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Results in Journal Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social: 80

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Paula Macedo,
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 6, pp 69-81; doi:10.31211/rpics.2020.6.2.189

Abstract:
Objetivo: O estudo teve como objetivo analisar a articulação entre a saúde e o apoio social informal no âmbito da continuidade de cuidados. Participantes: Participaram 57 doentes referenciados em 2019 por um hospital para a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados em Portugal. A amostra era maioritariamente do sexo feminino (63,2%; n = 36), com uma média de idades de 80 anos (DP = 9,2), predominantemente de residência rural (64,9%; n = 37), casada (56,1%; n = 32), em que 35,0% vivia só ( n = 20). Método: Estudo descritivo com análise quantitativa univariada e análise categorial do conteúdo dos registos no processo social. Resultados: Dos 57 doentes referenciados para a Rede, registaram-se óbitos e cancelamentos em 32 casos (56,1%). Dos 25 doentes que tiveram alta da Rede, no pós-alta todos necessitavam de apoio informal e/ou formal, enquanto que à data de referenciação hospitalar apenas 20,0% da amostra necessitava de apoio (p < 0,001). Dos que tinham apoio, cerca de um terço tinha apoio da rede social primária, maioritariamente dos filhos e cerca de metade dos doentes tinha filhos emigrantes. No pós-alta 64% (n = 16 dos 25) tinham apoio informal. Verificámos ainda que 8,8% dos doentes eram cuidadores e passaram a necessitar de cuidados. Conclusão: O estudo confirma a importância de assegurar cuidados continuados aos cidadãos que viram a sua vulnerabilidade aumentada por doença com sequelas, assim como a fulcral articulação com o sistema de apoio informal aos doentes.
Patrícia Semião, , Cláudia Ferreira
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 6, pp 39-55; doi:10.31211/rpics.2020.6.2.180

Abstract:
Objetivos: O objetivo do presente estudo foi testar o comportamento ortorético (estilo atitudinal e comportamental que reflete uma preocupação intensa e persistente com o consumo de alimentos saudáveis) enquanto fator de risco para o desenvolvimento de comportamentos alimentares perturbados e comportamentos de ingestão alimentar compulsiva. No Estudo 1 foram testadas diferenças entre níveis moderados/severos e níveis baixos de comportamento ortorético em relação às experiências de vergonha (geral e focada na imagem corporal) e indicadores de comportamento alimentar perturbado (geral e compulsão alimentar). No Estudo 2 foi testado um modelo teórico que hipotetiza a associação entre o comportamento ortorético, vergonha geral e da imagem corporal como fatores de risco do comportamento alimentar perturbado e da compulsão alimentar, em mulheres da população geral. Método: A amostra foi constituída por 307 mulheres da população geral, com idades compreendidas entre 18 e 63 anos (M = 33,62 ± 11,73) que responderam a um protocolo online composto por medidas de autorresposta. Resultados: As participantes com níveis moderados/severos de comportamento ortorético revelaram níveis significativamente superiores de vergonha geral, vergonha da imagem corporal, comportamento alimentar perturbado e compulsão alimentar, comparativamente às participantes com níveis baixos de comportamento ortorético. Os resultados da path analysis indicaram que o comportamento ortorético, a vergonha geral e a vergonha da imagem corporal explicam 51,0% da variância do comportamento alimentar perturbado e 47,0% da variância da compulsão alimentar. Conclusões: O presente estudo sugere o comportamento ortorético como possível fator de risco para o desenvolvimento de Perturbações do Comportamento Alimentar. Os resultados deste estudo são importantes para a prática clínica, mostrando que os comportamentos ortoréticos, apesar de serem muitas vezes considerados como comportamentos socialmente aceitáveis, quando associados a experiências de vergonha geral e da imagem corporal, podem contribuir para maior severidade dos comportamentos alimentares perturbados, tanto do tipo restritivo como de ingestão alimentar compulsiva.
Tânia Morgado, Luís Loureiro, Maria Antónia Rebelo Botelho
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 6, pp 1-11; doi:10.31211/rpics.2020.2.2.179

Abstract:
Objetivo: Apresentar a tradução e adaptação transcultural de uma vinheta de ansiedade social em adolescentes para o português europeu, para integrar o Questionário de Avaliação da Literacia em Saúde Mental — QuALiSMental. Métodos: Realizou-se um estudo metodológico detradução e adaptação transcultural da vinheta de ansiedade social em adolescentes para o português europeu segundo as etapas: 1) tradução; 2) síntese das traduções; 3) retrotradução; 4) síntese das retrotraduções; 5) painel de peritos, constituído por oito profissionais de diferentes áreas da saúde; 6) cognitive debriefing, integrando seis adolescentes com uma média de idades de 14,33 anos (DP = 0,52); 7) revisão e relatório final. Ao longo deste processo, tivemos em conta as considerações éticas. Resultados: Obteve-se uma vinheta de ansiedade social nos adolescentes “João” e “Joana” no português europeu. Salientamos os resultados relativos às etapas: painel de peritos e cognitive debriefing. Foram obtidos os critérios de consenso, entre os peritos, para a equivalência semântica e idiomática, a equivalência experiencial e cultural e a equivalência conceptual. No cognitive debriefing verificou-se 100% de concordância relativamente à clareza do conteúdo da vinheta no português europeu. Conclusões: Esta vinheta pode ser utilizada na prática clínica, nos diferentes níveis de cuidados, na educação/formação e na investigação. Integrada no QuALiSMental permite a avaliação da literacia em saúde mental sobre a ansiedade em adolescentes em diversos contextos e/ou avaliação da efetividade de intervenções psicoeducacionais nesta área.
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social Gabinete editorial
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 6, pp 82-83; doi:10.31211/rpics.2020.6.2.193

Abstract:
Os altos padrões científicos mantidos pela Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social nos seus artigos deveram muito ao esforço dos revisores, que ofereceram livremente o seu tempo e conhecimento. Assim, os Editores da Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social agradecem aos seguintes revisores que reviram artigos no período de novembro de 2019 a novembro de 2020.
Marlene Ferreira, Ana Pereira, Ana Prior,
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 6, pp 12-23; doi:10.31211/rpics.2020.6.2.185

Abstract:
Contexto e Objetivo: A psicoterapia positiva alicerça-se concetualmente no estudo científico de emoções positivas, traços individuais positivos e pontos fortes. O objetivo é ajudar as pessoas a aprenderem que podem crescer como resultado de suas experiências, mesmo que a experiência seja traumática. Trata-se de um método psicoterapêutico que se foca na construção de emoções positivas, forças e significado na vida dos indivíduos para diminuir e prevenir a psicopatologia e promover a felicidade. Como ferramenta de avaliação, o Inventário de Psicoterapia Positiva (IPP) oferece aos profissionais de saúde mental a oportunidade de ver os resultados do processo terapêutico. Assim, o objetivo do presente estudo é conhecer as qualidades psicométricas do IPP numa amostra da população portuguesa. Métodos: Trata-se de um estudo metodológico, de carácter exploratório e descritivo, que visa a tradução-retroversão e análise das propriedades psicométricas (fidelidade e validade) recorrendo à administração do IPP, da Escala de Ansiedade, Depressão e Stress de 21 itens e do Mental Health Continuum – Short Form. A amostra foi composta por 247 participantes entre os 18 e 69 anos. Resultados: A versão traduzida e adaptada da escala cumpriu os critérios de equivalência semântica e apresentou um nível elevado de consistência interna (α de Cronbach = 0,97), altos valores de correlação entre formas (r = 0,92), assim como uma correlação elevada do item com o total do teste. O inventário ficou composto por 25 itens e explicado por três fatores, cumprindo os critérios de validade convergente e divergente. Conclusões: O estudo preliminar do IPP apresentou boas qualidades psicométricas. Sugere-se o alargamento da amostra para sustentação dos resultados obtidos.
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 6, pp 56-68; doi:10.31211/rpics.2020.6.2.187

Abstract:
Objetivos: O objetivo do presente estudo foi testar o papel mediador do medo de receber compaixão dos outros e dos sentimentos de segurança e proximidade, em contexto social, na associação entre vergonha externa e o bem-estar psicológico dos adolescentes. Foi hipotetizado que adolescentes com elevados níveis de vergonha externa apresentem uma diminuição nos níveis de bem-estar psicológico, através do aumento do medo de receber compaixão e da diminuição dos sentimentos de segurança e proximidade em contexto social. Métodos: Participaram neste estudo 361 adolescentes portugueses de ambos os sexos (43,8% rapazes; 56,2% raparigas), com idade entre os 12 e os 18 anos, os quais completaram medidas de autorresposta relativamente a sentimentos de vergonha, medo da compaixão, sentimentos de segurança e de proximidade aos outros, e bem-estar percebido dos adolescentes. Os dados foram explorados através de estatísticas descritivas e correlacionais, e o modelo teórico proposto foi testado através de análises path. Resultados: Os dados pareceram demonstrar que, em ambos os sexos, a vergonha externa está associada a um decréscimo do bem-estar psicológico dos adolescentes, e que este efeito é mediado pelo aumento do medo de receber compaixão dos outros e pela diminuição dos sentimentos de segurança e conexão em contexto social. Os resultados indicaram que o modelo testado apresenta um adequado ajustamento aos dados, explicando 15,0% da variância do medo de receber compaixão dos outros, 37,0% da variância dos sentimentos de segurança e proximidade aos outros e 46,0% da variância do bem-estar psicológico dos adolescentes. Conclusões: Este estudo parece contribuir para uma compreensão mais aprofundada acerca da importância do papel dos sentimentos de inferioridade, do medo de receber compaixão dos outros, e dos sentimentos de segurança e proximidade, no contexto social, no bem-estar psicológico dos adolescentes.
, Amorim Rosa, Marina Frajuca, Sandrina Cunha, Susana Correia, Tânia Morgado, Lúcia Costa
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 6, pp 24-38; doi:10.31211/rpics.2020.6.2.184

Abstract:
Objetivo: O presente estudo tem como objetivo avaliar o contributo em termos da efetividade do programa de Primeira Ajuda em Saúde Mental na literacia em saúde mental acerca da depressão, a partir de uma amostra de estudantes de Enfermagem aquando do ingresso e integração ao curso. Métodos: Utilizou-se um desenho pré-experimental com grupo único, avaliação pré e pós intervenção. O Programa teve a duração de um dia (9 horas). A amostra do estudo foi constituída por 100 estudantes do 1.º ano do curso de Enfermagem (na integração ao curso), tendo sido selecionados de modo aleatório simples com recurso ao softwarerandom.org. A média das idades foi de 18,54 anos (DP = 2,00 anos). Como instrumentos de colheita de dados foram utilizados o Questionário de Avaliação da Literacia em Saúde Mental, aplicado à depressão, a versão breve do Inventário de Crenças acerca das Doenças Mentais e a Escala de Avaliação do Estigma Pessoal. Recorreu-se às estatísticas resumo, aos testes de McNemar e t de Student para grupos emparelhados e, como medidas de tamanho de efeito, o g e o d respetivamente. Resultados: Observou-se com a intervenção um incremento da literacia em saúde mental ao nível do reconhecimento da depressão e estratégias comunicacionais de prestação de primeira ajuda (p < 0,05), especificamente na adequação e utilidade de valorizar sintomas e não expressar julgamentos, assim como uma redução das atitudes estigmatizantes acerca das doenças e doentes (p < 0,05). Conclusões: Apesar das limitações relacionadas com o desenho utilizado, nomeadamente a não existência de grupo de controlo, os resultados indicam que a frequência do programa contribui para aumentar a literacia em saúde mental e reduzir o estigma associado aos problemas de saúde mental.
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 6, pp 97-98; doi:10.31211/rpics.2020.6.1.161

Abstract:
[This paper has no First 111 words are shown] Chronic insomnia disorder (CID) is a highly prevalent sleep disorder and a public health problem (Riemann et al., 2017). It is well recognized as a subjective disorder. Subjective because the diagnosis is fundamentally based on the self-report/complaints of the patients and in the clinical assessment of the sleep expert through a systematic clinical interview – which is the standard method (gold standard) for establishing a diagnosis of CID (Marques et al., 2018). On the contrary, the diagnosis of other sleep disorders demands the so-called objective measures such as polysomnography (PSG) (Riemann et al., 2017). We cannot forget that being CID a subjective disorder, it is important to be exhaustive in clinical assessment.
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 6, pp 81-96; doi:10.31211/rpics.2020.6.1.172

Abstract:
Objetivo: Esta investigação tem como objetivo trazer uma reflexão sobre as várias expressões da(s) velhice(s), associadas à participação ativa das pessoas idosas em Estruturas Residenciais para Idosos (ERPI) e no seu projeto de vida. Método: A amostra envolveu 12 pessoas idosas e cinco assistentes sociais que residiam e exerciam a prática profissional em ERPI, respetivamente. O protocolo foi composto por questionário sociodemográfico e entrevistas em profundidade (semiestruturada), prosseguindo uma abordagem qualitativa (análise de conteúdo). Resultados: A amostra de pessoas idosas constitui-se maioritariamente por “idosos muito idosos” (> 85 anos). A participação nos processos decisórios em ERPI tenderam a inclinar-se para a renúncia voluntária das pessoas idosas em contribuir para as decisões alocadas às dinâmicas/estratégias institucionais. Na posição adotada pelas ERPI, ainda que estas assumam um padrão diretivo associado ao cuidado, começam a surgir disposições que apresentam um carácter mais inovador (e.g., comissões de idosos, biblioterapia, tertúlias), convergindo com as abordagens atuais do envelhecimento ativo, em que as pessoas idosas são reconhecidas como um coletivo heterogéneo. Este facto encontra paralelo com a expressão da satisfação dos seniores, advinda da oportunidade que lhes é dada de exercerem quotidianamente a sua cidadania. Conclusões: O cuidado institucional tende a privilegiar uma abordagem holística no entendimento da(s) velhice(s). Estas alterações, ainda que assumam um ritmo lento e monótono, fazem emergir abordagens operativas capazes de privilegiar o capital de conhecimento e sabedoria das pessoas idosas implicando-as ativamente nos processos decisórios em contextos residenciais coletivos, associadas aos movimentos contemporâneos do envelhecimento ativo.
Nuno De Noronha Da Costa Bispo, Viviane De Souza Pinho Costa, Mário Molari, Letícia Caroline Falossi, Tatiani Aparecida Silva Fidelis, Fernanda Freitas Gonçalves Leati, Thainara Ferreira Furini, Flamínia Manzano Moreira Lodovici, Ruth Gelehrter Da Costa Lopes, Maria Helena Villas Boas Concone
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 6, pp 64-80; doi:10.31211/rpics.2020.6.1.169

Abstract:
Objetivo: Verificar as mudanças na vida cotidiana em pessoas idosas institucionalizadas provocadas pelo impacto da doença foi o objetivo geral desta pesquisa etnográfica. Método: A pesquisa decorreu com 99 residentes de uma instituição de longa permanência para idosos, no sul do Brasil. Houve uma pesquisa documental da Instituição e a permanência do pesquisador para a familiarização deste com o ambiente e todo o público. A observação participante e a entrevista semiestruturada foram utilizadas para a coleta de dados. Após o trabalho de campo, os dados foram analisados por meio da descrição da observação e pelo método hermenêutico-dialético. Resultados: observou-se a dependência funcional, perda da autonomia e do controle pessoal. Nas falas dos participantes, constatou-se a perda da liberdade, a dependência física nas atividades do cotidiano, a diminuição da ocupação, o isolamento e a dificuldade para dormir. O acometimento da mobilidade foi notado na observação participante e nas entrevistas. Conclusão: Nas considerações finais a temática da pesquisa qualitativa destaca a restrição da autonomia que as pessoas idosas residentes da Instituição enfrentam diante às novas condições vivenciadas no quotidiano institucional ocasionado pela doença, o que interfere na qualidade de vida destes residentes.
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 6, pp 50-63; doi:10.31211/rpics.2020.6.1.170

Abstract:
Contexto: A adolescência é uma etapa desenvolvimental com mudanças biológicas, psicológicas e sociais que irão influenciar o funcionamento na idade adulta. A investigação em torno das Perturbações da Personalidade, e em particular da Perturbação Borderline da Personalidade (PBP), tem cada vez mais investido no estudo de traços disfuncionais e inflexíveis em idades precoces, uma vez que é claro que uma Perturbação da Personalidade não se manifesta apenas subitamente na idade adulta. Existe uma trajetória desenvolvimental que deve ser melhor compreendida e explorada. Objetivo: Neste sentido, o presente trabalho teve como objetivo analisar o contributo de processos e mecanismos psicológicos, como a impulsividade, autoaversão e autocompaixão, para a compreensão dos traços borderline na adolescência. Método: Este estudo tem um desenho transversal e uma amostra constituída por 440 adolescentes da população geral (278 raparigas e 162 rapazes), com idades compreendidas entre os 14 e os 17 anos. Com recurso ao SPSS, realizaram-se testes t para amostras independentes, correlações de Pearson e regressões lineares. Resultados: As raparigas, quando comparadas com os rapazes, apresentaram níveis mais elevados de autoaversão, depressão e traços borderline e níveis mais baixos de autocompaixão. Os modelos de regressão hierárquica para testar o poder preditivo da impulsividade, autoaversão e autocompaixão nos traços borderline foram significativos, explicando 46% da variância dos traços borderline em rapazes e 58% nas raparigas, controlando o efeito da depressão. Enquanto que nas raparigas, todas as variáveis apresentaram um contributo significativo (depressão, impulsividade, autocompaixão e autoaversão), nos rapazes apenas a depressão, impulsividade e autocompaixão revelaram poder preditivo. Conclusões: Os dados desta investigação salientam variáveis essenciais para compreender os traços borderline em adolescentes, bem como as diferenças nesses mecanismos psicológicos entre raparigas e rapazes, tendo significativas implicações para a investigação e, sobretudo, para a prática clínica e prevenção.
, Carina Gomes Forte, , Tânia Maurício
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 6, pp 19-39; doi:10.31211/rpics.2020.6.1.163

Abstract:
Objetivo: Tendo em conta as limitações na terapia convencional, os jogos são cada vez mais utilizados pelo seu potencial em integrar as várias dimensões humanas afetadas pela Doença de Parkinson. Este estudo teve como objetivo testar a aplicação de um programa de jogos tradicionais adaptados a pessoas com DP, incluindo dinâmicas intergeracionais. Método: Foram realizadas três sessões de jogos tradicionais adaptados, incluindo nove pessoas com Doença de Parkinson. Foi ainda dinamizada uma sessão com dinâmicas intergeracionais, precedida de uma sessão educativa às crianças (pré escolar, 4 e 5 anos de idade) sobre o tema do envelhecimento. Deste modo, antes e após cada sessão, foi avaliado o nível de autoeficácia através da Escala de Autoeficácia para a Atividade com Sentido de cada participante, bem como o feedback dos participantes e das crianças através de uma entrevista estruturada. A análise da entrevista implicou a codificação usando a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde por dois investigadores independentes. Resultados: Ao longo das sessões observou-se que cerca de 50% dos participantes melhoraram relativamente ao nível da autoeficácia e os restantes 50% mantiveram a cotação máxima. Observou-se também a importância da sessão educativa às crianças onde se verificou uma melhoria no nível de aprendizagem sobre o tema de envelhecimento, melhorando “o domínio de adaptações dos jogos para idosos”, bem como “o saber ajudar durante a implementação dos jogos “em população idosa. Ainda no decorrer das sessões, as pessoas com Doença de Parkinson assinalaram a importância de temas como: a componente afetiva que advêm da experiência, as memórias, o relacionamento entre os participantes e as crianças. Conclusões: Este estudo permitiu verificar que os jogos tradicionais adaptados têm impacto no nível da autoeficácia dos participantes bem como são catalisadores de dinâmicas positivas entre várias gerações.
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 6, pp 40-49; doi:10.31211/rpics.2020.6.1.166

Abstract:
Objective: The current study assessed depressive symptoms in Type 1 Diabetes Mellitus (T1DM) and Type 2 Diabetes Mellitus (T2DM) patients and explored whether these symptoms were associated with glycemic control. Methods: A cross-sectional design was used. Patients attending diabetes consultations participated in the study (N = 347). Participants completed the Beck Depression Inventory (BDI), and glycemic control was based on A1C criteria. Results: The mean score on the BDI, for either T1DM or T2DM, was not clinically significant and was not associated with diagnosis duration. The association between depression and glycemic control was significant in both DM types. T2DM participants presenting more depressive symptoms were those with greater glycemic control. T1DM and T2DM differences regarding depressive symptoms were in somatic symptoms. Conclusions: In T2DM depressive symptoms may be confounded with DM physical consequences. There is also the possibility that negative mood plays a mediating role in mobilizing survival strategies that promote glycemic control. Furthermore, the assessment of depressive symptomatology in patients with diabetes could benefit from the availability of a disease-specific measure.
Melanie Fernandes, ,
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 6, pp 1-18; doi:10.31211/rpics.2020.6.1.162

Abstract:
Objetivo: O presente estudo, de carácter exploratório, teve como principal objetivo examinar o papel preditor de processos relacionados com a regulação emocional (fusão cognitiva, evitamento experiencial, autocompaixão e autojulgamento) e da vergonha associada à doença nos sintomas psicopatológicos de depressão, ansiedade e stress em pacientes com diagnóstico de doença celíaca. Método: Através de uma associação de pacientes, foram recrutados 67 sujeitos com diagnóstico de doença celíaca autorreportado, os quais completaram online um questionário sociodemográfico e clínico e um conjunto de instrumentos de autorresposta, mais precisamente as Escalas de Ansiedade, Depressão e Stress – 21 (EADS-21), o Cognitive Fusion Questionnaire – Chronic Illness (CFQ-CI), o Acceptance and Action Questionnaire-II (AAQ-II), a Self-Compassion Scale (SCS), e a Chronic Illness-related Shame Scale (CISS). O papel mediador dos processos relacionados com a regulação emocional e da vergonha associada à doença crónica foi analisado através do cálculo de regressões lineares múltiplas hierárquicas. Resultados: O índice compósito de autojulgamento (autocriticismo, isolamento e sobreidentificação) revelou-se como o único preditor significativo dos sintomas de depressão, ansiedade e stress em pessoas com doença celíaca. Conclusões: Nas intervenções psicológicas dirigidas a pacientes com doença celíaca a avaliação e integração do autojulgamento enquanto processo de regulação emocional poderá ser relevante para a obtenção de ganhos terapêuticos no que se refere aos sintomas emocionais negativos de depressão, ansiedade e stress.
Laura Lemos, , Cristiana Duarte-Figueiredo, Diana Santos, Luís Cunha,
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 5, pp 49-67; doi:10.31211/rpics.2019.5.2.160

Abstract:
Introdução: O afeto positivo e negativo são duas dimensões psicobiológicas do bem-estar subjetivo (BES) relevantes para a forma como é experienciada a circunstância da recurso a apoio institucional na vida de muitas pessoas idosas. Objetivo: O objetivo do estudo foi validar, no contexto de resposta social, uma versão breve da Positive and Negative Affect Schedule (PANAS), um questionário que permite avaliar o afeto positivo e negativo. Métodos: Numa amostra de 389 idosos (61 – 100 anos; M = 80,89; DP = 7,48 anos), avaliados através da PANAS, da Satisfaction With Life Scalee da Geriatric Depression Scale-8, testaram-se as propriedades psicométricas e realizou-se uma análise fatorial exploratória da PANAS. Numa segunda amostra de 383 sujeitos (60 – 99 anos; M = 80,27; DP = 7,87 anos) efetuou-se uma análise fatorial confirmatória. Resultados: Obteve-se uma versão reduzida da PANAS, com 14 itens, estrutura bidimensional, adequadas consistências internas, validade convergente e divergente para o Afeto Positivo/AP e Afeto Negativo/AN. A estabilidade temporal (intervalo = 1,44 meses) foi igualmente adequada para o AP e para o AN (p < 0,001). A análise fatorial confirmatóriarevelou um ajustamento adequado para a estrutura bidimensional da PANAS-14 (AGFI = 0,91; CFI = 0,93; SRMR = 0,05; RMSEA = 0,06; PCLOSE = 0,12). Conclusão: A PANAS-14 é um instrumento breve psicometricamente adequado para a avaliação do PA e do NA em pessoas idosas em resposta social.
, Mónica Sousa, Vânia Margarida Leite, Nuno Miguel Bettencourt Da Silva Belchior,
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 5, pp 38-48; doi:10.31211/rpics.2019.5.2.150

Abstract:
Objetivos: O sono ao demonstrar-se fundamental para o desenvolvimento do indivíduo, despertando o interesse em investigar qualidade do sono em estudantes do ensino superior. Assim, pretendeu-se com o presente estudo, caracterizar as componentes da qualidade subjetiva do sono e sonolência excessiva diurna numa amostra de estudantes do ensino superior. Método: Aplicaram-se as versões portuguesas do Índice da qualidade do sono (PSQI-PT) e da Escala de Sonolência excessiva diurna (ESS), em 257 estudantes do ensino superior distribuídos por sete instituições de ensino superior. Resultados: A maioria dos participantes revelou subjetivamente uma má qualidade do sono e referiu dormir mais de sete horas durante a semana, sendo este número maior durante o fim de semana. A perceção da Latência do Sono e da Disfunção Durante o Dia diferiu em função do sexo dos participantes. Os trabalhadores-estudantes mostraram percecionar uma fraca Qualidade Subjetiva do Sono e uma menor Duração do Sono. Encontrou-se uma correlação baixa com significância estatística entre o PSQI-PT e a ESS. Apesar da maioria dos participantes da amostra percecionar uma má qualidade do sono, também a maioria revelou uma eficiência subjetiva do sono superior a 85,0%. Conclusões: Verificou-se que os participantes em estudo avaliaram subjetivamente a qualidade do sono como sendo pobre. Estudos futuros devem explorar possíveis programas de prevenção (i.e., alimentação, TIC, exercício físico) que melhorem a qualidade subjetiva do sono.
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 5, pp 1-18; doi:10.31211/rpics.2019.5.2.153

Abstract:
Objetivo: O presente estudo teve como objetivo testar o potencial efeito mediador da autocompaixão e da ação comprometida na relação entre vergonha e sintomatologia depressiva, em pessoas sem e com diagnóstico de doença física crónica. Adicionalmente, foram exploradas as diferenças em relação a essas variáveis entre os dois grupos. Métodos: A amostra foi constituída por 453 participantes (223 com e 230 sem diagnóstico de doença física crónica), os quais responderam numa plataforma online a um protocolo de medidas de autorrelato de vergonha, autocompaixão, ação comprometida e sintomas depressivos. Resultados: Os participantes com diagnóstico de doença crónica apresentaram níveis significativamente (p < 0,05) superiores de vergonha e sintomatologia depressiva, e níveis inferiores de ação comprometida, comparativamente aos participantes sem doença física crónica. Contudo, não foram encontradas diferenças significativas entre os dois grupos relativamente às competências autocompassivas. As análises de correlação revelaram que a vergonha se associa negativamente à autocompaixão e ação comprometida e positivamente á sintomatologia depressiva, tanto no grupo sem como no grupo com diagnóstico de doença física crónica. Os resultados da path analysis indicaram que sentimentos de vergonha têm um impacto significativo, explicando 41% da variância da sintomatologia depressiva, parcialmente via menores níveis de autocompaixão e de ação comprometida. Os resultados da análise multigrupos demonstraram que o modelo testado é plausível nos dois grupos em estudo. Conclusões: Este estudo parece fornecer importantes contributos para a compreensão do impacto protetor das competências autocompassivas e da adoção de ações comprometidas para a saúde mental, tanto para pessoas sem como com diagnóstico de doença física crónica. De facto, os resultados sugerem que estes processos de regulação emocional são importantes mecanismos mediadores da relação entre vergonha e sintomas depressivos. Finalmente, estes dados parecem suportar o desenvolvimento de abordagens mais eficazes para a promoção da saúde psicológica para pessoas sem e com doença crónica.
, Durval Alcaidinho, Maura Alcaidinho, Sara Silva
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 5, pp 85-96; doi:10.31211/rpics.2019.5.2.151

Abstract:
Contexto e Objetivo: O desfiguramento facial revela-se um problema quando afeta a criança/adolescente e respetivos familiares. No entanto, apesar de o principal objetivo dos enfermeiros se focar qualidade dos cuidados de saúde, a maioria dos profissionais de saúde carece de competências no cuidado de crianças/jovens com desfiguramento facial. Desconhecidos estudos em Portugal, desenvolveu-se uma análise da literatura com o objetivo de apresentar resultados de investigação e contribuir com reflexões sobre a realização de futuros estudos da contribuição do enfermeiro perante o desfiguramento facial em crianças/jovens. Métodos: Com recurso à plataforma MeSH, validaram-se os descritores: Desfiguramento Facial; Enfermeiros; Emoções, Criança/adolescente e Pediatria; tendo-se procedido à realização de uma pesquisa individual nas bases de dados: CINAHL®; Medline; Nursing & Allied Health Collection; Cochrane Plus Collection; Cochrane Database of Systematic Reviews e MedicLatina, através dos operadores booleanos AND e NOT. Resultados: Num total de 92 publicações, considerando-se 22 duplicadas e 66 publicações não cumpriam os critérios de inclusão, considerando-se somente quatro publicações elegíveis. Discussão e Conclusões: As lesões na cabeça são consideradas as principais causas de mortalidade (trauma) e a Fissura do Lábio Palatino é o desfiguramento congénito mais comum. Contudo ambas afetam a qualidade de vida e a identidade da criança/jovem comprometendo o desenvolvimento biopsicossocial. Os enfermeiros, considerados como profissionais de primeira linha, deverão estar capacitados para aconselhar, apoiar, informar e colaborar com a equipa multidisciplinar, capacitando os pais de estratégias que permitam o acesso ao apoio emocional perante o desfiguramento facial e promovendo uma imagem corporal positiva como componente crítica do cuidar.
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 5, pp 68-84; doi:10.31211/rpics.2019.5.2.124

Abstract:
Objetivo: Este estudo tem como objetivo sistematizar o conhecimento produzido sobre o pedido de ajuda em adolescentes e jovens adultos que experienciaram violência no namoro, através da identificação e análise dos estudos empíricos realizados neste âmbito. Métodos: Para tal adotámos os procedimentos para a realização de uma revisão sistemática dos estudos centrados nos comportamentos de pedido de ajuda em vítimas de violência no namoro. Resultados: Foram identificados 18 estudos com enfoque nos comportamentos de pedido de ajuda por parte dos/as adolescentes e jovens adultos vítimas de violência no namoro. A grande maioria dos estudos constatou que as vítimas revelam uma preferência pelo recurso a fontes de revelação informais, privilegiando os pares. As vítimas de sexo feminino surgiram como as que demonstraram uma maior tendência para a revelação do abuso íntimo, surgindo ainda como as expectadoras que prestam mais suporte e apoio às vítimas. Foram, ainda, identificadas múltiplas barreiras à revelação da experiência abusiva por parte dos/as participantes (e.g., legitimação da violência, medo de perder o/a parceiro/a, vergonha e autossuficiência para resolver a situação). Conclusões: Consideramos que a investigação neste domínio deverá procurar incluir outras amostras, estudos de continuidade, beneficiando de uma maior uniformização no tipo de instrumentos usados para efetuar a recolha de dados.
Sandra Henriques, , Luís Cunha, Laura Lemos,
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 5, pp 19-37; doi:10.31211/rpics.2019.5.2.159

Abstract:
Contexto: A Esclerose Múltipla (EM) é uma doença desmielinizante crónica que pode envolver alterações cognitivas e executivas. As alterações executivas, relacionadas essencialmente com o lobo frontal, podem ser subdiagnosticadas, uma vez que os instrumentos utilizados na EM são extensos e complexos, podendo os seus resultados ser comprometidos pelos níveis de fadiga que poderão daí decorrer. A Bateria de Avaliação Frontal (FAB) é de aplicação rápida e simples e avalia as funções do lobo frontal. Objetivo: Explorar as propriedades psicométricas da FAB numa amostra de doentes com EM. Métodos: No estudo avaliaram-se 68 doentes com EM e 81 indivíduos sem diagnóstico de doença neurológica (amostra de controlo) com a FAB, a Subescala executiva do Montreal Cognitive Assessment/MoCA-E e o Teste de Fluências Verbais Fonéticas/TFVF. Vinte e nove doentes foram reavaliados com a FAB (intervalo 4-8 semanas). Resultados: Na amostra com EM, a consistência interna revelou-se adequada e a estabilidade temporal situou-se entre moderada a alta nas subescalas Semelhanças, FluênciasLexicais, Séries Motoras de Luria e Go-no-Go. A FAB correlacionou-se de forma elevada com o MoCA-E e TFVF, atestando a sua validade convergente, e a sua estabilidade temporal teste-reteste revelou-se adequada. A amostra com EM teve pontuações significativamente inferiores nas subescalas Fluências Lexicaise Séries Motoras de Luria comparativamente com a amostra de controlo(p < 0,05). Na EM, a FAB discriminou os níveis de escolaridade (p < 0,001) e a subescala Séries Motoras de Luria diferenciou os padrões de EM (p < 0,05). Conclusões: A FAB apresenta propriedades psicométricas adequadas para avaliar as funções do lobo frontal em doentes com EM, devendo integrar a sua avaliação neuropsicológica para auxiliar no correto encaminhamento terapêutico. Adicionalmente, a subescala das Fluências Lexicais parece ser importante para avaliar estes doentes, tendo potencial para o nível I do rastreio da disfunção frontal na EM.
, Susana Queirós, Marina Pedro, Marta Oliveira
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 5, pp 99-110; doi:10.31211/rpics.2019.5.1.105

Abstract:
Objetivo: O cyberbullying tem despertado a atenção na comunidade científica, existindo já uma maior preocupação por parte dos órgãos políticos perante um tema que se revela uma preocupação de saúde pública. Com a presente revisão sistemática da literatura pretende-se compreender a abordagem dos cuidados de saúde primários na identificação e prevenção do cyberbullying em crianças/jovens. Métodos: Com recurso a várias bases de dados (PubMed, Google Scholar, Web of Science e EBSCO), pesquisaram-se artigos científicos utilizando os operadores booleanos AND e NOT com as palavras chave Cyberbullying, Child, Adolescent e Primary Health Care. Incluíram-se os artigos entre os anos 2013 e 2018 com resumo e texto completo. Resultados: Identificaram-se no total sessenta e três artigos. Vinte e três artigos eram duplicados, onze artigos eram periódicos de revistas consideradas de cariz não-científico. Após leitura integral, eliminaram-se vinte e quatro artigos, em que somente cinco cumpriram com os critérios de inclusão. Conclusão: As Tecnologias de Informação e Comunicação apresentam benefícios e malefícios, onde a família/pessoa significativa e os enfermeiros desempenham um papel primordial na prevenção e antecipação de comportamentos de risco para o desenvolvimento integral da criança/jovem. Justifica-se um maior investimento na formação de profissionais de saúde, dotando-os de estratégias de avaliação e intervenção na prevenção do cyberbullying, identificando vítimas e agressores em todos os contextos (escolar, familiar, cuidados de saúde primário e emergência hospitalar). Não tendo sido encontrados estudos realizados na Europa, sugere-se maior investigação que permita melhor compreender a promoção positiva do cuidar da criança/jovem e família perante o cyberbullying.
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 5, pp 87-98; doi:10.31211/rpics.2019.5.1.119

Abstract:
Objetivo: A parentalidade constitui-se como um desejo comum a muitos indivíduos, mas em alguns casos a sua concretização implica o recurso a técnicas de reprodução medicamente assistida, como a doação de gâmetas ou a gestação de substituição. Em virtude da escassez de estudos sobre atitudes face à doação/receção de gâmetas e gestação de substituição, este estudo pretendeu explorar as atitudes de indivíduos em idade reprodutiva relativamente a estas técnicas. Métodos: Participaram 551 sujeitos com idades entre os 18 e os 40 anos, recrutados através de amostragem por bola de neve. Foi solicitado o preenchimento de um questionário desenvolvido especificamente para o estudo, disponibilizado numa plataforma online, que avaliou o posicionamento dos sujeitos face à doação/receção de gâmetas e gestação de substituição. Resultados: A maioria dos participantes revelou uma atitude positiva perante a doação/receção de gâmetas. No caso da doação a principal motivação indicada foi a de ajudar um casal que não pode ter filhos. Relativamente à receção de gâmetas, os dados sugerem tratar-se de uma circunstância bem aceite pelos participantes. Já no que se refere à gestação de substituição, ainda que exista um posicionamento favorável à sua legalização, nem todos os participantes considerariam essa possibilidade, ainda que aqueles que a equacionariam refiram que se sentiriam felizes por concretizar o sonho de se tornar mãe/pai. Conclusões: Na globalidade, a receção/doação de gâmetas é vista de um modo favorável. Aspetos como realizar o desejo de parentalidade e poder cuidar de uma criança desde o seu nascimento são relevantes, sugerindo uma menor valorização da componente genética. Por sua vez a doação de gâmetas parece relacionar-se com motivações altruístas, podendo ser potenciada com a existência de aconselhamento. A complexidade da gestação de substituição poderá contribuir para a existência de uma menor abertura, ainda que os sujeitos estejam de acordo com a sua legalização em Portugal.
Sara Mendes,
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 5, pp 61-71; doi:10.31211/rpics.2019.5.1.107

Abstract:
Aim: This research estimates the ratio of students per social worker in public schools in Portugal. Methods: Documentary analysis was used to collect data following three steps, with specific criteria: 1) official documentary sources were first used to identify the schools that allow hiring social workers; 2) evidence was collected of their employability in the institutional webpage of each school; 3) a database was built, at the national and regional level for continental Portugal. Results: One hundred and twelve social workers have been identified in a universe of 811 public schools (grouped and ungrouped schools). The national ratio social worker/students in all schools of continental Portugal was 1:12,086, varying between 1:8,753 and 1:22,237. The ratio in the schools that have social worker(s) was 1:1,394, varying between 1:1,210 and 1:1,768, depending on the region. Conclusions: School social workers are very residual in the public school, highlighting alarming and unequal territorial ratios social worker-students. The results make clear the disinvestment in the profession and its aims in the education field. These results call on national and European organizations of social workers to recommend ratios of students per social worker, requiring a major investment in this crucial area of social intervention.
, Catarina Ferreira Sousa
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 5, pp 72-86; doi:10.31211/rpics.2019.5.1.108

Abstract:
Objetivo: O presente estudo piloto teve como objetivo apreciar comparativamente a qualidade do Programa de Primeiros Socorros em Saúde Mental na Literacia em saúde mental de recém-licenciados em Enfermagem. Método: Utilizou-se um desenho pré-experimental, designado estudo de caso com pós-teste de grupo único. O Programa teve a duração de dois dias (14 horas). A amostra do estudo foi constituída por 16 recém-licenciados em Enfermagem, com uma média de idades de 21,86 anos (DP = 0,54). Como instrumento de colheita de dados foi utilizado o Questionário de Avaliação da Literacia em Saúde Mental, aplicado à depressão, esquizofrenia e abuso de álcool. Em termos de análise de dados, recorreu-se às estatísticas resumo, ao teste Q de Cochran e teste de Friedman e como medidas de tamanho de efeito o ℜ e W, associadas ao teste adequado. Resultados: Observou-se, no final da intervenção, níveis elevados e diferenciados de literacia em saúde mental em todas as suas componentes, ao nível da depressão, esquizofrenia e uso/abuso de álcool, especificamente em termos de reconhecimento dos problemas. Comparativamente, a intenção de pedido de ajuda diferenciou-se consoante o problema descrito nas vinhetas (p < 0,05), sendo mais elevada na depressão (81,30%) comparativamente ao abuso de álcool (56,30%) e à esquizofrenia (37,50%). Resultado idêntico foi obtido para a confiança em prestar primeiros socorros (p < 0,05) e em que os participantes se sentiram mais confiantes nos casos da depressão e do abuso de álcool. Conclusões: Apesar das limitações decorrentes do tipo de desenho utilizado, nomeadamente a ausência de grupo de controlo e não existência de observação prévia à intervenção, os resultados mostram que no fim do programa os participantes apresentam elevada confiança para agir em prol da sua saúde mental e daqueles que lhe estão próximos.
Catarina Marques Ribeiro, Rita Vanessa Alexandre Salvador, Paula Saraiva Carvalho
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 5, pp 14-24; doi:10.31211/rpics.2019.5.1.100

Abstract:
Objetivos: As políticas de Saúde Mental privilegiam as práticas que incentivem a desinstitucionalização; contudo muitas pessoas com doença mental crónica permanecem institucionalizadas, competindo às instituições de saúde contribuir para melhorar a sua Qualidade de Vida e a perceção de Suporte Social. Este estudo pretende caracterizar uma amostra de pessoas com doença mental crónica institucionalizadas e identificar as variáveis preditoras da Qualidade de Vida e de Suporte Social Percebido. Métodos: Neste estudo de design transversal e descritivo-correlacional, participaram 60 mulheres institucionalizadas, com diagnóstico de Esquizofrenia ou Perturbação Bipolar. Utilizou-se um Questionário Sociodemográfico, o Questionário Breve de Avaliação da Qualidade de Vida (Vaz Serra et al., 2006) e a Escala de Satisfação com Suporte Social (Pais-Ribeiro, 1999). Resultados: As análises de regressão múltipla efetuadas demonstraram que a Perceção de Felicidade é preditora da Qualidade de Vida e do Suporte Social Percebido; a Perceção do Estado de Saúde é preditora da Qualidade de Vida e a Satisfação com a Comunidade é preditora do Suporte Social Percebido. Conclusões: Ao nível das principais conclusões e como implicações para a prática clínica, destaca-se a importância que um maior sentimento de pertença e de satisfação com a comunidade têm na Qualidade de Vida e no Suporte Social Percebido.
, Ana Cristina Martins, Laura Nunes
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 5, pp 40-60; doi:10.31211/rpics.2019.5.1.106

Abstract:
Objetivo: O conhecimento do estilo de vida dos jovens revela-se fundamental para a identificação e intervenção nos comportamentos de risco e na promoção de oportunidades de desenvolvimento dos jovens. Neste sentido, o presente trabalho tem por objetivo a caraterização do estilo de vida dos jovens e dos seus eventuais comportamentos desviantes e delinquentes. Método: A amostra foi constituída por 80 jovens (M = 19 anos; DP= 2,60), sendo 56% rapazes. Para efeito da recolha de dados recorreu-se a um inquérito por questionário construído para o efeito do presente estudo. Resultados: Os inquiridos relataram inexistência de supervisão parental, falta de imposição de regras, existência de conflitos com os pares, professores e funcionários, bem como ausência de hábitos de estudo e de atividades extracurriculares; admitiram, ainda, passar mais tempo entre pares do que com os familiares. Admitiram, ainda, ter já adotado diferentes condutas desviantes e delinquentes ou mesmo criminais (e.g., agressões para com colegas, professores e funcionários, causar dano intencional em objetos de outros, estar envolvidos em grupos de pares desviantes, invadir propriedades privadas, e participar em furtos, e em tráfico de droga). Estes comportamentos foram mais assumidos por rapazes. Conclusões: Importa, deste modo, que os esforços de prevenção da delinquência considerem o grupo de jovens que precocemente manifestam comportamentos desviantes, dado o seu maior risco para o desenvolvimento de futuras formas de inadaptação social, incidindo igualmente sobre o meio escolar e familiar.
, Durval Alcaidinho, Maura Alcaidinho
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 5, pp 1-13; doi:10.31211/rpics.2019.5.1.99

Abstract:
Objetivo: A Autoconsciência da Aparência tem sido alvo de recente investigação em vários contextos, sendo desconhecidos estudos realizados em indivíduos com deficiência visual. Propõe-se com este estudo, compreender a Autoconsciência da Aparência em pessoas com deficiência visual. Método: Participaram 104 indivíduos (43 com cegueira congénita, 19 com baixa visão congénita, 23 com cegueira adquirida e 19 com baixa visão adquirida) que responderam a um conjunto de questionários quer disponibilizados on-line, quer de forma presencial, tendo sido adicionada a opção de resposta "não se aplica" em todos os itens da versão reduzida da Derriford Appearance Scale (DAS-24) e Appearance Scale Inventory (ASI-R). Resultados: Todos os instrumentos utilizados apresentaram bons índices de consistência interna. Não se verificaram diferenças significativas no Investimento Esquemático e Autoconsciência da Aparência entre os tipos de deficiência visual. Os participantes com baixa visão congénita e baixa visão adquirida, apresentaram maior desconforto com a sua aparência, em comparação com os participantes com cegueira congénita e cegueira adquirida. O Afeto Negativo revelou-se preditor do investimento esquemático e autoconsciência da aparência. Conclusões: Preocupações da aparência em indivíduos com deficiência visual são generalizadas, ocorrendo internalização dos ideais do corpo também em sujeitos sem visão. O Afeto Negativo é um preditor do Investimento Esquemático e Autoconsciência da Aparência.
Maria João Varela,
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 5, pp 25-39; doi:10.31211/rpics.2019.5.1.101

Abstract:
Contexto: A literatura tem documentado que as experiências emocionais precoces e as competências autocompassivas desempenham um papel central na regulação emocional adaptativa e na saúde mental. Adicionalmente, crescente evidência suporta que diferentes processos de regulação emocional exercem um papel mediador significativo na relação entre experiências emocionais e sintomatologia depressiva. Métodos e Objetivo: Este estudo foi conduzido numa amostra da população geral constituída por 389 participantes, com idades entre os 18 e os 50 anos (M = 31,84; DP = 10,97). Os participantes completaram um protocolo de medidas de autorresposta que avalia memórias precoces de calor e segurança, autocompaixão, proximidade e conexão aos outros, evitamento experiencial e sintomatologia depressiva. O estudo examinou um modelo integrador no qual foi colocado como hipótese que a relação entre memórias afiliativas positivas e sintomatologia depressiva é mediada pela proximidade e conexão aos outros e o evitamento experiencial. Resultados: Os resultados confirmaram a adequabilidade do modelo testado, o qual explica 34% da variância da sintomatologia depressiva. Os resultados revelaram que experiências precoces de calor, afeto e segurança e as competências autocompassivas se associam a menores níveis de sintomatologia depressiva, através de níveis superiores de sentimentos de segurança e proximidade ao outro e menor adoção de estratégias de evitamento experiencial. Conclusões: Este estudo contribui para a clarificação do impacto das vivências emocionais precoces e das competências autocompassivas na saúde mental. Os dados sublinham a importância das competências sociais e afiliativas e de aceitação, enquanto mecanismos mediadores na explicação da saúde mental.
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 4, pp 25-32; doi:10.31211/rpics.2018.4.2.79

Abstract:
Objetivo: Pretende-se com este estudo, apresentar uma versão reduzida da Escala de Avaliação da Aparência de Derriford (DAS-24) para a população portuguesa. Método: Após análise de seis amostras recolhidas entre os anos 2010 e 2017, num total de 1016 participantes que responderam a questões relacionadas com o investimento esquemático da aparência e autoconsciência da aparência (DAS-24), solicitou-se autorização aos autores da versão portuguesa e versão original da DAS-24 a redução da escala para 14 itens.Resultados: A DAS-14 apresentou um bom índice de consistência interna, quer na amostra não-clínica (α de Cronbach = 0,91), quer na amostra clínica (α de Cronbach = 0,88). A análise fatorial confirmatória apresentou um ajustamento aceitável, quer para a amostra não clínica (χ2/gl = 1,17; GFI= 0,95; CFI= 0,99; TLI= 0,98; RMSEA= 0,028; p[(RMSEA ≤ 0,05) = 0,92], quer para a amostra clínica (χ2/gl = 1,36; GFI= 0,94; CFI= 0,98; TLI= 0,96; RMSEA= 0,047; p[(RMSEA ≤ 0,05) = 0,56].Conclusões: A DAS-14 apresenta-se psicometricamente robusta na avaliação da autoconsciência da aparência em amostras da população geral e clínica.
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 4, pp 16-24; doi:10.31211/rpics.2018.4.2.74

Abstract:
Objetivo: A literatura demonstra que a imagem corporal é uma dimensão central de auto e heteroavaliação e um foco de preocupação não só para as mulheres, mas também para os homens. Diversos autores têm sublinhado a necessidade de um maior investimento no desenvolvimento e validação de instrumentos de medida para a imagem corporal para o sexo masculino, dado que homens e mulheres se distinguem significativamente em relação às preocupações associadas à aparência física. A Male Body Attitude Scale-Revised(MBAS-R) é a versão revista de um instrumento de medida (MBAS), especificamente desenvolvido para a população masculina, que visa avaliar as atitudes e preocupações em relação à imagem corporal. O presente estudo visa estudar a estrutura fatorial e as propriedades psicométricas da versão portuguesa da MBAS-R.Métodos: O estudo foi conduzido numa amostra constituída por 222 homens da população geral portuguesa, com idades compreendidas entre os 18 e os 65 anos.Resultados: Os resultados de uma série de análises fatoriais confirmatórias demonstraram a adequação da versão portuguesa da MBAS-R (12-itens) com uma estrutura de dois fatores (massa muscular e massa gorda). A análise dos itens da versão portuguesa da MBAS-R revelou que todos os itens contribuem consistentemente para a respetiva subescala e para a medida global. Adicionalmente, tanto a escala total como as subescalas da versão portuguesa da MBAS-R revelaram boa consistência interna. Os resultados mostraram ainda que as preocupações e atitudes em relação à imagem corporal, avaliadas pela MBAS-R, se associam positivamente a vergonha externa, vergonha corporal e inflexibilidade alimentar.Conclusões: Os resultados sugerem que a MBAS-R é uma medida breve e válida para avaliar e caraterizar as preocupações masculinas em relação à imagem corporal de um modo global e, simultaneamente, especificamente em relação a duas dimensões centrais da vivência da imagem corporal (massa muscular e gordura corporal) nesta população.
Sara A. Pires, ,
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 4, pp 60-75; doi:10.31211/rpics.2018.4.2.75

Abstract:
Objetivo: Este artigo tem como objetivo contribuir para o conhecimento dos fenómenos de stalking e ciberstalking através da identificação e análise dos estudos empíricos referentes à ocorrência daqueles fenómenos em estudantes universitários.Métodos: Para tal adotámos os procedimentos para a realização de uma revisão sistemática sobre a investigação realizada sobre a ocorrência do stalking e do ciberstalking em estudantes do ensino universitário.Resultados: Os resultados mostraram que predominam os estudos quantitativos de natureza transversal, recorrendo a designs exploratórios, descritivos e correlacionais, centrados na vítima. Os instrumentos mais utilizados para avaliar ambos os fenómenos foram diversos, porém todos os estudos recorreram a inventários de autorrelato. Em relação à prevalência dos fenómenos, os valores obtidos nos estudos foram muito diferentes (e.g., de 12% a 96% ao longo da vida). Em ambos os fenómenos, as dinâmicas e os comportamentos revelaram que as vítimas eram maioritariamente do sexo feminino, os ofensores pertenciam maioritariamente ao sexo masculino, decorrendo comumente o fenómeno de uma relação de intimidade ou por pessoas conhecidas (e.g., colega, familiar, vizinho). As áreas mais afetadas, no stalking e no ciberstalking, foram a saúde psicológica e física, com consequências nos estilos de vida e economia dos estudantes universitários. Quanto às respostas à vitimação, as fontes de apoio informal foram as mais ativadas pelas vítimas.Conclusões: Em relação aos fenómenos do stalking ou ciberstalking em estudantes universitários, concluímos que predominam os estudos de prevalência, de natureza transversal e fazendo uso de diferentes tipos de instrumentos. Consideramos que a investigação pode abranger outras amostras, estudos de continuidade, beneficiando com uniformização na escolha de instrumentos para a recolha de dados e no estudo da coocorrência dos fenómenos.
, Adriana Fraga, Carla Medeiros, Daniela Moniz, Luana Miranda, Teresa Medeiros
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 4, pp 41-47; doi:10.31211/rpics.2018.4.2.76

Abstract:
Contexto: A Psicologia da Aparência tem merecido pouca atenção dos investigadores portugueses. As representações contemporâneas do corpo ideal (magro, atlético e com formas), muito avolumadas pelos meios de comunicação social e redes sociais, criam frequentemente a insatisfação com a aparência. Estudos recentes referem que os estudantes universitários se encontram insatisfeitos com a imagem corporal. Objetivo: Avaliar possíveis relações entre as preocupações com aparência, nomeadamente a autoconsciência da aparência, e a adaptação ao Ensino Superior por parte de estudantes portugueses.Método: Exploratório e quantitativo. Participaram 206 estudantes do Ensino Superior, tendo respondido a um Questionário Sociodemográfico, à versão portuguesa reduzida da Escala de Avaliação da Aparência de Derriford (DAS-14) e ao Questionário de Adaptação ao Ensino Superior (QAES). Resultados: Verificaram-se diferenças significativas na DAS-14 (autoconsciência da aparência) entre os sexos; correlação moderada entre a DAS-14 e a dimensão adaptação pessoal-emocional e relações fracas entre a DAS-14 e as restantes dimensões do QAES (adaptação interpessoal, adaptação à instituição, adaptação académica, compromisso com o curso e desenvolvimento de carreira). A autoconsciência da aparência apresenta-se quer como variável preditora, quer como variável de resposta na dimensão adaptação pessoal-emocional.Conclusão: Existe relação entre o sexo a autoconsciência da aparência. Os estudantes que têm menor concentração nos sentimentos negativos no corpo têm uma maior relação com as dimensões sociais, cognitivas e contextuais da adaptação ao ensino superior.As preocupações com a aparência e a adaptação pessoal-emocional influenciam-se mutuamente, isto é, a aceitação da aparência parece ser relevante para a adaptação e para o desenvolvimento da identidade dos adultos emergentes. O estudo abre futuras investigações na área da Psicologia da Aparência.
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 4, pp 1-2; doi:10.31211/rpics.2018.4.2.98

Abstract:
Este artigo não tem resumo; as primeiras 117 palavras aparecem abaixo.Os artigos do presente número da Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social apresentam estudos relevantes para os interessados na investigação com populações adolescentes e jovens adultos, sendo pesquisados temas especialmente relacionados com a imagem corporal, mas também aspetos relativos a experiências traumáticas de natureza interpessoal no seio destas populações.Nas últimas décadas, as sociedades modernas têm vindo a atribuir um valor excessivo à aparência e forma corporais. Um ideal de um corpo idealmente esbelto e firme, nem sempre acessível, pode envolver consequências negativas para a saúde física e mental. Este ideal é um produto de um momento cultural e tem vindo a expressar-se como insatisfação corporal e distorção da imagem corporal em cada vez mais pessoas.
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 4, pp 33-41; doi:10.31211/rpics.2018.4.2.82

Abstract:
Objetivo: O objetivo do presente estudo foi testar o efeito mediador da apreciação da imagem corporal na associação entre memórias de mensagens alimentares transmitidas pelos cuidadores durante a infância e adolescência e a adoção de comportamentos de compulsão alimentar na adultez.Métodos: Participaram neste estudo 246 mulheres e 133 homens da população geral que completaram numa plataforma online medidas de autorrelato para avaliar memórias de mensagens alimentares transmitidas pelos cuidadores, a apreciação da imagem corporal e sintomatologia de compulsão alimentar. Resultados: Os resultados revelaram associações negativas entre a recordação de mensagens alimentares precoces do tipo restritivo e crítico e a apreciação da imagem corporal e entre a apreciação da imagem corporal e a sintomatologia de ingestão alimentar compulsiva. Os resultados da análise de vias revelaram uma associação positiva entre mensagens parentais do tipo restritivo e crítico em relação à alimentação durante a infância e adolescência e a sintomatologia de compulsão alimentar, sendo esta relação parcialmente mediada pela apreciação da imagem corporal,que explicou 35% da variância da sintomatologia de compulsão alimentar, não revelando diferenças significativas entre o sexo masculino e feminino.Conclusões: Este estudo parece ter importantes implicações clínicas, demonstrando que a transmissão precoce de mensagens alimentares de controlo por parte dos cuidadores está associada a uma menor tendência dos indivíduos para adotar, posteriormente, atitudes positivas relativamente à imagem corporal e, consequentemente, mais comportamentos alimentares perturbados, como a compulsão alimentar. Estes resultados sublinham a importância de desenvolver programas para pais/cuidadores focados no desenvolvimento de estratégias adaptativas para regular o comportamento alimentar das crianças.
Ana Rita Silva Costa, , , Margarida Couto,
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 4, pp 3-15; doi:10.31211/rpics.2018.4.2.68

Abstract:
Objetivo: O presente trabalho teve como objetivo fundamental o desenvolvimento e validação de um novo instrumento para adolescentes: a Escala de Ansiedade e Evitamento de Situações devido ao Peso e Aparência Física (EAESPAF).Métodos: A amostra incluiu 357 adolescentes, 195 do sexo masculino e 162 do sexo feminino, com idades entre os 12 e os 18 anos, a frequentarem o 3.º ciclo do ensino básico e ensino secundário. Para além do instrumento citado, os jovens preencheram um conjunto de questionários de autorresposta que avaliam sintomas de depressão, ansiedade, stress, experiências de bullyinge sentimentos de vergonha relacionados com a aparência física e peso.Resultados: Os resultados mostraram que as duas subescalas (ansiedade/desconforto e evitamento) da EAESPAF apresentam uma estrutura fatorial constituída por dois fatores. Ambas as subescalas revelaram uma excelente consistência interna (αde Cronbach = 0,91), com uma boa qualidade dos itens e uma adequada estabilidade temporal. Foram encontradas correlações positivas significativas entre as subescalas da EAESPAF e os sentimentos de vergonha, as experiências de vitimização, e sintomas psicopatológicos (depressão, ansiedade e stress). O sexo feminino revelou valores significativamente mais elevados que o sexo masculino no total da subescala de ansiedade e no Fator 2 (de ambas as subescalas de ansiedade e de evitamento), o qual se relaciona sobretudo com uma maior exposição na interação com os outros.Conclusões: Na generalidade a EAESPAF é um instrumento fidedigno e válido para a avaliação de medos relacionados com a aparência física e peso durante a adolescência.
, Rute Almeida, Sónia Cherpe, ,
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 4, pp 49-59; doi:10.31211/rpics.2018.4.2.62

Abstract:
Contexto: A revisão da literatura sobre potenciais fatores preditores dos sintomas depressivos em adolescentes tem mostrado que asexperiências traumáticas durante a infância, as experiências de vergonha e o género têm um contributo relevante.Objetivo: Pretende-se com o presente estudoobservar a variabilidade intraindividual da vergonha, acontecimentos traumáticos e género e testar o poder preditivo destas variáveis a 6 meses na evolução de sintomas depressivos (variável dependente) em adolescentes.Método: A amostra foi constituída por 325 adolescentes, com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos, distribuídos pela zona centro de Portugal e a frequentar o 3.º ciclo do ensino básico e ensino secundário. Foram utilizados o Inventário de Depressão para Crianças, a Escala Breve de vergonha e o Questionário de Trauma na Infância para a avaliação das variáveis referidas. Os resultados longitudinais foram analisados através de uma análise de regressão linear múltipla. Resultados: Verificou-se uma associação positiva entre experiências relatadas como traumáticas e as perceções de vergonha (T1) e os sintomas depressivos (T2, após 6 meses). O modelo de regressão linear múltipla explicou 63% da variância dos sintomas depressivos no T2, podendo contemplar-se que a pertença ao género feminino, a experiência de sentimentos de vergonha e de acontecimentos percebidos como abuso afetivo, abuso sexual e de negligência emocional (variáveis do trauma) permitiram predizer sintomas depressivos na adolescência.Conclusão: Dado que existe alguma evidência do impacto de acontecimentos traumáticos do tipo abuso/negligência durante a infância e de perceções de vergonha, durante a adolescência no desenvolvimento de sintomas depressivos, será pertinente que estas variáveis sejam tidas em conta, quer na avaliação, quer nas intervenções psicoterapêuticas nesta etapa do desenvolvimento humano. Este estudo contribui para salientar o papel de fatores de vulnerabilidade para os sintomas depressivos na adolescência.
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 4, pp 43-60; doi:10.31211/rpics.2018.4.1.72

Abstract:
No primeiro número da Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social foi revista a importância de calcular, indicar e interpretar os tamanhos do efeito para as diferenças de médias de dois grupos (família d dos tamanhos do efeito). Os tamanhos do efeito são uma métrica comum que permite comparar os resultados das análises estatísticas de diferentes estudos, informando sobre o impacto de um fator na variável em estudo e sobre a associação entre variáveis.Depois de rever os tamanhos do efeito para as diferenças de médias entre dois grupos (Espirito-Santo e Daniel, 2015) e a maior parte da família r (Espirito-Santo e Daniel, 2017), faltava rever os tamanhos do efeito para a análise da variância. A análise da variância pode ser compreendida como uma extensão da família d a mais de dois grupos (ANOVA) ou como uma subfamília r em que a proporção da variabilidade é imputável a um ou mais fatores. Na subfamília r revista neste estudo, analisa-se a mudança na variável dependente que decorre de uma ou mais variáveis independentes. Esta análise debruça-se sobre os modelos lineares gerais, onde se incluem os modelos de regressão e a ANOVA.Este artigo fornece as fórmulas para calcular os tamanhos do efeito mais comuns, revendo os conceitos básicos sobre as estatísticas e facultando exemplos ilustrativos computados no Statistical Package for the Social Sciences (SPSS). As orientações para a interpretação dos tamanhos do efeito são também apresentadas, assim como as cautelas no seu uso. Adicionalmente, o artigo acompanha-se de uma folha de cálculo em Excel para facilitar e agilizar os cálculos aos interessados.
Mariana Neves, Inês Queiroz Garcia, , Laura Lemos
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 4, pp 34-42; doi:10.31211/rpics.2018.4.1.70

Abstract:
Objetivo: É incontornável a importância que o conceito de bem-estar espiritual assume nos dias de hoje. A investigação é escassa na população idosa institucionalizada, sendo assim importante o desenvolvimento de instrumentos no âmbito do bem-estar espiritual validados para esta população. Este estudo tem como principal objetivo a análise das qualidades psicométricas e a validação da versão portuguesa do Spiritual Well-Being Questionnaire (SWBQ).Métodos: A amostra incluiu 101 pessoas idosas institucionalizadas da zona de Coimbra (n = 51; 50,5%) e Aveiro (n = 50; 49,5%), com idades compreendidas entre os 65 e os 96 anos, 33 (32,7%) eram do sexo masculino e 68 (67,3%) do sexo feminino. Para além do SWBQ, foram administrados a Escala sobre a Esperança, a Escala de Otimismo, o Geriatric Anxiety Inventory e a Geriatric Depression Scale.Resultados: O SWBQ apresentou uma estrutura fatorial de três fatores (ambiental, transcendental e humanitário), diferente da versão original cuja estrutura fatorial apontava para quatro fatores. A consistência interna foi adequada e a validade convergente e divergente não atestaram a sua validade de constructo. O bem-estar espiritual foi diferente de forma estatisticamente significativa a nível do sexo (p < 0,01), estado civil (p < 0,05) e profissão (p < 0,05).Conclusões: Este estudo contribuiu para a disponibilização de um novo instrumento para a avaliação do bem-estar espiritual nas pessoas de idade avançada institucionalizadas, tendo evidenciado características psicométricas razoáveis, devendo, no entanto, ser replicado em amostras com outras características para a confirmação destes dados.
Sara Lopes Borges, Cristina Santos, , Margarida Tenente Pocinho
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 4, pp 22-33; doi:10.31211/rpics.2018.4.1.54

Abstract:
Objetivos: Os fatores psicossociais, enquanto características relacionadas com condições e organização do trabalho, interferem na saúde dos trabalhadores, e os riscos psicossociais emergem da interação entre colaboradores e condições de vida e de trabalho. O objetivo do estudo foi avaliar os fatores de riscos psicossociais em docentes do ensino superior de modo a perceber o exercício da docência enquanto profissão de risco em termos de esgotamento físico e mental, dada a sua contínua exposição a situações risco psicossocial. Método: O estudo contou com a administração de dois instrumentos, um de caracterização da amostra e o outro para avaliar fatores de risco psicossociais — a versão portuguesa do Copenhagen Psychosocial Questionnaire — constituído por 76 itens (escala tipo Likert de 5 pontos), distribuídos por cinco dimensões, que medem indicadores de exposição a riscos psicossociais e os seus efeitos. Resultados: No estudo participaram 59 docentes, a maioria homens (50,8%), com idade entre os 41 e os 50 anos (45,8%), mestres (59%), professores adjuntos (47,5%), com vínculo laboral estável (68%) e a lecionar entre 11 e 17 horas semanais (64,4%). A análise das várias subescalas revelou risco psicossocial, mostrando que os docentes se encontravam em situação de vulnerabilidade. Existiram diferenças significativas entre os riscos vivenciados no ensino superior público e os experimentados no ensino superior privado. O sexo, idade, formação académica e categoria profissional influenciaram o tipo de risco psicossocial. Conclusões: Confirma-se a importância da avaliação dos fatores de risco psicossociais no exercício da profissão docente no ensino superior. Reconhece-se como necessária a avaliação e gestão dos riscos psicossociais de forma a promover condições de trabalho saudáveis, garantir respeito e tratamento justo, bem como incentivar a promoção da conciliação da vida profissional e familiar, de modo a minimizar riscos psicossociais e situações de vulnerabilidade em docentes do ensino superior.
, Carla Madeira Sério, Inês Queiroz Garcia
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 4, pp 1-2; doi:10.31211/rpics.2018.4.1.73

Abstract:
Em 2018, as editoras da Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social (RPICS) continuam a privilegiar a publicação de artigos originais de investigação e de revisão nas áreas das Ciências Sociais e do Comportamento. A RPICS continua a promover o pensamento, questionando as mudanças na sociedade, as suas realidades e repensando as suas problemáticas, promovendo uma reflexão junto do(a)s seus leitore(a)s. O número 1 do quarto volume da RPICS agrega quatro artigos originais e um artigo de revisão. Ainda que este número da RPICS aborde conteúdos distintos, evidencia-se uma orientação no sentido de estudar variáveis psicológicas positivas e a sua relação com o bem-estar no ser humano, seja ele operacionalizado como saúde física ou mental, estudado no contexto de institucionalização ou no contexto do trabalho, avaliado ao nível da perceção subjetiva de bem-estar ou ao nível da conceção da morte com dignidade.
Liliana Filipa Parente, , , Margarida Couto
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 4, pp 3-13; doi:10.31211/rpics.2018.4.1.57

Abstract:
Introdução: O aumento da população envelhecida constitui um avanço na sociedade, mas também um grande desafio, impondo a necessidade de ações que promovam um envelhecimento bem-sucedido.Objetivos: Analisar de que forma é que a autocompaixão, satisfação com a vida, afetos, estado de saúde físico e mental se encontram associados na idade avançada, controlando ainda o efeito do sexo, idade, escolaridade, local de residência e tipo de resposta social dos participantes. Explorar qual o conjunto de variáveis que melhor prediz a satisfação com a vida e o estado de saúde nos idosos.Método: 155 indivíduos, com idades entre os 65 e 94 anos, dos distritos de Coimbra e Leiria responderam a um conjunto de instrumentos administrados no formato de entrevista.Resultados: 1) A idade, a escolaridade e o local de residência apresentaram uma correlação significativa e no sentido esperado com a saúde física e mental, e com o afeto positivo. O tipo de resposta social dos idosos mostrou-se associado a quase todas as variáveis em estudo. Globalmente, os idosos que se encontram no seu domicílio apresentam uma maior satisfação com a vida, uma melhor saúde física e mental, mais traços compassivos, e mais afeto positivo, comparativamente aos que se encontram sob resposta social; 2) Foram encontradas associações significativas e no sentido esperado entre a autocompaixão, bem-estar subjetivo e estado de saúde; 3) A perceção da saúde física está associada a uma maior satisfação com a vida e menor idade do idoso; a perceção da saúde mental está associada ao aumento da satisfação com a vida, da autocompaixão e diminuição dos afetos negativos; e, por último, a satisfação com a vida está associada a uma superior saúde física e autocompaixão.Conclusões: Estes resultados sugerem a importância do desenvolvimento de estratégias psicológicas que permitam lidar de forma mais calorosa, tolerante e aceitante o sofrimento resultante dos momentos difíceis típicos da idade avançada, apoiando o possível benefício das terapias focadas na compaixão junto desta população específica, nomeadamente na promoção da satisfação com a vida e saúde mental.
, Graciele Alves Moura Bezerra, Kelly Gomes Lima
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 4, pp 14-21; doi:10.31211/rpics.2018.4.1.71

Abstract:
Objetivos: A presente pesquisa objetivou averiguar a conceção de morte digna para a população brasileira. Método: Foi realizada uma pesquisa exploratória, de levantamento nacional, de cunho quantitativo. Contou-se com uma amostra não probabilística acidental por conveniência composta por 412 brasileiros que responderam a “Escala de perceção de morte digna”, cujos dados foram analisados por meio de estatística descritiva e bivariada com auxílio do pacote estatístico SPSS (Statistical Package for Social Science) for Windows versão 22. Resultados: Foi possível verificar que a morte digna implica, por ordem de prioridade, uma boa relação com a família (M = 5,99; DP = 0,73), manutenção da esperança e do prazer (M = 5,88; DP = 0,85), boa relação com a equipe profissional de saúde (M = 5,46; DP = 1,00), não ser um fardo para os demais (M = 5,38; DP = 1,09), ter controlo físico e cognitivo (M = 4,69; DP = 0,92) e ter controle do futuro (M = 4,57; DP = 1,14). Conclusões: A conceção de boa morte é ampla e sua compreensão propicia o fortalecimento sobre procedimentos relacionados à “morte digna”.
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 3, pp 1-1; doi:10.7342/ismt.rpics.2017.3.2.65

Abstract:
[Este Editorial não tem resumo. Apresentam-se as 48 primeiras palavras] O número 2 do terceiro volume da Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social (RPICS) integra cinco artigos com produção científica original. Tratando-se de um número não temático, apresenta uma diversidade de estudos nas áreas das ciências sociais e do comportamento, cujas abordagens focalizam dimensões positivas e participativas.
, , Henrique Fernandes
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 3, pp 42-51; doi:10.7342/ismt.rpics.2017.3.2.61

Abstract:
Objetivos: Identificar os fatores que motivam os bombeiros para o voluntariado, em Portugal, e perceber de que forma as características dos voluntários, nomeadamente, no que dizem respeito ao sexo, idade, grau de escolarização, rendimento e anos de voluntariado, podem influenciar os tipos de motivação. Metodologia: Participaram no estudo 126 bombeiros voluntários de duas Associações Humanitárias, com uma idade média de 36,06 anos (DP = 12,46), a maioria dos participantes pertence ao sexo masculino (n = 84; 66,7%), são solteiros/as (n = 53; 42,1%), têm como habilitações o ensino secundário (n = 74; 58,7%), 83 (65,9%) auferem um rendimento mensal compreendido entre os 500€ e os 1000€ e encontram-se há mais de dez anos na respetiva Associação como voluntários (n = 66; 52,4%). Os instrumentos utilizados foram um questionário de caracterização sociodemográfica e uma escala composta por 17 afirmações elaborada por Anne Ward e Donal Mckillop (2011). Resultados: A escala apresenta boas caraterísticas psicométricas (α de Cronbach = 0,83). É nos “Resultados” que obtemos os valores médios mais elevados e mais baixos — indicador “Altruísta - K” (M = 6,27; DP = 1,10) versus “Necessidades - Q” (M = 4,23; DP = 2,39). Na análise das variáveis motivacionais, segundo as características sociodemográficas, verificamos que os indicadores que apresentam maior número de diferenças, estatisticamente significativas, são o “Egoísta” do “Capital humano” (H), o “Altruísta” (K, L, M) e a “Necessidade” (O) dos “Resultados”. Discussão e Conclusões: Os resultados globais do nosso estudo mostram que o altruísmo é o fator dominante na explicação do comportamento dos bombeiros voluntários, o que é consistente com investigações anteriores sobre a motivação para o voluntariado. Todavia, quando desagregamos a análise através das características dos voluntários, os resultados nem sempre coincidem com aqueles que se encontram na literatura. O contexto sociocultural e as especificidades da própria atividade dos bombeiros voluntários podem ser responsáveis pelas diferenças encontradas. Serão precisos mais estudos comparativos a nível internacional e que tenham em conta as características específicas da atividade dos bombeiros voluntários, nomeadamente a questão do risco.
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 3, pp 2-9; doi:10.7342/ismt.rpics.2017.3.2.50

Abstract:
Objetivo: O objetivo foi analisar as variáveis explicativas da satisfação da qualidade de serviços da Estratégia Saúde da Família.Método: Estudo quantitativo realizado com 353 usuários da Estratégia Saúde da Família, atendidos na zona leste do município de Teresina (PI, Brasil). Utilizou-se a escala SERVQUAL, alimentada por um instrumento adaptado, com frases afirmativas e analisados por meio de técnicas multivariadas: análise fatorial e regressão múltipla.Resultados: As análises multivariadas possibilitaram a redução da escala utilizada para cinco dimensões da qualidade de serviços prestadas, que responderam pela explicação de 99,7% da variação do índice geral calculado e utilizado no modelo de regressão múltipla. Todos os pressupostos de ambas as técnicas foram respeitados.Conclusão: A confiabilidade foi a dimensão preponderante na percepção da qualidade de serviços e o modelo testado foi validado, tornando-se possíveis suas réplicas em outros contextos empíricos e a ampliação de seu escopo.
Marta Freitas Olim, Luis Carrasco, Joana Pimenta, Filipa Silva, Susana Torres, Joana Dantas
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 3, pp 21-31; doi:10.7342/ismt.rpics.2017.3.2.56

Abstract:
Objetivo: O presente estudo apresenta os resultados preliminares e descreve a estrutura de um programa de treino e reforço de competências assente numa metodologia de Serviço Social de grupo, realizado a partir das necessidades de doentes renais crónicos em tratamento de hemodiálise. O objetivo do programa é promover a integração da doença e do seu tratamento, de forma positiva, bem como a promoção de hábitos de vida saudáveis com impacte favorável no projeto de vida dos doentes, nomeadamente no estado atual da sua ocupação. Participantes: Trinta pessoas participaram voluntariamente no programa (16 homens e 14 mulheres), com idades compreendidas entre os 26 anos e os 77 anos (M = 49,6; DP ± 14,88), sem qualquer tipo de ocupação. Método: Foram realizadas quatro edições em diferentes zonas do país. Cada edição contemplou um grupo heterogéneo, de entre sete a nove doentes renais crónicos, a realizar tratamento de hemodiálise em clínicas em Portugal. Cada edição contemplou seis sessões bissemanais. Nestas foram avaliados o nível de participação, a permanência no programa, e a eficácia na alteração da situação ocupacional pós-programa, tendo-se monitorizado a adesão à resposta ocupacional durante um ano. Resultados: No final desta fase preliminar do programa, 50% dos participantes integraram resposta ocupacional. Constatou-se uma adesão total dos participantes às sessões de forma ativa e continuada, não se registando desistências. A formação é a resposta ocupacional com maior número de adesões, cerca de 27%, em detrimento das outras alternativas, como o emprego, voluntariado ou atividade física formalizada. Conclusão: Este programa enfatiza a ocupação como fator primordial na reabilitação clínica e inserção social desta população na sociedade, com benefícios psicossociais claros para os participantes. Pretendemos com este programa contribuir com uma metodologia de intervenção inovadora e com impacte a utilizar nesta população, introduzindo novos desafios à prática do Serviço Social.
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 3, pp 32-41; doi:10.7342/ismt.rpics.2017.3.2.58

Abstract:
Objetivo: O objetivo do presente estudo foi testar o efeito mediador da apreciação da imagem corporal na associação entre motivações e ações autocompassivas e o comportamento alimentar perturbado.Métodos: Participaram neste estudo 360 mulheres da população geral, com idades compreendidas entre os 18 e os 50 anos, que completaram numa plataforma online medidas de autorrelato para avaliar as motivações e ações autocompassivas, a apreciação da imagem corporal e a sintomatologia associada à psicopatologia alimentar. Foram conduzidas análises descritivas e de correlação entre as variáveis em estudo. Adicionalmente, foi testado um modelo de análise de vias (path analysis) que hipotetizou que a associação entre ações autocompassivas e a adoção de atitudes e comportamentos alimentares perturbados é mediada pela capacidade de aceitar e apreciar a imagem corporal.Resultados: Os resultados revelaram associações positivas entre as motivações e ações autocompassivas e a apreciação da imagem corporal, e negativas entre a apreciação corporal e os sintomas associados ao comportamento alimentar perturbado. Os resultados da análise de vias (path analysis) revelaram um efeito negativo indireto entre ações autocompassivas e o comportamento alimentar perturbado através da apreciação da imagem corporal, que explicou 48% da variância do comportamento alimentar perturbado.Conclusões: Estes resultados sugerem que as ações autocompassivas exercem um efeito protetor no comportamento alimentar através de níveis mais altos de apreciação e respeito em relação à imagem corporal, não obstante o peso, forma ou imperfeições. A capacidade de agir de acordo com as motivações autocompassivas parece contribuir para níveis mais elevados de apreciação face às caraterísticas únicas da imagem corporal, a qual se reflete numa menor adoção de atitudes e comportamentos alimentares perturbados. Este estudo representa um importante contributo para a investigação e prática clínica, e sublinha a importância da inclusão de estratégias de desenvolvimento de competências autocompassivas e de apreciação da imagem corporal em programas de prevenção e intervenção na área da psicopatologia alimentar.
, , Vanda Ramalho, Sónia Ribeiro
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 3, pp 10-20; doi:10.7342/ismt.rpics.2017.3.2.52

Abstract:
Objetivo: O presente estudo visa avaliar os itens e as respetivas dimensões da Utrecht Work Engagement Scale (UWES-17) de Schaufeli e Bakker (2009), aplicada a assistentes sociais a exercer funções em Portugal. Método: Foi aplicada a versão portuguesa da UWES a uma amostra constituída por 1369 assistentes sociais portugueses, 94% do sexo feminino e 6% do sexo masculino, com uma média de idades de 39 anos (desvio-padrão = 8,99). A habilitação académica mais frequente é a licenciatura (63,8%) e no que respeita à atividade profissional possuíam, em termos médios, 12,99 anos de experiência (desvio-padrão = 8,28). A fidedignidade da escala foi avaliada através do coeficiente de alfa de Chronbach e a validade através da análise fatorial exploratória. Foi utilizada a pesquisa metodológica de natureza quantitativa. Resultados: Os resultados alcançados vão ao encontro dos valores presentes em estudos anteriores quanto à sua consistência interna, tanto dos 17 itens que compõe a escala como das suas três dimensões (“vigor”, “dedicação” e “absorção”). A UWES-17 neste estudo apresenta uma estrutura fatorial de três fatores, tal como o estudo original, mas a constituição dos itens de cada dimensão é diferente. Conclusões: A escala UWES-17 apresenta-se com boas características psicométricas e uma boa consistência interna.
Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 3, pp 52-52; doi:10.7342/ismt.rpics.2017.3.2.64

Abstract:
Esta é uma correção a: Revista Portuguesa de Investigação Comportamental e Social, Volume 3, Edição 1, Páginas 2-13, Fevereiro 2017, https://doi.org/10.7342/ismt.rpics.2017.3.1.35 Na publicação original do artigo, o título em inglês foi publicado incorretamente como: “Development and Study of Facial Validity of Questionnaire of Motivations to disclose/not disclose the nongenetic parenthood by gamete donation’s Questionnaire”. No entanto, o título correto deve ler-se como: “Development of Motivations to Disclose/not Disclose the Non-Genetic Parenthood by Gamete Donation Questionnaire”. Os editores lamentam os erros.
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