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Nathalie Luciano Dos Santos, Emerson Garcia
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 241-256; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n0.a3228

Abstract:
A mortalidade materna é considerada um excelente indicador de saúde, não apenas da mulher, mas da população como um todo. No Brasil, a morte materna configura-se como um problema de saúde pública. Segundo o Ministério da Saúde, as altas taxas de mortalidade materna compõem um quadro de violação dos direitos humanos de mulheres e de crianças, atingindo desigualmente aquelas das classes sociais com menor ingresso e acesso aos bens sociais nas várias regiões brasileiras. O planejamento familiar, quando oferecido de forma contínua e prolongada, pode contribuir para a redução do número de gestações indesejadas, de abortos ilegais e da mortalidade materna. Trata-se de estudo de revisão sistemática de literatura do tipo exploratória com abordagem qualitativa. Após a leitura seletiva das referências, teve início a fase analítica. Realizou-se o grupamento em duas categorias temáticas, a seguir discriminadas: (1) o homem no planejamento familiar; (2) contracepção pós-abortamento e redes de cuidado. No que tange ao aborto, a participação masculina é de extrema relevância, pois a não aceitação da gravidez ou o abandono do parceiro são alguns dos motivos que levam a mulher ao aborto provocado. O cuidado integral à saúde da mulher em situações de abortamento deve incluir, além do tratamento de emergência, o acesso universal ao planejamento reprodutivo, inclusive orientações para as mulheres que desejam uma nova gestação.
Luciana De Oliveira Alves Bastos Amorim, Camila Oliveira Nunes, Laíse Rezende De Andrade, Lília Pereira Lima, Liana Aparecida Barbosa Santiago
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 230-240; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n0.a3227

Abstract:
A formação em saúde historicamente baseou-se em um modelo curativista e insuficiente para preparar o perfil profissional necessário à implantação e operacionalização dos princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). Diante deste cenário, a estratégia de reorientação da formação tem sido utilizada para promover a aproximação dos estudantes de graduação com a realidade do SUS. Para atender a esta necessidade, a Escola Estadual de Saúde Pública (EESP) da Bahia mantém, desde 2008, o programa de estágio não obrigatório no âmbito da gestão em saúde, denominado CotidianoSUS. Este relato de experiência objetiva descrever o desenvolvimento do programa ao longo de suas oito edições a partir de uma análise das fontes de informação da EESP de 2008 até 2018. Como resultado destaca-se o crescimento do programa, que já proporcionou a cerca de 2 mil estudantes de áreas da saúde a vivência da realidade cotidiana dos serviços do SUS, e sua solidificação dentro da rede estadual de saúde da Bahia, além do número de estudantes treinados e qualificados que podem vir a ser contratados após a conclusão do estágio e da graduação.
Nildo Batista Mascarenhas, Lívia Angeli Silva
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 257-276; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n0.a3229

Abstract:
Na década de 1920, a Bahia teve sua política de saúde reformulada e, por meio dessa reforma, o governo estadual organizou as ações de saúde pública em todo o estado. Com isso, o objetivo desta pesquisa foi descrever as características da política de saúde baiana no período entre 1925 e 1930. Os dados foram coletados em quatro acervos documentais e se constituíram de diferentes fontes históricas. Os resultados apontam que a implantação da política estadual de saúde em 1925 foi induzida pelo governo federal e sua base ideológica foi o higienismo. O foco dessa política de saúde era a educação sanitária e o controle das doenças infectocontagiosas prevalentes em diferentes espaços geográficos da sociedade baiana. Entre 1925 e 1929, realizaram-se modificações na legislação sanitária e na organização das ações e serviços de saúde pública no estado; contudo, com o golpe de Estado de 1930, a política de saúde foi reformulada, demarcando o declínio do projeto de reforma sanitária elaborado pela elite médica higienista brasileira. Conclui-se que a política de saúde baiana, no período de 1925 a 1930, ampliou formalmente o escopo de ações do Estado no território baiano. Entretanto, após outubro de 1930, essa política foi modificada e adequada às novas diretrizes do governo federal.
Priscilla Araújo Dos Santos, Andréa Da Anunciação Gomes
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 85-93; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n0.a3217

Abstract:
A sífilis é uma doença de transmissão predominantemente sexual, causada pelo Treponema pallidum. A temática da sífilis, embora seja antiga, tornou-se contemporânea em virtude dos números expressivos de casos em gestantes, de conceptos infectados e dos desfechos negativos em tais situações. O atual panorama brasileiro no que se refere à atenção primária mostra de forma clara e consistente diversas ações e avanços no contexto das políticas públicas de saúde, sobretudo relacionadas à Estratégia Saúde da Família, que tem papel relevante no combate à sífilis congênita. O presente trabalho tem como objetivo relatar a experiência desenvolvida e os avanços obtidos no combate à sífilis congênita no município baiano de Ibicaraí-BA, onde foram realizadas atividades para qualificação dos profissionais médicos e de enfermagem no manejo e conduta para o atendimento às gestantes com sífilis. Espera-se demonstrar a efetividade do trabalho em rede, com a valorização dos espaços coletivos de trabalho, e o alcance de resultados significativos diante dos objetivos propostos.
Priscila Moreira Lauton, Marcelo Ney De Jesus Paixão
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 9-28; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n0.a3212

Abstract:
Um dos grandes desafios para a gestão da assistência farmacêutica no Sistema Único de Saúde é estabelecer uma forma sustentável de garantir o financiamento e o acesso aos medicamentos, considerando os elevados custos da assistência à saúde. O Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (Ceaf) é fruto da evolução constante da assistência farmacêutica no Brasil e constitui-se em uma estratégia de acesso aos tratamentos mais complexos, que necessitam de tecnologias e recursos de saúde diferenciados. Assim, o objetivo deste estudo é investigar os avanços conquistados e os desafios enfrentados na garantia do acesso a medicamentos do Ceaf. Trata-se de uma revisão integrativa baseada na literatura, para a qual foram selecionadas 38 publicações. Foram identificados avanços importantes como a centralização da aquisição parcial dos medicamentos especializados, a definição de valores unitários e a isenção de impostos para medicamentos adquiridos pelos estados com recurso da União, além da racionalização na incorporação de novas tecnologias. Porém, foram identificados alguns desafios que ainda precisam ser superados, como a falta de organização e de estruturação dos serviços farmacêuticos, a ausência de um sistema de informação unificado, a constante pressão para incorporação de novas tecnologias e a judicialização da saúde. Para garantir o acesso sustentável aos medicamentos do Ceaf é necessário desenvolver ações como a integração dos serviços do nível central com as unidades assistenciais, a otimização dos sistemas de informação e estruturação e melhorias do fluxo logístico dos serviços farmacêuticos. Essas medidas podem qualificar o acesso ao tratamento medicamentoso pelo Sistema Único de Saúde e contribuir para o fortalecimento da assistência farmacêutica no Brasil.
Jamile Barbosa Das Neves, Milena Amélia Franco Dantas
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 71-84; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n0.a3216

Abstract:
A atenção básica tem como um dos grandes desafios trabalhar, no seu contexto, demandas relacionadas à saúde mental. O redirecionamento do modelo assistencial da saúde nos últimos anos no Brasil permitiu um cuidado em saúde mental de forma mais ampliada a partir de uma ótica de territorialização. Essa articulação, mesmo considerando propostas previstas pela Reforma Sanitária e pela Reforma Psiquiátrica no país, vem apresentando algumas limitações para a sua plena efetivação. O pouco manejo no que diz respeito às demandas de saúde mental por parte de alguns profissionais de saúde da atenção básica – devido muitas vezes a seu processo de formação – e a resistência e estigmas em relação à temática também se apresentam como pontos importantes de fragilidade no cuidado. Assim, este artigo tem como objetivo analisar a importância da articulação da atenção básica com a saúde mental, abarcando suas limitações e suas possibilidades estratégicas. Para isso, foi realizada uma revisão bibliográfica, de caráter exploratório, qualitativo e não sistemático. Diante de tal discussão, aponta-se o apoio matricial como uma estratégia possível na efetivação do cuidado corresponsabilizado entre a rede especializada e a atenção básica, fortalecendo a resolutividade e a qualidade dos serviços ofertados em saúde. Conclui-se que o processo de construção coletiva, utilizando os dispositivos de cuidado da Rede de Atenção à Saúde, assim como os recursos comunitários e intersetoriais, deve sempre ser considerado para a consolidação e transformação do cuidado em saúde mental articulado com a atenção básica.
Livia Nascimento Dos Santos, Flávia Lima De Carvalho
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 222-229; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n0.a3226

Abstract:
É contraditório pensar em promoção, proteção e recuperação da saúde sem a presença do nutricionista. Dessa forma, o objetivo do trabalho é relatar as ações desenvolvidas com a inserção do nutricionista na equipe de saúde em uma unidade da Estratégia Saúde da Família, em Salvador (BA). Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, realizado durante o Estágio Supervisionado de Nutrição em Saúde Pública, em uma unidade de saúde da família em Salvador, apresentando ações de abordagens individuais e em grupos. Como resultado foi possível identificar que as ações, os temas e as dinâmicas aplicadas foram bem vistas pela população adstrita possibilitando reflexão e promoção de mudança de hábitos, tornando a assistência integral e resolutiva. Dessa forma, o nutricionista pode atuar na equipe mínima de saúde, sendo essencial a sua integração à equipe, tornando o atendimento mais integral, universal, resolutivo e equânime, conforme o SUS defende.
Caique De Moura Costa, Marília Santos Fontoura , Silvia Santos Rocha
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 29-44; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n0.a3213

Abstract:
O Curso de Especialização em Saúde Pública tem grande importância no cenário de oferta de ações de educação permanente em Saúde no estado da Bahia. Contribui para a formação de novos sanitaristas, para a organização e o desenvolvimento do processo de trabalho em saúde, entre outros. O grande número de inscrições para seleção para esta modalidade de especialização aponta para a necessidade de descentralização e regionalização, com vistas a contribuir para ampliar o acesso de profissionais à especialização na área da Saúde Pública. Como ferramenta de análise, utilizou-se mapas visuais que possibilitaram observar a distribuição entre demanda e oferta de vagas do Curso de Especialização em Saúde Pública. Tomou-se como objeto de análise o quantitativo total de inscritos interessados em se especializar e o número de matriculados no curso. Foi percebido que o número de interessados em especializar-se é superior ao número de vagas ofertadas, tanto na capital como em municípios e regiões do estado. Tais resultados permitem afirmar a existência de grande interesse por parte dos profissionais de saúde em se especializar, o que pode apontar uma necessidade de expansão deste tipo de curso para outras regiões da Bahia. Parece ser relevante para o conjunto de profissionais de saúde de diversas regiões a continuidade da oferta de vagas para o Curso de Especialização em Saúde Pública, de forma descentralizada, o que pode indicar ou fortalecer sua realização na modalidade EAD, possibilitando maior acesso e atendimento às necessidades de educação permanente dos municípios e regiões da Bahia.
Débora Moura, Laíse Rezende De Andrade
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 57-70; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n0.a3215

Abstract:
A Rede Cegonha tem como principais objetivos reduzir a mortalidade materna e infantil, dando atenção ao parto e ao nascimento, à mulher no puerpério e à criança na primeira infância. Entre os desafios colocados para a rede estão a necessidade de mudanças no modelo tecno-assistencial (que perpassam o modelo da formação em saúde) da atenção ao parto e ao nascimento, que ainda produz excesso de medicalização, banalização da cesárea, desrespeito aos direitos da mulher e da criança e cuidado diferenciado aos adolescentes e jovens. Desse modo, este artigo tem o objetivo de descrever e refletir sobre a experiência numa disciplina teórico-prática do curso de graduação em Fonoaudiologia da Universidade Federal da Bahia junto à Rede Cegonha. Nesse sentido, se debruça sobre um relato de experiência, na perspectiva docente, baseado em relatórios discentes, de um componente curricular teórico- -prático sobre a Rede Cegonha no curso mencionado. Foram visitados diversos serviços que compõem a RC no município de Salvador, como serviços de gestão, atenção primária à saúde e serviços especializados. Além da contribuição na construção de uma perspectiva prática sobre a Rede Cegonha, as visitas técnicas contribuíram para que os estudantes em formação pudessem refletir quanto ao modelo de profissional que aspiram ser e de que forma podem contribuir para mudanças positivas como sujeitos nos serviços de saúde. As peculiaridades da Rede Cegonha demandam uma formação específica do profissional da saúde para a atuação neste dispositivo inovador, o que ainda representa um desafio para as diferentes profissões.
Hairla Henrique Alves De Almeida Monteiro, Caroline Ramos Do Carmo
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 94-111; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n0.a3218

Abstract:
A criação da Lei de Acesso à Informação inicia uma relação de comprometimento da gestão dos órgãos públicos com a publicização dos dados que são de interesse público. Pela competência institucionalizada de atender ao cidadão e também de receber, examinar e encaminhar suas manifestações, as ouvidorias acabaram se configurando como setor responsável pelo seu desenvolvimento nos órgãos públicos. Sob essa perspectiva, a Ouvidoria do Sistema Único de Saúde da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SUS/Sesab) contabilizou no ano de 2017 o cadastro de 224 pedidos de informação que foram tramitados para as áreas técnicas fornecerem parecer conclusivo. Portanto, buscou-se analisar essas informações cadastradas. Trata-se de um estudo de caráter qualitativo e descritivo, com revisão de literatura e utilização do banco de dados fornecido pelo Datasus às ouvidorias SUS, no qual se fez o levantamento das categorias propostas. O estudo revelou que a maioria das informações foram feitas por mulheres, demonstrando que a participação feminina é maior que a masculina. Outro dado revelado é que a participação individual é maior que a coletiva, ainda que a representação coletiva demonstre mais conhecimento sobre a legislação. A Ouvidoria SUS/Sesab é a principal ouvidoria da rede estadual, tanto do ponto de vista quantitativo quanto qualitativo, e representa canal fundamental para a participação dos trabalhadores da Sesab. A Ouvidoria tem, portanto, o desafio de ir além de ser um mero instrumento formal de comunicação entre o cidadão e a gestão.
Juliana Melo Do Amaral Carvalho, Luciano De Paula Moura
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 112-124; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n0.a3219

Abstract:
O índice de mortalidade infantil tem sido utilizado por muitos gestores como justificativa para implantação/implementação de políticas e programas com a finalidade de melhorar as condições de saúde e ampliar o acesso a serviços de saúde à gestante e ao recém-nascido. Tal proposta tem a premissa de reduzir a taxa de mortalidade infantil e neonatal a partir da melhoria da qualidade do pré-natal, do puerpério e do desenvolvimento da criança. O município de Barreiras, entre 2008 e 2017, apresentou flutuações no coeficiente de mortalidade infantil e fetal, com menor percentual em 2008 (11,13%) e maior em 2009 (18,37%). Todavia, apesar dessa flutuação, quando se compara o ano inicial ao último ano estudado, verifica-se uma tendência à ampliação dos números. Para entender esse comportamento, realizou-se um estudo da mortalidade infantil e fetal entre os anos de 2008 e 2017, enfatizando os fatores predisponentes e as causas dos óbitos, por meio de dados presentes no Datasus, no Sistema de Informação sobre Mortalidade e no Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos. Entre as principais causas de óbitos infantis e fetais evitáveis registrados estão: sífilis em gestante, sífilis congênita, afecções infantis/ fetais associadas à infecção do trato urinário materno, transtornos hipertensivos maternos, complicações da placenta, cordão umbilical e membranas afetando feto e recém-nascidos, doenças pulmonares, prematuridade, sepse neonatal e hipóxia/anóxia.
Shirlei Da Silva Xavier, Ana Paula Freire Cruz, Andréa Da Anunciação Gomes, Milena Guimarães Gama Assis, Iêda Maria Fonseca Santos, Rebeca De Jesus Monteiro
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 182-197; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n0.a3224

Abstract:
A produção de novos conhecimentos fundamenta as práticas de ensino-aprendizagem, contribuindo para o fortalecimento das ações ofertadas e para a construção da identidade institucional. Em seus processos formativos, sobretudo as especializações lato sensu, a Escola de Saúde Pública da Bahia Professor Jorge Novis (ESPBA) prevê como produto final os trabalhos de conclusão de curso (TCC), concebidos como instrumentos impulsionadores para o desenvolvimento de pesquisas e intervenções nos serviços de saúde. Neste artigo buscou-se descrever e analisar o processo de orientação de TCC desenvolvido na escola, em seu percurso histórico, considerando as primeiras experiências e as transformações que se deram após a implantação de um conjunto de medidas voltadas para o aprimoramento dessa atividade. Para fins desta análise, foi realizado um estudo comparativo entre dois cursos de especialização promovidos pela escola. Os dados foram obtidos por meio de fichas de avaliação dos TCC, instrumento aplicado para avaliar e estabelecer nota aos produtos dos cursos. Dentre as modalidades de TCC disponíveis na ESPBA, o projeto de intervenção apresenta maior complexidade e tem maior relação com o processo de trabalho do servidor, tendo em vista que demanda uma clareza do contexto em que se quer intervir e a identificação de suas necessidades. Embora não tenha sido possível afirmar que houve uma influência direta das medidas implantadas para qualificar os TCC, pode-se inferir que as diferenças observadas no curso de Especialização em Gestão de Serviços de Saúde retratam a importância das discussões promovidas pela Comissão de Monitoramento e Avaliação da Escola com os discentes e orientadores.
Layse Tatiane Ferreira Santos, Ignês Beatriz Oliveira Lopes
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 125-137; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n0.a3220

Abstract:
Um dos aportes da promoção de saúde é a educação em saúde, que visa contribuir com o aumento do conhecimento sobre saúde pela comunidade. As comunidades quilombolas são grupos étnico-raciais, minoritários dentro da população negra, que enfrentam algumas dificuldades no acesso aos serviços e ações de educação em saúde. O objetivo deste estudo é realizar uma revisão exploratória da literatura referente às ações de educação em saúde realizadas em comunidades quilombolas brasileiras. Trata-se de uma revisão de literatura, executada nas bases de dados LILACS, PubMed/Medline e SciELO, além de busca nas listas de referências de outros estudos publicados com essa temática. De maneira geral, os estudos encontrados, apontaram algumas das deficiências e necessidades das populações quilombolas, mesmo não sendo demandas espontâneas ou levantadas pela própria comunidade, a utilização de instrumentos aplicados pré e pós intervenção em alguns deles, demonstraram que as atividades contribuíram para a ampliação do conhecimento dos sujeitos sobre sua própria saúde. A educação, a informação e a comunicação em saúde são elementos constitutivos da promoção da saúde, que, segundo a concepção ampliada de saúde, é base constitutiva dos princípios do Sistema Único de Saúde. Por isso, é importante que se criem estratégias para execução de ações de educação em todos os níveis. Neste estudo, constatou-se que a literatura a respeito do tema educação em saúde ainda pode ser muito desenvolvida, principalmente quando se trata de comunidades quilombolas, especificamente.
Alba Da Cunha Alves, Thalita Oliveira Da Silva
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 45-56; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n0.a3214

Abstract:
O fornecimento de medicamentos tem se constituído num viés da judicialização da saúde. Esse fenômeno vem crescendo consideravelmente no Brasil, tornando-se pauta constante na agenda de saúde da gestão pública. No cotidiano de trabalho do Serviço de Orientação ao Paciente, da Assistência Farmacêutica, de uma Secretaria Estadual da Saúde do Nordeste brasileiro, tem-se identificado um número significativo de demandas de usuários relacionadas ao fornecimento de medicamentos por via judicial. Pelo presente artigo, propõe-se uma análise sobre a caracterização desse fenômeno no âmbito da referida Secretaria, no ano de 2016, a partir das demandas dos usuários atendidos no respectivo serviço. Os objetivos específicos buscaram descrever as características político-administrativa dos medicamentos solicitados, considerando seu registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária e seu pertencimento às listas oficiais do Sistema Único de Saúde (SUS), e apontar alternativas extrajudiciais ao fenômeno. Os dados coletados referem-se aos atendimentos realizados pelas autoras deste trabalho e foram extraídos da Planilha de Controle Interno de Demandas. O estudo caracterizou-se por uma pesquisa bibliográfica, exploratória e não sistemática, transitando também pela pesquisa descritiva. O estudo revelou que a maioria dos medicamentos solicitados não consta na relação oficial do SUS e tem sido indicada para o tratamento de patologias não incluídas nos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas existentes. Trata-se de um fenômeno complexo, que envolve aspectos legais, éticos, políticos, econômicos e sociais, e suscita discussões sobre o papel do Estado e o debate sobre justiça social.
Millene Moura Alves Pereira, Marilia Santos Fontoura, Caique De Moura Costa
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 198-221; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n0.a3225

Abstract:
Este estudo de caso analisou a experiência de avaliação de um curso de especialização em saúde pública no estado da Bahia usando o referencial teórico metodológico da área de avaliação Treinamento, Desenvolvimento e Educação. As complexidades e transversalidades da saúde no cotidiano do trabalho indicam a necessidade de reordenamento das práticas e de transformações dos processos de trabalho e formação dos profissionais atuantes neste campo, além de tomar-se o trabalho como princípio educativo, adotando metodologias que favoreçam o diálogo e a capacidade crítico-reflexiva. Considera-se a avaliação como prática inerente e indutora de melhorias em qualquer processo educativo. Assim, este estudo justifica-se pela importância do desenvolvimento de práticas de avaliações em processos educativos e por incentivar a utilização de modelos baseados na avaliação integrada e em profundidade de processos educativos no campo da saúde. Os dados foram coletados com a aplicação de instrumentos de avaliação do curso, em diferentes momentos, identificando a reação e a aprendizagem dos discentes. O referencial utilizado tem consistência e aplicabilidade no campo da educação na saúde e, por meio dele, evidenciou-se coerência entre os níveis de avaliação de reação e aprendizagem. Para os discentes, o curso teve aplicabilidade e contribuiu para aprendizagem de conhecimentos e habilidades acerca da atuação do profissional sanitarista. Insumos, procedimentos e processos do curso foram avaliados positivamente. No entanto, alguns aspectos da estrutura e da didática foram avaliados abaixo da expectativa. Portanto, espera-se que este trabalho contribua para o conhecimento na área de avaliação de processos educativos, inspirando a adoção de perspectivas metodológicas de avaliação contínua e em profundidade no campo da educação na saúde.
Jéssica Santos Fonsêca Rodrigues, Rita De Cássia De Sousa Nascimento
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 169-181; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n0.a3223

Abstract:
Esta pesquisa objetiva identificar estratégias de acolhimento à demanda espontânea em unidades de saúde na Atenção Básica do Brasil e os fatores que interferem na efetividade dessas ações. Trata-se de uma pesquisa descritiva de caráter exploratório com abordagem qualitativa por meio de revisão bibliográfica. As bases de dados utilizadas foram: LILACS e SciELO, sendo selecionados 15 artigos. Com o estudo constatou-se que as principais estratégias de acolhimento à demanda espontânea são formar e fortalecer os vínculos entre usuários e trabalhadores, ampliar o acesso dos usuários aos serviços ofertados, organizar o processo de trabalho e realizar a recepção do usuário no serviço até o seu cuidado integral. Verificou-se que o acolhimento se dá com uma postura acolhedora e resolutiva e com a organização de filas por ordem de chegada. Identificaram-se fatores que interferem na efetividade das ações de acolhimento à demanda espontânea, como estrutura física inadequada, falta de profissionais capacitados, pouco entendimento do usuário sobre o acolhimento, sobrecarga de trabalho e dificuldade do envolvimento multidisciplinar. Do exposto, o estudo atingiu os objetivos almejados, além de pressupor que na atenção básica há um espaço propício para o desenvolvimento de ações de acolhimento pautadas na humanização tendo em vista a mudança de atitude de gestores, profissionais de saúde e usuários.
Greice Da Silva Gouveia, Gesilda Meira Lessa
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 138-151; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n0.a3221

Abstract:
A Rede Cegonha, operacionalizada pelo Sistema Único de Saúde, busca um novo modelo de atenção ao parto, ao nascimento e à saúde da criança. Este estudo objetiva identificar, por meio da literatura científica, possibilidades de promoção do conhecimento da gestante em relação aos direitos de saúde assegurados pela Rede Cegonha. Trata-se de estudo exploratório, com revisão da literatura publicada entre os anos de 2012 e 2016, em abordagem qualitativa e análise crítica. Indicam-se dois aspectos transversais ao conhecimento da gestante, estratégias de empoderamento, gestão e efetivação de seus direitos. O primeiro, sobre o conhecimento dos direitos pelas gestantes em relação à Rede Cegonha; o segundo, relativo às estratégias gestoras, individuais e coletivas para a promoção desse conhecimento. Levantados entre os direitos mais citados no que diz respeito ao conhecimento das gestantes estão a garantia do pré-natal gratuito e de qualidade e a presença do acompanhante no trabalho de parto, parto e pós-parto que, apesar dos avanços, ainda não possuem ampla efetividade. Quanto à segunda dimensão, relativa às estratégias gestoras, individuais e coletivas para a promoção desse conhecimento, ganha relevância, como ferramenta gestora, os direitos das gestantes discutidos com foco nas políticas públicas brasileiras, a atuação dos gestores na implementação da Rede Cegonha para sua qualificação, a fiscalização dos serviços e a avaliação da assistência.
Geane Pereira De Abreu, Rita De Cássia De Sousa Nascimento
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 152-168; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n0.a3222

Abstract:
O câncer do colo uterino é um importante problema de saúde pública e está associado à infecção persistente pelo vírus do HPV como principal fator de risco. Ao longo dos anos políticas públicas vêm sendo desenvolvidas para reduzir as taxas de mortalidade e incidência desse tipo de câncer no Brasil. Uma das estratégias principais para sua prevenção é a realização do exame citopatológico ou de papanicolaou, introduzido nos programas de rastreamento para detecção de lesões precursoras do câncer do colo uterino em mulheres, que tem sido bastante efetivo e eficiente em países desenvolvidos. Assim, este trabalho tem como objetivo analisar os reflexos das políticas brasileiras de promoção à prevenção do câncer do colo uterino sobre a mortalidade no Brasil e no estado da Bahia – mortalidade esta verificada pela evolução temporal diante das ações implantadas no período entre 1988 e 2015. Os resultados indicaram que mesmo diante dos avanços nas políticas públicas instituídas, houve aumento das taxas de mortalidade por câncer do colo do útero no Brasil e na Bahia. Portanto, espera-se que este trabalho sirva de reflexão sobre as políticas públicas brasileiras voltadas para a conscientização quanto à prevenção do câncer do colo uterino.
Liane Oliveira Gomes, Flávia Pedro Anjos Santos, Vanda Palmarella Rodrigues, Maristela Santos Nascimento, Eduardo Nagib Boery
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 89-106; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n1.a2480

Abstract:
Este estudo objetivou analisar o processo de trabalho dos enfermeiros nas equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF) em um município do interior do estado da Bahia. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, descritiva, realizada com 20 enfermeiros das Equipes de Saúde da Família do município baiano. Os dados foram coletados por meio de entrevista semiestruturada e analisados com base na técnica de análise de conteúdo. Os resultados evidenciaram que o processo de trabalho dos enfermeiros contempla a gerência e a assistência. Na prática gerencial, os enfermeiros compartilham responsabilidades com a equipe de saúde para a tomada de decisões; planejam as ações e avaliam os sistemas de informação. Já na prática assistencial, realizam assistência aos grupos populacionais, desenvolvendo visitas domiciliares e atividades educativas. Assim, evidenciamos diversas atribuições do enfermeiro na sua prática cotidiana na ESF, tornando fundamental a esse profissional melhorar o emprego das tecnologias em saúde para o desenvolvimento do processo de trabalho nas ações em saúde aos usuários e às famílias. Palavras-chave: Enfermagem. Estratégia Saúde da Família. Serviços de saúde. Trabalho.
Aurean D’Eça Junior, Livia Dos Santos Rodrigues, Raina Jansen Cutrim Propp Lima, Thaís Natália Araújo Botentuit, Josiel Guedes Da Silva, Rosângela Fernandes Lucena Batista
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 55-69; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n1.a3137

Abstract:
Apesar dos avanços, as taxas de aleitamento materno complementado antes dos seis meses de vida ainda são altas. Nesse sentido, o objetivo deste estudo foi estimar a prevalência de aleitamento materno complementado e analisar seus fatores associados em uma coorte de nascimento realizada em São Luís, Maranhão, Brasil. Trata-se de um estudo transversal utilizando os dados da Coorte de Nascimentos BRISA (Brazilian Birth Cohort Studies). Para analisar os fatores associados ao desfecho de aleitamento materno complementar foi construído um modelo teórico hierarquizado no qual as variáveis socioeconômicas e demográficas, de assistência pré-natal e reprodutivas, além de características da criança, foram divididas em três níveis. Realizou-se então a regressão de Poisson com ajuste robusto da variância bivariada e multivariada a fim de estimar as razões de prevalência (RP) e seus respectivos intervalos de confiança não ajustados e ajustados, utilizando o programa estatístico STATA 14.0. Na amostra, de 3.107 crianças avaliadas, 60,4% das mães relataram realizar aleitamento materno complementado antes dos seis meses de vida. Obteve-se como fatores de risco para o aleitamento complementado não ter realizado pré-natal (RP 1,32; IC95% 1,09-1,60), usar chupeta atualmente (RP 1,38; IC95% 1,30-1,47) ou já ter usado (RP 1,28; IC95% 1,15-1,41) e ser pré-termo (RP 1,11; IC95% 1,03-1,20). Assim, conclui-se que a prevalência de aleitamento materno complementado acompanha a média nacional, podendo-se identificar os fatores associados em São Luís, o que permite traçar intervenções e ações mais eficientes em Saúde Pública. Palavras-chave: Aleitamento materno. Estudos transversais. Associação.
Camila Maffioleti Cavaler, Marieli Mezari Vitali, Amanda Castro, Jacks Soratto, Graziela Amboni
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 107-131; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n1.a2903

Abstract:
O presente trabalho versa sobre o papel do psicólogo na Estratégia Saúde da Família (ESF), com base no contexto da residência multiprofissional. Trata-se de uma pesquisa integrativa, com base nos artigos sugeridos no edital da residência multiprofissional Unesc nº 270/2017 que compreendem os conhecimentos de psicologia. A análise dos resultados se deu com o auxílio do software Atlas TI 8.2.32. O artigo foi divido em 21 códigos, agrupados em quatro categorias, sendo elas: função do psicólogo na ESF, com dez códigos; psicólogo na ESF – dificuldades, com sete códigos; aspectos sociais, com seis códigos; e prestação de contas, com dois códigos. Os resultados mostram a importância do psicólogo na equipe da ESF no que diz respeito ao contato com a população e à troca de conhecimentos com a comunidade para compreender quais comportamentos e subjetividades estão envolvidos na prática da promoção de saúde. Os artigos versam também acerca da importância da reestruturação da identidade do psicólogo, que por vezes tem sua representação social atrelada ao atendimento clínico, problematizando ainda o fortalecimento de tal representação nas grades curriculares das graduações. Entende-se, por fim, que o psicólogo que atua na saúde pública deve ter seu trabalho pautado nas diretrizes do Sistema Único de Saúde, entendendo que a população deve estar no centro do diálogo de modo a desenvolver a autonomia dos sujeitos. Para tanto, percebe-se a necessidade de formações continuadas que instrumentalizem o trabalho do psicólogo diante da população. Palavras-chave: Saúde pública. Estratégia Saúde da Família. Formação profissional. Participação da comunidade.
Maria Augusta Vasconcelos Palácio, Iukary Takenami, Laís Barreto De Brito Gonçalves
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 260-270; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n1.a2932

Abstract:
A hanseníase representa um preocupante problema de saúde pública no Brasil, com altas taxas endêmicas e grande impacto na vida do indivíduo e sua família. Um importante instrumento para alcançar o seu controle efetivo é o amplo conhecimento sobre a doença. No entanto, existem lacunas na formação dos profissionais de saúde quanto à sua abordagem no processo de ensino-aprendizagem, o que influencia na prática profissional. A integralidade no cuidado às pessoas com hanseníase precisa orientar o processo de formação dos profissionais de saúde. Objetiva-se apresentar reflexões sobre o ensino da hanseníase em cursos de Graduação em saúde, apontando limites e desafios para um cuidado integral. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura que pretende conhecer o estado da arte sobre o ensino da hanseníase na Graduação em saúde. O ensino sobre a hanseníase e sua integração nos currículos dos cursos da área da saúde ainda não contempla uma perspectiva integral para a abordagem do tema. Existe um distanciamento entre teoria e prática, um enfoque centrado nos aspectos clínicos e um grau elevado de desinformação sobre diagnóstico, tratamento, cura e aspectos sociais que envolvem o processo de adoecimento e tratamento. A hanseníase precisa ser abordada de forma integral nos cursos da área da saúde desde os primeiros semestres. Dessa forma, deve-se considerar um olhar ampliado para aspectos sociais e culturais que envolvem o processo de adoecimento e tratamento, tanto a nível individual quanto familiar. Palavras-chave: Hanseníase. Ensino superior. Educação em saúde.
Mila Silva Cunha, Hudson Manoel Nogueira Campos, Mússio Pirajá Mattos
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 288-300; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n1.a3030

Abstract:
A educação construtivista é uma excelente alternativa para direcionar uma formação farmacêutica com as competências necessárias para atuar no âmbito da gestão do Sistema Único de Saúde (SUS). Este artigo tem como objetivo relatar a vivência do ambiente virtual como ferramenta de formação construtivista em saúde. Trata-se da experiência entre educador e educandos do curso de farmácia, com uso de metodologias ativas de ensino-aprendizagem baseadas no construtivismo. Em busca dessa construção, foi utilizado o webfólio como ferramenta de formação construtivista na disciplina práticas em saúde coletiva II: gestão. Assim, a proposta de utilização desse método é fundamentada à luz da obra de Paulo Freire em simbiose com Manoel de Barros. O processo de aprendizagem com a construção do webfólio e viagem educacional permitiu refletir sobre a realidade da nossa sociedade e a formação de agentes transformadores para gestão do SUS. Assim, os educandos foram empoderados e sensibilizados a seguir com o compromisso de reproduzir a corresponsabilidade no âmbito profissional, buscando a qualidade do atendimento com vistas à integralidade da assistência ao cuidado. A utilização dessas ferramentas foi assertiva por estimular uma formação por competências, interdisciplinaridade, interprofissionalidade, além de permitir nos maravilharmos com novas experimentações por meio de uma sociedade que muda permanentemente. Palavras-chave: Sistema Único de Saúde. Comunicação interdisciplinar. Metodologia ativa. Filmes cinematográficos.
João Rubens Teixeira De Castro Silva, José Carlos Barbosa Andrade Júnior, Paulo Henrique Da Silva, Ana Conceição De Oliveira Cravo Teixeira, Larissa Rolim Borges-Paluch
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 165-179; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n1.a3070

Abstract:
A reabilitação protética tem por finalidade restituir as funções mastigatórias, estéticas e fonéticas, além de proporcionar melhorias na qualidade de vida. Diversas lesões podem se desenvolver na mucosa bucal, sendo algumas relacionadas ao uso de próteses dentárias removíveis precariamente higienizadas e/ou mal adaptadas. Assim, este trabalho teve como objetivo investigar a presença de lesões bucais em pacientes usuários de próteses dentárias removíveis atendidos em uma Unidade Básica de Saúde em um município do Recôncavo da Bahia. O estudo se caracteriza como uma pesquisa descritiva de abordagem quantitativa. Os procedimentos e os instrumentos de coletas foram avaliações clínicas, além do preenchimento de um formulário semiestruturado. A população estudada foi composta por 66 pacientes, sendo todos usuários de próteses removíveis. Diante dos resultados obtidos, observou-se que 75,8% dos pacientes apresentavam lesões bucais, sendo que as principais foram úlcera traumática, queilite angular, hiperplasia fibrosa inflamatória e estomatite protética – esta última a mais presente nos voluntários, representando 53,31% dos casos. Palavras-chave: Manifestações bucais. Assistência odontológica. Patologia bucal.
Elaine Cristina Salzedas Muniz, Maria José Sanches Marin, Carlos Alberto Lazarini, Flavia Cristina Goulart, Danielle Ruiz
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 23-37; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n1.a2536

Abstract:
A utilização de medicamentos pelos idosos torna-se ainda mais problemática quando se trata da automedicação. Embora essa prática seja comum no mundo todo, as causalidades são diversas, visto que as variáveis socioculturais influenciam essa prática. Dados epidemiológicos do Brasil mostram que 80 milhões de pessoas têm o hábito de se automedicar, e os idosos fazem parte dessa estatística. Este estudo tem como objetivo analisar o perfil sociodemográfico de idosos que utilizam plano de saúde suplementar e automedicação. Trata-se de um estudo transversal, com abordagem quantitativa, no qual foram entrevistados 239 idosos usuários de plano de saúde suplementar utilizando-se um questionário previamente estruturado. Os dados foram transcritos para o software SPSS versão 17 e as análises inferenciais foram realizadas pelo teste de qui-quadrado de Pearson ou pelo teste exato de Fisher. Observou-se que 53,9% (125) dos entrevistados realizaram automedicação. Os homens e os idosos que vivem sozinhos tendem a fazer uso de automedicação em maior proporção. Os medicamentos mais utilizados dessa forma são a dipirona sódica, sozinha 15,8% (21) ou em associação 24,8% (33), seguida do paracetamol 10,5% (14), dos fitoterápicos 9% (12), vitaminas 6,8% (9) e nimesulida, utilizada por 6% dos idosos. Os dados indicam que esses idosos apresentam padrão de automedicação que se aproxima dos dados encontrados em outros estudos. Considera-se importante maior investimento em estratégias educativas como forma de evitar o uso de automedicação. Palavras-chave: Automedicação. Saúde suplementar. Idoso. Uso de medicamentos.
Saulo Sacramento Meira, Alba Benemérita Alves Vilela, Óscar Manuel Soares Ribeiro, Ícaro José Santos Ribeiro
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 70-88; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n1.a3035

Abstract:
Caracterizar as internações hospitalares decorrentes de lesões autoprovocadas intencionalmente no estado da Bahia, Brasil, no período de 2008 a 2016. Trata-se de um estudo observacional, descritivo, tendo como unidade de análise as notificações de internações hospitalares por lesões autoprovocadas intencionalmente no Sistema Único de Saúde. Identificaram-se 4.140 internações, sendo 66,5% do sexo masculino e 33,5% do sexo feminino; o maior tempo de permanência foi em idosos, com média de 3,47 dias. Houve predominância de autointoxicações voluntárias por álcool (média de 211,33 internações; DP = 53,33), seguidas das autointoxicações por pesticida/produtos químicos (média de 83,44 internações; DP = 7,35). A taxa de mortalidade foi de 4,05 para ambos os sexos, 4,2 para homens e 3,2 para mulheres. As hospitalizações por lesões autoprovocadas intencionalmente na Bahia nessa série histórica ocorreram em sua maioria em homens, sendo o álcool o mecanismo de lesão predominante; a permanência hospitalar foi maior em idosos, e a taxa de mortalidade geral por suicídio foi considerada baixa para a população estudada. Palavras-chave: Violência. Suicídio. Estatística. Tentativa de suicídio. Hospitalização.
Iramara Lima Ribeiro, Mário Sérgio Gomes Filgueira, Irislândia Lima Ribeiro, José Guilherme Da Silva Santa Rosa, Iris Do Céu Clara Costa
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 132-150; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n1.a3031

Abstract:
Avaliar a percepção de alimentação saudável por escolares entre 7 e 10 anos de idade a partir de um serious game de promoção da saúde. Desenvolveu-se uma pesquisa-ação de abordagem qualitativa, tendo como referencial a percepção de Merleau-Ponty, mediante grupos focais com 31 escolares e com 7 profissionais da área da educação a respeito da compreensão sobre a alimentação das crianças e interesses para com o jogo. Houve ainda entrevistas individuais com outros 37 escolares pós-teste do jogo. Os materiais resultantes foram analisados a partir do software Alceste e sob a luz da fenomenologia da percepção de Merleau-Ponty. Identificou-se boa aceitação da merenda escolar, com rejeição de algumas preparações, em concomitância com o consumo de alimentos industrializados. Na construção do jogo, foi sugerido um sistema de recompensas pelas escolhas saudáveis. A percepção das crianças sobre alimentação saudável esteve relacionada ao consumo de alimentos in natura, sobretudo frutas, estabelecendo um elo entre o jogo e suas vivências pessoais. A compreensão sobre alimentação a partir do jogo revelou-se propulsora de dotar as crianças de saberes para que façam as suas escolhas alimentares. Palavras-chave: Promoção da saúde. Educação alimentar e nutricional. Criança. Jogo.
Lorrayne Belotti, Carolina Dutra Degli Esposti, Izabela Marquezini Cabral, Karina Tonini Dos Santos Pacheco, Adauto Emmerich Oliveira, Edson Theodoro Dos Santos Neto
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 194-208; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n1.a2955

Abstract:
A elaboração, formulação, execução e avaliação da qualidade da água, com envolvimento ativo da população, é fundamental para melhorar o modelo vigente de vigilância. O objetivo deste estudo foi analisar as informações disponíveis sobre o heterocontrole e controle da fluoretação da água para abastecimento público em uma região metropolitana brasileira. Foi realizado levantamento de documentos de gestão, de trabalhos científicos que incluiu textos nas línguas portuguesa e inglesa publicados entre 1953 e 2015, e de informações nos sites das prefeituras e da empresa de abastecimento. Foram identificados: o ano do levantamento dos dados; número de municípios incluídos; tema principal; autores/instituições; método de pesquisa; análise de concentração do fluoreto e qual o nível encontrado. Para as informações encontradas nos sites identificou-se o ano, a fonte, característica e trecho principal. Cinco textos científicos foram identificados referentes ao tema nos municípios estudados, além de informações baseadas em relatórios de gestão, disponíveis do Centro Colaborador do Ministério da Saúde em Vigilância da Saúde Bucal. As informações presentes nos sites da empresa e prefeituras eram superficiais e não foram encontrados dados de controle/heterocontrole da fluoretação. A socialização das informações sobre o controle da água e, em particular, sobre a fluoretação, é importante para inserir essa temática no debate sobre saúde bucal e para garantir a realização dessa política no resgate de uma água tratada, de qualidade, sem intermitência e com flúor. Palavras-chave: Vigilância sanitária ambiental. Controle da qualidade da água. Monitoramento da água. Fluoretação da água.
Mússio Pirajá Mattos, Daiene Rosa Gomes, Maiara Macedo Silva, Samara Nagla Chaves Trindade, Elizabete Regina Araújo De Oliveira, Raquel Baroni De Carvalho
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 271-287; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n1.a3106

Abstract:
A educação interprofissional (EIP) em saúde é uma atividade que envolve dois ou mais profissionais que aprendem juntos de modo interativo para melhorar a colaboração e qualidade da atenção à saúde. Assim, este estudo tem o objetivo de compartilhar a vivência do uso de metodologias ativas de ensino-aprendizagem na prática interprofissional colaborativa com educadores da saúde coletiva. Trata-se de um relato de experiência da oficina “Dialogando com a interprofissionalidade”. A prática do “acolhimento” foi a abordagem escolhida para iniciar o diálogo da interprofissionalidade, com a finalidade de construir uma rede de confiança e solidariedade. No “(re)conhecimento interprofissional”, os participantes refletiram sobre as novas possibilidades para a produção do cuidado compartilhado. A formação dos grupos foi pautada na interação dialógica, através do “colar diversidade”, que possibilitou a construção de um ambiente descontraído e participativo. Com a “viagem educacional” foram gerados sentimentos e racionalidades que contribuíram para o desenvolvimento da colaboração, respeito mútuo, confiança e reconhecimento das diversas profissões, com interdependência e complementaridade dos saberes e ações, para o cuidado integral. Na “ciranda da interprofissionalidade” houve a expressão de sentimento de alegria, descontração, satisfação, inclusão, interação e colaboração, com o despertar de um coletivo unido pelo desejo de mudanças na sua práxis. Por fim, a prática interprofissional colaborativa em saúde foi destacada como uma estratégia essencial para se alcançar a integralidade do cuidado. A abordagem da EIP à luz de processos educacionais inovadores tornou a aprendizagem mais afetiva, alegre, problematizadora e com maior tomada de decisões. Palavras-chave: Educação interprofissional. Aprendizado colaborativo. Relações interprofissionais. Comportamento cooperativo. Aprendizagem ativa.
Aldo Pacheco Ferreira, Karla Geovanna Moraes Crispim
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 209-225; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n1.a2966

Abstract:
O envelhecimento fisiológico é linear e não obrigatoriamente igual em todos os sistemas do corpo humano, cada um inicia seu envelhecimento a um dado momento e perde a função em seu próprio ritmo. O objetivo deste estudo é analisar as intercorrências da capacidade funcional e função cognitiva de idosos. Trata-se de um estudo transversal de base populacional em Manaus (AM), Brasil, com 556 participantes, com sessenta anos ou mais. Os dados foram coletados por meio de inquérito domiciliar, com o auxílio de três instrumentos: o primeiro, questões referentes aos dados sociodemográficos; o segundo, o índice de Katz avaliando a independência em seis atividades; e o terceiro, o miniexame do estado mental (Meem), para avaliar a capacidade cognitiva. Os resultados apontaram uma prevalência de declínio cognitivo de 3,42% (n = 19). A média de pontuação no Meem foi de 19,3 pontos, e a média de idade dos idosos, de 66,5 anos. Com base na análise do índice de Katz, 88,67% (n = 493) foram classificados como independentes, segundo os critérios para AVD. Concluiu-se que há correlação entre função cognitiva e capacidade funcional na população estudada, de forma linear. Sendo assim, à medida que a capacidade cognitiva do indivíduo declina, concomitantemente também diminui sua capacidade funcional, com repercussões significativas na qualidade de vida. Palavras-chave: Cognição. Atividades cotidianas. Idoso. Capacidade funcional. Saúde pública.
Bianca Fontana Aguiar, Leandro Rozin , Luana Tonin
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 180-193; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n1.a2936

Abstract:
A população infantil é considerada o grupo mais vulnerável aos diversos tipos de violência, este fato gera danos físicos e psicológicos, dentre outras consequências para a sociedade em geral. O estudo objetivou identificar o perfil epidemiológico de violência contra a criança e adolescente, com dados registrados no período de 2012 a 2016 no Estado do Paraná. Trata-se de um estudo quantitativo, retrospectivo de base documental. A base de dados foi produzida a partir da confirmação da notificação “Violência doméstica, sexual e/ou outras violências”, disponível no Sistema de Informação de Agravos de Notificação entre janeiro de 2012 a dezembro de 2016 no Estado do Paraná, de crianças e adolescentes com idade entre 0 a 19 anos. Totalizaram 48.870 casos de violência contra crianças e adolescentes, com aumento do número de casos conforme os anos. Os casos prevaleceram no sexo feminino, com prevalência específica de 166,2 a cada 10 mil, faixa etária entre 0 e 4 anos, com 177,4 a cada 10 mil, na raça negra seguida pela indígena, com 205,5 e 162,7, respectivamente, a cada 10 mil. Das regionais de saúde, o maior número ocorreu na 2ª (Metropolitana), com 314,2 a cada 10 mil crianças e adolescentes. Conclui-se que a notificação é uma das principais ferramentas no processo de enfrentamento da violência e que o estudo permite o conhecimento dos casos de violência contra a criança e adolescente no estado do Paraná e proporciona o debate que contribui para qualificação das ações que previnam e detectem a violência em cada região específica do estado. Palavras-chave: Maus-tratos infantis. Saúde da criança. Defesa da criança e do adolescente.
Márcio Lemos, Celina Sayuri Takeshita, Eneida Gomes Ferreira, Valdelíria Coelho
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 301-309; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n1.a2764

Abstract:
O estudo tem como objetivo apresentar a experiência da Secretaria Estadual de Saúde de Sergipe e da Fundação Estadual de Saúde quanto ao processo de implantação de dispositivos de Educação Permanente em Saúde (EPS) para os trabalhadores da Atenção Primária à Saúde (APS) por meio da estratégia denominada “Telessaúde”. A experiência configurou-se na implantação de pontos descentralizados do Telessaúde, contemplando equipes da Estratégia Saúde da Família nas sete regiões de saúde do estado, com cobertura de 98,7% dos municípios. O desenvolvimento do programa se deu a partir de três diretrizes principais: (A) Teleconsultoria; (B) Segunda Opinião Formativa; e (C) Estratégias de Educação a Distância. Paralelamente a essas diretrizes foram desenvolvidas ações de integração entre as instituições de ensino e as Secretarias Municipais e Estadual de Saúde no intuito de fortalecer as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). Destaca-se o Telessaúde como uma ferramenta eficiente para ampliar o acesso dos trabalhadores às ações de educação permanente com vistas à melhoria da assistência em saúde em Sergipe e ao cumprimento dos princípios de universalidade, integralidade, equidade e resolutividade. As diretrizes de formação dos trabalhadores em saúde exigem, portanto, o aprimoramento de suas estratégias tanto na dimensão pedagógica quanto na político-institucional. Palavras-chave: Educação permanente. Educação. Saúde pública. Educação a distância. Estratégia Saúde da Família.
Suianne Braga De Sousa, Lourdes Suelen Pontes Costa, Maria Salete Bessa Jorge
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 151-164; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n1.a3024

Abstract:
Este artigo tem por objetivo analisar as contribuições da enfermagem para o cuidado em saúde mental na Atenção Primária. Trata-se de um estudo qualitativo realizado em duas unidades de Atenção Primária à Saúde (APS) na cidade de Fortaleza, capital do estado do Ceará, no período de setembro a dezembro de 2018. Os dados foram coletados por meio de entrevista semiestruturada com sete enfermeiras e analisados mediante análise de conteúdo categorial. Os resultados indicaram que o cuidado em saúde mental no contexto da APS ainda é permeado por vários obstáculos, demonstrando fragilidade na formação dos profissionais e/ou desinteresse por esse tipo de atendimento. Ademais, a prática do apoio matricial pode contribuir para o cuidado em saúde mental na Atenção Primária, embora este se encontre fragilizado. Com isso, apreende-se que o profissional enfermeiro precisa apropriar-se mais do cuidado em saúde mental no contexto da APS, assim como as ações em rede e o apoio matricial necessitam ser mais bem desenvolvidos. Palavras-chave: Saúde mental. Atenção Primária à Saúde. Enfermagem.
Roberta Lima Machado De Souza Araújo, Edna Maria De Araújo, Hilton Pereira Da Silva, Carlos Antonio De Souza Teles Santos, Felipe Souza Nery, Djanilson Barbosa Dos Santos, Betania Lima Machado De Souza
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 226-246; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n1.a2988

Abstract:
A exclusão social à qual as comunidades quilombolas estão expostas, em todo o território brasileiro, tem favorecido sua vulnerabilidade socioeconômica, ambiental, o que se traduz em precárias condições de vida e saúde. Este estudo tem como objetivo analisar as condições de vida, saúde e morbidade referidas pelas comunidades quilombolas do semiárido baiano. Trata-se de um estudo transversal realizado nas comunidades quilombolas de Matinha dos Pretos e Lagoa Grande no município de Feira de Santana (BA), com indivíduos adultos (≥ 18 anos). Os dados foram coletados por meio da aplicação de três instrumentos e analisados utilizando-se o pacote estatístico Stata 14.0. Resultados: dos 864 entrevistados, 63,0% são do sexo feminino; 47,8%, casados, apresentando uma média de idade de 42,6 anos (IC 95%: 41,1 – 44,2), e de escolaridade, variando de 6 a 7 anos de estudo em média. A maioria realiza trabalhos informais, especialmente nas funções relacionadas à agricultura. Em relação à vulnerabilidade ambiental, é de se destacar que 99,5% das casas não possuem rede de esgoto. Observou-se que a maioria raramente procura os serviços de saúde. As doenças de maior prevalência foram: doenças da coluna, doenças parasitárias e hipertensão arterial. Os principais agravos relacionados à saúde mental foram: ansiedade (n = 231); transtornos mentais comuns (n = 159) e fobias (n = 107). Os resultados demonstraram que as comunidades quilombolas de Feira de Santana (BA) encontram-se vulnerabilizadas, condição que revela a necessidade de intervenções sociais e de saúde, com vistas à melhoria da condição de vida e saúde dos quilombolas. Palavras-chave: Perfil epidemiológico. Condição de vida. Grupos com ancestrais do continente africano.
Ludmylla Souza Valverde, Adriana Miranda Pimentel, Micheli Dantas Soares
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 247-259; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n1.a3054

Abstract:
A formação em saúde é alvo de interesse nas pesquisas cujos resultados apontam para a necessidade de mudanças. O artigo apresenta um panorama atual da formação em nutrição por meio de uma revisão de literatura. A pesquisa foi realizada na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), nas bases de dados LILACS e SciELO no período entre 2000 e 2015, através dos descritores “formação and nutricionistas”, “formação profissional and nutricionistas” e “formação em recursos humanos and nutricionistas”. Parte considerável dos 15 artigos reflete sobre as limitações na formação em nutrição, tais como: escasso diálogo com as ciências humanas; incipiente articulação entre teoria e prática; ênfase no biologicismo e tecnicismo. O material apresenta, também, propostas para a superação dos limites apontados. Com base nesses aspectos, estratégias estão sendo implementadas para enfrentar os principais problemas identificados atualmente na formação de recursos humanos em saúde. Palavras-chave: Formação em nutrição. Ensino superior. Formação de recursos humanos. Nutricionistas.
Ivna Vidal Freire, Jules Ramon Brito Teixeira, Mailson Fontes De Carvalho, Tayana Kayre Assunção Santos, Icaro José Santos Ribeiro
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 43, pp 9-22; doi:10.22278/2318-2660.2019.v43.n1.a2623

Abstract:
A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e o Diabetes Mellitus (DM) têm elevada morbimortalidade, estando seu descontrole relacionado à baixa taxa de adesão à terapêutica e aos serviços de atenção básica à saúde. Assim, o objetivo deste artigo foi analisar o cadastramento e o acompanhamento de indivíduos acometidos por DM e HAS e verificar a mortalidade relacionada ao DM e a doenças cardiovasculares (DCV) num município do Nordeste brasileiro. Trata-se de um estudo descritivo, com dados do Sistema de Informações da Atenção Básica e de informações de mortalidade da Superintendência de Vigilância e Proteção da Saúde, coletados entre os anos de 2008 e 2013. Pôde-se constatar que a média de hipertensos cadastrados e acompanhados foi de 4.364 (± 652) e 3.862 (± 548), e, a de diabéticos, 1.076 (± 222) e 9.68 (± 190), respectivamente. A taxa global de acompanhamento de hipertensos e diabéticos foi de 88,6% e 90,2%, respectivamente. Evidenciou- se diferença estatisticamente significante na comparação do grupo de cadastrados e acompanhados na maioria dos anos estudados (p < 0,001). Identificou-se 178 óbitos por DM e 446 por DCV, dentre as quais prevaleceram doenças isquêmicas do coração e doenças cerebrovasculares. Conclui-se que as taxas de cadastramento e acompanhamento foram consideradas satisfatórias, apontando para a efetividade da atenção básica à saúde dessa população, ainda que consideradas as limitações do estudo. Por fim, evidenciou-se o seguimento da tendência global de elevação das taxas de mortalidade por DM e DCV. Palavras-chave: Diabetes. Hipertensão. Atenção Primária à Saúde.
Naiana Manuela Rocha Arcanjo Da Cruz, Karlos Eduardo Arcanjo Da Cruz, Carlos Alberto Lima Da Silva
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 42, pp 624-639; doi:10.22278/2318-2660.2018.v42.n4.a2807

Abstract:
O câncer de colo do útero ainda é um problema de saúde pública no Brasil, sendo a quarta causa de morte por câncer na população feminina apesar dos mais altos potenciais de prevenção e cura entre todos os tipos de câncer. O objetivo deste estudo é analisar a tendência da mortalidade por câncer cervical na Bahia entre 1996 e 2012. Realizou-se um estudo ecológico que investigou os óbitos por câncer do colo do útero de mulheres residentes no estado, com idade igual ou superior a 20 anos, entre 1996 e 2012. Como fonte de dados, utilizou-se o Datasus. Foram calculadas taxas de mortalidade específicas por idade, por macrorregião de saúde, brutas e padronizadas pela população mundial. A análise de tendência foi realizada por modelos de regressão linear. Calculou- -se a variação percentual, a percentagem por estado civil e local de ocorrência do óbito. A Bahia apresentou 6.275 mortes por câncer de colo do útero, com taxa de mortalidade média de 6/100.000 mulheres, sendo observada tendência de estabilidade entre 1996 e 2012. O risco de morte cresceu com o aumento da idade. A macrorregião de saúde com maior taxa de mortalidade foi a Leste, porém apresentou tendência decrescente. Do total de óbitos, a maioria foi de mulheres solteiras (46,4%), e 69,3% das mortes ocorreram no hospital. Na Bahia, a mortalidade por câncer de colo do útero ainda é elevada, o que sugere a necessidade de implementação de estratégias específicas para o enfrentamento da morbimortalidade por este agravo. Palavras-chave: Neoplasias do colo do útero. Saúde da mulher. Mortalidade.
Desirée De Vit Begrow, Daniella Souza Santos, Marília Emanuela Ferreira De Jesus, Manôa Marques De Carvalho Bispo, Mayara Pinheiro De Souza, Priscilla Santos Costa
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 42, pp 753-762; doi:10.22278/2318-2660.2018.v42.n4.a2567

Abstract:
O Programa de Educação pelo Trabalho-Saúde/Redes de Atenção à Saúde do Surdo (PET-Saúde/Redes) visa colaborar na implantação da rede de atenção à saúde das pessoas com deficiência, tomando como ponto de partida a Unidade de Saúde da Família (USF). Este artigo relata a experiência dos participantes do PET na busca ativa dos surdos em uma USF de Salvador, Bahia. Este relato de experiência foi desenvolvido por integrantes do PET-Saúde/Redes – uma graduanda de enfermagem e uma de fonoaudiologia da Universidade Federal da Bahia –, sob preceptoria de fisioterapeuta, integrante do Núcleo de Apoio à Saúde da Família, no período de setembro de 2014 a junho de 2015. A partir da experiência no PET, constatou-se que a inexistência de notificações sobre os surdos na USF se devia à falta de informação dos profissionais de saúde sobre a presença destes na região, e mesmo ao se depararem com as pessoas localizadas pelo projeto, foi externado despreparo para lidar com esses usuários. Essa constatação implica a necessidade de ações mais específicas de sensibilização para ampliar o olhar da equipe sobre essa população já historicamente estigmatizada, ações que envolvem desde a gestão da unidade até o esclarecimento por meio de atividades de educação em saúde com toda a comunidade, sobre como a atenção primária pode contribuir na melhor qualidade de vida das pessoas sob seu cuidado. Palavra-chave: Unidade de Saúde da Família. Surdez. Programa de Educação pelo Trabalho.
Lais Alves Porto, Raquel Neves Valente, Clara Oliveira Esteves, Julia Escalda
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 42, pp 653-670; doi:10.22278/2318-2660.2018.v42.n4.a2828

Abstract:
As políticas públicas voltadas para o incentivo ao aleitamento materno compreendem todos os níveis de atenção à saúde, desde as unidades básicas até as hospitalares. Este estudo teve como objetivo descrever e analisar concepções de trabalhadoras de um hospital público de Salvador (BA) sobre práticas de saúde para a promoção do aleitamento materno no hospital. Para tanto, optou-se como percurso metodológico pela realização de grupos focais a fim de proporcionar o compartilhamento de experiências e vivências entre as trabalhadoras. As participantes do estudo eram trabalhadoras dos setores de Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTI-Neo), Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Convencional (UCINCo) e Unidade de Cuidado Intermediário Neonatal Canguru (UCINCa). Os grupos focais foram gravados em áudio, transcritos integralmente e analisados quanto aos seus conteúdos temáticos. A análise temática das falas das participantes resultou em reflexões sobre o processo de trabalho no hospital; concepções e práticas de aleitamento materno; acolhimento e conhecimento popular e científico das participantes. Tendo em vista os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), as trabalhadoras de saúde procuram sustentar suas práticas de cuidado em uma atenção à saúde integral, humanizada, equânime e universal. O estudo produziu reflexões acerca das ações de saúde realizadas, incentivando mudanças no processo do cuidar em saúde. Práticas educativas dialógicas para a produção de saúde podem ser utilizadas como propulsoras de transformação. Palavras-chave: Aleitamento materno. Unidade de terapia intensiva neonatal. Saúde pública.
Aline Mitie Both Budal, Verônica Azevedo Mazza, Marilene Da Cruz Magalhães Buffon, Rafael Gomes Ditterich, Michele Jocowski, Valquiria Plucheg
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 42, pp 727-740; doi:10.22278/2318-2660.2018.v42.n4.a2503

Abstract:
A respeito da territorialização na atenção primária à saúde, o presente estudo é um relato de experiência que objetiva descrever a construção de um novo modelo de mapa inteligente em uma unidade de saúde da família no município de Colombo (PR). Para a construção dos mapas foram utilizados softwares de imagem por satélite e de desenho digital. Os mapas foram confeccionados por microárea, impressos e entregues aos agentes comunitários de saúde que, durante visitas domiciliares, inseriram as informações do território. Por serem embasados em fotos por satélite, os mapas representam o território de forma realista e dinâmica, além de ter como características a facilidade em seu manuseio, pois podem ser levados a campo, e ser de fácil preenchimento de informações e compreensão. O mapa inteligente, como instrumento de uso individual do agente comunitário de saúde e de uso coletivo da equipe, se torna ferramenta importante na identificação das situações de saúde do território e no planejamento, execução e acompanhamento das atividades na comunidade. A aproximação do espaço de vivência das pessoas com a equipe de saúde por meio de mapas inteligentes no cotidiano dos serviços permite maior reconhecimento do território e maior vinculação da unidade básica de saúde à população. Palavras-chave: Territorialização. Saúde pública. Planejamento em saúde. Atenção primária à saúde.
Amanda De Queiroz Afonso, Ila Iandara De Souza Araújo, Lays Ariane Teixeira Dos Santos, Lais Helena Rescinho Macambira, Sarah Manuele Cuimar Dos Santos, Sâmela Stefane Corrêa Galvão
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 42, pp 763-774; doi:10.22278/2318-2660.2018.v42.n4.a2537

Abstract:
A educação popular em saúde prioriza o diálogo aberto sobre problemas de saúde com os atores sociais, respeitando suas culturas, reconhecendo-as como válidas e promovendo análise crítica de tal modo que os empodere como reais cidadãos. Este trabalho objetiva relatar as experiências com educação popular em saúde de residentes de universidades públicas paraenses a fim de os apresentar como caminho capaz de colaborar com saberes, tecnologias e metodologias para a construção de novas práticas no âmbito do Sistema Único de Saúde. Criou-se, assim, grupo de grávidas em Unidade de Saúde da Família no município de Ananindeua, Pará. Trata-se de relato de experiência dos residentes de Saúde da Família com grupo de gestantes, utilizando conceitos e ferramentas da educação popular, de março de 2015 a julho de 2016. Por meio de reuniões periódicas entre a equipe, elaborou-se cronograma, palestras educativas e fôlderes com informações relativas à gestação. As gestantes encontravam-se na faixa etária de 15 a 35 anos, em sua maioria multíparas, com baixo nível de escolaridade, renda familiar mensal de um salário mínimo e sem emprego formal. Nota-se que, por estarem inseridas em contexto cultural amazônico, o conhecimento empírico norteia as práticas de seu cotidiano. Metodologias ativas de educação permitem o diálogo, a troca de experiências, além de valorizar a gestante como parte importante e principal no processo de mudança de sua realidade. Apesar das barreiras encontradas para a manutenção do grupo, observou-se colaboração das gestantes nas reuniões, interação e fortalecimento da relação profissional-usuário. Palavras-chave: Educação em saúde. Internato. Residência. Gestantes.
Mae Soares Da Silva, Zeni Carvalho Lamy, Vanda Maria Ferreira Simões, Marina Uchoa Lopes Pereira, Camila Mendes Costa Campelo, Laura Lamas Martins Gonçalves
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 42, pp 671-685; doi:10.22278/2318-2660.2018.v42.n4.a3033

Abstract:
Este artigo analisa a percepção de trabalhadores de saúde sobre a articulação entre os serviços de Unidade Neonatal e da atenção primária em saúde (APS) no acompanhamento de crianças na terceira etapa do Método Canguru. Trata-se de pesquisa qualitativa, exploratória, realizada em capital do Nordeste brasileiro, com profissionais de uma unidade neonatal de referência e de sete Unidades de Saúde. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas abordando questões gerais sobre o Método Canguru, com ênfase na terceira etapa. Fez-se análise de conteúdo na modalidade temática. Foram entrevistados 47 trabalhadores de saúde, sendo 14 da atenção especializada e 33 da atenção primária. Os profissionais de ambos os níveis de atenção perceberam os recém-nascidos pré-termo e/ou baixo peso como permanentemente frágeis, devendo ser sempre acompanhados no setor hospitalar. Durante a internação não é construída a vinculação da família com a APS e os trabalhadores da APS não reconhecem seu papel na atenção à criança egressa de unidade neonatal. No entanto, foi possível observar um movimento no sentido de promover o cuidado compartilhado. A percepção dos profissionais de saúde sobre risco das crianças que nasceram pré-termo ou de baixo peso faz, muitas vezes, com que os profissionais da APS não reconheçam a sua importância nos cuidados comuns a todas as crianças, contribuindo para a fragmentação do cuidado. A terceira etapa do Método Canguru deve acontecer com articulação entre o acompanhamento especializado e o realizado pelas equipes da APS. Assim, será possível estabelecer uma linha de cuidado que promova a continuidade da atenção. Palavras-chave: Método Canguru. Atenção primária à Saúde. Cuidado da criança. Assistência à saúde. Serviços de saúde materno-infantil.
Paula Beatriz Souza, Donátila Cristina Lima Lopes, Cecília Nogueira Valença, Soraya Maria De Medeiros
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 42, pp 640-652; doi:10.22278/2318-2660.2018.v42.n4.a2840

Abstract:
A saúde coletiva (SC) traz uma nova perspectiva de saúde, sendo um campo científico que produz saberes e conhecimentos acerca do objeto “saúde”. Objetivou-se realizar uma reflexão das oportunidades de inserção no mercado de trabalho para o profissional sanitarista e entender as esferas de formação de graduação, mestrado e doutorado em SC existentes no Brasil. Trata-se de um estudo descritivo utilizando dados secundários, no qual são descritos os materiais constantes relacionados à temática de SC, analisando fundamentos da oferta de vagas nas instituições de ensino formadoras de graduação, mestrado e doutorado, e da oferta de vagas de trabalho no período de 2013 a 2017 para a inserção dos profissionais sanitaristas no mercado. Segundo os resultados da pesquisa, a procura pelo curso de bacharel em SC vem crescendo gradativamente a cada ano, bem como a oferta de vagas na pós-graduação. Em 2017 o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) reconheceu a profissão de sanitarista no Brasil, dando expansão às ofertas do mercado. O trabalho em SC apresenta dimensões técnica, econômica, política e ideológica quanto aos valores de solidariedade, igualdade, justiça e democracia. O reconhecimento da profissão pelo MTE traz fortalecimento para a categoria. É preciso dar maior visibilidade ao curso e reivindicar das esferas governamentais incentivo para inserção do profissional sanitarista no âmbito da gestão em saúde mediante abertura de concursos públicos para a categoria. Palavras-chave: Saúde coletiva. Ensino. Mercado de trabalho.
Lorena De Oliveira Almeida, Laíza De Santana Muniz, Sara Roza Gomes, Milena Maria Cordeiro De Almeida
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 42, pp 741-752; doi:10.22278/2318-2660.2018.v42.n4.a3032

Abstract:
A formação dos profissionais de saúde para a atuação na atenção básica (AB) exige a superação do modelo curativista centrado na doença, ainda hegemônico na universidade e nos serviços de saúde. O objetivo deste relato é descrever a experiência de estudantes de fisioterapia na interface com a AB. Trata-se de relato de experiência de discentes da graduação de fisioterapia da Universidade Federal da Bahia, no componente Fisioterapia em Comunidades, que propõe a realização de atividades de integração entre universidade, Unidade de Saúde da Família e território coberto por esta. O componente acontece no formato de encontros semanais para debates teóricos e vivência prática na AB, em colaboração com equipes de saúde. Foram realizadas atividades de práticas corporais semanais, com grupo de mulheres do território, e intervenções de educação em saúde no formato de salas de espera, com o propósito de promover saúde, cuidados com o corpo e integração social. Também foi realizado um evento de saúde no território, com foco nas práticas corporais e prevenção de distúrbios musculoesqueléticos. As atividades realizadas trouxeram experiências novas e aproximaram os estudantes da AB, permitindo a interação com as reais necessidades e problemas de saúde da população. A experiência proporcionou uma reflexão sobre a importância das habilidades de acolhimento e escuta dos usuários do Sistema Único de Saúde e das competências do trabalho em equipe, o que representou uma oportunidade de formação em saúde voltada para a promoção da saúde e atenção integral na AB. Palavras-chave: Atenção primária à saúde. Educação em saúde. Estratégia Saúde da Família.
Marcela Maria Da Conceição Oliveira, José Magno Alves Dos Santos, Marcus Valerius Da Silva Peixoto, Susana De Carvalho
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 42, pp 700-711; doi:10.22278/2318-2660.2018.v42.n4.a2821

Abstract:
A fim de garantir o acesso de pessoas com deficiência (PCD) a todos os bens e serviços de saúde, foi criada a Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência (RCPD). Tal política pretende garantir ações de promoção à saúde, identificação precoce de deficiências, prevenção dos agravos, tratamento e reabilitação. A promoção de estratégias de educação permanente faz parte das diretrizes da RCPD. O objetivo deste artigo é relatar a experiência de uma ação de educação permanente em saúde (EPS) sobre o cuidado à PCD no contexto da atenção básica (AB). Os encontros de ensino-aprendizagem, no contexto do trabalho, foram orientados pela metodologia problematizadora do Arco de Maguerez. O conteúdo do curso foi distribuído em dez eixos. Os resultados evidenciaram a importância de propor temáticas inéditas para o cotidiano das equipes, além de reforçar o compromisso de promover uma aprendizagem significativa e baseada na reflexão crítica sobre as práticas. Concluiu-se que a EPS direcionada para a consolidação da RCPD ainda é temática pouco estudada e debatida, embora de grande relevância para a qualificação das ações em saúde para essa população. Ampliar a formação e qualificação dos trabalhadores da saúde, nas dimensões técnica, ética e política e nas inter-relações pessoais, é tarefa necessária para a constituição de sujeitos integrais no mundo do trabalho, incorporando em suas ações os princípios e valores que orientam o Sistema Único de Saúde. Palavras-chave: Pessoas com deficiência. Atenção primária à saúde. Educação permanente em saúde.
Paulo Henrique Caetano De Sousa, Denise Gonçalves Moura Pinheiro, Gisele Maria Melo Soares Arruda, Bernardo Diniz Coutinho
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 42, pp 712-726; doi:10.22278/2318-2660.2018.v42.n4.a2795

Abstract:
Como parte do Núcleo Ampliado de Saúde da Família (Nasf), o fisioterapeuta, na atenção primária, deve desenvolver ações de promoção da saúde e prevenção de doenças que perpassam práticas de matriciamento, planejamento estratégico, análise situacional, territorialização, atendimentos individuais, compartilhados, visitas domiciliares etc. Objetiva-se descrever as competências e discutir as dificuldades de execução das atribuições do fisioterapeuta do Nasf diante da realidade de um município cearense com base na ótica de um fisioterapeuta residente em saúde da família. Trata-se de relato de experiência em que foi utilizado o método narrativo-analítico com base nos relatos e no cotidiano vivenciados pelo autor no município de Horizonte, CE. Para se executar adequadamente essas atribuições, o profissional necessita de um aparato técnico e logístico que muitos municípios não conseguem ofertar, tais como material para intervenção prática, meio de transporte adequado e uma equipe multiprofissional que contemple as necessidades da área. Em Horizonte, tendo em vista sua demografia e sua recente de fundação, não houve possibilidade de realização das atribuições já explanadas. Pode-se relatar a dificuldade na utilização do transporte para as visitas domiciliares e demais atividades externas, o rigor da formação do fisioterapeuta com foco clínico e barreiras na realização do apoio matricial. Contudo, o profissional busca criar estratégias para realização do serviço de modo adequado e para gerenciar grupos e atividades de intervenção multidisciplinar. Para reduzir as dificuldades, faz-se necessário que os gestores forneçam apoio institucional a fisioterapeuta, convoque por concurso público mais profissionais de modo a cobrir o território e oferte capacitação específica conforme a linha de cuidado do Nasf. Palavras-chave: Fisioterapia. Atenção primária à saúde. Núcleo de Apoio à Saúde da Família.
Marcele Carneiro Paim
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 42, pp 577-577; doi:10.22278/2318-2660.2018.v42.n4.a3208

Abstract:
Com enorme satisfação, apresentamos este novo volume com reflexões no campo da saúde coletiva que endossam a diversidade da produção de conhecimento no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) enquanto modelo público de ações e serviços de saúde no Brasil. A presente edição reúne quatorze trabalhos. São sete artigos originais de tema livre, um artigo de revisão e seis relatos de experiência que contemplam diversos cenários do SUS como a atenção primária, a assistência hospitalar, o cuidado, a promoção da saúde e prevenção de doenças, abordando temáticas como processo de trabalho; articulação dos níveis de atenção; mercado de trabalho do sanitarista; desempenho motor de quilombolas; prevenção e tratamento das doenças; nutrição e gestação; mortalidade por câncer do colo do útero; Núcleos de Apoio à Saúde da Família (Nasf); educação na saúde; educação popular; cuidados com a pessoa com deficiência. Nessa perspectiva, a seção “Artigos Originais de Tema Livre” apresenta os seguintes artigos: “Entrevista motivacional como uma ferramenta no processo de trabalho do agente comunitário de saúde”; “Consumo de nutrientes no primeiro e terceiro trimestres gestacionais e peso ao nascer: coorte nisami”; “Desempenho motor de escolares quilombolas entre 8 e 10 anos”; “Mortalidade por câncer do colo do útero no estado da Bahia, Brasil, entre 1996 e 2012”; “Mercado de trabalho do sanitarista em saúde coletiva: novas perspectivas”; “Práticas de aleitamento materno: concepções das trabalhadoras de saúde de um hospital público de Salvador” e “Acompanhamento na terceira etapa do método canguru: desafios na articulação de dois níveis de atenção”. Neste novo número, temos também o artigo de revisão “Evidências científicas da alimentação na prevenção e tratamento das doenças cardiovasculares: revisão integrativa” e, complementando os trabalhos, os seguintes relatos de experiências: “Educação permanente em saúde e os cuidados à pessoa com deficiência: olhares teóricos, políticos e práticos”; “Dos desafios às estratégias de superação do fisioterapeuta do Nasf: um olhar do residente”; “Construção de novo modelo de mapa inteligente como instrumento de territorialização na atenção primária”; “Práticas corporais e educação em saúde: um relato de estudantes de fisioterapia na atenção básica”; “A (in)visibilidade do surdo na atenção primária: relato de experiência” e “Educação popular em saúde: relato de experiências da prática de residentes de universidades públicas paraenses”. Acreditamos que essa publicação oportuniza o conhecimento sobre diversas realidades presentes no âmbito do SUS e, certamente, contribuirá para a troca de experiências, produção e difusão de conhecimento, ampliando e estimulando o debate sobre a importância da democratização e circulação de informações técnico-científicas em saúde.
Juliêta Lopes Fernandes, Maria Luci Esteves Santiago, Andrea Conceição Gomes Lima, Edirlane Soares Do Nascimento, Thais Norberta Bezerra De Moura
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 42, pp 611-623; doi:10.22278/2318-2660.2018.v42.n4.a2752

Abstract:
O desenvolvimento motor é uma sequência de etapas evolutivas que ocorre de acordo com a faixa etária, determinado por meio dos requisitos de interação da criança com a tarefa, individualidade biológica e condições do ambiente. O objetivo deste estudo é analisar o desempenho motor de escolares quilombolas entre 8 anos a 10 anos de idade. Trata-se de uma pesquisa quantitativa, do tipo transversal, com amostra constituída por 52 escolares. O instrumento de coleta de dados utilizado foi o protocolo de testes da Escala de Desenvolvimento Motor (EDM) de Rosa Neto. A seleção da amostra foi do tipo intencional. Apresentaram classificação normal médio as variáveis coordenação motora fina, com Quociente Motor (QM) (QM1 = 100,47), motricidade global (QM2 = 100,42) e equilíbrio (QM3 = 98,07). Já a variável esquema corporal teve a classificação normal baixo (QM4 = 82,06). As menores classificações foram nas áreas de organização espacial (QM5 = 73,3) com classificação inferior, e a organização temporal, muito inferior (QM6 = 69,0). Na classificação geral dos escolares, 94% (n = 49) obtiveram níveis de desenvolvimento motor normal (médio e baixo). Um percentual de 4% (n = 2) foi classificado como inferior e 2% (n = 1), muito inferior. Conclui-se que o desenvolvimento motor da maioria dos escolares quilombolas encontra-se dentro dos parâmetros da normalidade. Palavras-chave: Desenvolvimento infantil. Desempenho psicomotor. Estudantes.
Tialla Ravenna Silva Santos, Jerusa Da Mota Santana, Cinthia Soares Lisboa, Djanilson Barbosa Dos Santos
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 42, pp 597-610; doi:10.22278/2318-2660.2018.v42.n4.a2862

Abstract:
A inadequação no consumo de nutrientes pode comprometer o crescimento fetal e resultar em baixo peso ao nascer ou em macrossomia fetal. Busca-se aqui identificar a relação entre consumo de energia, macronutrientes e micronutrientes no primeiro e terceiro trimestre gestacional e o peso ao nascer. Trata-se de estudo transversal aninhado em coorte prospectiva longitudinal com 166 gestantes do serviço público entrevistadas, no período de abril de 2012 a novembro de 2013. Para comparar as médias de consumo alimentar no primeiro e terceiro trimestre com o peso ao nascer foi utilizado o Test T de Student, com nível de significância estatística com valores de p < 0,05. Foi observado que as crianças com peso ao nascer inadequado (< 3.000 g) apresentaram consumo médio mais elevado de calorias (p = 0,02) e carboidratos (p = 0,04) no primeiro trimestre. E no terceiro trimestre identificaram-se diferenças nas médias de consumo de proteína (p = 0,02) segundo as categorias de peso ao nascer, já que mulheres que tiveram crianças com peso adequado (≥ 3.000 g) apresentaram consumo médio maior de proteína (médias = 72,66 g). O consumo alimentar de gestantes tem influência sobre a situação nutricional do concepto, especialmente no terceiro trimestre de gestação, momento em que a ingestão proteica materna teve maior relevância para o peso ao nascer. Palavras-chave: Gravidez. Recém-nascido. Peso ao nascer.
Ronny Cleyton Santos De Sousa, Líscia Divana Carvalho Silva, Rosilda Silva Dias, Andréa Cristina Oliveira Silva, Paulo Eduardo Sousa Silva, Letícia De Paula Carvalho Silva
Revista Baiana de Saúde Pública, Volume 42, pp 686-699; doi:10.22278/2318-2660.2018.v42.n4.a3007

Abstract:
Diferentes padrões dietéticos modulam múltiplos aspectos do processo aterosclerótico, como níveis lipídicos, resistência à insulina, metabolismo glicídico, pressão arterial, fenômenos oxidativos, função endotelial e inflamação vascular, o que consequentemente interfere na prevalência de eventos cardiovasculares. Este estudo investiga as evidências disponíveis na literatura sobre a alimentação na prevenção e tratamento das doenças cardiovasculares. Trata-se de uma revisão integrativa. A coleta de dados foi realizada no período de abril a junho de 2018 nas bases de dados: Lilacs, Medline, PubMed, Cinahl e Capes. Obteve-se uma amostra de 12 artigos. Os padrões alimentares mais bem estudados foram a Dieta mediterrânea (MedDiet) e a Abordagem dietética para parar a hipertensão (DASH). A MedDiet e a DASH reduzem a pressão arterial, os níveis de lipoproteína de alta densidade e colesterol total, a glicemia e o ganho de peso a longo prazo, retardando a progressão subclínica da aterosclerose, associada ao menor risco de eventos clínicos. As evidências mostram que a relação da alimentação na prevenção e tratamento das doenças cardiovasculares está cada vez mais elucidada. A utilização dessas dietas traz benefícios satisfatórios para a saúde cardiovascular. Palavras-chave: Fatores de risco. Doenças cardiovasculares. Prevenção de doenças.
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