the connection between the Bohrian and the Kantian concept of symbol by means of Høffding’s mediation.
Fabien Schang
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 355-381; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i2.28966

Abstract:
Inspirada por a distinção de Kripke entre os conceitos de analiticidade e a aprioridade através do conceito auxiliar de necessidade, a tese central desse artigo é que tem mais tipos de atitudes políticas do que esperado ; a falta de algumas delas no espectro político vem de uma confusão profunda entre o conceitos de direita e de conservatismo. Alem disso, a separação entre dois tipos de ordem ”“econoÌ‚mico e moral, justificará as atitudes mais originais de ‘conservatismo de esquerda’ e de ‘progressismo de direita’ enquanto explicara as noções ambíguas de centros e extremos políticos. Em conclusão, uma comparação entre valores políticas e valores lógicos ”“verdade e falsidade, permitira uma explicação das atitudes ambivalentes ‘esquerda e direita’ e ‘nem de esquerda nem de direita’ ou como casos de confusões conceituas ou como um colapso do discurso político no ‘extremo-centro’.
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 157-175; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i2.35867

Abstract:
This paper considers W.V.O. Quine's inauguration of naturalistic epistemology at the 14th International Congress of Philosophy in Vienna in 1969 and argues that, contrary to his suggestions, naturalistic epistemology was practiced in the Vienna Circle already back in the days when he visited them fresh out of graduate school.
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 15-33; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i2.35850

Abstract:
Nous commençons par souligner les trois innovations kantiennes qui mettent la philosophie théorique sur une nouvelle voie. Premièrement, une nouvelle forme de la Philosophie théorique, présentée non plus comme une théorie directe de la nature, mais comme une enquête réflexive de la science mathématique de la Nature comme un fait primitif. Deuxièmement, la méthode transcendantale, comme détermination réflexive-régressive des conditions subjectives de possibilité de la connaissance des objets en général. Troisièmement, le rôle central joué par la science newtonienne de la nature. Après cela, je discute de la réévaluation logico-positiviste du récit de Kant à la lumière de la relativité générale d'Einstein et de la réplique de Cassirer, soulignant avec ce dernier la nécessité d'une révision des thèses de Kant sur l'espace, sans toutefois abandonner la posture transcendantale kantienne et sa théorie de la constitution de quelque chose comme objet de connaissance. Enfin, nous concluons par quelques remarques qui visent à une esthétique transcendantale renouvelée qui serait capable d’absorber la théorie de l’espace-temps que la physique d’Einstein a mise en avant.
João Renato Amorim Feitosa
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 333-353; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i2.28986

Abstract:
O presente artigo tem como principal objetivo a tentativa de pensar a possibilidade de uma teoria da crença entendida como dividida em diferentes modalidades temporais: presente, passado e futuro. Tendo em vista os trabalhos desenvolvidos por Tarski e Popper acerca do problema da verdade e teorias pragmáticas da linguagem como a de Habermas e Austin, gostaríamos de testar os limites da concepção de verdade enquanto correspondência em relação a uma concepção tripartite do tempo, ou seja, nos perguntamos acerca da validade daquela concepção de acordo com a diferente modalidade temporal dos enunciados. Em um primeiro momento, analisamos os fatores para que um enunciado se torne objetivo, isto é, válido para além do âmbito subjetivo, de acordo com a concepção usual de tempo, para em seguida apresentar alguns exemplos de uso prático das modalidades temporais dos enunciados na fala cotidiana, e em algumas instituições públicas regidas por regras aceitas coletivamente. Por fim, nos perguntamos se as mudanças de paradigma em relação à nossa concepção de tempo seriam fatores chave no que diz respeito à determinação das regras de validação dos enunciados que o têm como referência, e as consequências práticas desse tipo de enunciado.
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 233-283; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i1.34112

Abstract:
Une «logique du modal» véritablement universelle, qui rende compte de la subjectivité concrète à l’oeuvre dans l’activité scientifique, voilà ce que serait l’âme du «fantôme évanescent de la modalité». Or tel était le projet husserlien de réforme de la logique. Le fantôme husserlien des modalités ainsi entendu surgit dans l’oeuvre de Vuillemin et de Granger là où l’un et l’autre s’allient pour éliminer le spectre du sujet transcendantal et le priver de toute logique (au moyen de «l’objection-Gödel»). Le retour du fantôme s’opère de manière équivoque, là où ils s’engagent dans l’élaboration d’une logique pertinente d’un point de vue épistémologique, apte à rendre compte de la pratique scientifique et non de quelque squelette formel ou l’un de ses «reflets idéalisés» correspondant à l’une de ses étapes et à son mode d’existence pour une conscience individuelle ou une société. Les références à Oskar Becker correspondent de ce point de vue avec autant d’apparitions fugaces et équivoques du fantôme d’une logique de la modalité.
Leonardo Correia Bastos
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 417-448; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i1.27443

Abstract:
O presente objeto de pesquisa busca proceder ao estudo e identificação dos traços essenciais envolvidos na abordagem teórica das relações sociais e políticas trazidas na obra O Direito da Liberdade do filósofo alemão Axel Honneth. Faz-se uma análise da influência hegeliana sobre o conceito de liberdade, assim como dos fatores relacionados com o suprimento das carências subjetivas, mediadas pelas diferentes “esferas” sociais. Honneth, assim, procura trazer à tona a compreensão de um novo modelo de liberdade advindo da Filosofia do Direito de Hegel, o qual se distingue substancialmente dos modelos tradicionais. O autor busca evidenciar a limitação das teorias da justiça de tradição liberal, invocando a necessidade de uma visão integrada das relações sociais experimentadas nas esferas referidas por Hegel, concebendo-se uma experiência concreta de liberdade social. Nesse sentido, evidencia-se o caráter interdisciplinar e emancipatório do método de reconstrução normativa como base teórica para a justificação pública nas sociedades modernas.
Rogério Holanda da Silva, Ricardo Décio
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 285-305; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i1.28914

Abstract:
Este trabalho consiste em uma reflexão hermenêutico-fenomenológica sobre a indigência do nosso tempo. Traz, na verdade, uma outra compreensão acerca dos malefícios que o atual momento tem causado ao ser humano ao imprimir um modelo de vida oferecido desde a modernidade e que implicou em uma série de inquietações, criando novas patologias. Trata-se de um movimento histórico, conhecido por Niilismo, que nos deu uma “nova morada”, a qual, paradoxalmente, se mostra como não morada, um não-lugar, ou seja, um lugar estranho. Nesse lugar, residem desassossegos vigentes, como cansaço, stress, ansiedade, tédio, melancolia, depressão etc. Todavia, essas crises existenciais são interpretadas pelas ciências naturais como algo exclusivamente inerente ao corpo biológico dado. Essa interpretação é amplamente questionada aqui ao compreender que tais fenômenos só serão devidamente compreendidos mediante a analítica existencial do ser-aí humano, haja vista esse ente constituir-se como um ser-no-mundo que tem como horizonte a temporalidade.
Alexandre Machado
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 325-339; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i1.28435

Abstract:
Este trabalho visa apresentar uma breve discussão sobre o debate entre o empirismo lógico do Círculo de Viena e o racionalismo crítico de Karl Popper. Após uma exposição geral acerca da perspectiva teórica dos intelectuais Vienenses, busca-se demonstrar de que maneira o filósofo Karl Popper tenta sobrepujar o princípio de verificação dos empiristas lógicos por meio do princípio de falsificabilidade. Ao analisar as críticas de Popper mais detalhadamente, procura-se acenar para algumas questões teóricas a respeito das dificuldades de suplantação do critério de demarcação científico popperiano em relação ao neopositivista, sobretudo no que tange à utilização do método indutivo.
Jefferson Silva, Marcius Tadeu Maciel Nahur
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 341-364; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i1.29408

Abstract:
Este artigo buscar apresentar a crítica de Paul Ricoeur ao paradigma moderno da racionalidade cartesiana. Para além de mera crítica, ele persegue uma filosofia reflexiva que deve passar por mediações culturais, configuradas em representações, ações, obras, instituições, monumentos que a objetivam, de tal modo que, nesses objetos de amplitude simbólica, o “eu reflexivo” possa perder-se e encontrar-se. A hermenêutica, através do esforço interpretativo, a via longa, procura revelar o latente, num processo de constante confronto com todas as significações que se manifestam na cultura. Nesse sentido, o filósofo francês traz uma proposta de ampliação crítica de horizontes para a compreensão do mundo e a reconstrução possível da reflexão, com suas realidades mais ampliadas, sem cair em armadilhas de manipulações ideológicas e em estreitamentos de cientificismos reducionistas. Â
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 175-200; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i1.29365

Abstract:
A teoria da utilidade é o fundamento do marginalismo que serve de base à teoria neoclássica. Desde suas origens, na década de 1870, ela passou por diversas transformações: um início hedonista (Jevons), adquiriu contornos ordinalistas (Pareto) que foram radicalizados em meados do século XX, viu a retomada da cardinalidade (von Neumann e Morgenstern), a formulação da teoria da utilidade esperada (Savage) e da hipótese das expectativas racionais. Nesse desenvolvimento histórico, a utilidade e a noção de racionalidade a ela associada foram esvaziadas de qualquer conteúdo psicológico, tornaram-se indissociáveis de cálculos probabilísticos e voltaram-se para o futuro, mas se mantiveram sempre como a pedra fundamental da teoria neoclássica. Essa última, como não poderia deixar de ser, alterou-se profundamente em consonância a essas transformações em seu conceito de base. A interpretação proposta está baseada no arcabouço conceitual de Gilles-Gaston Granger.
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 139-173; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i1.34088

Abstract:
Les théories mathématiques cherchant à comprendre les structures géométriques et topologiques du monde naturel et de celui de la perception, ainsi que les relations qui se tissent entre eux, sont ouvertes et incomplètes. Le champ conceptuel de la géométrie ne peut pas être réduit à un système fini d’axiomes. D’abord, la recherche de la signification des concepts mathématiques ne s’identifie pas à la logique de leur démonstration; et la vérité des propositions doit aussi être distinguée de leur démonstration (cf. les exemples de mathématiques et de physiques non dénombrables). Ensuite, on peut associer à la géométrie (ou à d’autres domaines des mathématiques) un certain pouvoir morphogénétique, donc ontogénétique - cf. l’exemple des symétries et celui des formes naturelles, et les repliements/entrelacements dans le monde vivant. La géométrie est un ‘langage’ pluridimensionnel et polysémique: langage de l’imagination et de l’invention de concepts, et aussi de la nature et du vivant. Les concepts de groupe et de nœud sont transversaux: ils recoupent les différentes dimensions et significations de ce qu’est la géométrie.
, Jade Oliveira Chaia, Sèdjro Crédo Randal E Zitti, Manuella Mucury Teixeira, Michelly Alves Teixeira, Rogério Santos dos Prazeres, Alice Ribeiro Braatz, Elisa Elisa Maiby Carvalho Augusto, Débora Cristina Morato Pinto
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 457-484; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i1.30414

Abstract:
A tradução da presente obra foi realizada pelo Grupo de Tradução do Departamento de Filosofia da Universidade de Brasília, coordenado pelo professor doutor Philippe Lacour. O grupo se propõe traduzir regularmente obras de filosofia francesa ainda inéditas em língua portuguesa. O trabalho de tradução é produzido de maneira colaborativa através da plataforma digital TraduXio (https://traduxio.org/).
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 365-400; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i1.28934

Abstract:
Apresenta-se aqui uma análise comparativa entre as críticas de Michel Henry aos sistemas capitalista e socialista, derivadas de sua fenomenologia, e as considerações de Robert Kurz sobre os mesmos sistemas, fundamentadas na sua Teoria Crítica do Valor. Considerando-se as similaridades entre estes dois autores, que trabalharam sem contato entre si, busca-se responder: 1) Existe Crítica do Valor em Henry?; 2) Existe fenomenologia em Kurz?; 3) Até que ponto se complementam?; 4) As coincidências são acidentais?; 5) O que as semelhanças entre as teorizações de ambos nos indicam a respeito da sociedade atual? Conclui-se que é possível afirmar que existe Crítica do Valor nos escritos de Henry; que seria prematuro asseverar que há reflexões fenomenológicas nos trabalhos de Kurz; que as teorizações de ambos se complementam; que as semelhanças provavelmente decorrem do momento histórico no qual estavam inseridos; e que seus trabalhos apontam para uma crítica abrangente da Era Moderna.
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 401-416; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i1.28340

Abstract:
O presente trabalho extrai uma consequência epistemológica de uma posição ontológica sobre a memória. A posição ontológica é obtida com base na análise dos usos ordinários do termo memória visando inferir qual deve ser o seu uso legítimo, concluindo, em congruência com Klein, que toda memória é episódica. Dada tal posição ontológica, deriva-se uma posição epistêmica gerativista, concluindo que a memória é uma fonte básica de conhecimento análoga à percepção.
Fabien Schang
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 73-102; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i1.32835

Abstract:
O presente artigo trata de um tipo especial de semântica de múltiplos valores: Semântica de Perguntas e Respostas, na qual valores lógicos são produtos de perguntas sobre predicados semânticos (’verdadeiro’, ’falso’, etc.) e respostas correspondentes (’sim’, ’não’ etc.). Pretende esclarecer algumas dificuldades relacionadas ao que se entende por atos básicos de fala, como afirmação e negação. Discordâncias profundas ocorrem sempre que dois falantes discordam acerca do significado das palavras que usam. No caso especial dos valores de verdade, Frege os tomou como os referentes de proposições que são classes de sentenças aceitas (’verdadeiras’) ou rejeitadas (’falsas’). Partindo dessa representação comum da verdade e da falsidade, é proposta uma estrutura algébrica geral ARnm, a fim de sistematizar o uso de valores de verdade em uma perspectiva dialética da lógica. Uma atenção especial é dada a dois pseudo-falantes radicalmente opostos, a saber: Heráclito e Nagarjuna, segundo os quais os valores deverdade se referem, respectivamente, a tudo e nada. No final, uma negação dialética (pseudo-hegeliana) é esboçada como uma função muito peculiar, a saber: como um operador ontológico gerador de objetos, semelhante ao operador aritmético gerador de sucessores Sn+1(x) aplicado a números inteiros e também combina com uma teoria generalizada de valores de verdade como nomes próprios milianos ou kripkeanos.
Jean-Pierre Desclés
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 21-71; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i1.31016

Abstract:
L’article présente des réflexions épistémologiques sur le programme de recherche qui a pour objet l’étude de l’activité de langage exprimée par les langues, activité qui ne se ramène pas à la simple communication et à l’expression de la pensée. Il présente certains concepts importants de la théorie de l’énonciation en les articulant avec des schèmes sémantico-cognitifs, qui représentent les significations d’unités grammaticales et lexicales, et qui sont engendrés, dans le formalisme de la Logique Combinatoire de Curry, par des compositions et des transformations d’opérateurs primitifs ancrés sur les activités cognitives de perception et d’action mais non réduits à ces activités.
Laurent Dubois
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 103-137; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i1.31014

Abstract:
This article-testimony can be seen as an example of a maybe new discipline that could be called “scientific metaphysics” made of thought experiments, definitions, some proofs, some explanations, some conjectures. Of course, to be called science, the discipline needs some possibility of “verification” too. We will see if it can be considered.
Juliana De Orione Arraes Fagundes
Revista de Filosofia Moderna e Contemporânea, Volume 8, pp 307-323; https://doi.org/10.26512/rfmc.v8i1.30425

Abstract:
Jean-Claude Passeron observa que os critérios do normativismo de Popper não podem ser aplicados à s ciências sociais, mas apenas à s ciências naturais. Nesse sentido, propõe um alargamento da concepção de ciência e de racionalidade para que as ciências sociais sejam incluídas. Porém, a partir de uma crítica mais ampla a Popper, este trabalho objetiva argumentar que ciências da natureza e humanas compartilham de dificuldades e soluções epistemológicas, não estando assim tão distantes. Além disso, pretende-se olhar para outra possibilidade de abordagem da questão, a partir da aceitação de diferentes formas de descrição de uma mesma realidade. Afinal, talvez a meta de incluir as ciências humanas no rol das ciências tenha uma abordagem mais simples do que tem parecido a Passeron.
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