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Results in Journal Cadernos de Estudos Linguísticos: 587

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Ane Cristina Thurow, Clóris Maria Freire Dorow
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 57; https://doi.org/10.20396/cel.v57i2.8642403

Abstract:
O uso crescente da Internet, principalmente das redes sociais, tem influenciado cada vez mais a vida das pessoas. Um site de rede social muito utilizado é o Facebook, que permite o acesso e a criação de fanpages (comunidades). Partindo do entendimento de que o discurso da fanpage está inscrito numa formação discursiva de “aceitação do corpo”, o trabalho tem como objetivo geral refletir sobre os possíveis efeitos de sentido gerados nas práticas discursivas produzidas no espaço enunciativo da fanpage “Só Gordinhas” a respeito da personagem Perséfone apresentada na novela “Amor à Vida” da Rede Globo. Para tanto, o procedimento metodológico desenvolvido constitui-se na análise interpretativa dos enunciados produzidos na fanpage. E assim, com base nos pressupostos da Análise de Discurso pecheuxtiana, consideram-se alguns conceitos primordiais para a interpretação desse corpus, dentre os quais: discurso como “efeito de sentido entre locutores” (PÊCHEUX, 2009); sujeito discursivo, que ocupa um lugar social, atravessado pelo inconsciente e interpelado pela ideologia; formação discursiva, representando o lugar de constituição do sentido e da identificação do sujeito; e silêncio, que possibilita pensar na incompletude constitutiva de todo discurso. Com este trabalho, espera-se evidenciar as diferentes posições-sujeito que se entrecruzam numa dada formação discursiva, constituídas por discursos acerca da popularização da imagem da personagem citada, que pode ser analisada como uma figura que emana simpatia e/ou preconceito imposto pela mídia.
Aquiles Tescari Neto
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 57; https://doi.org/10.20396/cel.v57i2.8642402

Abstract:
O trabalho recorre ao fenômeno da elipse de VP para advogar em favor de um tratamento cartográfico à arquitetura da oração. Em particular, sugere haver uma relação estrita entre a subida do verbo à flexão e a recuperação ou não de determinados advérbios em construções de elipse de VP. Uma análise cartográfica à la Cinque (1999) dá conta de explicar os padrões encontrados para diferentes classes de AdvPs não só em relação ao movimento do verbo como também em relação ao fenômeno da elipse, o que não poderia ser naturalmente explicado por análises competitivas. São utilizados dados do português.
Jocyare Cristina Pereira Souza
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 57; https://doi.org/10.20396/cel.v57i2.8642401

Abstract:
Este trabalho apresenta, dentro de uma perspectiva da Semântica do Acontecimento, os efeitos de sentido que a nomeação, tomada como um fenômeno urbano, vem produzindo em São Thomé das Letras – Minas Gerais. Propõe, assim, uma análise do processo constitutivo que marca o espaço de enunciação das designações dos estabelecimentos comerciais de São Thomé das Letras, levando em consideração os procedimentos que predicam e determinam seu espaço semântico-enunciativo e que acabam por marcar um lugar social do dizer, estabilizando determinados sentidos no discurso comercial/publicitário. Neste trabalho analisamos os nomes de estabelecimentos comerciais de São Thomé das Letras, enfocando o acontecimento enunciativo em sua historicidade. Há, dentro dessa perspectiva, uma relação da língua com um falante que se apresenta como sujeito político e social da enunciação.
Elaine Chaves, Jânia Martins Ramos
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 57; https://doi.org/10.20396/cel.v57i2.8642400

Abstract:
Este artigo tem como objetivo mostrar a contribuição das abreviaturas ao estudo da mudança linguística, identificando-as como pistas gráficas capazes de documentar etapas desse processo. O objeto de análise são as abreviaturas que manifestam o processo iniciado pelo uso de uma expressão nominal Vossa Mercê, que teve como resultado o pronome Você. O período focalizado vai de 1800 a 1950. O objeto de análise são cartas pessoais manuscritas. A abordagem teórico-metodológica utilizada é a Teoria da Variação e Mudança. Foram registradas 32 formas diferentes de abreviar estes itens, aqui tratadas como variantes. Sua sistematicidade foi verificada através de análise quantitativa. Como resultado, foi possível identificar estágios no processo de pronominalização, a partir das abreviaturas.
Márcia Dos Santos Dornelles
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 57; https://doi.org/10.20396/cel.v57i2.8642399

Abstract:
Muitos são os terminólogos descritivistas que ainda hoje, quase um século após a publicação do Curso de Linguística Geral de Ferdinand de Saussure, apoiam-se, nos seus estudos e práticas terminológicos, em princípios e conceitos básicos desenvolvidos na epistemologia e na teoria saussurianas. Isso porque, para a Terminologia descritiva de base linguística, a linguagem especializada não constitui uma linguagem artificial, à parte do sistema da língua; portanto o termo nada mais é do que um signo linguístico que adquire estatuto terminológico num contexto especializado, segundo critérios semânticos, discursivos e pragmáticos. Assim, falar em Terminologia é falar em Linguística. Este trabalho busca, então, revisitar brevemente as noções saussurianas de signo, significação, valor, entidade, identidade e arbitrário relativo, e relacioná-las com seus desdobramentos para a Terminologia descritiva de base linguística, com ênfase no fenômeno da variação terminológica.
Hoster Older Sanches, Pedro Luis Navarro Barbosa
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 57; https://doi.org/10.20396/cel.v57i2.8642398

Abstract:
Em 1987, o jornal Folha de S.Paulo, diário impresso de notícias, fez circular uma vasta produção discursiva cuja temática era a aids. O mês de junho desse jornal apresentou uma sequência de discursos políticos voltados ao crescimento da contaminação do vírus HIV em todo o mundo. Uma análise voltada para essa história de curta duração dá visibilidade à governamentalidade do corpo da população, tema deste artigo. Para tanto, buscou-se, no acervo digitalizado desse periódico, o registro de discursos sobre o acontecimento da aids na segunda metade da década de 1980. A partir da constituição e da descrição desse corpus, pode-se compreender como o governo dos corpos é enunciado e como esse enunciado é materializado, em notícias e em reportagens. A fundamentação teórica do trabalho está alicerçada em pressupostos teóricos de Michel Foucault, especialmente no que tange aos estudos sobre enunciado, governo e poder. Observa-se que Estado deve saber tudo sobre as práticas dessas populações e dos indivíduos, especialmente, as inerentes à sexualidade, que se configuram como objeto, nos termos de Foucault, de um “controle-repressão”. A produção de saberes sobre a aids ocorre em meio ao exercício desse poder governamental e da resistência que a ele é feita. Nesse jogo discursivo, ressalta-se uma preocupação em conhecer o estado biológico de cada população, sendo algumas o foco de atuação do poder político, como a população homossexual e a carcerária. Observa-se que a governamentalidade do corpo do indivíduo e das populações é prioridade do Estado com a realidade da aids; em vista disso, o corpo da população de estrangeiros, de homossexuais e de prisioneiros é mantido sob o olhar clínico e político do Estado e da ciência, a fim de identificá-lo e separá-lo. O Estado, portanto, submete o corpo do portador do vírus HIV a relações de poder/saber e resistência presentes nas tramas sociais.
, Lauro José Siqueira Baldini
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 57; https://doi.org/10.20396/cel.v57i2.8642395

Abstract:
Apresentação do Cadernos de Estudos Linguísticos
Maria Eugênia Lammoglia Duarte
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 57; https://doi.org/10.20396/cel.v57i1.8641473

Abstract:
O artigo se desenvolve em torno de dois pontos principais. O primeiro consiste no esclarecimento de que a Teoria da Variação e Mudança tem, associado ao componente social, um componente gramatical, que não pode prescindir de uma teoria linguística, o que tem sido tomado como óbvio em diversos estudos da área, uma vez que raramente é explicitado. O segundo mostra que a adoção do quadro teórico de Princípios e Parâmetros, junto com uma refinada descrição da sintaxe das línguas que a Teoria gerativa oferece, foi a alternativa encontrada nos inícios dos anos 1980 para analisar à luz do modelo da Teoria da Variação processos de mudança paramétrica em curso no PB, num momento em que a mudança não entrava na agenda de Princípios e Parâmetros. Feitas as necessárias justificativas sobre tal associação, são apresentados resultados de estudos variacionistas sobre a mudança que envolve a representação do sujeito pronominal no PB. Esses resultados mostram que essa associação permite levantar hipóteses de trabalho e encontrar respostas para as questões empíricas do modelo da Teoria da Variação e Mudança, além de trazer contribuições para a evolução dos estudos teóricos desenvolvidos no âmbito da Teoria de Princípios e Parâmetros.
Jairo Morais Nunes
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 57; https://doi.org/10.20396/cel.v57i1.8641472

Abstract:
Uma das propriedades sintáticas que mais caracteriza o português brasileiro (PB) é a perda dos clíticos acusativos de terceira pessoa o(s)/a(s) e seus alomorfes. Como amplamente documentado na literatura, em PB esses elementos estão associados a escolarização e registros formais de fala e escrita. Neste trabalho investigo o estatuto teórico desses elementos após serem “acrescentados” à gramática nuclear do PB via escolarização sintática. Como base em seu intrincado padrão de colocação, argumentarei que o(s)/a(s) não são incorporados como clíticos nos registros relevantes de PB, mas como marcas de concordância (de objeto).
Esmeralda Vailati Negrão, Evani Viotti
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 57; https://doi.org/10.20396/cel.v57i1.8641471

Abstract:
Este artigo tem como objetivo trazer uma contribuição para as discussões relativas à eventual tendência do português brasileiro à perda do clítico se em alguns contextos, e ao aumento de seu uso, em outros. De maneira geral, os estudos sobre o assunto concentram sua atenção nos aspectos morfossintáticos relacionados à presença ou à ausência do clítico. Nossa intenção é mostrar que existem também fatores semânticos envolvidos no uso versus não-uso do se que dizem respeito à conceitualização dos eventos que estão sendo codificados linguisticamente. A presença do clítico parece sempre envolver a conceitualização de uma causa indutora do evento, por mais indeterminada que seja. Sendo assim, o aumento da frequência de não-uso do clítico em contextos em que ele seria esperado implica uma preferência semântica do português brasileiro por conceitualizar certos eventos sem sua causa indutora. Por outro lado, o aumento do uso do clítico junto a verbos no infinitivo, contexto em que a presença de se não seria esperada, sugere que a codificação da força indutora do evento serve para acentuar as características propriamente verbais do infinitivo que, de outra maneira, estaria mais próximo de uma forma nominal.
Carlos Mioto, Mary Aizawa Kato
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 57; https://doi.org/10.20396/cel.v57i1.8641470

Abstract:
O objetivo desse artigo é estudar as sentenças pseudo-clivadas (PCs) e semi-clivadas (SCs) e propor, para elas, uma estrutura diferenciada que atenda suas especificidades. A estrutura proposta para as PCs leva em conta o que muitas vezes é chamado de Efeitos de Conectividade. A estrutura proposta para as SCs leva em conta o fato de que apenas constituintes no domínio de c-comando de T podem ser focalizados. Descartando que PCs e SCs possam ter uma derivação comum, procuramos explicar as várias assimetrias entre elas observadas na literatura.
Mary Aizawa Kato
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 57; https://doi.org/10.20396/cel.v57i1.8641469

Abstract:
Apesar de o Português Brasileiro (PB) estar perdendo o sujeito nulo referencial desde o século passado, o expletivo nulo vem sendo mantido ( Æ chove muito nessas florestas) , apesar de línguas como o francês e o espanhol dominicano terem desenvolvido expletivos lexicais ao lado de sujeitos pronominais referenciais. O que vem sendo notado, entretanto, é que o PB vem desenvolvendo construções pessoais com o sujeito lexical movido por alçamento (Essas florestas chovem muito), aos quais vimos chamando de tópico-sujeito. O presente trabalho descarta duas hipóteses anteriores sobre a sobrevivência das construções com expletivo nulo e defende que as duas construções devem co-existir por não constituirem formas em competição (“doublets”no sentido de Kroch ( 1994)) , sendo a primeira uma construção tética e a segunda uma construção categórica. Estas substituem outras construções categóricas mais antigas, de redobro clítico.
Marilei Amadeu Sabino, Michelli Glauce Devecchi
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 57; https://doi.org/10.20396/cel.v57i2.8642397

Abstract:
Resumo O objetivo desta análise é mostrar como seis dicionários bilíngües registram informações referentes a unidades lexicais que são graficamente semelhantes, no português e no italiano, mas cujas sílabas tônicas são diferentes. Essa estratégia de sinalizar a sílaba tônica, principalmente dos verbos heterotônicos conjugados, apesar de não requerer tanto espaço físico e de ser de fundamental importância nas obras bilíngües italianas, por facilitar a elaboração de atividades de sala de aula, ainda é muito pouco explorada.
Melissa Catrini, Francisca Lier-DeVitto, Lúcia Maria Guimarães Arantes
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 57, pp 119-130; https://doi.org/10.20396/cel.v57i2.8642396

Abstract:
O termo apraxia faz referência a uma perturbação do gesto, que envolve a dificuldade, ou até mesmo a impossibilidade, de realizar movimentos de maneira voluntária sem a presença de prejuízos musculares que justificassem o sintoma apresentado. Quando o gesto em questão é o articulatório, diz-se de uma Apraxia de Fala. O caráter eminentemente funcional do problema leva ao questionamento, então, do que causaria tais sintomas. Apraxias têm manifestação no corpo e “corpo” é, por tradição e direito, objeto (exclusivo) do campo da Fisiologia e da Patologia – justifica-se, sem dúvida, a força da discursividade desses estudos sobre o tema que também opera no domínio da divisão filosófica mente/corpo - melhor entendido, da relação entre razão/cognição e corpo/organismo. É na esfera do dualismo corpo-mente que se inscreve (a)praxia. No entanto, quando o dualismo psicofísico (Jackson,1866/1932) é dissolvido por Freud (1891), outra concepção de corpo deve vir a figurar nos estudos sobre as apraxias. Trata-se do corpo que é Um, aquele que nasce com o ser de linguagem, o falasser, o corpolinguagem (LACAN, 1985, 1998). O fenômeno apráxico coloca em relevo a relação entre corpo e linguagem. Este trabalho apresenta uma discussão teórica que parte da definição psicoanalítica de corpo.
Ruth Elisabeth Vasconcellos Lopes
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 57; https://doi.org/10.20396/cel.v57i1.8641468

Abstract:
Resumo Apresentação do Cadernos de Estudos Linguísticos
, Charlotte Galves
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 58; https://doi.org/10.20396/cel.v58i2.8647153

Abstract:
Nesse artigo, apresentamos uma análise da mudança do português clássico para o português brasileiro. Tomando como base a existência neste de características sintáticas amplamente atestadas nas línguas do grupo bantu, bem como a importância demográfica ao longo da história do Brasil das populações de origem africana, propomos que o português sofreu no Brasil uma mudança tipológica, sob a influência das línguas africanas que foram trazidas ao Brasil pelo trâfego de escravos. No quadro teórico da versao minimalista da teoria de Princípios e Parâmetros, argumentamos que dois parâmetros gramaticais são crucialmente envolvidos nessa mudança: a possibilidade para expressões nominais de serem inseridos na derivação sem traço de caso e a ausência de sensibilidade do traço EPP da categoria funcional Tempo à existência de traços-phi. Seguindo o modelo paramêtrico de Roberts (2012), sugerimos que essas propriedades derivam de uma árvore paramétrica afetando Concordância e Caso.
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 58; https://doi.org/10.20396/cel.v58i1.8646158

Abstract:
A cidade do Rio de Janeiro é conhecida por sua beleza exuberante e sua cultura única. Pelo menos entre os brasileiros, a cidade também se destaca por suas características dialetais, das quais a realização alveopalatal do –s pós-vocálico é provavelmente a mais notável. No dialeto carioca, –s pós-vocálico é geralmente pronunciado como os sons alveopalatais [ʃ] e [ʒ], diferente das pronúncias alveolares [s] e [z], mais comuns em alguns outros dialetos do português brasileiro. Em vista disso, o objetivo do presente estudo foi analisar a variação de –s pós-vocálico no referido dialeto para saber quais são os fatores linguísticos e sociais mais relevantes para a ocorrência desse fenômeno de variação. Seguindo os princípios da sociolinguística variacionista, foi analisada a influência de duas variáveis linguísticas – idade e gênero – e duas variáveis não-linguísticas – contexto sonoro seguinte e tipo silábico. Depois da análise dos dados com o VABRUL, constatou-se que tipo silábico e idade foram os grupos de fatores com influência mais significativa para a ocorrência de [ʃ] e [ʒ]. Contexto sonoro seguinte e gênero foram descartados como insignificantes.
, Ana Luiza Barreto Bittar
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 58; https://doi.org/10.20396/cel.v58i1.8646157

Abstract:
Este trabalho tem o objetivo de analisar como a mídia impressa brasileira se posicionou diante da lei das cotas. O corpus é composto por textos publicados durante um mês nos jornais O Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo e na revista Veja, representantes da “grande mídia brasileira”. Também foram analisados alguns textos que os mesmos veículos publicaram sobre outras políticas de cotas, em especial para mulheres e para portadores de deficiência. A análise foi conduzida a partir de conceitos da Análise do Discurso, levando em consideração, em especial, o léxico e os enunciados recorrentes, além das condições de produção. A análise permitiu identificar que há uma tendência contrária à adoção da política de cotas nas universidades brasileiras, mas que esta posição não se manteve em relação a outras políticas de cotas, diferença que este trabalho pretende explicar.
Diana Luz Pessoa De Barros
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 58, pp 7-24; https://doi.org/10.20396/cel.v58i1.8646151

Abstract:
Este trabalho tenta sustentar as hipóteses de que os discursos intolerantes consideram o “diferente” como o que rompe pactos e acordos sociais, por não ser humano, por ser contrário à natureza, doente e sem ética ou estética, e que, por isso mesmo, é temido, odiado, sancionado negativamente e punido. Por sua vez, os discursos de aceitação e inclusão, que a eles se contrapõem, são elaboradoscom estratégias, temas e valores contrários aos acima. Seus contratos são os de multilinguismo, mestiçagem, diversidade sexual, pluralidade religiosa, e não mais de pureza das línguas, de branqueamento da sociedade, de heterossexualidade, de identidade religiosa. A partir daí, examina, especificamente, os discursos intolerantes de sites e blogs da internet, que se caracterizam como discursos do excesso, ou mesmo pela exacerbação do excesso, e por se apresentarem, sobretudo, como discursos de intolerância ao intolerável.Essa intensificação do excesso decorre dos traços específicos dos discursos na internet e, ainda, de procedimentos discursivos diversos, dentre os quais se destacam a forte figurativização dos temas e o emprego de recursos retóricos, como o do argumento do excesso, com suas hipérboles, metáforas e metonímias.
João Francisco Bergamini-Perez, Renato Miguel Basso
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 58, pp 345-367; https://doi.org/10.20396/cel.v58i2.8647159

Abstract:
O estudo semântico dos fenômenos tempo-aspectuais é uma área importante da chamada “semântica de eventos”. Um dos objetivos das pesquisas que investigam esse fenômeno é a delimitação dos diferentes tipos de eventos, denotados por predicados verbais (a acionalidade dos eventos), assim como a análise de nuances aspectuais e da referência temporal.Os adjuntos temporais, como ‘por X tempo’ e ‘em X tempo’, são duas importantes ferramentas utilizadas para efetuarmos distinções acionais e aspectuais, desde os trabalhos de Vendler (1957). Contudo, há diversos adjuntos temporais para além desses dois, como ‘durante X tempo’, ‘até X tempo’ e ‘de X a Y tempo’, cuja investigação semântica ainda é bastante incipiente.Sendo assim, o objetivo principal deste artigo é apresentar uma análise semântico-pragmática dos últimos adjuntos mencionados acima, comparando-os com os adjuntos ‘por X tempo’ e ‘em X tempo’, com o intuito de fornecer a eles uma descrição nos termos da semântica formal das línguas naturais. Para tanto, investigaremos, por exemplo, os padrões de inferência que esses adjuntos engendram, as possibilidades de alcance do telos para certas combinações, interpretações habituais de eventos, dentre outras. E, com isso, tentaremos elucidar o papel de determinados adjuntos temporais em diferentes relações com predicados verbais.
Andrea Quirino De Luca, Suzy Maria Lagazzi
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 58; https://doi.org/10.20396/cel.v58i1.8646159

Abstract:
Esse artigo tem como perspectiva teórico-metodológica a Análise de Discurso de linha materialista. Seu objetivo é dar visibilidade para as injunções que determinaram a elaboração do Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global (Tratado de EA), para permitir a releitura desse documento frente às condições de produção de hoje e, assim, fortalecer suas ações. Para tanto, apresenta as condições de produção, as principais marcas do texto e seus efeitos de sentido. O Tratado de EA é considerado um documento referência para a política pública federal de educação ambiental, e sua importância justifica essa análise. Apresentamos os pressupostos do referencial teórico-metodológico, o contexto de sua criação, a análise materialista, e terminamos o trabalho com algumas considerações de ordem teórico-analítica, abrindo as possibilidades de reflexão com novas perguntas. Pretendemos contribuir com um melhor entendimento sobre o discurso que sustenta a política pública de educação ambiental do Brasil.
Domenique Maingueneau
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 58; https://doi.org/10.20396/cel.v58i1.8646161

Abstract:
Resenha de "Langage et morale. Une éthique des vertus discursives", de Marie-Anne Paveau.
Jose Luiz Fiorin
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 58, pp 63-75; https://doi.org/10.20396/cel.v58i1.8646154

Abstract:
Proclama-se, com muita frequência, que, no Brasil não há racismo, porque somos uma sociedade mestiça, fundada, pois, na mistura. Este trabalho pretende mostrar que essa autodescrição da cultura brasileira encobre, de fato, um racismo profundamente arraigado na formação social brasileira, porque a mistura não prescinde da existência de triagens, ou seja, há elementos que não são aceitos na mistura. Analisando romances do século XIX que defendiam os ideais abolicionistas ou que vergastavam os preconceitos contra os mulatos, revela-se que eles contêm, em sua organização semântica de base, ideias racistas. A defesa dos ideais abolicionistas e o combate ao preconceito contra os mulatos não significam o acolhimento dos valores da negritude dentro da concepção de mistura com que se pensa a nação brasileira. O branqueamento, considerado uma melhoria da conformação racial brasileira, deixa subentendido que nossa sociedade se organizou sobre as bases da exclusão e não da participação racial.
Edvania Gomes Da Silva, Alessandra Souza Silva
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 58; https://doi.org/10.20396/cel.v58i1.8646153

Abstract:
Neste artigo, analisamosdiscursos materializados na mídia escrita acerca das manifestações anti e pró Governo Dilma Rousseff/PT/Lula, observando a existência de uma polêmica discursiva entre dois posicionamentos, ambos vinculados ao campo político. Trata-se, mais especificamente, de verificar o funcionamento das palavras impeachment e golpe, cujo efeito de sentido vai sendo construído de acordo com os lugares ideológicos de cada grupo. Na análise, recorremos aos pressupostos teóricos de Michel Pechêux, principalmente ao conceito de discurso,e à noção de polêmica discursiva, cunhada por Dominique Maingueneau, ambos autores vinculados à Escola Francesa de Análise de Discurso. Os resultados mostraramque a polêmica entre os anti e os pró Dilma/PT/Lula se fundamenta na forma como o campo político partidário se apropria de conceitos do campo filosófico, como o de bom senso, o de honestidade, e o de justiça.
, Cristiane Namiuti-Temponi
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 58; https://doi.org/10.20396/cel.v58i2.8647151

Abstract:
Previous studies have reported that clitic interpolation and clitic climbing change according to three stages in the history of European Portuguese. In this paper we develop the idea that these phenomena are deeply intertwined in the diachrony of Portuguese once they are related through the notion “clitic position” and reflect a general strategy for clitics to stay outside the focus domain of the clause. In order to provide a unified explanation for interpolation and climbing, we follow a quantitative methodology using the Tycho Brahe Corpus of Historical Portuguese. Moreover, developing some ideas about the Force-Fin system, in the Generative Grammar framework, we put forward a formal approach to the diachronic change having taken place between Old Portuguese and Classical Portuguese. Considering that clitic position reflects the category hosting the clitic, we argue that the availability of XP interpolation and of obligatory clitic climbing in Old Portuguese are different consequences of more basic structural principles, such as the V-to-Fin movement, which is dependent on the role of left-peripheral elements in the Old Portuguese grammar. Therefore the clitic could occur either in Force or in Fin, in order to mark the relative presuppositional nature of clitics with respect to different left-peripheral elements. In Classical Portuguese, we defend that XP interpolation paved the way for Neg interpolation because of the loss of V-to-Fin movement in embedded contexts; by then clitic climbing started to reflect a number of criteria related to topicality. Finally, in Modern European Portuguese, the gradual loss of Neg interpolation and the marked status of clitic climbing can be seen as further consequences of the loss of V-to-Fin movement.
Pablo Faria, Charlotte Galves
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 58; https://doi.org/10.20396/cel.v58i2.8647156

Abstract:
Neste trabalho, discute-se a importante relação entre o sistema de anotação sintática e o processamento automático, mais especificamente, a análise automática, no contexto da criação de "bancos de árvores" ou treebanks. Um experimento é conduzido para comparar a performance do parseador sobre duas versões do sistema de anotação utilizado no Corpus Tycho Brahe. Os resultados demonstram que um sistema de anotação mais conciso e informativo favorece a performance. Como conclusão, são sugeridos dois princípios norteadores para especificação do sistema de anotação e treinamento do parseador. Por fim, a discussão é contextualizada a partir de uma visão geral do processo de construção de um treebank e de sua importância na pesquisa linguística.
Fernanda Maria Pereira Freire, Sonia Sellin Bordin
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 58; https://doi.org/10.20396/cel.v58i2.8647158

Abstract:
Discutimos as particularidades do processo de aquisição de leitura e escrita do sujeito RM, em acompanhamento fonoaudiológico dos 8 aos 12 anos em virtude de queixas de dificuldades escolares, e as diferenças entre seu desempenho na escrita e na leitura, com base nos pressupostos teórico-metodológicos da Neurolinguística Discursiva, em especial, o conceito de palavra e a relação refletido/voluntário e irrefletido/automático apresentados por Freud em seu texto sobre as Afasias. A análise dos dados mostra que ao final do acompanhamento o sujeito apresentava um desempenho melhor na leitura do que na escrita - que passou a ser mais produtiva quando silenciosa -, diferente do que ocorria no início do processo; e que a sua escrita ainda apresenta problemas de ortografia, acentuação, pontuação e traçado de letra, embora, quando questionado, saiba soletrar as palavras corretamente. Esse aparente retrocesso da escrita de RM pode ser explicada por duas razões: (a) automatização não convencional da grafia de algumas palavras, em especial aquelas que usam as letras “b” e “d”; (b) registro de fatos e acontecimentos que exigem maior complexidade sintática, o que desvia sua atenção de como escrever para o quê escrever.
, Philippe-Joseph Salazar
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 58; https://doi.org/10.20396/cel.v58i1.8646160

Abstract:
Encontram-se aqui, inicialmente, uma breve apresentação das razões que conduziram um conjunto de estudos consagrados à análise dos usos e efeitos da voz no discurso político eleitoral brasileiro à proposta de uma pesquisa situada na confluência entre a Análise do discurso e a História das ideias linguísticas sobre os discursos que tratam da voz humana; e, em seguida, uma entrevista sobre a voz, sobre sua importância e seus empregos no contexto da atual onipresença das redes sociais, sobre as obras fundamentais que já refletiram acerca da voz e sobre os riscos de sua perda para a espécie humana com o Prof. Philippe-Joseph Salazar, Distinguished Professor of Rhetoric da Universidade do Cabo, na África do Sul, que é um reconhecido especialista em ópera, voz humana, antropologia social e cultural e interfaces entre retórica e filosofia e cuja formação contou com grandes mestres do pensamento francês dos anos de 1960 e 1970, tais como Louis Althusser, Georges Dumézil, Roland Barthes, Michel Maffesoli e Emmanuel Levinas.
Anna Flora Brunelli
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 58; https://doi.org/10.20396/cel.v58i1.8646152

Abstract:
Neste trabalho, procuramos demonstrar como estudos de Psicologia Social podem servir aos interesses da Análise do Discurso, dadas as reflexões que promovem sobre o conteúdo e sobre as funções que exercem certos estereótipos presentes nos discursos, incluindo aí esclarecimentos sobre o modo como os estereótipos podem colaborar, à sua maneira, para a manutenção da desigualdade social. Para tanto, apresentamos inicialmente algumas teses desenvolvidas no âmbito da Psicologia Social sobre o tema, com destaque para a “Teoria da Justificação do Sistema”; posteriormente, tratamos de empregá-las para avaliar estereótipos presentes em dois tipos distintos de discursos, o que nos permite revelar aspectos não evidentes desses discursos. Os resultados confirmam, assim, a pertinência desse intercâmbio teórico.
Charlotte Galves
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 58; https://doi.org/10.20396/cel.v58i2.8647150

Abstract:
Apresentação - v.58 - n.2 - 2016
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 58; https://doi.org/10.20396/cel.v58i1.8646155

Abstract:
Ste trabalho analisa a circulação da fórmula “consciência negra” no universo discursivo brasileiro contemporâneo, restringindo-se a um corpus constituído de textos oriundos do campo jornalístico informacional que retomam, reformulam ou combatem a fórmula em questão. O objetivo é investigar, a partir de procedimentos teórico-metodológicos da análise do discurso, especificamente aqueles relativos ao funcionamento das fórmulas discursivas, em que medida as demandas do movimento negro são re(a)presentadas pelas mídias do campo mencionado, tendo em vista as ocorrências da fórmula. Os resultados apontam para uma suposta invisibilidade da violência racial e para a atribuição de desigualdade socioeconômica como origem e causa das práticas racistas, nas poucas vezes em que estas últimas são mencionadas.
, , Mariana Fagundes De Oliveira Lacerda
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 58, pp 257-276; https://doi.org/10.20396/cel.v58i2.8647154

Abstract:
Apresentam-se, neste trabalho, dados diacrônicos do sistema de tratamento do português baiano, na posição de sujeito e complemento, com o objetivo maior de contribuir para o estudo da configuração diatópico-diacrônica desse sistema no português brasileiro. O corpus de pesquisa é constituído por cartas de remetentes baianos dos séculos XIX e XX. Os dados extraídos das cartas foram analisados de acordo com os princípios da Sociolinguística Quantitativa, com o apoio do software Goldvarb X. Entre os resultados para a função de sujeito, observou-se uso significativo de formas de tratamento nominais, como o senhor, Vossa Excelência e Vossa Senhoria. Não houve dados de tu e vós expressos, mas em alguns casos o verbo estava flexionado nas formas correspondentes, ficando o sujeito nulo. A forma você começa a aparecer em sua forma plena no século XX, e o uso de Vosmecê ocorre de forma mais efetiva durante o século XIX, diminuindo com o tempo. Na função de complemento acusativo, a estratégia mais produtiva é lhe, com 39%, ficando a forma tradicional de acusativo o/a com 36%. A forma dativa predominante é também o clítico lhe, com 63%, ficando a forma te com meros 2%. Notou-se que a variação se concentrou nos dados de remetentes que apresentavam uso exclusivo de você na posição de sujeito. Num aspecto geral, os resultados corroboram um sistema de formas de tratamento com alguns traços importantes de conservadorismo linguístico, em comparação com dados de outros estados brasileiros, como Pernambuco, Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro.
Marcos Bagno
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 58, pp 185-192; https://doi.org/10.20396/cel.v58i1.8646162

Abstract:
Resenha de "História sociopolítica da língua portuguesa" de Carlos Alberto Faraco
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 58, pp 5-5; https://doi.org/10.20396/cel.v58i1.8646150

Abstract:
Apresentação do Caderno de Estudos Linguísticos
Cynthia Yano
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 58, pp 221-235; https://doi.org/10.20396/cel.v58i2.8647152

Abstract:
O presente trabalho tem como objetivo compreender melhor o funcionamento do sistema de pontuação do português, dos séculos XVI ao XIX, focalizando o emprego de vírgula antes de orações completivas verbais. A escolha desse contexto de uso da vírgula não foi fortuita e se deu pela variação no uso de vírgula observada em textos literários escritos e publicados na época, e pela dificuldade dos gramáticos, até o início do século XVIII, em definir a distinção entre as orações completivas e relativas e, portanto, o uso de vírgula nesses tipos de construções também.Para tanto, foi selecionado um corpus composto por 14 textos de autores portugueses nascidos no mesmo período, do século XVI ao XIX. E, após a análise dos dados, observou-se que a maioria das orações tinha como regente um verbo do tipo dicendi, ou de pensamento, típicos de discurso relatado. Isso levou à hipótese de que a vírgula possuía uma função a mais, de introduzir um discurso relatado - além das já descritas pelos gramáticos -, corroborada pelo fato de, nos mesmos textos, haver ocorrências com dois pontos, já descritos como tendo a função primeira de introduzir citações, precedidos pelos mesmos verbos. Além de introduzir um relato, o uso de vírgula nos textos quinhentistas, embora à primeira vista pareça aleatório, poderia ser motivado pela presença ou não de um elemento interpolado, um sujeito ou uma oração, seguindo o verbo.Ademais, notou-se que, a partir do século XVIII, há uma queda progressiva na porcentagem de ocorrências com orações completivas precedidas por vírgula, quando tal uso não-convencional da vírgula teria caído em desuso. Ou seja, apesar do que as gramáticas da época mostram e alguns estudos, como o de Rocha (1997), afirmam, o modo de empregar a vírgula teria sofrido modificações desde a primeira metade do século XVIII.
Tânia Lobo, Ana Sartori, Rodrigo Mota Soares
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 58; https://doi.org/10.20396/cel.v58i2.8647155

Abstract:
O Brasil é um país de escolarização em massa e imprensa tardias. Paradoxalmente, é através dos espaços institucionais formais, sobretudo a escola, que se tem buscado traçar a história da distribuição social da leitura e da escrita na sociedade brasileira, não necessariamente, contudo, tomando tal questão como foco – em uma abordagem global, de caráter sociológico e demográfico –, mas apenas dando pistas para a sua compreensão, através, por exemplo, da história das políticas educacionais, do mapeamento dos métodos de ensino ou ainda da história da construção dos materiais didáticos, enfatizando-se, na maioria das vezes, o analfabetismo da população. Identifica-se, portanto, uma carência de investigações, que, contemplando novas fontes, novos métodos, novos espaços, novos atores, abordem a multifacetada questão da distribuição social da leitura e da escrita na sociedade brasileira, desde as suas origens coloniais. Buscando contribuir para preencher tal lacuna, o projeto Leitura e escrita aos olhos da Inquisição objetiva traçar, a partir da análise das fontes documentais produzidas pelas visitações do Santo Ofício, um quadro aproximativo da faculdade das letras na América colonial portuguesa. Neste artigo, apresentam-se resultados parciais das pesquisas desenvolvidas no âmbito do referido projeto, analisando-se o conjunto de depoimentos prestados e assinados perante o Santo Ofício constantes do Livro das Denunciações e do Livro das Confissões e Reconciliações, escritos ambos quando da segunda visitação da Inquisição à Capitania da Bahia, entre 1618 e 1620. Cruzando a variável binária assinante versus não assinante com as variáveis sexo, origem geográfica do depoente, etnia, condição religiosa e categoria socioocupacional, esboça-se um perfil sociológico dos letrados nos primórdios da colonização, contexto marcadamente multilíngue e de quase ausência de instituições voltadas à alfabetização. Ao abarcar a questão da distribuição social da leitura e da escrita no período colonial, abarca-se uma das questões-chave para a compreensão da história social do português brasileiro.
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 58, pp 317-328; https://doi.org/10.20396/cel.v58i2.8647157

Abstract:
Este artigo pertence à linhagem de estudos que abordam as unidades vocabulares sob uma ótica discursiva. Através de instrumentos conceituais da Análise do Discurso de linha francesa, investigamos o uso do pronome dona em dois artigos opinativos de Carlos Heitor Cony publicados no jornal Folha de São Paulo. Mobilizando repertórios característicos de certa memória discursiva patriarcal, o tratamento dona produz efeitos de sentido opostos quando aplicado na referência a Ruth Cardoso e a Dilma Rousseff. Ao mesmo tempo, entretanto, essa discrepância revela pertencer às mesmas estruturas imaginárias que reproduzem e naturalizam socialmente o discurso machista.
André William Alves De Assis
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 58; https://doi.org/10.20396/cel.v58i2.8647160

Abstract:
Resenha de "A conquista da opinião pública: como o discurso manipula as escolhas políticas." de Patrick Charendeau
Luciana Salazar Salgado, Helena Boschi
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 58; https://doi.org/10.20396/cel.v58i1.8646156

Abstract:
Partindo de uma perspectiva discursiva em diálogo com pesquisas recentes da sociolinguística e da linguística aplicada, temos como objetivo investigar a construção e a difusão de imaginários de língua e de cultura, focalizando o primeiro livro da coleção Brasil Intercultural (Ciclo Básico, nível 1 e 2 - MOREIRA; BARBOSA; CASTRO, 2014). São examinadas, assim, propostas de atividade. Os dados mostram um conflito entre um posicionamento progressista e um posicionamento conservador ao longo do material, o que, segundo nossa hipótese, é um efeito da circulação de discursos no espaço público: enquanto estudos da linguagem mostram cada vez mais a complexidade das estruturas linguísticas e da diversidade de usos em conjunturas variadas, no mercado editorial, os próprios autores e o público consumidor são atravessados por um imaginário de língua e de cultura que estabelece uma relação biunívoca entre elas, calcada na noção de que uma língua é um código estável característico das trocas definidoras de um território nacional.
, Beatrice Távora
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 64; https://doi.org/10.20396/cel.v64i00.8665735

Abstract:
A posição sintática das formas clíticas em línguas latinas é objeto amplamente descrito nos estudos linguísticos (BERTA, 2003; CYRINO, 1993; NIEUWENHUIJSEN, 2006, PETROLINI JR., 2014), haja vista as expressivas mudanças por que passa esse sistema ao longo dos séculos, bem como os contrastes que apresenta quando em tela normas inter e intralinguísticas. Situado em um núcleo de pesquisa que coaduna interesses da Linguística e dos Estudos da Tradução – estudos em corpus do espanhol escrito com marcas de oralidade (CEEMO) –, este debate analisa as estratégias tradutórias vislumbradas no conjunto de três versões da obra Don Quijote de la Mancha em português, objetivando debater sobre o conflito de normas nesse também concreto uso da linguagem. Entram em discussão a temporalidade linguística, debatido como um problema sociolinguístico a ser considerado na tradução (HURTADO ALBIR, 2001), e o campo teórico das marcas de oralidade nos textos escritos (KOCH; OESTERREICHER, 2007; MARCUSCHI, 2001). À luz desses debates e recortando o fenômeno da posição das formas clíticas, o estudo aponta estratégias tradutórias distintas, no que diz respeito à preservação ou distanciamento da estilística cervantina.
Yasmin Vizeu Camargo,
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 64; https://doi.org/10.20396/cel.v64i00.8666524

Abstract:
Neste artigo, apresentamos uma descrição das características e propriedades linguísticas de orientacionais de inversão (OIs), responsáveis por expressar que objetos estão em uma posição não canônica. Nosso objetivo é analisar e descrever o comportamento semântico do OI “de cabeça para baixo”, em contextos espaciais e não espaciais, usando as ferramentas da semântica formal. Com base em algumas noções da semântica de vetores espaciais (VSS, do inglês “Vector Space Semantics”) (ZWARTS, 1997), analisamos o OI em questão com base em dados coletados dos corpora WebCorp (MORLEY, 2006) e Google. O resultado é uma análise e uma descrição de “de cabeça para baixo” baseadas nas noções de quadro referencial do contexto (QR), vetores extrínsecos (VEs) e vetores intrínsecos (VIs), cujos resultados indicam que o OI “de cabeça para baixo” em contextos espaciais mobiliza apenas o eixo vertical e, portanto, combina apenas com referentes que possuem orientação em tal eixo, enquanto nos usos não espaciais, por conta da impossibilidade de inversão de eixos, envolve não a orientação do objeto, mas sim estados canônicos.
Fábio Ramos Barbosa Filho
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 64; https://doi.org/10.20396/cel.v64i00.8664658

Abstract:
Este artigo busca investigar de que maneira o alienismo brasileiro se constitui em estreita relação com as teorias raciais, com a memória antiafricana e com novas formas de organização do direito e do espaço urbano no século XIX. Ancorado teoricamente na Análise de Discurso materialista, o texto busca dar visibilidade aos processos históricos da produção do sentido, montando um arquivo que permita escutar a conjuntura discursiva do Brasil oitocentista. O presente estudo permite, pois, uma compreensão semântica das contradições e das relações de sentido a partir da montagem e da leitura de um arquivo singular, que abre espaço para a formulação de um dispositivo distinto do historiográfico, pondo em primeiro plano o funcionamento material, ou seja, histórico, da língua.
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 64; https://doi.org/10.20396/cel.v64i00.8660585

Abstract:
A primeira pessoa do plural apresenta diferentes possibilidades de interpretação semântica, codificando referentes mais ou menos abrangentes. Os estudos sociolinguísticos evidenciam que o valor semântico atrelado aos contextos referenciais expressos pela primeira pessoa do plural é significativo para a variação entre as formas nós e a gente. A fim de apresentar generalizações a respeito do uso de a gente em função dos traços semânticos do referente, apresentamos um estudo de meta-análise de dezessete pesquisas variacionistas que analisaram a interpretação semântica das formas de primeira pessoa do plural. Inicialmente, realizamos teste de qui-quadrado para cada estudo de forma independente. De modo geral, os resultados da análise univariada mostram que há associação entre a escolha da variante (nós ou a gente) e o traço semântico do referente. Em seguida, com o objetivo de apresentar uma generalização a respeito das chances de uso de a gente com valor semântico específico/determinado, realizamos análise de regressão logística generalizada para cada estudo. Os resultados dão indícios de que os contextos referenciais específicos/determinados apresentam tendência a serem codificados por a gente, o que indica a perda da distinção semântica específico/genérico entre as variantes nós e a gente.
, Wellton Da Silva De Fatima
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 64; https://doi.org/10.20396/cel.v64i00.8659619

Abstract:
Este trabalho se inscreve no aparato da Análise de Discurso materialista. Analisamos o funcionamento discursivo do que propomos como lugares de autoridade: fatos de linguagem na relação com a memória constituídos como elementos contraditórios, dadas as condições de produção do discurso. Fazemos referência a imagens e dizeres produzidos nas redes sociais sobre declarações polêmicas ou ofensivas a feministas, recortadas seguindo uma regularidade na qual declarações feitas eram rebatidas em páginas e perfis que, embora (re)conhecidos como progressistas, recorreram a determinados saberes fundamentados nos lugares comuns do, assim (re)conhecido, discurso conservador. Em nossa análise, observamos um funcionamento particular da memória discursiva na movência dos sentidos, produzindo um efeito autoritário também a partir do trabalho das formações discursivas em tensão. Constatamos um atravessamento de sentidos colocando discursos aparentemente incompatíveis numa mesma discursividade, produzindo repetição ao invés de ruptura, por meio do funcionamento dos lugares de autoridade.
Ana Paula Quadros Gomes,
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 64; https://doi.org/10.20396/cel.v64i00.8666991

Abstract:
Neste trabalho analisamos o advérbio bem com leitura de maneira modificando sintagmas verbais do português brasileiro. Partindo da visão de que o sintagma verbal pode ser decomposto em uma estrutura de eventos sintaticamente representada, defendemos que bem de maneira seleciona semanticamente subeventualidades durativas (estados ou processos), e sempre será licenciado em sintagmas verbais que possuam algum componente durativo em sua estrutura de eventos. Na seção final do artigo, mostramos como essa perspectiva explica até mesmo a ocorrência do advérbio bem de maneira em sintagmas verbais encabeçados por verbos tipicamente classificados como culminações (achievements). Com isso, acreditamos que o artigo forneça não só uma descrição robusta das propriedades do advérbio sob análise (pelo menos em sua interpretação de maneira) como também um argumento a favor de pensarmos a estrutura do sintagma verbal não como uma estrutura projetada por um item, mas um arranjo sintático-semântico no qual uma raiz verbal pode ser licenciada.
Renato Caruso Vieira
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 64; https://doi.org/10.20396/cel.v64i00.8667539

Abstract:
Implicaturas escalares são tradicionalmente definidas como interpretações upper-bound de termos escalares fracos, nas quais estes assumem a máxima força informacional de suas escalas, negando termos mais informativos (e.g. "somente alguns mas não todos") por obra da primeira submáxima de Quantidade de Grice. Aderimos a Noveck & Sperber (2007) que, em sua abordagem baseada na Teoria da Relevância, sugerem ser a maioria dos casos tratados como implicaturas escalares apenas explicaturas de estreitamento conceitual (portanto, nem implicaturas e nem escalares). Porém, ao contrário de Noveck & Sperber (2007), acreditamos que nem mesmo negações implicadas, por termos fracos, de termos fortes cuja adequabilidade contextual seja posta em dúvida devam ser consideradas implicaturas escalares. Propomos um modelo de derivação de tais implicaturas que não se sustenta sobre as relações escalares estabelecidas entre os conceitos mas, sim, na compatibilidade percebida pelos interlocutores entre os sentidos comparados. Procuramos demonstrar que nada além de processos de ajuste conceitual por explicatura em conjunção com regras dedutivas de tipo modus ponens seja necessário para extração de implicaturas de compatibilidade. Assim, o modelo proposto é capaz de explicar uma gama de fenômenos pragmáticos mais vasta do que aqueles classificados como implicaturas escalares, recorrendo a princípios comuns à interpretação geral de enunciados e, no caso das inferências dedutivas, também à interpretação de estímulos não-linguísticos.
Bruno Molina Turra, Valéria Regina Ayres Motta
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 64; https://doi.org/10.20396/cel.v64i00.8668159

Abstract:
Partiremos da análise de um fato de língua a fim de pensarmos as relações produzidas para um falante entre dois sistemas linguísticos quando da emergência do equívoco. Fundamentados por uma linguística que nomeamos “milneriana”, que quer dizer uma linguística saussuriana afetada pela psicanálise, buscaremos pensar as noções de materno e estrangeiro postos em causa sob a égide de lalíngua, na medida em que esta é o que faz furo no Um da língua (MILNER, 1978[2012]). Em nossa discussão, trataremos do deslizamento de um sistema linguístico a outro a partir do que Lacan leu em Saussure como “cadeia significante”, um funcionamento já descrito por Freud, em 1901, ao tratar do esquecimento de palavras estrangeiras. Num segundo momento, faremos uma breve reflexão sobre o possível tratamento do equívoco (em oposição ao erro) na sala de aula de língua estrangeira no sentido de sustentá-lo enquanto da ordem da singularidade, daquilo que dá indícios de um sujeito.
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 64; https://doi.org/10.20396/cel.v64i00.8668890

Abstract:
Esta pesquisa revisita a aquisição das sílabas de ataque ramificado CCV (Consoante1+Consoante2+Vogal) em Português Brasileiro, investigando como o molde silábico é categorizado ao longo do desenvolvimento fonológico infantil e por que este desenvolvimento ocorre da forma que ocorre. Para caracterizar o alvo sendo adquirido, um estudo de corpus descreve a variação CCV→CV presente na fala de adultos paulistanos (como em ‘outro’→[ʹo.tʊ]) utilizando dados do Projeto SP2010 (MENDES, 2013). Já para caracterizar o desenvolvimento infantil, conduzimos um experimento de produção e compreensão de fala (mispronunciation detection task). Como arcabouço teórico, o Princípio da Tolerância (YANG, 2016) modela a construção do contraste entre as estruturas CCV-CV, estabelecido com base no adensamento fonológico do Léxico (JUSCZYK, LUCE & LUCE, 1994). O estudo constata que, ao adquirir CCV, a criança adquire uma sílaba fonologicamente pouco densa, foneticamente variável e suscetível a processos de neutralização do contraste CCV-CV. Defendemos que tais características do input levam a uma incorreta generalização de CCV como opcional, tomando CV como uma forma alternante – tanto em contextos átonos (o que é encontrado na fala adulta) como em contextos tônicos (que não ocorre na fala adulta paulistana). A produtividade desta hipergeneralização é capturada pelo Princípio da Tolerância e decorre da alta concentração de CCVs reduzíveis no vocabulário inicial da criança, sendo superada com o crescimento lexical. A hipergeneralização da variação CCV~CV reflete-se no teste de detecção de erros apontando reconhecimento de CV→CCV (‘dente’→‘d[ɾ]ente’), mas não de CCV→CV (‘prato’→’pato’, ‘preto’→’peto’) por crianças que simplificam CCV em sua fala. A maior taxa de detecção de vizinhos CCV-CV no teste (‘prato’→‘pato’ é mais detectado que ‘preto’→‘peto’) aponta a construção do contraste como um ponto-chave no desenvolvimento fonológico. Com isso, argumentamos que a aquisição CCV passa por um momento de incorreta neutralização do contraste estrutural da sílaba.
, Kelly Yasmin Belarmino Almeida, Keven Xavier Do Carmo, Laviny Vitória Braga Vicente, Rafael Macário Fernandes
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 64; https://doi.org/10.20396/cel.v64i00.8664497

Abstract:
As narrativas caracterizam-se principalmente por apresentar uma sequência temporal de eventos semanticamente relacionados, frequentemente intercalados com enunciados que trazem informação de fundo. Denominamos temporalidade a relação de referência temporal que permite a localização dos eventos em uma sequência no tempo. Essa referência é expressa através de diferentes recursos pragmáticos, lexicais e morfológicos. No caso de uma segunda língua, a aquisição da expressão da temporalidade frequentemente se dá em três estágios, nomeados com base nesses recursos. Realizamos uma análise orientada pelo significado de amostras de interlíngua na “variedade básica” de português do Brasil como segunda língua, a partir de narrativas baseadas em um livro infantil, eliciadas de seis aprendizes iniciantes, falantes de diferentes línguas maternas (italiano, holandês, alemão e espanhol). Identificamos a interlíngua de um aprendiz com o estágio pragmático e a dos demais, com o estágio lexical. Como esperado, as amostras dos aprendizes hispano-falantes apresentaram características diferentes das dos demais aprendizes, destacando-se o emprego de morfemas temporais de sua língua materna com radicais do português e a ausência de formas bases previstas para esse estágio. Em síntese, não encontramos tais morfemas em padrões regulares em nenhuma amostra, exceto por formas muito frequentes na língua alvo, adquiridas de maneira não analisada. Ainda assim, concluímos que todas as narrativas foram coerentes e que a proximidade entre uma língua materna e sua língua alvo pôde alterar as características desses estágios considerados universais.
David Sena Lemos, Alessandra Del Ré
Cadernos de Estudos Lingüísticos, Volume 64; https://doi.org/10.20396/cel.v64i00.8668238

Abstract:
Este trabalho constitui um recorte de um estudo mais amplo sobre aquisição do português brasileiro (PB) como segunda língua (L2) em contexto escolar, na fronteira norte do Brasil (Pacaraima) e sul da Venezuela (Santa Elena de Uairén). Analisamos a aquisição do PB, em especial a questão do code-switching, por três crianças venezuelanas de 4 anos de idade interagindo com falantes nativos de PB em sala de aula (Educação Infantil). Foram realizadas 18 sessões, entre 30 e 45 minutos, filmadas em sala de aula e que foram posteriormente transcritas a partir da ferramenta CHAT/CLAN. Trata-se de um estudo longitudinal, de cunho qualitativo. Para a análise dos dados, partimos de uma abordagem dialógico-discursiva que busca entender o modo de funcionamento da linguagem e a produção de sentido que se dá nas relações empreendidas entre sujeitos, na relação com outros discursos, com os aspectos socioculturais e ideológicos, em determinados contextos discursivos (BAKHTIN; VOLOCHÍNOV, 2014 [1929], SALAZAR-ORVIG, 2010; SALAZAR-ORVIG et. al., 2010, Del Ré et al, 2014a). Os resultados revelam que as crianças praticam code-switching em eventos discursivos específicos da esfera escolar de forma distinta, sobretudo motivadas por fatores externos, tais como a temática da interação ou a experiência com os gêneros discursivos canções e contos infantis.
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