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, Tatiana Leal Dutra, Maurício Viotti Daker
Debates em Psiquiatria, pp 28-41; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-4-4

Abstract:
No passado, a síndrome das pernas inquietas (SPI) foi conceitualizada como uma neurose de sensibilidade e uma ansiedade na tíbia. O objetivo do presente trabalho é demonstrar para os médicos, particularmente para os psiquiatras, que a SPI, hoje, é uma doença neuropsiquiátrica complexa e crônica, comum e tratável, com acometimento sensório-motor, alterações do sistema dopaminérgico e distúrbios da homeostasia do ferro cerebral. A sintomatologia é exclusivamente subjetiva e pode ser crônico-persistente ou intermitente. Há uma urgência para mover as pernas, acompanhada de disestesia nas mesmas, que piora com repouso ou inatividade, sendo aliviada pelo movimento. O diagnóstico é exclusivamente clínico. Algumas medicações precisam ser reduzidas ou descontinuadas porque podem piorar a SPI: alguns antidepressivos (particularmente inibidores seletivos da recaptação da serotonina, inibidores da recaptação da serotonina e noradrenalina e mirtazapina), neurolépticos, antieméticos, anti-histamínicos e outros. É relevante observar que não há piora com o antidepressivo bupropiona. O tratamento não farmacológico inclui higiene do sono e atividades físicas. As drogas utilizadas no tratamento pertencem a quatro grupos: dopaminérgicos (agonistas diretos e precursores de dopamina); α2δ-ligantes; benzodiazepínicos; e opioides. A aumentação é a principal complicação no tratamento de longo prazo: início mais cedo dos sintomas ao longo do dia; início mais rápido com o repouso; expansão dos sintomas para os membros superiores e o tronco; e encurtamento do efeito dos tratamentos. Supõe-se que a superestimulação dopaminérgica seja a causa da aumentação.
Osvaldo Luiz Saide, Elizabete Coelho De Albuquerque, Teresa C. A. Dos Santos Ferreira Vianna
Debates em Psiquiatria, pp 44-49; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-4-5

Abstract:
O presente artigo apresenta, através de uma pesquisa bibliográfica, a meditação como técnica complementar no tratamento dos transtornos de ansiedade. Para tanto, discorre sobre a ansiedade e a utilização da meditação em contexto de saúde mental. As conclusões do estudo são discutidas à luz das pesquisas disponíveis, e os resultados obtidos nos diversos trabalhos apresentados sugerem que a meditação traz benefícios terapêuticos no tratamento dos transtornos de ansiedade.
André Luis Granjeiro, Patrícia Afonso De Almeida
Debates em Psiquiatria, pp 21-25; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-4-3

Abstract:
Objetivo: Analisar o impacto da espiritualidade e/ ou religiosidade no uso de substâncias psicoativas na população adolescente, tanto na proteção primária quanto na secundária. O uso, abuso ou dependência de substâncias abrange intervenções em diversas áreas: biológica, psíquica, social e espiritual. Método: Foi realizada busca de artigos publicados em bases de dados científicas entre 2000 e 2015, com as seguintes palavras-chave: adolescente, droga, abuso de substância, espiritualidade, proteção, religioso, religiosidade. Foram encontrados, no total, 115 artigos nas três bases de dados (PubMed, BIREME, SciELO), e levando-se em consideração os critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados oito artigos. Resultados: Os estudos apontam na mesma direção, de que tanto espiritualidade quanto religiosidade são de grande importância para os adolescentes em relação ao uso, ao abuso e à dependência de substâncias psicoativas. Além desses fatores de proteção citados, também foram observados outros: família, amigos, grupo social, ambiente, resiliência, informação e perspectiva de futuro. Conclusão: A espiritualidade sinaliza uma ampla ligação do indivíduo com o seu meio, objetivando o bem-estar e o crescimento pessoal de si e de seus pares. O controle da religião e/ou a vivência da espiritualidade atuam diretamente para proteger o jovem contra o envolvimento com o uso de substâncias, na medida em que estão relacionados com autorregulação, fatores psicológicos e sociais, disponibilidade de informações acerca da dependência e suas consequências, estabelecimento de perspectivas de futuro e boa estrutura familiar. Assim, destaca-se a necessidade da elaboração de políticas públicas com esse enfoque.
Hewdy Lobo Ribeiro, Joel Renno Jr, Renata Demarque, Juliana Pires Cavalsan, Renan Rocha, , Jerônimo De Almeida Mendes Ribeiro, Gislene Valadares, Antônio Geraldo Da Silva
Debates em Psiquiatria, pp 14-19; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-4-2

Abstract:
Sabe-se que o consumo de substâncias psicoativas entre as mulheres apresenta fatores predisponentes, mantenedores e consequências diferentes do que entre os homens. A violência doméstica entre parceiros íntimos, além de ser um problema grave e com alta incidência entre a população feminina, representa um dos principais fatores associados à dependência química na mulher. A partir de revisão de literatura, foi verificado o cenário nacional e internacional atual dos impactos da violência doméstica entre mulheres usuárias de drogas. Verificou-se a urgência de programas de prevenção à violência doméstica e de atenção psicossocial e especializada às crianças e mulheres que sofreram esse tipo de violência, tendo em vista prevenir o uso abusivo de substâncias como forma desadaptativa de manejar o sofrimento decorrente da violência. Assim, concluiu-se que o histórico de violência doméstica deve ser investigado em toda avaliação e tratamento de mulheres dependentes de substâncias, e a interrupção da violência e a proteção da mulher devem ser prioridades no projeto terapêutico.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Ana Beatriz De Oliveira Assis, Jayse Gimenez Pereira Brandão, Pedro Otávio Piva Espósito, Osmar Tessari Junior, Bruno Berlucci Ortiz
Debates em Psiquiatria, pp 8-12; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-4-1

Abstract:
Objetivo: Ainda não está claro quais são os fatores de risco para a esquizofrenia resistente ao tratamento (ERT) em primeiro episódio psicótico (PEP). O objetivo deste trabalho é investigar indicadores de risco para ERT em PEP. Métodos: Foram selecionados 53 pacientes em primeiro episódio psicótico, com diagnóstico de esquizofrenia, que deram entrada à enfermaria de psiquiatria do Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo entre 2011 e 2015. Ao ser admitido na enfermaria, o paciente era avaliado com a Escala de Sintomas para as Síndromes Positiva e Negativa (Positive and Negative Syndrome Scale – PANSS) e recebia tratamento inicial por 4 semanas. Caso sua resposta fosse inferior a 40% de redução na PANSS, o antipsicótico era trocado, e as escalas eram aplicadas novamente após mais 4 semanas. Após a falha com dois antipsicóticos, em doses plenas, por 4 semanas cada, a clozapina era introduzida, e o paciente era considerado ERT. Uma regressão logística foi aplicada onde sexo, idade de início, tempo de doença não tratada, uso de substâncias, avaliação global do funcionamento inicial e PANSS inicial total foram inseridos como variáveis independentes, e ERT foi inserida como variável dependente. Resultados: Tempo de doença não tratada apresentou significância de p = 0,038 e Exp (B) = 4,29, enquanto que PANSS total apresentou p = 0,012 e Exp (B) = 1,06. Conclusão: Identificar os fatores associados à resistência precoce ao tratamento poderia permitir aos clínicos evitar o atraso na introdução da clozapina e prevenir um pior prognóstico para esses pacientes.
Itiro Shirakawa, João Romildo Bueno
Debates em Psiquiatria, pp 16-17; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-6-3

Joel Rennó Jr., Juliana Pires Cavalsan, Hewdy Ribeiro Lobo, Amaury Cantilino, Renan Rocha, Jerônimo De Almeida Mendes Ribeiro, Gislene Valadares, Antonio Geraldo Da Silva
Debates em Psiquiatria, pp 38-42; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-4-6

Abstract:
A depressão pós-parto atinge cerca de 12% das puérperas. Apesar de ser reconhecida pelo médicos, ainda não se sabe ao certo sua causa. Muitos fatores de risco estão associados a essa patologia, entre eles baixo suporte familiar, gravidez não planejada, baixo nível socioeconômico, baixa escolaridade, depressão na gravidez e história pessoal de transtorno psiquiátrico. No entanto, ainda não está bem estabelecido se a via de parto é um facilitador para o desenvolvimento da depressão pós-parto. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de cesáreas é considerado muito alto no Brasil. A OMS estipula como aceitável taxas de 15% de cesárea; no Brasil, esse número chega a 45%. A literatura internacional é contraditória em determinar a via de parto como fator de risco para depressão pós-parto, e poucos artigos nacionais abordam o tema.
André F. Carvalho
Debates em Psiquiatria, pp 26-34; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-2-3

Abstract:
O transtorno bipolar (TB) é crônico e incapacitante, sendo clinicamente caracterizado por episódios recorrentes de mania (ou hipomania) e depressão, além de estados mistos. O TB está associado a um aumento do risco de suicídio e a uma elevada prevalência de co-morbidades médicas e psiquiátricas, além de morte prematura e disfunção cognitiva. Os tratamentos disponíveis para o TB são insuficientes para uma proporção significativa de pacientes. Diversos novos alvos terapêuticos vêm sendo explorados para o desenvolvimento de novos fármacos com propriedades estabilizadoras do humor, incluindo: (1) a via da glicogênio sintase quinase 3 (GSK-3); (2) o via do fosfatidil-inositol e da proteína quinase C; (3) o fator de crescimento derivado do cérebro (BDNF); (4) as histonas deacetilases; (5) o sistema melatoninérgico; (6) fármacos anti-oxidantes e moduladores da função mitocondrial, além de (7) fármacos anti-inflamatórios. O presente artigo revisa o estado atual do conhecimento, além das dificuldades para o desenvolvimento de novos fármacos para o TB dentro de uma perspectiva translacional. O desenvolvimento de estratégias integrativas que analisem dados dimensionais de alta precisão, mesclando dados “ômicos” através de técnicas de bioinformática são necessárias para uma melhor elucidação da fisiopatologia complexa do TB. Tais achados podem levar ao desenvolvimento de novos fármacos para o TB, além de um tratamento personalizado.
Cíntia Fuzikawa
Debates em Psiquiatria, pp 24-28; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-3-4

Abstract:
O brainspotting é uma nova abordagem psicoterápica utilizada no tratamento de vivências traumáticas. Enfatiza a sintonia dual: a sintonia relacional entre terapeuta e cliente e a sintonia neurobiológica, representada pela manutenção do olhar do cliente direcionado a um ponto no campo visual, chamado brainspot, que tem ressonância com a ativação sentida ao pensar no trauma. Esses dois fatores contribuiriam para permitir que a resposta de orientação, que ficou truncada na ocasião do trauma, fosse completada, chegando a uma resolução profunda. Este artigo, primeiro trabalho brasileiro sobre o tema, visa apresentar o brainspotting, descrevendo sua descoberta, posterior desenvolvimento, princípios e utilização clínica, além de hipóteses neurobiológicas para explicar sua ação e um estudo preliminar para avaliar sua eficácia.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Dirceu Zorzetto Filho
Debates em Psiquiatria, pp 6-11; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-3-1

Abstract:
Os distúrbios do sono e do ritmo circadiano constituem características essenciais dos quadros depressivos. As alterações do ciclo vigília-sono são frequentemente sintomas prodrômicos dos transtornos depressivos e desempenham um papel na patofisiologia dos transtornos do humor. Essas alterações predizem um novo episódio, aumentam o risco de recaída e de recorrência e correlacionam com maior risco de suicídio. A permanência de transtornos de sono pode aumentar a refratariedade ao tratamento. Os pacientes com depressões resistentes ao tratamento farmacológico apresentam uma importante desregulação circadiana e diminuição da amplitude do ritmo delta durante o sono. Os tratamentos disponíveis para os distúrbios do sono na depressão resistente incluem medicações com efeitos hipnóticos e intervenções não farmacológicas. Drogas como os agonistas de receptores benzodiazepínicos, agonistas melatoninérgicos e antagonistas dos receptores serotonérgicos do tipo 2C têm demonstrado eficácia na regularização das alterações do sono em pacientes com depressão. Intervenções não farmacológicas como a terapia cognitivo- -comportamental e a fototerapia também são úteis, particularmente quando associadas à medicação antidepressiva.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Debates em Psiquiatria, pp 21-27; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-6-4

Abstract:
Diversos estudos têm sido publicados sobre a influência das crenças e práticas espirituais e religiosas na saúde mental. Diante de tais evidências, foram propostas estratégias com o objetivo de estimular a dimensão espiritual de pacientes, focando-se principalmente no enfrentamento de diferentes doenças. Porém, ainda são poucos os estudos que avaliam os possíveis efeitos e mecanismos de ação dessas intervenções espirituais/religiosas (IERs) através de ensaios clínicos randomizados. De acordo com a literatura científica, as IERs têm obtido resultados similares ou superiores a outras abordagens complementares em saúde, incluindo redução de sintomas de ansiedade e estresse, diminuição na intensidade do consumo de drogas, menor exaustão emocional em profissionais da saúde e uma tendência a menor sintomatologia depressiva. Como essas intervenções são heterogêneas, há uma discussão acerca da adequação dos conteúdos das IERs, na tentativa de uniformizar o treinamento dos profissionais de saúde e o material ofertado aos pacientes. Notase, também, a necessidade de um cuidado no desenho metodológico desse tipo de intervenção, com a realização de estudos com metodologias mais robustas. A busca e avaliação dessas novas intervenções poderão auxiliar no desenvolvimento de estratégias mais integrativas, facilitando o tratamento complementar em saúde mental.
Hewdy Lobo Ribeiro, Joel Renno Jr., Renata Demarque, Juliana Pires Cavalsan, Renan Rocha, Amaury Cantilino, Jerônimo De Almeida Mendes Ribeiro, Gislene Valadares, Antônio Geraldo Da Silva
Debates em Psiquiatria, pp 14-17; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-5-2

Abstract:
A psiquiatria forense é a especialidade médica que realiza o diálogo entre a psiquiatria e o direito. Quanto aos aspectos relacionados ao gênero, alguns temas têm recebido destaque na literatura acadêmica da psiquiatria forense: a Lei Maria da Penha, principalmente para a avaliação dos danos psíquicos decorrentes da violência psicológica; o infanticídio, caracterizado pelo estado puerperal da mãe; o filicídio, que pode ou não ser decorrente de transtorno mental materno; e os transtornos mentais perinatais, em especial a disforia pós- -parto, a depressão maior perinatal e o transtorno psicótico perinatal. Profissionais devem estar atentos ao nexo de causalidade entre transtorno mental e o ato ou omissão da mulher e sua capacidade de entendimento e determinação diante do evento.
Marlos Fernando Vasconcelos Rocha, Amanda Galvão-De Almeida, Fabiana Nery-Fernandes, Ângela Miranda-Scippa
Debates em Psiquiatria, pp 6-12; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-2-2

Abstract:
Nas últimas décadas, pesquisas de neuroimagem no transtorno bipolar (TB) têm demonstrado anormalidades nos circuitos neuronais supostamente envolvidos no processamento e na regulação da emoção, bem como no processamento de recompensas. Entretanto, os resultados relativos a diversas estruturas do sistema nervoso central são escassos e difíceis de serem comparados, devido à grande heterogeneidade do TB e às diferentes metodologias empregadas para a coleta das imagens. Esta revisão teve como objetivo sintetizar os principais achados em neuroimagem estrutural e funcional no TB, descrevendo as estruturas corticais e subcorticais do encéfalo mais relevantes e que embasam a provável fisiopatologia desse transtorno.
Mirian Pezzini Dos Santos, Lidiane Dotta Guarienti, Pedro Paim Santos, Eduardo Ferreira Daura, Adriana Denise Dal’Pizol
Debates em Psiquiatria, pp 32-37; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-2-6

Abstract:
Na prática clínica, deparamo-nos com um grande número de pacientes vítimas de violência, sobretudo durante fases precoces do desenvolvimento, uma das causas centrais na etiologia dos transtornos dissociativos (ou transtorno de estresse pós-traumático complexo). Este artigo descreve o caso de um paciente diagnosticado com transtorno dissociativo de identidade após permanecer sintomático por 10 anos e comenta sobre o manejo e os desafios no tratamento desses pacientes.
Renata Almeida De Souza Aranha E Silva, Danilo Antonio Baltieri
Debates em Psiquiatria, pp 6-11; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-1-2

Abstract:
O acesso à rede mundial de computadores possibilitou que as relações virtuais acontecessem de uma maneira menos compromissada com a realidade e favoreceu a aceitação de práticas sexuais incomuns ou consideradas inadequadas. Atualmente, várias plataformas comunicacionais são alimentadas por usuários, responsáveis por conteúdos que criam interações, troca de materiais e relacionamentos online. Pode-se considerar que a democratização da sexualidade em ambientes virtuais tenha benefícios; porém, o excesso de informação sem critérios e a facilidade de acesso a fotos, vídeos e outros materiais pode causar danos. É possível observar espaços para a divulgação de fantasias parafílicas, entre elas a zoofilia (excitação ou práticas sexualmente excitantes envolvendo animais), que, do ponto de vista médico, é um transtorno de preferência sexual ainda pouco estudado. Estabelecer limites para relacionamentos mediados pela Internet e avaliar a consequência dessa interação na prática não é tarefa fácil, mas necessária.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Thaisa Gios, Maria Carolina Pedalino Pinheiro, Elie Leal De Barros Calfat
Debates em Psiquiatria, pp 38-41; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-2-5

Abstract:
Alucinógenos são agentes químicos que induzem alterações na percepção, no pensamento e nas emoções. Entre os alucinógenos naturais há a ayahuasca, originalmente utilizada por tribos indígenas da Amazônia, preparada com a mistura de duas plantas: Banisteriopsis caapi, que contém β-carbolinas, um inibidor da monoamina oxidase (MAO), e Psychotria viridis, rica em N,N-dimetiltriptamina (DMT), que atua nos receptores serotoninérgicos. Atualmente, o uso do chá de ayahuasca se espalhou por diversas regiões do mundo, e diferentes religiões, tais como União do Vegetal, Santo Daime e Barquinha, fazem seu uso ritualístico. Este estudo relata um caso sobre sintomatologia psicótica e uso da ayahuasca. Trata-se de uma paciente jovem, admitida por quadro de isolamento social, prejuízo do autocuidado e delírio bizarro, iniciado há 3 anos, com piora gradual. Era membra da União do Vegetal e fazia uso frequente de ayahuasca. Durante a internação, foi feito o diagnóstico de esquizofrenia, e a paciente melhorou com eletroconvulsoterapia. Pesquisas recentes demonstram que as manifestações clínicas dos alucinógenos se assemelham às da esquizofrenia. Por isso, experimentos farmacológicos com alucinógenos são frequentemente usados como modelos de psicose.
, Paulo Mattos
Debates em Psiquiatria, pp 42-50; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-1-5

Abstract:
O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é amplamente reconhecido como um transtorno de etiologia neurobiológica, porém suas bases etiológicas ainda não são completamente reconhecidas. Achados sobre epidemiologia do TDAH apontam para aumento de prevalência de sintomas em familiares de indivíduos portadores. Estes resultados incentivaram um grande número de pesquisas sobre genética do TDAH, bem como sobre as influências da gestação e até mesmo do ambiente familiar na gênese do TDAH. Os estudos epidemiológicos que investigam portadores de um transtorno e seus familiares tornaram-se ferramentas úteis para auxiliar a melhor compreensão das bases genéticas e ambientais dos diversos transtornos mentais. O artigo apresentado revisa, de forma não sistemática, alguns dos principais achados sobre etiologia do TDAH, focando- se mais precisamente nos estudos que se utilizam de bases familiares. Os achados aqui apresentados devem servir como base para o entendimento atual dos estudos de famílias em TDAH, e auxiliar pesquisadores que se interessam tanto por epidemiologia genética, quanto por pesquisas em TDAH.
João Jorge Cabral Nogueira,
Debates em Psiquiatria, pp 16-22; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-3-2

Abstract:
O presente trabalho apresenta uma discussão baseada em dados encontrados na literatura que podem contribuir para o entendimento dos mecanismos envolvidos nas respostas terapêuticas advindas do uso da autoscopia na hipnoterapia para tratamento de doenças ou sintomas corporais. A autoscopia utiliza a visualização interna do corpo para buscar a causa e a cura de um sintoma ou uma doença. Uma pesquisa sistemática foi conduzida nas bases de dados MEDLINE, SciELO e LILACS, tendo sido selecionados 63 artigos e livros referenciados. Os mecanismos relacionados com os fenômenos autoscópicos ainda não são completamente entendidos, sendo a hipótese mais convincente a falha na integração de sinais multissensoriais na junção temporoparietal, resultando em dissociação da unidade espacial entre o corpo e o eu. O fenômeno autoscópico está longe de ser exclusivamente uma experiência intrapsíquica alucinatória, já que é especialmente comum em sonhos e em outras condições fisiológicas. A observação de que através da hipnose é possível estabelecer um estado dissociativo, que, sem dúvida, facilita a evocação da memória e a modulação emocional do seu conteúdo, é uma prova do seu potencial terapêutico, principalmente quando no estado hipnótico é aplicada ferramenta tão poderosa como a autoscopia.
Quirino Cordeiro, Leika Garcia Sumi, Karine Higa, Lílian Ribeiro Caldas Ratto,
Debates em Psiquiatria, pp 12-16; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-1-3

Abstract:
O indulto para presos é uma prerrogativa presidencial prevista na Constituição brasileira e publicada por meio de decreto. Em 2008, o indulto presidencial, que antes era restrito a criminosos apenados, foi estendido a pacientes em medida de segurança. Desde então, o indulto presidencial para pacientes forenses em medida de segurança tem sido renovado anualmente. Tal situação tem gerado grande debate no meio jurídico e psiquiátrico-forense. Além disso, ao longo das últimas edições do decreto de indulto presidencial, as normas para a concessão desse instituto jurídico têm sido cada vez mais abrangentes, muitas vezes carecendo de sustentação técnica e legal, o que também tem levado a grandes discussões e manifestações contrárias por parte de diversos segmentos da sociedade. Diante disso, o presente artigo tem como objetivo apresentar e discutir os diversos aspectos controversos contidos no indulto presidencial, com enfoque na sua abrangência à medida de segurança, questão que diz respeito diretamente à psiquiatria forense.
Alessandra Diehl, Denise Leite Vieira, Jair De Jesus Mari
Debates em Psiquiatria, pp 20-25; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-5-3

Abstract:
A Organização Mundial de Saúde (OMS) está em processo de revisão da Classificação Internacional de Doenças e dos Problemas Relacionados à Saúde, atualmente na sua 10ª versão (CID-10). Várias mudanças vêm sendo propostas para as condições relacionadas à sexualidade e à saúde sexual, sendo que uma delas é a total eliminação de todas as categorias do código F66 (transtornos psicológicos e comportamentais associados ao desenvolvimento sexual e à sua orientação) existentes na CID-10. Isso porque se acredita que a atual versão tende a patologizar uma resposta normal do desenvolvimento e gerar mais estigma, discriminação social e possíveis idiossincrasias terapêuticas. Soma-se a isso o fato de que nenhuma dessas categorias apresentou relevância ou utilidade clínica. O objetivo deste artigo é proporcionar atualização sobre essa proposta de revisão para a CID-11 dentro do contexto da compreensão científica atual sobre a orientação sexual humana.
Renata Demarque, Joel Rennó Jr., Hewdy Lobo Ribeiro, Juliana Pires Cavalsan, Gislene Valadares, Amaury Cantilino, Jerônimo De Almeida Mendes Ribeiro, Renan Rocha, Antônio Geraldo Da Silva
Debates em Psiquiatria, pp 30-32; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-4-4

Abstract:
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, estima- -se que entre 60 e 80 milhões de pessoas em todo o mundo enfrentem dificuldades para levar a cabo seu projeto de paternidade e maternidade em algum momento da vida. Desejar ter filhos mas se deparar com a impossibilidade desse processo produz uma ampla gama de sentimentos, tais como medo, ansiedade, tristeza, frustração, desvalia e vergonha, desencadeando, por vezes, quadros importantes de estresse. A situação de infertilidade pode provocar efeitos devastadores tanto na esfera individual como conjugal, interferir nas relações sociais e na qualidade de vida. Muitas mulheres inférteis percebem a situação como estigmatizante, causadora de sofrimento psíquico e isolamento social.
Marina Dyskant Mochcovitch
Debates em Psiquiatria, pp 14-18; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-2-3

Abstract:
O transtorno de ansiedade generalizada (TAG) é um transtorno crônico e prevalente, mas também um dos menos estudados entre os transtornos de ansiedade. Os antidepressivos inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) e inibidores da recaptação da serotonina e noradrenalina (IRSN) são considerados medicamentos de primeira linha no tratamento de TAG, porém não são incomuns casos de refratariedade, intolerância ou a presença de contraindicações ao uso dessas subtâncias. Diversas substâncias, como a pregabalina e a quetiapina, surgem, então, como alternativas para o tratamento do TAG nesses casos, assim como para a substituição dos benzodiazepínicos como medicações adjuvantes aos antidepressivos.
Helena Dias De Castro Bins, José Geraldo Vernet Taborda
Debates em Psiquiatria, pp 6-14; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-1-1

Abstract:
A causalidade da psicopatia reside em uma interação ainda mal compreendida entre fatores genéticos, biológicos, ambientais, sociais e psicodinâmicos. O clássico modelo biopsicossocial hipotetiza que a psicopatia se desenvolve quando há componentes genéticos e neurobiológicos associados a traços de personalidade como impulsividade, com aumento de risco quando esses indivíduos são expostos a uma família disfuncional e agravamento quando o ambiente social do entorno falha na proteção básica. No entanto, outros modelos vêm sendo estudados. Costuma-se categorizar estrutura e funcionamento cerebral, neurotransmissores e hormônios como fatores de risco biológicos; no entanto, a maneira como se manifestam e alterações nessas estruturas podem ter origem tanto genética quanto ambiental, ou refletir uma interação entre ambos, o que é denominado de interação biossocial. Atuando na expressão gênica, fatores ambientais podem modificar o cérebro, alterando os traços psicopáticos e aumentando o risco para a patologia ou, ao contrário (de maneira positiva), protegendo o indivíduo. Com relação às influências ambientais, disfunção familiar é o fator psicológico mais importante, abrangendo comportamento antissocial ou alcoolismo paternos, falta de limites e supervisão enquanto criança e separação ou perda de um dos pais. Trauma infantil pode ter um impacto dramático na saúde mental da criança, estando também relacionado à psicopatia. Por fim, questões éticas são discutidas: A presença da psicopatia altera a responsabilidade penal desses indivíduos? Se sim, de que forma? O lugar do psicopata, após um crime cometido, é a prisão ou o hospital forense? É correto submeter psicopatas a pesquisas e investigações científicas? Essas e outras questões são abordadas à luz dos conhecimentos e controvérsias atuais.
Rodrigo Carvalho, Giuliana C. Cividanes, Luciana Porto Cavalcante Da Nobrega, Mario Dinis Mateus, Rosaly Braga, Euthymia Almeida Prado, Andrea Feijó De Mello
Debates em Psiquiatria, pp 34-37; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-6-4

Abstract:
A 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V) chamou a atenção para a presença de sintomas persistentes de humor no transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Este artigo descreve o caso de um paciente com TEPT que apresentou alterações persistentes de humor e exigiu revisão das abordagens medicamentosas adotadas. O desafio ao tratar esses casos é como abordar o conjunto de sintomas, tratando simultaneamente o TEPT e a disforia. O uso de estabilizadores do humor atende às teorias fisiopatológicas atuais, mas mais estudos são necessários para comprovar a real eficácia dessas medicações no tratamento do TEPT “subtipo disfórico”.
Salvina Maria De Campos-Carli, João Vinícius Salgado,
Debates em Psiquiatria, pp 6-14; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-2-1

Abstract:
A etiopatogênese da esquizofrenia é complexa e envolve a interação entre fatores genéticos e ambientais. Alterações no sistema imune vêm sendo apontadas como possíveis participantes na fisiopatologia da esquizofrenia. Neste artigo, apresentamos uma revisão narrativa sobre as alterações imunes na fisiopatologia da esquizofrenia e o potencial de moléculas e/ou mecanismos do sistema imune serem biomarcadores e/ou alvos terapêuticos. Enquanto alguns estudos observam maior participação de citocinas da resposta imune do tipo células T auxiliares (Th1), interferon-gama (IFN-γ), interleucina 2 (IL-2) e fator de necrose tumoral-alfa (TNF-α), outros observam maior participação das citocinas IL-4, IL-6 e IL-10, pertencentes à reposta imune tipo Th2. A infecção pelo protozoário Toxoplasma gondii tem sido apontada como fator de risco para esquizofrenia, e uma possível explicação seria o desvio no metabolismo do triptofano, com consequente aumento de quinureninas, causado pela resposta inflamatória frente à presença do parasita. Ensaios clínicos têm sido realizados utilizando anti-inflamatórios como adjuvantes ao tratamento antipsicótico. Resultados promissores, como redução da sintomatologia negativa e melhora cognitiva, foram observados. O uso de antiinflamatórios com consequente melhora clínica reforçam a ideia da participação de componentes imunes/inflamatórios na fisiopatologia da esquizofrenia.
Sandra Márcia Carvalho De Oliveira, Wagner Da Silva Leite
Debates em Psiquiatria, pp 6-15; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-5-2

Abstract:
Objetivos: Avaliar a prevalência do uso de tabaco, a exposição ao fumo passivo e a motivação para a cessação do tabagismo entre estudantes de medicina da Universidade Federal do Acre (UFAC). Métodos: Neste estudo transversal, observacional, descritivo e analítico, foi aplicado um questionário baseado no Global Health Professions Student Survey, assim como o teste de Fagerström. A análise estatística foi feita utilizando-se o Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 20, o teste do qui-quadrado de Pearson, o teste exato de Fisher e análise de variância (ANOVA). Resultados: Dos 186 alunos entrevistados, 156 (83,9%) nunca fumaram, 171 são não fumantes e 15 (8,1%) se declararam fumantes (com uma média de 6,06 cigarros/ dia). O teste de Fagerström revelou dependência baixa. A prevalência de exposição ao fumo passivo foi de 28,0%. A maior parte (59,7%) dos entrevistados era do sexo masculino. A idade média foi 24,24 anos (desvio padrão = 3,80 anos), sendo que a maioria (87,1%) possuía entre 20 e 30 anos de idade. A média da idade da primeira tentativa de fumar foi de 16,72 anos. Em 7,0% (n = 13), o uso de outros produtos do tabaco fumado esteve presente. Mais da metade (53,3%) dos fumadores tentaram deixar de fumar. Destes, 13,3% consideram não necessitar de ajuda profissional para abandonar o tabaco. Conclusão: A maioria (99,5%) dos entrevistados reconheceu o tabagismo como doença, e 90% consideraram importante o seu papel de exemplo de não fumador para seus pacientes e a sociedade.
Carmita H. N. Abdo
Debates em Psiquiatria, pp 36-41; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-4-4

Abstract:
Publicada a 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) e estando em fase de finalização a revisão da 10ª edição da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) – duas das mais importantes classificações internacionais –, abre-se espaço para a discussão da evolução do comportamento sexual. Tal debate é motivado pela observação da dinâmica que atualiza as normas sociais desse comportamento, da forma como essas normas são construídas e do quanto elas estão submetidas ao contexto histórico, político e cultural. Este artigo, inspirado nas ponderações de Alain Giami, pesquisador do Gender, Sexual and Reproductive Health Team do Center for Research in Epidemiology and Population Health (CESP), localizado em Le Kremlin-Bicêtre, França, apresenta as classificações dos transtornos da sexualidade como representações de padrões contemporâneos e relações de gênero; e comenta que o tratamento médico das perversões sexuais (parafilias, transtornos de preferência sexual) evoluiu, durante o século passado, de um modelo de patologização de todo comportamento sexual não reprodutivo a um modelo que consagra o bem-estar sexual e a responsabilidade (consenso nos relacionamentos), enquanto patologiza a ausência de consentimento, de parte a parte, nas práticas sexuais.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Carolina De Meneses Gaya, Clarice Sandi Madruga, André De Queiroz Constantino Miguel, Sandro Mitsuhiro, Ilana Pinsky, , Ronaldo Laranjeira
Debates em Psiquiatria, pp 6-14; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-6-1

Abstract:
Este estudo buscou analisar, em uma amostra representativa da população brasileira, as prevalências de aceitação de políticas relacionadas ao acesso, promoção, prevenção e tratamento dos problemas relacionados ao uso do álcool, bem como sua anuência para possíveis mudanças. Investigou, ainda, o perfil dos indivíduos não favoráveis às políticas por meio de avaliação da associação com variáveis sociodemográficas, consumo de outras substâncias psicotrópicas, acesso a campanhas de prevenção e exposição a propagandas de bebidas. Trata-se de estudo com desenho transversal usando dados do I Levantamento Nacional de Álcool e Drogas. Uma amostra de 3.007 participantes responderam escalas sobre 16 políticas restritivas. Uma escala de aceitação foi criada, e o grupo dos 5% que menos aderiam às políticas foi analisado. As associações foram realizadas através de modelos ajustados de regressão logística (StataSE10). Observou-se que a maioria da população investigada apoia as políticas vigentes, assim como a implementação de novas leis de restrição ao consumo de álcool. Os fatores preditores de não aceitação das políticas foram: ser homem, jovem, sem relacionamento estável, com maior escolaridade, não religioso e tabagista. O uso substâncias ilícitas e abuso e/ou dependência de álcool também foram associados a não adesão às políticas de restrição avaliadas. As políticas referindo tratamento para o alcoolismo e restrição de propagandas foram as mais aceitas. Incentiva-se iniciativas de esclarecimento da importância das políticas de saúde pública direcionadas ao perfil do público menos adepto.
Fabiano Araújo Cunha, Fernando De Oliveira Costa, Luís Otávio De Miranda Cota, José Roberto Cortelli, Fernando Silva Neves
Debates em Psiquiatria, pp 14-26; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-4-2

Abstract:
Embora pouco investigado e com dados conflitantes, o transtorno afetivo bipolar (TABP) é um fator comportamental que pode apresentar influência sobre a periodontite. Os objetivos deste estudo foram: 1) determinar a prevalência de periodontite em uma população com diagnóstico de TABP; 2) verificar a influência de variáveis de risco na associação entre o TABP e a periodontite. O estudo foi composto por uma amostra de conveniência de 156 indivíduos com TABP, selecionados no Hospital de Saúde Mental anexo ao Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais. Os pacientes foram avaliados através de parâmetros clínicos periodontais e variáveis de risco sociodemográficas. Os resultados demostraram uma prevalência de 59% de periodontite entre os indivíduos com TABP. Destes, 90,2% apresentavam periodontite crônica moderada e 9,8% a forma avançada. Quanto à extensão da periodontite, em 81,5% a doença apresentouse de forma localizada e em 18,5% de forma generalizada. Concluiu-se que os pacientes com TABP apresentaram uma alta prevalência de doença periodontal (56,8%), confirmando a importância da prevenção, diagnóstico e tratamento desta patologia, a qual possa, no futuro, ser considerada como mais uma comorbidade associada a essa doença psiquiátrica. Salienta-se a necessidade de estudos futuros que comprovem a associação entre o TABP e a periodontite, particularmente os de delineamento longitudinal e ensaios clínicos randomizados.
Lisieux E. De Borba Telles, Katia Mecler, Alexandre Martins Valença, Issam Ahmad Jomaa, Alcina Juliana Soares Barros
Debates em Psiquiatria, pp 40-43; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-6-5

Abstract:
As ofensas sexuais contra crianças respondem por significativa parcela dos crimes sexuais. Neste artigo, enfocaremos a pedofilia, uma parafilia com importantes repercussões na prática pericial, particularmente pelo grupo vitimizado (crianças). Relatamos o caso de um periciado acusado por crime sexual infantil submetido a exame de responsabilidade penal em instituição psiquiátrica forense brasileira. O caso evidencia a necessidade de ampliação do conhecimento dos diferentes perfis de agressorores sexuais, de forma a melhorar a identificação e o tratamento do ofensor, na busca da prevenção desses atos.
Amaury Cantilino, Joel Rennó Jr., Hewdy Lobo Ribeiro, Juliana Pires Calvasan, Renata Demarque, Jerônimo De A. Mendes Ribeiro, Gislene Valadares, Renan Rocha, Antônio Geraldo Da Silva
Debates em Psiquiatria, pp 18-22; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-1-4

Abstract:
Depressão materna não tratada está associada a sofrimento significativo para a mãe, a criança e a família. Ela afeta a capacidade de a mãe interagir adequadamente com seu filho. Médicos se preocupam com o tratamento farmacológico durante esse período, em função da exposição dos recém-nascidos ao medicamento no leite materno. Este artigo sugere que, quando o tratamento com antidepressivos for indicado para depressão pós-parto, as mulheres geralmente não devem ser aconselhadas a interromper a amamentação. Quanto à escolha do antidepressivo específico, paroxetina e sertralina devem ser considerados em primeiro lugar. Embora algum cuidado exista em relação à fluoxetina, ao citalopram e à venlafaxina, devido às altas concentrações dessas substâncias no leite humano, os médicos devem considerar que, se a mãe foi eficazmente tratada com um desses medicamentos durante a gravidez, geralmente também é aceitável que o tratamento com o mesmo medicamento seja mantido (em vez de mudar para outro antidepressivo), mesmo que a mãe esteja amamentando.
Felipe Almeida Picon
Debates em Psiquiatria, pp 36-41; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-2-4

Abstract:
Essa revisão descreve primeiramente o funcionamento das metodologias de ressonância magnética: morfometria baseada em voxels, morfometria baseada em superfície, imagem por tensor de difusão, ressonância magnética funcional com aplicação de tarefas neuropsicológicas e sem tarefas, historicamente conhecida como ressonância funcional em estado de repouso. Em seguida, traz os principais achados da aplicação dessas técnicas no estudo do TDAH.
Renan Rocha, Joel Rennó Jr., Hewdy Lobo Ribeiro, Juliana Pires Cavalsan, Amaury Cantilino, Jerônimo De Almeida Mendes Ribeiro, Gislene Valadares, Antônio Geraldo Da Silva
Debates em Psiquiatria, pp 6-15; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-3-1

Abstract:
A depressão perinatal (DP) é a complicação obstétrica com maiores índices de subdiagnóstico e um importante fator de risco para o suicídio, considerado uma das causas mais comuns de mortalidade materna. Consequentemente, a atenção à saúde mental deve ser considerada uma das prioridades médicas durante a gestação e o puerpério, pois a identificação precoce da DP pode produzir benefícios substanciais para a saúde materna, infantil e familiar. O principal instrumento psicométrico para a prevenção secundária da DP é a Escala de Depressão Pós-Parto de Edimburgo, validada para brasileiros e para aplicação por telemedicina (TM). A utilização da TM é considerada um grande avanço também na obstetrícia. A aplicação de instrumentos psicométricos por TM produz informações com acurácia semelhante ou maior do que o modo de registro local com papel e caneta, além de permitir maior honestidade devido à maior percepção de privacidade, reduzindo, assim, a influência da psicofobia. Portanto, a utilização da TM e da telepsiquiatria na saúde mental da mulher apresenta-se como um recurso estratégico para ampliar o acesso e melhorar os resultados do rastreamento da DP.
Mercêdes J. O. Alves
Debates em Psiquiatria, pp 18-23; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-4-3

Abstract:
O artigo discute os aspectos éticos que envolvem a pesquisa, a clínica e a propaganda da neuromodulação, em suas diversas técnicas. Discorre principalmente sobre a estimulação magnética transcraniana (EMT), a eletroconvulsoterapia (ECT) e a estimulação transcraniana por corrente contínua (ETCC). Apresenta as normas estabelecidas pelos diversos órgãos regulatórios, tanto com relação às técnicas de estimulação cerebral como com relação aos equipamentos.
Eduardo Sauerbronn Gouvea, , Bianca Bonadia, Natasha Malo De Senço, , ,
Debates em Psiquiatria, pp 16-23; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-6-2

Abstract:
O termo psicose é usado para descrever um estado mental em que o indivíduo perde o contato com a realidade, e a etapa inicial de manifestação dos sintomas psicóticos define o primeiro episódio psicótico (PEP). Este artigo apresenta conceitos e dados gerais sobre PEP, apresenta fatores de risco e provê orientações sobre o diagnóstico (inclusive diagnósticos diferenciais), tratamento e acompanhamento de pacientes com PEP, com destaque para o papel das emergências psiquiátricas. As diferentes fases das psicoses também são descritas. Como conclusão, os autores salientam a importância da identificação e investigação dos casos, o início precoce do tratamento e o acompanhamento aproximado e individualizado dos pacientes.
Jaluza Aimèe Schneider, Carolina Macedo Lisboa, Caroline Mallmann
Debates em Psiquiatria, pp 24-33; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-3-4

Abstract:
A dependência química – DQ – constitui-se um problema de saúde pública e uma preocupação em nível nacional. Neste contexto, observa-se um significativo crescimento de consumo de cocaína e crack nos últimos anos. Este trabalho objetivou verificar a existência, ou não, da associação entre dependência de cocaína e/ou crack e transtorno de personalidade antissocial – TPA - e psicopatia. Participaram da pesquisa 30 homens com diagnóstico de dependência química, internados em uma instituição, com idades variando de 19 a 53 anos (M= 30,30; DP= 8,44). Os participantes responderam ao Drug Abuse Screening Test (DAST), Mini International Neuropsychiatric Interview (M.I.N.I Plus) e Escala HARE PCL-R.Os resultados demonstraram que os dependentes de cocaína e/ou crack da amostra, em sua maioria, estavam desempregados e solteiros. Os resultados apresentaram uma associação positiva com os sintomas da psicopatia. Também foi identificada presença de sintomas do TPA nesta população, porém sem serem significativos estatisticamente, neste estudo. Evidencia-se a necessidade dos tratamentos para dependência de cocaína e/ou crack abordarem aspectos específicos dos sintomas do transtorno de personalidade antissocial – TPA- e psicopatia para que se obtenham resultados mais efetivos na redução e prevenção da DQ.
Alessandra Diehl, Hewdy Lobo Ribeiro
Debates em Psiquiatria, pp 36-40; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-1-4

Abstract:
A Comissão Global de Politicas de Drogas em 2011 anunciou que a “guerra contra as drogas falhou” e a legalização das drogas seria uma das respostas para conter o tráfico, à violência, o excessivo encarceramento e o consumo de drogas entre os mais jovens. No entanto, reforça-se a estrita necessidade de analisar a questão a partir de uma perspectiva científica de quais seriam os hipotéticos benefícios que resultariam da legalização das drogas, principalmente para a saúde pública. Assim, este artigo tem por objetivo de forma resumida apontar alguns dos principais pontos baseados em evidências que reforçam que a legalização as drogas neste momento no Brasil é atitude no mínimo precipitada, descuidada e errônea.
Alexandre Martins Valença, Kátia Mecler, Lisieux E. De Borba Telles
Debates em Psiquiatria, pp 30-33; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-1-6

Abstract:
Um indivíduo tem quatro vezes mais chance de ser vítima de homicídio no primeiro ano de vida. Este artigo apresenta definições de filicídio e relata dois casos de mulheres com transtornos psicóticos que tentaram assassinar seus filhos. É enfatizado o papel dos serviços de saúde mental no sentido de prevenir a perda de contato e a não aderência ao tratamento, que frequentemente precedem o homicídio cometido por pessoas com transtornos mentais graves.
Fabiano Alves Gomes
Debates em Psiquiatria, pp 20-30; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-5-3

Abstract:
O transtorno bipolar é associado a diversas condições médicas gerais, resultando em um aumento significativo da morbimortalidade. As doenças do sistema cardiovascular e endócrino são as mais comumente associadas ao transtorno, havendo evidências significativas do efeito deletério de algumas medicações na etiologia e curso das comorbidades clínicas. Além disso, existem evidências recentes de que a própria doença bipolar, assim como os episódios recorrentes da doença, podem estar associados a uma maior incidência de doenças físicas. A avaliação do paciente bipolar deve incluir a realização de anamnese relacionada aos fatores de risco pessoais e familiares, exame clínico, solicitação de exames complementares que foram pertinentes ao quadro e monitorização dos efeitos colaterais das medicações na saúde global do paciente.
Lisandre F. Brunelli
Debates em Psiquiatria, pp 34-37; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-4-5

Abstract:
As visitas domiciliares são atividades características e obrigatórias na Estratégia Saúde da Família, mas não para as equipes dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), podendo ou não ser utilizadas como ferramentas para acolhimento dos pacientes portadores de transtornos mentais e suas famílias, estimulando sua integração social, apoiando suas iniciativas em busca da autonomia, oferecendo-lhes atendimento médico e psicológico. Quando realizadas, geralmente o são por membros da equipe multidisciplinar, substituindo a visita ao médico psiquiatra da equipe.
Daniela Zippin Knijnik, Eduardo Trachtenberg
Debates em Psiquiatria, pp 16-21; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-5-3

Abstract:
O presente artigo inicia pela revisão dos modelos cognitivos e dos princípios gerais da terapia cognitivocomportamental (TCC) no transtorno de ansiedade social. Em seguida, os autores propõem um exercício sistemático a ser utilizado especialmente durante as sessões da TCC de psicoeducação e reestruturação cognitiva. Tendo por base o ciclo da ansiedade social disfuncional, o qual colabora para a manutenção dos sintomas de ansiedade social, paciente e terapeuta trabalham ativamente buscando um ciclo mais funcional, o ciclo alternativo da ansiedade social.
Norma Alves De Oliveira, José Augusto Soares Barreto Filho, Joselina Luzia Menezes De Oliveira, Enaldo Vieira De Melo, Otávio Rizzi Coelho, Juliana Goes Jorge,
Debates em Psiquiatria, pp 6-17; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-4-2

Abstract:
A depressão tem sido associada à síndrome coronariana aguda (SCA), agravando o prognóstico durante e após a internação, independentemente dos fatores de risco tradicionais. Apesar de estudos diversos enfatizarem a alta prevalência e o grande impacto no prognóstico, a depressão é subdiagnosticada e subtratada na maioria dos pacientes com SCA. Um dos desafios no contexto científico tem sido elucidar os mecanismos subjacentes, especialmente os psicossociais e os fisiopatológicos. Neste trabalho, fazemos uma revisão bibliográfica sobre os possíveis mecanismos fisiopatológicos implicados na associação entre depressão e SCA. Dentre os mecanismos fisiopatológicos, destacam-se a aterogênese inflamatória, os fatores imunológicos, o aumento da atividade plaquetária, a variação da frequência cardíaca, as alterações hematológicas, os fatores neuroendócrinos, as alterações estruturais decorrentes de anormalidades vasculares, como a desordem vascular disseminada, as alterações fibrinolíticas, os fatores genéticos, as diferenças entre os gêneros, as alterações hormonais e o tratamento farmacológico. Apesar do reconhecido efeito fisiopatológico da associação entre depressão e SCA, existe uma escassez de publicações dedicadas a estudar os mecanismos relacionados. A realização de mais estudos pode, no futuro, dar embasamento à comunidade científica para que a investigação da depressão faça parte do protocolo de exame e tratamento dos pacientes com SCA.
Daniel Tornaim Spritzer, Aline Restano, Vitor Breda, Felipe Picon
Debates em Psiquiatria, pp 24-30; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-1-3

Abstract:
Num mundo cada vez mais influenciado pela tecnologia, crescem as dúvidas sobre o papel que as novas tecnologias passam a ter nas nossas vidas e sobre as possíveis consequências negativas que podem acarretar. Considera-se dependência de tecnologia quando o indivíduo não consegue controlar o uso da tecnologia, principalmente quando esse uso está tendo impacto negativo nas principais áreas da vida (relacionamentos interpessoais, desempenho nos estudos/trabalho, saúde física, etc.). Trata-se de um fenômeno global, que parece afetar em torno de 6% da população e que pode ter apresentações bastante heterogêneas. Os subtipos de dependência de tecnologia de maior relevância na prática clínica são: dependência de jogos eletrônicos, de redes sociais e de smartphones. Na maioria dos casos de dependência de tecnologia é possível identificar a presença de comorbidades psiquiátricas. Além de uma avaliação completa e centrada no diagnóstico, uma escuta atenta para as especificidades dos jogos e das redes sociais utilizadas pelos pacientes, assim como para as motivações para o seu uso, pode também fornecer informações relevantes para o atendimento dos pacientes.
Maria Cristina Montenegro, Amaury Cantilino
Debates em Psiquiatria, pp 23-35; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-3-3

Abstract:
A estimulação magnética transcraniana (EMT) é uma técnica de neuromodulação não invasiva, com efeitos adversos mínimos e poucas contraindicações. O procedimento vem sendo utilizado no arsenal terapêutico dos pacientes com depressão, mostrando benefícios terapêuticos comprovados em pesquisas no mundo todo. O último guideline europeu publicado sobre o tema, em 2014, coloca a EMT repetitiva de alta frequência aplicada no córtex pré-frontal dorsolateral esquerdo para depressão como nível A de evidência (eficácia definida). A técnica foi aprovada pelo Food and Drug Administration nos EUA para tratamento de depressão em 2008 e reconhecida em 2012 pelo Conselho Federal de Medicina como ato médico válido em todo o território nacional.
Flavio Kapczinski, Antonio E. Nardi
Debates em Psiquiatria, pp 23-25; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-6-5

Abstract:
Revista Brasileira de Psiquiatria (RBP) is currently one of the most important scientific journals in Brazil, and it now holds the highest impact factor among all Brazilian scientific journals. Over the past few years, RBP has consolidated its position in the international scenario of psychiatric publications, attracting a growing number of submissions from different countries. In this article, we review the recent history of RBP, highlighting its most significant actions, contributions, and achievements.
Amaury Cantilino, Joel Rennó Jr, Hewdy Lobo Ribeiro, Juliana Pires Calvasan, Renata Demarque, Jerônimo De A. Mendes Ribeiro, Gislene Valadares, Renan Rocha, Antônio Geraldo Da Silva
Debates em Psiquiatria, pp 10-18; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-5-2

Abstract:
Este artigo resume as pesquisas entre 2014 e 2016 pertinentes às diferenças em cuidados clínicos e neurobiologia de mulheres e homens com transtorno afetivo bipolar (TAB). Com TAB, o sexo feminino se correlaciona com mais sintomas depressivos e diferentes comorbidades. As mulheres também têm um maior grau de episódios mistos e ciclagem rápida. Quanto a comorbidades, doença da tireoide, obesidade e transtornos de ansiedade ocorrem mais frequentemente em mulheres, enquanto transtornos por uso de substância são mais comuns em homens. O exercício aumenta os níveis do fator neurotrófico derivado do cérebro em mulheres bipolares, mas não em homens. Pacientes do sexo masculino e do sexo feminino têm biomarcadores distintos para o TAB. Alterações menstruais e flutuação de humor estão presentes em mulheres tratadas para o TAB em um grau maior do que nos controles. Lamotrigina pode ser útil para atenuar essa flutuação. A desregulação da tireoide associada ao lítio ocorre mais frequentemente em pacientes do sexo feminino. Homens e mulheres com TAB recebem tratamentos diferentes em ambientes clínicos de rotina. Decisões clínicas de tratamento são, em certa medida, indevidamente influenciadas pelo sexo dos pacientes.
Victor Siciliano Soares, Claudiane Salles Daltio, Cecília Attux
Debates em Psiquiatria, pp 32-34; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-5-5

Abstract:
Este artigo relata o caso de um paciente jovem em primeiro episódio psicótico e com dificuldade de adesão ao tratamento, no qual foi utilizado um antipsicótico de segunda geração de ação prolongada. Os antipsicóticos de longa ação devem ser considerados mais amplamente no tratamento da esquizofrenia pela facilidade do manejo e segurança na tomada da medicação, pois melhoram a adesão e, consequentemente, o prognóstico dos pacientes.
Luciana Nogueira De Carvalho, Cláudia Almeida, Elisangela Maria Morais Lima, Gabriel C. Lacerda, Hélio Lauar
Debates em Psiquiatria, pp 10-16; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-3-2

Abstract:
Cannabis sativa é a droga ilícita mais usada no período gestacional, e o avanço das neurociências tem contribuído para a elucidação do sistema endocanabinoide envolvido no controle das emoções, do humor e da memória. O desenvolvimento do sistema nervoso central é suscetível aos efeitos do tetra-hidrocanabidiol (THC). Assim, a exposição do feto à maconha durante a ontogênese não é um fenômeno benigno, tendo influência na migração, proliferação e diferenciação das células neuronais. Além disso, essa condição gera repercussões subjetivas, sociais e jurídicas que afetam a capacidade da mãe de cuidar dos filhos. Este trabalho tem por objetivo reunir informações atuais sobre os efeitos do uso da cannabis durante a gestação humana e suas repercussões na capacidade materna de cuidar dos filhos. Os autores concluem que filhos de usuárias cursam com prejuízos neurocognitivos relacionados ao uso de cannabis durante a gestação e apresentam aumento de sintomas depressivos, atencionais e impulsivos, além de dificuldades de aprendizado.
Ana G. Hounie
Debates em Psiquiatria, pp 12-18; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-4-2

Abstract:
A síndrome de Tourette pode ser branda e nunca ser diagnosticada, e pode ser grave e refratária, necessitando de intervenção cirúrgica, situação que ocorre em uma minoria dos casos. Este artigo busca revisar a literatura sobre estimulação cerebral profunda nos casos refratários da síndrome de Tourette.
Katia Mecler, Lisieux E. De Borba Telles, Alexandre Martins Valença, Samantha Salem, Leonardo Fernandez Meyer
Debates em Psiquiatria, pp 6-13; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-5-1

Abstract:
O novo Código Civil Brasileiro, apesar de avançar em muitos sentidos, deixa a desejar no aspecto da manutenção da integridade dos direitos e decisões pessoais de indivíduos estabelecidos como incapazes pela lei. Embora o que se busque através do instituto da curatela seja a proteção para aqueles a quem falta a capacidade de cuidarem de si mesmos, a indicação de um curador pode trazer sérias consequências para o curatelado. Esse status legal pode privar a pessoa do direito a escolhas importantes, como aquelas relacionadas aos atos de casar-se, votar e educar crianças, aos cuidados com a saúde e consentimento com tratamentos, à escolha do lugar de residência e a outros aspectos fundamentais de uma vida comunitária. No decorrer deste artigo, comparamos as leis de curatela de países da Europa, Estados Unidos e Brasil. O Código Civil Brasileiro tem-se mostrado o mais atrasado dentre os analisados, limitando em muito os direitos pessoais de seus curatelados e ultrapassando o limiar dos direitos individuais.
Jeronimo De A. Mendes Ribeiro, Joel Rennó Jr., Hewdy Lobo Ribeiro, Juliana Pires Cavalsan, Gislene Cristina Valadares, Amaury Cantilino, Renata Demarque, Renan Rocha, Antônio Geraldo Da Silva, Luciano Minuzzi
Debates em Psiquiatria, pp 24-31; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-6-3

Abstract:
O uso de escalas na prática clínica é bastante conhecido e pode ser útil quando os instrumentos são utilizados como parte do processo de avaliação diagnóstica, na identificação da presença ou ausência de um determinado transtorno, no monitoramento do progresso terapêutico e na quantificação e documentação da gravidade de determinados sintomas. O período perinatal pode estar associado a desfechos adversos e impactar de maneira negativa a saúde mental das mulheres. Embora existam poucos instrumentos especificamente desenvolvidos para essa subpopulação, há uma uma crescente tendência em se afirmar que o monitoramento cuidadoso e contínuo de sintomas e condições psiquiátricas prevalentes nesse período através de questionários de autoavaliação pode trazer benefícios na tomada de decisão ou busca de acompanhamento especializado e precoce, quando necessário.
, Quirino Cordeiro
Debates em Psiquiatria, pp 32-37; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-2-4

Abstract:
O debate em torno do tema da maioridade penal tem estado cada vez mais presente em nossa sociedade. A pressão popular acabou culminando com a aprovação da diminuição da maioridade penal na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, e posteriormente em plenário, devendo a matéria seguir para o Senado. A mudança na legislação brasileira deve ser o caminho trilhado caso os parlamentares decidam que pessoas mais jovens sejam responsabilizadas pelos seus atos. Nos debates a respeito do assunto, frequentemente aparece a sugestão de submeter os infratores a uma avaliação psiquiátrica e psicológica, objetivando atestar maturidade ou imputabilidade. Inclusive, nos últimos tempos, em determinados casos de grande clamor popular, o Poder Judiciário tem recorrido à psiquiatria para legitimar o confinamento de pessoas que cometeram atos infracionais, situação essa que ocorre quase que ao arrepio da lei. Um dos exemplos mais emblemáticos de como a psiquiatria é arrolada nesse processo é o caso da Unidade Experimental de Saúde, no Estado de São Paulo, onde está preso um dos assassinos mais famosos do país, o Champinha. Seu caso permite a abertura de discussão sobre o tema da maioridade penal e sua relação com a psiquiatria. Neste artigo, atenção especial será dada ao cuidado que a psiquiatria e os psiquiatras devem tomar para que não sejam usados na busca social por atalhos legais para garantir justiça fora das leis. Assim, se o conjunto social decidir pela diminuição da maioridade penal, que isso seja feito respeitando os trâmites legais, por meio de mudanças legislativas, sem, no entanto, valer-se da psiquiatria para criar situações de exceção.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Andrea Feijó Mello, Euthymia B. Almeida Prado
Debates em Psiquiatria, pp 38-42; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-5-5

Abstract:
O presente artigo discorre sobre a comorbidade entre transtorno bipolar (TB) e transtorno de estresse póstraumático (TEPT) e questiona sobre certos casos serem melhor avaliados à luz das novas teorias do Research Domain Criteria (RDoC), principalmente aqueles quadros de TEPT com sintomas disfóricos que podem ser classificados como TB, apesar de não preencherem critérios para tal. Nesse caso, questiona-se a comorbidade e propõe-se um aprofundamento da fisiopatologia dessa sintomatologia que está sobreposta. Clinicamente, esse olhar poderá facilitar o manejo farmacológico de pacientes graves com histórico de trauma.
Maísa Novaes Portella Checchia, Renata Michel, César De Moraes
Debates em Psiquiatria, pp 24-32; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-4-4

Abstract:
Objetivo: Estudar sintomas emocionais (internalização e externalização) em 12 crianças e adolescentes com deficiência visual. Método: Foram pesquisados 12 sujeitos com idade entre 6 e 18 anos, de ambos os sexos, diagnosticados com cegueira total ou visão subnormal (grupo de pesquisa), de acordo com dados fornecidos pela instituição em que as crianças eram assistidas e os relatos dos pais ou responsáveis. Também foram pesquisadas 10 crianças com visão normal (grupo controle), com a mesma faixa etária e também de ambos os sexos. Para as avaliações, foram usados o Critério de Classificação Econômica Brasil, o Child Behavior Checklist (CBCL) e a entrevista introdutória do instrumento Kiddie-Sads-Present and Lifetime Version 1, preenchidos com base nos relatos fornecidos. As análises estatísticas foram feitas através do teste do qui-quadrado, teste de Mann- Whitney e índice de correlação de Pearson. O nível de significância foi estabelecido em 5%. Resultados: Foi encontrada maior incidência de sintomas internalizantes no grupo de pesquisa. Com relação ao grupo controle, foram verificados problemas com regras, ou seja, esse grupo apresentava o padrão clínico dos sintomas de externalização no quesito quebra de regras. Conclusão: Sintomas de internalização foram mais frequentes no grupo de crianças com deficiência visual.
Daniel Kawakami, José Gilberto Prates, Chei Tung Teng
Debates em Psiquiatria, pp 28-34; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-4-3

Abstract:
Atualmente, o serviço de emergência psiquiátrica (SEP) possui papel fundamental na rede de serviços de saúde mental brasileira. Dele depende, muitas vezes, a definição de uma boa ou má evolução dos quadros psiquiátricos recém iniciados. Este artigo expõe conceitos e dados gerais sobre os SEP, apresenta sua situação atual, mundial e brasileira, e analisa tendências e propostas sobre medidas de planejamento e estruturação dos SEP. Experiências e modelos são analisados como possibilidades de mudanças nos SEP. Como conclusão, os autores salientam a importância da articulação e efetiva execução das prioridades na organização dos SEP no âmbito do Sistema Único de Saúde.
Rafael Britto De Magalhães
Debates em Psiquiatria, pp 12-20; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-6-3

Abstract:
O presente trabalho aborda a questão do grupo de mútua ajuda conhecido como Alcoólicos Anônimos (AA) e suas potencialidades terapêuticas. Para tanto, foi realizado um amplo estudo de sua literatura, com livros considerados como seu texto base, assim como um trabalho de campo com membros do AA, sendo utilizada técnica de observação participativa seguida de entrevistas voluntárias com os membros. Conforme sugerido a todo recém-chegado no AA, a observação foi feita em 90 reuniões ao longo de 90 dias. Finalmente, foi aplicado também um questionário anônimo, visando obter um melhor perfil de uma pequena amostra do total de pessoas que frequentam o grupo. Ao todo, obtivemos 35 questionários respondidos, que demonstraram a importância do AA na mudança de vida dessas pessoas.
Suyan Gehlm Ribeiro Dos Santos, Carla Streit
Debates em Psiquiatria, pp 16-23; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-2-2

Abstract:
O Transtorno de Humor Bipolar (THB) é uma doença psiquiátrica crônica caracterizada por oscilações ou mudanças cíclicas de humor. Classificado em Tipo I (predomínio de episódios maníacos) forma mais severa da doença e o Tipo II (predomínio de episódios hipomaníacos). Possui origem multifatorial, incluindo influências ambientais, biológicas e genéticas acometendo cerca de 1% a 2 % da população geral. O objetivo deste estudo foi realizar uma revisão da literatura nas bases de dados eletrônicos abordando o transtorno de humor bipolar com o papel do Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (BDNF) e alterações moleculares. Devido ao elevado índice de pacientes acometidos e as diversas hipóteses estudadas por pesquisadores para elucidar os mecanismos envolvidos na doença, este estudo faz-se necessário a fim de contribuir na compreensão da mesma. Conclui-se, que embora haja diversos estudos relacionando polimorfismos à predisposição do THB a fisiopatologia da doença ainda não foi elucidada completamente, necessitando de pesquisas adicionais com o intuito de auxiliar na compreensão e progressão da mesma.
Evelyn Kuczynski
Debates em Psiquiatria, pp 46-50; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-3-5

Abstract:
Associar autismo e epilepsia é mais que casual ou aleatório, dado que ocorre um aumento na detecção de epilepsia após a puberdade nos transtornos do espectro do autismo (TEA). Mais frequente entre os menores de 5 anos de idade e em adolescentes, a epilepsia apresenta taxas de até 70% entre os transtornos desintegrativos. Contudo, não há dados suficientes quanto à prevalência de TEA entre indivíduos com epilepsia. Os mais conservadores estabelecem que a prevalência de epilepsia nos TEA é de 1 a 2% mais alta do que na população em geral, caracterizando TEA como fator de risco para o surgimento da epilepsia. Pesquisas se beneficiaram de critérios de diagnóstico mais bem estruturados e universais para os TEA e de uma nova classificação internacional das epilepsias, com melhor identificação e estudo da epilepsia nos subgrupos de TEA. Não mais se questiona a grande associação entre os TEA e a epilepsia. Estabelecer uma relação causa/efeito para a epilepsia e os TEA é tentador. Entretanto, não há evidência de que o tratamento clínico ou cirúrgico da epilepsia modifique o prognóstico dos TEA. Estudos específicos com essa população são necessários para elucidar o real papel da epilepsia nos TEA.
Renan Rocha, Joel Rennó Jr., Hewdy Lobo Ribeiro, Juliana Pires Cavalsan, Amaury Cantilino, Jerônimo De Almeida Mendes Ribeiro, Gislene Valadares, Antônio Geraldo Da Silva
Debates em Psiquiatria, pp 28-32; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-5-5

Abstract:
As novas normas da Food and Drug Administration (FDA) para o uso de medicamentos na gravidez e na lactação entram em vigor este ano (2015). Elas reformulam o conteúdo e o formato das bulas e, concomitantemente, removem quaisquer referências às categorias A, B, C, D e X. Estas são substituídas por um resumo dos riscos perinatais do medicamento, discussão das evidências pertinentes e uma síntese dos dados mais relevantes para a tomada de decisões na prescrição. Também constam nas novas normas informações essenciais sobre identificação de gravidez, contracepção e infertilidade. O objetivo final das novas normas é facilitar o processo de prescrição por meio do oferecimento de um conjunto de informações consistentes e bem estruturadas a respeito do uso de medicamentos nos períodos da gravidez e lactação.
Sara Mota Borges Bottino, Romayne Mirelle Santos, Beatriz De Castilho Martins, Caroline Gomez Regina
Debates em Psiquiatria, pp 20-27; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-2-4

Abstract:
Considera-se cyberbullying quando um ou mais indivíduos utilizam os meios eletrônicos com a intenção de agredir, infligir injúria ou desconforto, humilhar, causar medo ou sensação de desespero no indivíduo que é alvo das agressões. Essas ações podem ser feitas via e-mail, salas de bate-papo, telefones celulares, mensagens instantâneas, cabines de votação online. As evidências indicam que 20-40% dos adolescentes terão pelo menos uma experiência com cyberbullying e que o número de cybervítimas está aumentando. O principal dano causado pelo cyberbullying é o de prejudicar a reputação da vítima, com repercussões que podem ser ainda maiores do que aquelas observadas no bullying tradicional. A vitimização relacionada ao cyberbullying está associada a problemas sociais e de comportamento, incluindo sintomatologia depressiva, abuso de substâncias psicoativas, tentativas de suicídio e suicídio, constituindo-se assim em problemas significativos para a saúde mental dos adolescentes.
Pedro Shiozawa, Geraldo Teles Machado Netto, ,
Debates em Psiquiatria, pp 6-10; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-4-1

Abstract:
Transtornos depressivos são um importante problema de saúde pública. Este artigo relata o caso de uma paciente do sexo feminino, 35 anos, internada por quadro depressivo grave com sintomas psicóticos refratários a tratamento medicamentoso. Ao longo de 3 anos de acompanhamento psiquiátrico, a eletroconvulsoterapia (ECT) nunca havia sido oferecida como opção de tratamento. A paciente foi tratada com ECT e apresentou melhora significativa dos sintomas psiquiátricos e físicos, e atualmente leva uma vida normal. São discutidas as indicações e limitações do uso de ECT.
Alcina Juliana Soares Barros, José Geraldo Vernet Taborda, Regis Goulart Rosa
Debates em Psiquiatria, pp 24-28; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-1-5

Abstract:
Os hormônios desempenham um importante papel para a compreensão das bases biológicas da psicopatia e do transtorno de personalidade antissocial. Os sistemas hormonais podem ser influenciados por fatores genéticos e ambientais e, em consequência, atuar no funcionamento cerebral. Como marcadores biológicos, os hormônios podem fornecer pistas esclarecedoras sobre o que ocorre no cérebro de um psicopata. Os dois hormônios mais implicados até o momento na psicopatia, com seus respectivos eixos, são o cortisol e a testosterona. Este artigo visa correlacionar as manifestações cognitivas, emocionais e comportamentais da personalidade psicopática com os desequilíbrios neuroendócrinos.
Gislene C Valadares, José Raimundo Da Silva Lippi, Joel Rennó Junior, Juliana Pires Cavalsan, Renata Demarque, Hewdy Ribeiro Lobo, Amaury Cantilino, Renan Rocha, Jerônimo De Almeida Mendes Ribeiro, Antônio Geraldo Da Silva
Debates em Psiquiatria, pp 14-26; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-1-2

Abstract:
A avaliação das vítimas de ofensa sexual necessita conhecimento, treinamento, sensibilidade e responsabilidade não submetendo a vítima a vivência também traumática da violência sofrida. Os passos dos cuidados são apresentados de acordo com protocolos internacionais. O tratamento psicoterápico e psicofarmacológico é apresentado.
Vivian Alves Trajano De Oliveira
Debates em Psiquiatria, pp 42-45; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-4-5

Abstract:
A anedonia é uma característica da anorexia nervosa. A perda do prazer em se alimentar tem um papel crucial nesse transtorno. Entretanto, a perda de prazer em realizar qualquer outra atividade pode ser ainda mais importante para a manutenção do quadro.
Helena M. Calil
Debates em Psiquiatria, pp 18-22; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-6-4

Abstract:
A Revista Brasileira de Psiquiatria (RBP) foi criada no mesmo ano que a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), há 50 anos. Entretanto, a revista sofreu solução de continuidade, provocando mudança de seu nome para Revista da ABP e, posteriormente, para Revista ABP-APAL, assim persistindo durante 20 anos, mas sempre sendo órgão oficial da ABP. Como a história da revista se confunde com a da ABP, vários presidentes da associação, responsáveis por alterações substanciais na revista, são mencionados, assim como os vários editores que contribuíram com seus trabalhos na consolidação da RBP, hoje com expressivo reconhecimento nacional e internacional.
Lia Silvia Kunzler
Debates em Psiquiatria, pp 28-37; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-6-5

Abstract:
A terapia cognitiva foi desenvolvida por Aaron Beck, na década de 1960, a partir da atuação com pacientes com diagnóstico de depressão. O princípio da terapia cognitiva é que o humor e os comportamentos negativos são resultado de pensamentos distorcidos e rígidos. Isso faz com que os pacientes se comportem como se a situação fosse pior do que realmente é. A intervenção psicoterápica baseada na terapia cognitiva pressupõe que o paciente participe ativamente tanto do processo de terapia quanto da prevenção de recaída e que se torne seu próprio terapeuta. Nas sessões iniciais, os pacientes não compreendem o potencial da terapia na promoção de mudanças, mas ao longo do tratamento isso é evidenciado. No Brasil, o início do desenvolvimento da terapia cognitiva data do final da década de 1980. Atualmente, mais de 300 ensaios clínicos controlados atestam sua eficácia. O presente artigo apresenta o caso clínico de Laura, estudante de fisioterapia, que alcançava resultados ruins quando avaliada por apresentações orais ou provas. As situações eram evitadas ou enfrentadas com intenso medo ou ansiedade. A técnica “pense saudável”, sistematizada com base em conceitos de promoção de saúde, qualidade de vida, tomada de decisão e terapia cognitiva, foi adaptada de acordo com a conceituação específica do problema.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Renan Rocha, Joel Rennó Jr, Hewdy Lobo Ribeiro, Juliana Pires Cavalsan, Renata Demarque, Amaury Cantilino, Jerônimo De Almeida Mendes Ribeiro, Gislene Valadares, Antonio Geraldo Da Silva
Debates em Psiquiatria, pp 44-48; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-2-5

Abstract:
Progressivamente, métodos de pesquisa científica têm sido utilizados para aperfeiçoar o conhecimento médico, as condutas nosológicas e a confiabilidade dos tratamentos. A Psiquiatria tem sido tema de centenas de estudos clínicos que buscam investigar medidas de eficácia terapêutica e acurácia diagnóstica. Mais recentemente, a Medicina Baseada em Evidências proporcionou e promoveu o emprego da metodologia em Bioestatística para o aprimoramento dos desfechos médicos. Neste sentido, Metanálises e Revisões Sistemáticas contribuem significativamente para a Saúde Mental da Mulher
Mercedes Jurema Oliveira Alves
Debates em Psiquiatria, pp 6-13; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-4-1

Abstract:
O presente texto faz uma revisão das bases teóricas e dos estudos empíricos disponíveis sobre o uso da estimulação magnética transcraniana de repetição como estratégia terapêutica de manutenção após eletroconvulsoterapia. Há quadros psiquiátricos pouco responsivos a quaisquer tipos de tratamentos, inclusive à eletroconvulsoterapia. O texto mostra que a combinação das técnicas é promissora, porém mais estudos são necessários para se definir as indicações precisas e a eficácia em termos de sustentação da resposta terapêutica.
Amaury Cantilino, Joel Rennó Jr, Hewdy Lobo Ribeiro, Juliana Pires Calvasan, Renata Demarque, Jerônimo De A. Mendes Ribeiro, Gislene Valadares, Renan Rocha, Antônio Geraldo Da Silva
Debates em Psiquiatria, pp 34-39; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-3-5

Abstract:
Decidir se devem continuar a tomar ou não medicações durante a gravidez é uma escolha complexa para as mulheres e os seus prestadores de cuidados de saúde. Informações de amigos, familiares, profissionais de saúde e meios de comunicação podem ter um impacto importante na tomada de decisões sobre a farmacoterapia para transtornos psiquiátricos durante a gestação. Este artigo procura mostrar como o estigma relacionado ao tratamento psiquiátrico também pode interferir na percepção de risco associada a ele durante a gravidez. Se a sociedade, as pacientes e os médicos se preocupam com o uso de medicações durante a gestação, preocupação maior parece existir se estas medicações são psicofármacos. Os profissionais de saúde devem reconhecer isso para identificar as barreiras principais enquanto prestam atendimento a pacientes que necessitam de psicofarmacoterapia neste período.
Rogério R. Zimpel, Bruno Paz Mosqueiro, Neusa Sica Da Rocha
Debates em Psiquiatria, pp 28-30; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-2-5

Abstract:
Há um crescente interesse no estudo das relações entre espiritualidade e saúde. Estudos empíricos destacam o papel protetor da espiritualidade na prevenção de depressão, transtornos de ansiedade, uso de substâncias, diminuição do risco de suicídio, promoção de bem-estar e qualidade de vida, além de resiliência em situações de adversidade, traumas e estresse agudo ou crônico. No entanto, mais estudos são necessários para que se possa entender como ocorre a associação entre espiritualidade e saúde em diferentes contextos clínicos e, assim, contribuir para o avanço do entendimento desse tema complexo.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Débora Mascella Krieger, Carlos Alberto Sampaio Martins De Barros, Elisa Fasolin Mello, Mauro Barbosa Terra
Debates em Psiquiatria, pp 12-17; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-3-2

Abstract:
A insônia e a depressão são comuns na população em geral, sendo causas frequentes de morbimortalidade, e a ocorrência das duas afecções no mesmo paciente é muito encontrada. Vários agentes farmacológicos existem no mercado para tratamento de ambas as condições, mas seus parefeitos são motivos de abandono do mesmo. O entendimento do ritmo circadiano bem como do seu impacto sobre o sono e o humor levaram ao estudo da melatonina e de seus derivados. Tem sido proposto o tratamento de ambas as condições com um mecanismo de ação diferente das opções psicofarmacológicas presentes no mercado até o momento. O papel da melatonina e de seus análogos é o objetivo desta revisão.
Marcelo Feijó De Mello, , Mariana Pires Luz, Ivan Figueira
Debates em Psiquiatria, pp 28-31; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-5-4

Abstract:
O Brasil apresentou piora alarmante dos índices de violência nos últimos 30 anos. Este artigo discute dados diversos, o papel da maternagem na defi nição de como o indivíduo se relacionará social e afetivamente na vida adulta, e discorre sobre estratégias e campanhas que poderiam ajudar a reverter o grave quadro atual.
Evelyn Kuczynski
Debates em Psiquiatria, pp 7-11; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-6-2

Abstract:
Retardo mental (RM) é uma condição extremamente heterogênea em sua etiologia, definida como grupo por um funcionamento adaptativo e intelectual abaixo da média, cujo surgimento ocorre antes dos 18 anos. A ocorrência de vários transtornos mentais é mais comum nesse grupo do que na população geral. Ainda que sejam essencialmente os mesmos transtornos incidindo nesses indivíduos com RM, sua apresentação clínica pode variar em função das contingências pessoais e habilidades linguísticas do indivíduo afetado, o que pode mascarar a sintomatologia comportamental francamente observável.
Bruno Bertolucci, Ana Beatris Miniolli Nardy, Cássia Fiaschi Fogaça, Isabela Moscatel Domingues De Oliveira, Mariana Rauwey Vong, Stephanie Berriel Crocco
Debates em Psiquiatria, pp 6-8; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-3-1

Abstract:
Objetivo: Investigar quais fatores atuam como indicadores de reinternação de pacientes com distúrbios psiquiátricos que obtiveram alta em enfermaria psiquiátrica. Métodos: Estudo retrospectivo com revisão de 200 prontuários e resumos de alta de pacientes internados no período de 2000 a 2013 na enfermaria psiquiátrica do Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, de Mogi das Cruzes (SP), para levantamento de dados. Resultados: Observou-se que idade (p = 0,004), número de medicações na alta (p = 0,006), número de tomadas por dia (p = 0,011), presença de estresse social (p = 0,002) e baixo suporte social (p = 0,001) foram preditores estatisticamente significativos de reinternação. Conclusão: Apesar de o estudo ser limitado pelo método retrospectivo, evidencia-se que um bom suporte social e flexibilidade nas tomadas das medicações estão associados com menores taxas de reinternação. Sugere-se investimento em psicoeducação familiar e participação do paciente na escolha terapêutica.
Regina Margis
Debates em Psiquiatria, pp 22-27; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-5-4

Abstract:
A insônia é o transtorno do sono mais frequente na população. Diferentes modelos têm sido propostos para explicar a ocorrência de insônia (por exemplo, o modelo de Spielman, o modelo neurocognitivo e o modelo de inibição psicobiológica, entre outros). Conhecer tais modelos contribui para uma melhor compreensão dos mecanismos a serem avaliados e tratados. O tratamento psicoterápico tem sido amplamente pesquisado. Em especial, a terapia cognitivo-comportamental para insônia tem tido sua eficácia demonstrada em diferentes estudos, sendo intervenção recomendada para indivíduos com insônia. Diferentes abordagens, como a terapia de controle de estímulos, restrição de sono, terapia cognitiva e terapia cognitiva baseada em mindfulness, têm sido utilizadas, com benefícios observados no tratamento. Entretanto, uma parcela de indivíduos não responde plenamente às abordagens, aspecto que merece a atenção de profissionais e pesquisadores.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Maria C G Pereira Ferreira De Lima, Mariana Guimarães DiLascio
Debates em Psiquiatria, pp 16-23; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-1-2

Abstract:
A síndrome de Asperger é um transtorno do espectro autista que cursa com comprometimento da socialização, da comunicação verbal e não verbal e da flexibilidade cognitiva e comportamental. A abordagem dessas características pelo treinamento de habilidades sociais (THS), baseado na terapia cognitivocomportamental (TCC), visa melhorar a qualidade de vida e reduzir alguns sintomas psiquiátricos nesses pacientes. Entre as dificuldades abordadas estão: 1) a compreensão social; 2) as regras de interação social e as expectativas interpessoais; 3) a conversa recíproca; 4) o uso e a interpretação das condutas não verbais; 5) o autocontrole; 6) os comportamentos estereotipados e os interesses obsessivos; e 7) a formação de amizades. O presente artigo é uma revisão crítica do tema.
Eduardo Alves Guilherme, Roberto Ratzke
Debates em Psiquiatria, pp 30-33; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-3-5

Abstract:
Os transtornos alimentares são associados a graves problemas clínicos e psiquiátricos, e frequentemente são subdiagnosticados. Nesse cenário, a categoria dos transtornos alimentares sem outra especificação (TASOE), embora altamente prevalente, tem recebido pouca atenção. Este artigo descreve o caso de um paciente diagnosticado com TASOE, mais especificamente pica, que ingeriu sacolas plásticas para tentar emagrecer. A história do paciente e o tratamento adotado são descritos em detalhe. Lamentavelmente, a revisão dos TASOE proposta na 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) manteve os critérios diagnósticos confusos e arbitrários, com pouca utilidade na prática clínica.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Regina Margis
Debates em Psiquiatria, pp 25-31; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-2-3

Abstract:
A terapia cognitiva e comportamental é recomendada como tratamento de primeira linha no transtorno de insônia. Apesar de diversos estudos demonstrarem a eficácia da terapia no tratamento da insônia, há um número significativo de pacientes que não se beneficia do tratamento. Fatores relacionados a não resposta merecem ser investigados. O presente artigo analisa alguns dos potencias fatores que possam contribuir para falha do tratamento da insônia através da abordagem cognitiva e comportamental. Na avaliação desses fatores, diferentes aspectos podem ser apreciados para a compreensão dos mecanismos relacionados à resposta ao tratamento. Entre os componentes envolvidos no processo terapêutico, são ressaltados tópicos que incluem informações a respeito do que está sendo tratado, quem está sendo tratado, como a resposta é avaliada, qual a intervenção que está sendo realizada e quem é o terapeuta. Por meio da avaliação desses componentes, busca-se um olhar da terapia cognitiva e comportamental para além de técnicas; é proposto um pensar de como ampliar os benefícios da abordagem a partir dos resultados não obtidos e/ou descritos até o momento.
Debates em Psiquiatria, pp 28-33; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-6-7

Abstract:
Recentes avanços científicos em psiquiatria têm gerado uma melhora nos parâmetros de saúde pública nos transtornos mentais. Abordagens translacionais da bancada para a beira do leito têm obtido novos conhecimentos sobre os biomarcadores e facilitado a identificação de novos e melhores tratamentos para as doenças mentais. Inúmeras técnicas, como a genômica e toda a nova geração “ômica”, têm auxiliado na compreensão das bases neurobiológicas dos transtornos mentais. A incorporação de variáveis dimensionais e biológicas ao diagnóstico, com o advento da 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais e do Research Domain Criteria, pode auxiliar na identificação de tratamentos personalizados, associados a melhor evolução e prognóstico.
Vinicius R. De Oliveira, ,
Debates em Psiquiatria, pp 44-54; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-5-6

Abstract:
Indivíduos com transtorno bipolar apresentam risco significativo para altas taxas de comorbidade médica com fatores de risco cardiovascular. Doenças cardiovasculares têm sido reconhecidas como a principal causa de morte nessa população. Este artigo sumariza as evidências de associação entre mortalidade cardiovascular e transtorno bipolar, assim como as recomendações para a prevenção e o manejo de hipertensão, dislipidemia, diabetes, obesidade, síndrome metabólica e tabagismo em vigência do tratamento do transtorno bipolar.
Evelyn Kuczynski
Debates em Psiquiatria, pp 6-11; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-1-1

Abstract:
Este artigo se propõe a abordar a questão do retardo mental e sua detecção precoce, uma vez que tal processo determina a possibilidade de prevenção, assim como de abordagem terapêutica, reabilitação e prognóstico. O progressivo interesse da Saúde Mental brasileira pela questão do continuum autista vem se processando de maneira superficial, em detrimento da identificação e condução dos casos de retardo mental (muito mais frequentes). A detecção de casos de autismo cresceu dramaticamente nos EUA (de 1996 a 2007). Não se sabe quanto deste crescimento (ou todo ele) se deve a alterações na prevalência do autismo. A qualificação do psiquiatra (e de outros profissionais da Saúde) carece de intimidade com esta entidade clínica, tão variada e heterogênea. Atualmente são raros no Brasil os serviços multidisciplinares envolvidos na detecção precoce e capacitação de profissionais de Saúde nesta área de conhecimento.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Lisandre F. Brunelli
Debates em Psiquiatria, pp 34-37; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-4-5

Abstract:
O presente artigo tem como intuito lançar luz sobre um tema bastante comum em nossa sociedade, assim como em nosso mundo globalizado, a saber, a relação entre alcoolismo e suicídio. O grande número de suicídios que vêm ocorrendo atualmente pode ser considerado um problema de saúde pública. Concomitantemente, o alcoolismo tem sido evidenciado como agente precursor de diversos transtornos orgânicos e mentais, agindo como meio facilitador para comportamentos bizarros, julgamentos equivocados e atos impulsivos. A epigenética explica a possível relação entre tais eventos (comportamento suicida e alcoolismo) através da ativação de genes específicos que estariam envolvidos no processo. Pesquisas atuais podem auxiliar no tratamento de transtornos psiquiátricos graves através do estudo e emprego de psicofármacos que vão agir de forma direcionada a alvos farmacológicos específicos e até prevenir comportamentos de risco que possam culminar de forma fatal.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Roger Bitencourt Varela, Wilson Rodrigues Resende,
Debates em Psiquiatria, pp 6-14; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-2-1

Abstract:
O Transtorno Bipolar é um transtorno do humor grave com grande morbidade e mortalidade. É caracterizado por recorrentes episódios de mania e depressão. Pouco se sabe sobre a precisa neurobiologia do TB, que é essencial para o desenvolvimento de terapias específicas que funcionem rapidamente e sejam mais eficazes e toleráveis que as terapias existentes. Dadas as limitações das tecnologias não invasivas atuais para estudar o cérebro humano, os modelos animais de transtornos psiquiátricos são uma das ferramentas mais importantes para os estudos neurobiológicos. Nessa revisão são abordados alguns novos alvos terapêuticos para o tratamento do transtorno bipolar, descobertos através de estudo com modelos animais. Estudos com o modelo animal de mania induzido por anfetamina apresentam excelentes resultados apontando o envolvimento do estresse oxidativo, da Proteína Quinase C e das Histonas Deacetilases na fisiopatologia do transtorno bipolar, assim como seu potencial enquanto alvos terapêuticos, porém, esses alvos devem ser continuamente explorados nos transtornos de humor.
Wanessa Ferreira Da Silva, Roberth Anthunes Marques Cabral, Letícia Xavier Faria
Debates em Psiquiatria, pp 20-28; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-4-3

Abstract:
O objetivo desta pesquisa é considerar os direitos dispostos pela Lei 10.216/2001 para o atendimento de pacientes portadores de doença mental residentes em Trindade (GO) e nas cidades circunvizinhas que buscam atendimento clínico, cirúrgico e/ou emergencial no Hospital de Urgências de Trindade (GO) (HUTRIN). Com base na lei supracitada, a instituição pesquisada assume o dever de prestar o atendimento necessário a essa população específica, mesmo que não disponha de uma ala psiquiátrica. Este estudo discute a importância da capacitação da equipe de enfermagem do hospital para as ações de tratamento digno e previsto em lei no atendimento de pacientes com doença mental, o exercício dos direitos dos mesmos e as falhas das políticas de saúde pública e da instituição.
Renata Demarque, Joel Rennó Jr., Hewdy Lobo Ribeiro, Juliana Pires Cavalsan, Gislene Valadares, Amaury Cantilino, Jerônimo De Almeida Mendes Ribeiro, Renan Rocha, Antônio Geraldo Da Silva
Debates em Psiquiatria, pp 32-35; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-1-4

Abstract:
Tendo em vista a grande incidência de câncer de mama no Brasil e a desestruturação que esse diagnóstico e tratamento acarretam na vida da mulher, a atuação do psiquiatra nesse cenário é fundamental. Um melhor ajustamento à doença, um melhor manejo da depressão e melhor adesão ao tratamento são alguns dos objetivos da oncopsiquiatria.
Kellen Klein Pereira, Valeska Marinho
Debates em Psiquiatria, pp 18-23; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-3-3

Abstract:
A doença de Alzheimer (DA) é a causa mais comum de demência, caracterizada por início insidioso e curso progressivo, com declínio cognitivo, comprometimento da autonomia e da capacidade de realização de atividades de vida diária, alterações de humor e de comportamento. Ao longo do curso da doença, podem ser observadas manifestações clínicas de diversas naturezas: cognitivas, com declínio na capacidade mnêmica, de linguagem, visuoespacial, habilidades construcionais, função executiva, entre outras; comportamentais, como depressão, ansiedade, comportamento violento/agitado; insônia; comprometimento da capacidade de realização de atividades de vida diária; impacto sobre independência e qualidade de vida do paciente e seu cuidador. Atualmente, o tratamento da DA se baseia no uso de inibidores da colinesterase, com a proposta de estabilizar ou alentecer o curso da doença. As evidências disponíveis sugerem uma melhora média de -2,7 pontos (intervalo de confiança de 95%: -3,0 a -2,3) na faixa de 70 pontos na Alzheimer’s Disease Assessment Scale- Cognitive Subscale (ADAS-cog) por um período de 6 meses a 1 ano em pacientes com demência leve, moderada e grave, além de melhor controle dos sintomas comportamentais associados. Este artigo revisa dados recentes sobre o uso de anticolinesterásicos na DA, o momento de sua introdução, duração do tratamento e principais marcadores de eficácia.
Renata Mousinho, Ana Luiza Navas
Debates em Psiquiatria, pp 37-45; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-3-4

Abstract:
A publicação, em 2013, da 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) trouxe mudanças importantes para a classificação dos transtornos do neurodesenvolvimento, em especial para os transtornos específicos de aprendizagem. O presente trabalho descreve criticamente as diferenças encontradas na versão mais recente em comparação à 4ª edição (DSM-IV). De forma geral, houve mudanças em relação aos critérios diagnósticos, à terminologia adotada, bem como à importante recomendação do emprego do paradigma de resposta à intervenção para confirmar a hipótese diagnóstica dos transtornos específicos de aprendizagem, como na dislexia.
Hewdy Lobo Ribeiro, Joel Renno Jr., Renata Demarque, Juliana Pires Cavalsan, Renan Rocha, Amaury Cantilino, Jerônimo De Almeida Mendes Ribeiro, Gislene Valadares, Antônio Geraldo Da Silva
Debates em Psiquiatria, pp 16-24; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-2-2

Abstract:
A cannabis é a substância psicoativa ilícita mais consumida pelas gestantes no Brasil e no mundo. Muitos estudos foram publicados tendo em vista a saúde do feto e do bebê em aleitamento materno, porém poucos focaram na saúde da gestante e da puérpera usuária de cannabis. O novo papel e os desafios de ser mãe podem ser protetivos para a cessação do uso de drogas, porém para mulheres em situação de vulnerabilidade podem representar risco para a manutenção da dependência. O presente artigo de revisão de literatura apresenta uma visão global sobre o uso de cannabis pelo gênero feminino, destacando-se as particularidades dos impactos desse consumo na gravidez e no pós-parto e as intervenções necessárias para a atenção e cuidado à mãe.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Mariane Nunes Noto, Adiel Rios, Mariana Pedrini
Debates em Psiquiatria, pp 32-37; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-5-4

Abstract:
O transtorno bipolar (TB) é uma doença psiquiátrica crônica e potencialmente grave. Nos últimos anos, pesquisas que focaram nas fases prodrômicas e iniciais do TB demonstraram que estratégias de detecção e intervenção precoces têm o potencial de atrasar, diminuir a severidade ou prevenir episódios completos do TB. Dessa forma, um novo caminho se apresenta para a clínica dos transtornos do humor, que passa não só a preocupar-se com o tratamento dos episódios de mania e depressão, como a buscar a detecção e o diagnóstico precoce e, fundamentalmente, a prevenção. O objetivo deste artigo é discutir dados da literatura sobre as fases iniciais do TB, os desafios da detecção precoce e as implicações desse enfoque para intervenções e manejo clínico antes ou logo após o desenvolvimento do primeiro episódio de mania, que marca, oficialmente, o início da doença.
Márcia Gonçalves, Fernando Portela Camara
Debates em Psiquiatria, pp 28-35; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-1-3

Abstract:
Foram estudados os transtornos psiquiátricos em ações previdenciárias contra o INSS em uma vara federal de São José dos Campos no período de um ano a fim de conhecer as patologias de maior prevalência e o perfil profissional de quem busca a justiça para auxílio previdenciário e aposentadoria. Um perfil sociológico bem definido se sobressaiu na pesquisa, sugerindo que transtornos afetivos em homens adultos com fracos elos psicossociais é causa frequente de incapacidade labora Le social.
Lisieux E. De Borba Telles, Caroline Galli Moreira, Mariana Ribeiro De Almeida, Kátia Mecler, Alexandre Martins Valença, Daniel Prates Baldez
Debates em Psiquiatria, pp 38-43; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-6-6

Abstract:
A violência é globalmente reconhecida como um problema de saúde pública. Em 2002, a Organização Mundial da Saúde (OMS) deu destaque para o abuso e para a negligência por seu caráter crônico e pelos danos psicológicos, sociais e injúria física que geram, sendo as crianças frequentemente vitimizadas. Este artigo apresenta os diferentes tipos de maus-tratos infantis, com enfoque principal na síndrome de Munchausen por procuração, visto apresentar a característica peculiar de envolver três entidades, mesmo que de forma inadvertida: o médico, o cuidador/perpetrador e a criança/vítima.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Liliane Machado, Leonardo Machado
Debates em Psiquiatria, pp 34-37; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-5-6

Abstract:
A síndrome de Cotard é uma condição rara caracterizada por melancolia ansiosa, delírios de não existência relativos ao próprio corpo e delírios de imortalidade. Neste artigo, relatamos o caso de um paciente do sexo masculino, com 66 anos de idade, com síndrome de Cotard refratária a psicofármacos e tratado com eletroconvulsoterapia. São discutidas algumas peculiaridades do manejo diagnóstico e terapêutico desta condição.
, Carlos Alberto Iglesias Salgado
Debates em Psiquiatria, pp 36-39; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-1-5

Abstract:
Embora as manifestações neurológicas da préeclâmpsia sejam bem descritas na literatura, há poucas informações disponíveis sobre suas manifestações psiquiátricas. Descrevemos aqui, pela primeira vez segundo o conhecimento dos autores, o caso de uma paciente admitida com pré-eclâmpsia e sintomas psiquiátricos de psicose e catatonia. Detalhes sobre o diagnóstico e o manejo da paciente são apresentados. O caso salienta a importância do papel do clínico no sentido de considerar a possibilidade de manifestações neuropsiquiátricas secundárias a condições obstétricas patológicas.
Camila Tanabe Matsuzaka, Fabio José Pereira Da Silva, Nadége Daderio Herdy, Yaskara Cristina Luersen, Antonio Carlos Seihiti Yamauti
Debates em Psiquiatria, pp 48-50; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-1-6

Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Alessandra Diehl, Dalzira Da Silva, Aline Tagliatti Bosso
Debates em Psiquiatria, pp 34-42; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-1-4

Abstract:
O conceito de codependência, embora muito popular no meio clínico do campo das dependências químicas, segue sendo considerado um constructo muito criticado e controverso no meio científico. Nosso objetivo foi avaliar o estado da arte sobre o constructo de codependência de familiares de usuários de álcool e outras drogas quanto à etiologia e outros possíveis fatores relacionados. Tratase de uma revisão da literatura através da busca de artigos indexados em bases de dados, publicados nos idiomas inglês, português e espanhol, utilizando-se os descritores codependência, transtornos relacionados ao uso de substâncias e família. Foram incluídos 16 artigos nesta revisão, os quais retratam que o conceito de codependência segue teorizado e pouco explorado de forma empírica. Tentativas de escalas de rastreio foram realizadas sem replicações de estudos de campo. De uma forma geral, aqueles que se autoidentificam como pessoas codependentes, uma vez que recebem suporte, relatam alguns benefícios positivos. O termo, mais do que um conceito psicológico de fato validado, parece representar um movimento social que deu empoderamento aos membros das famílias de usuários de álcool e outras drogas. Mais estudos de campo sobre a validação conceitual da codependência e os fatores a ela relacionados devem ser conduzidos, a fim de corroborar sua real utilidade clínica e ampliação de evidência da existência desse fenômeno.
Michele Casser Csordas, Carolina Panceri
Debates em Psiquiatria, pp 16-22; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-1-2

Abstract:
Diversos estudos abordam a prática da atividade física supervisionada em tratamento de anorexia nervosa, porém divergem em relação aos possíveis benefícios/prejuízos. Nosso objetivo foi revisar sistematicamente os efeitos do exercício físico supervisionado sobre o índice de massa corporal (IMC) em adolescentes durante o tratamento para anorexia nervosa. Foram consultadas as bases de dados: PubMed, EMBASE, Cochrane e SCOPUS. Os termos de busca utilizados foram: exercise, anorexia e adolescente, sendo selecionados artigos baseados nos desfechos de interesse de IMC. Foi encontrado um total de 591 artigos. Destes, foram selecionados três, que analisaram os efeitos do exercício físico supervisionado sobre o IMC em adolescentes durante o tratamento para anorexia nervosa. Não houve prejuízos em relação ao peso das pacientes, porém os ganhos não foram tão evidentes por marcadores clínicos ou biológicos. Há uma carência de estudos que avaliem a validade de atividade física durante o tratamento de anorexia em adolescentes.
Gislene Cristina Valadares, Antônio Geraldo Da Silva, Renan Rocha, Joel Rennó Jr., Hewdy Lobo Ribeiro, Juliana Pires Cavalsan, Amaury Cantilino, Jerônimo De Almeida Mendes Ribeiro
Debates em Psiquiatria, pp 24-33; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-1-3

Abstract:
O cuidado às vítimas de violência sexual exige conhecimento das evidências e treinamento. Exame e acompanhamento psiquiátrico da interrupção legal da gestação e atendimento a grupos familiares incestuosos revelam janelas de vulnerabilidades e oportunidades na prevenção das graves consequências dessas ofensas. O objetivo deste estudo foi reunir conhecimento crítico sobre gravidez indesejada pós-estupro, suas repercussões e abordagens, contribuindo para o desenvolvimento de protocolos e boas práticas. Tratase de revisão integrativa, coleta de dados em fontes secundárias (MEDLINE, EMBASE, PsycINFO), com base na experiência vivenciada pela primeira autora. Os seguintes descritores nas línguas portuguesa e inglesa foram utilizados: transtorno mental, violência sexual, estupro, gravidez e aborto. A amostra foi de 32 artigos científicos e dois da mídia leiga. Com o adoecimento mental e físico das vítimas de violência sexual, a economia mundial perde mais de 8 trilhões de dólaresano (hospitalizações psiquiátricas, dependência de álcool e drogas, suicídio, obesidade, enxaqueca, doenças cardiovasculares, problemas obstétricos), havendo maior peso estatístico para portadoras de déficit intelectual e adolescentes. Existem 37 unidades de saúde no Brasil que atendem gravidez pós-estupro – três possuem assistência psiquiátrica. Milhares dessas gravidezes não são reveladas, geram conflitos, riscos e desafios relativos aos filhos gerados. O aborto legal envolve dificuldades institucionais e emocionais dos profissionais e pacientes frente a decisões complexas e dolorosas antes, durante e após o procedimento. A prontidão cognitivo-afetiva para receber cuidados, quando tardia, compromete a vida de vítimas e seus filhos. Conclui-se que combater e prevenir a transmissão transgeracional da violência de gênero e gravidez pós-estupro deve ser prioridade de saúde pública.
Sandra Márcia Carvalho de Oliveira, André Lucas Lima da Silveira, Maria Aparecida Buzinari de Oliveira, Sebastião Afonso Viana Macedo Neves
Debates em Psiquiatria, Volume 7, pp 6-14; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-1-1

Abstract:
Introdução: Nos séculos XVII e XVIII, pintores célebres de toda a Europa já retratavam em suas telas personagens fumando, atestando como o tabagismo rapidamente se difundiu, constituindo um dos maiores fenômenos de transculturação do mundo. Objetivo: Avaliar a prevalência do tabagismo entre os estudantes de Educação Física da Universidade Federal do Acre (UFAC). Método: Trata-se de estudo transversal e analítico, onde foram aplicados questionários com base no Global Health Professions Student Survey e no teste de Fagerström. Resultados e discussão: Verificou-se que, dos 226 alunos, 58% eram do sexo masculino, 73,5% solteiros, com idade média de 24,16 anos. Na amostra, 219 (96,9%) eram não fumantes, e apenas sete (3,1%) eram fumantes (5,06 cigarros/dia), sendo uma prevalência baixa. Conviver com amigos que fumam teve um efeito significativo como um fator que leva ao hábito de fumar (p < 0,005). Isso se deve ao uso social do tabaco e à identificação com o grupo. Além disso, 31,5% da amostra já havia experimentado outros produtos de tabaco fumado, sendo que a prevalência de uso atual foi de 6,2%, superior ao cigarro. Conclusões: O século XXI vem apresentando alta prevalência para outros produtos do tabaco fumado, especialmente narguilé. Isso ocorre, por um lado, devido à transculturação e, por outro, ao êxito das ações antitabágicas.
Luciana Valença Garcia, Antônio Peregrino, Milena França
Debates em Psiquiatria, pp 44-47; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-1-5

Abstract:
A clozapina é o antipsicótico de escolha para o tratamento da esquizofrenia refratária. A agranulocitose, porém, é um efeito colateral grave que pode limitar o seu uso. O caso relatado é de um paciente de 25 anos, internado, com diagnóstico de esquizofrenia refratária. Iniciada a clozapina, observou-se excelente resposta, porém houve o achado de neutropenia significativa na 11ª semana de uso do medicamento, quando, então, foi decidida sua suspensão. Face à gravidade do caso e boa resposta à clozapina, o carbonato de lítio foi usado como agente estimulador de granulopoiese e, após normalização e estabilização da contagem de neutrófilos, a clozapina foi reinserida ao esquema terapêutico. O paciente obteve boa melhora clínica, alta hospitalar e vem mantendo-se estável desde então. O caso sugere as possibilidades de usar novamente a clozapina em pacientes que tenham apresentado granulocitopenia, caso a associação com o lítio seja possível, e do uso prévio de lítio em pacientes com níveis baixos de leucócitos, mas que sejam candidatos a uso de clozapina.
Juliana Pires Cavalsan, Joel Rennó Jr., Renan Rocha, , Jerônimo De Almeida Mendes Ribeiro, Gislene Valadares, Antônio Geraldo Da Silva
Debates em Psiquiatria, pp 27-32; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-2-4

Abstract:
Os dados da literatura são unânimes em confirmar os malefícios do fumo na população geral e, sobretudo, em gestantes. Fumo na gestação é preditor para resultados adversos no nascimento, como nascimento prematuro e baixo peso ao nascer, bem como para maior mortalidade fetal e infantil. A abstinência do cigarro sempre deve ser estimulada em gestantes. Para maior sucesso do tratamento, devem-se considerar as vulnerabilidades sociais, as doenças associadas (principalmente depressão e ansiedade), o nível de maturidade emocional, o desejo pela gestação e as incertezas sobre o futuro. O objetivo deste artigo é identificar as gestantes que estão mais propensas a permanecer fumando durante a gestação, orientar sobre a abordagem médica, avaliando se há tratamentos seguros durante a gravidez e qual a melhor modalidade terapêutica a ser oferecida. Atualmente, a terapia comportamental, em especial a terapia cognitiva comportamental, é o melhor tratamento para a abstinência do cigarro, para pacientes gestantes ou não. Em caso de dependência grave de nicotina, é necessária a introdução de medicações. A medicação mais usada é a bupropiona, apesar de os estudos ainda não garantirem a sua segurança em relação ao feto. Na prática, não se observam complicações nas gestantes e nos fetos.
Ana Lea Santos Da Silva, Carla Feijó, Inaiara Kersting, Paulo Antônio Barros Oliveira
Debates em Psiquiatria, pp 34-41; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-2-5

Abstract:
Situações envolvendo assédio moral nas empresas podem ser um dos causadores de sofrimento psíquico e, por vezes, ocasionam transtornos mentais que podem repercutir no afastamento do trabalho. De acordo com a Previdência Social, a concessão de auxílios-doença por desequilíbrio mental vem crescendo e poderá ser, em breve, a principal causa de afastamento dos trabalhadores. Este estudo tem por base, principalmente, a teoria de Christophe Dejours, que diz que o trabalho pode causar sofrimento e adoecimento aos trabalhadores. O objetivo deste artigo é apresentar um breve resumo da temática do assédio moral aplicado ao contexto do trabalho, do sofrimento psíquico decorrente deste, além de mostrar o processo de adoecimento e as consequências do assédio moral. Com abordagem qualitativa, a metodologia utilizada foi o estudo de caso, através da análise de conteúdo dos relatos de uma trabalhadora vítima de assédio moral no trabalho, onde foram incluídos os pormenores da relação de trabalho e o diagnóstico dos médicos.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
, Camila Twany Nunes De Souza, Amaury Cantilino
Debates em Psiquiatria, pp 16-25; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-2-3

Abstract:
A psiquiatria é o ramo da medicina que se dedica ao estudo dos transtornos mentais, com o objetivo de diagnosticar, classificar, tratar e prevenir. Entretanto, diferentemente das outras áreas médicas, pensar em uma abordagem preventiva na psiquiatria é algo relativamente novo. Somente na década de 1970 é que começaram a ser implementadas as primeiras iniciativas de prevenção em saúde mental. Os primeiros esforços tiveram como foco indivíduos em risco para psicose. Nas últimas décadas, os principais avanços no campo preventivo dentro da psiquiatria se deram nas prevenções secundária e terciária. Entretanto, seria possível fazer prevenção primária em psiquiatria? As publicações parecem dizer que sim. Cerca de 1.000 estudos controlados já foram publicados sobre prevenção primária em psiquiatria, sendo a maior parte em crianças e adolescentes. Em geral, esses estudos mostraram a capacidade da prevenção de reduzir fatores de riscos para adoecimento psíquico, de fortalecer fatores protetores e de gerar um impacto econômico positivo. Além disso, embora em um número muito menor, esses trabalhos conseguiram demonstrar que estratégias preventivas também são capazes de diminuir a incidência de transtornos mentais comuns, como depressão e transtornos de ansiedade.
Rayssa Gabriele Vieira, Cristiane Ferreira Rallo De Almeida, Gabriela Rodrigues, Samara Dos Santos Gonçalves, Adrieli Dos Santos França, Matheus Berthoud Oliveira
Debates em Psiquiatria, pp 10-14; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-2-2

Abstract:
O suicídio é um problema de saúde pública que gera impactos econômicos, financeiros e sociais. É a causa de morte de aproximadamente 1 milhão de pessoas por ano no mundo. Os objetivos deste trabalho são analisar e comparar o perfil epidemiológico dos casos de suicídio no Brasil com a cidade de Barra do Garças (MT) e propor a realização de um estudo epidemiológico mais abrangente sobre o seu risco no estado de Mato Grosso, centro-oeste do Brasil. A metodologia utilizada foi a revisão da literatura, com base nos dados da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Os trabalhos selecionados da BVS foram artigos originais e de revisão. O suicídio, atualmente, é a terceira maior causa de morte no país. Houve um aumento no número de eventos entre 2000 e 2012 em todas as faixas etárias. A maior incidência ocorre na Região Sul do Brasil. Em relação ao gênero, o sexo masculino tem maior prevalência. A desigualdade social é associada positivamente com o suicídio. A análise dos dados da cidade Barra do Garças foi condizente com o perfil nacional, ao indicar maior número de suicídios em pessoas com menor tempo de estudo e com doenças psiquiátricas e, na população feminina, preferência pelo uso de medicamentos.
Mariana Gianola Arruda, Ana Sofia Trillo, Vivian Paulin Correia, Aline Romão Da Silva, Sonia Maria Motta Palma
Debates em Psiquiatria, pp 39-42; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-3-6

Abstract:
O transtorno de personalidade histriônica é caracterizado por autodramatização, teatralidade e expressão exagerada de emoções, labilidade emocional, comportamentos inadequados, sexualmente provocadores ou sedutores. Já os transtornos dissociativos/conversivos caracterizam-se pela perda parcial ou completa da integração normal entre as memórias do passado, a consciência de identidade, as sensações imediatas e o controle dos movimentos corporais. Este estudo relata o caso de uma adolescente de 14 anos de idade, do sexo feminino, diagnosticada com quadro de transtorno dissociativo. Os autores descrevem o manejo do caso e discutem aspectos relevantes.
Jerônimo De A. Mendes Ribeiro, Joel Rennó Jr., Hewdy Lobo Ribeiro, Juliana Pires Calvasan, , Gislene Valadares, Renan Rocha, Antônio Geraldo Da Silva
Debates em Psiquiatria, pp 34-37; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-3-5

Abstract:
Disfunções na resposta ao estresse podem exercer um importante papel em alguns transtornos mentais. Uma gama cada vez maior de estudos demonstra que existem diferenças entre os sexos na prevalência de transtornos relacionados ao estresse e que mulheres com transtornos por uso de álcool têm diferentes desfechos negativos no funcionamento cerebral e em mecanismos de neuroadaptação quando comparadas aos homens. O consumo de álcool tem sido associado a alterações sutis e em longo prazo no eixo hipotálamohipófise- adrenal, que afetam a resposta adaptativa nos circuitos de neurorregulação do estresse. Pesquisas futuras nesse campo podem impactar positivamente o desenvolvimento de estratégias terapêuticas que levem em consideração abordagens gênero-específicas.
Almir Ribeiro Tavares Júnior, Renata Maria De Carvalho Cremaschi, Fernando Morgadinho Santos Coelho
Debates em Psiquiatria, pp 21-32; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-3-4

Abstract:
A narcolepsia é uma doença subestimada, e o tempo para o seu diagnóstico é de cerca de 10 anos. O objetivo do presente trabalho é trazer, para os médicos – particularmente os psiquiatras – e para todos os profissionais da área da saúde, a necessária conscientização acerca da importância de se levar em conta a narcolepsia em seus pacientes na prática clínica diária. O impacto negativo da narcolepsia na qualidade de vida é significativo e comparável àquele da epilepsia ou da esquizofrenia. O diagnóstico se caracteriza pela presença de cinco sintomas cardiais: sonolência excessiva diurna; cataplexia; paralisia do sono; alucinações; e fragmentação do sono noturno. O teste de latências múltiplas do sono, após uma polissonografia basal, se presta para confirmar o diagnóstico. A associação com transtornos depressivos, bipolares e ansiosos é muito prevalente em pacientes com narcolepsia. O tratamento desses pacientes se dá com estimulantes e doses baixas de antidepressivos. Interessantemente, a retirada abrupta de antidepressivos pode gerar uma síndrome transitória assemelhada à cataplexia. Outro achado comum em pacientes com narcolepsia é o transtorno comportamental do sono REM após o uso de antidepressivos. O emprego de psicoestimulantes, usados na narcolepsia para controle da sonolência excessiva diurna, pode acompanhar-se de uma psicose paranoide, assemelhada à esquizofrenia. O diagnóstico, o tratamento e o manejo da narcolepsia associada com comorbidades representam um desafio a ser valorizado.
Simão Kagan, Bruno Bertolucci Ortiz, André Malbergier, André Gustavo Feitosa Furtado, Bernardo Banducci Rahe
Debates em Psiquiatria, pp 13-19; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-3-3

Abstract:
Antipsicóticos são utilizados em diversos transtornos mentais, o que torna imperativo o estudo de seus efeitos adversos, de maneira a amenizá-los e permitir melhor adesão ao tratamento. Distúrbios do movimento são adversidades comuns, e sua abordagem, em geral, se baseia na redução da dose, troca do antipsicótico e/ou introdução de uma medicação anticolinérgica. O objetivo deste estudo é realizar uma revisão sistemática sobre o uso de medicações anticolinérgicas na abordagem de sintomas extrapiramidais causados por antipsicóticos. Através desta revisão, será realizada uma análise crítica sobre esse uso. A busca bibliográfica foi realizada através das bases de pesquisa PubMed e SciELO. Foram incluídos 24 dos 318 artigos encontrados. Os artigos foram organizados nos seguintes temas: efeitos anticolinérgicos de antipsicóticos; distúrbios do movimento; antipsicóticos típicos e atípicos; polifarmácia de antipsicóticos; uso crônico e descontinuação de anticolinérgicos. O antipsicótico em uso e a associação desses fármacos podem influenciar na prescrição de medicações anticolinérgicas e no aparecimento de sintomas extrapiramidais. Antes de iniciar o uso de uma medicação anticolinérgica, é importante que o clínico considere trocar o antipsicótico em uso ou reduzir sua dose. A necessidade de uso de medicações anticolinérgicas deve ser revisada periodicamente e, quando possível, sua retirada deve ser realizada de forma gradual. O uso profilático desses fármacos é contraindicado, e o uso terapêutico deve ser evitado em idosos e em pacientes com discinesia tardia.
Márcia Cristina Maciel De Aguiar, Milena Pereira Pondé
Debates em Psiquiatria, pp 6-11; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-3-2

Abstract:
Introdução: O transtorno do espectro autista (TEA) é classificado na 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais como um transtorno do neurodesenvolvimento. A definição biomédica do transtorno, contudo, não abarca o sentido sociocultural dessa condição. Objetivo: Este estudo analisa como se processa a inclusão escolar de crianças com diagnóstico de TEA a partir da perspectiva dos pais. Método: Estudo qualitativo de narrativa de histórias orais, eliciadas a partir de entrevistas semiestruturadas. Foram feitas 30 entrevistas com mães e pais de pessoas com diagnóstico prévio de TEA. As entrevistas foram gravadas, transcritas e categorizadas após análise de conteúdo. Resultados: A análise indica que a inclusão escolar de pessoas com TEA é permeada pelo sofrimento da criança, dos pais e dos profissionais da educação; além disso, a maioria dos pais entrevistados considerou que os profissionais da escola excluem os seus filhos. Conclusão: A inclusão de crianças com TEA em escolas regulares pode vir a ser mais um instrumento de exclusão e sofrimento para os envolvidos. O processo de inclusão escolar não pode se resumir a um procedimento normativo; deve envolver a forma como essas crianças são recebidas e tratadas na escola, assim como o preparo dos técnicos de educação para o processo de inclusão.
Sofia Gonçalves Tonoli, Ana Júlia Campi Nunes de Oliveira, Andre Joko Henna, , Elaine Aparecida Dacol Henna
Debates em Psiquiatria, Volume 12, pp 1-14; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2022.v12.222

Abstract:
Introdução: Fibromialgia (FM) é uma síndrome dolorosa crônica e, frequentemente ocorre concomitantemente com depressão, mas as taxas dessa co-ocorrência são inconsistentes entre os estudos, com grande variabilidade. Objetivo: Investigar e comparar a prevalência de depressão em pacientes do ambulatório de fibromialgia do Conjunto Hospitalar de Sorocaba (FM) e em pacientes sem fibromialgia atendidas na unidade básica de saúde (SFM). Assim como avaliar idade, índice socioeconômico, emprego e uso de serviços de saúde mental nessas populações. Método: Estudo transversal onde foram avaliadas 35 mulheres com FM e 27 SFM. Para avaliação da presença de depressão utilizamos o Inventário de Depressão de Beck e para as demais variáveis utilizamos um questionário de dados sociodemográficos. Como a amostra com FM foi majoritariamente composta por mulheres, optamos por excluir os homens das análises. Comparamos os resultados das amostras de acordo com a origem e posteriormente avaliamos apenas a amostra com fibromialgia, quando realizamos uma análise de correlação exploratória e subsequentemente dividimos em FM com depressão e FM sem depressão para explorar as possíveis diferenças entre as variáveis. Resultados: A prevalência de depressão observada no período do estudo foi de 65,7% na amostra FM e de 29,6% na SFM. As pacientes com FM eram significativamente mais velhas (53,9 anos e 40 anos), com maior proporção de mulheres aposentadas e do lar, com menor índice socioeconômico e com maior uso de serviço de saúde mental, quando comparadas às SFM. Conclusão: Dada a alta prevalência de transtorno depressivo em nosso estudo, podemos sugerir que todos os pacientes diagnosticados com fibromialgia deveriam ser sistematicamente investigados quanto à presença de depressão na tentativa de diagnóstico e intervenções precoces.
Alcina Juliana Soares Barros, Antônio Geraldo da Silva, Lisieux Elaine De Borba Telles, Alexandre Martins Valença
Debates em Psiquiatria, Volume 12, pp 1-6; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2022.v12.299

Sandra Márcia Carvalho de Oliveira, Glauber Alves Lucena, Maria Aparecida Buzinari De Oliveira, Sebastião Afonso Viana Macedo Neves
Debates em Psiquiatria, Volume 8, pp 16-25; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2018.v8.296

Abstract:
Objetivo: O trauma se apresenta, atualmente, como a quinta causa de morte na população idosa. As quedas são consideradas a segunda causa de mortes por lesões acidentais ou intencionais em todo o mundo, atrás apenas dos acidentes de trânsito. Esta pesquisa objetivou determinar a frequência de quedas e analisar as principais razões desse evento em pessoas na faixa etária acima dos 60 anos de idade cadastradas no módulo de saúde do bairro Mocinha Magalhães. Métodos: Estudo transversal, quantitativo, descritivo, do tipo inquérito, em que a amostra foi composta por 100 idosos. A análise estatística foi feita pelo programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 20.0, e pelo teste qui-quadrado. Resultados: A frequência de quedas foi de 21% no último ano; oito indivíduos relataram internação por queda, e três sofreram fraturas. Dos entrevistados, 54% era do sexo feminino. Em relação aos fatores associados com quedas, como a doença de Parkinson e o uso de medicamentos no dia da queda, todos apresentaram significância estatística (p < 0,05). Conclusão: Por meio deste estudo, foi possível delinear os eventos de quedas dessa população e chamar a atenção para o desenvolvimento de atividades que venham estimular a atividade motora e cognitiva dos idosos, com a finalidade de minimizar o risco de quedas.
Sara Mota Borges Bottino, Romayne Mirelle Santos, Beatriz De Castilho Martins, Caroline Gomez Regina
Debates em Psiquiatria, Volume 5, pp 20-27; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2015.v5.171

Abstract:
Considera-se cyberbullying quando um ou mais indivíduos utilizam os meios eletrônicos com a intenção de agredir, infligir injúria ou desconforto, humilhar, causar medo ou sensação de desespero no indivíduo que é alvo das agressões. Essas ações podem ser feitas via e-mail, salas de bate-papo, telefones celulares, mensagens instantâneas, cabines de votação online. As evidências indicam que 20-40% dos adolescentes terão pelo menos uma experiência com cyberbullying e que o número de cybervítimas está aumentando. O principal dano causado pelo cyberbullying é o de prejudicar a reputação da vítima, com repercussões que podem ser ainda maiores do que aquelas observadas no bullying tradicional. A vitimização relacionada ao cyberbullying está associada a problemas sociais e de comportamento, incluindo sintomatologia depressiva, abuso de substâncias psicoativas, tentativas de suicídio e suicídio, constituindo-se assim em problemas significativos para a saúde mental dos adolescentes.
Sandra Márcia Carvalho de Oliveira, Wagner Da Silva Leite
Debates em Psiquiatria, Volume 5, pp 6-15; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2015.v5.156

Abstract:
Objetivos: Avaliar a prevalência do uso de tabaco, a exposição ao fumo passivo e a motivação para a cessação do tabagismo entre estudantes de medicina da Universidade Federal do Acre (UFAC). Métodos: Neste estudo transversal, observacional, descritivo e analítico, foi aplicado um questionário baseado no Global Health Professions Student Survey, assim como o teste de Fagerström. A análise estatística foi feita utilizando-se o Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 20, o teste do qui-quadrado de Pearson, o teste exato de Fisher e análise de variância (ANOVA). Resultados: Dos 186 alunos entrevistados, 156 (83,9%) nunca fumaram, 171 são não fumantes e 15 (8,1%) se declararam fumantes (com uma média de 6,06 cigarros/dia). O teste de Fagerström revelou dependência baixa. A prevalência de exposição ao fumo passivo foi de 28,0%. A maior parte (59,7%) dos entrevistados era do sexo masculino. A idade média foi 24,24 anos (desvio padrão = 3,80 anos), sendo que a maioria (87,1%) possuía entre 20 e 30 anos de idade. A média da idade da primeira tentativa de fumar foi de 16,72 anos. Em 7,0% (n = 13), o uso de outros produtos do tabaco fumado esteve presente. Mais da metade (53,3%) dos fumadores tentaram deixar de fumar. Destes, 13,3% consideram não necessitar de ajuda profissional para abandonar o tabaco. Conclusão: A maioria (99,5%) dos entrevistados reconheceu o tabagismo como doença, e 90% consideraram importante o seu papel de exemplo de não fumador para seus pacientes e a sociedade.
Antônio Augusto Mascarenhas de Souza,
Debates em Psiquiatria, Volume 12, pp 1-17; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2022.v12.281

Abstract:
Introdução: Ao longo da vivência clínica psiquiátrica nos deparamos muito com pacientes que após o tratamento cirúrgico para a obesidade desenvolvem transtornos relacionados ao álcool. Isso nos leva a questionar a existência ou não de um mecanismo de transferência da compulsão, o que antes era um transtorno alimentar passa a ser um transtorno aditivo. Objetivo: Investigar a associação do alcoolismo em pacientes submetidos à cirurgia bariátrica. Método: Revisão de literatura das produções científicas na modalidade textual de artigos, indexados na base de dados MEDLINE, por meio da ferramenta de busca livre PUBMED, realizada em junho de 2021, pelo uso das palavras-chave selecionadas segundo o Medical Subject Headings: alcoholism, bariatric surgery, substance use, drug use, addiction. Foram elegíveis 7 publicações para este estudo. Resultados: Os estudos revisados apresentaram resultados convergentes na associação entre pacientes submetidos à cirurgia bariátrica e alcoolismo. Ainda que as técnicas possam ser distintas, os transtornos relacionados ao álcool parecem estar mais relacionados à técnica de Bypass gástrico em Y de Roux.Conclusões: O alcoolismo em pacientes submetidos à cirurgia bariátrica está associado às complicações médicas pós-operatórias. Devemos levar em consideração a importância da necessidade de identificar os pacientes em risco de tais problemas, idealmente antes da cirurgia. Os dados revisados sugerem que tanto a cirurgia de Bypass gástrico em Y de Roux quanto o Sleeve gástrico, afetam dramaticamente a farmacocinética do álcool e causam uma provável transferência da compulsão (alimento X álcool) envolvendo o sistema de recompensa da via dopaminérgica mesolímbica. Devemos recomendar que os pacientes de alto risco ou pacientes com cirurgia de Bypass gástrico em Y de Roux) se abstenham do uso de álcool após a cirurgia bariátrica devido ao metabolismo alterado do álcool, bem como o potencial para transtornos por uso de álcool após a cirurgia.
Silvia Poliana Guedes Alcoforado Costa, Camila Farias Araujo, Taís Simplício Ramos, Philip Azevedo Costa Urquiza, Amaury Cantilino
Debates em Psiquiatria, Volume 12, pp 1-27; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2022.v12.279

Abstract:
A presente revisão de literatura investigou sintomas relacionados à Artrite Reumatoide e ao Lúpus Eritematoso Sistêmico. Entendemos que um novo paradigma deve ser estabelecido na psiquiatria, ao considerar que a correlação das doenças reumatológicas com sintomas psiquiátricos deve ser valorizada e deve servir de auxílio para o aprimoramento de propostas terapêuticas e diagnósticas na saúde mental. Assim, buscamos traçar indícios de protótipos de condições psiquiátricas mais caracteristicamente associadas às condições reumatológicas citadas. Sintomas relacionados a transtornos de humor, principalmente depressão, foram bastante correlacionados à maior incidência e morbidade na Artrite Reumatoide. Os déficits cognitivos, especialmente moderados, são os sintomas neuropsiquiátricos mais prevalentes no Lúpus Eritematoso Sistêmico. O tratamento da doença reumatológica de base se mostra primordial para que haja melhora da condição psiquiátrica associada, seja por influência direta ou indireta. Quanto ao Lúpus, as atuais estratégias terapêuticas são, em grande parte, empíricas, realizadas através dos mecanismos imunopatogênicos conhecidos e do que foi observado a partir do tratamento de manifestações graves em outros órgãos. Quanto à Artrite Reumatóiode, o tratamento farmacológico específico da condição psiquiátrica se faz essencial de acordo com a demanda individual de cada paciente, valorizando sempre a intersubjetividade e os aspectos psicossomáticos apresentados.
Alexandre Martins Valença, Alcina Juliana Soares Barros, Antonio Geraldo Silva,
Debates em Psiquiatria, Volume 12, pp 1-7; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2022.v12.280

Abstract:
O comportamento criminoso é relacionado a diversos aspectos psicológicos e comportamentais. Feldman descreveu a Aprendizagem Observacional, termo que se refere às respostas adquiridas sem qualquer reforço direto para quem aprende. Os efeitos da aprendizagem operacional incluem a aquisição de novos padrões de comportamento, o fortalecimento ou enfraquecimento de inibições anteriormente adquiridas e a facilitação de respostas anteriormente aprendidas. Certamente se o modelo é um indivíduo criminoso, esse comportamento desviante pode ser observado e repetido. Esta publicação tem como objetivo lançar luz sobre este fenômeno, para que seja melhor compreendido e abordado, e que num futuro próximo possamos lançar mão de ferramentas eficazes de prevenção criminal.
, Rebekka Fernandes Dantas, Ginetta Kelly Dantas Amorim, ,
Debates em Psiquiatria, Volume 11, pp 1-22; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2021.v11.210

Abstract:
Introdução: O crescimento de transtornos alimentares entre adolescentes demanda a identificação de comportamentos alimentares desordenados e de determinantes sociais relacionados a esses agravos. Objetivo: Avaliar as prevalências de comportamentos alimentares desordenados (CAD) entre adolescentes escolares brasileiros e suas associações com determinantes sociais em saúde. Metodologia: Foram avaliados 16.556 adolescentes da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar de 2015. Regressões de Poisson estimaram modelos multivariados relacionados a métodos compensatórios inadequados para controle de peso (laxativos/purgativos ou medicamentos/produtos). Resultados: A prevalência dos CAD para perda de peso no grupo foi 11,3% (IC95%:10,6-12,0%) tendo como fatores associados: sexo masculino, cor/raça não branca, 14 anos ou menos, excesso de peso, insatisfação com a imagem corporal, frequentar fast food, trabalhar, não realizar regularmente refeições com responsáveis, ter mães com menor escolaridade, domicílio com cinco ou mais moradores, vivência da fome no domicílio e estudar em escolas públicas. Conclusão: Esses comportamentos desordenados para perda de peso foram mais prevalentes entre adolescentes com maior insatisfação corporal e vivendo em situações de mais vulnerabilidade social.
Leonardo Bruno Melo Reis, Georgia Guimarães de Castro, Larissa Rafaella Pereira Tôrres, Rodrigo Satoshi Oda Santos, João Vitor Costa, Matheus Gomes Pereira, Dorothéa Schmid França
Debates em Psiquiatria, Volume 11, pp 1-27; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2021.v11.217

Abstract:
Introdução: Transtornos alimentares são condições complexas, graves e potencialmente fatais. Apresentam repercussões significativas nos âmbitos físico, psicológico, social e econômico. Suas complicações abrangem diferentes sistemas, variando desde disfunções nutricionais, ósseas, cardíacas, psiquiátricas e metabólicas. Objetivo: avaliar o grau de insatisfação corporal e comportamentos de risco para o desenvolvimento de transtornos alimentares (TAs) em estudantes de Medicina de uma instituição de ensino privada no Norte de Minas Gerais. Métodos: O presente estudo é uma avaliação transversal e observacional, na qual 106 acadêmicas de medicina responderam ao Body Shape Questionnaire (BSQ), ao Teste de Atitudes Alimentares (EAT-26) e a um questionário sociodemográfico para análise do perfil sociodemográfico das estudantes, bem como a presença de condição de risco de transtornos alimentares nas mesmas. Resultados: A média de idade foi de 22,1 anos. O IMC médio foi de 21,86 kg/m², com desvio-padrão de 3,23 kg/m2. A maioria das estudantes (87,7%) estavam em eutrofia. De acordo com o EAT-26, 42,5% das entrevistadas estavam em risco de desenvolvimento de TA. Segundo o BSQ, 39,6% relataram algum grau de insatisfação corporal. O risco de desenvolvimento de distúrbios da alimentação mostrou-se maior naquelas que relataram uma insatisfação moderada (100%) a grave (66,7%). Também se observou maior risco naquelas com sobrepeso (60%) e obesidade (66,7%), se comparadas ao grupo eutrófico (39,8%). 72% das entrevistadas referiram medo de engordar, e 76% mostraram-se, em alguma frequência, adeptas a dietas de emagrecimento. Portanto, a amostra avaliada apresentou elevados índices de insatisfação corporal, bem como risco elevado de desenvolvimento de TA. Além disso, verificou-se grande adesão a hábitos dietéticos. Conclusões: Portanto, a amostra avaliada apresenta níveis elevados de insatisfação corporal, bem como maior risco para desenvolvimento de TA, bem como uma grande adesão a hábitos dietéticos.
Leonardo Baldaçara, Flávia Ismael, Verônica S. Leite, Renata N.S. Figueiredo, Lucas A. Pereira, Daniel Augusto Corrêa Vasques, Elie Leal De Barros Calfat, Alexandre Rizkalla, Cintia A. M. Périco, Deisy M. Porto, et al.
Debates em Psiquiatria, Volume 11, pp 8-20; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2021.v11.12

Abstract:
Neste primeiro artigo, apresentamos os aspectos gerais dessa diretriz. Na sequência, apresentamos os cuidados gerais do ambiente e equipe e, posteriormente, a avaliação de pacientes agitados, principalmente focada no diagnóstico diferencial. Número de registro da revisão sistemática: CRD42017054440.
Alexandre Martins Valença, Lisieux E. De Borba Telles, Alcina Barros, Antonio Geraldo da Silva
Debates em Psiquiatria, Volume 10, pp 6-8; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2020.v10.19

Leonardo Baldaçara, Flávia Ismael, Verônica S. Leite, Renata N.S. Figueiredo, Lucas A. Pereira, Daniel Augusto Corrêa Vasques, Elie Leal De Barros Calfat, Alexandre Rizkalla, Cintia A. M. Périco, Deisy M. Porto, et al.
Debates em Psiquiatria, Volume 11, pp 22-27; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2021.v11.13

Abstract:
Neste segundo artigo, apresentamos a forma técnica para a abordagem verbal da agitação psicomotora. Na sequência, apresentamos a técnica para a contenção física, último recurso a ser utilizado após todos os demais terem falhado. Número de registro da revisão sistemática: CRD42017054440.
, Flávia Ismael Pinto, Verônica DA Silveira Leite, Renata N.S. Figueiredo, Lucas A. Pereira, Daniel Augusto Corrêa Vasques, Elie Leal De Barros Calfat, Alexandre Rizkalla, , Deisy Mendes Porto, et al.
Debates em Psiquiatria, Volume 11, pp 28-35; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2021.v11.11

Abstract:
Evidências apontam que o tratamento farmacológico da agitação psicomotora é indicado apenas após as abordagens não farmacológicas falharem. A causa da agitação, os efeitos colaterais das medicações e suas contraindicações devem direcionar a escolha da medicação. A via oral deve ser preferida para administração; a administração intravenosa deve ser evitada. Todos os indivíduos devem ser monitorados antes e após a administração da medicação. Número de registro da revisão sistemática:CRD42017054440.
Leonardo Baldaçara, Flávia Ismael, Verônica S. Leite, Renata N.S. Figueiredo, Lucas A. Pereira, Daniel Augusto Corrêa Vasques, Elie Leal De Barros Calfat, Alexandre Rizkalla, Cintia A. M. Périco, Deisy M. Porto, et al.
Debates em Psiquiatria, Volume 11, pp 38-58; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2021.v11.14

Abstract:
Neste último artigo, faremos a comparação entre os diferentes grupos medicamentosos. Posteriormente, apresentaremos as possíveis combinações de medicações para a tranquilização rápida. Por fim, abordaremos o manejo de grupos especiais em agitação psicomotora.
, Flávia Ismael Pinto, Verônica DA Silveira Leite, Renata N.S. Figueiredo, Lucas A. Pereira, Daniel Augusto Corrêa Vasques, Elie Leal De Barros Calfat, Alexandre Rizkalla, Cintia A. M. Périco, Deisy M. Porto, et al.
Debates em Psiquiatria, Volume 11, pp 6-7; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2021.v11.6

Leonardo Marengo, Roberta Covosque Schultz, Thiago Strahler Rivero
Debates em Psiquiatria, Volume 10, pp 38-42; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2020.v10.22

Abstract:
No presente trabalho, discutimos como o uso associado de tecnologias, como a realidade virtual, com abordagens de tratamentos modernas, como a terapia cognitivocomportamental (TCC) associada ao mindfulness, pode contribuir para resultados mais eficazes no tratamento da gagueira. Os antigos tratamentos focados unicamente em terapia comportamental, com uso prioritário da terapia de exposição, foram sendo substituídos e/ou associados a novas abordagens, utilizando a TCC como base do processo de tratamento. Atualmente, protocolos que visam difundir o uso de tecnologias de realidade virtual, videogames e estimulação transcraniana com esse novo foco terapêutico expandido, tendo por objetivo a diminuição da ansiedade antecipatória/social, juntamente com o ganho de atenção plena e de percepção de gatilhos internos e externos de ansiedade, estão mudando de maneira bastante consistente o panorama do tratamento da gagueira. Neste artigo, vamos considerar diversos trabalhos seminais e novos que demonstram que tecnologias de simulação de situações de vida real são as práticas que têm obtido os melhores resultados no tratamento da gagueira.
Daniell Siqueira Araújo Lafayette, Phillip Azevedo Costa Urquiza, Eveline Maria Cosmo Brito, Silvia Poliana Guedes Alcoforado Costa, Amaury Cantilino
Debates em Psiquiatria, Volume 11, pp 1-19; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2021.v11.271

Abstract:
Introdução: várias síndromes clínicas podem apresentam sintomas neurológicos e psiquiátricos. Objetivo: este artigo está focado em descrever as principais síndromes endócrinas que podem cursar com alterações psiquiátricas. Método: foi realizada uma revisão de literatura por meio de busca e análise de artigos em inglês no Pubmed com descritores e complementada com referências dos artigos primários. Discussão: doenças da tireoide, como o hipotireoidismo e hipertireoidismo e doenças relacionadas às glândulas adrenais como Feocromocitoma, Doença de Addison e as Síndromes e Doença de Cushing podem ocasionar sintomas de ordem psiquiátrica, suprimindo sintomas já existentes ou intensificando os mesmos. Conclusão: pode-se perceber que o psiquiatra clínico deve manter atenção para as interfaces clínicas das doenças endócrinas uma vez que essas afecções podem mimetizar os quadros psiquiátricos mais comuns e saber como criar uma rotina de rastreio clínico e laboratorial para exclusão ou diagnóstico desses casos.
, Rogério Gomes da Silva Júnior, Giuliana Perrotte, Maria Lígia de Carvalho Solssia
Debates em Psiquiatria, Volume 11, pp 1-23; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2021.v11.191

Abstract:
Introdução: A população de mulheres presas tem aumentado nas últimas décadas em todo o mundo, o Brasil ocupa a 4ª posição em número de mulheres presas e as taxas de depressão e risco de suicídio são elevadas. Objetivo: Avaliar o perfil sociodemográfico da população de uma prisão feminina, bem como fatores que influenciam o nível de qualidade de vida e aspectos da saúde mental. Método: Foram utilizados dois questionários. Um instrumento com questões demográficas e psicopatológicas gerais e a escala WHOQOL-bref para avaliar o nível de qualidade de vida. Resultados: A amostra estudada foi de 214 presas. Na escala WHOQOL-bref, os escores de qualidade de vida foram baixos: "precisa melhorar" e "regular". Comportamento suicida, quando comparado a outros estudos, foi elevado nessa população e suporte psicológico ou psiquiátrico era raros. As visitas tiveram impacto no escore do domínio psicológico do WHOQOL-bref e promoveram um efeito protetor para comportamento suicida. Conclusão: É precário o suporte em saúde mental e o risco do isolamento compromete a saúde mental das presas. É fundamental o contato com o exterior, entretanto, ainda existem várias barreiras e limitações.
Gustavo Cambraia Do Canto, Alexandre Martins Valença, Antonio Geraldo da Silva, Bibiana De Borba Telles, Alcina Juliana Soares Barros,
Debates em Psiquiatria, Volume 11; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2021.v11.274

Abstract:
O termo stalking vem da língua inglesa e deve ser entendido como uma forma de agressão que provoca na vítima a sensação de estar sendo perseguida. A prevalência de vitimização por esse fenômeno na comunidade é de aproximadamente 11%. Sua ocorrência está associada a um alto potencial de comprometimento da qualidade de vida, danos psicológicos e / ou físicos, podendo inclusive atingir o risco de vida e aumentar a chance de a vítima desenvolver transtornos mentais. Alguns agressores atendem a critérios para diagnósticos psiquiátricos, como transtorno de personalidade, transtorno bipolar, depressão e transtorno psicótico, necessitando de atenção e tratamento psiquiátrico adequado. Os psiquiatras têm estado envolvidos neste fenômeno de diferentes formas, tais como: através da avaliação e tratamento de pacientes vítimas de perseguição, através do tratamento de agressores ou como vítimas de perseguição, para a avaliação de responsabilidade penal e avaliação de risco dos agressores , atuar nas demandas judiciais das vítimas, bem como na avaliação da necessidade de violação do segredo profissional. Esta publicação tem como objetivo lançar luz sobre este fenômeno, para que seja melhor identificado, compreendido e abordado, e que num futuro próximo possamos lançar mão de ferramentas eficazes de prevenção.
Débora Araújo Mendes Vilela, Higor Bermudes Nascimento, Sônia Maria Motta Palma
Debates em Psiquiatria, Volume 9, pp 34-42; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2019.v9.46

Abstract:
O transtorno do espectro autista (TEA) é um distúrbio do neurodesenvolvimento definido por déficits sociais, deficiências de linguagem e comportamentos repetitivos com interesses restritos. Os distúrbios gastrointestinais são comuns em crianças com TEA, e os estudos sugerem que essas alterações podem interferir na patogênese e no prognóstico desses indivíduos. Os sintomas mais comuns são diarreia crônica, constipação, desconforto abdominal, refluxo gastroesofágico e intolerância alimentar. As disfunções gastrointestinais podem se manifestar apenas por alterações comportamentais e, assim, interferir no funcionamento do indivíduo, podendo também afetar o relacionamento familiar, sendo determinantes da qualidade vida esses indivíduos. Essas alterações podem se apresentar na forma de auto e heteroagressão, bem como de perturbação do sono ou irritabilidade. Em razão da dificuldade de interação social e da alteração na fala dos indivíduos com TEA, algumas vezes os distúrbios gastrointestinais não são reconhecidos pela equipe assistente, e as alterações comportamentais são exclusivamente atribuídas ao TEA, o que leva ao insucesso do tratamento. Os psicofármacos utilizados para tratamento das alterações comportamentais em portadores de TEA, como a risperidona, também podem contribuir para a mudança do padrão de alimentação dessas crianças e para as alterações gastrointestinais. É importante um acompanhamento multidisciplinar, a fim de otimizar e assegurar o diagnóstico mais precoce e identificar os problemas gastrointestinais, estabelecendo-se, assim, um tratamento individualizado que evite limitações futuras.
Carlos Eduardo Ferreira de Moraes, Rebecca de Almeida Maravalhas, Carla Mourilhe
Debates em Psiquiatria, Volume 9, pp 24-30; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2019.v9.51

Abstract:
Os transtornos alimentares (TA) são síndromes psiquiátricas caracterizadas por alterações no comportamento alimentar, preocupação excessiva com o peso e insatisfação com a imagem corporal, impactando a saúde e a qualidade de vida dos indivíduos. Os TA mais estudados são a anorexia nervosa, a bulimia nervosa e o transtorno da compulsão alimentar. Embora apresentem algumas características em comum, a psicopatologia alimentar pode variar de acordo com cada TA. Portanto, os comportamentos alimentares alterados devem ser corretamente identificados para que o tratamento seja realizado adequadamente. Os manuais para manejo dos TA recomendam que o tratamento seja realizado por profissionais especializados, de diferentes áreas, incluindo a nutrição. O presente artigo aborda o papel do nutricionista na avaliação e tratamento dos TA. A avaliação nutricional visa à identificação de sintomas e comportamentos alimentares relacionados a essas condições clínicas. Ademais, o nutricionista deve estabelecer metas de tratamento específicas e individualizadas, objetivando mudanças graduais e sustentáveis. Por fim, destaca-se a importância da atuação de profissionais especializados para a correta identificação de atitudes alimentares disfuncionais e, posteriormente, para a realização do aconselhamento nutricional específico para cada TA.
Julia Machado Khoury, João Pedro Sousa Drumond, Letícia Lopes De Carvalho E Silva, Mariane Da Silva Melo, Ananda Araujo Teixeira, Maila De Castro Lourenço Das Neves,
Debates em Psiquiatria, Volume 10, pp 34-57; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2020.v10.27

Abstract:
Conhecer melhor o que se chama de dependência de smartphone (DS) é importante para a prática clínica. Nos últimos 10 anos, um corpo de evidências clínicas e epidemiológicas foi produzido em vários países. Esses estudos apontam fatores sociodemográficos, hábitos de vida, transtornos psiquiátricos e traços de personalidade associados à DS. Contudo, não há estudos de revisão que sintetizem os resultados. Objetivamos revisar a literatura sobre os fatores associados à DS. Foi realizada uma revisão bibliográfica sistemática nas bases de dados PubMed e SciELO. Restringimos a busca aos artigos publicados nos últimos 10 anos. Excluímos revisões de literatura, estudos pré-clínicos e opiniões de especialistas. Na fase final, selecionamos 42 artigos. Os fatores sociodemográficos associados à DS foram sexo feminino, idade entre 18 e 25 anos e alta renda familiar. Os hábitos de vida foram cronótipo noturno, baixa atividade física e sedentarismo. Os conteúdos mais associados à DS foram as redes sociais. As síndromes de dependência mais associadas à DS foram as relacionadas ao álcool e tecnológicas. Os transtornos e/ou sintomas psiquiátricos associados foram os transtornos depressivos e ansiosos, o estresse e a insônia. Por fim, os traços de personalidade associados foram alta impulsividade, alta agressividade, baixa autoestima, personalidade do tipo A e personalidade multitarefa. Existe um corpo de evidências que mostra semelhanças entre os achados epidemiológicos encontrados para a DS e para outras formas de dependência. Mais estudos são necessários para aprofundar o nosso conhecimento sobre esse tema.
, Thaís Cristina Faria Pacheco, Arthur Manzani Fernandes, Marcos Vinicius Volpato, Mariana Harumi Hashiguchi, Maria Luiza Scavassa Magro, Maria Isabel Barêa Fávero Reis, Gabriela Campos Teixeira
Debates em Psiquiatria, Volume 10, pp 59-67; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2020.v10.29

Abstract:
A dependência química é uma questão complexa, que motiva várias discussões, entre as quais destacam-se as alternativas terapêuticas, notadamente as modalidades contra a vontade do paciente hospitalização involuntária e compulsória. O objetivo deste estudo foi estudar e comparar abordagens e leis sobre hospitalização involuntária como tratamento para dependentes de drogas em diferentes países do mundo. Foi realizada pesquisa bibliográfica eletrônica nas bases de dados MEDLINE, PubMed, SciELO e LILACS entre os anos de 2008 e 2018. Foram considerados artigos nas línguas inglesa, espanhola e portuguesa que abordavam hospitalização psiquiátrica involuntária ou compulsória, além de terem sido colhidos dados sobre a legislação do país em questão, quando disponíveis. Foram encontrados 76 artigos, dos quais 53 foram selecionados. As regiões abrangidas pela pesquisa incluíram Europa (Itália, Noruega, Inglaterra, Portugal e Grécia), América (Canadá, Estados Unidos da América, Jamaica, Barbados, Chile e Brasil), Ásia (Rússia, China, Índia e Paquistão), Oceania (Austrália e Nova Zelândia) e África (África do Sul). Foi encontrada uma tendência mundial de aprovar leis que resguardem direitos dos pacientes. A decisão sobre a internação involuntária ou compulsória é de um profissional médico na maioria dos países estudados, além de serem necessários dois profissionais dessa categoria na tomada de decisão. O tratamento psiquiátrico involuntário ainda gera muitas discussões, apesar dos avanços nas legislações mais modernas nos diversos países estudados. Há uma tendência jurídica de reforçar a necessidade de avaliar o risco que o indivíduo oferece aos outros ou a si próprio para justificar a hospitalização. O Brasil seguiu essa tendência estabelecendo três modalidades de hospitalização e priorizando o tratamento voluntário em uma interlocução entre os campos da saúde e do direito.
Alexandre Martins Valença, Alcina Juliana Soares Barros,
Debates em Psiquiatria, Volume 10, pp 24-33; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2020.v10.26

Abstract:
Este estudo tem como objetivo investigar as características sociodemográficas, aspectos clínicos, características de comportamento criminal e avaliação de imputabilidade penal de agressores sexuais que foram encaminhados para avaliação pericial em unidade forense, na cidade de Rio de Janeiro, no ano de 2008. Foram revisados todos os laudos psiquiátricos cuja acusação foi crime de natureza sexual. Foram identificados 44 laudos periciais. Todos os infratores eram homens. Um total de 19 (43,2%) não recebeu nenhum diagnóstico psiquiátrico. Nove (20,4%) foram diagnosticados com retardo mental. Em 16 casos (36,4%), foi diagnosticado algum transtorno mental ou neurológico. Do total de infratores, 31 (70,4%) infratores foram considerados totalmente imputáveis, oito (18,2%) semi-imputáveis, e cinco (11,4%) inimputáveis por razão de doença mental. Os crimes sexuais praticados pelos agressores foram estupro (n = 14; 32%), tentativa de estupro (n = 4; 9%), atentado violento ao pudor (n = 26; 59%) e ultraje público ao pudor (n = 5; 11,4%). Em 10 casos (22,7%), o infrator estava sob a influência de álcool no momento do crime. A avaliação psiquiátrica sistemática de indivíduos que perpetram crimes sexuais pode contribuir para estratégias de intervenção, prevenção e avaliação de risco de recorrência criminal desses indivíduos na comunidade, em presídios ou em serviços forenses ou centros de atendimento de saúde mental.
, José C. Appolinário, Antonio Geraldo da Silva
Debates em Psiquiatria, Volume 9, pp 6-7; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2019.v9.48

Abstract:
Professor - João Romildo Bueno (07/08/1938 – 17/08/2019), mineiro da cidade de Cambuí no sul de Minas Gerais, Brasil.
Maria Amália Accari Pedrosa, Fernanda Trombini Nunes, Lívia Lopes Menescal, Camila Herculano Soares Rodrigues, Jose Carlos Appolinario
Debates em Psiquiatria, Volume 9, pp 14-23; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2019.v9.50

Abstract:
Os transtornos alimentares são quadros psiquiátricos que cursam com intenso sofrimento psíquico e diversas complicações clínicas. A avaliação de pacientes com transtornos alimentares costuma exigir uma anamnese minuciosa, exame físico e psíquico detalhado e exames complementares. Nessa avaliação, objetiva-se estabelecer um diagnóstico nosológico do transtorno alimentar e das comorbidades, uma estratificação do risco clínico e psiquiátrico, para então estabelecer um planejamento terapêutico. Após essa avaliação inicial, de acordo com a gravidade do caso, o clínico deve decidir o nível de tratamento recomendado, que pode ser desde a hospitalização até o atendimento ambulatorial regular. Outras decisões, como a via de realimentação, o valor calórico planejado para a realimentação e as metas de recuperação, também devem ser pré-definidas. Sumarizamos, neste artigo, alguns aspectos relacionados à avaliação, comorbidades e orientações gerais de tratamento a partir de três diretrizes internacionais de manejo e tratamento de transtornos alimentares, a saber: duas britânicas, a guideline de transtornos alimentares do National Institute for Health and Care Excellence (NICE) e o Management of Really Sick Patients with Anorexia Nervosa (MARSIPAN); e uma australiana, elaborada pelo Royal Australian and New Zealand College of Psychiatrists (RANZ-CP).
Ariella Hasegawa Galvão dos Santos, Cassandra Borges Bortolon, Denise Amino, Ronaldo Laranjeira
Debates em Psiquiatria, Volume 10, pp 16-22; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2020.v10.25

Abstract:
Objetivo: Descrever as características do serviço e o perfil dos usuários atendidos no Ambulatório Médico de Especialidades de Psiquiatria Dra. Jandira Masur (AME Psiquiatria), na cidade de São Paulo. Métodos: Foi realizado um estudo transversal com amostra de conveniência de todos os pacientes atendidos desde o início do funcionamento do ambulatório, em agosto de 2010, até dezembro de 2019. Resultados: Trata-se do maior estudo ambulatorial já realizado no Brasil, constituído por 30.151 pacientes, em sua maioria mulheres (62%). Os diagnósticos mais prevalentes foram transtornos do humor e de ansiedade (36,5%), seguidos por transtornos neuróticos, relacionados com o estresse e somatoformes (29%). Também identificou-se que o número de novos pacientes foi crescente ao longo do tempo e que o ambulatório disponibilizou em torno de 74 mil aberturas de vagas durante o período do estudo. Conclusão: Este serviço demonstrou ser referência como modelo de gestão no campo da saúde mental no Sistema Único de Saúde na cidade de São Paulo.
Monica Duchesne, Marianna Coelho Campos, Maene Cristine Bento Pereira
Debates em Psiquiatria, Volume 9, pp 32-38; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2019.v9.52

Abstract:
Os transtornos alimentares podem ser definidos por comportamentos disfuncionais relacionados à alimentação, que prejudicam a saúde física e o funcionamento psicossocial. A anorexia nervosa se caracteriza por baixo peso corporal, restrição alimentar, medo de engordar, supervalorização do peso e/ou forma e distúrbio da imagem corporal. A bulimia nervosa se caracteriza pela presença de episódios recorrentes de compulsão alimentar, seguidos por comportamentos compensatórios inadequados para evitar ganho de peso e uma autoavaliação indevidamente influenciada pela forma do corpo ou peso. O papel da psicoterapia no tratamento dos transtornos alimentares é desenvolver técnicas para promover a adesão ao tratamento, melhorar a relação com a imagem corporal, ensinar o controle dos episódios de compulsão alimentar, aumentar a autoestima do paciente, melhorar suas relações interpessoais, ensiná-lo a lidar de modo funcional com emoções intensas e modificar o sistema de crenças associadas ao desenvolvimento e manutenção dos transtornos alimentares. No presente artigo são descritos os modelos de psicoterapia mais testados em estudos clínicos para o tratamento dos transtornos alimentares. A terapia cognitivo-comportamental é considerada o padrão-ouro para o tratamento desses quadros clínicos, em decorrência da quantidade de estudos controlados que consubstanciam as evidências dos bons resultados obtidos com esse modelo de psicoterapia. São também descritas as técnicas implementadas pela terapia interpessoal, terapia comportamental dialética e mindful eating.
Bruno Nascimento Barbosa, Amaury Cantilino, Rejane Lúcia Veiga Oliveira Johann, Giuliano Di Pietro
Debates em Psiquiatria, Volume 9, pp 32-44; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2019.v9.64

Abstract:
A esquizofrenia é uma psicose crônica, debilitante, de origem multifatorial, que apresenta em sua fisiopatologia pelo menos três mecanismos conhecidos: a desregulação dopaminérgica, a perturbação da neurotransmissão glutamatérgica e GABAérgica e o estado pró-inflamatório do cérebro. Existem diferenças marcantes entre os gêneros na esquizofrenia, e muitos autores afirmam que os hormônios sexuais podem influenciar o curso e os sintomas da doença, modulando a sua gravidade. Os neuroesteroides são neuro-hormônios que têm a capacidade de modular a expressão de subunidades de receptores GABAérgicos subtipo A e N-metil D-aspartato, desempenhando um papel crucial na fisiopatologia de vários transtornos psiquiátricos. O objetivo deste artigo é investigar o quanto os neuroesteroides podem influenciar na fisiopatologia da esquizofrenia em mulheres, através de uma revisão de literatura onde foram incluídos estudos pré-clínicos, clínicos e moleculares que investigaram os efeitos do estrogênio e da progesterona na modulação e proteção do sistema nervoso central (SNC), discutindo a sua função como possíveis adjuvantes terapêuticos no tratamento da esquizofrenia.
Alexandre Luiz De Oliveira Serpa, Alberto Pena Pereira Timóteo, Emanuel Henrique Gonçalves Querino, Leandro F. Malloy-Diniz
Debates em Psiquiatria, Volume 9, pp 10-19; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2019.v9.45

Abstract:
Funções executivas permitem ao indivíduo resolver problemas complexos e lidar com novos contextos. Dentre elas, o planejamento é considerado uma função de alta ordem que está fortemente relacionada aos circuitos frontoestriatais, cujos déficits podem ser encontrados em diversos transtornos, como autismo, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) e depressão. Um dos principais instrumentos para avaliar planejamento é a Torre de Londres (ToL), que, apesar de boas qualidades, tem apresentado problemas como efeito teto e baixa capacidade discriminativa em indivíduos normais. O presente estudo visa avaliar as propriedades psicométricas de uma versão computadorizada, brasileira, da Torre de Londres (ToL-BR). Foram testadas todas as possibilidades de itens possíveis no instrumento (35); após as exclusões dos itens com baixo poder discriminativo (rpb ≤ 0,30), ficaram na ToL-BR um total de 19 itens. Os resultados preliminares, somados a estudos anteriores, sugerem que esse instrumento se mostra mais adequado para avaliar pessoas nos níveis inferior a médio das habilidades de planejamento.
Ravel Silva Borges, Renata P. Magalhães, André C. Caribé
Debates em Psiquiatria, Volume 10, pp 24-27; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2020.v10.21

Abstract:
O surto por COVID-19, declarado como uma pandemia pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no dia 11 de março de 2020, levou a um colapso no sistema de saúde de vários países em um curto período de tempo. Medidas de isolamento social foram impostas para evitar a rápida propagação do vírus, criando desafios repentinos para a adequada continuidade na prestação dos serviços de saúde mental sem expor profissionais e pacientes ao risco de contaminação. Nesse cenário, a telemedicina desponta como ferramenta fundamental na assistência a portadores de transtornos mentais. O objetivo deste artigo é relatar a experiência de implementação da telepsiquiatria no Ambulatório de Saúde Mental (ASM) da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP), localizada na cidade de Salvador (BA), assim como discutir os benefícios e dificuldades dessa estratégia.
Alexandre Martins Valença, Talvane Marins de Moraes, Lisieux E. De Borba Telles, Antonio Geraldo da Silva, Alcina Barros
Debates em Psiquiatria, Volume 10, pp 68-73; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2020.v10.30

Abstract:
O presente artigo relata um caso de transtorno de estresse pós-traumático que foi submetido a uma perícia psiquiátrica administrativa. Foi concluído que, pela gravidade do caso, havia incapacidade laborativa. A perícia psiquiátrica de natureza administrativa é de extrema importância para a garantia dos direitos dos indivíduos. O estudo detalhado do caso, a coleta de anamnese completa e o exame psicopatológico são fundamentais para a sua adequada realização.
Karina Farias Ferraz, Henrique Toscano Siebra Brito, Leopoldo Nelson de Fernandes Barbosa, Henrique Faria de Sousa
Debates em Psiquiatria, Volume 9, pp 44-46; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2019.v9.61

Abstract:
A síndrome de Tourette é um distúrbio de movimento caracterizado por tiques motores e vocais que surgem na infância e na adolescência, com metade a dois terços dos casos remitindo ainda nessas fases. Persistindo mais raramente na idade adulta, apresenta um prognóstico reservado, com difícil controle dos sintomas. O presente artigo descreve o uso de aripiprazol no tratamento da síndrome de Tourette em um adulto do sexo masculino e faz uma revisão narrativa de literatura sobre as evidências atuais disponíveis com o uso desse medicamento.
Rochele Paz Fonseca, Giovana Coghetto Sganzerla, Larissa Valency Enéas
Debates em Psiquiatria, Volume 10, pp 28-37; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2020.v10.23

Abstract:
A pandemia de Covid-19 acarretou, em nível mundial, o fechamento das escolas por até aproximadamente 8 meses em 2020. Um dos períodos mais longos de afastamento de crianças e adolescentes da aprendizagem presencial e da convivência social ocorreu e ainda ocorre no Brasil. Embora não se possa negar que muitas características do vírus e de suas consequências sejam ainda pouco conhecidas, as evidências e estimativas até o momento embasam um posicionamento a favor da abertura das escolas, com todos os cuidados recomendados por órgãos científicos e representativos da saúde e da educação. Este artigo visa mapear evidências e documentos científicos com interpretações da neuropsicologia e da medicina acerca do impacto individual e coletivo socioemocional, cognitivo e de aprendizagem acadêmica do fechamento das escolas durante a pandemia. Crianças, quanto mais jovens forem, tendem a se desenvolver muito em poucos meses, considerando-se evidências neurocientíficas das janelas ótimas de desenvolvimento. A convivência social e a formação/consolidação de hábitos de aprendizagem socioemocional, de leitura e estudos oportunizadas no ambiente escolar são únicas. Três argumentos-chave são abordados e sinteticamente analisados no presente artigo: 1) os indícios sobre transmissibilidade e epidemiologia da COVID-19 em crianças e familiares/professores a elas relacionados alicerçam relativa segurança de que haja menos riscos e mais benefícios; 2) os prejuízos para o desenvolvimento cognitivo, socioemocional e de aprendizagem escolar propriamente dita para estudantes já estão sendo fortemente evidenciados, além das estimativas de impactos geracionais de longo prazo aserem observados por pelo menos quatro décadas; e 3) a saúde mental e o custo de trabalho posterior para pais, professores e instituições escolares encontram-se em zona de risco. Por fim, além de evidências, reflexões finais que respeitam que o cerne desta análise está sob um campo de decisão individual são abordadas, contrapondo-se também à relevância de se considerar o impacto coletivo para o desenvolvimento de uma geração e de uma sociedade com 1 ano ou mais de vivência escolar interrompida, principalmente no contexto da vulnerabilidade sociocultural, econômica, emocional e cognitiva.
Filipe Augusto Cursino de Freitas, Antônio Pereira Gomes Neto, Remco Frank Peter de Winter Winter, Renata Brant De Souza Melo, Albert Louis da Rocha Bicalho, Paulo Pereira Christo Christo
Debates em Psiquiatria, Volume 10, pp 6-15; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2020.v10.24

Abstract:
Objetivo: Afeto pseudobulbar é uma forma de expressão emocional patológica, na qual o paciente com transtorno neurológico apresenta explosões de riso e choro incongruentes ao humor. Está relacionado ao isolamento social. A esclerose múltipla é uma doença relacionada a risco aumentado de suicídio. O objetivo desse estudo é verificar se há alguma relação entre afeto pseudobulbar e ideação suicida em pacientes com esclerose múltipla. Métodos: Foram selecionados 107 pacientes com diagnóstico de esclerose múltipla, estáveis clinicamente, do Ambulatório de Neurologia da Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte. Eles foram submetidos a coleta de dados padronizada, incluindo coleta de informações clínicas e sociodemográficas. Também foram preenchidas as escalas: Centro de Estudos Neurológicos - Escala de Labilidade, Inventário de Depressão de Beck e Escala de Desesperança de Beck. Resultados: Foram encontrados 41,17% dos pacientes com esclerose múltipla e afeto pseudobulbar, os quais mostraram ideação suicida, enquanto 24,65% dos pacientes com esclerose múltipla e sem afeto pseudobulbar apresentaram tal ideação. Quando o quadro depressivo foi isolado como fator de confusão, não foram encontrados pacientes com afeto pseudobulbar e ideação suicida. Conclusão: Apesar de o afeto pseudobulbar estar relacionado ao isolamento social e aos transtornos de humor, não houve relação entre afeto pseudobulbar e ideação suicida na amostra de pacientes com esclerose múltipla.
Angelita Maria Ferreira Machado Rios, Pedro Vieira Da Silva Magalhães,
Debates em Psiquiatria, Volume 9, pp 38-42; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2019.v9.60

Abstract:
A violência contra a mulher é considerada um problema de saúde pública que afeta pessoas de todas as idades e de todos os estratos socioeconômicos e culturais. A agressão realizada por um parceiro íntimo pode envolver violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral, sendo mais frequentemente parte de um padrão repetitivo. Normalmente, antecedendo o feminicídio, costumam ocorrer várias ameaças, chantagens, agressões e denúncias policiais. Esse delito constitui uma das principais causas de mortes prematuras femininas, ocorrendo como um fenômeno universal com especificações próprias de cada país. Vários fatores de risco podem estar associados ao feminicídio, tais como: mulheres imigrantes ou de minoria étnica, com parceiro ou ex-parceiro desempregado, ausência de união legal, presença de filhos de uniões anteriores, ruptura da relação por parte da mulher, violência prévia na relação ou durante a gestação, ciúmes, diferença de idade entre os parceiros e o consumo de álcool/drogas pelo agressor, vítima ou ambos. Nos últimos anos, observam-se avanços na legislação penal brasileira no que diz respeito ao combate à violência contra a mulher no âmbito familiar, sendo o feminicídio legislado na recente Lei nº 13.104, de 9 de março de 2015. A mudança na legislação é um avanço positivo e, juntamente com medidas protetivas nas áreas de saúde e segurança públicas, poderá proporcionar às futuras gerações uma sociedade em que as diferenças de gênero sejam respeitadas. Cabe aos psiquiatras o papel de atuar na detecção desse fenômeno, sugerindo ações de políticas públicas que englobem a avaliação e a assistência aos envolvidos.
Adriana Fernandes C. Dáquer, Monica Duchesne, Cristiane Simão
Debates em Psiquiatria, Volume 9, pp 44-50; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2019.v9.53

Abstract:
Os transtornos alimentares (TA) se caracterizam por comportamentos alimentares inadequados, que prejudicam a saúde física, interferem nas relações psicossociais do indivíduo e causam impacto negativo nas relações familiares e sobre os cuidadores. Uma vez que a faixa etária mais comum de início dos sintomas corresponde à adolescência e ao início da vida adulta, o sistema familiar possui potencial terapêutico e pode contribuir para a manutenção dos ganhos obtidos. Por isso, vários estudos se concentram em intervenções com a participação da família. Inicialmente, as terapias familiares para TA focaram a atenção na anorexia nervosa (AN), em virtude de sua maior gravidade. Com o tempo, as abordagens exitosas têm sido adaptadas ao tratamento de outros TA, tais como a bulimia nervosa (BN) e o transtorno alimentar restritivo evitativo (TARE). Atualmente, o family-based treatment (FBT) é considerado padrão-ouro em inclusão familiar no contexto do tratamento dos TA, com amplas evidências indicando os seus resultados. Neste artigo, além do FBT, abordaremos a terapia familiar sistêmica, focando nas mudanças da dinâmica familiar.
João Hiluy, Fernanda Trombini Nunes, Maria Amalia Accari Pedrosa, Jose C. Appolinario
Debates em Psiquiatria, Volume 9, pp 6-13; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2019.v9.49

Abstract:
Os transtornos alimentares (TA) são caracterizados por um distúrbio persistente do comportamento alimentar ou relacionado à alimentação, que resulta em consumo ou absorção alterados de alimentos e prejudica significativamente a saúde física ou o funcionamento psicossocial. Para uma adequada classificação e categorização dos TA, manuais de critérios diagnósticos descrevem os TA e seus critérios diagnósticos, de modo a orientar o clínico na sua prática para um diagnóstico preciso. Assim, os principais sistemas classificatórios atuais – a 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) e a 11ª edição da Classificação Internacional de Doenças (CID-11) – trazem um capítulo destinado aos TA. No presente artigo, trazemos as definições dos TA, bem como as características, semelhanças e diferenças entre os dois manuais diagnósticos, de modo a guiar o clínico em sua prática cotidiana.
Maialu Pedreira Messias, Etienne de Miranda Silva, Lucas Nascimento Lago, Luiz Gustavo Luiz Gustavo, Mariele Hertha de Andrade, Anderson Sousa Martins da Silva
Debates em Psiquiatria, Volume 9, pp 46-48; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2019.v9.65

Abstract:
A esquizofrenia e a síndrome de Down são condições prevalentes na população geral, entretanto a comorbidade entre elas é rara. Devido ao escasso material na literatura científica abrangendo tal comorbidade, é justificada a produção científica do presente trabalho. A paciente deste relato de caso tem 15 anos e apresenta síndrome de Down. Foi encaminhada ao Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil pela Unidade Básica de Saúde em que fazia acompanhamento psiquiátrico. Do ponto de vista psiquiátrico, a paciente apresentava sintomas como solilóquios, alucinações auditivas e delírios, os quais foram melhorando após a introdução e aumento progressivo da olanzapina até a dose de 10 mg/dia. Entretanto, também apresentou ao longo das avaliações sintomas de síndrome extrapiramidal (SEP), controlados com biperideno 4 mg/dia. Além disso, foram constatados sintomas de ansiedade e tricotilomania, manejados com fluoxetina até a dose de 80 mg/dia. Em sua última valiação, a paciente apresentou-se ao serviço com melhora importante dos sintomas psicóticos, porém em alguns momentos com sintomas residuais. Assim como o relato de Buttler et al., nosso caso teve melhora dos sintomas psicóticos com baixa dose do antipsicótico, todavia o relato de Buttler et al. não descreveu a presença de SEP ou sintomatologia residual, o que dificulta a comparação. Em nossa revisão da literatura, não encontramos relatos de esquizofrenia com início precoce em pacientes com síndrome de Down e nenhuma publicação recente sobre o tema. Entretanto, o reconhecimento e o tratamento precoce da comorbidade têm potencial para um melhor prognóstico do quadro.
Carolina Martins Costa, Maira Oliveira Bitencourt, Alexandre Ferreira Bello,
Debates em Psiquiatria, Volume 9, pp 6-15; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2019.v9.54

Abstract:
Objetivo: Investigar a tendência das taxas de suicídio em idosos brasileiros em um período de 20 anos em relação às principais causas de mortalidade nessa população. Métodos: Nesta análise de tendência temporal, dados sobre o número de óbitos foram obtidos do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do DATASUS. As taxas de mortalidade foram calculadas com dados obtidos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foram calculadas as taxas de mortalidade em idosos por suicídio e para as três principais causas de mortalidade no ano de início do período de investigação (1996), estratificadas por sexo e faixa etária. Para estimar a tendência temporal, foi utilizada regressão linear simples. Resultados: Encontramos um aumento significativo nas taxas de suicídio para homens e mulheres entre 60 e 69 anos de idade, além de redução significativa nas taxas de mortalidade por doença cerebrovascular, doença isquêmica do coração e doença crônica de vias aéreas superiores na mesma faixa etária. Conclusão: É possível que políticas públicas para a redução dos fatores de risco e acesso ao tratamento tenham tido um impacto na redução da mortalidade pordoença cerebrovascular, doença isquêmica do coração e doença crônica de vias aéreas superiores em idosos. A redução da mortalidade por suicídio provavelmente exigirá um direcionamento semelhante em relação à saúde mental.
Mayana Lula Andrade, Kamila Maria De Andrade Santos Silveira, Eusébio Lino Dos Santos Júnior, Paulo Milhomem Ferro Neto, Deborah Pimentel
Debates em Psiquiatria, Volume 9, pp 16-24; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2019.v9.55

Abstract:
Objetivo: Identificar a prevalência de fobia social e das principais situações sociais que a caracterizam e que cursam com sintomas de ansiedade, medo ou evitação em estudantes de medicina submetidos à metodologia de ensino aprendizagem baseada em problemas (ABP) no estado de Sergipe. Métodos: Trata-se de um recorte de um estudo clínico não experimental, exploratório, transversal, descritivo e de abordagem analítica quantitativa. Obtivemos uma amostra de 323 alunos, sendo o nosso universo todos os estudantes de medicina do estado de Sergipe cuja instituição de ensino adote o método de ABP. Para avaliação dos alunos, utilizamos um questionário específico e a Escala de Fobia Social de Liebowitz. Resultados: A fobia social foi detectada em 30,7% dos estudantes, com maior prevalência para a gravidade moderada. Dentro do perfil epidemiológico, o sexo feminino, os solteiros e os alunos com idade entre 18 e 25 anos foram aqueles com maior prevalência da doença. As principais situações sociais temidas no que se refere a medo ou ansiedade foram expressar discordância ou desaprovação para alguém e o de falar com alguém que não conhece. As situações sociais mais frequentemente evitadas foram expressar discordância ou desaprovação, falar com pessoas desconhecidas e ser o centro das atenções. Conclusão: A fobia social teve uma alta prevalência entre a amostra de universitários do curso de medicinasubmetidos à metodologia ABP, em Sergipe, com maior destaque para a gravidade moderada do transtorno. Com este estudo, pretendemos colocar o tema em evidência e incentivar novos trabalhos sobre o mesmo.
Amanda Oliveira Barros, Alina Lúcia Oliveira Barros, Roberta Machado Pimentel Rebello Des Mattos, Beatriz Rayane Oliveira Santana, Ikaro Daniel De Carvalho Barreto, Déborah Pimentel
Debates em Psiquiatria, Volume 9, pp 6-17; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2019.v9.62

Abstract:
A depressão é um transtorno de humor de prevalência crescente, capaz de reduzir a produtividade profissional do indivíduo em 10% e considerada uma das doenças mais incapacitantes. No Brasil, atinge 11,5 milhões de pessoas e é uma das maiores causas de afastamento do trabalho. Uma das profissões vulneráveis é o magistério, que lida com baixa remuneração, falta de recursos materiais e estrutura, alta carga horária, excesso de cobrança, entre outras questões. O objetivo do estudo foi analisar o perfil dos docentes da rede pública que se afastaram por depressão, entre 2009 e 2017, bem como avaliar as características do afastamento e o índice de reincidência. A coleta foi realizada através do banco de dados informatizado da perícia médica da Secretaria de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão de Sergipe e incluiu 239 docentes. Esses profissionais eram predominantemente do sexo feminino, com ensino superior completo, casados e de meia-idade. A depressão foi a principal causa de afastamento do trabalho, quando comparada aos demais transtornos mentais. A carga horária cumprida foi de 200 horas mensais, com tempo médio de serviço de 18,5 anos e média de 194,5 dias de afastamento, sendo o código F32 da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, 10ª edição (CID-10), o mais prevalente. Mais da metade dos profissionais apresentou reincidência, perfazendo média de 4,04 recidivas por docente. Trata-se de uma pesquisa singular, a respeito de uma realidade pouco estudada no cenário nacional e nunca estudada em Sergipe, que impõe a necessidade de investigação imediata, de forma a facilitar o planejamento e a implementação de melhorias.
, Daniele Souza Costa, Antônio Alvim Soares, Adriana De França Drummond, Jonas Jardim de Paula, Marisa Cotta Mancini, Débora Marques Miranda
Debates em Psiquiatria, Volume 9, pp 26-36; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2019.v9.59

Abstract:
A participação nas tarefas domésticas é importante para o aprendizado de habilidades que preparam crianças com e sem deficiência para uma vida independente. As características dos pais podem influenciar a funcionalidade das crianças com transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) na vida diária. Investigamos se os estilos parentais e os sintomas maternos de TDAH ou depressão podem predizer mudanças no desempenho em tarefas domésticas de crianças com TDAH e na assistência prestada pelos cuidadores. Cinquenta e uma crianças com TDAH, de 6 a 14 anos de idade, foram avaliadas em dois momentos (no início do estudo e após pelo menos oito meses de tratamento farmacológico contínuo), usando o Children Helping Out: Responsibilities, Expectations, and Supports (CHORES). Os fatores preditivos incluíram medidas de estilos parentais e sintomas de TDAH e depressão nas mães. Os resultados mostraram melhora no desempenho das crianças nas tarefas domésticas e na quantidade de assistência prestada pelos cuidadores. Os sintomas maternos do TDAH foram preditivos da assistência às crianças em tarefas de cuidado familiar. Para crianças com TDAH, os sintomas maternos de TDAH têm um impacto nos desfechos funcionais, o que reforça a importância de avaliar os aspectos familiares para melhorar o sucesso da intervenção.
Dirceu Zorzetto Filho
Debates em Psiquiatria, Volume 4, pp 24-32; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2014.v4.240

Abstract:
Os distúrbios do sono e do ritmo circadiano constituem características essenciais dos quadros depressivos. As alterações do ciclo vigília-sono são frequentemente sintomas prodrômicos dos transtornos depressivos e desempenham um papel na patofisiologia dos transtornos do humor. Essas alterações predizem um novo episódio, aumentam o risco de recaída e de recorrência e correlacionam com maior risco de suicídio. A permanência de transtornos de sono pode aumentar a refratariedade ao tratamento. Os pacientes com depressões resistentes ao tratamento farmacológico apresentam uma importante desregulação circadiana e diminuição da amplitude do ritmo delta durante o sono. Os tratamentos disponíveis para os distúrbios do sono na depressão resistente incluem medicações com efeitos hipnóticos e intervenções não farmacológicas. Drogas como os agonistas de receptores benzodiazepínicos, agonistas melatoninérgicos e antagonistas dos receptores serotonérgicos do tipo 2C têm demonstrado eficácia na regularização das alterações do sono em pacientes com depressão. Intervenções não farmacológicas como a terapia cognitivo-comportamental e a fototerapia também são úteis, particularmente quando associadas à medicação antidepressiva.
Hewdy Lobo Ribeiro, Joel Renno Junior, Renata Demarque, Juliana Pires Cavalsan, Renan Rocha, Amaury Cantilino, Jerônimo De Almeida Mendes Ribeiro, Gislene Valadares, Antônio Geraldo da Silva
Debates em Psiquiatria, Volume 4, pp 14-17; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2014.v4.255

Abstract:
A psiquiatria forense é a especialidade médica que realiza o diálogo entre a psiquiatria e o direito. Quanto aos aspectos relacionados ao gênero, alguns temas têm recebido destaque na literatura acadêmica da psiquiatria forense: a Lei Maria da Penha, principalmente para a avaliação dos danos psíquicos decorrentes da violência psicológica; o infanticídio, caracterizado pelo estado puerperal da mãe; o filicídio, que pode ou não ser decorrente de transtorno mental materno; e os transtornos mentais perinatais, em especial a disforia pós-parto, a depressão maior perinatal e o transtorno psicótico perinatal. Profissionais devem estar atentos ao nexo de causalidade entre transtorno mental e o ato ou omissão da mulher e sua capacidade de entendimento e determinação diante do evento.
Eduardo Sauerbronn Gouvea, Cristiano Noto, Bianca Bonadia, Natasha Malo de Senço, Ary Gadelha, Rodrigo A. Bressan, Quirino Cordeiro
Debates em Psiquiatria, Volume 4, pp 16-22; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2014.v4.183

Abstract:
O termo psicose é usado para descrever um estado mental em que o indivíduo perde o contato com a realidade, e a etapa inicial de manifestação dos sintomas psicóticos define o primeiro episódio psicótico (PEP). Este artigo apresenta conceitos e dados gerais sobre PEP, apresenta fatores de risco e provê orientações sobre o diagnóstico (inclusive diagnósticos diferenciais), tratamento e acompanhamento de pacientes com PEP, com destaque para o papel das emergências psiquiátricas. As diferentes fases das psicoses também são descritas. Como conclusão, os autores salientam a importância da identificação e investigação dos casos, o início precoce do tratamento e o acompanhamento aproximado e individualizado dos pacientes.
Jeronimo Mendes-Ribeiro, Joel Rennó Jr., Hewdy Lobo Ribeiro, Gislene Cristina Valadares, Amaury Cantilino, Renata Demarque, Renan Rocha, Antônio Geraldo da Silva, Luciano Minuzzi
Debates em Psiquiatria, Volume 4, pp 24-31; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2014.v4.184

Abstract:
O uso de escalas na prática clínica é bastante conhecido e pode ser útil quando os instrumentos são utilizados como parte do processo de avaliação diagnóstica, na identificação da presença ou ausência de um determinado transtorno, no monitoramento do progresso terapêutico e na quantificação e documentação da gravidade de determinados sintomas. O período perinatal pode estar associado a desfechos adversos e impactar de maneira negativa a saúde mental das mulheres. Embora existam poucos instrumentos especificamente desenvolvidos para essa subpopulação, há uma uma crescente tendência em se afirmar que o monitoramento cuidadoso e contínuo de sintomas e condições psiquiátricas prevalentes nesse período através de questionários de autoavaliação pode trazer benefícios na tomada de decisão ou busca de acompanhamento especializado e precoce, quando necessário.
Roger Bitencourt Varela, Wilson Rodrigues Resende,
Debates em Psiquiatria, Volume 4, pp 6-14; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2014.v4.259

Abstract:
O Transtorno Bipolar é um transtorno do humor grave com grande morbidade e mortalidade. É caracterizado por recorrentes episódios de mania e depressão. Pouco se sabe sobre a precisa neurobiologia do TB, que é essencial para o desenvolvimento de terapias específicas que funcionem rapidamente e sejam mais eficazes e toleráveis que as terapias existentes. Dadas as limitações das tecnologias não invasivas atuais para estudar o cérebro humano, os modelos animais de transtornos psiquiátricos são uma das ferramentas mais importantes para os estudos neurobiológicos. Nessa revisão são abordados alguns novos alvos terapêuticos para o tratamento do transtorno bipolar, descobertos através de estudo com modelos animais. Estudos com o modelo animal de mania induzido por anfetamina apresentam excelentes resultados apontando o envolvimento do estresse oxidativo, da Proteína Quinase C e das Histonas Deacetilases na fisiopatologia do transtorno bipolar, assim como seu potencial enquanto alvos terapêuticos, porém, esses alvos devem ser continuamente explorados nos transtornos de humor.
Debates em Psiquiatria, Volume 4, pp 26-33; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2014.v4.247

Abstract:
O transtorno bipolar (TB) é crônico e incapacitante, sendo clinicamente caracterizado por episódios recorrentes de mania (ou hipomania) e depressão, além de estados mistos. O TB está associado a um aumento do risco de suicídio e a uma elevada prevalência de co-morbidades médicas e psiquiátricas, além de morte prematura e disfunção cognitiva. Os tratamentos disponíveis para o TB são insuficientes para uma proporção significativa de pacientes. Diversos novos alvos terapêuticos vêm sendo explorados para o desenvolvimento de novos fármacos com propriedades estabilizadoras do humor, incluindo: (1) a via da glicogênio sintase quinase 3 (GSK-3); (2) o via do fosfatidil-inositol e da proteína quinase C; (3) o fator de crescimento derivado do cérebro (BDNF); (4) as histonas deacetilases; (5) o sistema melatoninérgico; (6) fármacos anti-oxidantes e moduladores da função mitocondrial, além de (7) fármacos anti-inflamatórios. O presente artigo revisa o estado atual do conhecimento, além das dificuldades para o desenvolvimento de novos fármacos para o TB dentro de uma perspectiva translacional. O desenvolvimento de estratégias integrativas que analisem dados dimensionais de alta precisão, mesclando dados “ômicos” através de técnicas de bioinformática são necessárias para uma melhor elucidação da fisiopatologia complexa do TB. Tais achados podem levar ao desenvolvimento de novos fármacos para o TB, além de um tratamento personalizado.
Victor Siciliano Soares, Claudiane Salles Daltio, Cecília Attux
Debates em Psiquiatria, Volume 4, pp 32-34; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2014.v4.258

Abstract:
Este artigo relata o caso de um paciente jovem em primeiro episódio psicótico e com dificuldade de adesão ao tratamento, no qual foi utilizado um antipsicótico de segunda geração de ação prolongada. Os antipsicóticos de longa ação devem ser considerados mais amplamente no tratamento da esquizofrenia pela facilidade do manejo e segurança na tomada da medicação, pois melhoram a adesão e, consequentemente, o prognóstico dos pacientes.
Carolina De Meneses Gaya, Clarice Sandi Madruga, André De Queiroz Constantino Miguel, Sandro Mitsuhiro, Ilana Pinsky, Raul Caetano, Ronaldo Laranjeira
Debates em Psiquiatria, Volume 4, pp 6-13; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2014.v4.182

Abstract:
Este estudo buscou analisar, em uma amostra representativa da população brasileira, as prevalências de aceitação de políticas relacionadas ao acesso, promoção, prevenção e tratamento dos problemas relacionados ao uso do álcool, bem como sua anuência para possíveis mudanças. Investigou, ainda, o perfil dos indivíduos não favoráveis às políticas por meio de avaliação da associação com variáveis sociodemográficas, consumo de outras substâncias psicotrópicas, acesso a campanhas de prevenção e exposição a propagandas de bebidas. Trata-se de estudo com desenho transversal usando dados do I levantamento Nacional de Álcool e Drogas. Uma amostra de 3.007 participantes responderam escalas sobre 16 políticas restritivas. Uma escala de aceitação foi criada, e o grupo dos 5% que menos aderiam às políticas foi analisado. As associações foram realizadas através de modelos ajustados de regressão logística (StataSE10). Observou-se que a maioria da população investigada apoia as políticas vigentes, assim como a implementação de novas leis de restrição ao consumo de álcool. Os fatores preditores de não aceitação das políticas foram: ser homem, jovem, sem relacionamento estável, com maior escolaridade, não religioso e tabagista. O uso substâncias ilícitas e abuso e/ou dependência de álcool também foram associados a não adesão às políticas de restrição avaliadas. As políticas referindo tratamento para o alcoolismo e restrição de propagandas foram as mais aceitas.Incentiva-se iniciativas de esclarecimento da importância das políticas de saúde pública direcionadas ao perfil do público menos adepto.
Evelyn Kuczynski
Debates em Psiquiatria, Volume 4, pp 6-11; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2014.v4.228

Abstract:
Este artigo se propõe a abordar a questão do retardo mental e sua detecção precoce, uma vez que tal processo determina a possibilidade de prevenção, assim como de abordagem terapêutica, reabilitação e prognóstico. O progressivo interesse da Saúde Mental brasileira pela questão do continuum autista vem se processando de maneira superficial, em detrimento da identificação e condução dos casos de retardo mental (muito mais frequentes). A detecção de casos de autismo cresceu dramaticamente nos EUA (de 1996 a 2007). Não se sabe quanto deste crescimento (ou todo ele) se deve a alterações na prevalência do autismo. A qualificação do psiquiatra (e de outros profissionais da Saúde) carece de intimidade com esta entidade clínica, tão variada e heterogênea. Atualmente são raros no Brasil os serviços multidisciplinares envolvidos na detecção precoce e capacitação de profissionais de Saúde nesta área de conhecimento.
, Paulo Mattos
Debates em Psiquiatria, Volume 4, pp 42-50; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2014.v4.231

Abstract:
O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é amplamente reconhecido como um transtorno de etiologia neurobiológica, porém suas bases etiológicas ainda não são completamente reconhecidas. Achados sobre epidemiologia do TDAH apontam para aumento de prevalência de sintomas em familiares de indivíduos portadores. Estes resultados incentivaram um grande número de pesquisas sobre genética do TDAH, bem como sobre as influências da gestação e até mesmo do ambiente familiar na gênese do TDAH. Os estudos epidemiológicos que investigam portadores de um transtorno e seus familiares tornaram-se ferramentas úteis para auxiliar a melhor compreensão das bases genéticas e ambientais dos diversos transtornos mentais. O artigo apresentado revisa, de forma não sistemática, alguns dos principais achados sobre etiologia do TDAH, focando-se mais precisamente nos estudos que se utilizam de bases familiares. Os achados aqui apresentados devem servir como base para o entendimento atual dos estudos de famílias em TDAH, e auxiliar pesquisadores que se interessam tanto por epidemiologia genética, quanto por pesquisas em TDAH.
Katia Mecler, Lisieux E. De Borba Telles, Alexandre Martins Valença, Samantha Salem, Leonardo Fernandez Meyer
Debates em Psiquiatria, Volume 4, pp 6-13; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2014.v4.201

Abstract:
O novo Código Civil Brasileiro, apesar de avançar em muitos sentidos, deixa a desejar no aspecto da manutenção da integridade dos direitos e decisões pessoais de indivíduos estabelecidos como incapazes pela lei. Embora o que se busque através do instituto da curatela seja a proteção para aqueles a quem falta a capacidade de cuidarem de si mesmos, a indicação de um curador pode trazer sérias consequências para o curatelado. Esse status legal pode privar a pessoa do direito a escolhas importantes, como aquelas relacionadas aos atos de casar-se, votar e educar crianças, aos cuidados com a saúde e consentimento com tratamentos, à escolha do lugar de residência e a outros aspectos fundamentais de uma vida comunitária. No decorrer deste artigo, comparamos as leis de curatela de países da Europa, Estados Unidos e Brasil. O Código Civil Brasileiro tem-se mostrado o mais atrasado dentre os analisados, limitando em muito os direitos pessoais de seus curatelados e ultrapassando o limiar dos direitos individuais.
Gislene C Valadares, José Raimundo Da Silva Lippi, Joel Renno Junior, Juliana Pires Cavalsan, Renata Demarque, Hewdy Ribeiro Hewdy Ribeiro Lobo, Amaury Cantilino, Renan Rocha, Jerônimo De Almeida Mendes Ribeiro, Antônio Geraldo da Silva
Debates em Psiquiatria, Volume 4, pp 14-26; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2014.v4.230

Abstract:
A avaliação das vítimas de ofensa sexual necessita conhecimento, treinamento, sensibilidade e responsabilidade não submetendo a vítima a vivência também traumática da violência sofrida. Os passos dos cuidados são apresentados de acordo com protocolos internacionais. O tratamento psicoterápico e psicofarmacológico é apresentado.
Marcelo Feijó de Mello, William Berger, Mariana Pires Luz, Ivan Figueira
Debates em Psiquiatria, Volume 4, pp 28-31; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2014.v4.257

Abstract:
O Brasil apresentou piora alarmante dos índices de violência nos últimos 30 anos. Este artigo discute dados diversos, o papel da maternagem na defi nição de como o indivíduo se relacionará social e afetivamente na vida adulta, e discorre sobre estratégias e campanhas que poderiam ajudar a reverter o grave quadro atual.
Felipe Almeida Picon
Debates em Psiquiatria, Volume 4, pp 36-41; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2014.v4.248

Abstract:
Essa revisão descreve primeiramente o funcionamento das metodologias de ressonância magnética: morfometria baseada em voxels, morfometria baseada em superfície, imagem por tensor de difusão, ressonância magnética funcional com aplicação de tarefas neuropsicológicas e sem tarefas, historicamente conhecida como ressonância funcional em estado de repouso. Em seguida, traz os principais achados da aplicação dessas técnicas no estudo do TDAH.
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