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Saulo Maia Martins da Silva, Caio Gibaile Soares Silva, Bibiana De Borba Telles, Alcina Juliana Soares Barros,
Debates em Psiquiatria, Volume 11, pp 1-22; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2021.v11.273

Abstract:
Introdução: Um evento homicida com a presença de várias vítimas pode ser definido como um assassinato múltiplo, porém esse termo refere-se a uma categoria mais ampla que compreende as subclassificações: assassinato em massa, assassinato em série e assassinato relâmpago. Objetivo: Revisar as definições desses termos, abordando os aspectos psiquiátricos que podem estar presentes em cada um dos tipos de homicídio múltiplo, buscando atualizar a classe médica e os demais profissionais que trabalham com essa temática e instrumentalizar suas ações de investigação, avaliação e tratamento. Método: Revisão narrativa visando discutir o estado da arte e atualização do conhecimento sobre assassinato múltiplo. Discussão: A literatura aponta que assassinato em massa, assassinato em série e assassinato relâmpago possuem características específicas, que vão além do número de vítimas e compreendem as características psicopatológicas de seus perpetradores, desde a ausência de qualquer transtorno psiquiátrico até quadros de transtornos antissociais, narcisistas ou psicóticos. Conclusão: O conhecimento de suas definições e particularidades possibilita o uso adequado dos termos, assim como auxilia o raciocínio diagnóstico acerca dos transtornos psiquiátricos que podem estar presentes nos criminosos que cometem tais atos.
Filipe Augusto Cursino de Freitas, Mateus Arruda Aleixo
Debates em Psiquiatria, Volume 11; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2021.v11.213

Abstract:
Introduction: Ekbom syndrome is a rare condition in which the patient believes that his or her body is infested by worms or other parasites.This condition is associated to mental ilness in 81% of cases. There is not a final statement about the best psychofarmacological treatment of this condition. Objective: The present study presents a case report on which an elderly woman with bipolar disorder has shown Ekbom syndrome. Method: This study lists a case report of a 69 yerar-old woman with bipolar disorder. This patient had presented the belief that worms were walking under her skin during the past few months. She had a previous diagnosis of bipolar disorder. Depressive symptoms were intense. The patient was followed up in an outpatient psychiatric service for 120 days. Lurasidone was introduced and some drugs were discontinued. Result: One month after starting treatment with lurasidone, there was a significant improvement of delusional beliefs of Ekbom syndrome. Such improvement was associated with the improvement of the bipolar depressive condition in this case. Conclusion: Ekbom syndrome is a rare kind of delusion. Its etiology is not fully understood. We presented a case of an elderly woman with previous diagnosis of bipolar disorder with Ekbom syndrome. To our knowledge, there are no other case reports informing the use of lurasidone in bipolar depression associated with Ekbom syndrome.
, Ana Luiza Silva Teles, Fabiano Franca Loureiro, Leonardo Rodrigo Baldaçara, Antônio Geraldo da Silva, ,
Debates em Psiquiatria, Volume 11, pp 1-14; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2021.v11.204

Abstract:
Objetivo: Mulheres tem sido associadas, desde o início da pandemia com níveis mais elevados de stress e ansiedade. Esta breve comunicação visa avaliar a situação da violência doméstica contra a mulher no Brasil durante o isolamento social devido à pandemia da COVID-19. Métodos: Extraímos dados do Google Trends mostrando a magnitude das pesquisas sobre os temas violência doméstica e denúncias de violência doméstica e depois comparamos com dados de relatórios de denúncias. Resultados: As buscas no Google contendo esses termos aumentaram enquanto as denúncias contra a violência doméstica diminuíram. Conclusão: O crescimento das buscas sobre violência doméstica e queixas de violência doméstica indica a possibilidade de um aumento real deste tipo de violência no Brasil
Debates em Psiquiatria, Volume 11; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2021.v11.211

Abstract:
Introdução: A Escala de Estilos de Tomada de Decisão é um instrumento desenvolvido para avaliar dois estilos decisórios distintos, o intuitivo/ heurístico vs. o deliberado/racional. Estudos anteriores verificaram que a adaptação brasileira da escala é adequada e apresenta boas propriedades psicométricas. O presente estudo apresenta parâmetros preliminares no formato de normas contínuas para o instrumento. Métodos: Participaram do estudo 1.218 adultos brasileiros com idade entre 18 e 64 anos. Resultados: Os resultados da escala não foram influenciados por idade ou sexo reportado, sendo possível apresentar os resultados em normas contínuas para a amostra global. Conclusão: Os resultados apresentados constituem-se em normas preliminares para a interpretação da versão brasileira do estudo. Novos estudos são necessários para a obtenção de normas com base em amostras representativas da população
Alexandrina Maria Augusto Da Silva Meleiro, Arthur Hirschfeld Danila, Eduardo De Castro Humes, Sergio Pedro Baldassin, Antonio Geraldo da Silva,
Debates em Psiquiatria, Volume 11, pp 1-20; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2021.v11.57

Abstract:
Introdução: A pandemia por COVID-19 exacerbou a angústia existencial em relação a morte. A insegurança e incerteza relacionadas aos limites da ciência, devido à falta de consenso científico sobre essa nova doença, convocam a necessidade de investigar, refletir e revisar as informações sobre problemas de saúde mental vinculados ao trabalho médico, especialmente para os que estão na linha de frente da assistência a pessoas com COVID-19, bem como discutir o estigma relacionado ao sofrimento psíquico desta população, em especial nesta pandemia, e identificar precocemente possíveis adoecimentos psíquicos e facilitar à busca imediata de assistência em saúde mental. Métodos: revisão narrativa visando discutir o estado da arte e atualização do conhecimento sobre o adoecimento psíquico dos médicos na pandemia do COVID-19. Discussão: A literatura aponta que discentes, residentes, docentes e profissionais da Medicina apresentam importantes prevalências de Transtorno Mental Comum, Sintomas Depressivos, Burnout e Suicídio. A pandemia de COVID-19 apresenta um risco de aumento de prevalência de transtornos mentais, comumente referida como quarta onda da pandemia, associada a elementos biopsicossociais do período de quarentena e priorização dos cuidados físicos em detrimento dos psíquicos. Conclusões: Instituições de saúde devem realizar uma reflexão profunda sobre o seu papel na promoção, manutenção e a criação de atividades e de programas de prevenção do sofrimento psíquico ou transtornos mentais identificados nos profissionais médicos que lá atuam. Estas contribuirão para o planejamento de melhores estratégias que preservem a saúde mental destes com consequências positivas na sociedade como um todo.
, Maristela Goldnadel Monteiro, Renata Pereira Limberger
Debates em Psiquiatria, Volume 11, pp 1-28; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2021.v11.205

Abstract:
Introdução: O suicídio de idosos (pessoas com 60 anos ou mais) é um grave problema de saúde pública. Objetivo: Apresentar o perfil geográfico, temporal, epidemiológico e toxicológico das vítimas idosas de suicídio no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, entre 2017 e 2019. Método: Estudo descritivo e transversal a partir de consulta a todas ocorrências policiais e laudos periciais relacionados aos óbitos por suicídio e construção de três modelos de regressão logística para a verificação de associações. Resultados: Ao total, foram registrados 1145 óbitos de idosos por suicídio, com aumento de 17,7% de 2017 para 2019. Os idosos corresponderam a 28,5% de todos os suicídios do período, com maior frequência de casos (53,7%) entre 60 e 69 anos. A taxa média anual de mortalidade foi 19,1 casos/100 mil habitantes, chegando a 38,6 na região Vale do Rio Pardo e a 71,6 no município de Venâncio Aires. Houve predomínio do sexo masculino (81,0%) e os idosos mostraram-se mais associados às estações do ano verão ou outono, aos dias úteis, ao período do dia, à raça branca, à presença parental na certidão de nascimento, à ausência de antecedentes criminais e aos meios suicidas enforcamento ou arma de fogo. Análises toxicológicas foram realizadas em 73,7% dos casos, observando-se uma razão de chances 2,58 vezes maior (IC95% 1,86;3,65) de as vítimas serem idosas quando os resultados eram negativos para etanol; 1,40 vezes maior (IC95% 1,04;1,88), quando eram positivos para algum antidepressivo e 1,62 vezes maior (IC95% 1,14;2,34), quando eram negativos para ansiolíticos. Conclusão: Esse trabalho apresentou dados que podem direcionar programas de prevenção do suicídio entre idosos.
, Gabriel Acácio Pena de Menezes, João Pedro Paz Takeuchi, Luciana Alves Silveira Monteiro
Debates em Psiquiatria, Volume 11, pp 1-13; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2021.v11.56

Abstract:
Introdução: Os smartphones são considerados um gadget fundamental entre os jovens porque oferecem uma infinidade de serviços e operam muitas funções diferentes, acabando por substituir vários dispositivos. O uso problemático de smartphones tem implicações físicas e psicológicas. Objetivo: Encontrar a prevalência de Uso Problemático de Smartphone (PSU) entre alunos de graduação de uma faculdade particular de saúde, em Belo Horizonte, Minas Gerais, e correlacionar esse comportamento com transtornos de humor, sono, falhas cognitivas, déficit de atenção e hiperatividade. Método: A amostra foi avaliada por meio da Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão (HADS), Escala de Sonolência de Epworth, Inventário de Dependência de Smartphone, Escala de Autorrelato de Adultos (ASRS-18) e Questionário de Falhas Cognitivas. Resultados: 156 voluntários responderam à pesquisa, a maioria estudantes de medicina. A prevalência de PSU foi de 52,5%; que foi estaticamente correlacionado com sintomas de déficit de atenção e hiperatividade, transtornos de humor e transtornos do sono. A prevalência de sintomas de depressão e ansiedade foi de 66,6% e 82,69%, respectivamente. Conclusão: Concluímos que o PSU é um fenômeno prevalente entre estudantes da área de saúde, podendo estar associado a sonolência, transtornos do humor e sintomas de Déficit de Atenção e Hiperatividade.
Clarice de Medeiros Chaves Ferreira
Debates em Psiquiatria, Volume 11, pp 1-33; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2021.v11.58

Abstract:
Introdução: A psicanálise já foi classificada como pseudociência no passado. Karl Popper foi um daqueles que traçou objeções à doutrina psicanalítica, usando do critério da falseabilidade. Entretanto, a falseabilidade não pode mais ser considerada suficiente para resolver o problema, já que implica em dificuldades consideráveis, e melhores alternativas para abordar a questão estão disponíveis. Objetivo: Este artigo tem por objetivo avaliar o status científico da psicanálise em relação ao problema da demarcação. Método: Para fazer isso, o critério de Sven Ove Hansson foi utilizado: este consiste em um conjunto de condições suficientes e necessárias, que é complementado com uma lista de multicritérios que auxiliam a identificar pseudociências. Foi analisado o quanto a psicanálise se encaixava em cada um dos sete itens da lista de Hansson, além de ser proposta a adição de um oitavo item. Resultados: Os resultados mostraram que a psicanálise era compatível com todos os oito itens da lista de demarcação de pseudociências. Conclusão: Ao final, a conclusão foi de que mesmo que a falseabilidade deva ser descartada, as evidências sugerem que ainda temos motivos suficientes para afirmar que a psicanálise é uma pseudociência, já que ela se distancia significativamente dos padrões de qualidade científicos.
, Antonio Geraldo da Silva, Miriam Elza Gorender, Nicoli Abrão Fasanella, Daniel Kawakami, Verônica DA Silveira Leite, Marcelo Allevato, Raquel Prudente De Carvalho Baldaçara, Flavio Augusto De Pádua Milagres, Teng Chei Tung
Debates em Psiquiatria, Volume 11, pp 50-58; https://doi.org/10.25118/2236-918x-11-1-5

Abstract:
A agitação psicomotora é uma situação frequente e requer treinamento e abordagem individualizada. No entanto, ainda há pouca informação para padronizar a gestão dessa situação em pacientes com infecção pelo COVID-19. O objetivo deste artigo é apresentar uma proposta de gestão da agitação psicomotora em pacientes com COVID-19. Foi conduzida revisão narrativa realizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (Rio de Janeiro, Brasil) e Universidade Federal do Tocantins (Tocantins, Brasil). Uma revisão de artigos no PubMed foi realizada por um grupo de especialistas (oito psiquiatras, um alergista e imunologista e um infectologista). Dos 144 artigos encontrados, foram selecionados 62 manuscritos. Os protocolos atuais apresentam as informações necessárias para o atendimento de pacientes agitados (atendimento ao meio ambiente e funcionários), abordagem de comunicação, tranquilização rápida e contenção física. No entanto, nos casos de possibilidade de infecção por síndrome respiratória aguda grave coronavírus 2 (SARS-CoV-2), devem ser adicionadas medidas para prevenir a contaminação. Além disso, é necessário que a abordagem medicamentosa seja individualizada, considerando efeitos colaterais e interações. Concluise que a infecção pelo SARS-CoV-2 em pacientes com agitação por doença mental requer cuidados e ajustes específicos nos protocolos de tratamento.
, Jaqueline Bohrer Schuch, Anne Orgler Sordi, Felix Henrique Paim Kessler
Debates em Psiquiatria, Volume 10, pp 12-16; https://doi.org/10.25118/2236-918x-10-2-2

Lílian Schwanz Lucas, Antônio Alvin, Deisy Mendes Porto, Antônio Geraldo da Silva, Mayra Isabel Correia Pinheiro
Debates em Psiquiatria, Volume 10, pp 74-77; https://doi.org/10.25118/2236-918x-10-2-8

Abstract:
A pandemia de coronavírus (COVID-19) é uma emergência de saúde pública de interesse internacional e representa também um desafio à saúde mental, em especial para crianças e adolescentes ainda em desenvolvimento. Para aqueles jovens que já têm uma história de transtornos mentais, os riscos são maiores. Para diminuir as consequências das incertezas da pandemia e do confinamento em casa, governos, comunidade, escola, pais e profissionais de saúde precisam estar informados e abordar de forma efetiva e imediatamente essas questões. O presente artigo tem como objetivo orientar os psiquiatras que precisarão oferecer informações sobre como apoiar e proteger o bem-estar psíquico de crianças e adolescentes.
, Mariana Rodrigues Gonçalves Dias
Debates em Psiquiatria, Volume 10, pp 38-45; https://doi.org/10.25118/2236-918x-10-2-5

Abstract:
É possível se contaminar através do pensamento? Objetivamente não; subjetivamente, porém, não se pode dizer o mesmo. O construto “contaminação mental” ainda é muito pouco estudado e, principalmente, pouco difundido na literatura em língua portuguesa. Sendo assim, o objetivo deste artigo foi revisar os estudos que relacionaram a contaminação mental ao transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) ao longo dos últimos 5 anos. A busca foi realizada através das bases de dados PubMed, MEDLINE e PsycINFO, e após a aplicação dos critérios de inclusão, seis estudos foram revisados integralmente. Com base na análise das amostras utilizadas, dos instrumentos adotados, dos resultados encontrados e das limitações informadas pelos autores de cada estudo, concluímos que: 1) poucos estudos contemplaram tanto uma população clínica como uma não clínica; 2) o Vancouver Obsessional Compulsive Inventory-Mental Contamination foi o instrumento mais utilizado para mensurar a contaminação mental; 3) a contaminação mental tem relação com outros fenômenos que também fazem parte do TOC (como a propensão ao nojo); e 4) os estudos apresentam, comumente, limitações relacionadas à amostra. Ao final, apresentamos os passos necessários para incentivar a pesquisa científica brasileira acerca da contaminaçãomental, bem como estratégias que os profissionais da saúde mental podem adotar para orientar pacientes com TOC, durante o período da pandemia, visando reduzir a suscetibilidade à contaminação mental.
Antônio Geraldo da Silva, Débora Marques Miranda, Alexandre Paim Diaz, Ana Luiza Silva Teles, , Antônio Pacheco Palha
Debates em Psiquiatria, Volume 10; https://doi.org/10.25118/2236-918x-10-2-1

Graziele Zwielewski, Gabriela Oltramari, Adair Roberto Soares Santos, Emanuella Melina Da Silva Nicolazzi, Josiane Albanás de Moura, Vânia L. P. Sant’Ana, Rachel Schlindwein-Zanini,
Debates em Psiquiatria, Volume 10, pp 30-37; https://doi.org/10.25118/2236-918x-10-2-4

Abstract:
O presente trabalho discute e sugere estudos de desenvolvimento de protocolos para atendimento em saúde mental frente à situação de emergência e crise proporcionada pela COVID-19. Há evidências de repercussões na saúde mental e restrições no modo de enfrentamento da pandemia, tendo em vista a situação de isolamento e confinamento prolongadas pela quarentena, sejam entre os suspeitos de contágio, os enfermos pela COVID-19, os familiares ou as equipes de saúde envolvidas na linha de frente do tratamento. Entretanto, há escassez de literatura técnico-científica de protocolos de atendimento para pessoas com necessidade de afastamento social e do trabalho em função da pandemia.
, Danielle De Souza Costa, Fabiano Loureiro, Lafaiete Moreira, Brenda Kelly Souza Silveira, Herika De Mesquita Sadi, Tércio Apolinário-Souza, António Alvim-Soares, Rodrigo Nicolato, Jonas Jardim de Paula, et al.
Debates em Psiquiatria, Volume 10, pp 46-68; https://doi.org/10.25118/2236-918x-10-2-6

Abstract:
O cenário da pandemia de COVID-19 representa um desafio sem precedentes para a sociedade. Em que pese a importância das medidas imediatas visando à prevenção da propagação da doença, cuidados com os indivíduos acometidos e medidas para minimizar os impactos econômicos e sociais, a abordagem de temas relacionados à saúde mental da população em geral é também crucial. As contribuições interdisciplinares relacionadas à saúde mental envolvem a compreensão dos mecanismos cognitivos e comportamentais que sustentam hábitos, atitudes e crenças. Essa compreensão é fundamental para maximizar a eficácia das estratégias que implicam em mudanças significativas na forma de comportar, conceber e planejar atividades quotidianas. O presente artigo discute abordagens da psiquiatria, psicologia e ciências relacionadas no manejo de questões relacionadas à mudança de comportamento, hábitos de nutrição e atividade física, trabalho e grupos etários vulneráveis.
Luiza Megid de Oliveira, Luiz Carlos Cantanhêde Fernandes Junior
Debates em Psiquiatria, Volume 10, pp 14-25; https://doi.org/10.25118/2236-918x-10-1-2

Abstract:
A inteligência artificial (IA), possibilitada pelo avanço tecnológico e aperfeiçoamento dos sistemas computadorizados, visa permitir que as máquinas mimetizem capacidades humanas com mais rapidez e acurácia e tem se mostrado uma ferramenta útil e eficiente dentro da area da saúde, representando potencial de aplicabilidade significativa na psiquiatria. O objetivo deste estudo foi apresentar e discutir ensaios clínicos que tenham estudado a IA, especificamente na área de psiquiatria, para esclarecer sua relevância na prática médica. Realizou-se um levantamento de ensaios clínicos publicados a partir do século XXI nas bases de dados PubMed, Biblioteca Virtual de Saúde e MEDLINE com o uso da IA na psiquiatria. Observou-se que os ensaios clínicos utilizando a IA foram realizados principalmente na área de predição de tratamento farmacológico, seguida de outras areas, como no desenvolvimento de habilidades sociais e análise de alterações estruturais do sistema nervoso central. A aplicação da IA na medicina representa inovações e avanços significativos na área da psiquiatria, no entanto não substitui a avaliação clínica até o presente momento.
Letícia Maria Akel Mameri Trés, Antônio Geraldo da Silva
Debates em Psiquiatria, Volume 10, pp 26-33; https://doi.org/10.25118/2236-918x-10-1-3

Abstract:
A psiquiatria do trabalho envolve a fusão de dois saberes médicos e suas áreas de atuação, a medicina do trabalho e a psiquiatria. Pode ser designada como campo de compreensão e intervenção sobre o trabalho e as organizações, visando analisar a interação das múltiplas dimensões que caracterizam pessoas, grupos e organizações, com a finalidade de construir estratégias e procedimentos que promovam, preservem e reestabeleçam o bem-estar. Estudos médicos sobre essa área específica e sua importância são limitados, apesar do interesse crescente pela temática de saúde mental e trabalho. O processo de coleta do material foi realizado de forma não sistemática. Foram realizadas buscas de artigos em bases de dados eletrônicos de acesso livre (SCIELO, BVS, CAPES e LILACS), publicados nos últimos 70 anos, entre 1950 e 2020. Para a busca dos artigos nas bases de dados, utilizaram-se os seguintes descritores: psiquiatria do trabalho, psiquiatria ocupacional, occupational psychiatry e industrial psychiatry. Os critérios de inclusão foram: todos os artigos que abordassem os descritores que haviam sido publicados nos últimos 70 anos e que estivessem disponíveis na sua totalidade ou em partes. O banco de dados foi sendo complementado com materiais indicados por especialistas na temática. Observa-se a escassez de estudos médicos sobre a área da psiquiatria do trabalho a fim de demonstrar sua relevância, assim como é pequeno o destaque dado em nível organizacional e governamental, apesar de ser uma área de fundamental importância para que possamos entender melhor os riscos psicossociais, mapeá-los e tratá-los de forma adequada, visando, dessaforma, não só ao bem-estar mental individual, mas ao bem-estar coletivo.
Rui Mateus Joaquim, Lucas Bezerra Radis
Debates em Psiquiatria, Volume 10, pp 34-42; https://doi.org/10.25118/2236-918x-10-1-4

Abstract:
O presente trabalho investigou a expressividade facial da emoção de um ofensor num caso de assassinato em massa em termos de valência e alerta fisiológico, hipotetizando sua potencial relação de contiguidade com certos padrões de configuração de traços de personalidade, via modelo dos cinco grandes fatores. O estudo utilizou como método de análise a identificação das unidades de ação musculares envolvidas na manifestação observável das emoções básicas, por meio do sistema de codificação da ação facial da emoção. Realizou-se a análise de um vídeo gravado pelo ofensor de modo prévio aos ataques e de acesso público. Por meio de análise frame-by-frame, os dados foram utilizados na identificação detalhada de padrões de movimentos faciais, cujas características (gatilhos, frequência, intensidade) serviram de fontes de informação no entendimento de gatilhos emocionais específicos e configuração de certos traços de personalidade, para a elaboração de potenciais critérios de avaliação de risco no surgimento de semelhantes situações futuras.
Aline Braga de Souza, Dhara Rota Rossi de Mello, Cristiane Gorgati Guidoreni, Odete Alves Palmeira
Debates em Psiquiatria, Volume 10, pp 6-13; https://doi.org/10.25118/2236-918x-10-1-1

Abstract:
Objetivos: Entender como o uso de substâncias psicotrópicas está presente na vida dos enfermeiros, quais as possíveis consequências desse uso e analisar os fatores de envolvimento pessoal desses profissionais com os psicotrópicos. Metodologia: Estudo transversal, quantitativo, realizado com 87 enfermeiros dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. A divulgação do questionário realizou-se através de redes sociais virtuais (WhatsApp e Facebook), listas de e-mails e demais plataformas digitais. Resultados: De 87 enfermeiros que participaram do estudo, 77 (88,5%) disseram já ter feito uso de ao menos um dos psicotrópicos pesquisados. Depois do álcool, a classe de fármacos mais citada foi a dos tranquilizantes, sedativos ou calmantes. Vimos que mais da metade dos enfermeiros [49 de 87 enfermeiros (56,3%)] disse ter feito uso de algum tranquilizante, sedativo ou calmante em algum momento da vida. A terceira classe de psicotrópicos mais citada foi a dos analgésicos de ação central (codeína e tramadol). Conclusões: Ficou evidente que os enfermeiros mais jovens e com um tempo de formação menor são os mais vulneráveis. Ressaltamos a necessidade de um olhar de toda a sociedade para essa categoria profissional, pois se quem cuida está adoecendo, quem cuidará?
Antônio Geraldo da Silva
Debates em Psiquiatria, Volume 10; https://doi.org/10.25118/2236-918x-10-2-a

, , Karen Rayany Ródio Trevisan, Maria Julia Pegoraro Gai, Raquel Vieira Costa de Carvalho, Pedro Augusto Crocce Carlotto, , Daniela Silvestre, Cristiana Ornellas Renner, Antonio Geraldo da Silva, et al.
Debates em Psiquiatria, Volume 10; https://doi.org/10.25118/2236-918x-10-2-3

Adriana Maira Marini, Fabio Borghi, Camila Mata Silva, Marielza R. Ismael Martins
Debates em Psiquiatria, Volume 8, pp 14-18; https://doi.org/10.25118/2236-918x-8-1-2

Abstract:
Introdução: O tratamento farmacológico na abordagem do paciente esquizofrênico é fundamental, mas não suficiente. A psicoeducação com foco no cuidador busca aumentar o conhecimento e modificar comportamentos que geram sobrecarga. Objetivo: Avaliar a sobrecarga dos cuidadores de pacientes esquizofrênicos e a eficácia do grupo psicoeducacional. Metodologia: Participaram deste estudo com delineamento quase experimental 30 cuidadores de pacientes que realizam tratamento em ambulatório de psiquiatria. Foi utilizado questionário de caracterização demográfica e clínica de pacientes e cuidadores. Para avaliar a sobrecarga dos cuidadores, foi utilizada a escala Zarit Burden Interview, com aplicação pré e pósintervenção no grupo psicoeducacional. Resultados: Com relação aos cuidadores, 73% (n = 21) eram do sexo feminino, sendo 33% (n = 9) mães dos pacientes. A média de idade foi de 55,2±9,4 anos, e a escolaridade revelou que 43% (n = 12) não concluíram o ensino fundamental (média de 4±2,5 anos), 73% (n = 21) eram ativos profissionalmente e 33% (n = 9), donas de casa. Observou-se, ainda, que 46,6% (n = 13) apresentavam problemas de saúde e 70% (n = 21) disseram ser os únicos cuidadores responsáveis. A sobrecarga moderada/severa foi a mais prevalente, com diferença significativa pré e pós-intervenção. Conclusão: A sobrecarga referida pelos cuidadores merece um “olhar” e uma intervenção, para que compartilhem experiências e implementem mudanças no seu cotidiano.
Luísa Caropreso, McMaster University, Joel Rennò Jr, Renan Rocha, Juliana Pires Cavalsan, Jerônimo De Almeida Mendes, Hewdy Lobo Ribeiro, , Gislene Valadares, Antonio Geraldo Da Silva, et al.
Debates em Psiquiatria, Volume 8, pp 31-40; https://doi.org/10.25118/2236-918x-8-1-4

Abstract:
O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é um transtorno psiquiátrico relativamente comum no período perinatal. Nesse período, o TOC pode ser desencadeado ou pode ocorrer a exacerbação da doença pré-existente, com prevalências de até 9% de TOC no período pósparto. Estima-se que haja uma associação com a flutuação dos hormônios gonadais, além da influência de outros fatores psicológicos e sociais. A apresentação clínica do TOC parece diferir durante a gestação e o período pós-parto, existindo uma predominância de obsessões de contaminação e compulsões por limpeza durante a gestação, enquanto que, no período pós-parto, os sintomas mais frequentemente encontrados na literatura científica foram as obsessões egodistônicas de conteúdo agressivo. Existem poucos estudos específicos sobre o tratamento do TOC no período perinatal, de forma que se recomenda seguir os protocolos de tratamento para a população geral, porém levando-se em consideração os potenciais efeitos adversos das medicações para o feto e/ou lactente. O presente artigo consiste em uma revisão narrativa acerca do TOC no período perinatal e tem como objetivo alertar os profissionais de saúde para a presença de sintomas obsessivos-compulsivos e do TOC nesse período, além de auxiliar o clínico a melhor reconhecer, compreender e tratar esse transtorno.
César Augusto Trinta Weber, Universidade Federal de São Paulo
Debates em Psiquiatria, Volume 8, pp 20-29; https://doi.org/10.25118/2236-918x-8-1-3

Abstract:
Objetivo: Investigar a inclusão social das pessoas com transtornos mentais, com história de internação de longa permanência em um hospital psiquiátrico, transferidas para residências terapêuticas em uma vila de Porto Alegre (RS). Método: Esta foi uma pesquisa qualitativa descritiva associada às técnicas de observação participante e entrevistas em profundidade. Foram realizadas 25 entrevistas com os moradores locais. Resultados: A Vila Cachorro Sentado é uma área invadida, em meio a um bairro de classe média, dominada pelo tráfico de drogas e pelo comércio ilegal de produtos roubados. A vida social na vila é restrita ou inexistente; a discriminação e o estigma estão presentes, inclusive com atitudes hostis. O retraimento das pessoas com transtornos mentais desospitalizadas pode ser constatado. Conclusões: A criação das residências terapêuticas, em meio à realidade da vila, compromete o alcance dos objetivos de reinserção social, liberdade e retomada de autonomia das pessoas com transtornos mentais transferidas para esses serviços substitutivos.
, Rosália Nunes, Amaury Cantilino, UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
Debates em Psiquiatria, Volume 8, pp 42-50; https://doi.org/10.25118/2236-918x-8-1-5

Abstract:
Depressão e de síndrome de burnout em estudantes de medicina é globalmente alta. Essa problemática deve ser vista não apenas como uma questão educacional, mas também como uma preocupação de saúde pública, uma vez que influenciará a relação médico-paciente e a qualidade assistencial dos futuros médicos. Por isso, esforços para manejo de fatores estressantes durante a graduação médica têm sido empreendidos. No Brasil, o serviço coordenado pelo Prof. Galdino Loreto na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) foi um dos primeiros serviços dessa natureza em território brasileiro. Seis décadas após o início do trabalho pioneiro do Prof. Galdino Loreto, observou-se um aumento de cinco vezes do número de alunos de medicina que procuraram ajuda e de três vezes daqueles que receberam auxílio na mesma universidade pública. Embora seja difícil elencar todos os fatores implicados nesse aumento, é importante refletir sobre ele no sentido de promover iniciativas efetivas de auxílio aos futuros médicos. Neste artigo, depois de considerações acerca da saúde mental de estudantes de medicina e de um resgate histórico das iniciativas de atendimento psiquiátrico e psicológico para essa população, discorreu-se sobre o trabalho pioneiro do Prof. Galdino Loreto e apresentou-se a iniciativa atual de extensão do Programa Galdino Loreto, ambos na UFPE. Foi possível tecer comparações acerca do número de atendimentos aos alunos de medicina realizados nos referidos momentos históricos. É importante que a psiquiatria participe ativamente desse processo.
Alexandre Balan Balestieri, UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA, Raphaela Santos Pellizzaro, Gabriela Danielski Niehues, Gabriela Danielski, Paulo Roberto Antunes Da Silva, Ana Paula Costa, Marcelo Liborio, , Universidade do Sul de Santa Catarina, et al.
Debates em Psiquiatria, Volume 8, pp 6-13; https://doi.org/10.25118/2236-918x-8-1-1

Abstract:
Objetivo: Estudos têm demonstrado mudanças nos padrões de prescrição de antipsicóticos nas últimas duas décadas, com destaque para o aumento na utilização de antipsicóticos atípicos em relação aos típicos. O objetivo deste estudo foi avaliar longitudinalmente a tendência de prescrição de antipsicóticos típicos e atípicos (exceto clozapina) e sua associação com o tempo médio de internação em um hospital psiquiátrico. Métodos: Este foi um estudo ecológico. Dados sobre a prescrição de antipsicóticos e tempo médio de internação hospitalar de janeiro de 2007 a dezembro de 2014 foram fornecidos pela farmácia e pelo Serviço de Arquivo Médico e Estatística do Instituto de Psiquiatria de Santa Catarina, respectivamente. Utilizaram-se análises de regressão linear simples para avaliar a associação entre as variáveis independentes e o desfecho. Resultados: Durante os 8 anos de observação do estudo, houve um aumento da prescrição de antipsicóticos atípicos [coeficiente B = 0,0037; intervalo de confiança de 95% (IC95%) 0,0033 a 0,0041; p < 0,001] e redução da prescrição de antipsicóticos típicos (coeficiente B = -0,009; IC95% -0,01 a -0,008; p < 0,001) medidos em dose diária definida. Não houve associação entre prescrição de antipsicóticos, típicos ou atípicos, e tempo médio mensal de internação hospitalar. Foi observado um aumento na taxa de ocupação hospitalar no período, com frequente sobrelotação. Conclusão: O padrão mundialmente observado de aumento na prescrição de antipsicóticos atípicos também foi constatado neste estudo. Não houve associação entre esse aumento e o tempo médio de internação hospitalar. Apesar de não ser objetivo desse estudo, a sobrelotação observada merece atenção dos gestores públicos.
Antônio Geraldo Da Silva, Revista Debates Em Psiquiatria, João Romildo Bueno
Debates em Psiquiatria, Volume 8, pp 3-5; https://doi.org/10.25118/2236-918x-8-1-a

, , Lucas Briand, Johannes Pantel
Debates em Psiquiatria, pp 26-36; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-6-3

Abstract:
O transtorno afetivo bipolar (TAB) é uma condição potencialmente grave, caracterizada por mudanças de humor e disfunção cognitiva e funcional. O presente artigo revisa as evidências atualizadas das intervenções farmacológicas e não medicamentosas direcionadas ao TAB em idosos. Diretrizes baseadas em evidências, embora sejam úteis na promoção de uma terapia racional e eficaz, ainda são relativamente reduzidas no TAB em idosos. As recomendações atuais para mania aguda incluem o uso de antipsicóticos atípicos (por exemplo, risperidona, quetiapina, olanzapina), lítio (de maneira criteriosa) e a eleição de valproato como terapia padrão ouro. Na depressão aguda do TAB, os agentes de primeira linha em monoterapia podem incluir lítio, lamotrigina, quetiapina e quetiapina de liberação prolongada. No que se refere à escolha do estabilizador de humor ideal, o maior potencial de efeitos colaterais relacionados ao lítio vem desestimulando sua prescrição em indivíduos idosos. A eletroconvulsoterapia, embora limitada pela evidência, pode ser uma opção para casos graves/refratários.
Mauricio Andreozzi Felix, Camila Fernandes Bonifácio Jubara, Milena Sabino Fonseca, Sonia Maria Motta Palma
Debates em Psiquiatria, pp 42-45; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-6-5

Abstract:
Folie à deux é uma síndrome rara definida como o compartilhamento de sintomas psicóticos entre dois ou mais indivíduos. Este relato descreve o caso de um paciente do sexo masculino, com 15 anos de idade, diagnosticado com transtorno delirante induzido (folie à deux, subtipo folie imposée). Além do relato de caso, o artigo descreve e classifica a folie à deux segundo critérios clínicos e diretrizes diagnósticas atuais (DSM-5 e CID-10), informando os profissionais de saúde sobre a importância diagnóstica e seguimento terapêutico dessa síndrome.
Leiliane Aparecida Diniz Tamashiro, Bianca Cristina Tunes Nakad, Joel Rennó, Antonio Geraldo Da Silva, Renan Rocha, Amaury Cantilino, Gislene Valadares, Hewdy Lobo Ribeiro
Debates em Psiquiatria, pp 15-23; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-6-2

Abstract:
Objetivo: Elucidar as principais hipóteses atuais sobre o transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM), a síndrome pré-menstrual (SPM) e a terapia cognitiva comportamental (TCC) como tratamento. Método: Foi realizada uma pesquisa nos bancos de dados PubMed, Cochrane e BIREME (LILACS/BVS), nos idiomas português, espanhol e inglês, no período de 2000 a 2017, utilizando os seguintes descritores: transtorno disfórico pré-menstrual, síndrome prémenstrual e terapia cognitiva comportamental. Resultados: Um total de 107 estudos enquadrou-se nos critérios de inclusão – artigos de revisão da literatura, estudos do tipo corte transversal, estudos do tipo coorte prospectivo e estudo do tipo coorte retrospectivo. Cento e cinco estudos identificaram fatores fundamentais para o desenvolvimento da TDPM – as hipóteses da função ovariana, função hormonal, neurotransmissores, genética e fatores ambientais e vulnerabilidade. Desde 2009, temos estudos sobre a TCC como tratamento de primeira linha. Conclusão: Os fundamentos do TDPM podem ser vistos como uma complexa multiplicidade de fatores. Ainda não há nada conclusivo; futuras pesquisas são necessárias para definir os processos etiopatogênicos do TDPM. A TCC demonstrou sua eficácia como tratamento de primeira linha para SPM e TDPM.
Isabella De Oliveira Bilitardo, Vanessa Fernanda De Brito Orrutia, Gustavo Monteiro De Jesus, Felipe Crespi Sanchez, Bruno Bertolucci Ortiz
Debates em Psiquiatria, pp 6-13; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-6-1

Abstract:
Introdução: Há um uso indiscriminado de metilfenidato por vestibulandos e universitários de medicina com a finalidade de melhorar o desempenho acadêmico. Objetivo: Avaliar prevalência de estudantes que utilizam a medicação e efeitos colaterais do uso irregular em indivíduos não acometidos de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Métodos: Este foi um estudo transversal com aplicação de questionários no curso pré-vestibular Intertexto Poliedro e nos três primeiros anos do curso de medicina da Universidade de Mogi das Cruzes. Resultados: Foram avaliados 48 vestibulandos e 154 universitários, sendo 25 do primeiro ano, 59 do segundo ano, 51 do terceiro ano e 19 que não especificaram. A média de idade geral foi de 20,7 anos, e a prevalência do uso do medicamento na amostra foi de 13,3%, porém houve relato de uso de outros estimulantes, como cafeína, sibutramina e ecstasy. A maioria dos estudantes que já utilizaram metilfenidato não possuíam TDAH (63%), mas o utilizaram para melhorar o desempenho acadêmico. Foram relatados também efeitos colaterais e aumento de dose com uso contínuo. Conclusão: Foi observado um consumo de metilfenidato sem prescrição médica expressivo entre os vestibulandos e universitários avaliados, resultado que se assemelha à literatura.
Manuela Teixeira Schorr, Renata Ramos Reichelt, Allan Maia Andrade De Souza, Bruno José De Menezes Aragão, Andrei Garziera Valerio, Lisieux Elaine De Borba Telles
Debates em Psiquiatria, pp 38-41; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-6-4

Abstract:
O voyeurismo é definido como excitação sexual recorrente e intensa ao observar uma pessoa que ignora estar sendo observada e que está nua, despindo-se ou em meio a atividade sexual. Sabe-se que é um transtorno mais comum em homens jovens de baixa condição socioeconômica e que o interesse voyeur costuma surgir ainda na adolescência. Ainda que sua prevalência estimada seja de 4 a 12% da população geral, até hoje persiste como um fenômeno pouco estudado. A fim de ilustrar e compreender esse desvio do comportamento sexual, relatamos o caso de um paciente com transtorno voyeurista submetido a avaliação pericial de imputabilidade penal.
Antonio Geraldo Da Silva, Joao Romildo Bueno
Anderson Sousa Martins Da Silva, Isabela Caldas Mosconi, Michelle Álefe Alves Cury, Sonia Maria Motta Palma
Debates em Psiquiatria, pp 14-20; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-5-2

Abstract:
Trata-se de uma revisão sistemática da literatura na base de dados MEDLINE para avaliar os efeitos e o perfil de segurança do uso de lisdexanfetamina (LDX) em pacientes com transtorno depressivo (TD) e transtorno afetivo bipolar (TAB), utilizando apenas medical subject headings (MeSH). Foram utilizados os seguintes termos para a busca: “depressive disorder” [MeSH] OR “bipolar disorder” [MeSH] AND “lisdexamfetamine dimesylate” [MeSH]. Somente artigos em português e inglês foram selecionados, sem limitação de período. Como critério de inclusão para o nosso estudo, utilizamos apenas artigos que observaram perfil dos efeitos do uso de LDX em pacientes que apresentavam transtornos do humor, podendo apresentar transtorno de déficit de atenção e hiperatividade comórbido ou não. Foram selecionados oito artigos, mas apenas cinco foram incluídos na síntese narrativa. Encontramos poucos dados sobre o uso de LDX em transtornos do humor, mas os resultados demonstram um uso possível para potencializar o tratamento e reduzir prejuízos cognitivos em pacientes com TD e na melhora dos parâmetros da síndrome metabólica em pacientes com TAB.
Antonio Geraldo Da Silva, Joao Romildo Bueno
, Joel Rennó Jr, Hewdy Lobo Ribeiro, Juliana Pires Calvasan, Jerônimo De A. Mendes Ribeiro, Gislene Valadares, Renan Rocha, Antonio Geraldo Da Silva
Debates em Psiquiatria, pp 30-36; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-5-4

Abstract:
No início dos anos 2010, pesquisadores levantaram a suspeita de que a exposição pré-natal a antidepressivos poderia contribuir para o aumento do risco de transtornos do espectro autista (TEA). Estudos de caso-controle reafirmaram esta ideia, enquanto que os estudos de coorte mostraram resultados inconsistentes. Os pesquisadores que utilizaram técnicas para controle de variáveis confundidoras, como idade materna, gravidade da depressão, tabagismo, consumo de álcool, obesidade, entre outras, não encontraram associação significativa entre antidepressivos na gravidez e TEA. O grupo de mulheres que tomam medicação é diferente do grupo daquelas deprimidas que não tomam, e talvez estes fatores expliquem as diferenças nas taxas de autismo encontradas na prole. Além disso, alguns estudos em famílias mostram taxas aumentadas de transtorno do humor nos pais de crianças com autismo, sendo também possível que haja uma sobreposição de fatores genéticos entre transtornos de humor e TEA, o que leva a um outro viés nas pesquisas sobre este assunto.
Ana Sofia Pontes Trillo, Mariana Gianola Arruda, Camila Fernandes Bonifácio Jubara, Isabela Mosconi Caldas, Sonia Maria Motta Palma
Debates em Psiquiatria, pp 38-41; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-5-5

Abstract:
O presente relato descreve o caso de um paciente com transtorno do espectro autista (TEA) associado ao mosaicismo genético 46XY, uma condição rara e pouco relatada. Os autores descrevem a evolução do paciente e discutem a literatura sobre anomalias cromossônicas associadas ao TEA. Conclui-se enfatizando que a avaliação clínica de cada caso de TEA deveria contemplar sempre aspectos neurológicos, psiquiátricos e genéticos.
Heydrich Lopes Virgulino De Medeiros, Diana Martins Rocha, Rieg Michel Erich Wasa Roudig, Antônio Medeiros Peregrino Da Silva
Debates em Psiquiatria, pp 22-28; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-5-3

Abstract:
A esquizofrenia é um transtorno mental grave e caracterizado pela heterogeneidade em seu quadro clínico. O objetivo deste artigo foi realizar uma revisão sistemática sobre as escalas de avaliação de sintomas utilizadas na esquizofrenia e validadas para uso no Brasil. Foi realizada uma busca em cinco diferentes bancos de dados eletrônicos. Dos 331 resumos acessados, nove artigos foram lidos na íntegra, sendo cinco deles incluídos na análise. As principais escalas identificadas são destinadas a avaliar várias dimensões clínicas. A escala mais amplamente estudada na literatura foi a Escala das Síndromes Positiva e Negativa [Positive and Negative Syndrome Scale (PANSS)]. Conclui-se que importantes escalas de avaliação clínica na esquizofrenia já foram validadas para uso no Brasil, havendo ausência ainda de validações destinadas a avaliar isoladamente a dimensão negativa.
Maria Cassia Mazzi Freire, Maria José Sanches Marin, Carlos Alberto Lazarini
Debates em Psiquiatria, pp 6-13; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-5-1

Abstract:
Objetivos: Analisar fatores associados à autoavaliação de saúde em idosos com transtornos mentais. Métodos: Estudo quantitativo, analítico transversal, realizado com 138 idosos portadores de transtornos mentais em um ambulatório de saúde mental. A variável de desfecho foi a autoavaliação de saúde. As variáveis de exposição foram demográficas (sexo, idade, escolaridade e estado conjugal), atividades básicas de vida diária (ABVD), atividades instrumentais de vida diária (AIVD) e características dos transtornos mentais (idade do primeiro diagnóstico, quantidade e categorias dos diagnósticos). Para a análise, foi utilizado o teste qui-quadrado. Resultados: Ser analfabeto, ter ensino fundamental incompleto e dependência severa ou total no teste de ABVD tiveram associação com autoavaliação negativa de saúde. A análise estatística mostra significância entre características dos transtornos mentais e autoavaliação de saúde. Idosos que tem apenas um diagnóstico avaliaram sua saúde como positiva. Os diagnósticos de transtornos mentais e comportamentais do grupo F20-F29 segundo a 10ª edição da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) apresentaram associação com autoavaliação positiva de saúde. Já os do grupo F30-F39 tiveram uma autoavaliação negativa de saúde. Conclusões: Há associação de fatores demográficos, do grau de dependência para ABVD e das características dos transtornos mentais com a autoavaliação de saúde dessa população. Esses dados mostram a necessidade de maior conhecimento das condições de saúde dos idosos com transtornos mentais, no sentido de implementar medidas que visam minimizar o impacto da doença mental no processo de envelhecimento.
, Tatiana Leal Dutra, Maurício Viotti Daker
Debates em Psiquiatria, pp 28-41; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-4-4

Abstract:
No passado, a síndrome das pernas inquietas (SPI) foi conceitualizada como uma neurose de sensibilidade e uma ansiedade na tíbia. O objetivo do presente trabalho é demonstrar para os médicos, particularmente para os psiquiatras, que a SPI, hoje, é uma doença neuropsiquiátrica complexa e crônica, comum e tratável, com acometimento sensório-motor, alterações do sistema dopaminérgico e distúrbios da homeostasia do ferro cerebral. A sintomatologia é exclusivamente subjetiva e pode ser crônico-persistente ou intermitente. Há uma urgência para mover as pernas, acompanhada de disestesia nas mesmas, que piora com repouso ou inatividade, sendo aliviada pelo movimento. O diagnóstico é exclusivamente clínico. Algumas medicações precisam ser reduzidas ou descontinuadas porque podem piorar a SPI: alguns antidepressivos (particularmente inibidores seletivos da recaptação da serotonina, inibidores da recaptação da serotonina e noradrenalina e mirtazapina), neurolépticos, antieméticos, anti-histamínicos e outros. É relevante observar que não há piora com o antidepressivo bupropiona. O tratamento não farmacológico inclui higiene do sono e atividades físicas. As drogas utilizadas no tratamento pertencem a quatro grupos: dopaminérgicos (agonistas diretos e precursores de dopamina); α2δ-ligantes; benzodiazepínicos; e opioides. A aumentação é a principal complicação no tratamento de longo prazo: início mais cedo dos sintomas ao longo do dia; início mais rápido com o repouso; expansão dos sintomas para os membros superiores e o tronco; e encurtamento do efeito dos tratamentos. Supõe-se que a superestimulação dopaminérgica seja a causa da aumentação.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Hewdy Lobo Ribeiro, Joel Renno Jr, Renata Demarque, Juliana Pires Cavalsan, Renan Rocha, , Jerônimo De Almeida Mendes Ribeiro, Gislene Valadares, Antônio Geraldo Da Silva
Debates em Psiquiatria, pp 14-19; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-4-2

Abstract:
Sabe-se que o consumo de substâncias psicoativas entre as mulheres apresenta fatores predisponentes, mantenedores e consequências diferentes do que entre os homens. A violência doméstica entre parceiros íntimos, além de ser um problema grave e com alta incidência entre a população feminina, representa um dos principais fatores associados à dependência química na mulher. A partir de revisão de literatura, foi verificado o cenário nacional e internacional atual dos impactos da violência doméstica entre mulheres usuárias de drogas. Verificou-se a urgência de programas de prevenção à violência doméstica e de atenção psicossocial e especializada às crianças e mulheres que sofreram esse tipo de violência, tendo em vista prevenir o uso abusivo de substâncias como forma desadaptativa de manejar o sofrimento decorrente da violência. Assim, concluiu-se que o histórico de violência doméstica deve ser investigado em toda avaliação e tratamento de mulheres dependentes de substâncias, e a interrupção da violência e a proteção da mulher devem ser prioridades no projeto terapêutico.
André Luis Granjeiro, Patrícia Afonso De Almeida
Debates em Psiquiatria, pp 21-25; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-4-3

Abstract:
Objetivo: Analisar o impacto da espiritualidade e/ ou religiosidade no uso de substâncias psicoativas na população adolescente, tanto na proteção primária quanto na secundária. O uso, abuso ou dependência de substâncias abrange intervenções em diversas áreas: biológica, psíquica, social e espiritual. Método: Foi realizada busca de artigos publicados em bases de dados científicas entre 2000 e 2015, com as seguintes palavras-chave: adolescente, droga, abuso de substância, espiritualidade, proteção, religioso, religiosidade. Foram encontrados, no total, 115 artigos nas três bases de dados (PubMed, BIREME, SciELO), e levando-se em consideração os critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados oito artigos. Resultados: Os estudos apontam na mesma direção, de que tanto espiritualidade quanto religiosidade são de grande importância para os adolescentes em relação ao uso, ao abuso e à dependência de substâncias psicoativas. Além desses fatores de proteção citados, também foram observados outros: família, amigos, grupo social, ambiente, resiliência, informação e perspectiva de futuro. Conclusão: A espiritualidade sinaliza uma ampla ligação do indivíduo com o seu meio, objetivando o bem-estar e o crescimento pessoal de si e de seus pares. O controle da religião e/ou a vivência da espiritualidade atuam diretamente para proteger o jovem contra o envolvimento com o uso de substâncias, na medida em que estão relacionados com autorregulação, fatores psicológicos e sociais, disponibilidade de informações acerca da dependência e suas consequências, estabelecimento de perspectivas de futuro e boa estrutura familiar. Assim, destaca-se a necessidade da elaboração de políticas públicas com esse enfoque.
Ana Beatriz De Oliveira Assis, Jayse Gimenez Pereira Brandão, Pedro Otávio Piva Espósito, Osmar Tessari Junior, Bruno Berlucci Ortiz
Debates em Psiquiatria, pp 8-12; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-4-1

Abstract:
Objetivo: Ainda não está claro quais são os fatores de risco para a esquizofrenia resistente ao tratamento (ERT) em primeiro episódio psicótico (PEP). O objetivo deste trabalho é investigar indicadores de risco para ERT em PEP. Métodos: Foram selecionados 53 pacientes em primeiro episódio psicótico, com diagnóstico de esquizofrenia, que deram entrada à enfermaria de psiquiatria do Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo entre 2011 e 2015. Ao ser admitido na enfermaria, o paciente era avaliado com a Escala de Sintomas para as Síndromes Positiva e Negativa (Positive and Negative Syndrome Scale – PANSS) e recebia tratamento inicial por 4 semanas. Caso sua resposta fosse inferior a 40% de redução na PANSS, o antipsicótico era trocado, e as escalas eram aplicadas novamente após mais 4 semanas. Após a falha com dois antipsicóticos, em doses plenas, por 4 semanas cada, a clozapina era introduzida, e o paciente era considerado ERT. Uma regressão logística foi aplicada onde sexo, idade de início, tempo de doença não tratada, uso de substâncias, avaliação global do funcionamento inicial e PANSS inicial total foram inseridos como variáveis independentes, e ERT foi inserida como variável dependente. Resultados: Tempo de doença não tratada apresentou significância de p = 0,038 e Exp (B) = 4,29, enquanto que PANSS total apresentou p = 0,012 e Exp (B) = 1,06. Conclusão: Identificar os fatores associados à resistência precoce ao tratamento poderia permitir aos clínicos evitar o atraso na introdução da clozapina e prevenir um pior prognóstico para esses pacientes.
Osvaldo Luiz Saide, Elizabete Coelho De Albuquerque, Teresa C. A. Dos Santos Ferreira Vianna
Debates em Psiquiatria, pp 44-49; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-4-5

Abstract:
O presente artigo apresenta, através de uma pesquisa bibliográfica, a meditação como técnica complementar no tratamento dos transtornos de ansiedade. Para tanto, discorre sobre a ansiedade e a utilização da meditação em contexto de saúde mental. As conclusões do estudo são discutidas à luz das pesquisas disponíveis, e os resultados obtidos nos diversos trabalhos apresentados sugerem que a meditação traz benefícios terapêuticos no tratamento dos transtornos de ansiedade.
Márcia Cristina Maciel De Aguiar, Milena Pereira Pondé
Debates em Psiquiatria, pp 6-11; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-3-2

Abstract:
Introdução: O transtorno do espectro autista (TEA) é classificado na 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais como um transtorno do neurodesenvolvimento. A definição biomédica do transtorno, contudo, não abarca o sentido sociocultural dessa condição. Objetivo: Este estudo analisa como se processa a inclusão escolar de crianças com diagnóstico de TEA a partir da perspectiva dos pais. Método: Estudo qualitativo de narrativa de histórias orais, eliciadas a partir de entrevistas semiestruturadas. Foram feitas 30 entrevistas com mães e pais de pessoas com diagnóstico prévio de TEA. As entrevistas foram gravadas, transcritas e categorizadas após análise de conteúdo. Resultados: A análise indica que a inclusão escolar de pessoas com TEA é permeada pelo sofrimento da criança, dos pais e dos profissionais da educação; além disso, a maioria dos pais entrevistados considerou que os profissionais da escola excluem os seus filhos. Conclusão: A inclusão de crianças com TEA em escolas regulares pode vir a ser mais um instrumento de exclusão e sofrimento para os envolvidos. O processo de inclusão escolar não pode se resumir a um procedimento normativo; deve envolver a forma como essas crianças são recebidas e tratadas na escola, assim como o preparo dos técnicos de educação para o processo de inclusão.
Simão Kagan, Bruno Bertolucci Ortiz, André Malbergier, André Gustavo Feitosa Furtado, Bernardo Banducci Rahe
Debates em Psiquiatria, pp 13-19; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-3-3

Abstract:
Antipsicóticos são utilizados em diversos transtornos mentais, o que torna imperativo o estudo de seus efeitos adversos, de maneira a amenizá-los e permitir melhor adesão ao tratamento. Distúrbios do movimento são adversidades comuns, e sua abordagem, em geral, se baseia na redução da dose, troca do antipsicótico e/ou introdução de uma medicação anticolinérgica. O objetivo deste estudo é realizar uma revisão sistemática sobre o uso de medicações anticolinérgicas na abordagem de sintomas extrapiramidais causados por antipsicóticos. Através desta revisão, será realizada uma análise crítica sobre esse uso. A busca bibliográfica foi realizada através das bases de pesquisa PubMed e SciELO. Foram incluídos 24 dos 318 artigos encontrados. Os artigos foram organizados nos seguintes temas: efeitos anticolinérgicos de antipsicóticos; distúrbios do movimento; antipsicóticos típicos e atípicos; polifarmácia de antipsicóticos; uso crônico e descontinuação de anticolinérgicos. O antipsicótico em uso e a associação desses fármacos podem influenciar na prescrição de medicações anticolinérgicas e no aparecimento de sintomas extrapiramidais. Antes de iniciar o uso de uma medicação anticolinérgica, é importante que o clínico considere trocar o antipsicótico em uso ou reduzir sua dose. A necessidade de uso de medicações anticolinérgicas deve ser revisada periodicamente e, quando possível, sua retirada deve ser realizada de forma gradual. O uso profilático desses fármacos é contraindicado, e o uso terapêutico deve ser evitado em idosos e em pacientes com discinesia tardia.
Almir Ribeiro Tavares Júnior, Renata Maria De Carvalho Cremaschi, Fernando Morgadinho Santos Coelho
Debates em Psiquiatria, pp 21-32; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-3-4

Abstract:
A narcolepsia é uma doença subestimada, e o tempo para o seu diagnóstico é de cerca de 10 anos. O objetivo do presente trabalho é trazer, para os médicos – particularmente os psiquiatras – e para todos os profissionais da área da saúde, a necessária conscientização acerca da importância de se levar em conta a narcolepsia em seus pacientes na prática clínica diária. O impacto negativo da narcolepsia na qualidade de vida é significativo e comparável àquele da epilepsia ou da esquizofrenia. O diagnóstico se caracteriza pela presença de cinco sintomas cardiais: sonolência excessiva diurna; cataplexia; paralisia do sono; alucinações; e fragmentação do sono noturno. O teste de latências múltiplas do sono, após uma polissonografia basal, se presta para confirmar o diagnóstico. A associação com transtornos depressivos, bipolares e ansiosos é muito prevalente em pacientes com narcolepsia. O tratamento desses pacientes se dá com estimulantes e doses baixas de antidepressivos. Interessantemente, a retirada abrupta de antidepressivos pode gerar uma síndrome transitória assemelhada à cataplexia. Outro achado comum em pacientes com narcolepsia é o transtorno comportamental do sono REM após o uso de antidepressivos. O emprego de psicoestimulantes, usados na narcolepsia para controle da sonolência excessiva diurna, pode acompanhar-se de uma psicose paranoide, assemelhada à esquizofrenia. O diagnóstico, o tratamento e o manejo da narcolepsia associada com comorbidades representam um desafio a ser valorizado.
Jerônimo De A. Mendes Ribeiro, Joel Rennó Jr., Hewdy Lobo Ribeiro, Juliana Pires Calvasan, , Gislene Valadares, Renan Rocha, Antônio Geraldo Da Silva
Debates em Psiquiatria, pp 34-37; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-3-5

Abstract:
Disfunções na resposta ao estresse podem exercer um importante papel em alguns transtornos mentais. Uma gama cada vez maior de estudos demonstra que existem diferenças entre os sexos na prevalência de transtornos relacionados ao estresse e que mulheres com transtornos por uso de álcool têm diferentes desfechos negativos no funcionamento cerebral e em mecanismos de neuroadaptação quando comparadas aos homens. O consumo de álcool tem sido associado a alterações sutis e em longo prazo no eixo hipotálamohipófise- adrenal, que afetam a resposta adaptativa nos circuitos de neurorregulação do estresse. Pesquisas futuras nesse campo podem impactar positivamente o desenvolvimento de estratégias terapêuticas que levem em consideração abordagens gênero-específicas.
Mariana Gianola Arruda, Ana Sofia Trillo, Vivian Paulin Correia, Aline Romão Da Silva, Sonia Maria Motta Palma
Debates em Psiquiatria, pp 39-42; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-3-6

Abstract:
O transtorno de personalidade histriônica é caracterizado por autodramatização, teatralidade e expressão exagerada de emoções, labilidade emocional, comportamentos inadequados, sexualmente provocadores ou sedutores. Já os transtornos dissociativos/conversivos caracterizam-se pela perda parcial ou completa da integração normal entre as memórias do passado, a consciência de identidade, as sensações imediatas e o controle dos movimentos corporais. Este estudo relata o caso de uma adolescente de 14 anos de idade, do sexo feminino, diagnosticada com quadro de transtorno dissociativo. Os autores descrevem o manejo do caso e discutem aspectos relevantes.
, Camila Twany Nunes De Souza, Amaury Cantilino
Debates em Psiquiatria, pp 16-25; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-2-3

Abstract:
A psiquiatria é o ramo da medicina que se dedica ao estudo dos transtornos mentais, com o objetivo de diagnosticar, classificar, tratar e prevenir. Entretanto, diferentemente das outras áreas médicas, pensar em uma abordagem preventiva na psiquiatria é algo relativamente novo. Somente na década de 1970 é que começaram a ser implementadas as primeiras iniciativas de prevenção em saúde mental. Os primeiros esforços tiveram como foco indivíduos em risco para psicose. Nas últimas décadas, os principais avanços no campo preventivo dentro da psiquiatria se deram nas prevenções secundária e terciária. Entretanto, seria possível fazer prevenção primária em psiquiatria? As publicações parecem dizer que sim. Cerca de 1.000 estudos controlados já foram publicados sobre prevenção primária em psiquiatria, sendo a maior parte em crianças e adolescentes. Em geral, esses estudos mostraram a capacidade da prevenção de reduzir fatores de riscos para adoecimento psíquico, de fortalecer fatores protetores e de gerar um impacto econômico positivo. Além disso, embora em um número muito menor, esses trabalhos conseguiram demonstrar que estratégias preventivas também são capazes de diminuir a incidência de transtornos mentais comuns, como depressão e transtornos de ansiedade.
Rayssa Gabriele Vieira, Cristiane Ferreira Rallo De Almeida, Gabriela Rodrigues, Samara Dos Santos Gonçalves, Adrieli Dos Santos França, Matheus Berthoud Oliveira
Debates em Psiquiatria, pp 10-14; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-2-2

Abstract:
O suicídio é um problema de saúde pública que gera impactos econômicos, financeiros e sociais. É a causa de morte de aproximadamente 1 milhão de pessoas por ano no mundo. Os objetivos deste trabalho são analisar e comparar o perfil epidemiológico dos casos de suicídio no Brasil com a cidade de Barra do Garças (MT) e propor a realização de um estudo epidemiológico mais abrangente sobre o seu risco no estado de Mato Grosso, centro-oeste do Brasil. A metodologia utilizada foi a revisão da literatura, com base nos dados da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Os trabalhos selecionados da BVS foram artigos originais e de revisão. O suicídio, atualmente, é a terceira maior causa de morte no país. Houve um aumento no número de eventos entre 2000 e 2012 em todas as faixas etárias. A maior incidência ocorre na Região Sul do Brasil. Em relação ao gênero, o sexo masculino tem maior prevalência. A desigualdade social é associada positivamente com o suicídio. A análise dos dados da cidade Barra do Garças foi condizente com o perfil nacional, ao indicar maior número de suicídios em pessoas com menor tempo de estudo e com doenças psiquiátricas e, na população feminina, preferência pelo uso de medicamentos.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Ana Lea Santos Da Silva, Carla Feijó, Inaiara Kersting, Paulo Antônio Barros Oliveira
Debates em Psiquiatria, pp 34-41; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-2-5

Abstract:
Situações envolvendo assédio moral nas empresas podem ser um dos causadores de sofrimento psíquico e, por vezes, ocasionam transtornos mentais que podem repercutir no afastamento do trabalho. De acordo com a Previdência Social, a concessão de auxílios-doença por desequilíbrio mental vem crescendo e poderá ser, em breve, a principal causa de afastamento dos trabalhadores. Este estudo tem por base, principalmente, a teoria de Christophe Dejours, que diz que o trabalho pode causar sofrimento e adoecimento aos trabalhadores. O objetivo deste artigo é apresentar um breve resumo da temática do assédio moral aplicado ao contexto do trabalho, do sofrimento psíquico decorrente deste, além de mostrar o processo de adoecimento e as consequências do assédio moral. Com abordagem qualitativa, a metodologia utilizada foi o estudo de caso, através da análise de conteúdo dos relatos de uma trabalhadora vítima de assédio moral no trabalho, onde foram incluídos os pormenores da relação de trabalho e o diagnóstico dos médicos.
Juliana Pires Cavalsan, Joel Rennó Jr., Renan Rocha, , Jerônimo De Almeida Mendes Ribeiro, Gislene Valadares, Antônio Geraldo Da Silva
Debates em Psiquiatria, pp 27-32; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-2-4

Abstract:
Os dados da literatura são unânimes em confirmar os malefícios do fumo na população geral e, sobretudo, em gestantes. Fumo na gestação é preditor para resultados adversos no nascimento, como nascimento prematuro e baixo peso ao nascer, bem como para maior mortalidade fetal e infantil. A abstinência do cigarro sempre deve ser estimulada em gestantes. Para maior sucesso do tratamento, devem-se considerar as vulnerabilidades sociais, as doenças associadas (principalmente depressão e ansiedade), o nível de maturidade emocional, o desejo pela gestação e as incertezas sobre o futuro. O objetivo deste artigo é identificar as gestantes que estão mais propensas a permanecer fumando durante a gestação, orientar sobre a abordagem médica, avaliando se há tratamentos seguros durante a gravidez e qual a melhor modalidade terapêutica a ser oferecida. Atualmente, a terapia comportamental, em especial a terapia cognitiva comportamental, é o melhor tratamento para a abstinência do cigarro, para pacientes gestantes ou não. Em caso de dependência grave de nicotina, é necessária a introdução de medicações. A medicação mais usada é a bupropiona, apesar de os estudos ainda não garantirem a sua segurança em relação ao feto. Na prática, não se observam complicações nas gestantes e nos fetos.
Alessandra Diehl, Dalzira Da Silva, Aline Tagliatti Bosso
Debates em Psiquiatria, pp 34-42; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-1-4

Abstract:
O conceito de codependência, embora muito popular no meio clínico do campo das dependências químicas, segue sendo considerado um constructo muito criticado e controverso no meio científico. Nosso objetivo foi avaliar o estado da arte sobre o constructo de codependência de familiares de usuários de álcool e outras drogas quanto à etiologia e outros possíveis fatores relacionados. Tratase de uma revisão da literatura através da busca de artigos indexados em bases de dados, publicados nos idiomas inglês, português e espanhol, utilizando-se os descritores codependência, transtornos relacionados ao uso de substâncias e família. Foram incluídos 16 artigos nesta revisão, os quais retratam que o conceito de codependência segue teorizado e pouco explorado de forma empírica. Tentativas de escalas de rastreio foram realizadas sem replicações de estudos de campo. De uma forma geral, aqueles que se autoidentificam como pessoas codependentes, uma vez que recebem suporte, relatam alguns benefícios positivos. O termo, mais do que um conceito psicológico de fato validado, parece representar um movimento social que deu empoderamento aos membros das famílias de usuários de álcool e outras drogas. Mais estudos de campo sobre a validação conceitual da codependência e os fatores a ela relacionados devem ser conduzidos, a fim de corroborar sua real utilidade clínica e ampliação de evidência da existência desse fenômeno.
Gislene Cristina Valadares, Antônio Geraldo Da Silva, Renan Rocha, Joel Rennó Jr., Hewdy Lobo Ribeiro, Juliana Pires Cavalsan, Amaury Cantilino, Jerônimo De Almeida Mendes Ribeiro
Debates em Psiquiatria, pp 24-33; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-1-3

Abstract:
O cuidado às vítimas de violência sexual exige conhecimento das evidências e treinamento. Exame e acompanhamento psiquiátrico da interrupção legal da gestação e atendimento a grupos familiares incestuosos revelam janelas de vulnerabilidades e oportunidades na prevenção das graves consequências dessas ofensas. O objetivo deste estudo foi reunir conhecimento crítico sobre gravidez indesejada pós-estupro, suas repercussões e abordagens, contribuindo para o desenvolvimento de protocolos e boas práticas. Tratase de revisão integrativa, coleta de dados em fontes secundárias (MEDLINE, EMBASE, PsycINFO), com base na experiência vivenciada pela primeira autora. Os seguintes descritores nas línguas portuguesa e inglesa foram utilizados: transtorno mental, violência sexual, estupro, gravidez e aborto. A amostra foi de 32 artigos científicos e dois da mídia leiga. Com o adoecimento mental e físico das vítimas de violência sexual, a economia mundial perde mais de 8 trilhões de dólaresano (hospitalizações psiquiátricas, dependência de álcool e drogas, suicídio, obesidade, enxaqueca, doenças cardiovasculares, problemas obstétricos), havendo maior peso estatístico para portadoras de déficit intelectual e adolescentes. Existem 37 unidades de saúde no Brasil que atendem gravidez pós-estupro – três possuem assistência psiquiátrica. Milhares dessas gravidezes não são reveladas, geram conflitos, riscos e desafios relativos aos filhos gerados. O aborto legal envolve dificuldades institucionais e emocionais dos profissionais e pacientes frente a decisões complexas e dolorosas antes, durante e após o procedimento. A prontidão cognitivo-afetiva para receber cuidados, quando tardia, compromete a vida de vítimas e seus filhos. Conclui-se que combater e prevenir a transmissão transgeracional da violência de gênero e gravidez pós-estupro deve ser prioridade de saúde pública.
Luciana Valença Garcia, Antônio Peregrino, Milena França
Debates em Psiquiatria, pp 44-47; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-1-5

Abstract:
A clozapina é o antipsicótico de escolha para o tratamento da esquizofrenia refratária. A agranulocitose, porém, é um efeito colateral grave que pode limitar o seu uso. O caso relatado é de um paciente de 25 anos, internado, com diagnóstico de esquizofrenia refratária. Iniciada a clozapina, observou-se excelente resposta, porém houve o achado de neutropenia significativa na 11ª semana de uso do medicamento, quando, então, foi decidida sua suspensão. Face à gravidade do caso e boa resposta à clozapina, o carbonato de lítio foi usado como agente estimulador de granulopoiese e, após normalização e estabilização da contagem de neutrófilos, a clozapina foi reinserida ao esquema terapêutico. O paciente obteve boa melhora clínica, alta hospitalar e vem mantendo-se estável desde então. O caso sugere as possibilidades de usar novamente a clozapina em pacientes que tenham apresentado granulocitopenia, caso a associação com o lítio seja possível, e do uso prévio de lítio em pacientes com níveis baixos de leucócitos, mas que sejam candidatos a uso de clozapina.
Sandra Márcia Carvalho De Oliveira, André Lucas Lima Da Silveira, Sebastião Afonso Viana Macedo Neves
Debates em Psiquiatria, pp 6-14; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-1-1

Abstract:
Introdução: Nos séculos XVII e XVIII, pintores célebres de toda a Europa já retratavam em suas telas personagens fumando, atestando como o tabagismo rapidamente se difundiu, constituindo um dos maiores fenômenos de transculturação do mundo. Objetivo: Avaliar a prevalência do tabagismo entre os estudantes de Educação Física da Universidade Federal do Acre (UFAC). Método: Trata-se de estudo transversal e analítico, onde foram aplicados questionários com base no Global Health Professions Student Survey e no teste de Fagerström. Resultados e discussão: Verificou-se que, dos 226 alunos, 58% eram do sexo masculino, 73,5% solteiros, com idade média de 24,16 anos. Na amostra, 219 (96,9%) eram não fumantes, e apenas sete (3,1%) eram fumantes (5,06 cigarros/dia), sendo uma prevalência baixa. Conviver com amigos que fumam teve um efeito significativo como um fator que leva ao hábito de fumar (p < 0,005). Isso se deve ao uso social do tabaco e à identificação com o grupo. Além disso, 31,5% da amostra já havia experimentado outros produtos de tabaco fumado, sendo que a prevalência de uso atual foi de 6,2%, superior ao cigarro. Conclusões: O século XXI vem apresentando alta prevalência para outros produtos do tabaco fumado, especialmente narguilé. Isso ocorre, por um lado, devido à transculturação e, por outro, ao êxito das ações antitabágicas.
Michele Casser Csordas, Carolina Panceri
Debates em Psiquiatria, pp 16-22; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-1-2

Abstract:
Diversos estudos abordam a prática da atividade física supervisionada em tratamento de anorexia nervosa, porém divergem em relação aos possíveis benefícios/prejuízos. Nosso objetivo foi revisar sistematicamente os efeitos do exercício físico supervisionado sobre o índice de massa corporal (IMC) em adolescentes durante o tratamento para anorexia nervosa. Foram consultadas as bases de dados: PubMed, EMBASE, Cochrane e SCOPUS. Os termos de busca utilizados foram: exercise, anorexia e adolescente, sendo selecionados artigos baseados nos desfechos de interesse de IMC. Foi encontrado um total de 591 artigos. Destes, foram selecionados três, que analisaram os efeitos do exercício físico supervisionado sobre o IMC em adolescentes durante o tratamento para anorexia nervosa. Não houve prejuízos em relação ao peso das pacientes, porém os ganhos não foram tão evidentes por marcadores clínicos ou biológicos. Há uma carência de estudos que avaliem a validade de atividade física durante o tratamento de anorexia em adolescentes.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Camila Tanabe Matsuzaka, Fabio José Pereira Da Silva, Nadége Daderio Herdy, Yaskara Cristina Luersen, Antonio Carlos Seihiti Yamauti
Debates em Psiquiatria, pp 48-50; https://doi.org/10.25118/2236-918x-7-1-6

Debates em Psiquiatria, pp 28-33; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-6-7

Abstract:
Recentes avanços científicos em psiquiatria têm gerado uma melhora nos parâmetros de saúde pública nos transtornos mentais. Abordagens translacionais da bancada para a beira do leito têm obtido novos conhecimentos sobre os biomarcadores e facilitado a identificação de novos e melhores tratamentos para as doenças mentais. Inúmeras técnicas, como a genômica e toda a nova geração “ômica”, têm auxiliado na compreensão das bases neurobiológicas dos transtornos mentais. A incorporação de variáveis dimensionais e biológicas ao diagnóstico, com o advento da 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais e do Research Domain Criteria, pode auxiliar na identificação de tratamentos personalizados, associados a melhor evolução e prognóstico.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Itiro Shirakawa, João Romildo Bueno
Debates em Psiquiatria, pp 16-17; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-6-3

Helena M. Calil
Debates em Psiquiatria, pp 18-22; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-6-4

Abstract:
A Revista Brasileira de Psiquiatria (RBP) foi criada no mesmo ano que a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), há 50 anos. Entretanto, a revista sofreu solução de continuidade, provocando mudança de seu nome para Revista da ABP e, posteriormente, para Revista ABP-APAL, assim persistindo durante 20 anos, mas sempre sendo órgão oficial da ABP. Como a história da revista se confunde com a da ABP, vários presidentes da associação, responsáveis por alterações substanciais na revista, são mencionados, assim como os vários editores que contribuíram com seus trabalhos na consolidação da RBP, hoje com expressivo reconhecimento nacional e internacional.
Flavio Kapczinski, Antonio E. Nardi
Debates em Psiquiatria, pp 23-25; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-6-5

Abstract:
Revista Brasileira de Psiquiatria (RBP) is currently one of the most important scientific journals in Brazil, and it now holds the highest impact factor among all Brazilian scientific journals. Over the past few years, RBP has consolidated its position in the international scenario of psychiatric publications, attracting a growing number of submissions from different countries. In this article, we review the recent history of RBP, highlighting its most significant actions, contributions, and achievements.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Vinicius R. De Oliveira, ,
Debates em Psiquiatria, pp 44-54; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-5-6

Abstract:
Indivíduos com transtorno bipolar apresentam risco significativo para altas taxas de comorbidade médica com fatores de risco cardiovascular. Doenças cardiovasculares têm sido reconhecidas como a principal causa de morte nessa população. Este artigo sumariza as evidências de associação entre mortalidade cardiovascular e transtorno bipolar, assim como as recomendações para a prevenção e o manejo de hipertensão, dislipidemia, diabetes, obesidade, síndrome metabólica e tabagismo em vigência do tratamento do transtorno bipolar.
Andrea Feijó Mello, Euthymia B. Almeida Prado
Debates em Psiquiatria, pp 38-42; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-5-5

Abstract:
O presente artigo discorre sobre a comorbidade entre transtorno bipolar (TB) e transtorno de estresse póstraumático (TEPT) e questiona sobre certos casos serem melhor avaliados à luz das novas teorias do Research Domain Criteria (RDoC), principalmente aqueles quadros de TEPT com sintomas disfóricos que podem ser classificados como TB, apesar de não preencherem critérios para tal. Nesse caso, questiona-se a comorbidade e propõe-se um aprofundamento da fisiopatologia dessa sintomatologia que está sobreposta. Clinicamente, esse olhar poderá facilitar o manejo farmacológico de pacientes graves com histórico de trauma.
Amaury Cantilino, Joel Rennó Jr, Hewdy Lobo Ribeiro, Juliana Pires Calvasan, Renata Demarque, Jerônimo De A. Mendes Ribeiro, Gislene Valadares, Renan Rocha, Antônio Geraldo Da Silva
Debates em Psiquiatria, pp 10-18; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-5-2

Abstract:
Este artigo resume as pesquisas entre 2014 e 2016 pertinentes às diferenças em cuidados clínicos e neurobiologia de mulheres e homens com transtorno afetivo bipolar (TAB). Com TAB, o sexo feminino se correlaciona com mais sintomas depressivos e diferentes comorbidades. As mulheres também têm um maior grau de episódios mistos e ciclagem rápida. Quanto a comorbidades, doença da tireoide, obesidade e transtornos de ansiedade ocorrem mais frequentemente em mulheres, enquanto transtornos por uso de substância são mais comuns em homens. O exercício aumenta os níveis do fator neurotrófico derivado do cérebro em mulheres bipolares, mas não em homens. Pacientes do sexo masculino e do sexo feminino têm biomarcadores distintos para o TAB. Alterações menstruais e flutuação de humor estão presentes em mulheres tratadas para o TAB em um grau maior do que nos controles. Lamotrigina pode ser útil para atenuar essa flutuação. A desregulação da tireoide associada ao lítio ocorre mais frequentemente em pacientes do sexo feminino. Homens e mulheres com TAB recebem tratamentos diferentes em ambientes clínicos de rotina. Decisões clínicas de tratamento são, em certa medida, indevidamente influenciadas pelo sexo dos pacientes.
Fabiano Alves Gomes
Debates em Psiquiatria, pp 20-30; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-5-3

Abstract:
O transtorno bipolar é associado a diversas condições médicas gerais, resultando em um aumento significativo da morbimortalidade. As doenças do sistema cardiovascular e endócrino são as mais comumente associadas ao transtorno, havendo evidências significativas do efeito deletério de algumas medicações na etiologia e curso das comorbidades clínicas. Além disso, existem evidências recentes de que a própria doença bipolar, assim como os episódios recorrentes da doença, podem estar associados a uma maior incidência de doenças físicas. A avaliação do paciente bipolar deve incluir a realização de anamnese relacionada aos fatores de risco pessoais e familiares, exame clínico, solicitação de exames complementares que foram pertinentes ao quadro e monitorização dos efeitos colaterais das medicações na saúde global do paciente.
Mariane Nunes Noto, Adiel Rios, Mariana Pedrini
Debates em Psiquiatria, pp 32-37; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-5-4

Abstract:
O transtorno bipolar (TB) é uma doença psiquiátrica crônica e potencialmente grave. Nos últimos anos, pesquisas que focaram nas fases prodrômicas e iniciais do TB demonstraram que estratégias de detecção e intervenção precoces têm o potencial de atrasar, diminuir a severidade ou prevenir episódios completos do TB. Dessa forma, um novo caminho se apresenta para a clínica dos transtornos do humor, que passa não só a preocupar-se com o tratamento dos episódios de mania e depressão, como a buscar a detecção e o diagnóstico precoce e, fundamentalmente, a prevenção. O objetivo deste artigo é discutir dados da literatura sobre as fases iniciais do TB, os desafios da detecção precoce e as implicações desse enfoque para intervenções e manejo clínico antes ou logo após o desenvolvimento do primeiro episódio de mania, que marca, oficialmente, o início da doença.
Vivian Alves Trajano De Oliveira
Debates em Psiquiatria, pp 42-45; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-4-5

Abstract:
A anedonia é uma característica da anorexia nervosa. A perda do prazer em se alimentar tem um papel crucial nesse transtorno. Entretanto, a perda de prazer em realizar qualquer outra atividade pode ser ainda mais importante para a manutenção do quadro.
Fabiano Araújo Cunha, Fernando De Oliveira Costa, Luís Otávio De Miranda Cota, José Roberto Cortelli, Fernando Silva Neves
Debates em Psiquiatria, pp 14-26; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-4-2

Abstract:
Embora pouco investigado e com dados conflitantes, o transtorno afetivo bipolar (TABP) é um fator comportamental que pode apresentar influência sobre a periodontite. Os objetivos deste estudo foram: 1) determinar a prevalência de periodontite em uma população com diagnóstico de TABP; 2) verificar a influência de variáveis de risco na associação entre o TABP e a periodontite. O estudo foi composto por uma amostra de conveniência de 156 indivíduos com TABP, selecionados no Hospital de Saúde Mental anexo ao Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais. Os pacientes foram avaliados através de parâmetros clínicos periodontais e variáveis de risco sociodemográficas. Os resultados demostraram uma prevalência de 59% de periodontite entre os indivíduos com TABP. Destes, 90,2% apresentavam periodontite crônica moderada e 9,8% a forma avançada. Quanto à extensão da periodontite, em 81,5% a doença apresentouse de forma localizada e em 18,5% de forma generalizada. Concluiu-se que os pacientes com TABP apresentaram uma alta prevalência de doença periodontal (56,8%), confirmando a importância da prevenção, diagnóstico e tratamento desta patologia, a qual possa, no futuro, ser considerada como mais uma comorbidade associada a essa doença psiquiátrica. Salienta-se a necessidade de estudos futuros que comprovem a associação entre o TABP e a periodontite, particularmente os de delineamento longitudinal e ensaios clínicos randomizados.
Carmita H. N. Abdo
Debates em Psiquiatria, pp 36-41; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-4-4

Abstract:
Publicada a 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) e estando em fase de finalização a revisão da 10ª edição da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) – duas das mais importantes classificações internacionais –, abre-se espaço para a discussão da evolução do comportamento sexual. Tal debate é motivado pela observação da dinâmica que atualiza as normas sociais desse comportamento, da forma como essas normas são construídas e do quanto elas estão submetidas ao contexto histórico, político e cultural. Este artigo, inspirado nas ponderações de Alain Giami, pesquisador do Gender, Sexual and Reproductive Health Team do Center for Research in Epidemiology and Population Health (CESP), localizado em Le Kremlin-Bicêtre, França, apresenta as classificações dos transtornos da sexualidade como representações de padrões contemporâneos e relações de gênero; e comenta que o tratamento médico das perversões sexuais (parafilias, transtornos de preferência sexual) evoluiu, durante o século passado, de um modelo de patologização de todo comportamento sexual não reprodutivo a um modelo que consagra o bem-estar sexual e a responsabilidade (consenso nos relacionamentos), enquanto patologiza a ausência de consentimento, de parte a parte, nas práticas sexuais.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Mercedes Jurema Oliveira Alves
Debates em Psiquiatria, pp 6-13; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-4-1

Abstract:
O presente texto faz uma revisão das bases teóricas e dos estudos empíricos disponíveis sobre o uso da estimulação magnética transcraniana de repetição como estratégia terapêutica de manutenção após eletroconvulsoterapia. Há quadros psiquiátricos pouco responsivos a quaisquer tipos de tratamentos, inclusive à eletroconvulsoterapia. O texto mostra que a combinação das técnicas é promissora, porém mais estudos são necessários para se definir as indicações precisas e a eficácia em termos de sustentação da resposta terapêutica.
Daniel Kawakami, José Gilberto Prates, Chei Tung Teng
Debates em Psiquiatria, pp 28-34; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-4-3

Abstract:
Atualmente, o serviço de emergência psiquiátrica (SEP) possui papel fundamental na rede de serviços de saúde mental brasileira. Dele depende, muitas vezes, a definição de uma boa ou má evolução dos quadros psiquiátricos recém iniciados. Este artigo expõe conceitos e dados gerais sobre os SEP, apresenta sua situação atual, mundial e brasileira, e analisa tendências e propostas sobre medidas de planejamento e estruturação dos SEP. Experiências e modelos são analisados como possibilidades de mudanças nos SEP. Como conclusão, os autores salientam a importância da articulação e efetiva execução das prioridades na organização dos SEP no âmbito do Sistema Único de Saúde.
Renan Rocha, Joel Rennó Jr., Hewdy Lobo Ribeiro, Juliana Pires Cavalsan, Amaury Cantilino, Jerônimo De Almeida Mendes Ribeiro, Gislene Valadares, Antônio Geraldo Da Silva
Debates em Psiquiatria, pp 6-15; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-3-1

Abstract:
A depressão perinatal (DP) é a complicação obstétrica com maiores índices de subdiagnóstico e um importante fator de risco para o suicídio, considerado uma das causas mais comuns de mortalidade materna. Consequentemente, a atenção à saúde mental deve ser considerada uma das prioridades médicas durante a gestação e o puerpério, pois a identificação precoce da DP pode produzir benefícios substanciais para a saúde materna, infantil e familiar. O principal instrumento psicométrico para a prevenção secundária da DP é a Escala de Depressão Pós-Parto de Edimburgo, validada para brasileiros e para aplicação por telemedicina (TM). A utilização da TM é considerada um grande avanço também na obstetrícia. A aplicação de instrumentos psicométricos por TM produz informações com acurácia semelhante ou maior do que o modo de registro local com papel e caneta, além de permitir maior honestidade devido à maior percepção de privacidade, reduzindo, assim, a influência da psicofobia. Portanto, a utilização da TM e da telepsiquiatria na saúde mental da mulher apresenta-se como um recurso estratégico para ampliar o acesso e melhorar os resultados do rastreamento da DP.
João Jorge Cabral Nogueira,
Debates em Psiquiatria, pp 16-22; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-3-2

Abstract:
O presente trabalho apresenta uma discussão baseada em dados encontrados na literatura que podem contribuir para o entendimento dos mecanismos envolvidos nas respostas terapêuticas advindas do uso da autoscopia na hipnoterapia para tratamento de doenças ou sintomas corporais. A autoscopia utiliza a visualização interna do corpo para buscar a causa e a cura de um sintoma ou uma doença. Uma pesquisa sistemática foi conduzida nas bases de dados MEDLINE, SciELO e LILACS, tendo sido selecionados 63 artigos e livros referenciados. Os mecanismos relacionados com os fenômenos autoscópicos ainda não são completamente entendidos, sendo a hipótese mais convincente a falha na integração de sinais multissensoriais na junção temporoparietal, resultando em dissociação da unidade espacial entre o corpo e o eu. O fenômeno autoscópico está longe de ser exclusivamente uma experiência intrapsíquica alucinatória, já que é especialmente comum em sonhos e em outras condições fisiológicas. A observação de que através da hipnose é possível estabelecer um estado dissociativo, que, sem dúvida, facilita a evocação da memória e a modulação emocional do seu conteúdo, é uma prova do seu potencial terapêutico, principalmente quando no estado hipnótico é aplicada ferramenta tão poderosa como a autoscopia.
Renata Mousinho, Ana Luiza Navas
Debates em Psiquiatria, pp 37-45; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-3-4

Abstract:
A publicação, em 2013, da 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) trouxe mudanças importantes para a classificação dos transtornos do neurodesenvolvimento, em especial para os transtornos específicos de aprendizagem. O presente trabalho descreve criticamente as diferenças encontradas na versão mais recente em comparação à 4ª edição (DSM-IV). De forma geral, houve mudanças em relação aos critérios diagnósticos, à terminologia adotada, bem como à importante recomendação do emprego do paradigma de resposta à intervenção para confirmar a hipótese diagnóstica dos transtornos específicos de aprendizagem, como na dislexia.
Maria Cristina Montenegro, Amaury Cantilino
Debates em Psiquiatria, pp 23-35; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-3-3

Abstract:
A estimulação magnética transcraniana (EMT) é uma técnica de neuromodulação não invasiva, com efeitos adversos mínimos e poucas contraindicações. O procedimento vem sendo utilizado no arsenal terapêutico dos pacientes com depressão, mostrando benefícios terapêuticos comprovados em pesquisas no mundo todo. O último guideline europeu publicado sobre o tema, em 2014, coloca a EMT repetitiva de alta frequência aplicada no córtex pré-frontal dorsolateral esquerdo para depressão como nível A de evidência (eficácia definida). A técnica foi aprovada pelo Food and Drug Administration nos EUA para tratamento de depressão em 2008 e reconhecida em 2012 pelo Conselho Federal de Medicina como ato médico válido em todo o território nacional.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Evelyn Kuczynski
Debates em Psiquiatria, pp 46-50; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-3-5

Abstract:
Associar autismo e epilepsia é mais que casual ou aleatório, dado que ocorre um aumento na detecção de epilepsia após a puberdade nos transtornos do espectro do autismo (TEA). Mais frequente entre os menores de 5 anos de idade e em adolescentes, a epilepsia apresenta taxas de até 70% entre os transtornos desintegrativos. Contudo, não há dados suficientes quanto à prevalência de TEA entre indivíduos com epilepsia. Os mais conservadores estabelecem que a prevalência de epilepsia nos TEA é de 1 a 2% mais alta do que na população em geral, caracterizando TEA como fator de risco para o surgimento da epilepsia. Pesquisas se beneficiaram de critérios de diagnóstico mais bem estruturados e universais para os TEA e de uma nova classificação internacional das epilepsias, com melhor identificação e estudo da epilepsia nos subgrupos de TEA. Não mais se questiona a grande associação entre os TEA e a epilepsia. Estabelecer uma relação causa/efeito para a epilepsia e os TEA é tentador. Entretanto, não há evidência de que o tratamento clínico ou cirúrgico da epilepsia modifique o prognóstico dos TEA. Estudos específicos com essa população são necessários para elucidar o real papel da epilepsia nos TEA.
Salvina Maria De Campos-Carli, João Vinícius Salgado,
Debates em Psiquiatria, pp 6-14; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-2-1

Abstract:
A etiopatogênese da esquizofrenia é complexa e envolve a interação entre fatores genéticos e ambientais. Alterações no sistema imune vêm sendo apontadas como possíveis participantes na fisiopatologia da esquizofrenia. Neste artigo, apresentamos uma revisão narrativa sobre as alterações imunes na fisiopatologia da esquizofrenia e o potencial de moléculas e/ou mecanismos do sistema imune serem biomarcadores e/ou alvos terapêuticos. Enquanto alguns estudos observam maior participação de citocinas da resposta imune do tipo células T auxiliares (Th1), interferon-gama (IFN-γ), interleucina 2 (IL-2) e fator de necrose tumoral-alfa (TNF-α), outros observam maior participação das citocinas IL-4, IL-6 e IL-10, pertencentes à reposta imune tipo Th2. A infecção pelo protozoário Toxoplasma gondii tem sido apontada como fator de risco para esquizofrenia, e uma possível explicação seria o desvio no metabolismo do triptofano, com consequente aumento de quinureninas, causado pela resposta inflamatória frente à presença do parasita. Ensaios clínicos têm sido realizados utilizando anti-inflamatórios como adjuvantes ao tratamento antipsicótico. Resultados promissores, como redução da sintomatologia negativa e melhora cognitiva, foram observados. O uso de antiinflamatórios com consequente melhora clínica reforçam a ideia da participação de componentes imunes/inflamatórios na fisiopatologia da esquizofrenia.
Thaisa Gios, Maria Carolina Pedalino Pinheiro, Elie Leal De Barros Calfat
Debates em Psiquiatria, pp 38-41; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-2-5

Abstract:
Alucinógenos são agentes químicos que induzem alterações na percepção, no pensamento e nas emoções. Entre os alucinógenos naturais há a ayahuasca, originalmente utilizada por tribos indígenas da Amazônia, preparada com a mistura de duas plantas: Banisteriopsis caapi, que contém β-carbolinas, um inibidor da monoamina oxidase (MAO), e Psychotria viridis, rica em N,N-dimetiltriptamina (DMT), que atua nos receptores serotoninérgicos. Atualmente, o uso do chá de ayahuasca se espalhou por diversas regiões do mundo, e diferentes religiões, tais como União do Vegetal, Santo Daime e Barquinha, fazem seu uso ritualístico. Este estudo relata um caso sobre sintomatologia psicótica e uso da ayahuasca. Trata-se de uma paciente jovem, admitida por quadro de isolamento social, prejuízo do autocuidado e delírio bizarro, iniciado há 3 anos, com piora gradual. Era membra da União do Vegetal e fazia uso frequente de ayahuasca. Durante a internação, foi feito o diagnóstico de esquizofrenia, e a paciente melhorou com eletroconvulsoterapia. Pesquisas recentes demonstram que as manifestações clínicas dos alucinógenos se assemelham às da esquizofrenia. Por isso, experimentos farmacológicos com alucinógenos são frequentemente usados como modelos de psicose.
Hewdy Lobo Ribeiro, Joel Renno Jr., Renata Demarque, Juliana Pires Cavalsan, Renan Rocha, Amaury Cantilino, Jerônimo De Almeida Mendes Ribeiro, Gislene Valadares, Antônio Geraldo Da Silva
Debates em Psiquiatria, pp 16-24; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-2-2

Abstract:
A cannabis é a substância psicoativa ilícita mais consumida pelas gestantes no Brasil e no mundo. Muitos estudos foram publicados tendo em vista a saúde do feto e do bebê em aleitamento materno, porém poucos focaram na saúde da gestante e da puérpera usuária de cannabis. O novo papel e os desafios de ser mãe podem ser protetivos para a cessação do uso de drogas, porém para mulheres em situação de vulnerabilidade podem representar risco para a manutenção da dependência. O presente artigo de revisão de literatura apresenta uma visão global sobre o uso de cannabis pelo gênero feminino, destacando-se as particularidades dos impactos desse consumo na gravidez e no pós-parto e as intervenções necessárias para a atenção e cuidado à mãe.
Regina Margis
Debates em Psiquiatria, pp 25-31; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-2-3

Abstract:
A terapia cognitiva e comportamental é recomendada como tratamento de primeira linha no transtorno de insônia. Apesar de diversos estudos demonstrarem a eficácia da terapia no tratamento da insônia, há um número significativo de pacientes que não se beneficia do tratamento. Fatores relacionados a não resposta merecem ser investigados. O presente artigo analisa alguns dos potencias fatores que possam contribuir para falha do tratamento da insônia através da abordagem cognitiva e comportamental. Na avaliação desses fatores, diferentes aspectos podem ser apreciados para a compreensão dos mecanismos relacionados à resposta ao tratamento. Entre os componentes envolvidos no processo terapêutico, são ressaltados tópicos que incluem informações a respeito do que está sendo tratado, quem está sendo tratado, como a resposta é avaliada, qual a intervenção que está sendo realizada e quem é o terapeuta. Por meio da avaliação desses componentes, busca-se um olhar da terapia cognitiva e comportamental para além de técnicas; é proposto um pensar de como ampliar os benefícios da abordagem a partir dos resultados não obtidos e/ou descritos até o momento.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
, Quirino Cordeiro
Debates em Psiquiatria, pp 32-37; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-2-4

Abstract:
O debate em torno do tema da maioridade penal tem estado cada vez mais presente em nossa sociedade. A pressão popular acabou culminando com a aprovação da diminuição da maioridade penal na Comissão Especial da Câmara dos Deputados, e posteriormente em plenário, devendo a matéria seguir para o Senado. A mudança na legislação brasileira deve ser o caminho trilhado caso os parlamentares decidam que pessoas mais jovens sejam responsabilizadas pelos seus atos. Nos debates a respeito do assunto, frequentemente aparece a sugestão de submeter os infratores a uma avaliação psiquiátrica e psicológica, objetivando atestar maturidade ou imputabilidade. Inclusive, nos últimos tempos, em determinados casos de grande clamor popular, o Poder Judiciário tem recorrido à psiquiatria para legitimar o confinamento de pessoas que cometeram atos infracionais, situação essa que ocorre quase que ao arrepio da lei. Um dos exemplos mais emblemáticos de como a psiquiatria é arrolada nesse processo é o caso da Unidade Experimental de Saúde, no Estado de São Paulo, onde está preso um dos assassinos mais famosos do país, o Champinha. Seu caso permite a abertura de discussão sobre o tema da maioridade penal e sua relação com a psiquiatria. Neste artigo, atenção especial será dada ao cuidado que a psiquiatria e os psiquiatras devem tomar para que não sejam usados na busca social por atalhos legais para garantir justiça fora das leis. Assim, se o conjunto social decidir pela diminuição da maioridade penal, que isso seja feito respeitando os trâmites legais, por meio de mudanças legislativas, sem, no entanto, valer-se da psiquiatria para criar situações de exceção.
Maria C G Pereira Ferreira De Lima, Mariana Guimarães DiLascio
Debates em Psiquiatria, pp 16-23; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-1-2

Abstract:
A síndrome de Asperger é um transtorno do espectro autista que cursa com comprometimento da socialização, da comunicação verbal e não verbal e da flexibilidade cognitiva e comportamental. A abordagem dessas características pelo treinamento de habilidades sociais (THS), baseado na terapia cognitivocomportamental (TCC), visa melhorar a qualidade de vida e reduzir alguns sintomas psiquiátricos nesses pacientes. Entre as dificuldades abordadas estão: 1) a compreensão social; 2) as regras de interação social e as expectativas interpessoais; 3) a conversa recíproca; 4) o uso e a interpretação das condutas não verbais; 5) o autocontrole; 6) os comportamentos estereotipados e os interesses obsessivos; e 7) a formação de amizades. O presente artigo é uma revisão crítica do tema.
Renata Demarque, Joel Rennó Jr., Hewdy Lobo Ribeiro, Juliana Pires Cavalsan, Gislene Valadares, Amaury Cantilino, Jerônimo De Almeida Mendes Ribeiro, Renan Rocha, Antônio Geraldo Da Silva
Debates em Psiquiatria, pp 32-35; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-1-4

Abstract:
Tendo em vista a grande incidência de câncer de mama no Brasil e a desestruturação que esse diagnóstico e tratamento acarretam na vida da mulher, a atuação do psiquiatra nesse cenário é fundamental. Um melhor ajustamento à doença, um melhor manejo da depressão e melhor adesão ao tratamento são alguns dos objetivos da oncopsiquiatria.
Daniel Tornaim Spritzer, Aline Restano, Vitor Breda, Felipe Picon
Debates em Psiquiatria, pp 24-30; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-1-3

Abstract:
Num mundo cada vez mais influenciado pela tecnologia, crescem as dúvidas sobre o papel que as novas tecnologias passam a ter nas nossas vidas e sobre as possíveis consequências negativas que podem acarretar. Considera-se dependência de tecnologia quando o indivíduo não consegue controlar o uso da tecnologia, principalmente quando esse uso está tendo impacto negativo nas principais áreas da vida (relacionamentos interpessoais, desempenho nos estudos/trabalho, saúde física, etc.). Trata-se de um fenômeno global, que parece afetar em torno de 6% da população e que pode ter apresentações bastante heterogêneas. Os subtipos de dependência de tecnologia de maior relevância na prática clínica são: dependência de jogos eletrônicos, de redes sociais e de smartphones. Na maioria dos casos de dependência de tecnologia é possível identificar a presença de comorbidades psiquiátricas. Além de uma avaliação completa e centrada no diagnóstico, uma escuta atenta para as especificidades dos jogos e das redes sociais utilizadas pelos pacientes, assim como para as motivações para o seu uso, pode também fornecer informações relevantes para o atendimento dos pacientes.
Helena Dias De Castro Bins, José Geraldo Vernet Taborda
Debates em Psiquiatria, pp 6-14; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-1-1

Abstract:
A causalidade da psicopatia reside em uma interação ainda mal compreendida entre fatores genéticos, biológicos, ambientais, sociais e psicodinâmicos. O clássico modelo biopsicossocial hipotetiza que a psicopatia se desenvolve quando há componentes genéticos e neurobiológicos associados a traços de personalidade como impulsividade, com aumento de risco quando esses indivíduos são expostos a uma família disfuncional e agravamento quando o ambiente social do entorno falha na proteção básica. No entanto, outros modelos vêm sendo estudados. Costuma-se categorizar estrutura e funcionamento cerebral, neurotransmissores e hormônios como fatores de risco biológicos; no entanto, a maneira como se manifestam e alterações nessas estruturas podem ter origem tanto genética quanto ambiental, ou refletir uma interação entre ambos, o que é denominado de interação biossocial. Atuando na expressão gênica, fatores ambientais podem modificar o cérebro, alterando os traços psicopáticos e aumentando o risco para a patologia ou, ao contrário (de maneira positiva), protegendo o indivíduo. Com relação às influências ambientais, disfunção familiar é o fator psicológico mais importante, abrangendo comportamento antissocial ou alcoolismo paternos, falta de limites e supervisão enquanto criança e separação ou perda de um dos pais. Trauma infantil pode ter um impacto dramático na saúde mental da criança, estando também relacionado à psicopatia. Por fim, questões éticas são discutidas: A presença da psicopatia altera a responsabilidade penal desses indivíduos? Se sim, de que forma? O lugar do psicopata, após um crime cometido, é a prisão ou o hospital forense? É correto submeter psicopatas a pesquisas e investigações científicas? Essas e outras questões são abordadas à luz dos conhecimentos e controvérsias atuais.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
, Carlos Alberto Iglesias Salgado
Debates em Psiquiatria, pp 36-39; https://doi.org/10.25118/2236-918x-6-1-5

Abstract:
Embora as manifestações neurológicas da préeclâmpsia sejam bem descritas na literatura, há poucas informações disponíveis sobre suas manifestações psiquiátricas. Descrevemos aqui, pela primeira vez segundo o conhecimento dos autores, o caso de uma paciente admitida com pré-eclâmpsia e sintomas psiquiátricos de psicose e catatonia. Detalhes sobre o diagnóstico e o manejo da paciente são apresentados. O caso salienta a importância do papel do clínico no sentido de considerar a possibilidade de manifestações neuropsiquiátricas secundárias a condições obstétricas patológicas.
Lisieux E. De Borba Telles, Caroline Galli Moreira, Mariana Ribeiro De Almeida, Kátia Mecler, Alexandre Martins Valença, Daniel Prates Baldez
Debates em Psiquiatria, pp 38-43; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-6-6

Abstract:
A violência é globalmente reconhecida como um problema de saúde pública. Em 2002, a Organização Mundial da Saúde (OMS) deu destaque para o abuso e para a negligência por seu caráter crônico e pelos danos psicológicos, sociais e injúria física que geram, sendo as crianças frequentemente vitimizadas. Este artigo apresenta os diferentes tipos de maus-tratos infantis, com enfoque principal na síndrome de Munchausen por procuração, visto apresentar a característica peculiar de envolver três entidades, mesmo que de forma inadvertida: o médico, o cuidador/perpetrador e a criança/vítima.
Evelyn Kuczynski
Debates em Psiquiatria, pp 7-11; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-6-2

Abstract:
Retardo mental (RM) é uma condição extremamente heterogênea em sua etiologia, definida como grupo por um funcionamento adaptativo e intelectual abaixo da média, cujo surgimento ocorre antes dos 18 anos. A ocorrência de vários transtornos mentais é mais comum nesse grupo do que na população geral. Ainda que sejam essencialmente os mesmos transtornos incidindo nesses indivíduos com RM, sua apresentação clínica pode variar em função das contingências pessoais e habilidades linguísticas do indivíduo afetado, o que pode mascarar a sintomatologia comportamental francamente observável.
Lia Silvia Kunzler
Debates em Psiquiatria, pp 28-37; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-6-5

Abstract:
A terapia cognitiva foi desenvolvida por Aaron Beck, na década de 1960, a partir da atuação com pacientes com diagnóstico de depressão. O princípio da terapia cognitiva é que o humor e os comportamentos negativos são resultado de pensamentos distorcidos e rígidos. Isso faz com que os pacientes se comportem como se a situação fosse pior do que realmente é. A intervenção psicoterápica baseada na terapia cognitiva pressupõe que o paciente participe ativamente tanto do processo de terapia quanto da prevenção de recaída e que se torne seu próprio terapeuta. Nas sessões iniciais, os pacientes não compreendem o potencial da terapia na promoção de mudanças, mas ao longo do tratamento isso é evidenciado. No Brasil, o início do desenvolvimento da terapia cognitiva data do final da década de 1980. Atualmente, mais de 300 ensaios clínicos controlados atestam sua eficácia. O presente artigo apresenta o caso clínico de Laura, estudante de fisioterapia, que alcançava resultados ruins quando avaliada por apresentações orais ou provas. As situações eram evitadas ou enfrentadas com intenso medo ou ansiedade. A técnica “pense saudável”, sistematizada com base em conceitos de promoção de saúde, qualidade de vida, tomada de decisão e terapia cognitiva, foi adaptada de acordo com a conceituação específica do problema.
Debates em Psiquiatria, pp 21-27; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-6-4

Abstract:
Diversos estudos têm sido publicados sobre a influência das crenças e práticas espirituais e religiosas na saúde mental. Diante de tais evidências, foram propostas estratégias com o objetivo de estimular a dimensão espiritual de pacientes, focando-se principalmente no enfrentamento de diferentes doenças. Porém, ainda são poucos os estudos que avaliam os possíveis efeitos e mecanismos de ação dessas intervenções espirituais/religiosas (IERs) através de ensaios clínicos randomizados. De acordo com a literatura científica, as IERs têm obtido resultados similares ou superiores a outras abordagens complementares em saúde, incluindo redução de sintomas de ansiedade e estresse, diminuição na intensidade do consumo de drogas, menor exaustão emocional em profissionais da saúde e uma tendência a menor sintomatologia depressiva. Como essas intervenções são heterogêneas, há uma discussão acerca da adequação dos conteúdos das IERs, na tentativa de uniformizar o treinamento dos profissionais de saúde e o material ofertado aos pacientes. Notase, também, a necessidade de um cuidado no desenho metodológico desse tipo de intervenção, com a realização de estudos com metodologias mais robustas. A busca e avaliação dessas novas intervenções poderão auxiliar no desenvolvimento de estratégias mais integrativas, facilitando o tratamento complementar em saúde mental.
Rafael Britto De Magalhães
Debates em Psiquiatria, pp 12-20; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-6-3

Abstract:
O presente trabalho aborda a questão do grupo de mútua ajuda conhecido como Alcoólicos Anônimos (AA) e suas potencialidades terapêuticas. Para tanto, foi realizado um amplo estudo de sua literatura, com livros considerados como seu texto base, assim como um trabalho de campo com membros do AA, sendo utilizada técnica de observação participativa seguida de entrevistas voluntárias com os membros. Conforme sugerido a todo recém-chegado no AA, a observação foi feita em 90 reuniões ao longo de 90 dias. Finalmente, foi aplicado também um questionário anônimo, visando obter um melhor perfil de uma pequena amostra do total de pessoas que frequentam o grupo. Ao todo, obtivemos 35 questionários respondidos, que demonstraram a importância do AA na mudança de vida dessas pessoas.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Liliane Machado, Leonardo Machado
Debates em Psiquiatria, pp 34-37; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-5-6

Abstract:
A síndrome de Cotard é uma condição rara caracterizada por melancolia ansiosa, delírios de não existência relativos ao próprio corpo e delírios de imortalidade. Neste artigo, relatamos o caso de um paciente do sexo masculino, com 66 anos de idade, com síndrome de Cotard refratária a psicofármacos e tratado com eletroconvulsoterapia. São discutidas algumas peculiaridades do manejo diagnóstico e terapêutico desta condição.
Daniela Zippin Knijnik, Eduardo Trachtenberg
Debates em Psiquiatria, pp 16-21; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-5-3

Abstract:
O presente artigo inicia pela revisão dos modelos cognitivos e dos princípios gerais da terapia cognitivocomportamental (TCC) no transtorno de ansiedade social. Em seguida, os autores propõem um exercício sistemático a ser utilizado especialmente durante as sessões da TCC de psicoeducação e reestruturação cognitiva. Tendo por base o ciclo da ansiedade social disfuncional, o qual colabora para a manutenção dos sintomas de ansiedade social, paciente e terapeuta trabalham ativamente buscando um ciclo mais funcional, o ciclo alternativo da ansiedade social.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Regina Margis
Debates em Psiquiatria, pp 22-27; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-5-4

Abstract:
A insônia é o transtorno do sono mais frequente na população. Diferentes modelos têm sido propostos para explicar a ocorrência de insônia (por exemplo, o modelo de Spielman, o modelo neurocognitivo e o modelo de inibição psicobiológica, entre outros). Conhecer tais modelos contribui para uma melhor compreensão dos mecanismos a serem avaliados e tratados. O tratamento psicoterápico tem sido amplamente pesquisado. Em especial, a terapia cognitivo-comportamental para insônia tem tido sua eficácia demonstrada em diferentes estudos, sendo intervenção recomendada para indivíduos com insônia. Diferentes abordagens, como a terapia de controle de estímulos, restrição de sono, terapia cognitiva e terapia cognitiva baseada em mindfulness, têm sido utilizadas, com benefícios observados no tratamento. Entretanto, uma parcela de indivíduos não responde plenamente às abordagens, aspecto que merece a atenção de profissionais e pesquisadores.
Renan Rocha, Joel Rennó Jr., Hewdy Lobo Ribeiro, Juliana Pires Cavalsan, Amaury Cantilino, Jerônimo De Almeida Mendes Ribeiro, Gislene Valadares, Antônio Geraldo Da Silva
Debates em Psiquiatria, pp 28-32; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-5-5

Abstract:
As novas normas da Food and Drug Administration (FDA) para o uso de medicamentos na gravidez e na lactação entram em vigor este ano (2015). Elas reformulam o conteúdo e o formato das bulas e, concomitantemente, removem quaisquer referências às categorias A, B, C, D e X. Estas são substituídas por um resumo dos riscos perinatais do medicamento, discussão das evidências pertinentes e uma síntese dos dados mais relevantes para a tomada de decisões na prescrição. Também constam nas novas normas informações essenciais sobre identificação de gravidez, contracepção e infertilidade. O objetivo final das novas normas é facilitar o processo de prescrição por meio do oferecimento de um conjunto de informações consistentes e bem estruturadas a respeito do uso de medicamentos nos períodos da gravidez e lactação.
Sandra Márcia Carvalho De Oliveira, Wagner Da Silva Leite
Debates em Psiquiatria, pp 6-15; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-5-2

Abstract:
Objetivos: Avaliar a prevalência do uso de tabaco, a exposição ao fumo passivo e a motivação para a cessação do tabagismo entre estudantes de medicina da Universidade Federal do Acre (UFAC). Métodos: Neste estudo transversal, observacional, descritivo e analítico, foi aplicado um questionário baseado no Global Health Professions Student Survey, assim como o teste de Fagerström. A análise estatística foi feita utilizando-se o Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 20, o teste do qui-quadrado de Pearson, o teste exato de Fisher e análise de variância (ANOVA). Resultados: Dos 186 alunos entrevistados, 156 (83,9%) nunca fumaram, 171 são não fumantes e 15 (8,1%) se declararam fumantes (com uma média de 6,06 cigarros/ dia). O teste de Fagerström revelou dependência baixa. A prevalência de exposição ao fumo passivo foi de 28,0%. A maior parte (59,7%) dos entrevistados era do sexo masculino. A idade média foi 24,24 anos (desvio padrão = 3,80 anos), sendo que a maioria (87,1%) possuía entre 20 e 30 anos de idade. A média da idade da primeira tentativa de fumar foi de 16,72 anos. Em 7,0% (n = 13), o uso de outros produtos do tabaco fumado esteve presente. Mais da metade (53,3%) dos fumadores tentaram deixar de fumar. Destes, 13,3% consideram não necessitar de ajuda profissional para abandonar o tabaco. Conclusão: A maioria (99,5%) dos entrevistados reconheceu o tabagismo como doença, e 90% consideraram importante o seu papel de exemplo de não fumador para seus pacientes e a sociedade.
Maísa Novaes Portella Checchia, Renata Michel, César De Moraes
Debates em Psiquiatria, pp 24-32; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-4-4

Abstract:
Objetivo: Estudar sintomas emocionais (internalização e externalização) em 12 crianças e adolescentes com deficiência visual. Método: Foram pesquisados 12 sujeitos com idade entre 6 e 18 anos, de ambos os sexos, diagnosticados com cegueira total ou visão subnormal (grupo de pesquisa), de acordo com dados fornecidos pela instituição em que as crianças eram assistidas e os relatos dos pais ou responsáveis. Também foram pesquisadas 10 crianças com visão normal (grupo controle), com a mesma faixa etária e também de ambos os sexos. Para as avaliações, foram usados o Critério de Classificação Econômica Brasil, o Child Behavior Checklist (CBCL) e a entrevista introdutória do instrumento Kiddie-Sads-Present and Lifetime Version 1, preenchidos com base nos relatos fornecidos. As análises estatísticas foram feitas através do teste do qui-quadrado, teste de Mann- Whitney e índice de correlação de Pearson. O nível de significância foi estabelecido em 5%. Resultados: Foi encontrada maior incidência de sintomas internalizantes no grupo de pesquisa. Com relação ao grupo controle, foram verificados problemas com regras, ou seja, esse grupo apresentava o padrão clínico dos sintomas de externalização no quesito quebra de regras. Conclusão: Sintomas de internalização foram mais frequentes no grupo de crianças com deficiência visual.
Norma Alves De Oliveira, José Augusto Soares Barreto Filho, Joselina Luzia Menezes De Oliveira, Enaldo Vieira De Melo, Otávio Rizzi Coelho, Juliana Goes Jorge,
Debates em Psiquiatria, pp 6-17; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-4-2

Abstract:
A depressão tem sido associada à síndrome coronariana aguda (SCA), agravando o prognóstico durante e após a internação, independentemente dos fatores de risco tradicionais. Apesar de estudos diversos enfatizarem a alta prevalência e o grande impacto no prognóstico, a depressão é subdiagnosticada e subtratada na maioria dos pacientes com SCA. Um dos desafios no contexto científico tem sido elucidar os mecanismos subjacentes, especialmente os psicossociais e os fisiopatológicos. Neste trabalho, fazemos uma revisão bibliográfica sobre os possíveis mecanismos fisiopatológicos implicados na associação entre depressão e SCA. Dentre os mecanismos fisiopatológicos, destacam-se a aterogênese inflamatória, os fatores imunológicos, o aumento da atividade plaquetária, a variação da frequência cardíaca, as alterações hematológicas, os fatores neuroendócrinos, as alterações estruturais decorrentes de anormalidades vasculares, como a desordem vascular disseminada, as alterações fibrinolíticas, os fatores genéticos, as diferenças entre os gêneros, as alterações hormonais e o tratamento farmacológico. Apesar do reconhecido efeito fisiopatológico da associação entre depressão e SCA, existe uma escassez de publicações dedicadas a estudar os mecanismos relacionados. A realização de mais estudos pode, no futuro, dar embasamento à comunidade científica para que a investigação da depressão faça parte do protocolo de exame e tratamento dos pacientes com SCA.
Lisandre F. Brunelli
Debates em Psiquiatria, pp 34-37; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-4-5

Abstract:
O presente artigo tem como intuito lançar luz sobre um tema bastante comum em nossa sociedade, assim como em nosso mundo globalizado, a saber, a relação entre alcoolismo e suicídio. O grande número de suicídios que vêm ocorrendo atualmente pode ser considerado um problema de saúde pública. Concomitantemente, o alcoolismo tem sido evidenciado como agente precursor de diversos transtornos orgânicos e mentais, agindo como meio facilitador para comportamentos bizarros, julgamentos equivocados e atos impulsivos. A epigenética explica a possível relação entre tais eventos (comportamento suicida e alcoolismo) através da ativação de genes específicos que estariam envolvidos no processo. Pesquisas atuais podem auxiliar no tratamento de transtornos psiquiátricos graves através do estudo e emprego de psicofármacos que vão agir de forma direcionada a alvos farmacológicos específicos e até prevenir comportamentos de risco que possam culminar de forma fatal.
Mercêdes J. O. Alves
Debates em Psiquiatria, pp 18-23; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-4-3

Abstract:
O artigo discute os aspectos éticos que envolvem a pesquisa, a clínica e a propaganda da neuromodulação, em suas diversas técnicas. Discorre principalmente sobre a estimulação magnética transcraniana (EMT), a eletroconvulsoterapia (ECT) e a estimulação transcraniana por corrente contínua (ETCC). Apresenta as normas estabelecidas pelos diversos órgãos regulatórios, tanto com relação às técnicas de estimulação cerebral como com relação aos equipamentos.
Joel Rennó Jr., Juliana Pires Cavalsan, Hewdy Ribeiro Lobo, Amaury Cantilino, Renan Rocha, Jerônimo De Almeida Mendes Ribeiro, Gislene Valadares, Antonio Geraldo Da Silva
Debates em Psiquiatria, pp 38-42; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-4-6

Abstract:
A depressão pós-parto atinge cerca de 12% das puérperas. Apesar de ser reconhecida pelo médicos, ainda não se sabe ao certo sua causa. Muitos fatores de risco estão associados a essa patologia, entre eles baixo suporte familiar, gravidez não planejada, baixo nível socioeconômico, baixa escolaridade, depressão na gravidez e história pessoal de transtorno psiquiátrico. No entanto, ainda não está bem estabelecido se a via de parto é um facilitador para o desenvolvimento da depressão pós-parto. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de cesáreas é considerado muito alto no Brasil. A OMS estipula como aceitável taxas de 15% de cesárea; no Brasil, esse número chega a 45%. A literatura internacional é contraditória em determinar a via de parto como fator de risco para depressão pós-parto, e poucos artigos nacionais abordam o tema.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Eduardo Alves Guilherme, Roberto Ratzke
Debates em Psiquiatria, pp 30-33; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-3-5

Abstract:
Os transtornos alimentares são associados a graves problemas clínicos e psiquiátricos, e frequentemente são subdiagnosticados. Nesse cenário, a categoria dos transtornos alimentares sem outra especificação (TASOE), embora altamente prevalente, tem recebido pouca atenção. Este artigo descreve o caso de um paciente diagnosticado com TASOE, mais especificamente pica, que ingeriu sacolas plásticas para tentar emagrecer. A história do paciente e o tratamento adotado são descritos em detalhe. Lamentavelmente, a revisão dos TASOE proposta na 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) manteve os critérios diagnósticos confusos e arbitrários, com pouca utilidade na prática clínica.
Luciana Nogueira De Carvalho, Cláudia Almeida, Elisangela Maria Morais Lima, Gabriel C. Lacerda, Hélio Lauar
Debates em Psiquiatria, pp 10-16; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-3-2

Abstract:
Cannabis sativa é a droga ilícita mais usada no período gestacional, e o avanço das neurociências tem contribuído para a elucidação do sistema endocanabinoide envolvido no controle das emoções, do humor e da memória. O desenvolvimento do sistema nervoso central é suscetível aos efeitos do tetra-hidrocanabidiol (THC). Assim, a exposição do feto à maconha durante a ontogênese não é um fenômeno benigno, tendo influência na migração, proliferação e diferenciação das células neuronais. Além disso, essa condição gera repercussões subjetivas, sociais e jurídicas que afetam a capacidade da mãe de cuidar dos filhos. Este trabalho tem por objetivo reunir informações atuais sobre os efeitos do uso da cannabis durante a gestação humana e suas repercussões na capacidade materna de cuidar dos filhos. Os autores concluem que filhos de usuárias cursam com prejuízos neurocognitivos relacionados ao uso de cannabis durante a gestação e apresentam aumento de sintomas depressivos, atencionais e impulsivos, além de dificuldades de aprendizado.
Bruno Bertolucci, Ana Beatris Miniolli Nardy, Cássia Fiaschi Fogaça, Isabela Moscatel Domingues De Oliveira, Mariana Rauwey Vong, Stephanie Berriel Crocco
Debates em Psiquiatria, pp 6-8; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-3-1

Abstract:
Objetivo: Investigar quais fatores atuam como indicadores de reinternação de pacientes com distúrbios psiquiátricos que obtiveram alta em enfermaria psiquiátrica. Métodos: Estudo retrospectivo com revisão de 200 prontuários e resumos de alta de pacientes internados no período de 2000 a 2013 na enfermaria psiquiátrica do Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo, de Mogi das Cruzes (SP), para levantamento de dados. Resultados: Observou-se que idade (p = 0,004), número de medicações na alta (p = 0,006), número de tomadas por dia (p = 0,011), presença de estresse social (p = 0,002) e baixo suporte social (p = 0,001) foram preditores estatisticamente significativos de reinternação. Conclusão: Apesar de o estudo ser limitado pelo método retrospectivo, evidencia-se que um bom suporte social e flexibilidade nas tomadas das medicações estão associados com menores taxas de reinternação. Sugere-se investimento em psicoeducação familiar e participação do paciente na escolha terapêutica.
Cíntia Fuzikawa
Debates em Psiquiatria, pp 24-28; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-3-4

Abstract:
O brainspotting é uma nova abordagem psicoterápica utilizada no tratamento de vivências traumáticas. Enfatiza a sintonia dual: a sintonia relacional entre terapeuta e cliente e a sintonia neurobiológica, representada pela manutenção do olhar do cliente direcionado a um ponto no campo visual, chamado brainspot, que tem ressonância com a ativação sentida ao pensar no trauma. Esses dois fatores contribuiriam para permitir que a resposta de orientação, que ficou truncada na ocasião do trauma, fosse completada, chegando a uma resolução profunda. Este artigo, primeiro trabalho brasileiro sobre o tema, visa apresentar o brainspotting, descrevendo sua descoberta, posterior desenvolvimento, princípios e utilização clínica, além de hipóteses neurobiológicas para explicar sua ação e um estudo preliminar para avaliar sua eficácia.
Kellen Klein Pereira, Valeska Marinho
Debates em Psiquiatria, pp 18-23; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-3-3

Abstract:
A doença de Alzheimer (DA) é a causa mais comum de demência, caracterizada por início insidioso e curso progressivo, com declínio cognitivo, comprometimento da autonomia e da capacidade de realização de atividades de vida diária, alterações de humor e de comportamento. Ao longo do curso da doença, podem ser observadas manifestações clínicas de diversas naturezas: cognitivas, com declínio na capacidade mnêmica, de linguagem, visuoespacial, habilidades construcionais, função executiva, entre outras; comportamentais, como depressão, ansiedade, comportamento violento/agitado; insônia; comprometimento da capacidade de realização de atividades de vida diária; impacto sobre independência e qualidade de vida do paciente e seu cuidador. Atualmente, o tratamento da DA se baseia no uso de inibidores da colinesterase, com a proposta de estabilizar ou alentecer o curso da doença. As evidências disponíveis sugerem uma melhora média de -2,7 pontos (intervalo de confiança de 95%: -3,0 a -2,3) na faixa de 70 pontos na Alzheimer’s Disease Assessment Scale- Cognitive Subscale (ADAS-cog) por um período de 6 meses a 1 ano em pacientes com demência leve, moderada e grave, além de melhor controle dos sintomas comportamentais associados. Este artigo revisa dados recentes sobre o uso de anticolinesterásicos na DA, o momento de sua introdução, duração do tratamento e principais marcadores de eficácia.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Marina Dyskant Mochcovitch
Debates em Psiquiatria, pp 14-18; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-2-3

Abstract:
O transtorno de ansiedade generalizada (TAG) é um transtorno crônico e prevalente, mas também um dos menos estudados entre os transtornos de ansiedade. Os antidepressivos inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) e inibidores da recaptação da serotonina e noradrenalina (IRSN) são considerados medicamentos de primeira linha no tratamento de TAG, porém não são incomuns casos de refratariedade, intolerância ou a presença de contraindicações ao uso dessas subtâncias. Diversas substâncias, como a pregabalina e a quetiapina, surgem, então, como alternativas para o tratamento do TAG nesses casos, assim como para a substituição dos benzodiazepínicos como medicações adjuvantes aos antidepressivos.
Marlos Fernando Vasconcelos Rocha, Amanda Galvão-De Almeida, Fabiana Nery-Fernandes, Ângela Miranda-Scippa
Debates em Psiquiatria, pp 6-12; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-2-2

Abstract:
Nas últimas décadas, pesquisas de neuroimagem no transtorno bipolar (TB) têm demonstrado anormalidades nos circuitos neuronais supostamente envolvidos no processamento e na regulação da emoção, bem como no processamento de recompensas. Entretanto, os resultados relativos a diversas estruturas do sistema nervoso central são escassos e difíceis de serem comparados, devido à grande heterogeneidade do TB e às diferentes metodologias empregadas para a coleta das imagens. Esta revisão teve como objetivo sintetizar os principais achados em neuroimagem estrutural e funcional no TB, descrevendo as estruturas corticais e subcorticais do encéfalo mais relevantes e que embasam a provável fisiopatologia desse transtorno.
Rogério R. Zimpel, Bruno Paz Mosqueiro, Neusa Sica Da Rocha
Debates em Psiquiatria, pp 28-30; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-2-5

Abstract:
Há um crescente interesse no estudo das relações entre espiritualidade e saúde. Estudos empíricos destacam o papel protetor da espiritualidade na prevenção de depressão, transtornos de ansiedade, uso de substâncias, diminuição do risco de suicídio, promoção de bem-estar e qualidade de vida, além de resiliência em situações de adversidade, traumas e estresse agudo ou crônico. No entanto, mais estudos são necessários para que se possa entender como ocorre a associação entre espiritualidade e saúde em diferentes contextos clínicos e, assim, contribuir para o avanço do entendimento desse tema complexo.
Sara Mota Borges Bottino, Romayne Mirelle Santos, Beatriz De Castilho Martins, Caroline Gomez Regina
Debates em Psiquiatria, pp 20-27; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-2-4

Abstract:
Considera-se cyberbullying quando um ou mais indivíduos utilizam os meios eletrônicos com a intenção de agredir, infligir injúria ou desconforto, humilhar, causar medo ou sensação de desespero no indivíduo que é alvo das agressões. Essas ações podem ser feitas via e-mail, salas de bate-papo, telefones celulares, mensagens instantâneas, cabines de votação online. As evidências indicam que 20-40% dos adolescentes terão pelo menos uma experiência com cyberbullying e que o número de cybervítimas está aumentando. O principal dano causado pelo cyberbullying é o de prejudicar a reputação da vítima, com repercussões que podem ser ainda maiores do que aquelas observadas no bullying tradicional. A vitimização relacionada ao cyberbullying está associada a problemas sociais e de comportamento, incluindo sintomatologia depressiva, abuso de substâncias psicoativas, tentativas de suicídio e suicídio, constituindo-se assim em problemas significativos para a saúde mental dos adolescentes.
Mirian Pezzini Dos Santos, Lidiane Dotta Guarienti, Pedro Paim Santos, Eduardo Ferreira Daura, Adriana Denise Dal’Pizol
Debates em Psiquiatria, pp 32-37; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-2-6

Abstract:
Na prática clínica, deparamo-nos com um grande número de pacientes vítimas de violência, sobretudo durante fases precoces do desenvolvimento, uma das causas centrais na etiologia dos transtornos dissociativos (ou transtorno de estresse pós-traumático complexo). Este artigo descreve o caso de um paciente diagnosticado com transtorno dissociativo de identidade após permanecer sintomático por 10 anos e comenta sobre o manejo e os desafios no tratamento desses pacientes.
Alexandre Martins Valença, Kátia Mecler, Lisieux E. De Borba Telles
Debates em Psiquiatria, pp 30-33; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-1-6

Abstract:
Um indivíduo tem quatro vezes mais chance de ser vítima de homicídio no primeiro ano de vida. Este artigo apresenta definições de filicídio e relata dois casos de mulheres com transtornos psicóticos que tentaram assassinar seus filhos. É enfatizado o papel dos serviços de saúde mental no sentido de prevenir a perda de contato e a não aderência ao tratamento, que frequentemente precedem o homicídio cometido por pessoas com transtornos mentais graves.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Alcina Juliana Soares Barros, José Geraldo Vernet Taborda, Regis Goulart Rosa
Debates em Psiquiatria, pp 24-28; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-1-5

Abstract:
Os hormônios desempenham um importante papel para a compreensão das bases biológicas da psicopatia e do transtorno de personalidade antissocial. Os sistemas hormonais podem ser influenciados por fatores genéticos e ambientais e, em consequência, atuar no funcionamento cerebral. Como marcadores biológicos, os hormônios podem fornecer pistas esclarecedoras sobre o que ocorre no cérebro de um psicopata. Os dois hormônios mais implicados até o momento na psicopatia, com seus respectivos eixos, são o cortisol e a testosterona. Este artigo visa correlacionar as manifestações cognitivas, emocionais e comportamentais da personalidade psicopática com os desequilíbrios neuroendócrinos.
Amaury Cantilino, Joel Rennó Jr., Hewdy Lobo Ribeiro, Juliana Pires Calvasan, Renata Demarque, Jerônimo De A. Mendes Ribeiro, Gislene Valadares, Renan Rocha, Antônio Geraldo Da Silva
Debates em Psiquiatria, pp 18-22; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-1-4

Abstract:
Depressão materna não tratada está associada a sofrimento significativo para a mãe, a criança e a família. Ela afeta a capacidade de a mãe interagir adequadamente com seu filho. Médicos se preocupam com o tratamento farmacológico durante esse período, em função da exposição dos recém-nascidos ao medicamento no leite materno. Este artigo sugere que, quando o tratamento com antidepressivos for indicado para depressão pós-parto, as mulheres geralmente não devem ser aconselhadas a interromper a amamentação. Quanto à escolha do antidepressivo específico, paroxetina e sertralina devem ser considerados em primeiro lugar. Embora algum cuidado exista em relação à fluoxetina, ao citalopram e à venlafaxina, devido às altas concentrações dessas substâncias no leite humano, os médicos devem considerar que, se a mãe foi eficazmente tratada com um desses medicamentos durante a gravidez, geralmente também é aceitável que o tratamento com o mesmo medicamento seja mantido (em vez de mudar para outro antidepressivo), mesmo que a mãe esteja amamentando.
Renata Almeida De Souza Aranha E Silva, Danilo Antonio Baltieri
Debates em Psiquiatria, pp 6-11; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-1-2

Abstract:
O acesso à rede mundial de computadores possibilitou que as relações virtuais acontecessem de uma maneira menos compromissada com a realidade e favoreceu a aceitação de práticas sexuais incomuns ou consideradas inadequadas. Atualmente, várias plataformas comunicacionais são alimentadas por usuários, responsáveis por conteúdos que criam interações, troca de materiais e relacionamentos online. Pode-se considerar que a democratização da sexualidade em ambientes virtuais tenha benefícios; porém, o excesso de informação sem critérios e a facilidade de acesso a fotos, vídeos e outros materiais pode causar danos. É possível observar espaços para a divulgação de fantasias parafílicas, entre elas a zoofilia (excitação ou práticas sexualmente excitantes envolvendo animais), que, do ponto de vista médico, é um transtorno de preferência sexual ainda pouco estudado. Estabelecer limites para relacionamentos mediados pela Internet e avaliar a consequência dessa interação na prática não é tarefa fácil, mas necessária.
Quirino Cordeiro, Leika Garcia Sumi, Karine Higa, Lílian Ribeiro Caldas Ratto,
Debates em Psiquiatria, pp 12-16; https://doi.org/10.25118/2236-918x-5-1-3

Abstract:
O indulto para presos é uma prerrogativa presidencial prevista na Constituição brasileira e publicada por meio de decreto. Em 2008, o indulto presidencial, que antes era restrito a criminosos apenados, foi estendido a pacientes em medida de segurança. Desde então, o indulto presidencial para pacientes forenses em medida de segurança tem sido renovado anualmente. Tal situação tem gerado grande debate no meio jurídico e psiquiátrico-forense. Além disso, ao longo das últimas edições do decreto de indulto presidencial, as normas para a concessão desse instituto jurídico têm sido cada vez mais abrangentes, muitas vezes carecendo de sustentação técnica e legal, o que também tem levado a grandes discussões e manifestações contrárias por parte de diversos segmentos da sociedade. Diante disso, o presente artigo tem como objetivo apresentar e discutir os diversos aspectos controversos contidos no indulto presidencial, com enfoque na sua abrangência à medida de segurança, questão que diz respeito diretamente à psiquiatria forense.
Eduardo Sauerbronn Gouvea, , Bianca Bonadia, Natasha Malo De Senço, , ,
Debates em Psiquiatria, pp 16-23; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-6-2

Abstract:
O termo psicose é usado para descrever um estado mental em que o indivíduo perde o contato com a realidade, e a etapa inicial de manifestação dos sintomas psicóticos define o primeiro episódio psicótico (PEP). Este artigo apresenta conceitos e dados gerais sobre PEP, apresenta fatores de risco e provê orientações sobre o diagnóstico (inclusive diagnósticos diferenciais), tratamento e acompanhamento de pacientes com PEP, com destaque para o papel das emergências psiquiátricas. As diferentes fases das psicoses também são descritas. Como conclusão, os autores salientam a importância da identificação e investigação dos casos, o início precoce do tratamento e o acompanhamento aproximado e individualizado dos pacientes.
Rodrigo Carvalho, Giuliana C. Cividanes, Luciana Porto Cavalcante Da Nobrega, Mario Dinis Mateus, Rosaly Braga, Euthymia Almeida Prado, Andrea Feijó De Mello
Debates em Psiquiatria, pp 34-37; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-6-4

Abstract:
A 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V) chamou a atenção para a presença de sintomas persistentes de humor no transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Este artigo descreve o caso de um paciente com TEPT que apresentou alterações persistentes de humor e exigiu revisão das abordagens medicamentosas adotadas. O desafio ao tratar esses casos é como abordar o conjunto de sintomas, tratando simultaneamente o TEPT e a disforia. O uso de estabilizadores do humor atende às teorias fisiopatológicas atuais, mas mais estudos são necessários para comprovar a real eficácia dessas medicações no tratamento do TEPT “subtipo disfórico”.
Carolina De Meneses Gaya, Clarice Sandi Madruga, André De Queiroz Constantino Miguel, Sandro Mitsuhiro, Ilana Pinsky, , Ronaldo Laranjeira
Debates em Psiquiatria, pp 6-14; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-6-1

Abstract:
Este estudo buscou analisar, em uma amostra representativa da população brasileira, as prevalências de aceitação de políticas relacionadas ao acesso, promoção, prevenção e tratamento dos problemas relacionados ao uso do álcool, bem como sua anuência para possíveis mudanças. Investigou, ainda, o perfil dos indivíduos não favoráveis às políticas por meio de avaliação da associação com variáveis sociodemográficas, consumo de outras substâncias psicotrópicas, acesso a campanhas de prevenção e exposição a propagandas de bebidas. Trata-se de estudo com desenho transversal usando dados do I Levantamento Nacional de Álcool e Drogas. Uma amostra de 3.007 participantes responderam escalas sobre 16 políticas restritivas. Uma escala de aceitação foi criada, e o grupo dos 5% que menos aderiam às políticas foi analisado. As associações foram realizadas através de modelos ajustados de regressão logística (StataSE10). Observou-se que a maioria da população investigada apoia as políticas vigentes, assim como a implementação de novas leis de restrição ao consumo de álcool. Os fatores preditores de não aceitação das políticas foram: ser homem, jovem, sem relacionamento estável, com maior escolaridade, não religioso e tabagista. O uso substâncias ilícitas e abuso e/ou dependência de álcool também foram associados a não adesão às políticas de restrição avaliadas. As políticas referindo tratamento para o alcoolismo e restrição de propagandas foram as mais aceitas. Incentiva-se iniciativas de esclarecimento da importância das políticas de saúde pública direcionadas ao perfil do público menos adepto.
Jeronimo De A. Mendes Ribeiro, Joel Rennó Jr., Hewdy Lobo Ribeiro, Juliana Pires Cavalsan, Gislene Cristina Valadares, Amaury Cantilino, Renata Demarque, Renan Rocha, Antônio Geraldo Da Silva, Luciano Minuzzi
Debates em Psiquiatria, pp 24-31; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-6-3

Abstract:
O uso de escalas na prática clínica é bastante conhecido e pode ser útil quando os instrumentos são utilizados como parte do processo de avaliação diagnóstica, na identificação da presença ou ausência de um determinado transtorno, no monitoramento do progresso terapêutico e na quantificação e documentação da gravidade de determinados sintomas. O período perinatal pode estar associado a desfechos adversos e impactar de maneira negativa a saúde mental das mulheres. Embora existam poucos instrumentos especificamente desenvolvidos para essa subpopulação, há uma uma crescente tendência em se afirmar que o monitoramento cuidadoso e contínuo de sintomas e condições psiquiátricas prevalentes nesse período através de questionários de autoavaliação pode trazer benefícios na tomada de decisão ou busca de acompanhamento especializado e precoce, quando necessário.
Lisieux E. De Borba Telles, Katia Mecler, Alexandre Martins Valença, Issam Ahmad Jomaa, Alcina Juliana Soares Barros
Debates em Psiquiatria, pp 40-43; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-6-5

Abstract:
As ofensas sexuais contra crianças respondem por significativa parcela dos crimes sexuais. Neste artigo, enfocaremos a pedofilia, uma parafilia com importantes repercussões na prática pericial, particularmente pelo grupo vitimizado (crianças). Relatamos o caso de um periciado acusado por crime sexual infantil submetido a exame de responsabilidade penal em instituição psiquiátrica forense brasileira. O caso evidencia a necessidade de ampliação do conhecimento dos diferentes perfis de agressorores sexuais, de forma a melhorar a identificação e o tratamento do ofensor, na busca da prevenção desses atos.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Alessandra Diehl, Denise Leite Vieira, Jair De Jesus Mari
Debates em Psiquiatria, Volume 4, pp 20-25; https://doi.org/10.25118/2763-9037.2014.v4.256

Abstract:
A Organização Mundial de Saúde (OMS) está em processo de revisão da Classificação Internacional de Doenças e dos Problemas Relacionados à Saúde, atualmente na sua 10ª versão (CID-10). Várias mudanças vêm sendo propostas para as condições relacionadas à sexualidade e à saúde sexual, sendo que uma delas é a total eliminação de todas as categorias do código F66 (transtornos psicológicos e comportamentais associados ao desenvolvimento sexual e à sua orientação) existentes na CID-10. Isso porque se acredita que a atual versão tende a patologizar uma resposta normal do desenvolvimento e gerar mais estigma, discriminação social e possíveis idiossincrasias terapêuticas. Soma-se a isso o fato de que nenhuma dessas categorias apresentou relevância ou utilidade clínica. O objetivo deste artigo é proporcionar atualização sobre essa proposta de revisão para a CID-11 dentro do contexto da compreensão científica atual sobre a orientação sexual humana.
Hewdy Lobo Ribeiro, Joel Renno Jr., Renata Demarque, Juliana Pires Cavalsan, Renan Rocha, Amaury Cantilino, Jerônimo De Almeida Mendes Ribeiro, Gislene Valadares, Antônio Geraldo Da Silva
Debates em Psiquiatria, pp 14-17; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-5-2

Abstract:
A psiquiatria forense é a especialidade médica que realiza o diálogo entre a psiquiatria e o direito. Quanto aos aspectos relacionados ao gênero, alguns temas têm recebido destaque na literatura acadêmica da psiquiatria forense: a Lei Maria da Penha, principalmente para a avaliação dos danos psíquicos decorrentes da violência psicológica; o infanticídio, caracterizado pelo estado puerperal da mãe; o filicídio, que pode ou não ser decorrente de transtorno mental materno; e os transtornos mentais perinatais, em especial a disforia pós- -parto, a depressão maior perinatal e o transtorno psicótico perinatal. Profissionais devem estar atentos ao nexo de causalidade entre transtorno mental e o ato ou omissão da mulher e sua capacidade de entendimento e determinação diante do evento.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Alessandra Diehl, Denise Leite Vieira, Jair De Jesus Mari
Debates em Psiquiatria, pp 20-25; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-5-3

Abstract:
A Organização Mundial de Saúde (OMS) está em processo de revisão da Classificação Internacional de Doenças e dos Problemas Relacionados à Saúde, atualmente na sua 10ª versão (CID-10). Várias mudanças vêm sendo propostas para as condições relacionadas à sexualidade e à saúde sexual, sendo que uma delas é a total eliminação de todas as categorias do código F66 (transtornos psicológicos e comportamentais associados ao desenvolvimento sexual e à sua orientação) existentes na CID-10. Isso porque se acredita que a atual versão tende a patologizar uma resposta normal do desenvolvimento e gerar mais estigma, discriminação social e possíveis idiossincrasias terapêuticas. Soma-se a isso o fato de que nenhuma dessas categorias apresentou relevância ou utilidade clínica. O objetivo deste artigo é proporcionar atualização sobre essa proposta de revisão para a CID-11 dentro do contexto da compreensão científica atual sobre a orientação sexual humana.
Marcelo Feijó De Mello, , Mariana Pires Luz, Ivan Figueira
Debates em Psiquiatria, pp 28-31; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-5-4

Abstract:
O Brasil apresentou piora alarmante dos índices de violência nos últimos 30 anos. Este artigo discute dados diversos, o papel da maternagem na defi nição de como o indivíduo se relacionará social e afetivamente na vida adulta, e discorre sobre estratégias e campanhas que poderiam ajudar a reverter o grave quadro atual.
Katia Mecler, Lisieux E. De Borba Telles, Alexandre Martins Valença, Samantha Salem, Leonardo Fernandez Meyer
Debates em Psiquiatria, pp 6-13; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-5-1

Abstract:
O novo Código Civil Brasileiro, apesar de avançar em muitos sentidos, deixa a desejar no aspecto da manutenção da integridade dos direitos e decisões pessoais de indivíduos estabelecidos como incapazes pela lei. Embora o que se busque através do instituto da curatela seja a proteção para aqueles a quem falta a capacidade de cuidarem de si mesmos, a indicação de um curador pode trazer sérias consequências para o curatelado. Esse status legal pode privar a pessoa do direito a escolhas importantes, como aquelas relacionadas aos atos de casar-se, votar e educar crianças, aos cuidados com a saúde e consentimento com tratamentos, à escolha do lugar de residência e a outros aspectos fundamentais de uma vida comunitária. No decorrer deste artigo, comparamos as leis de curatela de países da Europa, Estados Unidos e Brasil. O Código Civil Brasileiro tem-se mostrado o mais atrasado dentre os analisados, limitando em muito os direitos pessoais de seus curatelados e ultrapassando o limiar dos direitos individuais.
Victor Siciliano Soares, Claudiane Salles Daltio, Cecília Attux
Debates em Psiquiatria, pp 32-34; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-5-5

Abstract:
Este artigo relata o caso de um paciente jovem em primeiro episódio psicótico e com dificuldade de adesão ao tratamento, no qual foi utilizado um antipsicótico de segunda geração de ação prolongada. Os antipsicóticos de longa ação devem ser considerados mais amplamente no tratamento da esquizofrenia pela facilidade do manejo e segurança na tomada da medicação, pois melhoram a adesão e, consequentemente, o prognóstico dos pacientes.
Wanessa Ferreira Da Silva, Roberth Anthunes Marques Cabral, Letícia Xavier Faria
Debates em Psiquiatria, pp 20-28; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-4-3

Abstract:
O objetivo desta pesquisa é considerar os direitos dispostos pela Lei 10.216/2001 para o atendimento de pacientes portadores de doença mental residentes em Trindade (GO) e nas cidades circunvizinhas que buscam atendimento clínico, cirúrgico e/ou emergencial no Hospital de Urgências de Trindade (GO) (HUTRIN). Com base na lei supracitada, a instituição pesquisada assume o dever de prestar o atendimento necessário a essa população específica, mesmo que não disponha de uma ala psiquiátrica. Este estudo discute a importância da capacitação da equipe de enfermagem do hospital para as ações de tratamento digno e previsto em lei no atendimento de pacientes com doença mental, o exercício dos direitos dos mesmos e as falhas das políticas de saúde pública e da instituição.
Ana G. Hounie
Debates em Psiquiatria, pp 12-18; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-4-2

Abstract:
A síndrome de Tourette pode ser branda e nunca ser diagnosticada, e pode ser grave e refratária, necessitando de intervenção cirúrgica, situação que ocorre em uma minoria dos casos. Este artigo busca revisar a literatura sobre estimulação cerebral profunda nos casos refratários da síndrome de Tourette.
Renata Demarque, Joel Rennó Jr., Hewdy Lobo Ribeiro, Juliana Pires Cavalsan, Gislene Valadares, Amaury Cantilino, Jerônimo De Almeida Mendes Ribeiro, Renan Rocha, Antônio Geraldo Da Silva
Debates em Psiquiatria, pp 30-32; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-4-4

Abstract:
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, estima- -se que entre 60 e 80 milhões de pessoas em todo o mundo enfrentem dificuldades para levar a cabo seu projeto de paternidade e maternidade em algum momento da vida. Desejar ter filhos mas se deparar com a impossibilidade desse processo produz uma ampla gama de sentimentos, tais como medo, ansiedade, tristeza, frustração, desvalia e vergonha, desencadeando, por vezes, quadros importantes de estresse. A situação de infertilidade pode provocar efeitos devastadores tanto na esfera individual como conjugal, interferir nas relações sociais e na qualidade de vida. Muitas mulheres inférteis percebem a situação como estigmatizante, causadora de sofrimento psíquico e isolamento social.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Pedro Shiozawa, Geraldo Teles Machado Netto, ,
Debates em Psiquiatria, pp 6-10; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-4-1

Abstract:
Transtornos depressivos são um importante problema de saúde pública. Este artigo relata o caso de uma paciente do sexo feminino, 35 anos, internada por quadro depressivo grave com sintomas psicóticos refratários a tratamento medicamentoso. Ao longo de 3 anos de acompanhamento psiquiátrico, a eletroconvulsoterapia (ECT) nunca havia sido oferecida como opção de tratamento. A paciente foi tratada com ECT e apresentou melhora significativa dos sintomas psiquiátricos e físicos, e atualmente leva uma vida normal. São discutidas as indicações e limitações do uso de ECT.
Lisandre F. Brunelli
Debates em Psiquiatria, pp 34-37; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-4-5

Abstract:
As visitas domiciliares são atividades características e obrigatórias na Estratégia Saúde da Família, mas não para as equipes dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), podendo ou não ser utilizadas como ferramentas para acolhimento dos pacientes portadores de transtornos mentais e suas famílias, estimulando sua integração social, apoiando suas iniciativas em busca da autonomia, oferecendo-lhes atendimento médico e psicológico. Quando realizadas, geralmente o são por membros da equipe multidisciplinar, substituindo a visita ao médico psiquiatra da equipe.
Débora Mascella Krieger, Carlos Alberto Sampaio Martins De Barros, Elisa Fasolin Mello, Mauro Barbosa Terra
Debates em Psiquiatria, pp 12-17; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-3-2

Abstract:
A insônia e a depressão são comuns na população em geral, sendo causas frequentes de morbimortalidade, e a ocorrência das duas afecções no mesmo paciente é muito encontrada. Vários agentes farmacológicos existem no mercado para tratamento de ambas as condições, mas seus parefeitos são motivos de abandono do mesmo. O entendimento do ritmo circadiano bem como do seu impacto sobre o sono e o humor levaram ao estudo da melatonina e de seus derivados. Tem sido proposto o tratamento de ambas as condições com um mecanismo de ação diferente das opções psicofarmacológicas presentes no mercado até o momento. O papel da melatonina e de seus análogos é o objetivo desta revisão.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
Dirceu Zorzetto Filho
Debates em Psiquiatria, pp 6-11; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-3-1

Abstract:
Os distúrbios do sono e do ritmo circadiano constituem características essenciais dos quadros depressivos. As alterações do ciclo vigília-sono são frequentemente sintomas prodrômicos dos transtornos depressivos e desempenham um papel na patofisiologia dos transtornos do humor. Essas alterações predizem um novo episódio, aumentam o risco de recaída e de recorrência e correlacionam com maior risco de suicídio. A permanência de transtornos de sono pode aumentar a refratariedade ao tratamento. Os pacientes com depressões resistentes ao tratamento farmacológico apresentam uma importante desregulação circadiana e diminuição da amplitude do ritmo delta durante o sono. Os tratamentos disponíveis para os distúrbios do sono na depressão resistente incluem medicações com efeitos hipnóticos e intervenções não farmacológicas. Drogas como os agonistas de receptores benzodiazepínicos, agonistas melatoninérgicos e antagonistas dos receptores serotonérgicos do tipo 2C têm demonstrado eficácia na regularização das alterações do sono em pacientes com depressão. Intervenções não farmacológicas como a terapia cognitivo- -comportamental e a fototerapia também são úteis, particularmente quando associadas à medicação antidepressiva.
Amaury Cantilino, Joel Rennó Jr, Hewdy Lobo Ribeiro, Juliana Pires Calvasan, Renata Demarque, Jerônimo De A. Mendes Ribeiro, Gislene Valadares, Renan Rocha, Antônio Geraldo Da Silva
Debates em Psiquiatria, pp 34-39; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-3-5

Abstract:
Decidir se devem continuar a tomar ou não medicações durante a gravidez é uma escolha complexa para as mulheres e os seus prestadores de cuidados de saúde. Informações de amigos, familiares, profissionais de saúde e meios de comunicação podem ter um impacto importante na tomada de decisões sobre a farmacoterapia para transtornos psiquiátricos durante a gestação. Este artigo procura mostrar como o estigma relacionado ao tratamento psiquiátrico também pode interferir na percepção de risco associada a ele durante a gravidez. Se a sociedade, as pacientes e os médicos se preocupam com o uso de medicações durante a gestação, preocupação maior parece existir se estas medicações são psicofármacos. Os profissionais de saúde devem reconhecer isso para identificar as barreiras principais enquanto prestam atendimento a pacientes que necessitam de psicofarmacoterapia neste período.
Jaluza Aimèe Schneider, Carolina Macedo Lisboa, Caroline Mallmann
Debates em Psiquiatria, pp 24-33; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-3-4

Abstract:
A dependência química – DQ – constitui-se um problema de saúde pública e uma preocupação em nível nacional. Neste contexto, observa-se um significativo crescimento de consumo de cocaína e crack nos últimos anos. Este trabalho objetivou verificar a existência, ou não, da associação entre dependência de cocaína e/ou crack e transtorno de personalidade antissocial – TPA - e psicopatia. Participaram da pesquisa 30 homens com diagnóstico de dependência química, internados em uma instituição, com idades variando de 19 a 53 anos (M= 30,30; DP= 8,44). Os participantes responderam ao Drug Abuse Screening Test (DAST), Mini International Neuropsychiatric Interview (M.I.N.I Plus) e Escala HARE PCL-R.Os resultados demonstraram que os dependentes de cocaína e/ou crack da amostra, em sua maioria, estavam desempregados e solteiros. Os resultados apresentaram uma associação positiva com os sintomas da psicopatia. Também foi identificada presença de sintomas do TPA nesta população, porém sem serem significativos estatisticamente, neste estudo. Evidencia-se a necessidade dos tratamentos para dependência de cocaína e/ou crack abordarem aspectos específicos dos sintomas do transtorno de personalidade antissocial – TPA- e psicopatia para que se obtenham resultados mais efetivos na redução e prevenção da DQ.
Roger Bitencourt Varela, Wilson Rodrigues Resende,
Debates em Psiquiatria, pp 6-14; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-2-1

Abstract:
O Transtorno Bipolar é um transtorno do humor grave com grande morbidade e mortalidade. É caracterizado por recorrentes episódios de mania e depressão. Pouco se sabe sobre a precisa neurobiologia do TB, que é essencial para o desenvolvimento de terapias específicas que funcionem rapidamente e sejam mais eficazes e toleráveis que as terapias existentes. Dadas as limitações das tecnologias não invasivas atuais para estudar o cérebro humano, os modelos animais de transtornos psiquiátricos são uma das ferramentas mais importantes para os estudos neurobiológicos. Nessa revisão são abordados alguns novos alvos terapêuticos para o tratamento do transtorno bipolar, descobertos através de estudo com modelos animais. Estudos com o modelo animal de mania induzido por anfetamina apresentam excelentes resultados apontando o envolvimento do estresse oxidativo, da Proteína Quinase C e das Histonas Deacetilases na fisiopatologia do transtorno bipolar, assim como seu potencial enquanto alvos terapêuticos, porém, esses alvos devem ser continuamente explorados nos transtornos de humor.
Suyan Gehlm Ribeiro Dos Santos, Carla Streit
Debates em Psiquiatria, pp 16-23; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-2-2

Abstract:
O Transtorno de Humor Bipolar (THB) é uma doença psiquiátrica crônica caracterizada por oscilações ou mudanças cíclicas de humor. Classificado em Tipo I (predomínio de episódios maníacos) forma mais severa da doença e o Tipo II (predomínio de episódios hipomaníacos). Possui origem multifatorial, incluindo influências ambientais, biológicas e genéticas acometendo cerca de 1% a 2 % da população geral. O objetivo deste estudo foi realizar uma revisão da literatura nas bases de dados eletrônicos abordando o transtorno de humor bipolar com o papel do Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (BDNF) e alterações moleculares. Devido ao elevado índice de pacientes acometidos e as diversas hipóteses estudadas por pesquisadores para elucidar os mecanismos envolvidos na doença, este estudo faz-se necessário a fim de contribuir na compreensão da mesma. Conclui-se, que embora haja diversos estudos relacionando polimorfismos à predisposição do THB a fisiopatologia da doença ainda não foi elucidada completamente, necessitando de pesquisas adicionais com o intuito de auxiliar na compreensão e progressão da mesma.
Felipe Almeida Picon
Debates em Psiquiatria, pp 36-41; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-2-4

Abstract:
Essa revisão descreve primeiramente o funcionamento das metodologias de ressonância magnética: morfometria baseada em voxels, morfometria baseada em superfície, imagem por tensor de difusão, ressonância magnética funcional com aplicação de tarefas neuropsicológicas e sem tarefas, historicamente conhecida como ressonância funcional em estado de repouso. Em seguida, traz os principais achados da aplicação dessas técnicas no estudo do TDAH.
Renan Rocha, Joel Rennó Jr, Hewdy Lobo Ribeiro, Juliana Pires Cavalsan, Renata Demarque, Amaury Cantilino, Jerônimo De Almeida Mendes Ribeiro, Gislene Valadares, Antonio Geraldo Da Silva
Debates em Psiquiatria, pp 44-48; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-2-5

Abstract:
Progressivamente, métodos de pesquisa científica têm sido utilizados para aperfeiçoar o conhecimento médico, as condutas nosológicas e a confiabilidade dos tratamentos. A Psiquiatria tem sido tema de centenas de estudos clínicos que buscam investigar medidas de eficácia terapêutica e acurácia diagnóstica. Mais recentemente, a Medicina Baseada em Evidências proporcionou e promoveu o emprego da metodologia em Bioestatística para o aprimoramento dos desfechos médicos. Neste sentido, Metanálises e Revisões Sistemáticas contribuem significativamente para a Saúde Mental da Mulher
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
André F. Carvalho
Debates em Psiquiatria, pp 26-34; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-2-3

Abstract:
O transtorno bipolar (TB) é crônico e incapacitante, sendo clinicamente caracterizado por episódios recorrentes de mania (ou hipomania) e depressão, além de estados mistos. O TB está associado a um aumento do risco de suicídio e a uma elevada prevalência de co-morbidades médicas e psiquiátricas, além de morte prematura e disfunção cognitiva. Os tratamentos disponíveis para o TB são insuficientes para uma proporção significativa de pacientes. Diversos novos alvos terapêuticos vêm sendo explorados para o desenvolvimento de novos fármacos com propriedades estabilizadoras do humor, incluindo: (1) a via da glicogênio sintase quinase 3 (GSK-3); (2) o via do fosfatidil-inositol e da proteína quinase C; (3) o fator de crescimento derivado do cérebro (BDNF); (4) as histonas deacetilases; (5) o sistema melatoninérgico; (6) fármacos anti-oxidantes e moduladores da função mitocondrial, além de (7) fármacos anti-inflamatórios. O presente artigo revisa o estado atual do conhecimento, além das dificuldades para o desenvolvimento de novos fármacos para o TB dentro de uma perspectiva translacional. O desenvolvimento de estratégias integrativas que analisem dados dimensionais de alta precisão, mesclando dados “ômicos” através de técnicas de bioinformática são necessárias para uma melhor elucidação da fisiopatologia complexa do TB. Tais achados podem levar ao desenvolvimento de novos fármacos para o TB, além de um tratamento personalizado.
Márcia Gonçalves, Fernando Portela Camara
Debates em Psiquiatria, pp 28-35; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-1-3

Abstract:
Foram estudados os transtornos psiquiátricos em ações previdenciárias contra o INSS em uma vara federal de São José dos Campos no período de um ano a fim de conhecer as patologias de maior prevalência e o perfil profissional de quem busca a justiça para auxílio previdenciário e aposentadoria. Um perfil sociológico bem definido se sobressaiu na pesquisa, sugerindo que transtornos afetivos em homens adultos com fracos elos psicossociais é causa frequente de incapacidade labora Le social.
Evelyn Kuczynski
Debates em Psiquiatria, pp 6-11; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-1-1

Abstract:
Este artigo se propõe a abordar a questão do retardo mental e sua detecção precoce, uma vez que tal processo determina a possibilidade de prevenção, assim como de abordagem terapêutica, reabilitação e prognóstico. O progressivo interesse da Saúde Mental brasileira pela questão do continuum autista vem se processando de maneira superficial, em detrimento da identificação e condução dos casos de retardo mental (muito mais frequentes). A detecção de casos de autismo cresceu dramaticamente nos EUA (de 1996 a 2007). Não se sabe quanto deste crescimento (ou todo ele) se deve a alterações na prevalência do autismo. A qualificação do psiquiatra (e de outros profissionais da Saúde) carece de intimidade com esta entidade clínica, tão variada e heterogênea. Atualmente são raros no Brasil os serviços multidisciplinares envolvidos na detecção precoce e capacitação de profissionais de Saúde nesta área de conhecimento.
Gislene C Valadares, José Raimundo Da Silva Lippi, Joel Rennó Junior, Juliana Pires Cavalsan, Renata Demarque, Hewdy Ribeiro Lobo, Amaury Cantilino, Renan Rocha, Jerônimo De Almeida Mendes Ribeiro, Antônio Geraldo Da Silva
Debates em Psiquiatria, pp 14-26; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-1-2

Abstract:
A avaliação das vítimas de ofensa sexual necessita conhecimento, treinamento, sensibilidade e responsabilidade não submetendo a vítima a vivência também traumática da violência sofrida. Os passos dos cuidados são apresentados de acordo com protocolos internacionais. O tratamento psicoterápico e psicofarmacológico é apresentado.
, Paulo Mattos
Debates em Psiquiatria, pp 42-50; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-1-5

Abstract:
O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é amplamente reconhecido como um transtorno de etiologia neurobiológica, porém suas bases etiológicas ainda não são completamente reconhecidas. Achados sobre epidemiologia do TDAH apontam para aumento de prevalência de sintomas em familiares de indivíduos portadores. Estes resultados incentivaram um grande número de pesquisas sobre genética do TDAH, bem como sobre as influências da gestação e até mesmo do ambiente familiar na gênese do TDAH. Os estudos epidemiológicos que investigam portadores de um transtorno e seus familiares tornaram-se ferramentas úteis para auxiliar a melhor compreensão das bases genéticas e ambientais dos diversos transtornos mentais. O artigo apresentado revisa, de forma não sistemática, alguns dos principais achados sobre etiologia do TDAH, focando- se mais precisamente nos estudos que se utilizam de bases familiares. Os achados aqui apresentados devem servir como base para o entendimento atual dos estudos de famílias em TDAH, e auxiliar pesquisadores que se interessam tanto por epidemiologia genética, quanto por pesquisas em TDAH.
Alessandra Diehl, Hewdy Lobo Ribeiro
Debates em Psiquiatria, pp 36-40; https://doi.org/10.25118/2236-918x-4-1-4

Abstract:
A Comissão Global de Politicas de Drogas em 2011 anunciou que a “guerra contra as drogas falhou” e a legalização das drogas seria uma das respostas para conter o tráfico, à violência, o excessivo encarceramento e o consumo de drogas entre os mais jovens. No entanto, reforça-se a estrita necessidade de analisar a questão a partir de uma perspectiva científica de quais seriam os hipotéticos benefícios que resultariam da legalização das drogas, principalmente para a saúde pública. Assim, este artigo tem por objetivo de forma resumida apontar alguns dos principais pontos baseados em evidências que reforçam que a legalização as drogas neste momento no Brasil é atitude no mínimo precipitada, descuidada e errônea.
Antônio Geraldo Da Silva, João Romildo Bueno
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