Fabulações travestis sobre o fim

Abstract
Se o tempo cura, qual o tempo da cura? O fim é transitivo ou intransitivo? Quais os traços de uma curadoria de arte temporalizada? O texto aborda, desde a cosmovisão travesti, as interjeições especulativas altamente publicizadas na pandemia do novo coronavírus de “fim do teatro”, “fim do gênero”, “fim da espécie humana” e “fim do mundo” procurando apreender a operatividade econômico-filosófica curatorial do apocalipse e a curabilidade do fim. Pretende-se equacionar o que há no subsolo destes discursos, aventando o modo fabular das transgeneridades no sentido de desarmar os arranjos de comercialização do fim (Krenak, 2019) e de barganhas mercadológicas do luto social (Žižek, 2012). Almeja-se compreender os limites do corpo, da raça, do gênero e da cena para além do dilema da escassez de capital, tendo em vista o alargamento das dimensões cronológicas lineares da branquitude e da cisgeneridade. Notamos, assim, que a artesania espiralar do tempo (Martins, 2002), corresponde à audácia da elaboração do inacabamento inexorável da existência e da estética. Neste sentido, as fabulações travestis sobre o fim trazem para os estudos do futuro inscrições paradigmáticas de tempografias sincopadas, não obsolescentes da arte e da vida.